Quimera

45 Pronunciamento


Notas iniciais
VOLTEEEEEEEEI MEU DEUS QUE SAUDADE DESSA FIC FKSJFKSDJ eu escrevi esse capítulo em literalmente três horas, diretão, e foi ÓTIMO Não faço uma atualização há quase três meses, e por isso eu peço perdão :((( foquei em outras histórias, projetos pessoais, ai teve o desafio de drabbles e ENFIM AGORA EU VOLTEI PRA VALER com esse capítulo fresquinho e MARAVILHOSO Reta final e eu nem posso acreditar!!!!!!!!! Faltam tipo uns 5 capítulos!!!!!! Quimera é um projeto de ano que eu me orgulho demais, e espero que também estejam gostando dessa jornada ♥

— O amor acrescenta uma preciosa visão aos olhos.

Os dias passavam, e Naruto apenas existia.

No entanto, agora motivado por um novo propósito, não deixava que o vazio existencial dentro dele o tomasse durante todo o dia – enquanto fingia estar bem e a vida seguia normalmente, era somente durante a noite que seus pensamentos o torturavam. A saudade de Hinata parecia impossivelmente dolorosa agora, e, se não fosse por seus novos objetivos, não saberia como distrair-se o suficiente para continuar simulando.

Sua rotina era praticamente insana. Durante as manhãs, procurava se dedicar nas aulas – e, com isso, significava não dormir mais durante as explicações e entregar todos os trabalhos, em vez de fazer Sasuke assinar seu nome por ele –. No período da tarde, três vezes por semana ele instruía o time durante os treinos, já procurando por um sucessor para o cargo de capitão. No restante dos dias, após o almoço, Naruto pegava seu carro, no estacionamento subterrâneo, e dirigia até Kobe, para a filial dos escritórios Namikaze.

O prédio era relativamente pequeno comparado ao da capital, mas o senador Minato também possuía controle de documentos e de campanha na cidade. No último andar, na sala da cobertura, dois secretários disponibilizaram uma sala para o filho do chefe, e era ali que Naruto passava quatro ou cinco horas do dia.

O súbito interesse pelos negócios da família não surpreendeu Minato – pelo contrário, o deixou exultante. Fez questão de acompanhá-lo nas primeiras visitas à central, mostrando como funcionavam os arquivos, o acesso aos documentos, quais conhecimentos eram necessários para entender determinados projetos. Naruto demonstrou entusiasmo para tudo que o homem falava, fazendo questão de tirar todas as dúvidas e perguntar mais de uma vez sobre uma ou outra cláusula.

Quando Minato voltou para Tóquio, para dar seguimento à campanha, Naruto continuou a frequentar o escritório, tornando-se amigo dos funcionários e sendo cordial com os clientes que visitavam os sócios. Aos poucos, começou a entender como funcionava o lugar, e, com os livros gigantes e empoeirados das estantes, aprendia conteúdos avançados. Em alguns dias, entendeu o básico de direito, legislação, economia e corporações.

Aquilo seria essencial para que seu plano funcionasse.

Não conseguiria contar em duas mãos as vezes em que pensava, durante o dia, em pegar o celular e simplesmente ligar para Hinata. Queria ouvir sua voz, calma e melodiosa, rindo de alguma coisa estúpida que ele dissesse, apenas para atormentá-la. Queria que ela garantisse que tudo daria certo. Nesses momentos — quando seus pensamentos o traíam —, ele balançava a cabeça, sacudindo-os para fora.

Prometeu que a daria espaço, e esperaria até que ela estivesse pronta para voltar por si só. Claro, estava com medo dela nunca se sentir preparada e não voltar mais? Com certeza. Mas, como todo o resto, ele apenas ignorava aquela sensação de aperto e se concentrava em seu projeto.

Se tudo saísse como ele planejava, mataria dois coelhos com uma cajadada só.

Já tinha almoçado naquela tarde, e saiu do elevador no último andar, para sua sala de estudos — como ele chamava para o senador e todos os outros. Coincidentemente, trombou com Jisoo, uma das sócias executivas que trabalhava em Kobe. A cumprimentou, como sempre fazia, mas, mudando de ideia, a seguiu até sua sala, impedindo que fechasse a porta.

— Desculpa atrapalhar, mas posso tirar algumas dúvidas com você? — pediu, sorrindo constrangido. A mulher assentiu, bem-humorada.

— Claro, pode entrar. — Naruto garantiu que a porta estava bem fechado — No que posso te ajudar hoje?

— Como funciona exatamente a empresa do se- quer dizer, do meu pai? Nessa parte de ações, e tudo mais. Estou um pouco confuso. — a careta ajudou a tornar a mentira convincente.

— Bem, Minato optou por focar na carreira político, então a empresa é administrada pelos vários sócios que possuem uma parte das ações. Você entende o básico, certo? — ele assentiu — Não é muito diferente. Somos uma companhia de ações financeiras, compramos e vendemos na Bolsa, e movimentamos dinheiro. Temos parte em algumas instituições também, organizações sociais que geram lucro, essas coisas. Claro, seu pai tem a ação majoritária, então toda decisão acaba indo para ele, de um jeito ou outro.

— E você sabe se eu e meu irmão podemos ter alguma participação? — mordeu os lábios, ansioso.

— Realmente se interessou pelo mundo dos negócios, hm? — ela riu — Bem, Nagato tem uma porcentagem pequena, sua mãe também. Isso garante que pessoas mal intencionadas apliquem algum golpe na diretoria. Minato vive dizendo que você vai ser o herdeiro, então pode ser que você tenha uma fatia maior, e poderá acessar ela, e os lucros, quando atingir a maioridade. — deu de ombros — Caso você queira fazer alguma sugestão ou propor uma movimentação, provavelmente seria como outro acionista, convocando uma reunião, apresentando o que tem em mente e tendo maioria de votos, inclusive, claro, de Minato. — bingo.

— Ah, entendi! Obrigado, Jisoo. — saiu, escondendo o sorriso.

Voltou a trabalhar na papelada escondida dentro de suas pastas. Tinha também alguns arquivos na nuvem, sob outros nomes, para não correr o risco de perder tudo ou ser descoberto. Foram noites e noites acordado, estudando uma maneira de fazer aquilo acontecer e não ser preso no processo. Organogramas, diagramas, tabelas de ideias, anotações rabiscadas, bilhetes e post-it com apontamentos importantes. Era uma planta completa — estava até orgulhoso. Ponderou se deveria ser dedicado daquela maneira na escola também, mas mudou de opinião quando lembrava do trabalho que estava dando, e por quem estava fazendo aquilo.

Imerso no trabalho, não percebeu quando anoiteceu. Sentiu o celular vibrando em seu bolso, despertando-o da concentração.

— Oi, okaa-san. — atendeu, coçando os olhos.

— Filho, ainda está na cidade? — sua voz parecia preocupada.

— Estou sim, por que?

— Está tarde! — rolou os olhos — Pode vir para casa e dormir aqui. Amanhã de manhã você volta.

— Mas okaa-san, eu posso dirigir a noite. — protestou — A diretora vai me matar se eu não voltar.

— Mas de jeito nenhum. Eu vou ligar para sua avó agora, desde quando isso é desculpa? — Naruto suspirou, sabendo que era uma batalha perdida — Vem jantar.

— Tudo bem, já estou saindo.

Desligou, reunindo suas coisas e travando o computador, depois de guardar tudo em seus devidos lugares. Quase ninguém estava no prédio, e poucas luzes estavam acesas. Era um lugar calmo e pacífico sem aquele monte de pessoas andando apressadas de um lado para o outro, gritando. Ele não se importaria de trabalhar assim, afinal de contas.

Dirigiu até em casa, estacionando na frente do portão mesmo. A mansão Namikaze parecia tão grande quanto se lembrava, e tão solitária. Deixou sua mochila no hall e subiu para seu quarto. Os quadros do corredor estavam diferentes, o que significava, provavelmente, que dona Kushina estava entediada. Naruto ficava irritado quando se lembrava como seu pai a usava como troféu, uma imagem, quando ela era realmente inteligente, interessante e bondosa — todos a adoravam, não somente por ser a mulher do senador, mas por todos os trabalhos voluntários incríveis que ela realizava. Mantê-la dentro de casa era cruel.

Colocou uma das mudas de pijama que tinha em casa e desceu. Passou pela sala de jantar, posta como em um filme, e bufou, caminhando até a cozinha dos fundos. Chiyo provavelmente já tinha ido para casa, e ele lamentou não tê-la encontrado. Pegou uma porção de tudo que tinha em cima do fogão, salivando, e sentou-se na bancada, comendo ali mesmo.

Não tinha dado três garfadas quando a mão quente de Kushina acariciou seu ombro.

— Rejeitando a mesa de jantar por uma simples bancada. — brincou, sentando-se ao seu lado na banqueta. Usava um conjunto de moletom, e estava sem maquiagem alguma, ficando, de alguma maneira, mais bonita ainda.

— É bem melhor. — engoliu, dando de ombros — E a senhora, okaa-san? Não vai dormir? — já era relativamente tarde.

— Vim fazer um lanche e ver como você estava. — puxou a fruteira, mordiscando uma pera — Se não fosse por mim, você estaria por aí, dirigindo no escuro, no perigo. — reclamou. Naruto rolou os olhos novamente.

— Como eu disse, não tem porquê se preocupar, é totalmente seguro. — voltou a comer.

— Está muito tarde. — insistiu — Você está ficando muito tempo no escritório. — seu tom de voz pareceu sugestivo, e Naruto engoliu em seco, sem responder — Quer dizer, para alguém que odiava participar dos eventos, e mal chegava perto daquele lugar.

— Eu resolvi dar uma chance. — não a olhou nos olhos.

— Naruto. — ela pegou suas mãos, segurando-as contra as dela — Eu sou mãe. Eu te pari. Eu sei quando você está aprontando.

O garoto soltou uma meio risada desesperada meio grasnido.

— Eu não estou aprontando! — se defendeu, mas o olhar dela de “conta outra” o desarmou — Ok, tudo bem. — virou todo o tronco para ela — Eu estou trabalhando em uma... coisa. — coçou a cabeça, encabulado — Eu quero que confie em mim, porque eu vou falar logo o que é. Só estou terminando de planejar.

— É algo para provocar seu pai? — cerrou os olhos.

— Não! Não, claro que não. É algo por um bem maior, de verdade. — defendeu-se. Kushina o encarou por alguns segundos e cedeu.

— Acredito em você. — ele suspirou — Mas não faça nada para irritar ele, Naruto. Por favor.

— Eu nunca faço isso. — resmungou, mas riu. Kushina bateu em seu braço.

— Seja lá o que esteja fazendo, sei que vou ficar orgulhosa. — beijou sua testa e levantou.

Naruto não tinha a mesma certeza.

Depois de mais alguns dias, estava tão ocupado que era fácil deitar na cama e dormir sem ter pesadelos. Acordava pouco revigorado e se obrigava a levantar, tomar café da manhã com seus amigos e agir normalmente.

Sasuke e Sakura, que sabiam o verdadeiro motivo da saída de Hinata, eram cuidadosos ao falar dela perto dele, ou fazer perguntas indiscretas. Ele agradecia pelo tato — era mais fácil de ignorar. Os outros deixaram de comentar quando perceberam que ele não se sentia a vontade, enquanto o resto da escola permaneceu com alguns burburinhos, que, eventualmente, esfriaram. A falta de Hinata foi sentida, sobretudo, no time de natação. Shikamaru estava verdadeiramente preocupado, embora Sakura tivesse lhe dito que ela estava bem, apenas com problemas familiares, como ela mesma tinha avisado por mensagem. Outras pessoas da equipe também o procuraram para saber — ele queria poder dizer à ela o quanto era querida por todos.

Em determinado momento, perguntou-se se não estava sendo, novamente, um egocêntrico narcisista babaca — ela poderia realmente estar com problemas familiares que pouco tinham a ver com sua existência. Claro, esse contexto envolvia explicitamente Hiromi, uma vez que a aproximação da outra parte da família fazia parte de uma jogada estratégica de negócios.

Naruto procurou, entre os arquivos da empresa, qualquer coisa que se relacionasse ao sobrenome Hyuuga. Infelizmente, encontrou pouca coisa — apenas os documentos que abriam a associação das empresas, trâmites legais e burocracia chata. O que provavelmente interessava a ele estava muito bem escondido em um computador pessoal que apenas Minato tinha acesso. Não encontrou nenhum documento interessante.

Exceto por um.

Quando estava quase desistindo de tudo — do estágio, do plano, do projeto, daquele lugar e de procurar alguma prova inexistente —, Naruto encontrou um arquivo deletado no servidor morto, e o resgatou para seu próprio computador. Não tinha nada acusatório ou criminoso, como ele queria. Era mais como um relatório de pesquisa, sobre uma doença estranha dos olhos, chamada Leber.

Naruto leu atentamente aquele papel, mas não viu sentido. Era sobre uma doença hereditária degenerativa ocular, que ele podia imaginar a quem se relacionava. Mas falava sobre herança materna, disposição genética apenas na fase adulta, atingindo homens em sua maioria. Era, basicamente, o oposto da situação de Hinata, até onde ele sabia.

No entanto, ele era lerdo, não burro. As peças começaram a se encaixar lentamente — se estava nos servidores da empresa Namikaze, provavelmente se relacionava, de alguma maneira, à Hiashi, não somente a Hinata. E, se Hiashi tinha algo com isso, então a condição de Hinata era, de alguma maneira, especial.

Naruto se dedicou a pesquisa tudo sobre aquela doença, e descobriu, enfim, um tratamento experimental com células-tronco que visavam reverter a condição. Era cara e com poucos investimentos, mas estudava a possibilidade de devolver parte da visão à portadores da hereditariedade.

Uma chance de enxergar.

Bem, nenhuma palavra poderia descrever como ele se sentiu quando leu aquilo.

Os pesquisadores não tinham muito patrocínio, por ser uma pesquisa com poucas chances de resultado, mas ela existia. Pessoas cegas poderiam ter uma chance de voltar a enxergar. Seu coração se encheu de felicidade ao imaginar quantos não desejavam isso com todas suas forças. Quanto Hinata não desejava aquilo.

Ele não sabia se era mesmo a doença que ela tinha, e como se relacionava com o quadro de condições dos pacientes, mas aquela foi a sentença final — sua inspiração. Foi o motivo que lhe devolveu ânimo, e o fez entrar em contato com Minato, pedindo para marcar uma coletiva de imprensa.

Naruto ia fazer.

O senador mal se continha de êxtase quando recebeu a ligação do filho. Fez questão de anunciar pessoalmente, com seus assessores, e produziu uma campanha unicamente para divulgar aquela coletiva. Era quase junho agora, e a estação estava mudando, talvez tanto quanto Naruto.

Ele viajou para Tóquio dois dias antes do anunciado, para o fim de semana. Cada emissora de televisão, rádio e jornal estaria presente, além de ser transmitida via internet por satélite para todas as redes sociais. Seria gigante — o filho retraído do senador Namikaze finalmente falando para a mídia. As especulações eram muitas, sobre o assunto; muitos apostaram no anúncio de transferência as empresas para o herdeiro, que, prestes a terminar o ensino médio, estava pronto para assumir os passos do pai. Kushina e Nagato também perguntaram, insistentes, mas Naruto não disse uma só palavra. O segredo era a chave para funcionar. Recebeu ligações de amigos e conhecidos, mas tampouco explicou alguma coisa. Nem mesmo Sakura e Sasuke sabiam do que se tratava, mas viajaram com ele para a capital mesmo assim.

Todos reunidos no mesmo lugar — menos um. Talvez a mais importante. Mas estava tudo bem. Era por ela que Naruto estava fazendo aquilo.

No dia em questão, o garoto acordou mais cedo do que gostaria. Tomou um banho no quarto de hotel em que ficou hospedado — próximo da praça onde faria o pronunciamento. Aproveitou a água quente e as bolhas, tentando manter os pensamentos no lugar. Sozinho, vestiu seu melhor terno feito à mão, sob medida. Quando terminou, encarou no espelho o reflexo de alguém que não reconhecia, mas que parecia determinado. Ele gostou do resultado — se desse certo, seria a última vez mesmo. Que fosse em grande estilo.

Às dez da manhã, encontrou sua família no saguão. Kushina parecia apreensiva, mas Minato quase irradiava felicidade.

— Tem certeza disso, filho? — perguntou pela décima vez.

— Vamos, vamos, ele está ótimo! — Minato respondeu, sorrindo e abraçando-o pelos ombros — Gosto dessa aura misteriosa, é ótima para a mídia. Vamos indo.

Na praça à frente, um palanque montado. Centenas de câmeras de televisão montadas. Pessoas aglomeradas. Naruto se perguntou se era mesmo uma boa ideia.

Mas era tarde demais para voltar atrás.

Milhares de flashes pipocaram quando saíram. Atravessaram a passarela, acenando e sorrindo, embora incomodado, e abriram espaço para ele subir. Todas aquelas luzes estavam cegando-o. Procurou seus pais na multidão — estavam logo ao lado do palco. Minato tinha um sorriso maior que tudo, mas Kushina sequer se deu ao trabalho de fingir, de tão nervosa. Era a posição perfeita. Naruto queria ver sua reação.

Bateu no microfone, e o ruído deixou o lugar emudecido.

— Hm, olá. — gaguejou. Limpou a garganta, respirando fundo — Bom dia a todos. Eu me chamo Namikaze Naruto, e, para aqueles que não me conhecem, eu sou o filho mais novo do senador Namikaze. — algumas câmeras se viraram, e ele acenou com um gesto perfeito. Voltaram para Naruto. Era o centro das atenções. Luzes vermelhas indicavam que ele estava ao vivo. Era hora — Eu não costumo aparecer muito na mídia como meus pais, e me considero uma pessoa reservada. Estou terminando os estudos na Academia Canadense, um internato localizado na ilha Rokko, de onde eu quase não saio. Recentemente, eu e meu time ganhamos a competição juvenil nacional na categoria judô, e creio que foi a primeira notícia em meses que tiveram de mim. — alguns risos. Naruto ganhou confiança, e sua voz ecoou na multidão — Devo dizer que não gostava dos negócios do meu pai. Achava entediante. — mais risos — Mas decidi dar uma chance ao ofício, e estive acompanhando a profissão no escritório dele, em Kobe. Foi gratificante ter acesso ao tipo de conteúdo e profissionais com quem tive contato. Eu aprendi muito. — fez uma pausa — Para os que não sabem, eu estive em um relacionamento com Hyuuga Hinata.

Murmúrios surpresos. Flashes. Confusão. Namikaze Naruto, herdeiro reservado e desejado, falando sobre sua vida pessoal em uma coletiva de imprensa.

Minato congelou o sorriso.

— Eu estive em um relacionamento com Hyuuga Hinata, e ela é cega. — mais confusão e cliques — Hinata é a garota mais inteligente que eu já conheci. Ela é esforçada, genial. É bondosa, engraçada e perspicaz. Ela é gentil e carinhosa. E é linda. — sorriu, perdido em lembranças por um momento — Hinata estuda na Academia também, e ela é, de longe, a melhor aluna do colégio. Mas, por ser cega, Hinata não é levada a sério por seu talento e esforço. — ficou sério — Infelizmente, nós não estamos mais juntos, e foi culpa minha. — fitou cada jornalista, as mãos firmes no púlpito — Eu fui preconceituoso. Na verdade, isso é gentil da minha parte. Eu fui, basicamente, um idiota. Eu errei, várias e várias vezes, e perdi uma pessoa maravilhosa. A garota que eu amo. — respirou fundo — Ela merece um cara muito melhor que eu, e eu sei que não a terei de volta, porque eu fui o cego.

Correu os olhos pela plateia. Kushina tinha o rosto em choque, e Nagato parecia querer rir.

— Hinata é única, mas existem outras pessoas parecidas com ela. Que são fortes e independentes, mas não tem sua força reconhecida pelo preconceito das pessoas. — sua voz se tornou macia — Devem estar se perguntando o que está acontecendo, como essas coisas se relacionam e se eu estou desperdiçando o tempo de vocês. — sorriu, charmoso — Eu não posso voltar no passado e consertar as coisas que fiz, mas posso mudar e ser alguém melhor no futuro. Foi por Hinata que eu iniciei esse projeto que tenho o prazer de anunciar. Como porta-voz das empresas Namikaze, eu convoquei essa coletiva para informar que nossos institutos irão patrocinar os estudos de células-tronco para reversão de doenças degenerativas na visão, bem como estamos fundando uma nova organização sem fins lucrativos para dar bolsas de estudo integrais para crianças deficientes de todo o país.

A comoção foi geral.

Milhares de luzes piscaram em seu rosto sorridente, microfones em sua frente, perguntas afoitas, gritos. Naruto sentiu-se aliviado — e, de alguma maneira, sabia que estava ferrado. Não tinha convocado uma reunião com os acionistas, mas sabia que a influência da mídia faria ser uma unanimidade.

Lembrou-se de virar para ver Minato. Seu rosto estava impagável — sem sorrisos falsos, apenas um fogo de ódio em seus olhos, os braços endurecidos, sem poder demonstrar nenhuma reação diante de suas preciosas câmeras. Kushina, por outro lado, tinha os olhos marejados, e Nagato assobiava e batia palmas com outros.

— É apenas um projeto inicial, — tentou falar por cima do barulho — mas a organização Hyuuga Hinata, com a parceria das empresas Hyuuga, com quem assinamos um contrato recentemente, buscará atender crianças e adolescentes carentes, dando chance a eles nos esportes e em boas instituições de ensino. As pesquisas de células-tronco ganharão visibilidade e dará oportunidade para outras pessoas poderem enxergar. Mais que isso — quase gritou agora — irão nos ensinar a enxergá-las.

Esperou que o alvoroço diminuísse para voltar a falar.

— Mais uma coisa antes de terminarmos. — sorriu, mas determinado — A partir de hoje, gostaria de usar o sobrenome da minha mãe, e peço que me tratem por Uzumaki Naruto. Obrigado pelo seu tempo, tenham um bom dia.

Não soube como conseguiu sair com as pernas trêmulas, mas desceu do palanque e correu, sem responder as perguntas. Tinha o peito apertado, com a sensação de missão cumprida.

A televisão mostrava o alvoroço de jornalistas na praça, todos falando ao mesmo tempo, Naruto correndo, o senador Namikaze em choque. Sakura, sentada com Sasuke no quarto de hotel, olhava dele para o aparelho, e de volta para ele, em completo espanto. O garoto não estava diferente, boquiaberto.

De repente, o celular de Sakura tocou, estridente. Olhou o visor e atendeu rapidamente, surpresa.

— Hinata!