Questão de Tempo

16 Capítulo 16


Cap 16

Jess – Stella! – batendo de leve no rosto dela. – Stella!! Acorda!!!

Jessica deita Stella completamente na calçada, ela tentava sentir o pulso mais sem sucesso. Encostava sua cabeça próximo ao rosto pra mais uma vez sentir sua respiração mas ainda não consegue êxito.

Jess – Droga!! – Jessica começava a fazer uma massagem cardíaca no peito quieto da outra. – Stella fala comigo. – logo em seguida um sopro de ar nas vias áreas e mais massagem. A voz de Sam em desespero chamando por Stella se fez ser ouvida ao se aproximar.

Um barulho de carro parando bruscamente próximo a calçada que elas estavam faz com que Jess se assuste. Mac salta do carro nervosamente e avança contra as mulheres agachadas, seu coração quase para ao reconhecer Stella deitada no chão recebendo massagem cardíaca de Jessica.

Mac – STELLAAAA!!!! STELLAAA!!! FALA COMIGO!!!

Jess – Mac afasta!!! – ele olha a casa pegando fogo.

Mac – Mais alguém na casa? Sophie, cadê Sophie??

Sam estava em choque e não conseguia responder, os olhos dela tomaram proporções maiores quando ele pergunta por Sophie. Mais uma vez Jess da um sopro de ar e Stella começa a da sinais.

Jess – Stella, olha pra mim. – ela se remexe no chão e começa a tossir, se vira e tenta se apoiar pra levantar.

Stella – So...so...phi??? Cadê So... – sua voz era falha ainda tomando ar.

Jess – Flack foi atrás dela. – Mac soltou a respiração quando ouviu.

O caminhão do corpo de bombeiros para em frente a casa, eles já pegavam as mangueiras e jogavam agua para debelar o incêndio, outros adentram no local em chamas, a ambulância do resgate também já chegava para a ocorrência, Mac faz sinal para eles e informa que Stella é uma das vítimas.

— O que aconteceu?

Jess – Eu a encontrei descordada no chão.

Stella – Sophie!! Eu preciso saber de Sophie!!! – sua voz era rouca.

— Calma moça, qual seu nome?

Mac – Stella. – só agora que ela percebera Mac ao seu lado.

Stella – Sophie. – ela tinha uma súplica nos olhos ao encará-lo.

Mac – Eu vou trazê-la. – segurando o rosto de Stella entra as mãos com carinho.

— Stella, por favor, você tem um corte na sua cabeça, esta sangrando. Você inalou fumaça?

Stella – Um pouco. Eu quero minha filha!! – as lágrimas não puderam ser contidas e começava a chorar desesperadamente.

— Senhora, por favor, acalme-se, os bombeiros já estão lá dentro. Me diga o que aconteceu com você.

Stella – Eu não sei...acho que eu cai da escada. – a enfermeira do resgate toca nas suas costelas e ela solta um gemido de dor.

— Venha comigo. – a ajudando a levantar e sentar-se na maca que estava ao lado. Outra pessoa do resgate trás um cobertor térmico, a noite estava esfriando.

Stella – Sophieeee!!! – ela gritava mas a voz saia falha por conta da fumaça que inalou. – Mac, Mac, Soso. – ela se agarrava nele aos prantos. Até que a enfermeira administrou uma pequena dose de calmante só para que ela ficasse mais tranquila.

Caminhando mais ao final da rua Flack aparece com Sophie no colo e o cachorro do seu lado, Mac ouve um chorinho e busca com os olhos da onde vinha até eles aparecerem no seu campo de visão e inevitavelmente ele se emociona.

Mac – Flack a está trazendo, Stella fica calma, tá bom?! Ela está segura.

Sophi ainda chorava até soluçar o que fez o coração de Mac se partir e correr para eles, a menina quando o viu estendeu seus bracinhos na sua direção e foi nítido quando ela balbuciou duas sílabas.

— PA PA!!! PA PA!!!

A menina quase perdia o ar de tanto chorar mas quando passou para os braços de Mac ela foi sentindo a respiração calma dele e foi acalmando-se também. Ela passou os braços em volta do pescoço dele, encostou seu rostinho nele e o berreiro diminuía mas seu peito ainda subia e descia freneticamente. Todos ficaram encantados, mesmo com a situação problemática, que aquele bebê reconheceu Mac como seu pai. Só assim Stella realmente se acalmou e deixou que a enfermeira fizesse seu trabalho. Don não ousou dizer nada apenas assistia aquela cena, recebeu um olhar agradecido de Mac e o viu se afastar com a menina no colo para mais perto da ambulância de resgate.

Stella – Sophie. Meu amor.

Ouvindo a voz de Stella, Sophie virou-se para procura-la e logo estendeu os bracinhos para ela.

— Ma ma!!! Ma ma!!

Stella – Eu tô aqui. – Stella ergue a mão para tocá-la como se assim pudesse ter a certeza que ela estava bem. Ela não podia segurar a menina já que estava deitada numa posição em que sua coluna ficasse reta e tinha um colar cervical. Mac se aproxima com a menina no colo para que Stella a veja melhor e seus medos se dissipassem em relação à criança. Ela se emociona ao vê-la até a enfermeira interromper aquele momento.

— Eu preciso examinar a criança. – Stella não se opôs.

A enfermeira tenta examinar a criança mesmo estando no colo de Mac, ainda assim a menina começa a chorar assustada, mas a enfermeira com jeitinho ajuda a entretê-la um pouco com a manta térmica que colocava nela até que conseguiu a tirar do colo dele.

Stella – Mac foi ele não foi?

Mac – Stella não vamos nos precipitar, ainda não sabemos.

Stella – Eu vi um homem segurando Sophi, o andar de cima já pegando fogo e depois eu não lembro. Acho que tinha mais alguém na casa e me bateu. – o peito de Mac abria um buraco diante do relato dela e não ter conseguido impedir tudo aquilo.

— Nós precisamos ir para o hospital e fazer mais exames.

Stella – E a minha filha?

— Aparentemente está tudo bem mas é preciso examinar melhor. – ao ouvir aquilo Jessica logo se disponibiliza a ir.

Jess – Eu vou com elas Mac, não se preocupe. – Mac concorda com um maneio de cabeça. – Stella eu vou com você. – antes que ela entrasse na ambulância Mac a segura.

Mac – Fique atenta. – ele usava um tom de voz baixo, porém sério demonstrando que a situação exigia cuidado. – Pegue logo as roupas das duas vou mandar alguém buscar.

Jess – Deixa comigo.

Já colocavam a maca de Stella na ambulância quando ele pede que pare só um por instante. Ele se condenou por não chegar a tempo e evitar os machucados dela, o que antes ele só havia visto por foto agora eram pessoalmente e isso afundou seu coração dentro do peito. Ele segurou sua mão e deu um beijo em sua testa.

Stella – Cuide-se, por favor. – ele assente e então Stella é colocada na ambulância.

Sam – Mac me desculpe, eu só saí por uns minutos. – era notável a culpa em seu tom de voz. – Eu deixei Stella e Lisa conversando e fui colocar comida para o Cassius e iria voltar.

Mac – Tudo bem Sam, não foi culpa sua. Talvez se você estivesse lá poderia ter se machucado também. – ele tentava acalmar a senhora que visivelmente estava abalada.

Flack – Esse é o Cassius?

Sam – Sim. Ele é meu cão de apoio.

Flack – Ele me ajudou muito, se não fosse por ele não teria como recuperar Sophie com segurança. Eu não tinha uma linha de tiro limpa e não podia arriscar acertar a criança.

Sam – Ele era cão de guarda, fez parte da unidade K9.

Flack – Mac eu não consegui pegar o criminoso mas Cassius sim. Ele o mordeu, deve ter vestígios nele. – fazendo um afago no cão.

Mac – Então eu preciso agradecer aos dois. Obrigada Don. – aliviado ao ouvir o cuidado que Flack teve na ação. – Você também amigão, obrigado. – agachando e afagando o animal mas ao passar a mão por ele sentiu um pouco de sangue.

Mac – Flack ligue para o Adam peça que ele venha e traga uma unidade de cuidados com o animal. — mostrando um pouco de sangue na mão. Don logo tira o telefone do bolso e faz o que ele pedira.

Sam – Ah não meu amor, não vão me tirar você como me tiraram meu filho. – agachando e fazendo carinho no animal mas sua voz era chorosa.

Mac – Acho que foi só de raspão Sam, ele parece bem. – tentando de alguma forma consolar aquela senhora. Mac volta a sua atenção para Flack novamente que ainda estava no telefone. – Diga para ele contatar toda a equipe e venham todos para cá, só tem esse caso de crime na cidade de Nova York.

Sam – Mac eu sei que vocês tem muita coisa mas Cassius foi o que me restou do meu filho.

Mac – Nós vamos cuidar dele, ok?! – vendo o rosto de Sam vislumbrar um pouco de felicidade com o que dissera.

Flack – Ele vai ficar bem. Cassius me acompanhou até aqui e continuou ativo.

Sam – Tomara.

Mac – Sam preciso que você ligue para Jô, avise o que aconteceu e diga para ela ir para o hospital que Stella e Sophie estão.

Sam – Tá bom.

O capitão do corpo de bombeiros se aproxima deles, o fogo já parecia controlado.

— Detetive Taylor. – estendendo a mão para cumprimenta-lo. – Detetive Flack. – também o cumprimentando.

Mac – Capitão Casey. Minha equipe já está a caminho, quando podemos entrar?

Casey – Já estamos fazendo o rescaldo. O fogo se concentrou no andar de cima estamos vendo se não há danos estruturais na casa.

Mac – Incêndio criminoso?

Casey – Com certeza, se concentrou no quarto. Deu pra perceber traços de acelerante mas só posso dizer algo mais concreto depois de terminado o rescaldo e isso pode demorar um pouco.

Mac – Tudo bem, não tem problema. Isso é pessoal, hoje pra mim só existe esse caso em Nova York.

Casey – Alguma possibilidade de alguém querer atingir você?

Mac – Possivelmente.

Mac sabia que aquela possibilidade era bem remota mas não precisava entrar em detalhes com o chefe do corpo de bombeiros se não fosse extremamente necessário.

Casey – Se precisar de mim eu estarei às ordens.

Mac – Obrigada. – estendendo a mão e o cumprimentando mais uma vez em despedida. O capitão coloca mais uma vez seu capacete e entra na casa que até pouco tempo pegava fogo. – Flack você precisa ver isso. – apontando para o supercilio dele da onde escorria um filete de sangue.

Flack – Deve ter sido quando me joguei ao chão. – passando as pontas dos dedos e sentido o machucado.

Mac – O que aconteceu Don? – finalmente o questionando abertamente sobre o ocorrido. – Por que os policiais que estavam fazendo a segurança não chegaram a tempo? Onde eles estão?

Flack – Estão mortos. – Mac o olha sério ainda absorvendo a informação. – Iria ser a troca de turnos, eu vim até aqui com a Jessica pois os outros que estavam designados iriam se atrasar um pouco e quando chegamos e fomos até o carro percebemos os corpos e logo depois o fogo e o choro de Sophie na casa. Quando entramos avistamos Stella caída próximo à escada, podemos perceber dois caras correndo pelos fundos. Jessica ficou com Stella e eu fui atrás dos criminosos que estavam com a criança. E o restante você já sabe.

Mac – O atraso dos outros policiais abriu uma brecha, eles precisam ser interrogados...

Flack – Mac. – não deixando que ele continuasse com o raciocínio. – Eles estavam na delegacia cobrindo outro plantão, eu vim com a Jess no horário certo. Não teve brecha. Quem fez isso são amadores, sabe que tem a troca de turnos mas se você vai matar alguém que mate quem vai entrar no plantão e não quem vai sair sabendo que logo vão chegar outros policias e irão ver que os outros estão mortos.

Mac – Você tem razão.

***

Mac – Pessoal ainda vai demorar para o Capitão Casey liberar o local então vamos começar com que temos.

Todos já estavam reunidos na frente da casa aguardando as instruções de Mac.

Lindsay – Mac onde está Stella e Sophie? – seu tom de voz era um pouco preocupado.

Mac – Elas estão no hospital. – dava para sentir a tristeza dele em dizer aquelas palavras. Ele respira fundo e tenta manter o profissionalismo.

Mac – Stella foi atacada numa tentativa de sequestro de menor. – todos se entreolham com aquele relato. – As informações ainda são mínimas, Jess foi para o hospital pra tentar pegar um depoimento de Stella e as roupas que utilizavam. Lindsay quero que vá até lá e pegue o material para começar a processar. Mas antes, por favor, leve alguma coisa para Sophie, temo que ela não vá aceitar a alimentação do hospital. – ele não resistiu e o cuidado com a bebê falou mais alto.

Lindsay – Deixa comigo Mac, tenho experiência com isso.

Mac – Mais uma coisa. Stella não deve está nada amigável então as reações dela serão extremas acredito. – nem ele sabia como já sabia disso, mas conhecia aquela mulher em tão pouco tempo.

Lindsay – No lugar dela eu também estaria, Mac. — ele apenas sorri discretamente em alivio.

Mac – Danny temos um carro com dois policias mortos ali. – apontando para um carro mais atrás deles com uma fita listrada em amarelo e preto o isolando. – Quero que você comece a processar, Sid já está vindo pegar os corpos.

Danny – Policiais? Eles estavam vigiando a casa?

Mac – Sim, os detalhes sobre isso eu darei quando nos reunirmos. – Danny apenas faz um maneio com a cabeça em conformidade. – Adam leve Cassius para o laboratório e processe, ele teve contato com um dos sequestradores.

Adam – Um?

Mac – Don viu pelo menos dois mas pode até ser mais, pegaram um carro atrás da casa.

Adam – E quem é Cassius?

Mac – O cão da Samantha. – apontando para a senhora mais afastada deles. – Ele mordeu um dos criminosos. Cuide do cachorro, ele é apoio emocional da Sam.

Adam – Tudo bem Mac, vou dá tratamento vip.

Mac – E Sheldon verifique a rua detrás, veja se encontra algo que possa ser útil. Don afirma que os sequestradores saíram derrapando, pode haver marcas de pneus no chão. Depois ele fará uma descrição do carro.

Sheldon – Ok.

Mac – Pessoal prioridade máxima para esse caso, não existe outra coisa em Nova York que me interesse essa noite. Podem ir. – o pessoal se despede e Mac caminha para junto de Don que recebia atendimento em uma das ambulâncias.

Mac – Você está bem?

Don – Não foi nada.

— Ele deveria ir até um hospital e fazer exames mais precisos. – a enfermeira tentava convencê-lo.

Don – Não precisa moça, depois de um prédio explodir na minha cabeça isso aqui não foi nada. – se referindo a outro caso em que ele e Mac estiveram presos num prédio que acabou explodindo uma bomba em um dos andares.

— Então terminamos por aqui.

Don – Obrigada. – Don observa Mac pegar o celular e fazer uma ligação, ele apenas aguardou.

Mac >— Dra. Cuddy, Mac Taylor. <<

Lisa >— Mac? O que aconteceu com Stella? << — ela já alterava a voz imaginando que algo de ruim tivesse acontecido com Stella.

Mac >— Ela sofreu um ataque em casa, acredito que ela frustrou uma tentativa de rapto de Sophie. <<

Lisa >— O quê?? Como elas estão? <<

Mac >— Estão bem, estão no hospital. <<

Lisa >— Mac, isso foi coisa do Sr. Papakota não foi? Isso nunca vai acabar? <<

Mac >— Eu ainda não sei Cuddy. << — era decepcionante para ele dizer isso.

Mac >— Se for mesmo um rapto acho que não é coisa dele. <<

Lisa >— Eu acabei de chegar em casa não posso voltar, elas estão no Presbyterian Hospital? <<

Mac >— Sim. <<

Lisa >— Conheço o corpo médico de lá, vou fazer algumas ligações e saber como elas estão. Eu não vou ficar calma enquanto não ouvir a voz de Stella.<<

Mac >— Jô está com ela. <<

Lisa >— Tudo bem, assim me sinto um pouquinho melhor. << — eles desligam. Nada naquela conversa passou despercebida por Flack muito menos a repetição do nome de Jô.

Don – Jô não é aquela agente do FBI que foi indicada para ser subchefe do laboratório?! – Mac sabia que teria que da algumas explicações.

Mac – É ela mesma.

Don – E o porquê ela tá implicada nessa conversa? Ou ela já é a segunda no comando e eu não estava sabendo?

Mac – Não ela ainda não é. Você não vai me deixar em paz não é?! – ele arca uma das sobrancelhas. – Vem comigo. – eles se afastam de outras pessoas. – A suspeita que Stella esteja no programa de testemunhas é verdadeira e Jô é a agente federal que cuida do caso dela.

Don – E você acha que isso tem a ver com o caso dela? – Mac o olha meio desacreditado naquela possibilidade.

Mac – O caso dela aconteceu na Grécia, o depoimento dela é contra um empresário com dupla cidadania mas o Estados Unidos ainda não quer acusá-lo e ele ser extraditado para Grécia onde tem influência e a pena seria reduzida. Há não ser que tenha provas dos crimes cometidos em solo americano e o governo recuse a extradição. O ponto é que ele esconde bem as suas atividades ilícitas talvez através da embaixada grega. – ele para um pouco o relato não querendo pensar naquela possibilidade que Flack levantou. – Acho muito difícil, mas não é impossível que tenha a ver com ela, quando a levei pra delegacia pode ser que eu tenha aberto uma enorme brecha na sua segurança.

Don – No que está pensando Mac? Há possibilidade que todos esses casos estejam interligados? O caso de Stella, Sophie e os homicídios?

Mac – Momentaneamente pelo o que parece esse é um caso de rapto de criança.

Don – Rapto? Mas por quê?

Mac – Você mesmo viu, eles estavam interessados na criança se quisessem pegar a Stella a teriam neutralizado primeiro. Parece mais um ataque desordenado.

Don – Mas porque Sophie? Por que correr esse risco todo? Matar policiais, botar fogo na casa.

Eram muitas perguntas e difícil de responder todas assim com conjecturas.

Mac – Sophie foi deixada aqui já tem semanas, talvez tenham descoberto seu paradeiro e quiseram recuperá-la.

Don – Recuperar? Mac do que você tá falando? Tráfico de seres humanos?

Mac – No caso para adoção ilegal. Sabemos que existe uma rede muito sofisticada para isso, muitos casais pagam uma fortuna. Colocar fogo na casa seria para apagar os rastros.

Don – Mas só encontrariam esse lugar caso a pessoa que a deixou entregasse.

Mac – Exatamente, talvez a pessoa tenha sido obrigada a entregar.

Don – Tortura?

Mac – Você lembra da mulher que foi encontrada na estrada perto de Nova Jersay?

Don – Sim.

Mac – Temos o DNA dela na cesta indicando que ela deixou Sophie aqui. Você viu o estado do corpo, ela foi muito machucada.

Don – Definitivamente esses casos estão interligados. Mas com o de Stella também?

Mac – Isso eu não tenho certeza, mas acho que não são só as moedas que interligam esses casos com a embaixada. Você fez a busca por mais propriedades no nome de Nikolo Angelis?

Don – Só vão me entregar amanhã, receio que tenha chegado tarde de mais a prefeitura e a funcionária estava atrasada para o aniversário da sobrinha.

***

Jessica estava no quarto de Stella quando seu celular toca e ela sai para atender sabendo que Mac iria querer algumas informações.

Jessica >— Mac <<

Mac >— Como elas estão? <<

Jessica >— Estão bem se é que da para ficar bem depois do que passaram. <<

Mac sentia o quanto Jessica estava compadecida pela situação.

Jessica >— Stella está tentando descansar mas está um pouco difícil, Sophie só da alguns cochilos logo acorda assustada e só consegue se acalmar quando está no colo dela. Você pode imaginar o quanto é difícil para Stella, de quanto dor ela está suportando? Ela recusou remédios para dor, falou do seu vício em medicamentos anos antes. << — aquelas palavras estavam o machucando fazendo-o se sentir impotente diante de tudo que estava acontecendo.

Mac >— Queria ter chegado antes e evitar tudo isso. << — ele dá um leve soco na mesa. Jessica pode ouvir do outro lado da linha

Jessica >— Você está bem? << — ele respira fundo pra se acalmar antes de responder.

Mac >— Previsão de saída delas? << — Mac prefere não responder porque bem ele não estava e não queria transparecer o quanto essa situação o estava afetando por mais que todos no laboratório pudessem imaginar.

Jessica >— Alta só depois de 24h. << — ela o conhecia e sabia o quanto seu irmão não estava bem principalmente pelo fato dele ignorar a pergunta dela, ele não revelaria o quanto seu coração estava em pedaços.

Jessica >— Estão monitorando as duas, Stella teve uma concussão e algumas costelas fraturadas com a queda da escada e ainda vai fazer outros exames pra afastar de vez quaisquer outros problemas neurológicos e na coluna. Sophie apenas teve algumas escoriações mas está em observação por causa da fumaça que inalou. <<

Mac >— Tudo bem, me mantenha informado. <<

Jessica >— Mac << — ela olha ao redor antes de continuar. >— A agente Danville está aqui mas você já sabia disso, não é? <<

Mac >— Eu que pedi para contatá-la. <<

Jessica >— Ela não é só amiga da Stella, não é? <<

Mac >— Não. << — ele se limita, ainda não era hora de revelar tudo o que sabia, já tinha falado de mais para Flack.

Jessica >— Algo que eu deveria saber? <<

Mac >— Ainda não.<<

Jessica >— Tudo bem, confio em você. << — eles desligam.

Mac estava em seu escritório no laboratório lendo mais uma vez o arquivo que Jô lhe entregara sobre o caso de Stella, ele não acreditava em coincidências e temia que de alguma forma o caso dela tivesse relação com o que estava acontecendo. Entretanto depois daquela ligação com Jessica ele não conseguia concentrar-se, ver Stella machucada daquele jeito o destruiu. E imaginar ficar sem Sophie abriu de vez seu peito, seu estomago se revirava com aquela possibilidade. Mais uma vez ele socava a mesa pra aplacar a raiva que sentia.

Lindsay – Não é uma boa hora? – na porta da sala do chefe. Ele nem percebeu a presença da perita ali.

Mac – Nenhuma hora é boa depois de hoje. O que faz aqui?

Lindsay – Eu resolvi passar para te entregar isso. – ela da alguns passos pra chegar mais perto na mesa de Mac e estende uma bolsa para ele.

Mac – O que é isso? – mesmo sem saber do que se tratava ele recebe a bolsa.

Lindsay – O que você me pediu. – ela podia ver o olhar de quem não sabia do que ela estava falando. – Aí tem algumas roupas para Stella e outras para Sophie, além de algumas mamadeiras e frutinhas caso ela não aceite bem a comida do hospital. Tem também alguns produtos de higiene para as duas também. Eu ia deixar no hospital mas quando Danny chegou em casa falou que você ainda estava aqui achei melhor deixar com você e ver como está.

Mac – Tudo bem Linds, obrigado.

Lindsay – Nós vamos conseguir resolver tudo isso Mac. – ele apenas da um leve maneio de cabeça. – Eu vou indo, há essa hora com certeza Lucy colocou Danny pra dormir e não o contrário. Tchau Mac. – ela deixa a sala do chefe, sabia o quanto ele estava cansado entretanto ele não descansaria enquanto isso tudo não tivesse um fim.

Mac olha mais uma vez a tela do computador e depois a bolsa que ainda estava em cima de sua mesa, e como uma decisão que acabara de tomar embora nem soubesse que essa dúvida estava pairando ele rapidamente desliga tudo pega a bolsa, seu blazer e apaga as luzes da sua sala e deixa o laboratório de criminalística para trás.

Dessa vez Mac deixava o famoso terno e vestia uma roupa mais informal, ele passou em casa tomou um banho, se trocou e lá estar ele na recepção do hospital Presbyterian se informando sobre o quarto de Stella quando é interceptado por uma voz conhecida.

Payton – Mac? – ele para ao ouvir o chamado. – O que faz aqui? – realmente essa era a pessoa que Mac menos queria encontrar e não estava com a menor paciência para uma conversa amistosa. – Mais um caso? – estranhando o fato dele está ali já de madrugada.

Mac – Sim. – embora ele lhe dera uma resposta monossilábica ela queria aprofundar a conversa.

Payton – Eu estou deixando meu turno agora. E a criança como está? Sophie o nome dela se me lembro. – ela ajeitava o casaco disfarçando a frustração dele em nem mesmo manter uma conversa educada com ela.

Mac – Payton ela está hospitalizada e eu realmente preciso ir exatamente para ficar com ela se me der licença. – ele a deixa na recepção e caminha em direção aos elevadores.

Mac caminhava pelo corredor e para diante da porta do quarto da onde vinha um choro de criança inconsolável. Ele dá duas batidas na porta e logo entra. Sophie estava no colo de Jessica e ao ver Mac ela logo estica os bracinhos para ele. Mac joga a bolsa numa cadeira e toma à menina, ela começava a ser acalmar no colo dele.

Mac – Cadê Stella?

Jessica – Foi fazer uns exames. E Jô foi tomar um café. Ela criou um laço mesmo com você e com Stella, quando Sophie está com ela até consegue cochilar mas comigo é esse berreiro, eu já estava desesperada.

Mac – Tá tudo bem Jessica eu vou ficar aqui, você pode ir. Mas antes pega uma chupeta que está na bolsa. – ela o faz.

Jessica – Tem certeza que quer que eu vá?

Mac – Você ainda tem dúvidas? – Sophie se aconchegava deitando a cabecinha no ombro dele. Jess sorria ao ver Mac tão à vontade com um bebê. – O que foi?

Jessica – Você seria um ótimo pai meu irmão. – ele a encara com um certo brilho no olhar que há muito Jessica não via. Ela segura a mão dele que estava nas costinhas de Sophie, a mão da aliança. – Clarie estaria orgulhosa de você. – ela beija-lhe a face.

Mac – Obrigada. – sua voz saiu emocionada mais do que imaginava. Jessica pega sua bolsa e sai do quarto.

Mac ergue a mão para olhar a aliança, mais uma vez o gesto de tocar o polegar no dedo anelar e girar a aliança estava lá, Sophie respira fundo finalmente relaxando e ao sentir ela se aninhar em seu colo ele volta a acalentar a criança fazendo um carinho no cabelinho espeço dela. Um fio de lágrima escorreu pela sua face, fechou os olhos por um breve segundo e um sorriso que há dias não vinha a sua mente se fez presente.

“ – Ela me faz ser mais humano, Clarie. Agora eu tenho outro propósito.” – sua mente tentava justificar o carinho que aquele bebê despertava.

A porta se abre e a agente do FBI entra no quarto, ela o olha e não ousa quebrar o silêncio, Mac lhe sorrir timidamente.

Jô – Quase não te reconheci. – falando baixinho.

Mac – Eu vou ficar aqui essa noite, você pode ir.

Jô – Nem pensar.

Mais um barulho vindo da porta e Stella adentra o quarto na cadeira de rodas junto com uma enfermeira.

Stella – Mac! – surpresa ao vê-lo. Sophie se remexe no colo dele mas não acordou. Logo a enfermeira a ajuda passar pra cama, era nítido em seu rosto as dores que estava sentindo. – Obrigada. – agradecendo a enfermeira que deixa o quarto.

Mac – Como está? – se aproximando da cama.

Jô – Eu vou está lá fora. Qualquer coisa me liga, não vou arredar desse hospital. – Stella sorrir embora sem graça. Ela volta a olhar para Mac ainda percebendo o olhar de quem diz: “você não me engana.”

Stella – Ela estando bem eu fico bem.

Mac – Mas eu quero saber de você.

Stella – Eu não sei dizer, Mac. – seus olhos já ficam emocionados. Ele senta na beirinha da cama e lhe toma uma das mãos.

Mac – Eu sei que nada do que eu disser vai fazer diferença mas eu estou aqui. O que eu posso oferecer são meus ombros pra você chorar se quiser mas você não está mais sozinha. – ele limpa as lagrimas dela que escorreram.

Stella – Eu estou com medo. – finalmente ela fala aquilo que está preso na sua garganta. – Fica aqui comigo. Não que eu não goste da Jô ou da sua irmã que é maravilhosa...

Mac – Não tenho planos de ir a lugar algum. – Mac a interrompe já percebendo o nervosismo na voz dela ao tentar se explicar. Stella apenas sorri em agradecimento. Ele levanta-se apaga algumas luzes deixando o quarto na penumbra e volta pra cama, Stella da um espaço para que ele deite-se junto com ela. Mac acomoda Sophie no seu peito e então Stella também se aconchega no colo dele, ele lhe beija o topo da cabeça.

Stella – Obrigada. – falando baixinho.

Mac – Eu sempre vou está aqui Stella.

Stella – Por favor não fala isso. – ela erguia a cabeça para olhá-lo. – Dá ultima vez que ouvi isso eu perdi logo as duas pessoas que mais amei.

Mac – Ninguém no mundo vai tirar vocês duas de mim. – mais uma vez ele lhe beija a testa e a aperta contra ele.

Stella – Ai. – um leve gemido de dor foi inevitável. – Desculpa, não estou tomando nada para dor.

Mac – Sou eu que te devo desculpas.

Stella – Eu já estou acostumada com a dor. – fazendo um carinho na bochecha de Sophie. Mac sabia que ela não estava se referindo a dor física. – Ela está tão cansada que acho que vai dormir a noite toda. Chorou tanto.

Mac – Que as nossas dores se curem. – afagando o cabelo dela.

Stella respira fundo e apesar das dores seus olhos já estão pesando e um suspiro denuncia que o sono está chegando. Mac também relaxava um pouco e a pessoa que dificilmente dormia estava pegando no sono até ouvir uma palavra sendo sussurrada.

“ – Propósitos.”

Ele abre os olhos, aquele pequeno peso no seu peito agarrou sua orelha o fez sorrir e o roçar dos cabelos da mulher no seu rosto o fez recostar ainda mais nela e aquele pequeno mundo acarinhou seu coração novamente depois de anos. E um sentimento conhecido se apresentou depois de achar que nunca mais o sentiria de novo.