File #02


Acordei com uma intensa dor em minha cabeça. Estava caído sobre o concreto. Ao meu lado, um incêndio. Aos poucos fui me lembrando do que havia ocorrido, zonzo, enquanto me levantava...

Estava dentro daquela viatura na direção do R.P.D., a toda velocidade. Quando estávamos quase lá, surgiu aquele ônibus no meio do caminho... O policial que dirigia o carro tentou desviar e perdeu o controle. A viatura bateu, rodopiou, e desmaiei quando senti meu corpo sendo lançado para fora do veículo.

Havia ficado um bom tempo sem consciência. A viatura era consumida pelas chamas, enquanto apanhava minha Beretta, que havia caído perto de uma lata de lixo. Súbito, um barulho de hélices girando. Ele foi se tornando mais próximo, quando dois helicópteros passaram sobre a Rua Oak, dirigindo-se na direção do centro.

Adams --- Será que já mandaram a cavalaria?

No tempo em que fiquei desmaiado, a mídia já devia ter transmitido notícias sobre a horda de zumbis e agora as Forças Armadas provavelmente estavam invadindo a cidade, ou então algum tipo de reforço para os policiais...

Passei a mão pela testa dolorida, e caminhei para dentro de um beco. Precisava deixar aquela cidade. Caminhei alguns passos, quando ouvi um outro barulho, que infelizmente já conhecia: um gemido.

Olhei para trás, e aquele gemido se transformou num coro, aqueles malditos mortos-vivos surgindo das sombras. Sem opção, corri pelo beco, na esperança de pelo menos chegar vivo à delegacia...

E fui seguindo pelo beco, a legião de mortos-vivos atrás de mim, gemendo, quando me desesperei ao chegar no final do caminho: um furgão da S.W.A.T. o fechava, e faltava tão pouco para o R.P.D.! Rapidamente comecei a olhar para os lados, tentando encontrar qualquer porta ou janela aberta, quando descobri minha salvação ao olhar para o chão:

Adams --- Um bueiro aberto!

De fato, havia ali uma passagem livre rumo ao subsolo, e parecia que alguém já havia tentado escapar por ali. Rapidamente, comecei e descer a escada, fechando a pesada tampa do bueiro. Por sorte o caminho era iluminado.

No final da escada havia o início de um túnel, onde numa das paredes havia uma placa com uma seta para a direita e a inscrição "R.P.D., Estação de Tratamento". Sem pensar duas vezes, segui pelo novo caminho, arma em punho, enquanto lá de cima vinham os gemidos dos zumbis, que pareciam angustiados.

A grande reta terminou numa curva para a esquerda, onde encontrei um obstáculo. Um zumbi vestindo uniforme do R.P.D. vinha em minha direção, gemendo, com o rosto totalmente sem pele. Um disparo foi suficiente, na cabeça, e o morto-vivo tombou tendo convulsões. A nova reta terminava numa nova curva, para a direita, onde, após alguns metros, havia outra escada de mão.

Pendurei-me nela segurando fortemente os degraus, e subi. A tampa do bueiro estava fechada, mas tratei de empurrá-la com toda minha força. Por sorte não havia nenhuma trava fechando-a, indicando que alguém já havia usado mesmo aquele caminho.

Saindo pela abertura, vi que estava numa espécie de buraco. Olhando para cima era possível ver grades a alguns metros de altura, que cercavam a abertura. Atrás de mim notei outro bueiro aberto, mas este não me interessava. Fazendo uma curva, vi que havia uma porta-dupla de ferro logo em frente, iluminada por uma lâmpada cercada de moscas.

Chequei a munição da Beretta e entrei pela porta. Ganhei então um corredor iluminado, que logo no início fazia uma curva para a direita. Vencendo-a, vi que era bem extenso. Logo à esquerda havia uma porta-dupla com a inscrição "Sala de Autópsia". Depois havia uma extensão do corredor para a direita e duas portas desse mesmo lado, com uma curva para a esquerda no final e uma placa indicando que por ali se acessava a garagem.

Adams --- R.P.D., finalmente!

E, apreensivo, dei meus primeiros passos dentro da delegacia.

Sabia que estava no subsolo do R.P.D., e agora precisava subir até os pisos superiores tentando encontrar ajuda. Desejei do fundo de minha alma que os zumbis não tivessem invadido o prédio...

Após alguns passos, um estranho som ganhou meus ouvidos. Eram passos leves, diferentes dos de um zumbi. Logo aquela aberração surgiu em minha frente, vinda da extensão do corredor que seguia para a direita. Era um cão dobermann, porém estava praticamente sem pele, cheio de feridas e com os ossos expostos. Sua cabeça voltou-se para mim, e pude ver parte do cérebro à vista e um buraco no lugar do olho esquerdo. A coisa mais feia que já tinha visto.

Apontei a Beretta, e como reação o animal rosnou, mostrando os dentes afiadíssimos. Ele saltou em minha direção, mas consegui atirar, atingindo o monstro no ar, creio que no pescoço. O cão ganiu e voou para trás, mas ainda estava vivo. Mais um disparo, agora na cabeça, e a besta mergulhou numa poça de sangue, morta.

Ouvi mais daqueles passos, e rapidamente corri pela extensão do corredor. No final havia uma escada, que levava até o térreo da delegacia. Venci os degraus rapidamente, e logo estava num corredor iluminado, que se estendia logo em frente. Havia uma porta à direita, mas a ignorei. Apenas segui meu caminho, e então percebi que as janelas à esquerda do corredor estavam todas quebradas. Algo havia entrado no prédio por ali, provavelmente aqueles zumbis asquerosos.

O corredor terminava numa porta. Cruzei-a rapidamente, e logo o som de pás de ventilador girando chegou aos meus ouvidos. Estava num curto corredor, com outra porta no final a uma abertura à direita que parecia levar a uma das salas da delegacia. Tomei esse rumo, quando escutei uma arma ser engatilhada atrás de minha cabeça.

Voz --- Parado!

Fiquei imóvel, esperando que meu interlocutor se identificasse.

Continua...