Questão de Tempo
17 Capítulo 17
Notas iniciais
Cap 17
Mac estava parado na frente da casa de Stella, seus olhos percorriam aquela entrada já conhecida por ele até se ater a garagem; lembrou-se do beijo na chuva, fechou os olhos rememorando os lábios dela nos seus até ouvir passos atrás de si e deduziu corretamente que eram seus companheiros do laboratório.
Mac – Que bom que chegaram. – nem precisou olhar para trás para saber que aquele leve pigarro era de Danny.
Danny – E como elas estão? – Lindsay e Sheldon se mantiveram mais atrás, não ousaram falar nada.
Mac – Sophi ainda está bem assustada mas conseguiu dormir um pouco durante a noite e Stella está tentando ficar bem por ela. – ele ainda mantém os olhos na casa por mais uns breves segundos e finalmente lança um olhar a Danny e aos outros que estavam um pouco mais distante, em seguida veste a máscara de chefe para o trabalho de perícia abrindo seu kit e colocando as luvas de látex.
Mac – Vamos entrar. – eles apanham os kit no chão e caminham para a entrada da casa.
Ao passar pela porta a primeira coisa que Mac avista são os óculos de Stella no chão, ele se agacha e pega-os, encara as lentes quebradas.
Mac – Como vocês sabem eu frequento essa casa, inclusive estive aqui na manhã do crime, terão digitais e DNA meu por toda a casa. – ele guarda os óculos no bolso interno do paletó depois de fotografá-lo.
Danny – Isso inclui o quarto, chefe? – uma piadinha para deixar o clima mais ameno. Sheldon esconde o risinho baixando a cabeça, enquanto Lindsay dá uma cotovelada no marido forte o bastante para ele se contorcer.
Mac – Sim Danny. Lá também é o quarto da Sophie. – o olhando como se quisesse voar no pescoço dele.
Lindsay – Um celular. – ela aproxima-se colocando seu kit no chão e já abrindo. Lindsay tem o cuidado de sinalizar e depois fotografar.
Mac – É da Stella. Na hora do ataque eu falava com ela no telefone.
Lindsay – Você ouviu o ataque? – o encarando ainda agachada surpresa com o que ele dissera. Ele faz um sinal com a cabeça confirmando. – Ainda funciona. Se os bombeiros não tiverem movido indica que Stella caiu mesmo da escada.
Mac – O fogo se concentrou no andar de cima então aqui ainda está bem preservado apesar dos bombeiros.
Lindsay – É sabemos da bagunça que eles fazem ao fazer o rescaldo.
Danny – Eu vou subir pra ver o quarto.
Sheldon – Eu vou verificar os fundos, Don correu atrás dos bandidos pela cozinha pode ser que tenham pegadas.
Mac continuava observando a casa, sua mente sempre era invadida de lembranças com aquela mulher que desde que conheceu o fez sentir coisas que há tanto tempo estavam adormecidas.
Lindsay – Mac elas vão ficar bem. – vendo como Mac olhava a casa.
Mac – Eu vou fazer de tudo para isso Lindsay.
Lindsay – Nós também faremos.
Mac – Obrigado. Você assume aqui eu preciso investigar outra pista.
Lindsay – Tudo bem.
Mac – Nos vemos no laboratório. – ele retira as luvas e sai da casa carregando seu kit.
***
Era hora do almoço e Drew Badford estava de pé diante da mesa de George Kolovos, um importante membro da embaixada grega com quem tinha negócios, ele pigarreia pra se fazer ser notado apesar de saber que Kolovos sabia que ele estava ali. Ele via seu chefe da mais uma garfada sem olhá-lo, até a moça loira sentada a mesa que o acompanhava já estava constrangida com a cena. Os olhos de Badford acompanhavam mais uma garfada, vagarosamente pegava o guardanapo limpar o canto da boca mesmo sem olhá-lo de pé próximo a mesa e então com um simples gesto com a cabeça Kolovos manda a mulher deixar a mesa.
Kolovos – O que você tem de importante para atrapalhar meu almoço que não pode esperar eu voltar para a embaixada? – ele toma um gole de vinho ainda sem encarar o homem de pé.
Drew – Más notícias. – era nítido o nervosismo. Finalmente Kolovos o olha e Drew desvia do olhar dele.
Kolovos – Eu imaginei. Senta. – ele o faz já chamando um garçom.
Drew – Uma dose dupla do seu melhor wisky.
Kolovos – É muito sério então. – ele abandona o prato. – Pra mim também.
Quando a mesa é servida pelo pedido das bebidas, Drew da um gole grande o que desce como se rasgasse sua garganta, o que o fez tossir algumas vezes para se recompor e continuar com o assunto que o levara até ali.
Drew – Não conseguimos recuperar a criança.
Kolovos – Por quê? Ela morreu? Espero que essa seja a resposta. – o desprezo na voz dele se fez ser sentida pela sua frieza.
Drew – Pior. – Drew busca dentro do bolso interno do blazer o celular e mostra uma reportagem numa página policial na internet falando sobre o ataque a casa da Stella.
Kolovos coloca o celular em cima da mesa depois de ler a reportagem, da um gole na sua bebida silenciosamente.
Kolovos – Você sabe o que você desencadeou com isso? Porque você não matou essa vadia? – seu semblante era tenso mas mantia a calma ao falar. – Eu sabia que você colocaria tudo a perder com esse seu encantamento por essa mulher. Como sempre! É melhor você ir até o hospital e da um jeito nisso.
Drew – Com certeza é o pior lugar. Eu conheço Mac Taylor e com certeza ele encheu aquele lugar de policiais.
Kolovos – Acho melhor você dá um jeito dele parar de investigar. Deveria se livrar das duas, ou melhor, isso deveria ter sido feito há muito tempo. Já conseguimos uma substituta para essa criança que já está a caminho da Rússia.
***
Mac passava entre os corredores do laboratório quando ouve um latido e umas risadas vindo da sala de descanso, ele não se contém e vai até lá encontrando Adam e Sam conversando descontraidamente.
Mac – Sam o que ainda faz aqui? Está tudo bem com Cassius?
Sam – Está sim. Graças ao seu perito bonitão aqui ele teve um tratamento maravilhoso. – ele apenas olha para Adam que estava sem graça, ele não era acostumado com o jeito de Sam de ser.
Adam – Eu disse tratamento vip. – olhando o chefe. – Não foi nada, eu liguei para um amigo veterinário e pedi que ele fizesses um check up foi só um corte superficial. Ele está bem.
Sam – Por isso para agradecer vou fazer um jantar e quero convidá-lo.
Adam – Não...não... precisa. – a gagueira denunciou o quanto ficou nervoso com o convite na frente de Mac.
Sam – Precisa sim. Você não vai ser o prato principal então merece um outro tipo de agrado. – Mac a olha arcando a sobrancelhas tentando esconder o riso. Adam não sabia onde enfiar a cara de tão sem graça.
Adam – Chefe...eu...não fui eu. – ele respira fundo umas duas vezes até conseguir formular uma frase. – Como você consegue?
Sam – Ele não consegue, fica vermelho também.
Mac – Sam vamos até minha sala preciso de uma ajuda sua antes que você deixe o Adam mais nervoso e ele não consiga mais trabalhar.
Sam – Eu não tenho culpa se seu perito é tímido. – Mac dá o braço a senhora e eles saem da sala.
Mac – Você viu ele gaguejando? Isso rende cenas impagáveis.
***
Flack olhava aquela cena do lado de fora da sala com um certo ar brincalhão, Mac sentado à sua mesa conversando com uma senhora e um cachorro guardando os dois, atento ao movimento de fora. Mac acena e ele entra na sala. Flack senta na poltrona ao lado de Sam mas tem sua atenção em Cassius, ele afagava o cachorro.
Sam – Ei espera. – encarando Don. – Eu conheço você. – é então que Don a encara de volta e a reconhece.
Don – Você não tinha um cabelo rosa? – franzindo o cenho ainda tentando reconhecê-la.
Sam – Foi uma época rebelde. – Mac apenas os olhava esperando uma resposta.
Mac – Vocês vão contar?
Sam – Lembra quando falei que um dia fui presa? Então...esse foi o policial que me prendeu. – ela volta a encarar Don com os olhos semicerrados.
Don – Você contou a história toda? Que você me desacatou?
Sam – Culpa sua. – ele ri sem querer contrariar a senhora.
Don – Eu sou policial e eu sou o culpado por você me desacatar? – Sam apenas o olha pois pensou bem e achou que ali não era o lugar de responde-lo.
Don – Tenho novidades. – encarando Mac, seu tom de voz mudou, Sam sentiu a tensão na voz dele.
Sam – Essa é minha deixa pra ir para casa.
Mac – Don eu já volto. – ele sai detrás da sua mesa e se aproxima de Sam. – Eu vou pedir que um policial a acompanhe. – dando mais uma vez o braço para ela e saindo da sala.
Sam – Não precisa Mac. Eu vou agora mesmo fazer o que me pediu.
Mac – Mas esse policial vai com você. – já chegando próximo aos elevadores e fazendo um sinal para um policial se aproximar. – Ele vai ser sua sombra hoje e considere passar uns dias na casa das suas netas.
Sam – Eu vou falar com a Jô. – ele o olha interrogativo. – Ela é a mãe da mãe das minhas netas.
Mac – Sempre uma surpresa vindo de você.
Sam – Ah não contei porque não achei pertinente. Nem sabia que você conhecia a Jô.
Mac – Então você sabe que se não falar com ela eu vou fazer isso por você.
Sam – Tá bom, tá bom. Eu vou indo agora. Você tem cada espécie de policial no seu laboratório, Mac. Vou vir te visitar mais vezes. – agarrando o braço do policial. Mac apenas ri e volta para a sala onde Flack o aguardava.
Mac – O que você descobriu?
Don – Você tinha razão. Nikolo tem mais três empreendimentos no seu nome, nada compatível com o que ganhava na embaixada. – ele tira da parte interna do paletó um documento. – Um fica no bairro da Stella, eu fui até la está abandonado mas tem uma faixada antiga do que parecia um escritório de paisagismo mas também vendia plantas, outro fica localizado no centro exatamente o endereço que Sheldon pediu pra investigar onde ficava a agência de modelos e outras salas comerciais. E você não vai gostar do terceiro. – finalmente entregando o documento para ele.
Mac não gosta daquele suspense e abre aquele papel.
Mac – Isso não é coincidência Flack.
Don – Por isso eu não quis falar por telefone. Finalmente você pode obter mais informações sobre aquele atentado que você sofreu há anos. Aquele tiro quase o levou a morte.
Mac – Não consideramos investigar esse endereço porque foi considerado um lugar de encontro aleatório, pelo menos foi isso que deduzimos. E a investigação acabou sendo arquivada.
Don – E você com uma cicatriz no peito.
Mac o encara com um olhar apreensivo.
Don – Sobre o que você investigava naquela época?
Mac – O sumiço de uma mulher, só encontramos resquício de sangue.
Don – E o que você foi fazer naquela farmácia àquela hora?
Mac – Recebi uma ligação de uma fonte dizendo que tinha informações. Mas me deparei com um assalto em andamento.
Don – E a sua fonte?
Mac – Foi preso e morreu na prisão numa briga.
Don – Tudo muito conveniente não acha?
Mac – Já achava e agora mais ainda. Isso está tomando grandes proporções, preciso estudar esse caso, confesso que não quis saber muito sobre ele, deixei tudo a cargo da equipe. Lindsay investigou e sei que ela esgotou todas as possibilidades mas ainda assim ficou num beco sem saída, acabou arquivado.
Don – Se essa mulher tiver sido na verdade a vítima 1? Significa que tem uma quadrilha agindo a mais de cinco anos em Nova York.
Mac – É melhor eu falar com o Sinclair antes de encontrar algo que ligue ao meu caso. E ele me tirar desses casos.
Don – Ele está te pressionando?
Mac – Mais do que nunca com a possibilidade de ter um incidente internacional. – eles dão um leve risinho.
Don – Você conseguiu falar com a Sarah Taylor?
Mac – Não ela não mora mais naquele endereço, foi despejada.
Don – Quer que eu investigue pra você?
Mac – Não, eu já consegui. Ela está numa casa de repouso. Mas se você quiser me acompanhar, falei com o pessoal do centro e esse seria um bom horário de pegá-la bem disposta. – olhando o relógio de pulso.
***
Jess – Olha quem chegou, olha quem chegou. – fazendo voz de criança com Soso no colo, ela finalmente aceitava Jessica. Sophie ria e balançava os bracinhos freneticamente para Mac que acabara de entrar no quarto de hospital junto com Flack. Ele sorrir e pega a menina no colo.
— Pa pa pa!!! – todos na sala se emocionam com Sophie balbuciando de novo aquelas sílabas tão significativa. Ele olhava emocionado a criança em seu colo e logo procura os olhos de Stella que também estavam emocionados. Um sorriso sincero se desprendeu naqueles rostos.
Mac – Como você está? Não deveria está de pé. – a preocupação com ela se fez presente.
Stella – Estou de alta, Mac. – ela vestia um moletom e as bolsas estavam em cima da cama.
Mac – Mais bolsas?
Stella – Lisa esteve aqui mais cedo. – ela tentou alcançar uma brinquedo que estava no sofá, mas por mais que não tenha falado nada Mac percebeu a expressão do rosto dela a vendo levar uma das mãos nas costelas.
Mac – Senta Stella. – tocando no braço dela. Ela o olha sabendo que ele havia descoberto suas dores, Stella senta na beira da cama.
Don – Ah Mac deixa ver se ela vem pro tiozão dela. Você sabe que eu sou seu tio lindão, neném?! – automaticamente uma voz engraçada saiu dele ao falar com Sophie. Don estende as mãos e a menina apenas as olhava e depois o encara.
Don – Não seja ranzinza como seu pai. Como ela com meses já herdou esse seu olhar, Mac? – todos riem. – Vem neném. – ele passa as mãos envolta do corpinho dela e tira do colo de Mac, Sophie apenas continuava encarando Flack.
Jessica – Stella vai ser difícil pra você lidar com esses dois com esse mesmo olhar. – Stella apenas ria um pouco sem graça, não sabia o que ela quis dizer com “vai ser difícil pra você lidar com esses dois.”.
Jessica – Foi difícil pra mim enquanto irmã lidar com um deles, imagina com dois. Mas pelo menos ela vai herdar a simpatia da tia aqui.
Don – Você simpática?
Mac e Stella trocavam olhares que passava despercebido pelos outros na sala. Mac no fundo gostou da observação de Jessica sobre Stella ter que lidar com ele e Sophie juntos e de como as duas reagiam bem com isso. Mais uma vez ela ficou um pouco sem graça diante do silêncio entre eles e o olhar que Mac tinha sobre ela.
Stella – Jô falou com você? Ela disse que voltaria e não apareceu. – procurando qualquer assunto para quebrar aquele silêncio.
Mac – Sim, está tudo bem ela foi verificar algumas informações. – Stella já o olhava apreensiva. – Não é nada de quem está pensando. Trouxe algo pra você.
Stella – Pra mim? – mais uma vez um sorriso veio repousar nos lábios dela. O que Mac apreciou um pouco antes de retirar do bolso interno do blazer um case de óculos. – Não acredito meus óculos! Obrigada já estava com dor de cabeça sentindo a falta deles. Agora sou eu mesma. – colocando o acessório no rosto. – Obrigada mais uma vez. – ela não resistiu e o abraçou mas logo soltou um leve gemido de dor o que fez Mac arrepiar.
Mac – Já está pronta para irmos? – ela respira fundo tentando controlar a dor. Ele continuava com a mão repousada na cintura dela.
Stella – Pronta eu estou só não sei pra onde.
Mac – Pra minha casa.
Jessica – Sua o quê?
Don – Eu ouvi bem? Você disse sua casa?
Mac – Sim eu disse. – olhando os amigos que resolveram se meter logo agora na conversa.
Jessica – Mac você está bem? Seu apartamento é minúsculo. Olha é melhor elas ficarem no meu apartamento e eu fico com o Don.
Don – Concordo. Você está bem? – olhando para Jessica com um ponto de interrogação na testa. Ela apenas o olha como se mandasse ele calar a boca. – Esse olhar é de família.
Mac – Se você quer finalmente assumir seu caso com o Don podem fazer sem essa desculpa mas elas irão ficar comigo.
Stella – Vocês querem parar! – sua voz saiu um pouco mais exaltada. – Vocês estão me jogando de um lado pra outro como se eu não estivesse aqui.
Mac – Você vai ficar no meu apartamento e não tem escolha, a Jessica está preocupada a toa. Vem. – fazendo um pouco de pressão nas costas de Stella pra que ela saísse do lugar. Stella apenas respira fundo não tinha o que fazer, sua casa tinha pegado fogo sabia que pra lá não poderia voltar.
Stella – Não é melhor eu ficar na Sam? – ela vira-se para Mac fazendo-o parar.
Mac – Não, a Sam está um pouquinho ocupada. – seu tom de voz saiu baixo e sem querer não resistiu olhar a boca de Stella mas logo procurou desviar a sua atenção para os outros no quarto. – O que vocês estão olhando? Não vão ajudar? – ele faz um gesto com a cabeça mostrando as bolsas.
Stella – Tá tudo bem?
Mac – Claro. Quer que eu pegue a cadeira de rodas?
Stella – Não, não estou invalida. – ela bufa em desagrado.
Jessica – Eu levo minha bonequinha e você leva as bolsas Flack.
Eles finalmente deixam o quarto em direção aos elevadores, não demora muito e já estão caminhando em direção a Avalanche de Mac na rua próximo ao hospital, ele destrava o carro. Flack põe as bolsas no porta-malas e fecha com cuidado para não assustar Sophi que estava brincando no colo de Jessica. Mac ajuda Stella a entrar no carro do lado do passageiro, coloca o cinto e por alguns segundos sentiu a respiração quente dela em seu rosto, ele a olhou brevemente e a expressão de dor estava lá.
Mac – Está tudo bem?
Stella – Me da só uns segundos. – respirando fundo e recostando no apoio de cabeça do banco. Ele fecha a porta do lado dela devagar.
Mac – Agora é sua vez princesa. – Sophi abre um sorriso banguela para ele. Mac pega a criança e a coloca na cadeirinha no banco detrás que já estava instalada no carro.
Jessica – Você já tem uma cadeirinha para ela?
Mac – Já faz dias. Obrigado aos dois.
Jessica – Obrigado nada nós vamos com vocês até o seu apartamento.
Don – Vamos? – ela o olha mais uma vez do jeito que só um Taylor olhava. – Vamos.
Mac fecha a porta do carro olhando para a porta do passageiro para saber se Stella estava ouvindo.
Mac – Jessica está tudo bem. Não precisa se preocupar, tem lugar para elas.
Jessica – Vamos só ajudar e depois vamos embora, tá bom?! Vem Flack. – saindo com ele. Mac apenas a olha se afastar com Don sabendo que nada a persuadiria desistir da ideia, ele da à volta no carro e entra do lado do motorista.
No carro Stella tentava disfarçar um pouco a dor que sentia e Mac percebia, ele queria poder fazer mais por ela, porém como Stella não estava tomando remédios para dor era quase impossível. Ele apenas segurou a mão dela que repousava na perna.
Mac – Já estamos chegando. – um leve sorriso se esticou em seus lábios em agradecimento para ele.
Jessica – Por que você está tocando a campainha do seu apartamento Mac?
Mac – Você hoje está reparando de mais Jess. – um latido é ouvido por eles.
Stella – E aposto que você não tem cachorro. – um meio sorriso se alargou no rosto dela.
Mac – Não.
A porta é aberta pela Sam que estava com um sorriso recebendo todos.
Sam – Stella minha querida como está? – já estendo as mãos para ela.
Stella – Sam que bom te ver. – elas se abraçam. – Não me aperta pelo amor de Deus. – elas riem.
Mac – Vamos sentar. – a levando para o sofá.
Sam – Minha menina que saudade. – já roubando Soso dos braços da Jessica. – E você como está? Obrigada por ficar com elas no hospital.
Jessica – Não tem que agradecer.
Flack – E ninguém fala comigo? Eu trouxe as bolsas. – Cassius da um latido para ele. – Obrigado, você foi o único educado.
Sam – Agora coloque as bolsas no quarto, aí não é lugar. – ele ergue um das sobrancelhas. – Tá esperando o que? – ele bufa mas pega as bolsas e vai até o quarto.
Stella – O que aconteceu com você? Desde quando você age assim?
Sam – Você lembra do policial que me prendeu? Pois é ... é ele.
Stella – Você costumava da detalhes sobre o policial que te prendeu. – Sam apenas revira os olhos.
Don – Até parece que eu prendi uma senhorinha que atravessava a rua. Você não conta tudo.
Jessica – Tem mais?
Don – Ela me desacatou.
Sam – Vocês não acreditam que eu fiz isso né?! – olhando para os outros na sala. Don apenas ergue uma das sobrancelhas olhando os amigos.
Don – Ei eu tô sentindo cheiro de comida nessa casa, isso sim é um milagre.
Sam – Eu fiz um jantar, vamos comer. – Jessica olha surpresa para o irmão mas nada fala. – Vamos todos comer, venham. – Mac mais uma vez ajuda Stella a levantar e vão sentar-se a mesa, a cozinha era um ambiente integrado com a sala. Sam coloca Sophie na cadeirinha de alimentação que da gritinhos.
Jessica – É bom ver essa nova decoração na sua casa Mac, cadeirinha de alimentação e comida são novidades.
Mac – Você nem viu tudo, aliás nem eu vi tudo, deixei tudo nas mãos da Sam.
Don – E o que tem mais?
Sam – Banheirinha, bercinho e outros detalhes. Agora sentem, vamos. – Jessica olhava orgulhosa de Mac. Eles logo se servem.
Don – Nossa isso tá uma delicia.
Jessica – Sempre que fizer o jantar por aqui me chama tá?!
Sam – Ah eu vou ter o prazer de chamar mesmo.
Don – Olha você não gosta muito de mim mas eu sou bem-vindo aqui, tá?
Stella – Sam obrigada. – dando um beijo no rosto da senhora.
Sam – Não precisa agradecer minha querida, quero ver você bem.
Mac – Olha quem se lambuzou toda com essa comida. – Sophie estava na cadeirinha ao lado dele que a ajudava a comer junto com Jessica. Mesmo naquela situação Stella sentia-se numa família e isso a deixou emocionada.
Mac – Você está bem? – percebendo os olhos dela marejados.
Stella – Só estou feliz que ela está bem. – preferiu não falar sobre o sentimento de família.
Don – Olha quem ver essa mesa vai dizer que aqui é uma família. – Don acabou verbalizando o pensamento de Stella.
Jessica – E não está errado.
Sam – Por isso você vai lavar a louça.
Don – Eu?
Sam – É você, eu fiz o jantar. Jessica e eu vamos da o banho de Soso pra dormir e Mac vai ajudar Stella. Então sim você irá lavar a louça, anda.
Stella – Eu ajudaria se pudesse.
Don – O dono da casa que deveria propor ajuda. – retirando os pratos da mesa.
Stella – Vai ajudá-lo antes que ele chore, eu vou sentar no sofá. – ela se apoia um pouco na mesa.
Don – Engraçadinha.
Stella – Desculpe. – saindo da cozinha.
Sam e Jessica vão para o quarto com Soso. Stella se recosta no sofá. Alguns minutos depois todos estão de volta à sala.
Jessica – Pronto, a bonequinha esta dormindo no seu bercinho. Tão fofinha. – se derretendo pela sobrinha. Ela senta do lado de Flack já passando os braços pelo pescoço dele.
Stella – Obrigada.
Sam – Você precisa descansar Stella. E você também Mac, tá com umas olheiras.
Stella – Ah isso ele sempre tem.
Jessica – O dia que ele não tiver essas duas bolsas embaixo dos olhos eu vou achar estranho. – Mac ri um pouco sem graça mas não fala nada, dá apenas um gole na sua cerveja.
Sam – Cassius vamos embora meu lindão e deixa-los descansar.
Don – Eu posso só terminar minha cerveja e vou deixar você em casa. E eu só vou por causa de você Cassius. – fazendo um carinho no cão que passeava entre eles.
Sam – Engraçado comida não tinha nessa casa mas cerveja. – eles riem.
Jessica – Vamos nessa Don. – arrastando o quase namorado. – Tchau meu irmão, vê se dorme. Tchau Stella, se cuida.
Sam – Tchau querida, fica bem. – dando um beijo em Stella. – Mac cuida dela, tá? E qualquer coisa me liga.
Mac – Tá bom. – Mac acompanhava todos até a porta e depois volta a sentar-se ao lado de Stella.
Stella – Por alguns minutos eu senti que estava mesmo numa família.
Mac – Jessica está certa, nós somos uma família e você e Soso agora fazem parte dessa família.
Stella – Eu agradeço bastante, queria que fosse em outro momento, outra situação mas pelo menos me deu um pequeno alivio de tudo. – ele toca mais uma vez na mão dela. – Obrigada. – deitando a cabeça no ombro dele. – Mas agora eu preciso tomar um banho e tirar esse cheiro de hospital.
Mac – Eu te levo até o quarto. – na verdade sua mente trabalhou em outra resposta mas resolveu rapidamente não cair na cilada dos seus pensamentos. Ele a ajuda levantar-se e eles caminham para o quarto.
Mac – Prontinho. – falando baixinho ao abrir a porta.
Stella – Você vai dormir onde? Tem outro quarto?
Mac – Não, não tem. Eu montei um escritório. Mas não se preocupe eu durmo no sofá, ele é confortável. – ele vai até o closet, tira um travesseiro e lençóis e volta para onde ela estava. – Vá tomar seu banho e descansar, Sam fez questão de trazer tudo o que você gosta. Qualquer coisa me chame. – ele entrega um radinho da babá eletrônica. Por favor não hesite em me chamar se precisar. – Mac da um beijo demorado na testa dele e sai do quarto.
***
Stella tentava dormir mas era difícil, rolava na cama de um lado pra outro como podia, as dores por todo seu corpo também a impedia de se remexer tanto. Ela estava ali deitada passando a mão no travesseiro vizinho como se assim pudesse sentir Mac, o cheiro dele estava na cama, talvez fosse isso que a impedia tanto de dormir, ela respira fundo afastando esses pensamentos quando Sophie começa a chorar no bercinho, ela acende a luz de cabeceira e devagar levanta mas antes mesmo que pudesse pegar a menina Mac já estava na porta do quarto.
Mac – O que aconteceu?
Stella – Ela deve ter acordado assustada.
Mac – Deixa que eu pego ela. – vendo as expressões de dores no rosto de Stella quando ela tentava pegar a criança.
Stella – Obrigada. – levando a mão nas suas costelas. A menina diminui o choro quando passa para os braços dele.
Stella – Eu vou fazer um leite morno pra ela, isso vai ajuda-la a dormir. – ela falava com Mac, mas não tinha respostas apenas o olhar dele em sua direção.
Stella – Mac? – ela o chama, é então que Stella se olha se dando conta que usava apenas uma camisola branca e o tecido fino marcava todo seu corpo, ela condenou tanto Lisa por ter levado essa camisola e não um blusão qualquer.
Mac – Ok. – ele logo sai do quarto, de repente seu corpo reagiu, não era só a camisola que ela estava vestida mas toda a composição, os cabelos soltos, descalças, sem óculos a voz baixa tudo isso o hipnotizou.
Stella ficou por alguns breves momentos pensando se ria ou se ficava brava, ou estava delirando e imaginado algo. Mac realmente pareceu nervoso ou não? Só foi educado em deixa-la no quarto? Ela se olhou no espelho, estava com um curativo na têmpora e ao redor arroxiado, seus braços estavam com marcas da queda.
“ – Não, Mac não se atrairia por uma mulher desse jeito.” – sua mente gritou para acordar do delírio que se imaginou.
Stella lembrou-se do dia que o conheceu no bar, da mulher que foi buscá-lo aquela noite, do quanto ela era bonita, do quanto estava bem vestida e parecia desfilar em cima daqueles saltos.
“ – Não, ele não se interessaria por mim. Não desse jeito.” – ela dá um suspiro frustrado enquanto vestia o robe. “ – Então porque me beijou tantas vezes?” – novamente sua mente trabalhava.
Stella – Para de pensar besteira. – passando pela sala.
Mac – Disse alguma coisa?
Stella – Ai que susto Mac.
Ele estava sentado na penumbra. A imagem dela com o cabelo desgrenhado, de camisola e descalça era como se sempre estivera alí, como se pertencesse aquele lugar. Uma mulher de verdade, simples, sem papel a cumprir. Ele foi completamente dominado pela aquela beleza e como custou ter que sair dali e não abraça-la e não puxá-la pra junto dele.
Mac – Desculpa, não foi minha intenção.
Stella – Nunca é. – ela resmunga baixinho.
Mac – Falou alguma coisa?
Stella – Nada, nada. Aí desculpa eu que ... é só uma noite difícil. – ela vai até a cozinha mas para ao entrar, ela se da conta que não sabe onde fica nada, aquela não era sua casa. – Mac pode vir aqui por favor.
Mac – Estou aqui. – aquela voz grave atrás de si a fez se arrepiar. Ela passou as mãos pelos braços e virou-se para ele.
Stella – Eu não estou na minha casa, não sei onde ficam as coisas.
Mac – Nem eu. – ele ri. – Geralmente eu só venho para casa para dormir então... – ele da de ombros. – Pedi que Sam abastecesse tudo. – Stella o olha encantada pela preocupação que ele teve com elas.
Os dois descobriam o que tinha na cozinha, ela amorna o leite, coloca na mamadeira e passa para Mac quando percebeu seus jarros de plantas que Sam levou.
Stella – Até minhas plantas Sam trouxe? Ela acha que vou ficar quanto tempo aqui?
“ – Uma vida inteira.” – os pensamento de Mac imediatamente reagiram. Ele apenas sorriu gostando do pensamento.
Stella – Do que você está rindo?
Mac – Que Sam é precavida.
Stella – Você se importa se eu fizer um chá? Eu estou precisando.
Mac – Se eu ganhar uma xícara também. – ela sorrir.
Stella – Eu levo pra você.
Ele volta para a sala, senta no sofá, Sophie tomava seu leite agora mais calma. Mac estava gostando daquela sensação de família. Poucos minutos e Stella senta-se ao seu lado com duas xícaras nas mãos. O cheiro da bebida fazia Mac se transportar para outro tempo, o cheiro das ervas estava nela e ele podia sentir. Um gole do chá e seu coração dá pulos como se revivesse outros momentos. Stella estava silenciosa.
Mac – Prometo que não vou mais perguntar se está bem. Eu sei que não está. Não é fácil isso que está passando.
Stella – Parece que estou revivendo dores do passando. – passando uma das mãos pelo pescoço. – Mas pelo menos agora não estou sozinha. – olhando Mac e depois Sophie que sorria, ela brincava com a mamadeira.
Stella – Acho que ela não vai dormir tão cedo. Posso fazer um truque que fazia com ela?
Mac – Por favor e não me pergunte se pode fazer nada, tá bom?! – ela o olha sem graça.
Stella – Você é músico, deve ter um som.
Mac – Ali. – apontando para o outro lado da sala. – Mas nada muito moderno. – Stella levanta e passa por ele, por alguns segundos Mac sentiu o cheiro das plantas nela, ele guardou mais essa memória.
Stella – LP você gosta de LP?
Mac – Gosto. Gosto do barulho da agulha tocando no disco, o barulho desse chiado. – ela olha ao lado e percebe a coleção de vinil na estante. Stella se encantou, nunca ouvira ninguém falar assim.
Mac – Mas dá pra conectar o celular também nesse aparelho, não quis também ficar tão por fora da modernidade. – ela o olha sorrindo.
Stella – Estou sem celular. – Mac pega o seu que estava na mesinha do lado do sofá, destrava e a entrega, ela faz uma busca na música que queria. – Vem. – estendendo a mão para ele.
Mac – O que você vai fazer? – ficando de pé.
Stella – Você está sendo meus braços já que não posso pegar Sophie e agora será os meus pés. – ele a encara sem entender. – Vamos dançar.
Mac – O que? – isso o apavorou. – É melhor não...eu não sei ....
Stella – Calma Mac, não precisa ficar nervoso. – ela ria.
Mac – Estou vendo você se divertir com isso. – Sophie gargalha. – E você também.
Stella – Numa época feliz da minha vida eu imaginei que pudesse conhecer o mundo dançando. E nessa hora de colocá-la pra dormir eu revivo essa felicidade, você vai revivê-la comigo. Apenas deixe que eu te guie. – enlaçando o corpo de Mac com os braços. O que fez o coração dele acelerar um pouco. Ele agradeceu por Sophi está entre eles ou Stella poderia ouvir o coração dele batendo mais acelerado. – Você só vai arrastar o pé no chão para se movimentar ao som dá musica, ta bom?!
Ela aperta o play no celular e a música começa a tocar suavemente. Stella puxa a mantinha que Soso segurava e coloca em baixo do rosto dela pra que ela deite a cabeça no ombro de Mac, e assim ela faz. A criança respirava fundo relaxando, os olhos de Mac estavam presos em Stella, ela sorria sinceramente para Soso. Os acordes calmo da música pareciam fazê-los flutuar, Mac só tinha atenção em Stella que nem percebeu os corpos de moverem no ritmo da música. Com uma das mãos que estavam envolta de Sophi, Mac acaricia o rosto de Stella, ela o olha ainda sorrindo, cantarolando a letra da canção, ele sentia que aquela letra de música era a declaração daquela mulher para aquela criança. Stella deita a cabeça nas costas de Sophi, ele continua com o carinho, passa as mãos pelos cabelos dela e repousa suavemente no alto das costas de Stella, ela o olha mais uma vez nos olhos. A voz marcante de Adele embalava a cena daquela família se reconstruindo onde cada personagem apareceu na vida um do outro como se fossem destinados a se encontrarem. Era um renascimento onde suas dores os levavam direto um para o outro, era o acolhimento de dois corações machucados que se entregavam e acolhiam um outro coraçãozinho ao som de Remedy.
Fale com o autor