Quimera
6 Fingimentos
Notas iniciais
— O mundo é cego, e tu vens exatamente dele.
Sakura era, basicamente, do tipo que fingia. Ela fingia ser durona, quando, na verdade, seus filmes preferidos se resumiam àqueles que ela poderia ver e chorar pelo resto da noite. Fingia não se importar com a aparência, mas havia abandonado a dieta três vezes, fraca demais para sobreviver com apenas uma refeição ao dia. Fingia na maneira que pensava, que agia, que se portava para as outras pessoas e como os acontecimentos externos a atingiam. Ela não se importava – de uma maneira geral, era boa em fingir. Era confortável, desenvolver papéis e adaptar-se ao ambiente, criando uma bolha de proteção na qual estava confortavelmente segura.
Naquele momento, estava fingindo ser uma boa presidente do comitê estudantil, enquanto andava apressadamente pelo corredor enquanto equilibrava uma pilha de pastas e papéis avulsos sob seus braços estendidos. Ela estava um tanto atrasada para entregar a papelada na coordenação, e, aparentemente, o cargo da presidência significava mais que representação nas reuniões administrativas – era um passaporte livre para deter toda a culpa de qualquer mínimo erro cometido pelo grupo.
Seus olhos não conseguiam enxergar muito mais ao horizonte, e ela agradeceu pelo prédio estar deserto, evitando um eminente desastre. Apesar de ter organizado tudo alfabeticamente antes de sair da sala, no segundo andar, as folhas haviam se misturado, e algumas pastas tiveram que passar para cima para evitar derrubar o restante da pilha. Ironicamente, uma ficha especial havia parado no topo, e Sakura se limitou a suspirar e xingar mentalmente as coincidências cósmicas. Desviou o olhar para a foto na ficha, tão séria e polida quanto a própria pessoa. Os olhos negros eram nublados, mas o rosto modulado e os fios negros sempre despenteados eram uma marca conhecida da beleza rara dos Uchiha.
Todos o julgavam, erroneamente, como uma pessoa fria, desprovida de emoções humanas, que se importava apenas consigo mesmo. Mas Sakura o conhecia – ah, há tanto conhecia! –, e podia afirmar com todas suas forças que ele era mal compreendido. Estava sempre na companhia de Naruto, e a personalidade sempre sociável e hiperativa do loiro ofuscava a sua própria. Enquanto Sakura era do tipo que fingia, Sasuke era, irredutivelmente, do tipo de não fingia. Ele jamais disfarçava seus sentimentos ou opiniões sobre as pessoas, ganhando a fama infame de antipático. Focado nos estudos, não era um frequentador assíduo de festas ou sociais, e sua cara sempre séria fixava a aparência de rude misterioso – o que, aparentemente, excitava as garotas.
Sasuke já estava lá quando Sakura chegou – há tanto tempo que parecia uma lembrança borrada, um sonho muito distante. Ninguém sabia dizer como Sasuke e Naruto se tornaram tão amigos, sendo completamente opostos, mas aconteceu. Eles estavam juntos desde sempre, mas Naruto a acolheu em seu grupo quase tão instantaneamente quanto possível. A garota nova, deslocada, entrando na escolinha no meio do período. Naruto, sempre com um instinto protetor, uniu-se a menina de cabelos róseas exóticos, a defendendo das zombarias. E, com o pacote Uzumaki, veio Sasuke.
Os três amigos cresceram juntos. Os pais, que se conheciam formalmente dos eventos sociais, passaram a se tornar mais próximos, e evitavam mudanças que prejudicassem a amizade dos filhos. Os anos foram passando, e os laços se tornaram mais fortes, inquebráveis. Sakura sentia-se orgulhosa por conhecer as verdadeiras pessoas por trás de toda a máscara e toda a mídia. Ela sabia que, no final do dia, ela seria ela mesma – e Naruto teria medos, e Sasuke riria de alguma piada ridícula.
No entanto, Sakura continuava a fingir.
Ela fingia estar feliz por ser considerada “a irmãzinha”. Ela fingia estar feliz por ser a melhor amiga. Ela fingia estar à vontade quando estava com eles. E, acima de tudo, o pior fingimento ela deixava para si mesma: fingia não estar perdidamente apaixonada por Sasuke.
Conseguiu chegar a secretaria sem grandes confusões – despejou a pilha de folhas pesadamente, fazendo careta ao alongar os braços. A secretária chamou a responsável da coordenação, e Sakura apoiou a cabeça no cotovelo, esperando, com um certo tédio impaciente. Inconscientemente, seus olhos voaram até o topo da pilha, e ela olhou para os lados antes de puxar a primeira pasta discretamente e manter consigo. Depois ela inventaria uma desculpa qualquer para devolver – ninguém daria falta daquela ficha mesmo. Admirou novamente a foto 3x4, lendo por cima as informações básicas. Haviam outras duas folhas completamente preenchidas, indo de hobbies até maiores dificuldades com matérias teóricas – claro que não havia nenhuma. Embora soubesse citar cada item categoricamente da sua cabeça, Sakura gostava de ficar relendo aquelas linhas. De certa forma, ela o conhecia melhor que as outras pessoas.
Assinou a folha de entrega dos documentos e deu meia volta, apressada. Com aquela tarefa cumprida, teria, finalmente, alguns minutos para dedicar aos seus projetos de campanha da presidência. Embora houvessem milhares de outros eventos para organizar, ela estava pensando em iniciar um grupo de debates para assuntos de cunho social, com intenção de inteirar os outros estudantes nos problemas que assolavam a cidade. Sakura poderia fingir bem, mas não era burra. Crescer no meio de mortes e doenças fez brotar nela uma nova percepção para a realidade que a cercava. Por mais que a carreira meteórica de seus pais lhe tivesse rendido herança suficientemente alta para uma longa vida confortável, não era isso que ela queria – a única coisa que talvez não fingisse a ninguém, nem para si mesma, era a admiração que nutria pela profissão dos pais. Mesmo ausentes, eles sempre haviam tentado conciliar vida pessoal e profissional, e Sakura era grata por isso. Ela os vira realizar milhares de cirurgias, e a cada sutura realizada ela sentia-se mais próxima de sua verdadeira vocação: ajudar.
Estudar em um colégio interno daquele porte era como atestar a si mesma uma faixa de rica, parte de uma família poderosa, alguém que seguiria pelo caminho do sucesso e traria lucros ao seu país. Sakura estava cansada de testemunhar alunos daquela espécie pelos corredores, se gabando de serem melhores e superiores – seu melhor amigo era assim. Ser presidente do conselho estudantil lhe daria a chance de fazer algo significativo, ajudar de verdade àquelas pessoas a entenderem que o mundo real era diferente do quarto de ouro em que elas dormiam. Ela queria mostrar os problemas de verdade e criar soluções de verdade para pessoas de verdade – tirar aqueles bonecos de porcelana de dentro da bolha.
Seus pés se moviam por conta própria, uma vez que estava – novamente – em um monólogo interior, e, quando menor percebeu, havia se chocado com alguém. Era um tanto quanto óbvio que isso aconteceria, mas, mesmo assim, ela massageou a testa, com uma careta, e se afastou para pedir desculpas. Nesse momento que percebeu quem era.
— Gomen, Sakura. – a garota bufou, com a face contraída em irritação – Ah, qual é? Ainda não está falando comigo?
— Só quando você perceber que foi um completo babaca, Naruto. – Sakura retrucou. Não havia esquecido a briga que tivera com o amigo, há dois dias, e, desde então, não haviam se falado. A garota não estava realmente chateada com ele. Naruto era idiota o suficiente para dizer besteiras a cada cinco minutos. Ela queria apenas que ele se tocasse que até poderia ser um neandertal, desde que não fosse um preconceituoso de merda – Não seja um preconceituoso de merda.
— Sakura tem razão, Dobe. – como acontecia a cada maldita vez, Sakura não pode deixar de suspirar ao ouvir a voz dele. Estava com a cabeça tão ocupada que sequer reparou em sua presença, mas lá estava ele, atrás de Naruto, com todo seu charme inalcançável. Seu alter ego xingou dentro de sua mente.
— Não sei qual a preocupação de vocês com uma ceguinha, pelo amor de Kami. – bufou, mas somente Sakura notou o pequeno desconforto do amigo naquele momento. Ele desviou os olhos e trocou a base dos pés. A garota lhe semicerrou os olhos, desconfiada – Que seja. Onde você ia com tanta pressa?
— Fui levar as fichas antigas dos atletas para os arquivos. Como estamos cadastrando os novatos, as gavetas ficam cheias demais. – deu de ombros – E vocês?
— Teme precisa ir pegar um livro na biblioteca, e ele fica insuportável quando começa a estudar. Eu estou só acompanhando ele, ver se acho alguma coisa para fazer.
— Se você calasse a boca e tentasse estudar de vez em quando. – Sasuke comentou, com um sorriso quase debochado, e Sakura riu, enquanto o loiro fazia uma careta – Parece que você esqueceu uma. – Sakura parou na hora, confusa.
— O quê?
— Na sua mão. Uma ficha. – maldito Sasuke.
— Olha, Teme! É a sua! – maldito Naruto – Será que você tem muitos bilhetes da diretoria? Minha ficha tem vários deles. Por que você está com a ficha do Sasuke, Sakura? – o garoto pareceu estupidamente curioso com sua pergunta inocente, e a Haruno esqueceu como articular palavras, evitando a todo custa encarar os olhos atentos de Sasuke em sua direção.
— Hã... eu... precisei mudar uma coisa. Isso. Mudar uma coisa na ficha dele. No computador. É. É isso mesmo. Agora, se me deixarem trabalhar... – não demorou mais que dois segundos para começar a andar o mais rápido que seus pés conseguiam sem parecer vergonhosamente suspeito. Claro que ela falhou miseravelmente. Naruto olhou para Sasuke, que deu de ombros, embora sua cabeça estivesse funcionando a mil por hora.
— Estranha, não? – os garotos concordaram entre si e voltaram a caminhar.
Sakura correu o máximo que seu metabolismo de sedentária permitiu antes que o ar começasse a fazer falta em seus pulmões. Parou, arfando loucamente, o rosto quente e molhado de suor. Culpou-se por ser tão estúpida, e começou a proferir uma série de palavrões. Por sorte, estava perto da sala do conselho, e logo poderia se enfiar em sua mesa e afundar-se em decadência e autopiedade.
— Sakura? Está tudo bem? – a garota tomou um susto pela segunda vez no dia, perguntando-se se seu coração era forte o suficiente para estudar ali. Virou-se para Hinata, parada do seu lado com um sorriso divertido, embora seu rosto mostrasse uma felicidade perceptível.
— Claro, Hinata. Está... tudo perfeito. – tomou ar. Reparou que a garota usava uma roupa diferente de quando se viram pela manhã – Você foi a algum lugar? – perguntou, questionando se estava sendo evasiva, mas se Hinata se ofendeu, não demonstrou.
— Fui visitar minha mãe. Longa história. Estava indo para a biblioteca, mas eu errei o corredor. Pode me dizer onde fica?
— Claro! Você pode ir até o fim, e vai ter uma escada com uns cinco degraus. Você vira a esquerda e vai estar no segundo prédio. Acho que de lá você consegue chegar. Quer que eu te leve? – se ofereceu, mas a garota negou. Agradeceu com um sorriso e voltou a andar, batendo o bastão no chão. Sakura respirou fundo e voltou para a sala do conselho, prestes a se ocupar com o máximo de papéis que pudesse.
Hinata havia chego a pouco tempo, e decidira revisar o resto da matéria enquanto a biblioteca ainda estava aberta. Não sabia quanto tempo havia levado na casa da mãe, uma vez que o tempo estava sempre nublado e frio, mas considerou estar no finzinho da tarde. Daria tempo para ler um ou dois livros em uma das mesas da sessão reservada – era muita bondade de Tsunade comprar novas estantes de livros adaptados apenas para ela.
A biblioteca era como um refúgio. Não apenas por Hinata ser uma devoradora compulsiva de livros ou uma nerd — apesar de ambos os motivos serem verdadeiramente válidos –, mas por ser silenciosa. Sempre havia se dado bem com o silêncio, e ficar sozinha, camuflada, evitava olhares curiosos e comentários pelas suas costas. Apenas ela, livros e outros alunos que também se escondiam por trás dos cadernos. Era um reino de renegados, aplicados e desesperados, e ela apreciava isso acima de tudo.
A bibliotecária – e também fiel escudeira da diretora – já lhe conhecia bem. A cumprimentou baixo e lhe deu o passe para o computador, embora raramente Hinata usasse. Sua ficha cadastral estava repleta de exemplares, em contraposição. A garota contou os passos até seu corredor preferido, com uma mesa bem ao canto, próximo a uma janela, que estava sempre iluminada e com uma brisa fresca. Juntou uma pilha no canto e sentou-se, apoiando o bastão ao seu lado e tateando o primeiro volume. Leu os pequenos furos para identificar o título e procurou o capítulo em que havia parado. Escutara alguns passos e vozes baixas, então considerou não estar sozinha.
Naruto havia sido deixado sozinho por Sasuke assim que entraram no recinto. Shizune não necessariamente nutria ódio por ele, embora fizesse uma careta sempre que o via entrar. Sibilava com ele, mas atendia Sasuke com muita gentileza, o que fizera Naruto chegar a conclusão que bibliotecários paparicavam os nerds. O amigo andou entre dez prateleiras e tornou a repetir o caminho, cansando Naruto. O garoto avisou que iria se sentar, mas, passados alguns minutos, deu-se conta que Sasuke havia simplesmente ido embora sem ele. Que belo amigo ele tinha.
Entediado, começou a passear pelos corredores, analisando os títulos. Há muito tempo, ele se lembrava de gostar de ler – fábulas e contos encantados. Parecia pertencer a um outro século. Aquilo não era mais ele. Suspirou. Fazia anos que não lia algo que realmente gostasse. Distraído, quase caiu para trás quando chegou no fundo da sala. Avistou, sentada na mesa do canto, os cabelos negros que o perseguiam onde é que ele fosse.
Suas pernas tremeram. Ele a encarou, concentrada, e se pegou fascinado pela maneira que sua testa franzia enquanto os dedos escorregavam pelas páginas. Logo em seguida, irritou-se por estar sendo estúpido. Naquele momento, ele tinha duas opções, todavia apenas uma fosse, de fato, sensata: sair dali enquanto não era notado e deixar de vez aquela garota para trás. Ou ir até ela.
Suspirou, debateu-se, puxou o cabelo e andou para frente e para trás algumas vezes, murmurando sistematicamente consigo mesmo em uma clara demonstração de insanidade total. No entanto, seu plano de fugir correndo sem ser visto falhou miseravelmente quando a garota parou e fitou em sua direção.
— Olá? – xingou mais um pouco, perguntando-se como havia se tornando tão insignificantemente fraco. Caminhou passo ante passo, limpando a garganta e se esforçando para deixar a voz mais suave.
— Olá. – se alguém perguntasse, ele jamais confessaria que se perdeu momentaneamente naquele sorriso brilhante que agora estava direcionado a ele.
— Menma? Uau, que coincidência. Vem, senta aqui. – a garota puxou a cadeira desajeitadamente, empurrando o livro para o lado, os olhos inertes focando o infinito.
Hinata mal podia acreditar – Menma estava ali! Estava preocupada em não encontrá-lo mais, tamanha a escola e a quantidade de alunos, mas escutou alguém passando várias vezes ali perto e resolveu perguntar. Estava exultante, e não se preocupou de estar parecendo uma criança idiota. Queria conversar mais, saber mais daquele garoto que não saía de sua cabeça.
— Eu não quero atrapalhar. – Naruto fechou as mãos em punho, desesperado.
— Claro que não, pode sentar. – ela insistiu, e o loiro aceitou, derrotado. Sentou-se a uma distância segura, mas seu nariz estava impregnado com seu maldito cheiro. Era tão bom e doce que ele queria se socar – O que faz aqui? – Hinata estava ansiosa, com as palmas das mãos suando.
— Eu estava... procurando um livro. De biologia, para estudar. – mordeu a língua, temendo falar demais e ser reconhecido. Ele não fazia ideia do porquê estar levando aquela farsa adianta, mas ali, diante daquela garota, sentia-se desarmado.
— Que legal! – Hinata exclamou – E em que ano você está? – perguntou desejando que tivesse soado casual, não desesperado.
— Terceiro. – Naruto realmente, realmente, estava suplicando para morrer. Observou seu rosto murchar um pouco, e, por alguns instantes, sentiu o que poderia ser um fiapo de culpa.
— Ah, então você vai sair esse ano? – mordeu os lábios. E que lábios.
— Sim. – as respostas monossilábicas não pareciam diminuir a animação da garota.
— Eu acho isso incrível. Quero muito me formar, mas ainda estou no segundo ano. As matérias não são tão difíceis, e os professores são muito atenciosos. Minha matéria preferida é literatura e estudos sociais, mas eu também queria poder fazer artes, ou algo parecido. Não me dou bem com exatas, números me assustam. – tagarelou, com a voz baixa e um sorriso aberto.
Naruto engoliu em seco, encarando aquela garota. Procurava atormentadamente algum defeito nela, algo que pudesse justificar o peso em seu peito, algo que servisse de explicação para o que estava sentindo. Ela era cega. O cabelo caía sobre seu rosto e ele colocava para trás quase mecanicamente, sem se tocar que era mais fácil prender com uma fita. Seu uniforme era amassado e de segunda mão. Suas bochechas eram grandes demais. Sua pele era branca demais. Seus dentes superiores eram ligeiramente saltados. Sua orelha esquerda era um pouco menor. Suas unhas eram descuidadas. Sua roupa a deixava gorda. Ela era cega.
Naruto listou todos esses defeitos em apenas alguns segundos. Ele queria odiá-la. Queria ser grosso com ela, queria humilhá-la, queria expôr suas imperfeições para que todos rissem. Mas, então, por que aquelas inexatidões apenas o atraíam mais? Por que ele desejava tanto falar com ela? Por que ele não se cansava da sua voz, das suas conversas banais?
Ele queria odiá-la. Queria odiá-la tanto quanto fingia para o mundo odiar. Seu peito doía com a indecisão, e ele sentia-se culpado como o inferno. Aquela garota não o via. Ela não se aproximava por ele ser bonito, alto ou atlético. Ela não se encantou por seus olhos azuis, por seu cabelo loiro ou por conhecer seu sobrenome. Merda, ela sequer sabia seu nome verdadeiro! Mas lá estava ela, tagarelando sobre algo sem importância, sorrindo. Ela não o conhecia, então por quê? Por que Naruto continuava ali, ouvindo e ouvindo, analisando cada centímetro? Por que estava prestando tanta atenção em uma garota que não significava nada – absolutamente nada – para ele? Por que ele era um covarde?
Sem respostas, ele continuou ali, sentando como um imbecil, diante de uma garota que não fazia ideia de quem estava com ela. Naruto permaneceu ali, em uma batalha interna, fingindo ser alguém que ele não era – mas que, ironicamente, almejava ansiosamente ser.
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