Quinze Semanas

1 Capítulo 1 - O Jogo


Notas iniciais
Oi, tudo bem? Seja muito bem-vindo(a)! Esta história começou a ser escrita em 2023, mas a vida me forçou a uma pausa. Um mês após o início, perdi uma amiga muito querida, e o luto fez com que este projeto ficasse guardado apenas em anotações por quase dois anos. A Nádia Cristina tinha apenas 23 anos. Era uma jovem cheia de vida, professora de catequese e estava a apenas oito meses do seu casamento quando uma doença hepática grave e repentina a levou de nós. Nádia, esta história é para você. Você que sempre sonhou com aqueles grandes amores de cinema... espero que, de onde estiver, sinta esse carinho. Um aviso importante: esta fanfic vai doer. Preparem os lencinhos e vamos juntos nessa jornada.
Capítulo 1 — Férias

Férias.

A palavra ressoava na mente de Draco com a cadência insistente de um sino de igreja, anunciando um descanso que parecia mais uma miragem do que uma possibilidade real. Quando teriam sido as últimas férias de verdade? Talvez há mais de uma década, nos tempos em que a única preocupação era ganhar a Taça das Casas. Ele sorriu, um lampejo de nostalgia cruzando seus olhos cinzentos.

A vida como Medibruxo no St. Mungus era uma sucessão incessante de emergências, pesquisas e horários erráticos — e sua esposa... bem, Hermione era irrevogavelmente casada com o Ministério da Magia.

Draco jamais exigiria que ela desacelerasse sua carreira meteórica, a menos que ele estivesse disposto a sacrificar a sua também. E, pela primeira vez em anos, ele estava. Largara a cadeira de Lorde mais jovem da Suprema Corte na virada dos seus vinte e oito anos, trocando o mármore frio dos tribunais pelos corredores assépticos do hospital — uma decisão que escandalizara a antiga guarda do Wizengamot e aliviara sua própria alma de um peso que ele mal sabia que carregava.

— Amor, você sabe onde está minha bolsa rosa? — A voz de Hermione chegou abafada, vinda das profundezas do closet.

Draco encostou-se no batente da porta, observando a cena que nunca deixava de fasciná-lo: malas abertas, roupas dobradas com precisão e sua esposa, o epicentro do seu mundo, parecendo deliciosamente perdida entre cabides.

— Acho que está no alto do armário, Docinho. Deixe que eu verifico. — Draco se aproximou, sua silhueta alta projetando uma sombra protetora sobre ela. Com um movimento fluido, ele alcançou a prateleira superior. — Achei.

— Quem me dera ter um metro e oitenta de altura — ela murmurou, aceitando a bolsa com um sorriso que iluminou o quarto. — Obrigada.

Quase tudo estava pronto. Faltava apenas entregar as chaves para Gina, que ficaria encarregada de manter as plantas vivas e o Bolota de Neve alimentado. O velho gato, com seu temperamento aristocrático e ranzinza, não sobreviveria à energia caótica dos três filhos dos Potter; ele era, em todos os sentidos, um Malfoy honorário.

— Eu tenho um e noventa e três, e você deve me tratar com o devido respeito, Senhora Malfoy — Draco brincou, fechando o zíper da última mala e beijando o pescoço da esposa.

Ele sentiu Hermione se arrepiar sob seus lábios.

O perfume dela — baunilha, tinta de livro velho e qualquer coisa que era apenas Hermione — subia até ele como uma maré, e foi o bastante para que a memória chegasse sem pedir licença.

Os corredores frios de Hogwarts em 1998. Lucius estava em Azkaban, e o nome Malfoy era sinônimo de escória. Draco dividia-se entre as audiências intermináveis da Suprema Corte — onde ocupava a cadeira que antes fora do pai, tornando-se o Lorde mais jovem da história e o alvo mais fácil daquele outono amargo — e o peso sufocante do desprezo de seus pares. Hermione fora seu escudo, embora ele nunca tivesse pedido por isso. Com uma compaixão implacável e uma honestidade que o desarmava quando ele menos esperava, ela permaneceu ao seu lado quando o resto do mundo — exceto seus raros amigos — lhe virava as costas. Não havia sido um gesto grandioso. Havia sido uma série de coisas pequenas: um aceno de cabeça no corredor quando ninguém acenava, uma cadeira puxada ao seu lado na biblioteca, uma voz calma desarmando insultos antes que ele precisasse responder. Ela fora sua luz nas sombras, e ele levara quatro anos para finalmente encontrar coragem de dizer isso em voz alta.

Ele adorava como o nome dela soava em seus lábios — Hermione Malfoy — parecia uma carícia. Tinha aguardado quatro anos após o fim da guerra para finalmente poder chamá-la assim, e cada segundo de espera havia valido a pena.

O pensamento da Austrália fazia seu sangue formigar. O sol, o mar, e o privilégio absoluto de ter Hermione só para si, sem corujas ministeriais ou bipes de emergência do hospital.

O jantar naquela noite foi servido com as velas acesas por descuido — ou talvez por costume — e entre uma garfada e outra, eles discutiram se deviam levar protetor solar comprado em farmácia trouxa ou se a versão mágica realmente bloqueava os raios UVB de forma mais eficaz. Hermione argumentava com dados que havia lido em algum lugar; Draco argumentava que a versão trouxa tinha um cheiro terrível. Nenhum dos dois cedia. Ambos riam.

— Vou jogar uma partida de Quadribol no Theo — disse ele, terminando o vinho. — Estamos todos livres hoje. Não volto tarde. Quer vir?

— Não, meu amor. — Ela se aproximou, envolvendo o pescoço dele com os braços, o perfume de baunilha e magia dele o embriagando. — Tente voltar antes das dez? Eu quero dormir agarrada em você esta noite... — ela sussurrou, a voz manhosa contra o pescoço dele.

Hermione subiu as escadas, e a visão dela — envolta em seda e renda vermelha — fez com que a ideia de sair para ver "um bando de marmanjos" parecesse uma heresia absoluta. Por um segundo, ele quase largou a mochila. Mas, movido por uma súbita onda de energia, ele correu até o quarto, deu nela um beijo longo, profundo e possessivo, e desapareceu com um estalo seco.

🪄

A Mansão Nott estava em festa. Gargalhadas ecoavam pelo campo de Quadribol sob a luz prateada do luar.

— Chegou a Bela Adormecida! — Zabini gritou, gesticulando dramaticamente.

— Vamos, Draco, você é do meu time — Theo o puxou, rindo.

Draco acenou para Daphne, que observava da lateral com a serenidade característica de quem havia decidido, muito deliberadamente, não montar em vassoura naquele estágio da gravidez. Sua barriga suavemente redonda descansava sob uma manta de lã, e ela segurava uma xícara de chá com o ar de quem estava perfeitamente satisfeita em ser o público. Pansy, à sua esquerda, trocava farpas venenosas com Astoria — brigadas de novo, pelo que Draco conseguia deduzir pelos olhares cortantes e pelo silêncio calculado entre uma troca e outra. À direita de Daphne, Zabini anunciava aos céus que seu novo fetiche eram calças de couro de dragão, e que tinha dado um conjunto para o namorado misterioso que nenhum deles ainda havia conhecido pessoalmente.

O jogo era caótico e maravilhoso. Montados nas vassouras, eles mais bebiam cerveja amanteigada do que marcavam pontos. Tudo estava perfeito, a noite estava perfeita, e a Austrália esperava do outro lado do amanhecer.

Até que o ouro brilhou.

O Pomo surgiu no canto do olho de Draco, uma centelha dourada desafiando a gravidade, pulsando como se soubesse exatamente o que estava provocando. O instinto de apanhador, enterrado sob anos de medicina, rugiu. Draco disparou. O vento açoitava seu rosto, a adrenalina limpando sua mente de férias e malas e protetores solares. Ele só via o brilho.

Ele não percebeu que o Pomo estava mergulhando. Não percebeu a proximidade agressiva do gramado. Quando a percepção veio, o solo já estava subindo para encontrá-lo.

O impacto foi brutal. O som do corpo de Draco Malfoy colidindo contra a terra ecoou pela noite como um trovão, silenciando as risadas. E, naquele segundo, o verão na Austrália, o beijo de Hermione e a vida que eles construíram desapareceram em uma escuridão absoluta e silenciosa.


Notas finais
Traga suas teorias e comentários, quero saber sua opinião!