Quimera

29 Triunfante


Notas iniciais
Ooooi gente! Voltei com mais um capítulo fresquinho. Não canso de dizer que amo a recepção que vocês dão, os comentários, os acompanhamentos, vocês são demais! Eu estou adorando escrever essa história, mesmo depois de tantos capítulos, as ideias surgem e eu gosto de escrever a evolução delas, dos personagens. Tenho grandes planos para os próximos capítulos, espero que fiquem tão ansiosos quanto eu! Queria dedicar esse capítulo para duas pessoas muito especiais: a Phoenix, que deixa comentários INCRÍVEIS nas minhas fics, e que é um amor de pessoa no Facebook (o grupo do Nyah! é sensacional, gostaria de dizer). E ao Sr Balthazar, que já tinha deixado uma recomendação, mas ele é demais. Sério. Suas mensagens na DM me inspiraram muito. Ele acabou de publicar uma história nova que eu li e já AMEI, recomendo muito, chama Yin Yang - Lados da mesma moeda. Quem gosta de uma pegada mais hard, essa fic vai conquistar. E, claro, a todos que comentam, leem, dedicam um tempo pra minha história, vocês não tem ideia do que isso significa pra mim. Obrigada, de verdade. Agora, vamos a história! E, claro, deem uma olhada nas minhas outras fics, Heroína e Genderswap ♥ p.s. Não custa lembrar que, mesmo eu tendo pesquisado bastante e usado elementos reais, ainda é uma história ficcional, assim como parte de seus elementos. Procurei sobre como funcionam os esportes no Japão, mas tudo fica mais legal com um toque particular, né? Esse sistema de pontuação, de campeonato, é algo que eu criei, e qualquer semelhança com a realidade é pura coincidência!

— Você não pode depender dos seus olhos se a sua imaginação estiver fora de foco.

O refeitório central do ginásio era confortavelmente grande, construído no que seria o centro do prédio, iluminado por toda uma abóboda aberta e sustentado por firmes colunas de concreto. Sua extensão acomodava tranquilamente todos os colégios que participavam, naquele momento, do torneio colegial regional de esportes, com um número generoso de equipes inscritas, além de todos que acompanhavam as provas e também podiam utilizar o local. Mesmo assim, nem um terço de sua capacidade total estava sendo preenchida naquele momento, com as dezenas de mesas vazias e filas inexistentes nos aparadores. O almoço começara não tinha meia hora, mas poucos alunos se dirigiram para o lugar, e, desse número, menos da metade, de fato, comera. Algumas das provas coletivas seriam realizadas depois das refeições, e, em seguida, as provas individuais – certamente, aqueles que não tinham competido ainda não estavam em condições de comer. As quadras tinham sido momentaneamente fechadas, para não serem usadas para treino, mas grande parte das equipes se esconderam nos jardins ou estacionamentos, revisando suas próprias estratégias.

Naruto sabia da importância de uma boa refeição antes de lutar, e tentou, ele mesmo, dar um bom exemplo ao seu time, enchendo seu prato de vegetais e alimentos de baixa caloria – entretanto, seu estômago parecia embrulhado, e desistiu antes que vomitasse o pouco que conseguira ingerir. Esperou que seus colegas terminassem de comer – tanto quanto ele –, e, quando a mesa se encheu de pratos intocados e rostos tensos, o capitão decidiu que era hora de aquecer. Ordenou que se levantassem e caminharam, em silêncio, para os vestiários. Trombaram com algumas outras escolas que desejaram boa sorte – algumas delas foram eliminadas por eles, e Naruto não sabia se ficava mais tranquilo, ou mais preocupado com aquela gentileza –. Checou o relógio, e estavam quase meia hora adiantados. Não havia nada mais que pudesse fazer ou dizer, então deixou que se trocassem. Os instantes antes da competição eram sempre silenciosos e carregados.

Naruto deixou sua mochila em um dos armários, puxando a camisa para cima a fim de amarrar o quimono e a faixa de capitão. Distraído, passou pomada para dor e, enquanto guardava o restante das roupas, ouviu alguns muxoxos às suas costas. Virou-se, e Kiba e outro garoto pararam de falar, embora ainda o fitassem duramente. O loiro se incomodou, dando as costas e respirando fundo. Tinha certa noção do assunto que discutiam com tanto afinco. Não demorou, e os sussurros retornaram, nada discretos. Respirando fundo, o Namikaze bateu o armário, o barulho ecoando pelo cômodo abafado, assustando alguns de seus colegas.

— Tudo bem, qual o problema? – caprichou na voz de trovão, impondo o respeito que havia conquistado como líder. Kiba baixou a cabeça, e o outro garoto, Yagura, desviou. Sasuke, que estava próximo a ele, prostrou-se ao seu lado, curioso, assim como Gaara.

— Bom, nós…

— Nós vimos você abraçando aquela garota cega, mais cedo. – Kiba atropelou o outro, inflando o peito e encarando o loiro. Naruto, por sua vez, suspirou pesadamente, já esperando por aquilo. Toda a equipe estava atenta naquele desenrolar – Todo mundo viu.

— Sim, e o que tem? – retrucou rudemente, não se deixando abater pelo tom de voz acusatório do amigo – Ela é amiga da Sakura, e, apesar de todos os defeitos – nenhum – ela conseguiu classificar o time de natação, o time do Shikamaru, para as nacionais na primeira prova, e conseguiu uma medalha. Eu estava com o pessoal e fui cumprimentá-la como faria com qualquer atleta que fosse útil para aumentar o prestígio da nossa escola. – falou com tamanha zanga que até mesmo ele acreditou que cada palavra era verdade. Seus punhos estavam cerrados, e os ombros inflados – Em vez de ficar pensando em quem eu abraço ou deixo de abraçar, deveria se concentrar na própria luta, porque nós nunca ganhamos o torneio nacional, e seria muito bom se conseguíssemos nos classificar em uma boa posição, assim como a ceguinha conseguiu. – cuspiu as palavras, verdadeiramente irritado. Não bastava ficar monitorando suas atitudes a todo momento, agora tinha de lidar com as acusações daqueles idiotas.

Sentiu-se mal de ter usado aquelas palavras – não era aquilo que pensava, nem de longe –. Discretamente, Sasuke bateu em seu ombro, apoiando. Naruto baixou a cabeça, respirando fundo, e o vestiário mergulhou novamente em silêncio – ninguém teria coragem de responder, àquela altura. Poucas vezes tinham visto o Namikaze tão irritado, e, mesmo que a surpresa fosse grande, se ele tinha dado uma justificativa, não seria contradito. Voltou a se preparar para a luta, ciente da raiva que ainda estava infiltrada em suas veias, guardando-a como incentivo para o grande momento. Ele sabia que, nas circunstâncias certas, não precisaria explicar cada decisão que tomasse, cada passo que desse, e, sobretudo, cada pessoa com que se relacionasse. Mas, tudo que tinha eram lembranças e a frustração.

Terminou antes que os outros tivessem começado, e saiu pelos fundos, encontrando uma saleta mal iluminada, onde soltou o peso em um banco de madeira, apoiando a cabeça sobre as mãos, ciciando. Sentia o mau humor se aproximando, e logo antes das disputas. Não ficou muito tempo sozinho – tampouco ergueu os olhos para identificar sua companhia silenciosa.

— Você foi muito incisivo lá dentro. – Sasuke comentou, depois de alguns minutos, e Naruto grunhiu, arrumando a postura e encostando na parede. Não conseguiu distinguir o olhar do Uchiha sobre seu rosto, mas o incomodava.

— Eles precisam conhecer o lugar deles. – resmungou, cruzando os braços.

— E você precisa ser mais discreto – Sasuke retrucou, com a voz neutra e uma sobrancelha arqueada. Naruto o fitou, inconformado, mas sabia que o amigo não estava contra ele; fazia apenas uma constatação do óbvio – Por que não acaba com tudo isso de uma vez, Dobe? Está na cara que você quer ficar com ela, e ela quer ficar com você. Ignora o que eles dizem. – aconselhou, e o loiro sequer conseguia xingá-lo por estar certo mais uma vez.

— Não é tão simples. – era simples – Estamos no segundo ano. Não posso me descuidar agora, ainda mais com a Shion no meu pé. – Sasuke rolou os olhos – A essa altura, acho que não é nem mais a minha reputação. – riu, sem humor – Não vão deixá-la em paz. Você viu o que são capaz de fazer com ela, e eu nem vou mencionar meu pai. – seus olhos estavam desfocados enquanto se lembrava das palavras duras do patriarca se referindo à Hinata.

Sasuke também não respondeu, absorvendo. Ele, mais que ninguém, conhecia a fama do temido Namikaze Minato, e presenciou, por muitas vezes, a fúria e a severidade do homem. Sabia o quanto ele exigia de Naruto, desde suas habilidades, até como ele se comportava – talvez tenha sido parte desta cobrança que levara o amigo a começar a agir como um delinquente estudantil –. Naruto tinha capacidade, e provara isso todos os dias. Era um bom capitão, firme, carismático e – diga-se de passagem – persuasivo. Mas Minato exigia cada vez mais. Já o tinha escolhido como seu sucessor, pessoalmente e para a mídia, que o engolia como abutres desde quando era um bebê. Seu irmão mais velho tinha se livrado das expectativas de herdar as empresas Namikaze, mas Naruto não tivera a mesma sorte – nem mesmo Kushina conseguiria livrá-lo de Minato, àquela altura. Era compreensivo que ele quisesse proteger Hinata da personalidade complexa do pai, mas, sempre que o Uchiha via aquele olhar perdido no rosto do melhor amigo, não deixava de se perguntar o que era mais importante – a aprovação do pai ou a própria felicidade.

— Se serve de consolo, – o moreno disse, por fim, se levantando em direção ao corredor – eu acho que vocês ficam realmente bem juntos.

Naruto levantou a cabeça, surpreso, e encontrou Sasuke com um sorriso levemente pronunciado – aquele era o melhor que ele podia fazer, de qualquer maneira –. O loiro abriu um sorriso maior, com todos os dentes, e assentiu, sentindo-se momentaneamente revigorado. Havia muitos motivos para que ele e Sasuke brigassem e não se dessem bem na maior parte do tempo, mas, em momentos como aquele, ele sabia que tinha o melhor amigo do mundo.

Esperou o Uchiha sair, voltando a ficar sozinho, mas já não estava mais tão amargurado. Levantou-se, alongando os músculos e escapando das nuvens de poeira que levantaram daquele depósito. Voltou para o vestiário, encontrando os colegas devidamente vestidos e preparados, conversando baixo entre si. Do lado de fora, o movimento parecia ter aumentando, e, pouco a pouco, as arquibancadas estavam se enchendo de espectadores ansiosos pela prova mais esperada da competição. Naruto sabia do peso que o judô representava no torneio colegial, e para a própria Academia. As vezes, sentia-se perdido como capitão, mas aquele cargo tinha sido passado por seus veteranos – e ele tinha que honrá-los –.

Parou, cruzando os braços e esperando que todos os olhares tivessem se voltado para ele. Avistou os colegas que o acompanhavam desde o ano passado nos treinos e nas competições que participaram, e também os primeiranistas que tinha escolhido para competirem na divisão mirim. A situação era favorável a eles, mas tinham de tomar cuidado – estavam em primeiro no chaveamento regional, mas precisavam vencer todas as lutas com ippons para se continuarem liderando, e conseguirem enfrentar uma escola mediana nas eliminatórias nacionais. Naruto estava confiante com o time que treinara, e, deixando de lado todos seus problemas pessoais, concentrou-se no que realmente importava para ele – sentir orgulho de seus companheiros.

— Em poucos minutos, os juízes virão nos chamar. – começou, com a voz rouca e estável. Todos esperavam, inclusive Kiba e Yagura, mais no fundo – Se vencermos todas as oito lutas, seremos campeões regionais pela terceira vez consecutiva. Nossos veteranos nos passaram um legado de excelência, e o que vejo aqui é exatamente isso. – aumentou o tom, confiante, vendo cabeças concordando e olhares animados – Eu confio no time que eu escolhi, e todos aqui, sem exceções, são importantes para a vitória. Não se preocupem com o que vão pensar de vocês em cima daquele tatame, – vincou a testa, concentrado – mas se dediquem a derrubar seu oponente com tudo que tiverem. Nós vamos a Tóquio, e nós vamos vencer as nacionais, como eu prometi há sete meses. – se aproximou, parando no centro da sala, e estendendo o braço. Um por um, seus amigos se juntaram, sobrepondo seu punho, abraçando-se pelos ombros – À vitória!

Urros de aprovação ecoaram pela sala, vibrando pelos armários de metal e ecoando pelas paredes de maneira ensurdecedora. Naruto recebeu palavras de agradecimento e cumprimentos, fazendo questão de retribuir todos, incentivando-os individualmente. Ainda não sabiam qual seria o sorteio, mas, sendo o primeiro ou o último, se dedicaria da mesma maneira. A atmosfera se tornara imediatamente leve, com a camaradagem que dividiam todos os dias nos treinos. Apesar das provocações e dos comentários maldosos, quando entravam na arena, buscavam a mesma coisa.

Um juiz veio avisar que estava na hora, e eles saíram em fila indiana, fazendo barulho. Naruto ficou em primeiro, incentivando a torcida, que enlouqueceu ao vê-los entrando. O garoto assustou-se com a quantidade de pessoas nas arquibancadas, gritando e balançando bandeiras. Localizou a Academia em peso, as líderes de torcida, com pompons, e os demais times que já tinham competido. Mesmo que se fizessem ouvir, as vaias também eram bastante altas.

Pararam nos bancos, sentando-se e esperando o colégio adversário entrar. Eram o terceiro melhor time de judô da província, e se classificaram por poucos pontos sem segundo lugar. Já tinham uma vaga garantida em Tóquio, mas Naruto se recusava a deixar que levassem o troféu regional também. Eles eram enormes, com músculos saltados e cabeças raspadas – gritavam problema. Não que ele se intimidasse com músculos e caras de mau, mas algo lhe dizia que eles não lutavam exatamente justo.

Bem-vindos, amantes da luta! Começa agora a final na modalidade judô, entre a Academia Canadense, que defendo o título de atual campeã, e o colégio Undokai. Naruto se aproximou com a faixa de capitão, cumprimentando o capitão adversário. Ele tinha olhos fundos e escuros. Os sorteios acontecerão dentro de alguns minutos, e os juízes estão fazendo a avaliação dos tatames para a disputa. As lutas acontecem com sistema de pontuação, o primeiro a somar quatro pontos vence. Os capitães se cumprimentam e avançam para a mesa dos juízes, que vão atribuir notas ao desempenho da equipe. Agora o sorteio da grade de lutadores.

Naruto ficou esperando pelo pareamento, e só conseguiu ver que Sasuke seria o primeiro. Respirou fundo, controlando o nervosismo. Correu os olhos pela plateia, distraído, e encontrou o cabelo exótico e chamativo de Sakura – ao seu lado, a garota que o fazia sorrir, apesar de tudo. Hinata também estava em pé, e gritando, embora parecesse incomodada com tantas pessoas ao seu redor. O Namikaze veria seus olhos em qualquer lugar.

Estamos prontos para começar! Em poucos instantes iniciaremos a primeira luta, fiquem ligados!

— Aqui a lista, gente. – Naruto entregou a folha de classificações, e todos se reunirem a sua volta – Teme, você é o primeiro. – Sasuke assentiu, alongando os braços um pouco afastado da confusão.

Os narradores fizeram a introdução e apresentaram os lutadores, mas, a partir deste momento, Naruto não prestou mais atenção. Concentrou-se, mantendo a mente limpa e os olhos focados em seus colegas, observando seu desempenho. Como capitão, analisava a luta de forma técnica, mas, como companheiro, observava, preocupado, possíveis ferimentos. Na maioria das vezes, se preocupava a toa, porque eram todos talentosos – Sasuke terminou a luta em dois minutos, com uma finalização impecável. Um a um, a Academia conseguia suas vitórias, no tempo recomendado e com pontos suficientes. Naruto quase se convenceu de que tudo terminaria bem – ele lutaria por último, ironicamente, e com o vice capitão da Undokai. Mas, então, o pior aconteceu.

Prosseguimos com a penúltima luta, senhoras e senhores. A favorita segue como uma sequência formidável de vitórias, e é quase certo o título de vencedora regional. A Academia Canadense levou, somente hoje, três troféus, e duas equipes seguem para Tóquio em busca do título nacional. Agora, os lutadores se cumprimentam e se posicionam. Gaara lutaria com um brutamonte mal encarado, e seu corpo mirrado, abaixo da média do time, não tinha problemas em segurar o peso absurdo do adversário. O ruivo era ligeiro, e, quando menos esperava, um golpe certeiro mandava o oponente para o chão. Naruto já se preparava para sua luta, tentando não comemorar antecipadamente – seis vitórias em sete disputas, por enquanto –. Tagai inicia o movimento, avançando contra o Sabaku’no, que desvia e se agarra ao quimono, trabalhando com os pés. Giram para a direita, e ele tenta uma investida, que é segurada por Tagai. Ambos permanecem firmes, mas Sabaku’no está mais próximo da linha. Trinta segundos, sua postura é melhor mas Tagai leva a vantagem. Naruto se levantou, com os olhos atentos. Gaara parecia compenetrado, mas havia algo estranho com o outro. Sabaku’no avança e consegue uma queda! Tagai se levanta rapidamente, foi um wazari, senhoras e senhores. A Academia precisa de mais dois pontos para levar a vitória. Tagai avança com força e prende Sabaku’no pelos ombros. Ele tenta se livrar, gira, estica os braços e procura apoio. Não! Tagai derruba Sabaku’no com um empurrão e pisa em sua perna!

Naruto foi o primeiro a chegar na grade, tentando gritar mais que a arquibancada. Seus olhos estão em Gaara, que agonizava, e o outro o fita com um sorriso ácido. O juiz se aproxima, analisando o ruivo, mas Naruto não se importa com a vitória. O amigo fez uma careta quando ele tocou sua perna. Era de se esperar que um monstro como aquele fizesse um estrago caso apoiasse o próprio peso. Foi um golpe ilegal, mas, daquele ângulo, e sem câmeras, era impossível que os árbitros identificassem. Se Gaara não levantasse, seria um ippon – e, possivelmente, o deixaria fora da próxima luta. O Namikaze percebeu que estava irritado.

Os paramédicos acabam de chegar no tatame e analisam os ferimentos do Sabaku’no. Tagai e o colégio Undokai comemora a vitória que pode derrubar a Academia Canadense do primeiro lugar no pódio. Os auxiliares agiram com rapidez e eficiência, aplicando uma pomada no local do ferimento, e, pelo vão aberto do quimono, Naruto pode ver vergões roxos se levantando. Seus punhos se fecharam. Com a faixa de capitão, deixaram que ele entrasse no tatame. O lugar foi tomado por múrmuros curiosos e preocupados.

— Desculpa, cara. – foi a primeira coisa que Gaara lhe disse quando abaixou ao seu lado, e ele bufou, revirando os olhos enquanto apoiava seus ombros.

— Se não calar a boca, vou te dar um soco. – ameaçou, e o ruivo riu lamuriosamente, gemendo em seguida.

— O filho da puta me pegou de jeito. – ofegou, deixando que Naruto e outro paramédico o levantassem para a maca – Você precisa vencer com um ippon e menos de um minuto para ganhar mais pontos. – resmungou, puxando Naruto pela roupa, e o loiro assentiu, com o rosto sério.

— Não se preocupe com isso. Nós vamos conseguir ganhar, e vamos para as nacionais. – era mais que uma promessa. Gaara foi levado pela saída lateral e Naruto saiu do tatame, voltando para os companheiros preocupados – Calma, ele está bem. – ergueu as mãos, tranquilizando-os antes que pudessem dizer algo – Vai ser examinado e podemos vê-lo na enfermaria depois. – rostos aliviados invadiram sua visão.

— Você é o último que falta. – Sasuke apontou, afirmativamente, e Naruto concordou, sabendo o que aquilo significava – Não sabemos quais as notas de hoje, mas estávamos na frente somente por três pontos. Aquele desgraçado conseguiu uma boa vantagem. – até mesmo o Uchiha, que era sempre o lado racional, estava irado.

— Capitão, você precisa vencer em trinta segundos! – um dos primeiranistas apontou, e os outros concordaram, agora mais preocupados. O próprio Naruto estava nervoso, mas não podia deixar transpassar para seus colegas. Em vez disso, sorriu zombeteiro.

— Assistam seu capitão lutar.

Deu as costas, respirando fundo, enquanto esperava que os juízes liberassem a última luta. Na arquibancada, as líderes pareciam histéricas, e, com dificuldade, identificou Sakura e Hinata conversando, próximas, com semblantes alarmados.

A vitória do colégio Undokai foi confirmada, senhoras e senhores. Vaias e aplausos. No tatame agora o líder do time da Academia Canadense, Namikaze Naruto! O loiro entrou, aquecendo e provocando a torcida, ouvindo os gritos de incentivo. Honrando o sobrenome, Namikaze participa de seu segundo torneio regional, ano passado como lutador titular, e este ano como capitão. Será que teremos outra vitória espetacular dele?

Naruto observou seu adversário subir, com os olhos intensos. Eram quase da mesma altura, então o peso não seria um problema. Ele parecia ter braços grande, mas suas pernas eram menores. Começou a bolar estratégias em sua cabeça. Uma investida tradicional não funcionaria se ele agarrasse seu ombro, e seria difícil derrubá-lo com um empurrão. Precisaria investir tudo em golpes inferiores, e conseguir um ippon. Sabia que era bom em técnicas de quadril, e tinha o tamanho propício para técnicas de pernas. Tudo dependeria de como ele avançaria. Pararam, frente a frente, e Naruto estalou o pescoço, soltando os membros e controlando a respiração. Os oponentes se posicionam e os árbitros estão prontos. Começa a última luta da categoria judô, valendo o troféu de campeã regional e duas vagas no colegial nacional de primavera!

Se posicionaram. Naruto segurou seus ombros, sentindo os músculos saltarem em seus dedos, e o aperto firme procurava falhas para se agarrar. Com olho no olho, conseguiu ver que ele procuraria um golpe limpo, provavelmente com os braços. O aperto era firme, mas não forte o suficiente para machucar – ele usaria de apoio para jogá-lo com os ombros. A sirene apitou, e eles começaram a se movimentar para a direita. Rodaram, e Naruto tentou achar uma posição confortável para investir, mas ele não dava abertura. Para garantir, firmou sua perna esquerda atrás, fazendo peso para se sustentar, e, como imaginou, o oponente tentou uma técnica de braço, mas Naruto o empurrou de volta. Não tinha tempo para se reafirmar. Segurou seu quimono na altura dos ombros, como se fosse abraçá-lo, e, ainda com a perna esquerda apoiada, jogou o quadril para a direita, colidindo com seu abdômen. Prendeu a respiração e forçou o quadril, erguendo-o com um puxão, ao mesmo tempo que empurrava o quadril, sentindo-o suspender apoiado em seu corpo. Era sua chance – não escutava mais nada que vinha dos alto-falantes ou das arquibancadas. No entanto, ele era experiente, e realocou o corpo para cair sentado, e não deitado. Naruto precisava dos quatro pontos diretos, então, com rapidez, rodou o corpo em noventa graus, jogando a força para as pernas e apoiando-se para frente. Desequilibrado, o corpo do oponente colidiu com o tatame de maneira que ele poderia se levantar antes de três segundos – tempo necessário para contabilizar um ippon –. Sem perder tempo, utilizou seu próprio desequilibrou e caiu de joelhos, sem soltar o abraço em seus ombros. Escorregou a mão para seu cotovelo, puxando-o na direção contrária e virando, de maneira que ele não conseguiria puxar. Aquela posição machucava sua barriga, mas ele resistiu, imobilizando-o com uma chave de braço desajeitada.

O juiz apareceu ao seu lado, analisando o golpe, e determinou – um ippon. Naruto se levantou, ofegante, olhando para todos os lados. Estava tudo brilhante. Ansioso, passou pelos companheiros, que eram borrões, gritando, e voltou-se para o telão. Vinte e seis segundos – um recorde pessoal, e, principalmente, tempo suficiente para impressionar os árbitros. Era como se seus sentidos estivessem embaralhados. Sabia que o ambiente estava barulhento, mas seus ouvidos pareciam estar debaixo d’água. Seu rosto estava quente, e seu pulmão ardia – em sua cabeça, o golpe pareceu ter demorado minutos, mas foram questões de segundos, e ele mal respirara.

Sim, senhoras e senhores! Que reviravolta! Namikaze prova mais uma vez porque é o lutador colegial mais cotado de Rokko! Com apenas vinte e seis segundos, Namikaze consegue um ippon e dobra a pontuação da Academia Canadense. Ele conquista o tricampeonato!

Perdido, Naruto sorriu, tão largo como nunca antes. Sentia algo morno, e crescia dentro dele, tomando conta de cada fibra de seu ser. Era felicidade, pura felicidade – ele poderia estar chorando, não saberia diferenciar do suor que escorria por sua testa –. Não ouviu as palavras do locutor, mas foi acometido por braços ao seu redor, de seus companheiros invadindo o tatame. Viu Sasuke, e Kiba, e outros colegas cumprimentando-o com sorrisos e gritos. Confetes o atingiram de algum lugar. Atordoado, o loiro, no entanto, não procurou pelo troféu ou pelas medalhas que entregariam. Em vez disso, voltou o corpo para onde a torcida da Academia Canadense se concentrava, e, de repente, sua visão clareou. Ele estendeu o braço, com o dedo apontado, e eles foram à loucura. Naquele contexto, era inteiramente plausível que o capitão estivesse dedicando sua vitória à escola, aos amigos, à torcida – mas ele sabia, e ela saberia. Viu Sakura abrir a boca, surpresa, também chorando, e ela se curvou para Hinata, sussurrando algo em seu ouvido. Naruto viu um sorriso brilhante se abrir, e seus olhos, mesmo de longe, cintilarem como duas luas cheias. E tudo aquilo valeu a pena.

Por fim, se deixou ser levado pela comemoração, e, quando os ânimos estivessem mais calmos, eles receberiam as medalhas de campeões regionais, e, no mês seguinte, estariam indo para Tóquio. Naquele momento, era como se tudo na sua vida estivesse certo.

O terceiro ginásio da ala leste estava tomado por gritos e comemorações. No meio da confusão, ninguém percebeu que a dedicatória de Namikaze Naruto era direcionada para uma pessoa específica – ninguém, exceto uma.

Ele tinha acompanhado os três dias de disputas, como uma sombra, seguinte seu alvo de longe e anotando as informações pertinentes. Descobrira, de fato, o que fora incumbido de descobrir, mas alguns indícios tinham relevância suficiente para mudarem um pouco as coisas. Ele sabia o que aquilo significaria. Dando as costas para o ginásio, já no corredor, puxou o celular, digitando o número particular do pai, para que não caísse na secretária grampeada. Não esperou dois toques, e ouviu a voz grave:

— E então, meu filho? Boas notícias?

— Certamente, meu pai. – ele respondeu – O campeonato terminou, e, como esperado, ela atingiu as expectativas. O time foi classificado em primeiro lugar para Tóquio.

— Perfeito. Devemos começar a aproximação o quanto antes.

— Antes, acho que o senhor gostará de ouvir o que eu descobri.

— Sobre Hinata?

— Melhor. – ele sorriu, orgulhoso, retirando os óculos escuros e acomodando na gola da camiseta polo que o apertava, revelando os olhos perolados faiscantes – Acredito que tenha encontrado um motivo para fecharmos um acordo com os Namikaze.

Notas finais
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