R E V I V A L
1 ATO 1. 01 - Revival
Notas iniciais
Mas estou cega por causa do sol
Eu renasço a cada momento
Então, quem sabe o que me tornarei?"- Selena Gomez, Revival
No telhado de um prédio abandonado no subúrbio de Nova York é onde podemos encontra-lo hoje, sua respiração é apressada, seu coração bate forte, a música eletrônica toca alto dentro do prédio onde uma rave acontece, seus olhos estão marejados e suas pernas bambas, e com calma ele caminha até a beirada, seu corpo está cheio de tinta neon e suor, aquela não era a primeira vez que ele fazia aquilo, já na beirada do telhado ele olhou pra baixo, com as mãos tremendo e a esperança de uma vida melhor, ele se jogou.
ATO I — A Fênix
Capítulo 01 — Revival
Ele acordou em sua cama e por um segundo o mundo era lindo, mas então as lembranças vieram e logo ficou ciente que não era mais Luke, o garoto novaiorquino de 18 anos depressivo, anoréxico e viciado em drogas, esse daí tinha se jogado de um prédio ontem a noite, hoje ele era Thomas.
"Talvez nesse novo corpo eu consiga achar uma vida digna" é o que ele diz pra si mesmo toda vez que renasce após um suicídio.
Aos poucos a vida de Thomas começava a aparecer na sua mente como lembranças, ele tinha 16 anos, era brasileiro — paulista para ser mais específico — morava com o pai pois sua mãe faleceu quando ele tinha 11 anos e estava atrasado para ir a escola, levantou-se da cama e foi para o banheiro, a parede era revestida com azulejos brancos e grandes com riscos creme, o chão era o que? Porcelanato? Ele não fazia ideia mas achou bonito, mexeu um pouco no armário e descobriu uma quantidade um tanto exagerada de cremes, olhou-se no espelho e pensou no quanto o novo rosto dele era gordo comparado ao rosto anorexico e chupado que tinha antes, logo despiu-se e entrou no box.
Enquanto a água gelada batia em suas costas ele tentava se lembrar qual era o caminho da escola, era estranho, as vezes as memórias de suas antigas vidas se emaranhavam com as memórias da nova vida, fazendo dele um recordista em se perder, o que era compreensível, afinal, cometer suicídio e renascer é um pouco confuso para qualquer um, pensou também na falecida mãe e percebeu o quanto aquilo o machucava e refletiu de o porque sentir a morte da mãe de Thomas mas não ter mais qualquer laço com as outras famílias em suas outras vidas.
Com um susto percebeu o quanto tempo ficou lá, desligou o chuveiro e saiu do banho apressado, secou-se na frente do espelho do guarda-roupa e observou um pouco seu novo corpo, ele tinha varias pintinhas nas costas e isso o fez rir, quando finalmente parou de olhar seu corpo e vestiu o uniforme uma outra coisa veio em sua mente: Era domingo.
Logo após se despir e deitar na cama ele resolveu se masturbar, ele gostava de como a masturbação era levemente diferenciada de um corpo para outro e achava suas novas mãos bonitas e firmes, claramente aqueles cremes todos faziam efeito. Evitou entrar em qualquer rede social ou ligar o celular, não queria falar com ninguém até estar familiarizado com aquele corpo e com as memórias dele, ligou o xbox e passou o resto do dia olhando o catálogo da Netflix, baixando League of Legends no seu novo notebook e tentando descobrir quem ele era agora e se aquilo era uma vida melhor.
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