R E V I V A L
6 ATO 1. 06 - Live While We're Young
Notas iniciais
Eles entraram pelas portas dos fundos do clube que estava sendo vigiado por um cara branco, alto e estereotipadamente, careca que ignorou a passagem deles por lá, Thomas já tinha feito aquilo várias vezes em vidas passadas mas, fazer aquilo pela primeira vez na pele de Thomas era diferente, tinha uma certa adrenalina, seu coração bateu rápido, ele suou frio e notou que estava querendo parecer legal e descolado, o que ele percebeu ser uma coisa extremamente boba e infantil mas, naquele momento, aquela era a verdade dele.
Ele queria causar uma boa impressão e estava nervoso por isso.
Capítulo 06 — Live While We're Young
A área VIP estava tranquila, o lugar era mais escuro e reservado, estava ligeiramente vazio, povoado apenas com alguns casais recém formados, casais que provavelmente não durariam mais que aquela noite, espalhados nas mesas, regados com drinks caros e coloridos.
Ah sim, era bom aproveitar os privilégios da amizade de crianças super ricas como Henrique e Patrick. Entraram lá falando babaquices de adolescentes sobre suas expectativas para a noite e sentaram-se nos sofás grandes.
— Eu e o Patrick vamos pegar as bebidas, vocês vão com a gente ou esperam aqui?
— Vou ir procurar o Lucas, ele me enviou uma mensagem faz um tempo dizendo que já chegou mas que foi barrado no camarote então ele provavelmente ta olhando pra cima enquanto o teto muda de cor — E com isso sobrou apenas Thomas e Érica sentados lá e um silêncio tomou conta do ambiente depois dos meninos terem saído e logo foi substituído por assuntos aleatórios.
— Esse dias eu estava lendo na internet sobre um experimento que tentava explicavar o amor de modo científico.
— E o que dizia?
— Bem, montaram algumas duplas com pessoas totalmente desconhecidas e em uma sala eles fizeram perguntas uns pros outros e no fim eles se encararam por quatro minutos, acho que depois todos eles se casaram, ou só alguns, eu não sei, sei que alguém se casou.
— Achei legal, quer tentar?
— Pff, não — e revirou os olhos de um modo nada natural e que só um garoto idiota como Thomas não entenderia como um sinal.
— Hm, acho que você está com medo de se apaixonar por mim — e por incrível que pareça, ele não disse isso como forma de flerte.
— Você é um otário, só me deixa achar as perguntas na que a gente já testa isso — e após alguns segundos digitando no celular, iniciou — "Podendo escolher qualquer pessoa no mundo, quem queria ter como convidado para jantar?"
— Essa é difícil — não era, a primeira pessoa que pensou foi em Lucas mas decidiu mentir — Vale personagem fictício? porque se sim, eu continuaria sem saber, isso é muito difícil.
— Concordo, próxima pergunta, é sua vez de perguntar — e girou o celular na direção dele.
— Essa é fácil, "Gostaria de ser famosa? De que forma?"
— De forma alguma, ser famoso deve ser um saco, mas vamos lá, "Ensaia o que vai dizer antes de fazer uma chamada telefónica? Porquê?"
— Não e, porque alguém faria isso? É meio estranho.
— Concordo.
— Bem, "O que constitui um “dia perfeito” para si?"
— Não sei, acordar cedo, correr, logo depois almoçar alguma coisa cara em um restaurante chique e sair por aí com alguém que eu goste muito, dirigindo uma moto até chegar num campo de flores ao pôr-do-sol e depois tomar sorvete de casquinha de chocolate e creme e um churros de doce de leite.
— Uau, bem específico.
— "Quando foi a última vez que cantou para si mesmo? E para outra pessoa?"
— Cantei no banheiro hoje a noite e não costumo cantar pra ninguém, agora responda "Se fosse capaz de viver até aos 90 anos de idade com a mente ou o corpo de uma pessoa de 30 anos, o que escolheria?"
— Claramente o corpo. Inclusive pelo que me dizem eu acho que já fiz uma escolha parecida e que sou uma velha chata no corpo de uma menina de 17 anos — e os dois riram — "Tem um palpite secreto sobre a forma como vai morrer?"
— Hm, não é com suicídio — já que era basicamente impossível ele morrer cometendo suicídio, pois bem, ele tentou — essa aqui parece difícil, "Diga três coisas que você e o seu parceiro parecem ter em comum."
— É, realmente meio complicada mas bem, acho que o grande carisma...
— E que carisma eu tenho? — cortou ela com um tom risonho.
— É, não tem mesmo, mas meu carisma compensa a falta do seu, acho que eu vou passar essa, vamos lá, sua vez "Pelo o que é que se sente mais grato na vida?"
— Simplesmente por estar vivo.
— Profundo.
— Sou sim, "Se pudesse mudar alguma coisa na forma como foi educada, o que seria?"
— Academicamente? Eu sei lá — silencio prs pensar — eu gostaria de ter tido um pai mais presente.
— Meu pai viaja muito e por isso eu sou emancipado dele, sei como são essas coisas.
— É, todos tem problemas na família, mas o show continua, "Tire quatro minutos do seu tempo e conte ao parceiro a história da sua vida com o máximo de detalhes possível."
— Não acho que seja uma coisa que se deve fazer em uma balada... — Seria fácil contar apenas sobre a vida chata e entediante de Thomas e omitir suas outras vidas e ainda lhe sobrariam três minutos, mas ele não queria continuar a mentir sobre sua vida para Érica. Evitar o assunto não é mentir e nem omitir, foi o que ele pensou.
— Hm, então você vai fazer a linha misterioso, por mim tudo bem, faz a próxima pergunta.
— "Se amanhã acordasse com uma nova qualidade ou habilidade, qual seria?"
— Eu seria uma sereia.
— Acho que isso não é uma qualidade e nem uma habilidade...
— Ser uma sereia com certeza é uma qualidade, otário.
— Há quem questione isso...
— Eu não ligo, é uma qualidade e olha, passamos para o nível dois! "Se uma bola de cristal pudesse contar a verdade sobre a sua pessoa, vida e futuro, ou qualquer outra coisa, o que é que quereria saber?"
— Eu iria querer saber sobre a minha morte, sabe, como eu vou morrer.
— Uau, bizarro.
— "Há alguma coisa que sonhe fazer desde há muito tempo? Porque não a fez?"
— Hm, isso é bem pessoal... Tem sim uma coisa... — Mas Thomas sequer ouviu a resposta dada por Érica pois foi nesse momento em que os meninos voltaram e quando Thomas ouviu a voz de Lucas, toda sua atenção foi puxada diretamente pra ele e ignorou totalmente o que Érica havia dito.
Patrick tinha uma garrafa de Catuaba em uma mão e copos plásticos em outra, enquanto Henrique trazia baldes com gelo, com algumas garrafas de Skol Beats e energéticos nele, Lucas vinha logo atrás com Marcelo nas suas costas e parte de Thomas invejou a intimidade que os dois tinham.
— Me passa a Catuaba, otário — Érica disse, pegando a garrafa da mão de Patrick — bem, como essa é a primeira vez do Thomas nessa bosta de lugar — pequena pausa dramatica — Um lugar que já nos viu passar por muita merda, então eu acho que ele deveria dar o primeiro gole.
— Eu concordo com ela — Henrique disse se sentado ao lado de Thomas e batendo em sua coxa algumas vezes.
— Toma aqui bobão — e passou a garrafa pra Thomas.
— Bem, vamos lá — E virou a garrafa.
— E aí garanhão?
— Bem... — pausa pra dar outro gole — Me passa o energético.
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