R.3
4 Seu Nome será Amós
Notas iniciais
Três horas de puro exames. Eu não sabia, mas R.3 havia recebido um medicamento para teste. Enquanto estive ali, vi Fausty e outros médicos examinarem-no por completo.
- Não vamos concluir todos os exames, pois está com o sonífero no organismo. Vamos esperar pela manhã. Logo ele acordará. – Dissera Fausty. Nem bem ele finalizou a frase e o garoto abriu os olhos, como se tivesse recebido um choque. Ele olhou para o Dr. – Olá, R.3! – Fausty cumprimentara falsamente sorrindo. O garoto o olhara, soltando um grande grito que ecoara pela sala, assustando todos nós.
- Eiii, garoto... – Falei me levantando do canto em que eu estava. É claro que eu corria o sério risco de ele gritar comigo também, mas para a infelicidade de Fausty ele parou e me observou. – Como está se sentindo? – Perguntei me sentando em sua cama. Ele não se mexeu, mas continuava a me olhar como se eu fosse uma atração de circo.
- Ele não vai falar com você se é o que pensa, Sr. McQueen. – Falou Fausty friamente.
- Vocês cortaram a língua dele? – Fausty me olhou com desdém. – Porque não dão um nome a ele? Porque chamá-lo de R.3? Ele não é um robô, que eu saiba.
- Ele não é um cachorro, que eu saiba. – Falou.
- O Sr. também não é, e tem um nome. – Respondi. Ele estreitou os olhos. Minha vontade era de rir da cara dele. Mas é claro, eu não faria isso...
– Cuide dele. Volto depois. – Ele vestiu novamente o jaleco e se foi. Cintia continuou ali. Então era esse garoto a cobaia por de trás disso tudo? Por trás do maior laboratório do mundo? Então era ele que fazia a fama deste lugar? Eu jamais concordaria com uma coisa dessas, mesmo que ele fosse geneticamente criado, ainda era só um garoto, tudo bem, um garoto um pouco escandaloso e com a maior força que eu já havia visto, mas ainda assim. Tá certo, é natural que ter de olhar na cara do Fausty por tantos anos a pessoa fique meio revirada das ideias. Aguentar aquele cara deveria ser terrível, se ele tivesse um papagaio na certa o bicho se suicidaria.
- Hã? – Eu havia acordado de minhas ideias, pois sentira uma mão quente e fina tocar meu rosto. – Desculpe... Eu estava distraído. – Respondi ao garoto sorrindo. Seus olhos haviam mudado de cor. Estavam negros, como duas pedras de ônix. Olhando de perto é que pude notar o quanto seus traços eram perfeitos.
- A regra impede que nos aproximemos demais, por isso não demos um nome a ele. – Contara Cintia. Mas pra mim, que se dane as regras idiotas que eles possuíam.
- Entendi. – Respondi secamente.
- Mas parece que ele gostou de você. – Falou. Ele tirara a mão de meu rosto, mas ainda assim não parava de me encarar. – Bom, eu vou verificar algumas coisas no laboratório da ala quatro. Por favor cuide dele. – Como se eu já não estivesse fazendo isso. Esperei ela ir embora pra poder relaxar.
- Ufa... Com esse bando de urubus, deve ser difícil pra você. – Falei a ele. R.3 continuava a me observar atentamente. Ele não sorria, parecia não saber expressar emoções. Talvez até nunca tenha visto a luz do dia... – Eu nunca fui de cumprir regras R.3... – Falei observando-o. – Por isso vou te dar um nome. O que acha? – Ele me encarava. – Tá certo, não precisa dizer nada. Sabe, eu tinha um primo, nós sempre brincávamos juntos quando éramos pequenos. Ele era muito importante pra mim, como um irmão. Mas um dia ele... – Nem eu entendia porque estava falando aquelas coisas, olhar aquele garoto me fazia ter lembranças e algumas dores estranhas... – Desculpe, isso não vem ao caso. – Disse. – Por isso seu nome será Amós. O mesmo nome do meu primo. Você gosta? – Teria sido só impressão, ou pude ver um sorriso quase imperceptível no canto de seus lábios? – Certo. Já está decidido. Mas olha, eu não posso chamá-lo por Amós se os abutres estiverem por perto, se não eles irão me mandar embora ao descobrirem que infringi as “regras” idiotas deles... Então não diga nada, certo? Será nosso segredo, ok? – Como sempre, ele nada disse. Embora eu achasse que ele quisesse tentar se expressar. Estiquei a mão direita, fechando todos os dedos, só deixando o mindinho de fora. – Isso é uma promessa, vamos, faça o mesmo. – Ele me olhou desconfiado, e então esticou a mão, fazendo a mesma posição da minha. – Muito bem, agora fazemos assim... – Cruzamos ambos os dedos. – Viu? É assim que prometemos algo... – Ele pareceu mais feliz. — Bom, está um pouco frio aqui, não quer colocar uma roupa, Amós? – Falei apanhando um tipo de roupão dentro de um dos armários. O ar condicionado era realmente forte. – Aqui... – Falei me adiantando para vesti-lo.
- Huhhhhh! – Ele se afastou fazendo uma negativa com a cabeça.
- Você não gosta mesmo de roupas, não é? – Falei, notando que estava rendido. – Não sente frio? – Ele brincava com os lençóis da cama em que estava, parecia entretido e não me ouvira. – Não deve sentir... – Balbuciei.
Fale com o autor