Quimera

7 Descoberto


Notas iniciais
Desculpem a demora! A faculdade começa segunda, então vou tentar escrever o mais rápido que conseguir. Obrigada por todo o apoio!

— O pior cego é aquele que não quer ver.

Se Hinata não tivesse trombado na escrivaninha, diria que estava flutuando, a centímetros do chão, porque ela definitivamente não sentia seus pés. Ou seu estômago. Ou suas mãos. Parecia que lhe haviam aplicado uma anestesia muito forte, e, se também pudesse enxergar, estaria vendo uma junção de cores brilhantes, pulando em sua frente. Ela sentia-se leve, e a boca estava seca, mas não de uma maneira ruim. Ela nunca havia se sentido assim antes.

Fez uma careta, massageando o dedão do pé, e procurou sua cama para sentar, tomando cuidado para não bater a cabeça no beliche. Ainda estava se acostumando com o novo quarto, e havia sido um processo dolorosamente longo até aquele momento. Sakura, muito gentilmente, cedera a cama debaixo para a garota, e um espaço grande no guarda-roupa, mesmo que fossem poucas as roupas de Hinata. O banheiro era relativamente igual, com ladrilhos escorregadios, mas sua colega de quarto comprara um tapete com relevo para ela. Ao todo, era fantástico ter alguém com quem dividir o quarto – e mais, uma amiga.

No entanto, Sakura ainda não havia chego. Hinata tirou os sapatos e separou o uniforme, que estava limpo, uma vez que usara apenas para ir a biblioteca. Escovou o cabelo e prendeu para trás, tentando forçar-se a diminuir o sorriso que habitava seu rosto. Ela apostava que estava parecendo uma idiota, mas era impossível controlar seus músculos, que se repuxavam a maneira que seu cérebro reprisava a cena anterior, várias e várias vezes.

Não havia sido nada demais. Um encontro casual na biblioteca entre dois alunos. Menma sequer demorou-se, saindo apressado minutos depois. Hinata sentia-se confusa, e um tanto quanto apavorada. Sua vida sempre fora um amontoado de normalidades repetitivas sobrepostas nos anos que se passavam. Destacava-se em suas notas, mas, como um todo, era uma garota desinteressante. Não tinha histórias fabulosas para contar, ou experiências que acrescentassem algum viver. Era apenas ela, vivendo na linha, na margem – sobrevivendo, de certo modo.

Logo, não era de se esperar que, naquele momento, ela estivesse a beira de uma crise de pânico – quer dizer, por favor! Coração falhando, sensação de flutuação, estômago anestesiado, sorrisos incontroláveis, tremores indesejáveis e fora de hora, medo constante? Ela já havia lido romances suficientes para identificar os sintomas. Tais quais uma doença terminal, Hinata não estava tranquila ao listar os presságios do que poderia ser o fim da sua serenidade e sanidade mental.

Ela – definitivamente – precisava de conselhos de alguém experiente no assunto. Sentia que poderia se abrir com Sakura, e, quem sabe, conseguir alguma ajuda. Não se via, no futuro, lutando contra quaisquer tipos de sentimentos. Se não pode com o inimigo, junte-se a ele. Era uma lei universal, e, se Hinata não havia sido uma escolha divina capaz de sobrepujar a velha existência humana, então teria que lidar com aquela nova fase – embora ela realmente esperasse que não teria que passar pela adolescência figurativamente dita.

Ainda longe de seu estado normal, flutuou até o banheiro, torcendo para que um bom banho fizesse o tempo passar. A água quente sempre a deixara mais relaxada, e, com os pensamentos em ordem, seria capaz de pensar com clareza e racionalmente.

Sakura ouviu o barulho do chuveiro ligado quando entrou. Psicologicamente exausta, chutou os sapatos para longe do alcance e se jogou na cama debaixo, suspirando. As últimas horas do dia tardaram para passar, e ela não havia conseguido tirar Sasuke da cabeça – o que era absurdamente patético. Se jogou em fichas cadastrais e burocracia de computador, mas nem a monotonia do trabalho a fez se desconcentrar. Quando fora liberada, o céu já estava escuro, mesmo que o sol tivesse aparecido apenas por alguns minutos. O clima frio de abril proporcionava uma bolha de lentidão coletiva, que se aconchegava uns nos outros para compartilhar da preguiça e da vontade de permanecer nos cobertores. Sakura arriscou tirar o casaco fortemente reforçado, na esperança de, quem sabe, pegar uma hipotermia e morrer – mas é claro que não deu certo. Agora estava apenas cansada, com frio e com o maldito Uchiha na cabeça.

Não era como um segredo de estado – quer dizer, aparentemente todos já sabiam sobre –, mas ainda assim ficava nervosa quando outra pessoa opinava ou forçava algum tipo de entrosamento. Apesar de não ser por mal, Sakura basicamente colapsava. Naruto era o único que se esforçava para não fazer nada do gênero. Como – por enquanto – melhor amigo da Haruno (e do dito cujo), ele respeitava sua constante e sôfrega história de amor não correspondido. Mas, em alguns dias, Sakura apenas sentia que não era o suficiente.

Ela não era um exemplo de casos de amor bem-sucedidos. A maioria das garotas da sua idade já tiveram três ou quatro namoros de longo prazo, mas Sakura havia tido apenas um – que terminou da mesma forma desastrosa que havia começado. Fora um trauma na época, e, desde então, ela não se tornara a melhor pessoa para falar de sentimentos. Ino e Tenten constantemente corriam até ela para tomar conselhos amorosos, e, de alguma maneira desconhecida, Sakura era boa ajudando as amigas. Apenas não sabia o que fazer quando se tratava dela mesma.

Estava quase cochilando quando ouviu passos no corredor, e se sentou preguiçosamente, caso precisasse ajudar Hinata de alguma maneira. A morena saíra com seu roupão semiaberto, revelando um decote nada generoso, e Sakura se esforçou para não abrir a boca de inveja. Balançou a cabeça, rindo consigo mesma.

— Oi Sakura. – a rosada sempre se surpreenderia com a habilidade sobre-humana de Hinata saber quando ela estava ali ou não – Chegou faz tempo?

— Não, acabei de deitar. – respondeu, entregando o pijama de Hinata que estava dobrado no canto. A garota agradeceu, começando a se vestir – Saiu hoje? – se lembrou do encontro rápido que tiveram na parte da tarde.

— Sim, fui visitar minha mãe. Nós sempre vivemos juntas, então ela ainda está se acostumando a ficar sozinha em casa. A Tsunada-sama disse que eu podia visitá-la quando precisasse, e eu estava a toa. – deu de ombros. Sakura batalhava internamente para perguntar ou não sobre a família de Hinata, imaginando que seria muita intromissão, mas parou subitamente, observando a morena.

Eram sinais imperceptíveis, mas ela os conhecia – mais que gostaria. Hinata parecia corada, mais que o normal, e suas íris esbranquiçadas estavam brilhando. Seus lábios repuxavam ora ou outra, mas quase palpável a luta interna pelo controle. Ela parecia literalmente brilhar, como se voasse.

Ah. Não.

— Hinata. – Sakura chamou com o tom propositalmente acusatório. A garota se virou, mordendo os lábios, um tanto quanto nervosa – Me conta. Agora.

— Quê? Você está louca. – Hinata riu nervosamente – N-não tem nada para contar. Na-nada mesmo. – desviou o assunto, mas seu rosto esquentou a ponto de ebulição. Sakura rolou os olhos, acostumada com o primeiro sinal: negação.

— Você é péssima mentindo. – riu – Senta aqui e me conta.

Hinata ponderou por alguns segundos se deveria. Sakura estava ali há mais anos, e provavelmente conheceria Menma. Aquilo poderia lhe beneficiar ou não (internamente Hinata torcia para que sim). De qualquer maneira, ter outra pessoa, que não fosse sua mãe, para conversar, era algo que ela sempre sonhara. Confidências românticas e conselhos sentimentais poderiam, finalmente, torná-la uma garota normal – ou tão normal quanto um dia conseguiria ser. No fim, andou rapidamente e sentou-se com as pernas cruzadas e um sorriso largo, embora vacilante.

— Tudo bem. – Sakura sorriu triunfante – Tem esse garoto. Eu acho que estou enlouquecendo porque nós nos falamos, tipo, duas vezes. Mas eu não sei, ele tem alguma coisa. A voz dele é tão calma e gentil, e ele parece estar sempre sorrindo. Ele tem uma presença tão forte, e eu não consigo parar de pensar nele. Ele não gosta de falar muito, e quanto mais ele foge, mais eu me sinto curiosa. Não sei mais o que fazer. Estou parecendo uma obcecada, eu sei. – terminou o monólogo com um suspiro forte, respirando fundo e baixando a cabeça. Em seus pensamentos, ela parecia patética, mas Sakura estava verdadeiramente curiosa. Conhecia aquele discurso, e conhecia aquela situação.

— Vocês só se encontraram duas vezes? – Hinata balançou a cabeça afirmativamente – Você sabe alguma coisa sobre ele?

— Bem, ele é do terceiro ano e aparentemente gosta de biologia. – mordeu a língua, para não revelar nada precocemente.

— Ok. Eu conheço algumas pessoas do terceiro ano. – Sakura assentiu consigo mesma, e Hinata alargou o riso – Qual o nome dele? Talvez eu saiba a sala, ou possamos ver nas fichas de inscrição! – a Haruno se animou, e as garotas agitaram a cama se balançando ansiosamente.

— Ah, é Menma! – Sakura parou, confusa. Que droga de nome era aquele? Por que ele parecia tão familiar? – Estranho, né? Parece que existem muitas pessoas com nome de comida. – a risada de Hinata ecoou solitária, mas ela não pareceu notar. Continuou falando sozinha, com teorias, e Sakura entrou em um estado de torpor composto por algumas fases.

Confusão. A sensação de estar diante de um quadro com uma peça faltando, deixando a figura irreconhecível. Era sabia que sabia. Puxou em sua memória toda e qualquer lembrança relacionada àquele nome, algo que solucionasse o mistério. Então, veio a compreensão. Cristalino como água, achou a referência particularmente inteligente, enquanto não passava, quase que instantaneamente para o próximo estágio.

Incredulidade. Sua face se configurou em uma careta do mais puro choque, enquanto ela arfava, sem encontrar as palavras certas, embora alguns palavrões lhe viessem a mente. Raiva. Um ódio profundo, do tipo que se aperta os punhos e o peito sobe rapidamente. Sakura começou a tremer, visualizando o garoto em uma espécie de guilhotina, onde ela soltava a corda para a lâmina descer e cortar sua cabeça – porque, certamente, era isso que ela faria.

Levantou-se de supetão, assustando Hinata. A garota fez uma careta confusa, e Sakura procurou pelo par de sapatos que havia jogado, espumando.

— Hina, me desculpa, eu já volto. – resmungou entredentes, e saiu, batendo a porta atrás de si tão forte que as dobradiças saltaram. Hinata deu de ombros, imaginando o que poderia tê-la deixado tão irritada.

Sakura corria a passos duros por um caminho que ela conhecia bem. Sua garganta coçava e suas mãos se apertavam de maneira que suas unhas começaram a machucar. Era proibida a transição de garotas no corredor de dormitórios masculinos depois das oito, mas era óbvio que ninguém realmente seguia essa regra. De qualquer maneira, era visível apenas as luzes vindas pelas frestas das portas, mas Sakura não precisou disso para ir até o quarto certo. Quando parou em frente a porta, esmurrou-a com força, repetidas vezes. Não parou até que alguém viesse atender. Foi escancarada por um Sasuke assustado e confuso, usando apenas um short de pijama e com o tronco ainda molhado, a toalha pendurada nos ombros. Sakura lamentou-se internamente por não poder admirar aquela maravilhosa obra prima da natureza, e ficou com ainda mais raiva de Naruto.

— Sakura? – perguntou ainda mais confuso – O que você está fazendo aqui?

— Sai, Sasuke! – a garota reuniu toda a força que tinha e, em um impulso, entrou e empurrou Sasuke com as duas mãos para o lado oposto, o jogando do lado de fora e batendo a porta em sua cara – Desculpa! – gritou, sentindo-se culpada e se xingando por, quando finalmente teve uma pequena chance, fora novamente arruinada.

— EI! – Sakura o ignorou, procurando com os olhos seu alvo.

Aquele quarto ela conhecia muito bem. Foram inúmeras as vezes em que dormira ali, fosse para ajudar ou ser ajudada. Como cada quarto comportava apenas dois estudantes, era um quadrado minúsculo, com um beliche e o guarda-roupa, mas os garotos haviam personalizado-o bem, com um mural de fotos e pôsteres de times de esportes espalhados pelas paredes opostas. Um frigobar ilegal no canto e o pequeno vão para o banheiro, que provavelmente teria o mesmo número de roupas jogadas e sujeira que naquele cômodo.

Finalmente Naruto apareceu, também molhado. Usava uma calça ridiculamente laranja e o cabelo pingando pelo chão. Ele olhava Sakura com uma cara inconformada, e a garota lutou para não encarar o peitoral definido do amigo, armazenando apenas toda a raiva acumulada prestes a ser colocada para fora.

Antes que o garoto pudesse ter chance de falar, a rosada avançou nele, estapeando-o sem ver onde. Arranhou seus ombros e chutou sua canela, e Naruto tentou apenas se defender sem machucá-la, dividido entre agarrar suas mãos e se proteger dos ataques – apesar de pequenas, Sakura tinha mãos fortes, bem fortes. A garota gritava coisas desconexas, xingando-o cegamente. Quando, finalmente, o loiro tomou conta da situação, apertou seus punhos, a empurrando para o centro do quarto, onde teria espaço para se defender.

— Você ficou maluca?! – gritou, tentando acalmar a garota. Ele e Sakura sempre brigavam e voltavam a ser amigos, e não foram poucas as vezes que a Haruno batera nele, mas particularmente daquela vez Naruto achava ser inocente.

— SEU CRETINO, MISERÁVEL, FILHO DA PUTA! – a garota se debateu, ainda tentando atingi-lo, o rosto vermelho e sem fôlego.

— SAKURA, PARA. ISSO DÓI! – Naruto teve que gritar mais alto que ela para fazê-la parar. Quando Sakura se acalmou, soltou-se de Naruto com um puxão, andando de um lado a outro, afoita – O que está acontecendo, você enlouqueceu?! – era vez do loiro indignar-se. Seus braços estavam vermelhos e doloridos, e ele tinha alguns arranhões no tórax.

— Eu não acredito que você teve coragem de fazer isso com ela. Eu sabia que você era um imbecil, mas não a esse ponto! Isso é muita crueldade, seu filho da puta! Babaca, estúpido, idiota... – continuou monologando, com uma lista considerável de palavrões.

— Você tem uma boca muito suja para uma garota. – ironizou, mas o olhar de Sakura para ele fez com que ele realmente se apavorasse.

— Acho melhor você não brincar comigo, Naruto, porque eu estou a um passo de te matar bem lentamente. – ameaçou, entredentes, e Naruto engoliu em seco.

— Você pode, pelo menos, me dizer o que eu fiz dessa vez? – queria ter uma chance para se defender, porque Sakura era muito assustadora quando estava brava.

— VOCÊ SABE O QUE VOCÊ FEZ! – voltou a gritar, perdendo o controle. Ela parou e respirou fundo, se controlando – Você sabe o que você fez, Menma. – sussurrou a última palavra, fazendo com que Naruto parasse em um ímpeto, o rosto petrificado. Seus músculos pararam, e seu cérebro começou a trabalhar rápido. Foi invadido por uma onda de culpa e medo.

— Co-como você sabe disso? – sua voz não passava de um sussurro desesperado, as mãos tremendo com os nós dos dedos já embranquecidos. A cor havia fugido de seu rosto, e Sakura sentiu-se particularmente vingada ao ver o amigo aterrorizado.

— Hinata me contou. Ela queria alguns conselhos sobre esse garoto que ela havia conhecido. – por um segundo muito longo, Naruto distraiu-se com a notícia de que a garota cega também pensava nele com uma frequência maior que a desejável – Você acha que eu não te conheço bem o suficiente, não né? Que eu não lembraria que esse era o nome que a tia Kushina pensou em colocar em você. – sua voz era puro sarcasmo, e Naruto, por um momento, se estapeou mentalmente por ser tão burro. Era lógico que Sakura reconheceria.

— Eu, e-eu... – as palavras engasgaram na sua garganta, e ele não sabia o que dizer. Levou as mãos até o cabelo, puxando os fios. Lembrou que Sasuke continuava do lado de fora, e desesperou-se um pouco mais – Não diga nada ao Teme! – implorou, se aproximando da amiga, que o olhou desconfiada.

— Não vou dizer nada a ninguém até você me explicar que palhaçada é essa que você está fazendo. – resmungou, o tom ainda um tanto ameaçador – Ela é minha amiga, Naruto! O que isso é para você, um jogo doentio? Uma diversão barata? Você é realmente tão baixo assim? – acusou-o, um pouco decepcionada.

— Não! – disse de imediato, parando depois – Quero dizer, não sei! – Sakura bufou e ele resmungou, confuso – Olha, eu realmente não sei, ok! Eu não sei. Foi um impulso da primeira vez, e, e, e eu não consegui dizer a verdade. Ela me pegou desprevenido. – gaguejou, nervoso.

— E qual o problema de dizer seu nome verdadeiro? – perguntou, um pouco mais calma.

— Eu não posso ser visto com ela! – disse, exasperado, e Sakura revirou os olhos, decepcionada, porém não surpresa – Você sabe o que isso representaria para a minha imagem? Eu seria ridicularizado pelo time, pela turma, pela escola toda! Eu tenho uma reputação a zelar. – defendeu-se.

— Você é realmente um cretino. – Sakura comentou, cruzando os braços – Ela é cega, Naruto, não uma leprosa ou uma doente terminal, pelo amor de Kami! Ela só quer uma vida normal, ser uma garota normal, e – colocou o dedo em seu peito e apontou com força – você – aponta – está – aponta – iludindo – aponta – ela! – aponta.

— AI! Isso dói, Sakura. – choramingou, massageando o lugar onde ela apontara com força – Eu não estou iludindo ela. – defendeu-se novamente, embora sentisse uma leve pontada de culpa – Aliás, por que você está defendendo tanto essa garota? Virou seu guarda-costas ou o quê?

— Ela é minha amiga. Não que você entenda realmente o que significa isso. – ironizou, e Naruto revirou os olhos – A Hinata tem milhares de qualidades, ela é inteligente, ela é bonita, é engraçada, ela se preocupa com os outros, e teve uma vida de merda por conta de pessoas como você, preconceituosas! – acusou, mas, dessa vez, Naruto apenas baixou a cabeça, sem nada dizer – Então eu estou avisando, Naruto. Ou você se afasta dela, e para com essa farsa ridícula, ou eu brigarei com você de verdade. A Hinata é legal demais para ter um bosta como você perto dela. Eu sei que você quer sempre ser o centro de tudo e de todos, mas o universo não funciona desse jeito. Você pode ser uma pessoa maravilhosa, mas vive se escondendo por trás dessa pose estúpida. Então, vai cuidar da sua preciosa popularidade e deixa a minha amiga em paz! – cuspiu a última frase, saindo como um tiro.

Abriu a porta, encontrando um Sasuke estarrecido do lado de fora. Lhe dirigiu um olhar culpado, pedindo desculpas silenciosamente, e saiu, batendo os pés. O garoto entrou, mais desorientado que antes, e encontrou um Naruto pensativo, de cabeça baixa. Não ousou mencionar a gritaria, e decidiu que, mais tarde, se Naruto quisesse contar, ele contaria.

Deitaram-se para dormir, embora nenhum dos dois estivesse realmente com sono. Permaneceram em silêncio, pensando, e, mesmo que por motivos diferentes, adormeceram muitas horas depois.