R E V I V A L

7 ATO 1. 07 - Golden Days


Notas iniciais
"Você não se pergunta quando as luzes começarão a apagar? E o relógio apenas fazem as cores se tornarem cinza Para sempre jovem Envelhecer dá no mesmo Todas as memórias que fazemos nunca mudarão Nós ficaremos bêbados, ficaremos bronzeados, deixe o amor permanecer E eu juro que eu sempre vou pintar você." - Panic! At The Disco, Golden Days.

A pista estava lotada de gente branca e rica dentro dos padrões europeus de beleza mas era Érica que roubava a atenção de todos, sua pele negra brilhava como metal e ela dançava totalmente livre como se estivesse drogada mas estava só levemente bêbada, Thomas a achava incrível mas seus olhos só iam pra Lucas que já estava ficando bêbado.
— Olha ela, é fantástica — Lucas disse pra Thomas enquanto apontava pra Érica que continuava dançando.
— É — foi a única coisa que conseguiu sair de um Thomas enciumado.
— Não, olha direito, aquele garoto vai dar em cima dela, ela é fantástica nessas coisas.
E então Thomas parou para pensar sobre o que Lucas tinha lhe falado e ficou ali assistindo o garoto tentar a sorte com Érica.
— Já errou.
— Como assim? — Thomas perguntou sem entender muito bem.
— Ele já começou colocando a mão na cintura dela antes mesmo de cumprimenta-lá, Érica odeia isso. Ela odeia que toquem nela, ainda mais um desconhecido que usa camisa polo.
— Acho que ele não errou não — disse ao ver Érica se aproximando da orelha do garoto.
— Ele errou sim — E logo então o garoto saiu de perto dela com o fracasso e vergonha estampado no rosto enquanto Érica voltava a dançar, dessa vez, rindo — Ah cara, eu queria muito saber o que ela falou pra ele, olha como ele saiu, ela é excelente em dar foras, cadê o Marcelo? Ele adora ver isso.
— Eu não sei, ele some do nada.
— É, ele sempre faz isso. Cuzão.
O resto da noite passou como um borrão, Thomas bebeu bastante mas não chegou a ficar bêbado, nenhum deles ficou, estavam apenas alegres enquanto faziam coisas estúpidas como misturar bebidas, dançar música eletrônica ruim e genérica, trocar saliva e bactérias bucais com pessoas totalmente desconhecidas logo depois de lhes pagar um drink extremamente caro e se sentirem fantásticos por serem fúteis, irresponsáveis e jovem. Ah, a juventude é incrível e insuportavelmente idiota.

Capítulo 07 — Golden Days

Logo após a festa eles foram pra casa de Patrick que estava vazia, seus pais estavam em algum tipo de segunda lua de mel ou qualquer coisa de gente velha e rica e enquanto preparava para se espremer no banco de trás do carro, Thomas temeu acabar morto em um acidente de carro por causa de um motorista alcoolizado mas deixou de se importar logo após Lucas sentar ao seu lado.

A casa de Patrick era imensa e Thomas não chegou a vê-la toda, apenas entraram e foram até a sala.
— Vou pegar o narguilé, vocês querem beber algo? — ofereceu Patrick — Vodca?
— Eu topo.
— Meu Deus Érica, que bêbada — Henrique falava enquanto abria a grande porta de vidro que ligava a sala até a área de lazer, onde tinha uma piscina e uma mesa de bilhar — Vamos jogar bilhar?
— Não, hoje eu não to no clima pra isso...
— Qual é Lucas, não quer perder pra mim de novo? — Ser boa em provocações era uma das coisas que Érica mais se orgulhava sobre si mesma.
— Você só ganhou aquela vez por pura sorte.
— Três vezes seguidas, otário. Você vem Cello?
— Eu to totalmente dentro, vai vir Thomas?
— Tô fora, mas acho que eu ir vou ver vocês daqui a pouco — mas na verdade ele não tinha intenção nenhuma de sair de perto de Lucas pra ir ver Érica humilhar Patrick, Henrique e Marcelo.
Assim que Marcelo saiu, o silêncio entrou na sala pela mesma porta, atravessou a sala e sentou-se no sofá, entre os dois garotos que não estavam bêbados o suficiente pra perceberem que nunca tinham tido uma conversa antes. Seria loucura de Thomas estar apaixonado por alguém com quem ele nunca tinha tido uma conversa antes? Talvez sim, talvez não. Esse problema poderia ser resolvido naquele instante.
— Hm, bem... — Não parecia tão fácil agora que os dois estavam sozinhos, em lados opostos do sofá, olhando um pro outro enquanto Thomas pensava em algo pra falar — Sabe... eu li por aí na internet sobre um experimento científico sobre, bem, — pigarreou — amizade.
— Então é isso que você fica fazendo na internet? — provocou com um sorriso no rosto — Que nerd.
— Idiota — o nervosismo era notável- Deixa pra lá.
— Desculpa, foi mal, continua falando o que você ia falar.
— Não era nada, só queria testar se o experimento funcionava.
— Tá legal, vamos fazer.
— Só me deixa achar as perguntas — enquanto procurava sobre o experimento no Google ele pensou sobre como aquilo poderia dar errado, o que aconteceria se Érica entrasse enquanto os dois faziam as mesmas perguntas que eles haviam feito mais cedo? — Primeira pergunta "Podendo escolher qualquer pessoa no mundo, quem queria ter como convidado para jantar?"
— Que pergunta difícil — após pensar um pouco seu olhar risonho de bêbado havia sido substituído por um olhar triste, nostálgico e distante e logo depois a resposta foi dada em tom grave — Meu pai.
Thomas esperou ele continuar a falar mas foram interrompidos por Patrick que segurava dois copos com vodca.
— Os dois, se forem fumar, vão ter que fumar lá fora, minha mãe começou a pegar no meu pé por isso.
— Porquê?
— Sei lá, acho que agora ela é hippie e fica falando sobre a energia da casa e algo do tipo.
— Hippie?
Levantaram-se e foram com Patrick até o quintal e Thomas imitou Lucas quando esse se sentou em uma das espreguiçadeiras em frente a piscina, ficaram de longe vendo eles jogarem bilhar até Patrick ir até eles de mãos vazias.
— Não tenho essência e nem carvão, foi mal.
— Tanto faz, acho que o Thomas não fuma mesmo.
— Mas eu tenho isso aqui pra vocês — e colocou um baseado nas mãos dele.
— Há quanto tempo isso tá guardado?
— Eu não sei.
— Serve.
Thomas nunca tinha fumado nada, não ao menos como Thomas e ficou ansioso quando viu Lucas acender o baseado.
— Você primeiro.
— Tudo bem — pegou o cigarro entre o polegar e o indicador como já tinha visto outras pessoas fazerem, colocou na boca e puxou o ar, pensou ter feito algo errado pois simplesmente não pareceu nada demais mas fingiu gostar e logo depois de entregar o cigarro de maconha pra Lucas tentou se lembrar de como era a sensação daquilo e se ele havia tragado de maneira certa mas nada lhe apareceu na memória e quando Lucas lhe devolveu, repetiu o ato anterior e fingiu um pequeno êxtase, talvez um pouco exagerado pois fez aparecer um olhar de estranhamento no rosto de Lucas mas rapidamente tentou desviar a atenção de Lucas.
— Gostei do seu tênis — Era isso ou apontar para algum lugar e gritar "OLHA AQUILO" e fugir.
— Obrigado, é só um All Star comum.
— É, deve ser por isso que eu gostei tanto.
— Você tem um desses.
— É, eu gosto muito de All Star.
— Você tá bêbado ou já ta alto por causa da maconha? — E passou novamente o baseado para Thomas que tragou mais uma vez, tossiu e respondeu.
— Não — novamente uma onde de tosse — Sobre o que a gente tava falando mesmo?
— Sobre você estar meio chapado.
— Antes disso — mais uma tosse — Meu Deus, alguma coisa entrou errado.
— Sobre o meu tênis.
— Acho que não era sobre isso.
— Era sim.
— Eu to dizendo, antes disso também.
— Ah, aquele seu jogo de respostas.
— Ah, sim. Não é bem um jogo. Toma.
— É — deu uma tragada e depois liberou para o alto — o céu ta bem legal — Mas não estava. Não haviam estrelas para serem observadas e nem nuvens com formatos especiais, se é que uma nuvem pode ter um formato especial, Thomas também não conseguia achar a lua mas ainda assim, Lucas parecia fascinado enquanto olhava para o céu, um céu que apenas estava lá.
— Na verdade, não vi nada demais nele.
— É, é só um céu comum, comun como o meu All Star.
— Acho que agora eu entendi — Mas não entendia totalmente, ou realmente não tinha muito para entender.
— Você quer?
— Não, eu não sou muito bom nisso de fumar.
— Realmente.
— Lucas.
— Fala.
— Sabe o jogo?
— Você disse que não era um jogo.
— Realmente ele não é mas bem, tem uma coisa — Mas foi interrompido quando Lucas se virou e jogou fumaça em seu rosto, tossiu um pouco e abanou com a mão para fumaça se dissipar, quando tentou retomar a conversa, Lucas já estava de pé, olhando pra ele com um sorriso maliciosos no olhar.
— Vamos — Com isso, abaixou as próprias calças, fazendo o coração de Thomas bater rapidamente e seu sangue bombear mais forte e fazer Thomas ficar excitado quase instantaneamente. Lucas vestia uma cueca boxer azul marinho e alguns segundos depois não vestia mais a camisa, Thomas não conseguia fazer nada além de apreciar aquilo em um silêncio constrangido — Vai vir ou não? — Naquele momento Thomas podia jurar que Lucas sustentava um olhar orgulhoso no rosto, orgulhoso por ter conseguido atrair totalmente o olhar dele?
— Mas é claro que eu vou — E torceu para não ter parecido tão contente.
Lucas terminou de tirar os sapatos e as meias e pulou na piscina, Patrick gritou que a piscina não estava totalmente limpa mas os dois o ignoraram totalmente, Thomas levantou-se rapidamente e se despiu enquanto Lucas lhe olhava da água, com um sorriso no rosto.
— Tá fria pra caralho! — reclamou, logo após ter pulado, talvez andar com Érica estava lhe trazendo consequências.
— Bem, então vamos nos esquentar — Mas infelizmente para Thomas a declaração não era aquilo que parecia e em vez de um exótico sexo gay na piscina, Lucas apenas começou a nadar de um lado pro outro, Thomas por fim decidiu lhe acompanhar e em pouco tempo já estavam competindo para ver quem atravessava a piscina mais rápido, depois de Lucas vencer Thomas várias vezes, decidiram boiar, mas boiar era entediante e voltaram a nadar, dessa vez, sem competições, apenas um em volta do outro de olhos abertos, fazendo caretas e tentando falar em baixo d'água e só saíram de lá quando os outros já tinham ido dormir, se secaram com as toalhas que Patrick deixou pra eles nas espreguiçadeiras e Thomas não conseguiu não evitar ver o volume na cueca de Lucas mas conseguiu não ficar parado observando de forma discarada Lucas secando o corpo maravilhoso na sua frente, não que ele não tenha visto, não iria desperdiçar uma chance dessas, ele apenas foi discreto quando o fez.
Entrarem em silêncio na sala, sentaram no sofá e notaram apenas um cobertor dobrado, em cima do sofá.
— Olha, você pode ficar com o cobertor, eu não tô com frio.
— Eu também não tô com frio, não é disso que eu queria falar agora.
— Já deve ter passado das quatro, mas fala aí, eu escuto.
— É sobre aquilo que a gente conversou, sabe, do jogo — iniciou, tímido — Enquanto a gente boiava na piscina eu pensei em uma coisa.
— Que coisa?
— Eu falei sobre aquele experimento pra você mas agora eu percebi que, não é assim que as coisas acontecem. Não se cria uma amizade por com base em algumas perguntas que foram escritas por alguém que nós nem conhecemos, uma amizade se cria com o tempo e descobrindo coisas um do outro que você realmente queira saber.
— Eu concordo e pode perguntar o que você quer me perguntar.
— Não quero te perguntar nada.
— Se não quisesse não iria ter falado isso.
— Sabe, eu fiquei muito curioso pra saber sobre o seu pai — Após finalmente dizer o que esperou a noite toda para dizer, Thomas não obteve uma resposta rápida, os dois ficaram em silêncio até Lucas se levantar, pegar o cobertor, sentar ao lado de Thomas e passar o cobertor sobre eles, quando já estavam aconchegados, ele iniciou.
— Meu pai serviu ao exército e morreu em um acidente de carro enquanto voltava pro quartel, eu era muito pequeno e não lembro disso e nem do meu pai, cresci com a minha mãe, uma mãe solteira que sempre disse que nunca mais iria se casar pois homem algum jamais seria o que o meu pai foi, a não ser é claro, eu.
— Sabe, minha mãe morreu quando eu era pequeno e meu pai se casou duas vezes e se divorciou algum tempo depois, ele viaja muito e por isso eu sou emancipado dele, quando ele bebe ele fica meio alterado e eu tenho medo de ele nunca mais voltar de uma viagem de negócios — um silêncio tomou conta do lugar e Thomas não sabia dizer se Lucas estava tentando segurar o choro mas este logo se levantou e pegou um copo com vodca que tinha sido abandonado na mesa de centro da sala, virou tudo em um gole, atravessou a sala, apagou as luzes e voltou ao sofá, Thomas observava atento enquanto Lucas se acomodada ao seu lado no sofá.
— Você acha que é melhor não conhecer o pai ou conhecê-lo e ele acabar sendo um bosta?
— Acho que conhecê-lo é melhor, se eu não tivesse conhecido meu pai, eu provavelmente endeusaria ele.
— Como eu faço.
— São casos diferentes, seu pai morreu, o meu é um escroto que me abandonou.
— Minha mãe sempre me contou muito sobre o meu pai e eu sempre pensei que eu queria ser como ele mas — Então ele olhou diretamente para Thomas e apoiou sua testa contra a dele e continuou — há algum tempo eu escutei algumas tias minhas conversando e elas falaram que meu pai era um bêbado que batia na minha mãe e agora eu tenho medo de realmente ficar igual ele.
— Você não vai ficar igual ele...
— Qual é, olha pra mim, eu acho que a sensação de alto e bêbado já é comum pra mim.
— Então para com isso — silêncio — Você consegue?
— Sim, eu consigo.
— Eu vou tentar te ajudar, prometo.
— Obrigado Thomas.
— Não vai ser sacrifício nenhum ficar perto de você pra te ajudar a não beber — E as bocas dos dois pareciam ir de encontro até Lucas virar o rosto, Thomas ficou em silêncio, não tinha certeza do que tinha acabado de acontecer.
— Obrigado — E logo se deixou cair nos ombros de Thomas, ficaram daquele jeito por algum tempo, até Lucas se remexer, deitando no sofá e colocando Thomas em seu peito, o abraçando.
"Ele está acordado?" pensou "Ele está sóbrio?" mas decidiu que isso não era importante e se aconchegou no peitoral de Lucas, sentindo o calor de sua pele.

À noite, todos os gatos são pardos, então aproveite pois a manhã logo chegará, Thomas.

Notas finais
Esse capítulo era pra ter saído junto com o capítulo passado mas teria ficado grande demais e eu não queria fazer vocês esperarem tanto, espero que tenham gostado dele.
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.