R.E.M.E.M.B.E.R.
3 Capitulo 2- 505
Notas iniciais
"Será que eles ainda lembram de tudo?" eu me questionava ao chegar ao colégio. La avistei Eduardo, ou Edgar, não sei qual nome usar. Andei diretamente ate avistar a garota ruiva com botas de couro, peguei no braço dela e disse "Anne, precisamos conversar, agora." Levei-a para longe das pessoas, como se tudo estivesse normal, então contei a ela, eu estaria prestes a morrer.
— Uol, calma ai, ta dizendo que é pior que a A.L.I.C.I.A.?- Ambos nos inscrevemos na A.L.I.C.I.A. mas ela era um server brasileiro que apenas guiou-nos por dentro da deep web.
— Sim, o tal cara falou que as pessoas estão morrendo, eu vou cair fora daqui o mais rápido possível.- disse assustado.
—É uma ótima ideia Teo... — concluiu ela.
Sai do colégio tendo a certeza de não estar sendo seguido. Anne contaria aos outros dois o por que eu fugi e avisaria para tomarem cuidado. no caminho eu joguei meu moletom preto no lixo e passei para cortar o cabelo. cheguei em casa e em menos de quinze minutos eu sai com uma bolsa nas costas e um óculos. Deixei a chave com a vizinha e disse que iria ficar alguns dias viajando, que era para ela tomar conta da casa. Peguei o primeiro ônibus para fora de Porto Alegre. Em pouco tempo estaria chegando em Florianópolis quando recebo uma ligação do Matheus, um dos nossos amigos.
— Oi Matt, aconteceu algo? — eu fui interrompido.
— Tem uns caras aqui, eles mataram a Anne e o Fabio, eu to escondido no banheiro do vestiário do time, cara, o que você fez?
— Eu não sei, eu não lembro de ter me metido nisso!
— Relembre Teo... — ele ficou mudo, eu pude ouvir os passos das pessoas andando e fiquei em silencio. Eu pude ouvir a pessoa chutar a porta do banheiro do vestiário e então Matt gritou desesperado, ele estava sendo esfaqueado.
Minha mão treme. Estou com o telefone no ouvido passando a divisa entre Rio Grande do Sul e Santa Catarina. Quando consegui reagir, eu tirei o chip do celular e em Florianópolis dei um jeito de vende-lo.
Saquei todo meu dinheiro do banco, deixando apenas um fundo de emergência. Comprei passagens para Curitiba e antes de embarcar lembro do que Matt disse: Relembre é a tradução para remember, o nome do servidor. Cheguei em Curitiba no final da tarde, fui ate um orelhão na rodoferroviária e liguei para a casa da vizinha, estava indisponível. Em uma lan house, abri as noticias de Porto Alegre. Eles queimaram a minha casa e a da vizinha também. Eu menti ao tal Edgar sobre muita coisas. Eu trabalhava de madrugada fazendo entregas de drogas e armas, e não tinha pais, a casa era do meu "chefe". Eu não sabia se era o Edgar que estava matando eles ou algum outro, mas desconfiava de tudo e todos. pesquisei pelo R.E.M.E.M.B.E.R. no navegador da lan house e acusou um resultado em especial. Uma pagina branca, com uma unica inscrição: "R.E.M.E.M.B.E.R. Você não esta sozinho. Tenha medo. Exponha."
Aquilo rodou em minha cabeça pelo resto da noite. Decidi sair da rodoferroviária, estava ficando arriscado ali. Fui para uma praça no centro, chamada Tiradentes, fiquei sentado enfrente a igreja da matriz. Na manhã seguinte, fui tomar um café na esquina da praça apenas para acompanhar as noticias. Sentei-me em uma mesa ao fundo. Eu estava careca e isso fazia a cor natural do meu cabelo prevalecer, castanho escuro. Percebi um homem de boné e roupa esporte pedindo um suco e vindo sentar-se comigo, quando reparei, era o tal Edgar.
— Não se preocupe, não vou te matar.- disse enquanto se aproximava.
— Então foi você, não é? todos eles... — um odio tomou conta de mim, senti uma força subir que nunca havia sentido antes, como se algo me controla-se.
— Não. Foi a viúva. Uma mulher negra, alta, corpo de modelo e sangue frio como gelo. Ela é o terceiro nome na lista, organizada por ordem de assassinatos. Você esta em ultimo agora, por isso estão indo atras de você.
— Qual a sua posição atual? — perguntei seriamente.
— Estou em décimo terceiro. — ficamos em silencio. Eu rabiscava um guardanapo de papel. estava escrito remember na vertical e eu estava brincando com as palavras, girando em circulo.- Você disse que não sabia nada sobre o servidor.
— E realmente não sei. O que eu sei agora é que alguém matou meus amigos e meus vizinhos, provavelmente meus familiares também.
— Qual deles? Eu sei que você é órfão. Busquei por você em um cartório antes de chegar ao colégio. — rimos ironicamente.- Vamos fazer um acordo? antes que todos morram, nós nos ajudaremos e no fim, travamos guerra... Preciso de você vivo até lá.
— Por que precisa de mim? Pode me matar agora se quiser...
— Por que você é um gênio na deep web. quero que localize os jogadores e me ajude com isso, em troca, eu te protejo dos outros. Você não tem muita escolha. É me ajudar a vencer e ficar vivo por mais algum tempo ou morrer em algumas horas. — ele tinha o dom do convencimento.
— Okay. Mas no fim, Eu ganharei isso. — disse abrindo um sorriso brincalhão.
— Haha pode apostar que vai haha — ele riu.
Estávamos na mesa ao fundo, perto do banheiro quando um ônibus invade o estabelecimento bem ao nosso lado. Eu me joguei pela porta do banheiro aberta enquanto ele saltou para trás, esquivando-se. É, eles tinham me localizado. O motorista estava tonto e abriu as portas, eu pulei por dentro do para-brisa e sai correndo, Edgar já estava me esperando, saímos correndo pela porta de trás e fugimos em direção ha uma pousada no centro. um muquifo se já bem dito. Estávamos em um quarto no quinto andar para tentar sobreviver a mais uma noite,o número era 505.
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