R.C. And A.V. Secrets
6 Five
Notas iniciais
Aro estava paralisado há segundos, com os olhos ainda fixos em Sienna. Sua expressão oscilava entre ódio e perplexidade, mas a falta de reação era o que irritava á todos.
Olhávamos raivosos em sua direção, esperando por uma atitude que ao menos estivesse no plano. Mas nada acontecia. O clima era no mínimo tenso.
Sulpicia e Athenodora franziam cada vez mais suas sobrancelhas, olhando para Aro como se estivessem prontas para empurrá-lo pra trás e fazerem o serviço que já deveria ter sido feito.
Caius estava imperdoavelmente enfurecido; as mãos fechadas em punhos comprovavam isso. Marcus era o mais calmo de nós, e apesar de neutro, parecia levemente decepcionado.
– Aro? – chamou Sulpicia, lutando para manter a voz gentil.
O marido não respondeu, mas pareceu estar voltando à realidade. Isso não satisfez a esposa, e muito menos a Caius, que logo se pronunciou:
– Aro?! – chamou ele, num quase grito. Qualquer um ficaria com medo se ouvisse aquele tom de voz. Eu fiquei, e não tinha sido comigo.
– Caius. – respondeu o único mestre de pé, com voz mais serena e mais rápido do que pensei que responderia.
Ele voltou da vida de estatua no momento seguinte, ficando com a mesma postura impecável de antes, cruzando os braços para trás e mudando a face perplexa, tornando-a seria.
– Suponho que algo lhe surpreendeu muito para interromper tal ato, irmão. – Caius não escondia sua insatisfação.
– Supõe bem, irmão. – a voz de Aro era vazia – Sinto-me um humano perplexo por descobrir o nosso mundo.
– O que está dizendo, irmão? – pela primeira vez em séculos, Marcus demonstrou grande interesse.
Aro não pareceu tão surpreso quanto os membros da guarda.
– Estou dizendo que realmente temos um privilegiado em nossos domínios, irmãos.
Agora a perplexidade compunha o rosto de todos, inclusive o meu. Houve cochichos até da parte das esposas.
– Silencio! – ordenou Caius, no mesmo tom assustador que antes. Todos se calaram de imediato, e algumas vampiras, como Heidi e eu, chegaram a estremecer levemente – Isso é impossível. – a voz continuava assustadora, só que mais baixa, e dirigida somente a Aro.
– Os pensamentos dela não podem me enganar, irmão. – Aro se virou, olhando para Caius – Pude sentir o cheiro dele em sua mente, e o sacrifício que foi para que ela não provasse do sangue proibido... – ele suspirou – Foi merecedor de uma segunda chance. – o irmão rosnou em resposta, discordando de Aro.
Pude ouvir os lábios de Sienna se moverem, formando um leve sorriso. Jane rosnou pra ela.
– No entanto... – continuou Aro, fazendo o sorrisinho de Sienna sumisse rapidamente de sua face – Podemos dizer que será algo limitado.
– Como é?! – o tom ameaçador de Caius não sumira, mas não provocava tanto medo quanto antes.
– Pense comigo, irmão... – Aro sorriu, assentindo discretamente para Jane. Os gritos não demoraram a recomeçar, e ele se virou para a vadia, dispensando Santiago e Demetri com um gesto. Os guardas deram três passos pra trás – Absolutamente nada pode matar essas criaturas que nos prometem a cura... Nosso veneno mal tem efeito em seu organismo. – o mestre Volturi começou a andar lentamente em torno de Sienna – Porém, se alguém da nossa espécie sacrificar sua imortalidade para drená-lo... – ele pegou uma fina mecha do cabelo de Sienna, fingindo analisada.
– N.. Não! – ela protestou, enquanto gemia de dor. Aro apenas sorriu, largando a mecha e continuando a caminhada.
Jane também sorria, e não parou quando seu mestre gesticulou para que ela deixasse de fazer Sienna sofrer. Simplesmente o fez de boa vontade, e logo Demetri e Santiago seguravam a morena novamente.
– Ora, Sienna! – disse Aro, assim que parou novamente á sua frente. A expressão agora era simpática – Estou lhe dando a chance que queria, deveria se mostrar um pouco mais grata. – sua voz era suave, e até divertida – Não que você tenha escolha. – ele concluiu, acariciando o queixo da nova cobaia.
Sienna não teria a morte que eu queria, mas talvez fosse mais doloroso pra ela se a matássemos quando fosse humana. Os outros guardas deveriam ter a mesma opinião que eu, pois quase todos estavam calmos novamente.
Aro observou os rostos de cada membro de seu clã, sorrindo quando notou que a maioria estava satisfeita com a ordem. Logo, ele se virou, caminhando elegantemente na direção de seu trono.
Ele não parou ou se mostrou alterado quando a voz da vadia voltou a protestar:
– Aro, por favor, eu não... – ela foi imediatamente interrompida.
– Minha cara... – ele se sentou – Não quero que pense que seu tempo de vida será desperdiçado. Você terá a liberdade que sempre teve, porém... – o mestre dispensou Dimmy e Santiago novamente, convidando a vampira ajoelhada a se levantar.
Apesar da pequena demonstração de Aro de que cumpriria sua palavra, ela se levantou hesitante. Obviamente, não era pra menos, afinal ela estava cercada por um clã de vampiros que a matariam sem nem hesitar.
– Creio que não deveríamos deixá-la sozinha pelos arredores de nosso território. – um sorriso maldoso apareceu em meu rosto quando entendi o que ele faria – Jane. – ele a chamou docemente.
– Mestre? – respondeu ela, no mesmo tom que seu pai. Ela tinha o mesmo sorriso que eu em seus lábios.
– Por que não faz companhia a nossa convidada por alguns dias, minha filha? – ele sugeriu, mas por algum tom em sua voz, senti que Jan não teria escolha. Isso não pareceu incomodá-la, pois seu sorriso ainda estava lá.
– Como quiser, meu pai. – a voz da bruxinha estava tão inocente a ponto de não combinar com seu sorriso maléfico.
– Magnífico! — ele comemorou – Leve-a para um dos quartos, querida. Demetria e Heidi vão acompanhá-las.
Assentimos uma vez, e sem esperar muito, Heidi começou a andar em direção a saída. Sienna não demorou a segui-la, e com uma diferença de poucos passos, Jan e eu fomos atrás.
Em pouco tempo, já estávamos do lado de fora da sala dos tronos, sendo guiadas por Heidi e Jane para o corredor dos hospedes.
Depois de segundos de caminhada, Sienna já parecia confiante de novo, mesmo estando entre a loura e eu.
Ela respirava profundamente a cada passo, como se estivesse fascinada com o cheiro do castelo... Ou como se estivesse procurando pelo cheiro de alguém.
Assim que chegamos ao corredor de hóspedes, ela se pronunciou irritantemente, confirmando minha segunda expectativa:
– Parece que seu gêmeo não está por perto, bruxa. – sua voz era tão insolente quanto confiante.
– E não está, vadia. – respondeu Jan, indiferente.
Sienna rosnou baixo, mas isso não fez com que a Volturi se virasse. Em vez disso, ela apenas continuou andando, seguindo rápido até chegar á uma das portas duplas que haviam no corredor.
Foi Heidi que a abriu, revelando um dos quartos mais pequenos do castelo, se não o menor. Mas mesmo sendo pequeno, parecia confortável para qualquer humano que o visse. Isso me fez pensar se aquele quarto não deveria ter pertencido a Gianna quando estava viva.
Meu rápido momento de distração foi totalmente cortado quando a voz irritante de Sienna voltou a preencher o delicioso silencio que existia:
– Vou ficar ai? Mesmo? Não obrigada, prefiro o quarto de Alec. – queixou-se, parecendo ter perdido a noção do perigo por provocar a gêmea Volturi de tal forma.
Mas Sienna nunca se importou, afinal, houve uma época em que Alexander a defendia cegamente da irmã. O problema – pra ela –, é que Alec não estava aqui agora, e mesmo que estivesse não a defenderia.
Jane virou-se lentamente, com um pequeno meio sorriso que, claramente, dizia que contaria esse pequenino detalhe á ex-cunhada.
Assim que os olhos vermelhos da Volturi encontraram o rosto de Sienna, a vadiazinha caiu ajoelhada novamente, e mesmo que não gritasse dessa vez, os gemidos agoniados já eram suficientes para fazer com que Heidi e eu sorríssemos satisfeitas. Jane não sorria abertamente como nós, apenas dava um meio sorriso maldoso enquanto encarava a vitima.
– O quarto de Alec está ocupado. – sua voz era inocente e maldosa ao mesmo tempo. Ela deixou Sienna livre de seu dom depois disso, deixando que ela respirasse aliviada por poucos segundos antes de soltar a bomba. Me materializei ao lado da loura, esperando para ver o rosto da vadia – A namorada dele está lá.
Sienna era tão boa como atriz como era boa sendo uma destruidora de lares. Talvez por ter milênios de pratica, ela pode controlar bem a expressão, mas parou de respirar por breves segundos, denunciando sua surpresa. Meio segundo depois de voltar a respirar, ela se colocou de pé em velocidade sobrenatural, olhando para Jane como se não o que ela acabara de escutar não a afetasse.
– Entendo... – disse ela, semicerrando os olhos – Bom, será por pouco tempo. – refletiu ela, olhando brevemente para dentro do quarto – Diga-me, Jane, seu irmão geme tanto com essa garota quanto gemia comigo? – perguntou ela, com um sorriso insolente.
Troquei um breve olhar com Heidi. Ambas sabíamos que a Volturi entre nós não perdoaria essa.
Antes que meus olhos pudessem acompanhar o movimento, a mão da loura segurava fortemente o pescoço da vadia, causando pequenas rachaduras nele. O corpo de Sienna voltou a se contorcer. Jane estava usando seu dom novamente.
– Não estou com vontade de ligar pra ele pra saber... Até porque, não sei se vou interromper alguma coisa. – Sienna rosnou, fazendo com que Jan sorrisse de canto – Enfim... – ela revirou os olhos, soltando minimamente a visita, apenas o bastante para que ela se regenerasse um pouco – Eu adoraria ficar lhe fazendo companhia e gastar todo o meu dom com você, querida vadia, mas tenho certeza que o mestre a quer inteira por alguns dias... Então... – ela soltou a morena, deixando-a há alguns passos longe, deixando-a livre de seu dom – Heidi a vigiará hoje. – a bruxinha olhou brevemente para Heidi, que assentiu minimamente.
– Ótimo. – Sienna ainda tinha a insanidade de manter o tom insolente – Heidi sempre foi mais simpática que você.
– Sim. – concordou Jane, simplesmente.
– Vamos. – disse a outra Volturi, alguns segundos depois.
A vadia não perdeu tempo, entrou rapidamente no quarto, e meio relutante, Heidi entrou em seguida, fechando as portas e nos poupando do insuportável cheiro doce que a nova cobaia exalava.
– Quanto tempo acha que ela vai durar? – perguntei, um tanto maldosa, assim que Jane e eu voltamos a andar.
Ela sorriu maldosamente.
– Com sorte, talvez três semanas... Ou quem sabe três dias.
Jan e eu trocamos um olhar cúmplice, mas antes que pudéssemos rir, ouvimos os passos de Demetri no outro corredor. Ele falava ao telefone, e, pelo que ouvi, falava com o melhor amigo.
– Então, meu querido, — falava meu irmão, com voz divertida – como foi?
Ouvi um riso pouco tímido do outro lado da linha.
POV. Alec
Mordi o lábio antes de responder a Dimmy.
– Foi... Você sabe... Prazeroso. – limite-me a dizer.
– E você não envergonhou o nome da família, certo? – perguntou ele, tentando parecer serio.
Ri baixo, virando-me um pouco para olhar Renesmee. Minha pequena ainda dormia tranquilamente no lado direito, mal havia se mexido.
– Pelo o que ouvi ontem à noite... Não. – sorri com a lembrança, me materializando ao lado da cama.
– Ah, esse é meu garoto! – comemorou ele, como um irmão mais velho faria. Ri de novo, de forma quase inaudível. – Mas quantas vezes vocês...? – começou, sem terminar a frase. Talvez por ter alguém por perto.
– Dimmy...! – repreendi, com voz baixa, enquanto levava uma de minhas mãos até a bochecha da hibrida, alisando sua pele macia.
Algumas mechas de cabelo cobriam um pouco de seu rosto, então as joguei de lado, conseguindo observá-lo por inteiro. A expressão era serena, e a respiração calma, mas nada me chamou mais atenção do que a marca de mordida que havia em seu pescoço.
– Ah, qual é, Alec! – brincou Demetri.
Forcei um riso rápido, tentando não parecer preocupado.
– Am, Dimmy, tenho que desligar. – falei, meio sem jeito, mas o louro compreendeu:
– Claro, até mais. – despediu-se.
Desliguei rapidamente, sem tirar os olhos da marca arroxeada que sabia que eu tinha feito.
Ajoelhei-me ao seu lado, tocando levemente o ponto roxo. Ela se remexeu um pouco quando o fiz, fazendo-me tirar as mãos dela rápido. Ness não deu sinal de que acordaria, então voltei a analisá-la.
Meus dentes estavam marcados em seu pescoço, mas a marca não era funda.
– Droga. – murmurei para mim mesmo.
Como eu podia ter feito isso? Ser tão idiota a ponto de achar que poderia fazer sexo com ela sem machucá-la?!
Abaixei um pouco o lençol que a cobria, vendo as outras marcas que iam de seu pescoço até pouco acima do busto. Contei cinco, que pareciam tão doloridas quanto a primeira. Cobri-a novamente, acariciando-a por alguns minutos enquanto pensava na besteira que havia feito.
Ela provavelmente acordaria dolorida, e eu não conseguia imaginar se sentiria mais dor por dentro ou por fora.
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