Notas iniciais
Um bom filho a casa torna. Novo ano, nova fic. Depois de tantos anos, é bom voltar a postar aqui. Espero que gostem. Novamente, dedicado a pessoa que mais me inspira e apoia. Não teria voltado a escrever se não fosse por você, Bruna.

— O essencial é invisível aos olhos.

O frio cortante assoviava, gélido, mas não parecia incomodar Naruto. Vestindo unicamente a jaqueta do time, ele não parecia se importar com os colegas a sua volta, que usavam todos os casacos disponíveis e mais alguns acessórios, que os protegeriam do clima sempre frio de abril.

A atmosfera parecia se fundir ao clima, tornando o ambiente inócuo e pesaroso. O início do ano letivo era sempre desanimador, depois de tão pouco tempo de férias. O recesso de primavera não havia sido tão aproveitado, uma vez que a maioria dos alunos preferia permanecer nas dependências da cidade a voltar para seus lares. No entanto, a cena mais comum que se seguia era a de malas sendo carregadas em direção aos prédios.

A maioria chegava ao internato andando, mas alguns poucos estacionavam seus carros, esperando para guardá-los nas dependências da garagem. Não havia muita utilidade de automóveis próprios na ilha. Rokko era uma cidade morta, e o comércio local movimentado ficava a somente vinte minutos dali. Não que os estudantes realmente quisessem sair durante a semana.

De qualquer maneira, Naruto parecia disposto a ignorar quaisquer regras básicas ou comuns. Sem se interessar pelo peitoral exposto ao vento, ativou o alarme de seu novo carro – tão chamativo quanto ele próprio – e saiu desfilando, com Shion em seu encalço e seus óculos no rosto – embora não houvesse o menor resquício de raios solares naquela região, pelo menos até julho. Ovacionado pela atenção, o loiro sorriu presunçoso e continuou caminhando em direção do moreno, parado a poucos metros.

— Você não se cansa de chamar atenção? – indagou o outro, erguendo uma sobrancelha.

— Eu não posso fazer nada. É meu charme. – deu de ombros enquanto o moreno revirava os olhos, se limitando a uma careta. Não gostava de ser o centro das atenções, mas quando se era melhor amigo de Naruto, aquela era uma das consequências que tinha que suportar.

— Carro novo? – apontou para a bela Ferrari, que parecia estar sob holofote próprio, admirada e invejada em silêncio pelos que passavam por ela.

— Ganhei do meu otou-san nas últimas férias. Acho que por ele ter fechado um contrato ou algo do gênero. – sinceramente? Ele não se importava.

— Combina com você, Naruto-kun. – Shion sorriu abertamente, segurando com firmeza nos braços do namorado, quase dependurada no dobro da altura do garoto. Desviou os olhos mais a frente e soltou um gritinho – Vou cumprimentar as garotas, amor. – plantou um beijo melado de batom no loiro e saiu correndo de encontro a um grupo de meninas, mais próximas da escada.

— Por que você ainda atura ela mesmo, Dobe?

— Não me enche, Sasuke. – mesmo assim, soltou uma risada – Ela é gostosa, e eu não tenho nada melhor para fazer. – deu de ombros, como se fosse óbvia a resposta – Mas e a Karin? Você conseguiu sobreviver às férias com ela? – seus olhos eram debochados e Sasuke resmungou, coçando as têmporas.

— Acho que nunca tive tantas dores de cabeça. Sempre que eu tentava terminar, ela começava um novo monólogo e eu tinha que aguentar mais duas horas. É o inferno. – Naruto riu, achando graça na reação do amigo. Não entendia porquê ele ainda aguentava a garota, mas Sasuke parecia cavalheiro demais para quebrar o coração de alguém – mesmo não parecendo, com toda sua postura rígida e desinteressada.

Em uma escola como aquela, não era surpresa que existissem alguns mais afortunados – embora a mensalidade não fosse de fato cara, comparada aos demais colégios. Entretanto, dizer que Naruto e seus amigos eram ricos era menosprezar a situação. Entre o grupo, o garoto loiro era o de maior herança bruta, beirando ao ridículo. Fruto de uma família de investidores e políticos de campanhas bem-sucedidas, não fora difícil acumular fortuna ao longo dos anos. Usufruindo de uma vida de mimos e sucesso absoluto, Naruto poderia ter sido mandado para qualquer internato do planeta, mas seu pai preferia permanecer em seu país natal, matriculando os dois filhos no instituto que ele mesmo havia frequentado. A Academia Canadense não era ruim, mas Naruto incomodava-se de ter que frequentar um lugar onde as pessoas não detinham seu nível social e econômico. Para sua sorte, seus amigos de infância o faziam companhia nas 35 semanas de aula e horários adjacentes que era obrigado a passar lá dentro.

Naruto não se importava de esbanjar seu dinheiro em supérfluos apenas porque sabia que podia. Sasuke era mais discreto, embora compartilhassem alguns gostos excêntricos e igualmente caros. Não havia nada de mal gastar quando se tinha – e mostrar aos outros que se tinha.

Os garotos pararam de conversar quando avistaram uma conhecida cabeleira flamejante em sua direção, em encalço de uma garota loira e outro moreno, com a feição sonolenta.

— E ai, Gaara. – o ruivo estendeu a mão em um toque – Onde sua irmã e o Shikamaru vão? – apontou para os outros dois, que caminhavam sem ter cumprimentado os garotos.

— Aquele idiota disse que queria tirar um cochilo antes da aula começar. – Gaara revirou os olhos, arrumando sua bolsa nos ombros – Não foram guardar suas coisas ainda? – notou que Naruto ainda estava com uma das malas sob os pés.

— Depois alguém faz isso para mim. – Naruto deu de ombros. Os amigos não tiveram reação, porque era algo que já esperavam do outro. Juntos, os três puseram-se a caminhar em direção ao prédio principal.

A Academia era constituída de inúmeros prédios e subsídios que abrigavam os dormitórios, o refeitório principal, salas de aula, laboratórios, quadra esportiva, anfiteatro e mais algumas instalações essenciais para o funcionamento da organização. Embora houvessem apenas nove matérias eletivas e efetivamente importantes, a escola contava com atividades extracurriculares que contavam pontos no histórico escolar e ajudavam em futuras recomendações para a faculdade.

Infelizmente, o tamanho do lugar também era uma desvantagem – todos os dias, haviam centenas de degraus a serem subidos e descidos, divididos em dois andares e interligações dos prédios, feitas através de muita caminhada nos campos e jardins. Era possível avistar as áreas verdes pelas aberturas do prédio, que servia como consolação. Além do estilo clássico e sempre bem cuidado, os prédios carregavam consigo muitas cores vibrantes e decoração rústica, embora simples. Ao longo dos corredores, as paredes que não eram tampadas pelos armários, apresentavam quadros ou painéis, muitas vezes feitos pelos próprios alunos – a educação artística também era incentivada.

O trio de amigos se juntou a multidão que já se encaminhava para seus respectivos armários escolares, recolhendo livros esquecidos para as primeiras aulas do dia. A recepção seria feita após o almoço, uma vez que a diretora tinha predileção pelos horários vespertinos (Naruto jamais se atreveria a repetir que ela era uma velha que dormia demais). Quase como deuses, os corredores se abriam para que eles passassem, e alguns egos eram inflados. Distribuindo sorrisos e olhares, Naruto se aproveitava deliciosamente de cada segundo daquela atenção diária. Mesmo namorando, não se importava em dar bola para algumas alunas com suas saias cuidadosamente encurtadas. Sasuke e Gaara se limitavam a sombra de Naruto, ignorando os fãs clubes e as garotas enlouquecidas.

Naruto não sabia qual era a primeira aula do ano letivo – tampouco se importava em saber. Ele passaria o semestre dormindo ou atormentando a sala e na semana de avaliações daria uma olhada na matéria e colaria de alguns alunos, conseguiria médias altas o suficiente para passar com honras. Podia não possuir grande intelecto, mas ninguém negaria seu talento nato para esportes – a bolsa esportiva o levava para o topo de lista de recomendações.

Os garotos já reclamavam da distância quando chegaram na sala de aula. Empurrados pela pequena multidão que entrava, alheia, se encaminharam para o fundo, onde costumavam sentar. Naruto e Gaara sentavam um ao lado do outro, enquanto Sasuke sentava-se um pouco mais a frente – dos três, o garoto era o único que se importava em estudar seriamente. Ele queria assumir os negócios imobiliários da família no lugar de seu irmão mais velho, Itachi, e fazer com que seu pai se orgulhasse dele. Para isso, teria que passar em algumas das mais renomadas faculdades de engenharia, e seu histórico impecável de notas era um caminho para isso.

Perceberam, então, que a sala apresentava um burburinho diferente. Todos falavam baixo, excitados, e apontavam, cochichando. Naruto olhou para os lados, confuso, e quando olhou para baixo, percebeu, sentada na primeira carteira da fileira central, bem próxima a mesa do professor, uma cabeleira negra que não se lembrava de ter visto antes. Fitou os amigos, indagando silenciosamente, mas os amigos também deram de ombros, curiosos.

Logo o tumulto dissipou quando a professora entrou, com toda sua costumeira animação. Depositou os livros sobre a mesa e gritou um bom dia apressado, já começando a escrever na lousa. Ouviu-se suspiros de toda a sala, uma vez que Kurenai-sensei era conhecida por seus conteúdos quilométricos e trabalhos extensos de fim de bimestre.

Naruto não se importou em pegar seu caderno dentro da bolsa. Observava a aluna nova, quieta e atenta. Sua postura era ereta e até mesmo rígida. Quando ela se moveu para pegar seu material, Naruto cutucou Gaara, apontando para ela.

— Qual o problema dessa garota? – não se importou com o tom de voz, e algumas pessoas ao seu redor riram.

A garota tateava sua lateral até encontrar a bolsa, e demorou para puxar um grosso livro, diferente dos que os outros usavam. Seus movimentos eram robóticos e cuidadosos, parecendo até mesmo artificiais. Sua postura não se alterou nesse meio tempo, como se estivesse com um pedaço de madeira nas costas. Gaara entreolhou Sasuke, os olhos advertidos. Sasuke concordou, também apreensivo.

— Naruto... – começou. Não era a primeira vez que os amigos tinham que frear o garoto em seus comentários maldosos ou brincadeiras sem graça com os outros. Na maior parte das vezes, era inútil, porque o espírito de Naruto era imparável, para bem ou para mal. Daquela vez não foi diferente.

— O quê? – exasperou-se, dramaticamente ofendido – Eu só disse a verdade. Ela é estranha! – os amigos crisparam, rolando os olhos.

A frente, a garota baixou os ombros, parecendo ter ouvido. Não que Naruto se importasse – ele não se importava com nada nem ninguém ao seu redor além de si mesmo. Continuou normalmente, pegando seu celular para jogar um jogo qualquer, com a postura jogada sobre a carteira.

A professora começou a explicar, abaixando-se na carteira da aluna nova e murmurando algo, depois sorrindo e assentindo. De relance, fitou Naruto, da maneira de sempre, e suspirou mentalmente. Os professores já haviam cansado de chamar sua atenção ou mandá-lo para fora. De família influente e um dos principais doares da escola, tinham que engolir seco a indiferença e a falta de educação do garoto.

Os minutos passaram depressa, e logo os alunos estavam sendo dispensados. Havia sido difícil acostumar com a falta do sino, mas depois de alguns anos haviam se acostumado. Kurenai recolheu suas coisas, não antes de passar uma nova leitura para o bimestre, e saiu, sorridente. Os alunos dispersaram-se para seus próximos horários. Naruto permaneceu na sala, esperando seus amigos e Shion, que arrumava suas coisas cuidadosamente, atrasando-os.

Enquanto isso, voltou-se para baixo, e a garota nova era a única na frente que ainda arrumava suas coisas. Havia se levantado, mas olhava para frente enquanto tateava suas coisas. Ela tinha materiais estranhos sobre a mesa, e continuava ereta, alheia. Não conseguiu ver seu olhos, mas imaginou que ela seria feia. Suas vestes, embora parecessem limpas, estavam amassadas, e eram claramente de segunda mão, grandes demais para seu corpo mirrado. Sua altura também era mediana. Naruto classificou-a sem grandes dificuldades – sem graça.

Quando todos terminaram, Naruto, hiperativo, desceu os degraus depressa, olhando para trás e fazendo uma piada qualquer enquanto arrumava a jaqueta sobre os ombros. Quando estava próximo da saída, a garota deu um passo para trás, trombando no garoto, que, com o impacto, tropeçou e jogou-se para frente, por pouco não caindo. O ambiente ficou em silêncio, enquanto os amigos olhavam, apreensivos. Naruto não tinha o melhor dos gênios. O garoto olhou para trás, furioso e agressivo. Arrumou a postura.

— Não está me vendo não, garota? – brandou, irritado. Shion soltou um risinho, agarrando-se em seu braço. A garota nada disse, embora tivesse baixado a cabeça – Além de estranha, é má educada. Hunf.

Saiu em passos duros, enquanto Sasuke o seguia, desconcertado. Gaara olhou para a garota por mais dois segundos, dividido entre falar algo ou seguir o loiro. Naruto os chamou, impaciente, e todos deixaram a sala, fazendo com que somente a garota permanecesse na sala.

Quando se viu completamente sozinha, suspirou. Suas pernas tremiam, e ela tinha dificuldades de ficar de pé. Mas forçou-se a terminar de arrumar suas coisas, pegando a bolsa e colocando-a nas costas. Ficou em pé, esperando. Não demorou até que ele chegasse, com sua aura misteriosa e seu humor invariante. Ela se virou, sorrindo incerta.

— Como está sendo até agora, Hinata? – perguntou, e ela soube que ele sorria por trás da máscara, que abafava o som de sua voz.

— Acho que consigo me adaptar, Kakashi-sensei. – disse positivamente, ignorando o episódio com o garoto que falava alto.

— Maravilha. Vamos? – estendeu o braço e Hinata o segurou, e eles começaram a caminhar para o corredor.

A manhã passou sem maiores problemas. O dia permaneceu fechado, e, ao meio-dia, o sol parecia não ter mudado de posição. Os alunos se apinharam nos corredores para o almoço, seguindo afobados até o refeitório, no prédio central. As centenas de meses espalhavam-se pelo grande pátio, e duas filas se formaram nas extremidades.

Naruto seguiu com os amigos até sua mesa costumeira, próximo a área verde, e desabou na mesa, ignorando sua bandeja com comida suficiente para três pessoas. Como atleta, sempre usava a desculpa que precisava de muito carboidrato – não que alguém questionasse. A comida nunca parava em sua barriga, e sim em seus músculos, cada vez maiores.

— Eu odeio a escola. – murmurou, com a cabeça entre os braços. Gaara riu, e Sasuke limitou-se a um revirar de olhos. Os amigos começaram a chegar um a um, sentando-se ao redor da mesa. Shikamaru recostou-se em Temari, para dormir, fazendo com que Gaara reclamasse da folga do garoto para com sua irmã.

— Já está reclamando, Naruto? – uma voz feminina e sarcástica soou, sentando-se entre o loiro e Sasuke, com sua própria bandeja. Naruto, por sua vez, não precisou levantar-se para saber de quem se tratava.

— Não me enche, Sakura. – resmungou.

A garota de cabelos róseas apenas revirou os olhos. Ela e Naruto detinham uma relação de amor e ódio mútuo – a garota adorava irritá-lo. Eram amigos há muitos anos, mais que poderiam contar, e já estavam acostumados a alfinetarem-se o dia todo. Apesar de Naruto ter-se confundido há alguns anos, nada além de amizade rolava entre eles – até porque o brilho nos olhos de Sakura quando ela olhava para Sasuke era mais que perceptível.

— Dobe, melhor você comer logo, a Tsunade não gosta que você se atrase, ainda mais hoje. Ela adora chamar atenção. – Sasuke advertiu o amigo, que bufou e assentiu, começando a comer seu montante de comida.

— Nem me lembre disso. – resmungou com a boca cheia – Obaa-chan pega muito no meu pé. – as vezes Naruto odiava que sua família tivesse tantos ramos de negócios, e que seu pai pedisse para a sua velha avó ficar de olho nele na escola.

Com o tempo, o lugar foi esvaziando, todos se dirigindo para o mesmo lugar. Naruto, vendo que não tinha realmente muitas opções, começou a caminhar preguiçosamente com os amigos, abraçando Shion ao lado do corpo, exibindo-a. Sakura, por suas costas, fingiu vomitar, e os garotos riram baixo. Ninguém realmente gostava da loira, mas não tinha muitas opções a não ser aturá-la. Não entendiam o tipo de relação que Naruto nutria com ela, mas não se meteriam entre os dois.

O anfiteatro era uma instalação de porte grande, com um auditório e arquibancadas cobertas. A Academia hospedava menos de mil alunos, mas a construção era grandioso, com inúmeros assentos a mais, para os eventos que eram realizados vez ou outra. No centro, um grande palco, montado com inúmeros aparelhos de som de tecnologia avançada. Quando os garotos chegaram, Tsunade já estava posicionada com o microfone, os professores e coordenadores atrás da mulher, conversando. A maior parte dos alunos já estava sentada. Sentaram-se nas últimas fileiras, e aguardaram.

— Boa tarde, alunos! – a voz de Tsunade retumbou em todo o prédio, fazendo as conversas se calarem. Fosse em porte ou personalidade, Tsunade era uma mulher que inspirava medo onde quer que passasse, embora fosse muito prestativa para aqueles que precisavam – Espero que tenham tido uma boa volta as aulas! Como sempre, este ano esperamos apenas o melhor de vocês.

Naruto revirou os olhos com o mesmo discurso de inspiração do começo do ano. Já estava calejado de tanto ouvir aquelas palavras. Cruzou os braços e esperou, entediado. Depois dos mesmos recados e avisos ameaçadores, a diretora deu boas vindas aos novos estudantes.

— Por fim, parabenizamos a turma de formandos do ano passado e damos as boas vindas aos novos alunos que teremos o prazer de receber. Em especial, eu gostaria de cumprimentar Hyuuga Hinata, que está entrando no segundo ano. Espero que todos sejam receptivos com ela, e que a tratem como qualquer outro aluno daqui. – sua voz se tornou agressiva no final.

Naruto, que estava alheio, subitamente se sentou, com a expressão inconformada.

— Essa é aquela garota de mais cedo, não é? – Sasuke assentiu – Fala sério, o que ela tem de especial? – os amigos olharam para ele, incrédulos.

— Isso é sério, Naruto? – foi Sakura quem respondeu, não acreditando na pergunta do amigo.

— Claro que é! A única coisa que eu vi nessa garota foi a estranheza e má educação dela. – cruzou os braços, com a cara fechada. Gaara balançou a cabeça, não querendo se meter. Sasuke soltou um suspiro.

— Pelo amor de Kami, Naruto! Como você consegue ser tão burro? – praguejou a garota, inconformada. A voz alta chamou atenção de alguns que estavam ao redor, mas nenhum dos protagonistas da discussão pareceu se importar.

— O que? Por que?! – o loiro se ofendeu, fitando a rosada com confusão e incredulidade.

— Naruto, ela é cega!