R.E.M.E.M.B.E.R.
2 Capitulo 1 - Eduardo Ferreira
Notas iniciais
Na manhã seguinte, consegui enfim chegar no horário. Lá estava o Eduardo, sentado sozinho na escadaria que ficava de frente com a entrada. Admito, ele é um cara bonito mas não para mim. Geralmente esses caras são héteros. Ele me viu e acenou com a mão, eu tentei fingir que não vi e ate fugir dele, mas ele me alcançou antes. Ele perguntou se eu estava bem, o que eu fiz no dia anterior, ate que:
— Você parece ser um cara legal, por que não tem muitos amigos Teodoro?
— Eles estão atrasados... Bom, vamos sentar e conversar sobre isso. — sentamos perto da cantina e eu comecei a falar — Sou Teodoro, tenho 17 anos e as pessoas que convivem comigo tem quase certeza que eu sou louco. As pessoas acham que eu sou riquinho por que sou loiro, tenho franja e não trabalho. Quem me dera trabalhar. Sou gay e solteiro, mas não saio com ninguém, a maioria das pessoas não é idiota o bastante para se interessar por mim. Só este ano eu tenho dois boletins de ocorrência abertos contra a sala de aula por bullying e agressão física. Ando com aqueles estranhos por que eles são legais.
— É eu vi vocês ontem, perto da quadra, mas fiquei sem jeito de ir la conversar... Eles haviam falado que você andava armado e que era para tomar cuidado com você. — disse o Eduardo, meio tímido.
— Eles falam isso para todo mundo.
—Bom, vou me apresentar também, posso?
— Vá em frente...- respondi com um tom entediado.
— Eu sou Eduardo Ferreira, tenho 18 anos e mudei-me a pouco para este colégio, no outro eu sofri homofobia e acabei em coma por 20 dias no hospital. — o que mais me surpreendeu foi o fato dele passar 20 dias em coma.- Quando acordei, comecei a me recuperar e pedi a transferência. Eu ganhei um carro dos meus pais para poder vir ao colégio, se quiser eu posso te dar uma carona na hora da saída...? — ele parecia estar me convidando para ir com ele, mas eu, entediado, ri e antes de poder responder o sinal tocou.
No decorrer do maravilhoso dia, eu fiquei conversando com ele. Ele me disse que os últimos dias foram bem cansativos e ele não via a hora de festejar na sexta feira. Estávamos na terça ainda e ele já pensava em beber. Esse era dos meus. dentre varias notas mentais eu pude separar uma seleção das sete melhores. No intervalo, começou a chover. Ele preferiu ficar na sala, socializando com as menininhas que estavam dando em cima dele enquanto eu fui para a entrada dos jogadores na quadra, onde sentei no chão com os amigos e comemos salgadinho vendo a chuva.
Após o intervalo, eu entrei em sala e pude ouvi-lo dizer que era hétero para as meninas, eu ri para mim e sentei-me em minha cadeira, agora, à frente dele.
Eu voltei a desenhar o rapaz do meu sonho e quando terminei, achei que seria legal encontra-lo um dia. no meu desenho e no meu sonho, ele era alto,cabelo curto nas laterias e a barba rala. Eduardo espiando meu desenho por cima de meu ombro, perguntou se era algum cara que eu gostava, eu respondi apenas que sonhei com ele, achei bonito e resolvi desenhar. Na saída, Eduardo me ofertou carona e eu aceitei por que começava a chover. "O carro dele é uma bagunça" pensei. Fomos conversando normalmente ate que eu questionei do "por que dizer que era hétero" e ele respondeu que era uma forma de se proteger, ele ainda estava amedrontado com o ocorrido.
Trocando a marcha do carro, ele pegou em minha perna. Eu fiquei envergonhado e ele riu desculpando-se. fui o resto do caminho olhando para fora pela janela. Ao chegar em casa, perguntei se ele queria entrar e ele aceitou. Minha mãe havia feito o almoço e deixado em cima do fogão, pois ela trabalhava das onze horas ate as dezenove horas. Meu pai trabalhava para a policia, doze por trinta e seis. Ele se ofereceu para comprar um refrigerante ou algo mas eu tinha em casa, então almoçamos. Rimos de situações ocorridas e compartilhamos bandas e musicas. Por um momento, ele me fez esquecer que eu era o "cara estranho que ninguém gosta". Me senti normal ao lado dele. Eduardo era realmente uma pessoa encantadora.
—Teo, você sabe o que é a Deep web? — perguntou Edu,
— Claro, eu vaguei la algumas vezes, por que?
— Eu sou Edgar Godne, achei o seu endereço no servidor da R.E.M.E.M.B.E.R. e preciso saber o que é isso.- disse o tal Eduardo.
— Que? Você não se chama Eduardo? — perguntei confuso.
—RESPONDE! — Ele puxou uma pistola semi-automatica e apontou pra minha cabeça.
—EU NÃO SEI O QUE É ESSA REMEMBER! Eu nem se quer sabia que estava nisso... Eu não ando na deep web desde que meu computador travou na marina's web. — respondi ele, então o mesmo abaixou a arma.
— Edgar Godne, vinte e três anos, Eu estou aqui buscando por você. Há no R.E.M.E.M.B.E.R. uma lista com mais de trezentos nomes, e agora só restam vinte sobreviventes... Sim, eles foram sendo assassinados um ha um, dia após dia, desde setembro do ano passado. Vim ate você para ver se conseguia descobrir algo, mas aparentemente você esta de intruso nisso.
Eu o observei calado e então ele foi embora. Eu confesso, eu sabia o que era a R.E.M.E.M.B.E.R. mas não me cabia contar a ele. Eu andava na internet como Teodoro, com o endereço falso e tudo mais. Os estranhos do colégio comemoraram quando eu os contei que meu nome estava na R.E.M.E.M.B.E.R. pois achávamos que era algum server que daria alguma premiação. Eu estava enrascado.
Entrei na R.E.M.E.M.B.E.R. e tive acesso a lista completa e a atualizada, nela não constava Eduardo, muito menos Edgar. Ja haviam morrido duzentas e oitenta pessoas. Homens e mulheres. crianças e idosos. No topo da lista dizia "R.E.M.E.M.B.E.R. Você nunca esta sozinho."
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