Quimera
5 Família
Notas iniciais
— Porque, para ser feliz, eu só preciso de pés livres, de mãos dadas, e de olhos bem abertos.
Hinata estava começando a se acostumar com a rotina na Academia. Em seu quarto dia, já havia tido aula de todas as matérias e conhecido, ao menos superficialmente, todos os professores. Embora não tivesse nenhuma lição de casa acumulada, todos os conteúdos estavam adiantados, e ela havia pego o jeito da versão em braile dos livros didáticos. Todos os funcionários eram muito atenciosos, e ela, de um modo geral, não havia tido problemas para se adaptar.
Quando se viu mais aliviada, pode admirar a ótima escola em que estava estudando e toda a paisagem que ela oferecia. A atmosfera dentro dos campi era absolutamente relaxante, proporcionando uma sensação de calmaria quando se olhava para todo o verde e as flores coloridas. Eram prédios aconchegantes, e Hinata teve a oportunidade de ficar deitada embaixo de uma das árvores dos fundos em uma das tardes, e inevitavelmente cochilando. Além do ambiente, as estruturas eram de alta tecnologia, e haviam diversos aparelhos adaptados para que ela também usufruísse dos pequenos milhões que o departamento recebia dos pais em anuidade.
Não teve outra oportunidade de treinar nas piscinas, mas já havia decidido falar com o capitão do time e pedir uma chance para entrar. Voltaria a competir pela Academia e, quem sabe, conseguiria vencer alguma disputa. Fora a natação, havia conhecido quase todos os clubes extracurriculares. Sentia certa simpatia pelas artes, mesmo que não pudesse executá-las. Outras atividades, como debates ou esportes, não lhe pareciam tão atrativos. Desse modo, naquela tarde, decidiu que visitaria a mãe.
Sentia uma saudade absurda de casa – que fazia seu coração doer e seus olhos encherem de lágrimas. Somente quatro dias depois de se mudar, e tantas coisas haviam acontecidos. Sequer poderia ligar para a mãe, uma vez que não tinha mais telefone celular. Hiromi era, de longe, sua melhor amiga, e contavam tudo uma para a outra. A cumplicidade, de certa forma, era uma alternativa para que se tornassem mais próximas. Sabia que sua mãe tinha medo de que Hinata a culpasse, mas ela jamais faria isso.
Embora não precisasse, depois das aulas foi pedir a autorização explícita da diretora, que não se opôs de maneira nenhuma – até insistiu que algum dos professores a levasse, mas Hinata agradeceu a oferta, recusando-a e confirmando algumas vezes que conseguiria pegar um ônibus para a cidade. Não notificou Sakura sua pequena saída. Embora fossem colegas de quarto – todos seus pertences já estavam arrumados no dormitório da rosada, que parecia maior que seu antigo – não queria preocupar a amiga, que, ocupada com as reuniões do conselho estudantil, não teve tempo de notar seu sumiço repentino no almoço.
Tomou uma ducha, com certa dificuldade, por ainda não conhecer o banheiro, e procurou alguma roupa em sua mala. Por motivos óbvios, sua mãe e ela haviam concordado que a melhor maneira de evitar problemas com vestimenta era comprar cores neutras e que se adequassem a tudo. Dessa forma, Hinata não levou muito tempo ao pegar uma calça de linho e uma blusa longa de algodão, sem se preocupar se combinariam ou não. Vestiu-se e calçou os sapatos informais, pegando sua bolsa de tira colo e o bastão.
O corredor estava calmo, havendo apenas alguns passos e conversas ocasionais. Em um determinado momento, sentiu uma presença conhecida, mas rapidamente passou, e ela chegou sem dificuldades até a entrada. Sabia que tinha um ponto de ônibus há alguns passos dali, e todos eles iriam para o centro da cidade. Andando um pouco, chegaria até os intermédios da ilha, próximo ao porto, onde as comunidades carentes haviam recebido verba do governo para montar seu próprio bairro e comércio. Depois de alguns anos, haviam se expandido, e grande parte daquelas pessoas havia melhorado de vida. E, tão próximas da balsa, muitas trabalhavam em Kobe, ganhando dinheiro suficiente para sobreviver.
Hinata se sentou no banco do ponto, esperando pelo veículo. Não havia ninguém para que lhe orientasse, mas bastava ela parar o primeiro que parasse e perguntar. Buscou nos bolsos sua carteirinha, embora não precisasse – quase nunca os cobradores pediam sua passagem. Minutos depois, ouviu o primeiro ônibus de aproximando, e fez sinal para parar. Com certa dificuldade, encontrou os degraus para subir, e o motorista, vendo que se tratava de uma deficiente, a ajudou de prontidão, perguntando para onde ela ia. Apesar de Chome não fazer parte do itinerário, ele insistiu para deixá-la na primeira quadra. Hinata agradeceu, sentando-se no banco da frente.
Os trancos a faziam chacoalhar, mas era reconfortante, de certa maneira. A lembrava de alguns anos antes, quando pegava o transporte para ir a escola, enquanto estudava do outro lado da ilha. Não haviam realizado a construção da escola local, então a maior parte das crianças cruzavam a cidade para cursar o elementar. Era nostálgico, e sentia-se velha pensando em quanto as coisas mudaram desde aquele tempo – ela só tinha 17, mas pensava como uma velha.
Suspirou. Quando mais avançavam, mais ansiosa ficava. Não soube dizer quantos metros andaram, mas parou de supetão, e o motorista a ajudou a descer. Indicou o caminho mais fácil até a quadra seis, e Hinata agradeceu sua prestatividade. Era raro o dia ser nublado em Chome – talvez para compensar o bairro. O cheiro característico alcançou o nariz de Hinata, que franziu, embora se sentisse, finalmente, em casa. Ela começou a caminhar ladeira acima, sentindo os raios solares queimarem suas mãos nuas. Era como sair de um mundo totalmente diferente. A Academia apresentava uma atmosfera suave e palpavelmente de nível econômico elevado. Era calma e silenciosa. Chome nunca dormia. Haviam gritos nas janelas das casas, sempre para a rua, e crianças chorando. Haviam gramados sinuosos e asfalto esburacado. Homens gritando produtos em camelos e conversas altas.
As pessoas cumprimentavam Hinata desde o começo da ladeira. A garota sorria. Todos a conheciam naquelas bandas – fosse por Hiromi, fosse pela deficiência ou pelos prêmios acadêmicos. De uma forma metafórica e poético, Hinata era a garota de periferia que conseguiu uma chance de mudar de vida.
Se perdeu em meio as contagens e pediu ajuda para um homem que passava. Ele lhe indicou quantos passos teria que dar para chegar na quadra certa, e ela agradeceu, uma vez que não precisaria de ajuda para encontrar a casa certa. Ela nunca esqueceria o caminho de casa. Sua testa estava suando, mas ela não se importou. Continuou andando, determinada, batendo seu bastão a frente para não tropeçar. Suas mãos tremiam de ansiedade. Parou e se virou, os pés caminhando pelo caminho de pedras que ela conhecia bem.
Na porta, sorriu, e deu duas batidas. A janela estava aberta, porque sentiu o familiar cheiro dos doces que esfriavam sobre a mesa da cozinha. Não esperou muito para que alguém aparecesse, apressadamente destrancando a fechadura.
— Hinata? – sua mãe tinha a voz mais doce que já ouvira.
Em milésimos estava sendo esmagada por um abraço sufocante, com os braços apertados ao lado do corpo e sua cabeça desajustada entre os ombros da mulher. Retribuiu o aperto da forma que pode, rindo. O cheiro de massa e madressilvas se fez presente, fazendo com que Hinata voltasse a ter cinco anos, se encolhendo nos braços que tanto sentiu falta. Ficaram por alguns segundos em silêncio, até que a mais velha a afastou, sujando-a do pó que estava em suas mãos.
— Meu Kami, filha, vem, entra. – praticamente empurrou a garota para dentro. Hinata sentiu que nada havia mudado, como se o tempo não tivesse passado – Você veio sozinha? – mal abriu a boca para responder e foi interrompida – Você sabe que é perigoso! Eu vou envelhecer antes do tempo. – monologou, e Hinata riu, sendo guiada até a cozinha, com seu costumeiro ar morno.
Ouviu dizer que, na juventude, sua mãe havia sido uma mulher lindíssima. Todos os jovens do bairro eram apaixonados por ela. Diziam, também, que ela e Hinata eram muito parecidas, mas a garota acreditava que a mãe era infinitas vezes mais bonita. Sua pele era macia e seu cabelo deslizava em seus dedos. O tempo a havia marcado com rugas de expressão, mas ela mantinha o espírito alegre de moça. Além de bela, era gentil, admirada por quem a conhecesse. As más-línguas comentavam que foi por sua beleza que o jovem Hyuuga Hiashi se apaixonou por ela. Herdeiro milionário de uma das multinacionais da cidade, o romance vivido entre eles se tornou marcante e ávido. Não tardou que casassem e fossem morar na mansão Hyuuga. A gravidez, celebrada pouco tempo depois, marcava o nascimento do próximo membro da família, que comandaria os negócios no futuro. Mas a história tomou rumos diferentes quando Hinata apresentou os primeiros sinais da doença hereditária, que a cegaria pouco a pouco. Hiashi, então, se negou a criar uma filha deficiente – aquilo mancharia a nobre imagem dos Hyuuga. Se mudou para outro país, deixando Hiromi e sua filha abandonadas. Voltaram para o bairro de origem da mulher, abrigadas e acolhidas por todos os moradores.
A responsabilidade e o abandono murcharam Hiromi, que foi atingida pela idade e pelo que o fardo de ser mãe solteira acarretavam. Trabalhou duro em diversos empregos para sustentar sua família, e a beleza acabou se esvaindo, restando apenas as marcas do tempo de uma juventude. Quando Hinata cresceu mais, e passou a ajudar em casa, ambas conseguiram melhorar de vida, e quase era possível enxergar a antiga Hiromi, que cantarolava pela casa e era paquerada pelos homens no trabalho.
Era por aquele e tantos outros motivos que Hinata admirava a grande mulher que sua mãe era – mesmo que não pudesse vê-la, sentia a aura que ela emanava, e era a coisa mais linda que já havia visto.
— Me conta, filha! Como é a escola nova? Fez amigos? Está conseguindo se adaptar? – encheu a garota de perguntas, falando com rapidez. Hinata sorria largamente.
Fez um relato detalhado de seus dias, desde o incidente no primeiro dia, como começou a conversar com Sakura e as outras garotas, elas lhe considerarem como amiga, mudar de dormitório, todas as matérias que estava aprendendo e como a escola era incrível. Mencionou até sobre o garoto da piscina, embora tivesse dúvidas se tinha mesmo acontecido ou se fora um sonho. Hiromi escutava tudo com uma atenção miraculosa, acenando e soltando expressões, como “uau” e “jura?”. No fundo, só estava contente de conversar com a filha. Por muitos anos era somente as duas, e agora sentia-se um pouco solitária – mas ver o entusiasmo de Hinata compensava tudo.
— Me desculpe por vir tão pouco, okaa-san. – Hinata disse em algum momento da conversa, esquentando as mãos em uma xícara de chá recém feita – Vou tentar vir mais vezes por semana. Foram dias corridos mas vai melhorar.
— Não se incomode, filha. Eu estou bem aqui, se preocupe só em estudar, sim. – sorriu terno, e Hinata sentiu a atmosfera se tornando mais confortável. Também sorriu. Sabia que tinha a melhor mãe do mundo – Eu estou muito feliz que você tenha amigas! – Hiromi acompanhou toda a vida da filha e a dificuldade dela em se entrosar. Se as pessoas soubessem da metade da pessoa maravilhosa que ela era, com certeza gostariam de ser suas amigas – E esse tal de Menma também. Não pense que não reparei nesse seu tom todo sonhador com ele. – provocou, e viu as bochechas da garota enrubescerem, enquanto ela protesta, em meio a risos.
— Eu não sei nada sobre ele, okaa-san. Só seria legal encontrar ele de novo. – murmurou, apoiando a cabeça sobre uma das mãos, pensativa. Hiromi observou a filha, com um risinho cúmplice. Já havia tido aquela idade, e, com certeza, conhecia aqueles sinais. Terminou mais uma das massas e limpou as mãos no avental. Se aproximou de Hinata e lhe deu um beijo na testa, afagando seu cabelo. A garota sorriu, e puxou outro assunto com a mãe, continuando a conversar por horas a fio.
Naruto havia acordado em um péssimo dia. Seu humor estava pior que o normal, ácido e inconstante. Era mais uma daquelas manhãs em que nada na vida fazia o menor sentido para ele, as coisas eram passageiras, e tudo estava nublado. Até mesmo Sasuke não se atreveu a ficar em seu caminho, evitando ao máximo irritar – ainda mais – o amigo.
As aulas custaram a passar. Cada minuto que o garoto dormia pareciam horas, e, ao acordar, encontrava-se na mesma aula. Estava inexplicavelmente impaciente – se mulher, talvez fosse explicável como TPM, uma mudança hormonal sem aviso prévio ou explicações. Não queria admitir para si mesmo – jamais o faria –, mas havia tido um sonho ruim com sua família. Não os via desde o natal, e seu coração se apertava quando pensava que Nagato já havia voltado para o Japão e não o visitara ainda. Mas o grande Namikaze Naruto não sentia saudades. Aquilo era para os fracos. E ele não era fraco – não podia ser.
Seu estado de espírito piorou com o passar das horas, e, na altura do almoço, dispensou os treinos e caminhou pesadamente até seu quarto, indisposto para comer ou conviver socialmente com quem que fosse. Com a mochila nas costas, tentava se mistura com as poucas pessoas que percorriam o caminho contrário ao refeitório. A cabeça baixa, no segundo andar, já estava quase sozinho. Soltou um suspiro, e sentiu-se mais irritado consigo mesmo. Não gostava de suas mudanças de humor, e não gostava de se sentir vulnerável. Lamentar pelos cantos e sentir-se indisposto eram itens que não consistiam sua lista diária. Era conhecido por ser sempre alegre, sociável e de um humor negro curiosamente admirado.
Quando estava perto dos dormitórios, avistou uma sombra conhecida. A garota cega caminhava em sua direção, usando uma roupa diferente do uniforme costumeiro da escola. Diminuiu o ritmo, curioso. A garota parecia bem menor naquele momento, quase um palmo abaixo de sua altura. Suas roupas eram neutras, como desbotadas, e não tinham nenhum tipo de atrativo. Ela carregava uma bolsa lateral, e Naruto se perguntou onde ela iria. Era incomum os alunos saírem no meio da semana – embora não fosse estritamente proibido, era como uma regra comum. Geralmente estavam atolados de tarefas ou atividades, e apenas aos fins de semanas deixavam o campus. Aquela garota era realmente estranha. Quando se aproximaram, Naruto parou ao seu lado, lutando contra a vontade de falar alguma coisa – mas se conteve, andando rapidamente. Olhou para trás, fitando suas costas cobertas pelo cabelo solto.
Naruto continuou andando quando a garota desceu as escadas e sumiu do alcance de seus olhos. Chegando no dormitório, jogou a bolsa de qualquer maneira no chão, deitando na cama de costas e cobrindo os olhos. Queria dormir pelas próximas semanas. Abriu os olhos quando sentiu algo escorregando de seu bolso, e, tateando, achou o celular. Ergueu-o acima dos olhos, desbloqueando. Apenas mais um aparelho de última geração, multifuncional. Checou suas redes sociais, e nem as centenas de notificações foram capaz de distraí-lo.
De repente, teve uma ideia. Não era de seu feitio, mas talvez, apenas talvez, daquela vez fosse diferente. Abriu a agenda telefônica e procurou pelo número de casa – no entanto, parou na metade. Provavelmente algum dos empregados atenderiam e diria que não havia ninguém. No entanto, havia um outro número. Fora ensinado a não ligar para aquele número, apenas em caso de extrema urgência, mas Naruto estava disposto a arriscar.
Colocou para discar. Um toque, dois toques. Naruto mordeu o lábio, ansioso. Não sabia se a chamada seria local ou estrangeira – ele nunca sabia. A ligação estava quase caindo na caixa de mensagens, e o garoto se preparou para desligar, mas no último instante atenderam.
— Moshi-moshi?
Naruto engoliu em seco. Naquele momento, parecia ter sido uma péssima, péssima ideia. Respirou fundo, se concentrando na voz grossa e séria que há muito não ouvia. De certa forma, sentiu-se mais calmo ao ouvi-la.
— Otou-san? Oi.
— Ah, é você, Naruto. — automaticamente a voz se tornou urgente e rápida, apressando as palavras. Ao fundo, muito barulho e pessoas gritando – O que aconteceu?
— Nada. Eu só queria conversar com você. – Naruto se embolou nas palavras, temendo parecer idiota falando daquela maneira. Ouviu um suspiro e um bufo. Fechou os olhos, apertando mais o telefone.
— Francamente, Naruto. Eu já avisei que era para ligar no meu telefone pessoal apenas se algo grave acontecesse. Não tenho tempo para ficar conversando a torto e a direita. Você deveria estar estudando e se tornando mais útil. — o garoto engoliu em seco.
— Eu sei, otou-san. Eu... só queria conversar.
— Estou entrando em uma reunião. Não me incomode mais dessa maneira. Até mais.
— Tchau, otou-san. – Naruto murmurou para o telefone já mudo.
Não soube dizer porque esperava que seria diferente. O grande senador Namikaze estava sempre ocupado – não tinha tempo para conversar com sua família. O trabalho era importante, sua carreira era importante. Os investimentos milionários da família não poderiam parar. Naruto tinha, especificamente, uma única função: se tornar grandioso como o pai, para dar continuidade ao império que honrava o nome da linhagem Namikaze.
Cinco, seis meses? Mais? Já nem se lembrava mais quando viu o pai. Uma viagem atrás da outra, emendando reuniões e contratos essenciais. A mãe, acompanhante fiel, auxiliava-o com os negócios, a esposa prestativa e carinhosa. Naruto tivera uma infância de príncipe, desde cedo acostumado com câmeras e as vantagens e desvantagens de ser uma celebridade. Treinado a rigor por professores caros, seu quarto era cercado de mimos e hobbies, mas nas prateleiras da sala, fotografias vazias de uma família de aparências. Perfeitos, polidos, sorridentes,
As vezes, Naruto queria acreditar que eram felizes. Contava das viagens que fazia, dos carros que ganhava, das festas que frequentava. Fazia inveja as outras pessoas, esbanjava seu cartão de crédito sem limites e desmedia presentes ou quinquilharias. Mas, em momentos como aquele, ele percebia que conta cheia de banco nenhuma substituía um coração amargurado. Em momentos como aquele, Naruto sentia-se pequeno, tão pequeno quanto uma criança, perdida. Então ele fugia, por medo, por vergonha, e se escondia na família de seus amigos, fingindo que era a dele própria. Porque era disso que ele vivia, afinal – fingimentos. Sua vida era um grande teatro.
E ele amaldiçoava todo aquele mundo podre.
Jogou o celular longe, não se importando se havia quicado ou quebrado. Fechou os olhos, mordendo os lábios tão forte quanto pode, para manter as lágrimas quentes dentro dos olhos. Ele era um Namikaze, e Namikazes não choravam.
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