Quimera
23 Noite estrelada
Notas iniciais
— Eu acho seus lábios tão beijáveis. E seu beijo, imperdível. Seus dedos, tão tocáveis. E seus olhos, irresistíveis.
— Pegou tudo? Roupas? Toalha? Escova de dente?
— Sim, sim e sim, okaa-san. – Hinata suspirou, com o bastão em uma mão e a bolsa na outra.
— Não se preocupe, tia Hiromi! A Hina vai ser muito bem tratada!
Sakura estava exultante ao seu lado, enquanto a mãe checava, pelo que parecia ser a terceira vez, todas suas malas. Hinata sentia-se traída – sua mãe simplesmente amara Sakura. A rosada chegou pela manhã, com o que pareceu ser um carro muito luxuoso, para pedir para Hiromi que Hinata passasse o restante das férias com ela. Duas semanas haviam se passado, e o verão estava em seu auge. Hinata já tinha falado com a mãe, que pediu para conversar com Sakura e a mãe dela, mas bastou alguns minutos para que ela tivesse se derretido perdidamente pela garota.
Agora, no fim do dia, o sol ainda queimava bastante, e Sakura levava as malas de Hinata para seu carro. Hiromi sequer parecia triste, e Hinata pensou em fazer drama, mas não adiantaria muita coisa.
— Tudo bem, garotas. Se divirtam! – Hiromi abraçou Sakura, e depois Hinata, pela última vez, acariciando atrás da sua cabeça e ajeitando seu cabelo, apropriadamente cortado. O rosto da mais nova estava corado, e ela suava um pouco. Tentou sorrir, mas sentia-se nervosa – Vai dar tudo certo, filha. Aproveite suas férias, essa sua amiga é ótima. – confidenciou, baixo, e Hinata soltou uma risada trêmula.
— Ok, okaa-san. Nós nos falamos depois. – Hinata beijou o rosto da mãe, passando os dedos suavemente por suas bochechas, sentindo a pele um tanto flácida – Vou sentir saudades. – choramingou.
— Eu também, meu amor. Agora vai. – Hiromi riu para disfarçar a emoção – Sakura, minha querida, cuide bem da minha filha. – brincou, e Sakura bateu continência. Hinata não entendeu o motivo das risadas.
— Pode deixar. Vamos, Hina!
Sakura guiou a amiga para o carro. Deveriam ser quase cinco horas da tarde, e o motorista esperava por elas com todas as bolsas já acomodadas. Hinata não se lembrava de ter andando em um carro tão cheiroso, e nunca no banco de trás. A amiga segurava suas mãos, e parecia animada demais. O automóvel começou a se movimentar lentamente, fazendo várias curvas, e Hinata sentia-se ansiosa, por não saber onde estavam indo. Era estranho estar em um carro com motorista – andar no banco da frente ajudava com que identificasse onde estava, através do cheiro. Mas, no banco traseiro, o único cheiro que conseguia identificar era o perfume de Sakura, sentada ao seu lado com a aura entusiasmada demais.
— Sua casa fica muito longe? – perguntou, ouvindo o barulho das pessoas pela primeira vez. Sakura deu um risinho atípico.
— Até que sim, mas não vamos para minha casa. – o coração de Hinata falhou uma batida, e ela começou a se desesperar.
— O quê? Sakura! Como assim?! – falou, alto demais, com o tom aflito, e Sakura apertou suas mãos, confortando-a.
— Calma, Hina! É só uma mudança de itinerário. – Hinata estava histérica – Nós vamos para a casa do Naruto. É uma tradição, passarmos o final das férias lá. Você vai adorar! É enorme, tem uma piscina, um campo, vários quartos. – tagarelou, despreocupada, mas a Hyuuga ameaçou chorar, com os ombros tremendo. Suspeitava que a animação anormal da amiga fosse para esconder seus verdadeiros objetivos, ilustrando um cenário cheio de atrativos para desviar a atenção do fato de que estava sendo sequestrada.
— Eu não acredito! Mentiu para a minha mãe? – acusou, e estava ficando realmente irritada com Sakura rindo, tão calma.
— Claro que não, sua boba. – Hinata estava prestes a ter um colapso – Minha mãe conversou com ela, explicou a situação, e ela foi super-receptiva, até eu me surpreendi. – Hinata abriu a boca. Sua mãe sabia e concordou com aquilo? – Fica tranquila, Hina! – a garota sentiu braços abraçarem seus ombros – Vai ser legal! As meninas também vão amanhã, e você vai poder conhecer o Sasuke. – o famoso Sasuke — Vai ser legal. – repetiu.
Hinata respirou fundo, deixando-se encostar, ainda chocada. Sua mente buscou as lembranças do garoto escandaloso e simpático com quem conversara bastante nos últimos dias. Era como se fosse uma pessoa completamente diferente da que ouvira falar, tantos meses atrás. Sentia-se mal de estar indo passar as férias na casa de um garoto que mal conhecia, mas culpava Sakura, então tentou confortar a si mesma. Além disso, a menção da piscina a deixara animada – a única água que sentira sobre seu corpo nos últimos dias fora seu próprio suor salgado –.
Pareceu que andaram várias horas de carro, até que a velocidade diminuiu, até pararem. O motorista falou alguma coisa, e tornaram a andar, subindo por uma rua, e Hinata ficou curiosa. Queria poder ver onde estavam – já com as janelas baixas, o cheiro de grama fresca era bom.
— Vem, eu te ajudo. – Sakura puxou a amiga pelo cotovelo quando pararam, e Hinata sentiu pedras sobre seus pés, e estender o bastão, para não tropeçar em nada. O sol estava mais fraco, e uma brisa morna passou por ela. Era silencioso, com uma atmosfera curiosamente tranquila. Onde quer que fosse, tinha certeza que jamais havia posto os pés ali.
Naruto observou o carro se aproximar pela janela do quarto, no segundo andar, e bastou alguns segundos para que descesse as escadas de dois em dois, animado. Chegou na frente da casa com rapidez, enquanto fitava, sem fôlego, Hinata ficar de pé. Sorriu, o mais largo que pode. Era como um sonho, tê-la em sua casa. Os pais tinham saído há muito, e estava tranquilo quanto a isso, mesmo que não tivesse visto o pai em nenhum dos quinze dias em que estava em casa. Tudo que importava era Hinata, que parecia ainda mais linda – de uma maneira ridiculamente clichê –, embora um pouco desconfiada.
— Sakura! – gritou, correndo até a amiga e a abraçando pela cintura. Embora estivesse verdadeiramente entusiasmado pela presença da Hyuuga, também gostava quando a melhor amiga o visitava. Se soltaram, e Sakura tinha o rosto alegre.
— Oi, Naruto! – cumprimentou, jogando uma mochila sobre os ombros. Naruto desviou, parando em frente a Hinata, que parou, sentindo sua presença próxima a ela. Ambos esperaram.
— Oi, Hinata. – cumprimentou, tentando não soar desesperado demais. Nunca sabia como agir quando estava perto da garota – Que bom que conseguiu vir! – Naruto ponderou se a abraçava ou não, então optou por colocar a mão em seu antebraço. Onde tocou, sentiu um choque.
— Oi, Naruto. – ela respondeu, e, para seu alívio, sua voz era polida – Não tive muita escolha. Sakura me raptou. – todos riram, e o clima se tornou mais leve.
O trio seguiu para dentro da casa, Naruto conversando animadamente com Sakura, e Hinata com a garota, em silêncio. Sentia-se nervosa, por algum motivo que não podia entender. A voz do garoto ecoava em sua cabeça, deixando-a desnorteada. Seu toque ainda queimava, e ela queria se bater. Quando entraram na casa, o clima mudou, e era surpreendentemente fresco. Seu bastão deslizou por um piso muito liso, e seus sapatos tilintavam. Mesmo não podendo ver, sabia que era caro, e imediatamente sentiu-se culpada por não ter batido a terra antes de entrar. Não encontrava o lugar para retirar as sapatilhas, e estranhou um pouco. Era intimidador estar em um lugar novo, desconhecido e rico.
Não era surpresa que todos na Academia portavam quantias consideráveis de renda bruta, e suas contas bancárias nunca ficavam escassas – a própria Sakura já a surpreenda diversas vezes quanto a este assunto –. Mas, entre saber e realmente conhecer, havia uma boa distância, que, sinceramente, ela não estava pronta para cruzar. O cheio, os sons, até mesmo o ar indicava uma atmosfera nova, diferente de tudo que já visitara. Enquanto caminhava, não trombou em nenhuma parede ou mobília, e estavam andando há alguns segundos agora. Tentou imaginar a dimensão do corredor que atravessaram naquele momento, e seu estômago embrulhou.
Naruto mantinha um olho em Sakura e o outro na garota próxima dela, que andava em passos silenciosos e hesitantes. O que não daria para saber de seus pensamentos – Hinata era uma incógnita que ele estava acostumado a decifrar, sempre de longe. Seu rosto mantinha a mesma expressão impassiva e cuidadosa desde que descera do carro.
— Bom, Hinata, eu sei que é um lugar novo, mas eu e a Sakura, e o pessoal também, vamos cuidar para que você se sinta confortável, tudo bem? – a Haruno o fitou com uma careta maliciosa que ele ignorou. Queria se certificar de que Hinata se sentisse bem em sua casa. A garota, perdida em pensamentos, se assustou quando ouviu seu nome, e assentiu rapidamente.
— Obrigada. – sua voz soava sincera, e Naruto soltou o ar aliviado – Desculpa por causar tanto trabalho. – insistiu.
— De jeito nenhum, não é trabalho algum. Estou feliz que esteja aqui. – admitia que, naquele momento, falara sem pensar, mas o sorriso de gratidão que se estendeu no rosto da morena foi o melhor que já vira, e compensava qualquer coisa. Sakura, atrás de si, rolou os olhos, mas também sorria.
Naruto gostava de ver a mudança de Hinata quando se sentia envergonhada – do jeito bom. A gratidão lhe fazia desabrochar, e o rosado de suas bochechas era a cor mais linda que o garoto já vira. Não parava para prestar atenção em como soava clichê ou melodramático. Ao que tudo indicava, seu cérebro só era capaz de processar como a Hyuuga era formidável.
Sasuke chegaria naquela tarde, embora já tivesse passado alguns dias com o Namikaze antes de voltar para sua própria casa. Enquanto isso, Naruto rezava para que conseguisse lidar com Sakura e suas insinuações desmedidas, e cuidar para que Hinata não se sentisse perdida na mansão.
— Eu vou levar você para os quartos. – anunciou, caminhando até a escadaria. Sakura saiu na frente, e Naruto diminuiu o passo para acompanhar Hinata.
A garota bateu seu bastão devagar, calculando seus próximos passos, mas eriçou quando sentiu os dedos quentes tocando seu cotovelo suavemente. Era como uma descarga em sua pele, e seu primeiro impulso foi se afastar. Mas o toque foi tão gentil, tão cuidadoso, que ela ficou, deixando-se guiar. O perfume atacou seu nariz, enebriando-a. Hinata não estava acostumada a ser desnorteada com seus sentidos.
— Cuidado com os degraus, agora. – Naruto falou com a voz baixo, a ajudando a subir, e Hinata assentiu, sorrindo, grata. Nenhum dos dois trocou nenhuma outra palavra até que todo o percurso tivesse sido feito. Sakura já os esperava no corredor de cima, impaciente, mas distraída o suficiente com a nova decoração para não apressá-los – Sakura, acho que você já conhece seu quarto. – rolou os olhos quando ela saiu em disparada, rindo. A Haruno exigira dormir no melhor quarta da casa depois da suíte de seus pais, e, depois de alguns anos, trouxera tantas coisas pessoais que o cômodo se tornara dela – Hinata, vou te mostrar onde você vai ficar.
A garota tentou não pensar na mão máscula pousada na base das suas costas. Começou a andar para a esquerda, e o corredor era, ao menos, mais estreito que o anterior. Conseguira até acreditar que aquela era uma casa normal. Caminharam por alguns segundos até que Naruto a parou, abrindo a porta e deixando que ela entrasse primeiro. O Namikaze tentava controlar o próprio nervosismo, e suas palmas suavam vergonhosamente. Escolheu o quarto da Hyuuga com cuidado, tomando todas as providências pessoalmente para que fosse o mais adaptado o possível.
Deixou que a Hyuuga explorasse a entrada, e suas mãos tatearam a porta e o batente, guardando todos os detalhes. Logo no primeiro passo era parou, e virou-se para onde achava que estava o loiro, o fitando com a sobrancelha arqueada. Naruto engoliu em seco.
— São tapetes de alto-relevo? – a voz dela não parecia acusatória; pelo contrário, estava admirada. Naruto tentou ler sua expressão, e engoliu em seco.
— Sim. – admitiu – Pedi para que colocassem no seu quarto. Achei que fossem ser úteis. – sua voz morreu no final, com medo de ter dito que a ofendesse, mas Hinata parecia exultante.
— Não precisava! – brandou, com um sorriso – Obrigada. – estava carregada de gratidão. Como morava em um bairro humilde, sua mãe nunca tivera condições de instalar tapetes de alto-relevo pela casa, mas seu peito se apertou com o gesto. Sentia-se mais segura para andar sozinha, e sua bengala não escorregava na borracha.
Naruto abriu um sorriso iluminado, e Hinata desejou poder ver seu rosto – incomodou-se um segundo depois, quando esses pensamentos lhe invadiram. Estava assustada com a velocidade que seus sentimentos mudavam quando estava na presença do garoto. Ele tinha algo que a fazia querer coisas novas, que a fazia querer arriscar.
— Eu coloquei os tapetes em caminhos pelo quarto todo, mas também tem o carpete, que é fofo! – explicou, mais animado, andando pelo quarto ao redor da garota, que caminhava devagar, tocando em tudo que podia – Tem a cama e o banheiro também, com antiaderentes para você não cair. E tem o guarda-roupa, se quiser arrumar suas coisas também. Tem uma escrivaninha ali do lado, e uma almofada grande. – gesticulava nervosamente, e Hinata apenas sentia as correntes de ar que lhe atingiam, e sorriu.
Suas mãos alcançaram a beira da cama, e os dedos percorreram a madeira, lisa e sem farpas. Em seguida, sentiu os lençóis, finos e de linho. Pareciam caros, e, quando mexeu, sentiu cheio de amaciante. O colchão era macio, e Hinata tentou lembrar a última vez que sentira algo tão confortável sobre sua mão. Em seguida, caminhou para o lado, tropeçando na mesa, e percorreu a escrivaninha, guardando todos os detalhes da mobília e da cadeira próxima a ela. Voltou-se para o meio do quarto com a ajuda do tapete, e anotou mentalmente para andar pelo cômodo sem sapatos, para poder sentir o carpete entre os dedos.
— Parece perfeito. – disse, sincera, e Naruto exultou – Muito obrigada, Naruto. Não precisava se preocupar com tudo isso. – adicionou rapidamente. Sentia-se mal que o garoto tivesse se dado ao trabalho de alterar um quarto inteiro da sua casa somente para ela.
— Já disse que não precisa se preocupar. – bufou, indo até ela e tocando seus ombros novamente. Desta vez, Hinata não sentiu o choque, nem vontade de se afastar – Você prefere ficar à vontade para se instalar? Ou quer descer comigo? Eu e a Sakura vamos para a cozinha procurar algo para comer. Meu amigo Sasuke deve estar chegando também. – a morena ponderou suas opções por algum tempo.
— Posso tomar um banho? – perguntou, hesitante – É rápido, só para relaxar os ombros. – riu nervosamente, e Naruto a tranquilizou quando concordou rapidamente.
— Claro! Não se preocupe, leve o tempo que precisar. – a garota suspirou, aliviada – Eu vou estar lá embaixo. Hm, vejamos. – ele parou por alguns instantes, parecendo pensar – Quando você sai, virando para a esquerda, tem mais duas portas até as escadas. – Hinata assentiu, assimilando o caminho sem dificuldades.
— Tudo bem, não me parece difícil. – riu, aliviando o clima. Estava começando a se sentir desconfortável com a atmosfera que se formava entre os dois, sozinhos, no cômodo.
— Tem toalhas limpas no balcão. Se precisar de ajudar, é só gritar. – Naruto disse, bem-humorado, e sua voz começou a se distanciar – Eu vou te dar mais privacidade. Até logo.
— Até. – Hinata respondeu, um segundo atrasada, e, quando o silêncio invadiu o ambiente, ela suspirou, se guiando até a cama e se jogando na beirada, afundando no colchão acolchoado.
Seu coração batia descontroladamente, e ela podia senti-lo na garganta. Suas mãos suavam, e, quanto mais ela repetia o diálogo em sua cabeça, mais se sentia estúpida. Ela simplesmente não sabia como agir. A presença dele era intimidade, e, de alguma maneira perturbadora, ela queria impressioná-lo – é claro que aquilo tudo era uma grande besteira. Suspirou, se acalmando, e atmosfera do quarto a deixou mais tranquilo. Tudo cheirava a novo e requintado, até mesmo o colchão, que era fofo na medida certa.
Tomando coragem, se pôs de pé, com a mochila nas costas, e tateou pelo cômodo, seguindo o caminho de alto-relevo. Não foi difícil encontrar o banheiro – tudo ali parecia ter sido convenientemente arquitetado –. Entrou, e o piso fazia ecos, mas, pela distância da bancada até o box, podia dizer que era igualmente luxuoso e espaçoso. Deixou suas coisas em cima do vaso sanitário, e puxou sua própria toalha – por Kami, ela não ousaria se enxugar em uma das prováveis toalhas brancas e felpudas de milhares de ienes que estariam embaixo do balcão.
Apoiou na parede, pegando seus chinelos, e despiu-se, dobrando cuidadosamente as demais peças e deixando-as onde pudesse achar facilmente depois. Em seguida, pisou no box, segurando-se, mas seus pés não escorregaram, e sentiu os tapetes antiaderentes. Sorriu. Buscou pelos registros e abriu ambos, sentindo o jato morno atingir suas costas. Ajustou a temperatura e suspirou, deixando a água cair sobre seu cabelo, relaxando seus ombros. Acalmou-se. Para bem ou para mal, estava ali, e aquela seria uma realidade, então teria que, ao menos, se acostumar pelas próximas semanas – e lembraria de ter uma conversinha com a dona Hiromi depois.
Naruto se jogou contra a bancada de mármore frio com uma latinha de energético na mão. Deixou-se cair, o rosto achatado contra o balcão e resmungos inteligíveis saindo de sua garganta. Sakura estava rindo da sua cara há bons cinco minutos, desde que voltara do quarto de Hinata, e, até aquele momento, o garoto não tinha considerado homicídio. Ainda.
— Você é realmente desagradável. – murmurou, fazendo com que a rosada risse mais ainda.
— Olha, desculpa, eu não consigo controlar. – a rosada limpou as lágrimas que escaparam pelos cantos – Naruto, você é patético. Está estampado na sua testa que você está caidinho por ela. – zombou, e o loiro se endireitou, a fuzilando.
— É uma pena que ela seja cega, não é mesmo? – replicou, com a lata próxima a boca, e Sakura revirou os olhos, também tomando um gole de seu refrigerante.
— Não seja melodramático. – a Haruno apontou, grunhindo como uma velha – Minha ideia foi genial. Hinata vai poder ver que você é um cara legal, e você vai ter sua chance. Se nada der certo, pelo menos vocês viram amigos. E eu aproveito sua casa pelo resto das férias. É o plano perfeito. – finalizou, cruzando os braços, satisfeita consigo mesma.
— Espero que você esteja certa. – suspirou, desistindo de argumentar – Mas, sinceramente, eu gosto muito mais do Sasuke do que de você. – Sakura lhe deu o dedo, e Naruto soltou uma risada latido – Por falar nisso, ele já deveria ter chegado. – puxou o celular novo, agora sem rachaduras e cheio de seus aplicativos preferidos, e checou as horas de novo.
Dito e feito, a porta da frente se abriu com um estrondo. Nenhum dos dois amigos se moveu. Do corredor do hall surgiu o garoto, com apenas uma mochila a tiracolo – não precisava trazer nada da própria casa, uma vez que passava mais tempo nos Namikaze que no próprio quarto. Naruto não se deu ao trabalho de recepcionar o amigo, que também não o cumprimentou, passando direto por Sakura e depositando um beijo rápido em sua bochecha, para, então, ir até a geladeira.
— Em outros tempos o porteiro te anunciava. – Naruto gozou, e Sasuke o encarou entediado.
— Talvez, há uns dez anos. – replicou – Eu poderia dar uma desculpa para meu atraso, mas eu simplesmente estava com preguiça. – Naruto revirou os olhos – Ela já chegou? – perguntou, virado para Sakura, que assentiu afirmativamente.
— Sim, está tomando banho. – Naruto respondeu, subitamente empolgado, e os dois amigos contiveram uma reação zombeteira – Vou apresentar vocês. Eu espero que você seja educado, Teme.
— Eu sempre sou educado. – o Uchiha se defendeu, falsamente ofendido, mas Naruto sabia que ele falava sério. Por outro lado, Sasuke jamais seria desrespeitoso com uma garota que sabia que o amigo estava gostando – Eu até que simpatizo com ela.
— Sério? – Naruto rebateu, descrente.
— Claro. Quando você e aqueles animais começaram a pegar no pé da coitada – Naruto se encolheu, bufando – alguém tinha que deter vocês.
— Naruto é um babaca. – Sakura completou, se metendo apenas para provocá-lo.
O Namikaze se preparou para se defender, mas um barulho o interrompeu. O loiro se pôs de pé em um piscar de olhos, já correndo para o hall principal, onde uma Hinata hesitante terminava de descer as escadas. Ela trazia a bengala, e usava roupas casuais, uma combinação interessante entre moletom e linho – foi a primeira constatação feita por Naruto –. Seu cabelo estava molhado, cuidadosamente penteado, e seu rosto parecia mais corado que outrora. Seus olhos continham um brilho anormal, focados para frente.
Naruto a alcançou em apenas alguns milésimos, engajando o braço sobre seu cotovelo e a guiando com atenção até a cozinha funcional, passando rapidamente pela sala de jantar que nunca era usada em noites normais.
— Teve alguma dificuldade no banho? – perguntou, tentando não soar intrometido, mas a garota ignorou quaisquer terceiras insinuações e negou, com um sorriso afetado.
— Nenhuma. Foi tudo bem fácil, e os tapetes ajudaram muito, obrigada. – agradeceu mais uma vez.
— Não por isso. – respondeu alegremente. Chegaram até o cômodo, onde Sakura e Sasuke encaravam Naruto com caretas sarcásticas. O loiro ignorou veementemente. Sasuke se pôs de pé – Hinata, eu gostaria que você conhecesse meu melhor amigo, Sasuke. – aproximou Hinata o suficiente para que ficassem a poucos metros de distância.
— Olá, Hinata. É um prazer finalmente conhecê-la. – Sasuke falou polidamente, não resistindo a provocação, e Naruto arregalou os olhos, o fitando ameaçadoramente. Hinata, alheia ao diálogo silencioso entre os amigos, estendeu o braço com a palma aberta. Sasuke, surpreso, estendeu sua própria mão, e a sacudiu, satisfeito com o aperto firme e seguro da Hyuuga.
— O prazer é meu, Sasuke. – soltaram o aperto, e Hinata voltou a se apoiar no bastão – É bom conhecer o famoso Sasuke. – a garota entrou na brincadeira, e foi a vez de Sakura se assustar, corando, enquanto Naruto gargalhava e Sasuke o encarava, confuso.
— Isso realmente não importa, né, gente? – Sakura se apressou e pegou Hinata, a levando até a bancada, ao seu lado – E aí, Hina, está com fome? – mudou rapidamente de assunto, e os quatro se concentraram no jantar.
Hinata não cansou de se surpreender ao longo da noite. Sasuke – o famigerado – era bem comum, até mesmo para suas especulações. Tinha a voz tranquila e quase sempre neutra, entrando na brincadeira dos outros dois amigos vez ou outra, e sua risada era ainda mais rara. Apesar disso, ele tinha uma presença muito tranquilizadora, contrastando curiosamente com a do próprio Naruto, que tomava toda a atenção do ambiente para si, involuntariamente. Pareciam bastante íntimos, e se esforçaram para incluir Hinata em todos seus assuntos, exigindo sua opinião em cada tópico e decisão. Mesmo que a Hyuuga não se sentisse confortável em expressar suas próprias preferências enquanto estava sendo uma completa visita em uma casa estranha, eles fizeram pizzas sem bacon apenas por sua causa. Ela comeu tanto que pensou que estava sendo mal-educada, mas uma pequena discussão entre Naruto e Sasuke pelo vigésimo terceiro pedaço a deixou despreocupada – e a fez rir.
Ouvir os dois amigos interagindo era bem diferente de ouvir Naruto e Sakura. Enquanto o casal se provocava mutuamente, com Sasuke era apenas sobre respostas rápidas e atravessadas, deixando Naruto irritado e a procura de novas formas de atormentar o outro. Com ela, pareciam cuidadosos, embora sem filtro, o que a deixou confortável o suficiente para se sentir incluída.
Depois do jantar, foram todos para a sala de estar – segundo Sakura, era mais como uma sala de cinema, mas Hinata nunca havia ido ao cinema, não fazia ideia do que a comparação queria dizer –. Sentiu muitas almofadas e o sofá afundava de tão macio. Ligaram em algum programa na TV, mas acabaram com o som ambiente, para poderem conversar A Hyuuga não imaginava que horas seriam, mas o sono começou a assolá-la, então supos ser tarde.
Hinata sabia que o ambiente estava sob meia-luz e que Naruto sentara próximo ao seu pé, no chão de carpete. Sakura estava deitada perto de suas pernas, e, pela voz, imaginou que Sasuke estaria em algum lugar do outro sofá. Uma atmosfera amigável se formou, como quatro amigos compartilhando um momento de descanso. Estavam conversando sobre aleatoriedades, até que Sasuke falou, em determinado ponto:
— Hinata, qual a pior parte de não enxergar? – a garota se assustou ao ser questionada diretamente – O quê? Eu estou curioso, não é uma pergunta com maldade. – Hinata imaginou que estariam olhando feio para o garoto, e sorriu. Não havia sentido em sua voz nada além de genuína curiosidade, e aquilo a incentivou a falar, mesmo envergonhada.
— Está tudo bem, gente. Pode parecer loucura, mas muita gente me pergunta coisas parecidas, ou bem piores. – riu, para mostrar que se sentia a vontade – Sasuke, acho que a pior parte de não enxergar é sobre as aparências. – agradeceu por, naquele momento, não saber dos pares de olhos fixos nela, ou não conseguiria falar sem gaguejar – Eu costumava pensar que eram as cores, porque eu não tenho ideia de como são as cores. É meio estranho pensar sobre isso, ou tentar explicar, porque o espectro visível das pessoas são as cores, o que determina tudo, e eu não consigo ao menos imaginar isso. Mas, depois de tempo, eu concluí que, para mim, são as aparências. Eu não vejo as pessoas, eu não sei como elas são. Eu não tenho parâmetros de comparação, não sei o que é ser loiro ou moreno, alto ou baixo, a cor da pele ou o formato de seus corpos. Isso me deixa bem frustrada, para ser sincera, não poder imaginar como são as pessoas. Eu as identifico e imagino através da voz, da aura, da presença, mas nunca vai ser a mesma coisa. Eu nunca vou poder saber como é o rosto da minha mãe, como eu me pareço, ou de que cor são seus olhos. É angustiante se eu ficar pensando nisso por bastante tempo, então eu procuro ignorar.
O silêncio se instalou depois que ela terminou, e, por um momento, ficou com medo de os ter ofendido, ou acabado com a noite falando de algo tão depressivo quanto aquilo. Ela realmente aprendera a lidar com a constante frustração, e não se importava em falar abertamente sobre suas limitações ou o que a deixava mais triste com sua deficiência.
Estava prestes a dizer algo, quando ouviu um silvo e um assovio baixo, vindo de Naruto.
— Isso definitivamente foi algo. – comentou, mas não parecia bravo, apenas pensativo – Ela realmente te pegou agora, Teme. – não perdeu a oportunidade de zombar de Sasuke, e Hinata riu baixo.
— Minha cabeça está para explodir agora! – Sasuke comentou espontaneamente, surpreendendo a garota – Quer dizer que você não tem nenhuma ideia de como são as pessoas? – sua voz parecia incrédula, e Hinata paralisou por alguns instantes, uma vez que Sasuke apenas não fazia o tipo que era sincero com tanta naturalidade.
— Não é nenhuma ideia, na verdade. Quero dizer, com as pessoas que são próximas a mim. Eu, bem... eu peço para tocar o rosto delas. – admitiu um pouco envergonhada – Com as mãos, eu posso ter algumas noções, como formato, posso imaginar como é o nariz, olhos, boca, a textura da pele e do cabelo. Dá para saber muita coisa através do toque. – não queria parecer que estava se gabando, mas ela era muito boa com o tato.
— Fascinante. – o Uchiha comentou, perdido em pensamentos, e Hinata corou um pouco. Não estava acostumada a ser o alvo de tanto interesse.
A sala mergulhou em um silêncio agradável, com o som ambiente de algum programa de comédia ecoando pelas paredes. Ninguém fez nenhum outro comentário, até que a bolha foi quebrada por um bocejo alto. Hinata não soube dizer de quem fora, mas, rapidamente, estavam todos de pé, recolhendo suas coisas para ir dormir. Ela não se opôs – estava exausta.
— Vamos, Hina. – Sakura enganchou ao seu lado, a guiando devagar. Parecia mais escuro que antes, e apenas a luz do corredor do fundo iluminava o primeiro andar – Boa noite, meninos.
— Boa noite, Sakura. – Sasuke respondeu – Boa noite, Hinata. Peço desculpas se te ofendi com as minhas perguntas.
— Longe disso! – apressou-se em negar – Foi uma ótima conversa. Boa noite, Sasuke. – parou, com o pé no primeiro degrau da escada – Boa noite, Naruto.
A garota não escutou nenhuma resposta, e começaram a subir as escadas rumo aos seus próprios quartos. Sakura fez questão de deixar Hinata na porta, e, quando se despediram com um abraço – depois da Haruno insistir que, se precisasse de algo, ela estaria há trinta segundos de distância –, a Hyuuga aproveitou para relaxar. Caminhou até sua mala, puxando um de seus pijamas confortáveis de algodão e se trocando rapidamente. Deixou a bengala dobrada sobre o criado-mudo, e sentiu uma brisa fria em seu pescoço. Estava sentada na beirada, do lado esquerdo, já havia até mesmo retirado o cobertor para se deitar. Terminava de escovar o cabelo quando escutou duas batidas na porta.
— Hinata? Posso entrar?
— Claro, Naruto, entra. – a garota respondeu, surpresa com a visita de última hora. Guardou a escova e ajeitou a franja, virando o tronco ligeiramente para o lado. Sentiu o garoto se aproximar e sentar-se ao seu lado, não tão perto a ponto de se tocarem, mas não tão longe para que Hinata não sentisse o calor de sua pele.
— Eu vim ver como você estava, se precisava de ajuda. – sua voz tinha algo de inseguro, e estava baixa e rouca.
— Estou bem, foi tranquilo para me arrumar, obrigada de novo. – respondeu, entrelaçando os dedos sobre as pernas nuas.
Não falaram por algum tempo.
— O céu está cheio de estrelas hoje. – Naruto comentou. Hinata não sabia que havia uma janela, mas explicava a brisa gelada. Suspirou.
— Sempre quis ver as estrelas. – comentou. Não queria soar mórbida, foi apenas uma constatação aleatória. No entanto, conseguiu ouvir o garoto ao seu lado engolindo em seco.
— Hinata, sobre o que você disse agora a pouco... – começou, hesitante – Eu... eu queria dizer... – ele parecia nervoso, se enrolando com as palavras.
— Sim? – ela resolveu lhe dar um pequeno empurrão. Ele respirou fundo
— Eu queria dizer que você pode tocar meu rosto, se quiser.
Hinata deixou escapar um curto ofegar de surpresa. De todas as coisas, ela certamente não estava esperando por aqui. Por alguns instantes, não soube reagir. Suas palmas começaram a suar subitamente, e seu estômago revirou seu jantar. Era inusitado – de fato, ela jamais esperaria aquela reação dele. —. Não entendia como um garoto podia ser tão inconstante. Mas, se ele quisera dizer o que realmente dissera, então significava que ele confiava o suficiente nela para deixar que ela o tocasse – o visse. Era uma autorização pessoal e corajosa. Poderia ser um tratado de paz, um pedido de desculpas, uma nova chance. Hinata não saberia dizer.
Mas, então, passados dois minutos, ela ergueu o braço, insegura, e o estendeu o suficiente para que a ponta de seus dedos pousassem sobre o rosto parado há poucos metros dela.
Sua mão encontrou seu maxilar primeiro. Suavemente, deixou que seus dedos percorressem pela extensão. Naruto tinha um queixo quadrado, com laterais bem definidas. Estavam relaxadas, e sua boca estava ligeiramente entreaberta. Foi onde seus dedos se guiaram depois. Os lábios eram finos, úmidos, e a boca era bem desenhada em uma linha particularmente maior na parte inferior. Passou para as maçãs, sobressalentes, mais próximas dos olhos que do nariz. Eram quentes – toda sua pele parecia queimar. O nariz era afunilado, com uma pequena curva para cima, e ele parecia ter pequenas olheiras se formando. Tateou o olho esquerdo primeiro, e ele estava fechado. Tinha cílios grossos, e pálpebras macias. Sua sobrancelha era grossa, e a testa tinha pequenos vincos, talvez de tanto fincar. Moveu sua mão para cima, encontrando seu cabelo. Os fios eram grandes, e o cheiro de condicionador atingiu seu nariz. Ela percorreu até a parte de trás da cabeça, onde alcançava com o braço estendido, e o cabelo passava da nuca, em um corte rebelde. Voltou, passando pelas orelhas, e uma delas estava furada, com um pequeno brinco de argola. Acariciou o pescoço, sentindo uma veia, e voltou para suas bochechas, um tanto murchas. Hinata estava entretida – e maravilhada. O garoto tinha medidas harmoniosas, e sua pele era como pluma entre seus dedos. Percebeu, sem surpresa, que Naruto era muito bonito.
Naruto tivera um surto de coragem repentina quando saiu de seu quarto apenas cinco segundos depois de ter entrado nele. Sasuke já tinha ido para o dele, e Sakura acabara de fechar a própria porta. Ele poderia ter voltado – ter repensado aquela atitude insana e desorientada. Mas, sabia que não conseguiria dormir sem, ao menos, falar com ela. Então, andou dez passos largos, e agradeceu quando encontrou a porta semiaberta.
Ela estava linda com um pijama branco, e ele tentou desesperadamente não olhar descaradamente para suas coxas a mostra, e tirar a pureza da cena. Ela penteava o cabelo, e parecia alheia. Quando ele se sentou, quis comentar do céu – eram poucas vezes em que podiam ver as estrelas tão bem dali. Se arrependeu quase no mesmo instante, mas Hinata não pareceu se ofender ou ficar magoada. Novamente, mais uma lufada insana de coragem, e ele falou.
Estava preparado para a rejeição. Ele viu sua feição mudar, seu corpo reagir involuntariamente, arqueando as costas. Tentou controlar a respiração, e, quando ela não disse nada durante dois minutos, quis se desculpar e sair correndo. Queria dizer que não sabia da onde tirara algo tão absurdo, e que ele estava fora da razão.
Mas, então, ele a viu erguer o braço, estendendo-o para tocar seu rosto. Naruto se inclinou minimamente em sua direção, e, quando a ponta de seus dedos o atingiu, tudo pareceu mudar.
Hinata tinha a mão mais macia, mais quente e mais delicada. Quando começou a passear por seu rosto, memorizando cada traço, ele quis ronronar. Seus olhos se fecharam, aproveitando cada segundo daquela experiência, desejando que nunca se esquecesse daquele toque. Hinata passou por seu maxilar, sua boca, nariz e olhos. Então, embrenhou-se em seu cabelo, até sua nuca, e, ao passar por seu pescoço, ele sentiu os braços se arrepiarem. Ela voltou, e ele abriu os olhos.
Ele ficou maravilhado com a cena que viu. Seus olhos brilhavam, e seu rosto todo se convertia em uma feição quase religiosa. Ela tinha uma reação surpresa, gloriosa, a boca entreaberta e as sobrancelhas arqueadas por trás da franja. Mas eram os olhos – eram aqueles olhos. As duas pérolas, pousadas sobre ele, que sem vê-lo, o despiam completamente. Eram duas orbes profundas, verdadeiras, que refletiam fascínio genuíno.
Hinata fez menção de retirar a mão, deixando-a cair, mas Naruto, sem pensar, levou a sua sobre ela, mantendo-a sobre sua bochecha. A Hyuuga arfou, pega desprevenida, e suas maçãs coraram fortemente, mesmo no escuro. A luz do lado de fora iluminava todo o quarto – o que deixava Hinata ainda mais angelical –. Naruto suspirou, com a palma quente pressionada em seu rosto. Sua mão cobria totalmente a da garota, quase alcançando seu pulso.
Eles estavam há centímetros de distância, agora. Suas respirações eram entrecortadas, e o silêncio era esmagador. Naruto não fechou os olhos – ele queria ver tudo, até o último instante. A maneira que Hinata reagiu. Ela não parecia assustada, mas tampouco confortável. Ela estava esperando pelo que viria.
E aconteceu. Inclinando-se delicadamente, Naruto deixou-se baixar as pálpebras, e o escuro lhe atingiu no exato momento em que seus lábios colaram nos de Hinata.
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