Raccoon Disaster: Adams Cut
3 File #03
File #03
Senti o cano da arma encostado em minha nuca, e disse calmamente:
Adams --- Meu nome é Ernest Adams, sou agente do FBI, e não um desses zumbis. Agora, abaixe a arma, por favor.
O sujeito obedeceu. Virando-me, vi que se tratava de um jovem policial, o medo representado em sua face.
Adams --- Qual o seu nome?
Brendon --- Gary Brendon, senhor.
Adams --- Há mais policiais vivos no prédio?
Brendon --- Sim, mas estão dispersos. O R.P.D. virou uma bagunça desde que os zumbis começaram a invadir!
Então o prédio fora mesmo tomado. Nisso, vi que havia vários cadáveres de mortos-vivos no chão da sala anexa ao corredor. Eu e Brendon entramos nela, parando ao lado de uma das mesas cheias de papéis. Uma caneca de café quente liberava fumaça. Ao fundo havia uma porta azul, dupla, e à direita um pequeno gabinete. No teto, o ventilador girava lentamente, aliviando um pouco o terrível cheiro de carne podre.
Brendon --- O que faz aqui, senhor Adams?
Adams --- Vim procurando o senhor Chris Redfield, mas parece que ele deixou a cidade...
Brendon --- Sim, é verdade... Creio que nós todos estamos presos neste inferno por não termos acredito em Chris e nos outros S.T.A.R.S. a respeito da Umbrella...
De repente, um barulho. Era o rádio que Brendon carregava. Ele atendeu ao chamado, dando fim aos apitos:
Brendon --- Ford! Qual a situação?
Ford --- Os malditos derrubaram mais uma barricada! Já estão entrando no segundo andar!
Brendon --- Droga!
Ford --- Brendon, ouça bem! Há vários helicópteros sobrevoando esta área. Tente ir até um lugar aberto e alto, como o heliporto no segundo andar, e procure usar o rádio para contatar alguma aeronave, OK?
Brendon --- Entendi!
Ford --- OK, desligo!
Brendon guardou o rádio e olhou para mim com certa esperança.
Brendon --- Venha comigo!
E voltamos ao pequeno corredor, entrando pela porta oposta àquela que levava ao subsolo.
Cruzando a porta, saímos numa pequena área externa com uma escada que levava ao segundo andar. Os gemidos dos zumbis ao redor do R.P.D. misturavam-se ao som do vento. Subimos pelos degraus e cruzamos outra porta, ganhando novo corredor. Havia outra entrada logo em frente e o corredor se estendia também pela direita, sendo que tomamos essa direção. Tudo estava muito calmo, estranhamente calmo.
Logo paramos numa curva, Brendon sempre cauteloso, pronto para atirar em qualquer coisa que se mexesse.
Adams --- Você tem família aqui em Raccoon?
Brendon --- Mulher e filho. Meu cunhado disse que os tiraria da cidade, espero apenas que tenha conseguido...
Um esposo, um pai. Pobre infeliz... Súbito, várias janelas do corredor se quebraram, e cerca de dez corvos invadiram o ambiente, dirigindo-se em nossa direção. Nós impulsivamente corremos pelo corredor, que terminava em outra porta, ao lado de uma pilha de caixas. Rapidamente a cruzamos, enquanto os berros das aves iam ficando para trás, seus bicos tentando romper freneticamente o obstáculo para nos alcançar.
Brendon --- Essa foi por pouco!
Estávamos agora no heliporto do R.P.D., onde havia uma escada que descia até uma pequena ruela. Brendon pegou seu rádio e começou a tentar fazer comunicação com alguma aeronave através de várias freqüências. Para nossa esperança, logo um helicóptero se aproximou do R.P.D., sobrevoando os prédios vizinhos. Havia o símbolo vermelho e branco da Umbrella Inc. nele.
Brendon, falando pelo rádio --- Aqui é do R.P.D.! Respondam!
Mas a aeronave nos ignorou, desaparecendo na direção do centro da cidade.
Brendon --- Não, não vá!
Adams --- Acho que teremos que encontrar outra maneira de fugir...
Seguiu-se um gemido, que rapidamente se transformou mais uma vez num coro. Vimos então que uma horda de zumbis ganhava o heliporto subindo pela escada.
Adams --- Rápido, vamos voltar para dentro!
E, fugindo dos insaciáveis mortos-vivos, entramos novamente no prédio.
De volta ao corredor, os corvos por sorte haviam desaparecido. Começamos a correr como nunca, pisando sobre os cacos de vidro das janelas quebradas, enquanto os gemidos dos zumbis no heliporto pareciam se aproximar mais. Passamos direto pela porta que levava à escada até o térreo e entramos na última porta do corredor, de frente para esta.
Ganhamos então um novo corredor, e logo ouvimos gemidos de zumbis ali dentro. Rapidamente entramos pela primeira porta que vimos, logo à esquerda. Ao adentrarmos o novo cômodo, uma espécie de sala de espera, Brendon trancou a porta que havíamos acabado de cruzar com a chave que carregava. Estávamos temporariamente seguros.
Sobre um balcão havia uma velha, porém conservada máquina de escrever. Também pude ver na sala uma estante, bancos e um grande baú marrom e cinza, além de outra porta. Brendon disse, ofegante:
Brendon --- Deixamos aquelas malditas coisas para trás!
Adams --- Acho que estou começando a entender o que está acontecendo. Ocorreu algum vazamento provocado pela Umbrella na cidade e todos os contaminados, sejam pessoas ou animais, se transformam em mutantes assassinos! Agora compreendo a urgência com que Chris queria me encontrar...
Brendon --- Você poderá botar um fim na Umbrella, mas primeiro precisamos escapar desta cidade!
Houve um instante de silêncio. Nisso o rádio de Brendon tocou novamente. Ele atendeu ao chamado:
Brendon --- Ford, os zumbis estão invadindo o segundo andar pelo heliporto!
Ford --- Creio que esta batalha já está perdida, Gary. A prioridade agora é procurar sobreviventes dentro do R.P.D. e tentar encontrar uma rota de fuga!
Brendon --- Mas como?
Ford --- Ouça: acho que podemos tentar nos deslocar pelos esgotos, a partir da estação de tratamento. É mais seguro que vagar pelas ruas cheias de zumbis. Tente formar um grupo de sobreviventes e leve-os por essa rota!
Brendon --- Onde você está?
Ford --- Não se importe comigo! Apenas encontre mais sobreviventes e fuja!
Brendon --- Entendi, desligo!
O policial guardou o rádio, e em seguida olhou para mim com um olhar de certa determinação e bravura.
Brendon --- Venha, vamos procurar mais gente viva!
Seguimos então pela outra porta da sala, ao lado do baú.
Continua...
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