R E V I V A L

2 ATO 1. 02 - Everything Has Changed


Notas iniciais
"E todas as minhas paredes são altas e pintadas de azul Mas eu vou derrubá-las, vou derrubá-las E abrir a porta para você" - Taylor Swift, Everything Has Changed (feat. Ed Sheeran)

Acordou as 06:22 da manhã, pulou da cama as 06:25 quando o despertador tocou, tomou banho, escovou os dentes e vestiu o uniforme, foi até a cozinha e procurou algo pra comer, seu pai estava viajando a trabalho e a única coisa que achou na geladeira foi uma caixa de suco de uva, ovos e leite, revirou o resto da cozinha e achou um pão francês já duro e um pacote de pão de forma com 3 fatias, decidiu que compraria algo pra comer no caminho e mentalmente tomou notas de que deveria ir ao mercado, colocou os tênis, pegou a mochila e as chaves e as 06:42 seguiu seu caminho.

Capítulo 02 — Everything Has Changed

No caminho parou em uma padaria e comprou dois croissants de frango, comeu um lá mesmo e guardou o outro na mochila, chegou na escola cedo e decidiu ficar no pátio esperando as aulas começarem, sentou-se no chão em um canto vazio, colocou os fones de ouvido, botou no aleatório, tirou o croissant da mochila e comeu enquanto observava os outros alunos chegando, eles brotavam no pátio com os ombros baixos e olhares derrotados, cansados de um final de semana. Aos poucos, os lábios frios da manhã esboçavam sorrisos aconchegantes, a medida que o calor de amigos apareciam e tiravam o triste clima de uma segunda feira de manhã.

Thomas sentiu um leve aperto no peito ao lembrar que seus amigos tinham mudado de escola, fazia algumas semanas que as aulas haviam começado e até agora ele não tinha arrumado amigos novos, conhecia a maioria dos alunos e eles também o conheciam, porém não era próximo de ninguém.
É difícil criar laços de amizade quando se inicia o terceiro ano, normalmente todos já estão estabilizados em um grupo.

O sinal tocou anunciando o inicio das aulas e todos se arrastaram pras salas de aula, lembrava um apocalipse zumbi. As três primeiras aulas foram uma tortura pra Thomas que já havia visto aquela matéria em outra vida, sua mente estava longe quando o sinal do intervalo tocou e todos saíram da sala apressados, preparados para lutar um com os outros por um lugar bom na fila da cantina e quando Thomas chegou, fila já era imensa. Pensou duas vezes se valia a pena ficar esperando ali até que se lembrou; não tinha outra coisa melhor pra fazer, algum tempo depois saiu vitorioso com um x-salada e uma caixinha de suco de uva em suas mãos. Sentou-se no cantinho de sempre e observou o pátio lotado de alunos, rindo e falando alto, era inegavel que ele se sentia deslocado e triste ali. Quando terminou de comer seu x-salada o sinal tocou e logo ele se viu de novo preso naquela sala de aula.
A quarta e a quinta aula foram mais interessantes, os garotos que sentavam no fundo da sala estavam elétricos e não conseguiam parar de fazer algum tipo de piada ou gritar algum palavrão, a cada piada feita os olhos e os sorrisos de Thomas sempre se direcionavam a Lucas, assim como as piadas de Lucas sempre se direcionavam a Thomas. Era uma coisa engraçada, Thomas havia notado aquilo ainda no final do ano eletivo passado, sempre que Lucas gritava algo, fazia uma piada ou um comentário bobo, ele imediatamente olhava pra Thomas verificando se ele estava rindo e sempre ria de volta, as vezes Thomas era pego olhando pra ele e os dois começavam a se encarar até que um risse e desviasse o olhar.
Era dificil pra Thomas manter os olhos longe de Lucas, ele parecia um príncipe saído de um conto de fadas eurocentrico da Disney, loiro, alto, forte, tinha uma pele perfeita e um rosto com traços fortes, sua aparência atraía automaticamente a maioria das garotas porém sua personalidade as espantava. Thomas sempre ouvia as garotas comentarem que "A beleza não compensa a imaturidade" mas havia algo naquelas brincadeiras que atraía Thomas, você aprende a apreciar um comentário estúpido feito em sala de aula por um adolescente cursando o ensino médio quando viveu várias vidas tristes e solitárias. Era bom simplesmente rir de algo bobo.

E foi assim, em meio a piadas de adolescentes que ali se sentiam infinitos e um professor puto que as duas aulas se passaram e o sinal tocou anunciando o fim da quinta aula. Thomas começou a guardar seus livros quando lembrou que aquele era apenas mais um intervalo e que logo mais haveria a sexta aula, as sextas aulas só tinham nas segundas, terças e quartas e por algum motivo ele tinha muita dificuldade de lembrar quando tinha sexta aula ou não. A maioria dos alunos iam embora durante o intervalo entre a quinta e a sexta aula, Thomas pensou na possibilidade porém deixou de lado, "Tem mais possibilidades de algo legal acontecer na escola do que sozinho em casa jogando League of Legends", pensou.
O segundo intervalo era mais curto que o primeiro e ele mal percebeu quando o tempo passou e ele estava de volta a uma sala de aula, dessa vez, deserta.
A professora baixinha e com um cabelo tingido de ruivo entrou na sala, aparentava ter seus 55 anos e trazia no rosto um sorriso.
— Bem — iniciou logo depois de analisar a classe — como a sala ta basicamente vazia eu não vou passar matéria, formem duplas. Eu quero que vocês conversem, se conheçam e criem um poema que transmita o que vocês tem em comum.
— Quem vai decidir as duplas? — perguntou um garoto magro que normalmente se senta ao fundo, ao lado de Lucas.
— Eu mesmo decido.

E assim foi feito, infelizmente a dupla de Thomas não era Lucas, esse tinha ido embora durante o segundo intervalo, sua dupla era Marcelo, o garoto que havia feito a pergunta a professora, eles conversaram por algum tempo, Marcelo era alguém bem aberto e adorava falar, ele basicamente conduziu toda a conversa.
— Você andava com a Mikala e o Júlio durante o ano passado, não?
— Aham.
— O que aconteceu com eles?
— Mikala foi morar no interior e Júlio mudou de escola porque repetiu.
— Que horror, ir morar no interior deve ser uma droga! Sua vez, pode me perguntar algo.
— Bem... — iniciou Thomas — porque você não foi embora com o resto dos seus amigos?
— Eu fiquei pois eu adoro poesia e eu quero ser um escritor bem famoso quando eu terminar o ensino médio.
— Você já escreveu algo?
— Nada além de alguns poemas.
— Acho que eu gostaria de lê-los um dia.
Continuaram conversando durante o resto da aula, falaram de coisas que gostavam, séries, filmes, jogos e músicas quando a conversa foi enterrompida pela professora avisando que quem não havia terminado o poema poderia entregar na próxima aula e eles perceberam que sequer tinham começado a escrever, os dois guardaram os materiais e Marcelo disse que cuidaria de tudo.

No caminho de volta Thomas resolveu passar em um mercado próximo a escola, comprou alguns salgadinhos, refrigerantes, dois pacotes de macarrão, molho de tomate e creme dental, enquanto se dirigia ao caixa viu Marcelo com uma sacola e por um momento ele pensou em simplesmente fingir que não o tinha visto, uma coisa era conversar durante uma aula na qual eles foram instruídos a isso, outra era se falar quando se esbarram nas ruas...
— Hey! — ouviu.
— Ah, hey.
— Você está me seguindo Thomas? — brincou — hm, parece que você gosta bastante de salgadinhos.
— É, sou viciado em comida de péssima qualidade e bem, você... — tentou olhar o que tinha dentro da sacola que Marcelo carregava mas este a escondeu atrás de si e riu — o que é isso? Você tá traficando drogas no mercado?
— Bem, isso é meio vergonhoso...
— Traficar drogas no mercado é vergonhoso pra você? — brincou.
— Isso aqui é meio que algo novo pra mim — disse corando e rindo enquanto mostrava a sacola com batata doce e frango.
— Malhar e comer bem é uma boa, mas como eu já disse, sou viciado em comida de péssima qualidade, é um vicio que não me deixa.
O assunto morreu por um tempo enquanto Thomas passava suas compras pelo caixa e Marcelo esperava atrás dele.
— Amanhã a sexta aula é de matemática e eu não suporto aquela professora, alguns amigos vão lá pra casa, a gente vai assistir alguns filmes e sei lá, você topa? A gente pode até começar a escrever aquele poema...
— Hm, amanhã? — desdenhou pra não parecer tão desesperado por amizades — Acho que vou sim.
— Ah, que bom então, te vejo amanhã.
— Até amanhã. — Com isso se despediram e foram embora com as compras nas mãos e um sorriso no rosto.

Notas finais
Deixo aqui um agradecimento especial pra Jadhy que me ajudou a reescrever esse capítulo e a Gabi que me ajudou a posta-lo.