Questão de Tempo

15 Capítulo 15


Cap 15

Mac encontrava o amigo no endereço que indicara, Don olhava a faixada do prédio como se olhasse um lugar insalubre.

Don – Que espécie de lugar é esse?

Mac – O endereço que estava escrito na carta que Stella recebeu junto com Soso.

Don – Aqui?? – franzindo a testa. Ele olha mais uma vez o prédio e ao voltar os olhos para Mac ele já caminhava para entrar no lugar. – Espera, Mac. – tentando acompanhá-lo. – Soso? É assim que chama sua filha agora? – um tom brincalhão na voz de Flack fez Mac amenizar o semblante.

Os dois finalmente adentram o ambiente e agora Don se surpreende com o lugar.

Don – Preciso vir aqui. – percorrendo os olhos pelo local e agora já gostando do que via, bem diferente da faixada que precisava de uma boa reforma. – Por isso que dizem: quem vê cara, não vê coração!

– Oi Mac! Você aqui essa hora? – Don olhou para o homem que saía detrás do balcão do bar e para sua surpresa cumprimentava Mac de forma informal e bem descontraída.

Mac – Preciso trocar algumas palavras com você.

Don – Espera ... vocês se conhecem? – gesticulando para um e depois o outro, não havendo resposta apenas acompanha os homens que se aproximavam mais do bar. Mac senta na banqueta enquanto o outro volta para seu posto atrás do bar. – Já conhecia esse lugar? – se direcionando especificamente a Mac desta vez.

– Você tá brincando? – antes que Mac pudesse responder o outro já intervinha. – Você deveria o ver tocar.

Don – Quê??? Espera...- Flack olhava o rapaz do bar e depois Mac como se não conhecesse mais o homem com quem trabalhava há anos pois nunca ouvira falar que ele tocava algum instrumento.

Mac ri do jeito aturdido do amigo.

– Vai querer o de sempre? – oferecendo a Mac uma bebida.

Don – O de sempre? Você é o que? O rei desse lugar? — finalmente sentando na banqueta ao lado daquele que julgava conhecer.

Mac – Hoje não Gary, estou a trabalho. O outro trabalho. – mostrando o distintivo preso na sua cintura.

Gary – Não gosto desse trabalho, gosto do seu trabalho em cima do palco. – apontando para o pequeno palco perto. Mac olha para aquele lugar com um certo brilho no olhar. – Mas o que você queria falar comigo? Fala ai.

Mac – Alguém veio aqui me procurar? Fez perguntas sobre mim recentemente?

Gary – E tem como esquecer?! Vai dizer que não lembra da bonitona de óculos que fez aquele pequeno escândalo? – ele ri ao lembrar, Mac fica um pouco sem graça mas gosta daquela lembrança.

Don – Ele está falando da Stella? – curioso pra entender a situação.

Um olhar fuzilador se desprendeu dos olhos de Mac como se fossem duas facas a atingir Flack. Ele entendeu que deveria ficar quieto, mais uma palavra e o amigo sentado ao seu lado o faria engolir a própria arma só pra não gastar uma bala com ele e ter que sujar o local.

Mac – Não, ela não Gary. – voltando à atenção ao homem por detrás do balcão. – Outra pessoa.

Gary – Não, não lembro de ninguém. – ele para um pouco procurando na memória. – Ah espera... – ele sai passa pelo salão e vai até a saída.

Don – Então é aqui que se esconde todas as quartas a noite quando desliga o telefone? – Mac apenas assente com um maneio de cabeça. – Porque nunca nos contou? Afinal qual instrumento você toca?

Mac – Eu só queria ficar em paz, Flack. Não queria que ninguém me tirasse do palco num sobressalto. Ali ... – apontando mesmo sem olhar para o pequeno palco. — ... eu não era ninguém apenas um músico qualquer ... – agora seu olhar se desvia para onde apontava. — ... ali eu e o meu baixo somos dois desconhecidos. – ele volta a atenção para Flack ao seu lado.

Don – Mas foi por causa dali ... – apontando rapidamente também para o palco. — ... que estamos aqui hoje, talvez você e seu baixo não sejam assim tão desconhecidos. – a conversa é interrompida pelos passos de Gary acompanhado de um adolescente usando um gorro perceptivelmente velho.

Gary – Fala pra eles o que me falou.

O garoto tira o gorro e deixa sua cabeleira loira a mostra como se fosse um sinal de respeito.

– Eu estava fazendo um bico de limpeza num restaurante chique da quinta avenida quando uma moça me pediu pra localizar o senhor. Me deu até uma foto. – falando diretamente para Mac. Ele alcança em um dos seus bolsos da calça o celular, não demora muito e ele mostra a foto embora não muito nítida mas que dava para conhecer Mac perfeitamente.

Don – Como era essa moça? Consegue descrevê-la?

Mac – Espera. – agora é a vez de Mac Taylor resgatar seu celular no bolso fazer uma pesquisa rápida na internet e logo mostra uma foto para o rapaz.

> Isso foi ela mesma. Me deu 50 pratas. – Mac mostra a foto para Don.

Mac – Tudo bem obrigada.

Gary – Pode ir garoto. – eles esperam que o rapaz saia das vistas de todos para continuar com o assunto. – Isso ajudou?

Mac – Não, essa era a mulher que eu estava saindo. Realmente no mesmo dia que Stella apareceu aqui, Christine também apareceu para me buscar embora eu nunca tenha falado desse lugar, ela me conhece há bastante tempo e sabia que ainda possuo o hobby de tocar. E ela é um pouco insistente quando quer algo.

Don – Stella conheceu Christine? – ele questiona num tom brincalhão mas novamente o olhar de Mac o mandou calar a boca. Don não podia imaginar o que rolou quando Mac e Stella se conheceram e Mac não estava disposto a dividir isso com ninguém, tinha sido tão diferente queria deixar aquela sensação intacta.

Gary – Isso eu não sei dizer mas a de óculos saiu daqui bem chateada com o Mac. – ele falava com um ar brincalhão que lhe rendeu um olhar não muito amistoso.

Mac – Gary tem alguém que trabalha aqui que se chama Taylor? – ignorando o que ele acabara de falar, assim como ignorava o olhar de Flack que pairava sobre ele, sabendo que isso aguçou muito a sua curiosidade e que com certeza assim que tivesse a oportunidade iria puxar esse assunto.

Gary – Não que eu lembre, sei que é um nome bastante comum mas acho que não.

Don – Algum frequentador?

Gary – Nem todos se apresentam com seus nomes completos.

Mac – Preciso de uma lista de todos os funcionários e ex-funcionários.

Gary – Mac sempre ouvi nos filmes que precisam de um mandado pra isso. O que tá pegando, hein?

Mac – Você tem razão, mas estou pedindo um favor afinal você me deve alguns, não é?! Você sabe o tempo que frequento seu bar. – mais uma vez Don olha o amigo com a certeza que só conhece uma parte muito pequena daquele homem. Não fazia ideia do tempo que Mac frequentava aquele bar, nunca tinha ouvido falar daquele lugar antes.

Gary – Tudo bem me da um tempo, eu não garanto que tenho tudo organizado. – mais uma vez ele deixa os dois homens sentados. Mac volta sua atenção ao seu amigo ao seu lado e percebe seu olhar questionador.

Don – Você não vai dizer não é?

Mac – Em outro momento Flack, tem muita coisa acontecendo agora.

Don – Quem é você? – Mac sorri do jeito do amigo.

Mac – Sou o mesmo está bem. Apenas tenho outros hobbys.

Don – Você vai contar o que esta realmente acontecendo? Não é só esse caso de homicídios. Tem uma Embaixada grega, moedas gregas, funcionários da embaixada grega. E Stella e Soso.

Mac – Exatamente. E a minha maior preocupação no momento é garantir a segurança de Stella e Soso. Estou a par de informações sigilosas e quando puder dividir todos vão saber ok?

Don – E porque você procura algum Taylor que trabalha aqui?

Mac – Na carta o que dava pra ler dizia para procurar por Taylor, o restante estava molhado não dava para entender algum outro nome.

***

Sam – Olha só ele veio mesmo. – ela olhava para Bedford parado na porta com um pequeno buquê de flores. Ele sorrir galanteador para a senhora que abrira a porta.

Drew – Claro! Eu disse que viria, aqui estou eu. – numa tentativa de ganhar a confiança da mulher. – Stellinha está? – vendo que ela apenas o olhava e não o convidava a entrar.

Sam – Ah sim mas ela está descansando.

Stella – Sam quem é? – descendo as escadas com Sophie no colo.

Drew – Stellinhaa. – passando por Sam que estava na porta ao ouvir a voz de Stella. A senhora sempre divertida agora revirava os olhos em desacordo com atitude de Bedford.

Stella foi pegue desprevenida ao vê-lo adentrando sua casa, lembrou-se das palavras de Mac ao pedir que não fosse mais trabalhar por algum tempo.

“ — Eu não vou então ele aparece na minha porta.” — sua mente rapidamente lhe colocava em alerta. Um pequeno suspiro frustrado foi inevitável.

Drew – Você não foi trabalhar desde ontem. Fiquei preocupado! E essa garotinha?

Sam – Vem neném. – Stella nem havia percebido Sam se aproximar e já tirando Sophi do colo dela. – Ela não te deixou descansar?

Stella – É ... pois é ... já está na hora dela comer. – as palavras saíram um pouco inseguras.

Drew – Que criança é essa Stella? Não sabia que você ... era mãe. – ela olha para Sam e a criança, seu cérebro trabalhava pra dizer algo.

Stella – Minha sobrinha. – ela tenta responder de forma confiante embora seus olhos dissessem outra coisa, contudo Bedford não era capaz de decifrá-los. – Esse é o motivo de não ter ido trabalhar e receio que terei que adiantar férias ou se for o caso eu peço minha demissão, preciso ajudar minha irmã com os seus filhos. Ela está passando por um momento difícil com o seu marido.

Drew – E cadê ela? – correndo os olhos pela casa para observar a presença de outras pessoas.

Stella – Ah teve que resolver outras coisas, ela tem mais filhos então... – ela faz um pequeno dar de ombros.

Drew – Isso é pra você. – finalmente entregando o ramalhete de flores.

Stella – Obrigada. – ela aceita o presente um pouco sem graça.

Drew sempre quis ter uma certa aproximação com aquela mulher tímida, para ele era só o exercício de sedução. Mas alguma coisa mudou quando em um jantar com empresários em que ela trabalhava como intérprete, Stella deixou escapar sua beleza sutil e isso aguçou o interesse dele e na última festa que foram juntos ela estava simplesmente esplendorosa aos seus olhos o fazendo ficar ainda mais interessado nessa conquista. Ele não imaginava que a intérprete tímida seria interesse amoroso de Mac Taylor, entretanto ao vê-los conversando na última festa, percebeu o sorriso, o olhar que ela nunca endereçava a ele, apenas ao chefe do laboratório de criminalistica e quando a viu dar um tapa em plena delegacia achou que ali havia uma decepção que poderia aproveitar.

Drew – E, por favor, não se afaste do trabalho, preciso muito de você na embaixada. O que você esta precisando? Posso ajudar com uma babá se você quiser para que volte ao emprego.

Stella – Senhor Bedford não será necessário. – Stella estava sem graça por ele propor uma babá, eles não são íntimos e não estava entendo essa reação daquele homem poderoso para com ela. – Receio mesmo que talvez seja o caso de pedir minha demissão, estamos cogitando nos mudarmos. – as palavras de Mac ainda estavam martelando em sua mente, não era só cuidado ou por causa de Sophi tinha algo mais e ela não estava disposta contrariá-lo até mesmo por sua segurança.

Drew – Stellinha não faça isso, não deixe esses problemas familiares atra... – ele é interrompido pelo choro de Sophie, parecia até que a criança entendia e não estava gostando nada daquela conversa.

Stella – Desculpa senhor Bedford, ela precisa trocar a fralda, comer enfim...

Drew – Prometa que irá até a embaixada amanhã conversar comigo e resolveremos isso. – ele insistia no não afastamento de Stella. Soso chorava mais alto.

Stella – Desculpa senhor Bedford, não posso prometer nada. – ela caminha para a porta para que ele a acompanhe e pudesse por fim aquela conversa.

Drew – Stella, sabe que pode me chamar Drew. – parando em sua frente quando ela abria a porta. – Não vamos cometer esse retrocesso, não é?! Somos amigos. – com um leve sorriso se esticando em seus lábios numa tentativa de sedução.

Stella – Obrigada pela visita senhor Bedford. – ela permanecia séria e insistia em chama-lo pelo sobrenome deixando bem claro que não há intimidade entre eles. – Depois irei resolver a minha situação na embaixada mas a decisão é essa mesma, a demissão. Depois entro em contato para a papelada. – o choro da criança ficava um pouco mais alto embora Sam tentasse niná-la. – Se me der licença preciso cuidar da minha sobrinha. – ele passa por ela com a intenção de beijar seu rosto mas Stella baixa a cabeça para disfarçadamente sentir o perfume das flores e assim coloca um obstáculo entre eles. Stella dá mais um passo para trás para evitar o contato já prevendo a atitude dele.

Apressadamente ela fecha a porta e já se dirigia para a criança chorando, tomando-a no colo.

***

Don – Talvez não seja um Taylor que estamos procurando mas uma Taylor. – mostrando para Mac um nome numa das folhas que ele repassava.

Mac – Sarah Taylor. – ele percorre suas lembranças em busca daquele nome mas em vão. – Gary!

Gary – Fala Mac.

Mac – Sarah Taylor, lembra? – mostrando a folha com o nome destacado para o outro que se aproxima, Gary passa os olhos pelo papel.

Gary – Não lembrava porque a conhecia como Sarah Jean, ela passou pouco tempo comigo. Na verdade trabalhava aqui quando eu comprei esse lugar, ainda era uma marmitaria. Ficou pouquíssimo tempo, já era uma senhora estava tentando se aposentar eu acho e quando eu mudei para um bar ela saiu.

Don – Será que esses contatos vão ajudar?

Gary – São os únicos que tenho.

Mac – Você lembra se ela tinha alguém? Filha? Neta?

Gary – Acho que tinha alguém sim mas não sei dizer qual parentesco.

Mac – Tudo bem, obrigada Gary.

***

Mac estava passando pelos corredores do laboratório quando seu celular sinalizava uma mensagem, ele logo abre para verificar. Sam lhe manda um pequeno vídeo de Stella e Soso brincando, as duas riam a vontade e como costumava acontecer com tudo que se relacionava a elas duas ele sorria e nem percebia seus lábios se esticando.

“Como pode ver suas duas ‘amigas’ estão bem, rindo e gargalhando. Mais cedo o Sr. Badford esteve aqui, instituiu para que Stella não se afastasse. Ela pediu demissão da embaixada.”

Ele escreveu uma mensagem de volta agradecendo o aviso e o vídeo mas seu semblante ficou preocupado por Bedford insistir nessa proximidade com Stella. Duas batidas são ouvidas na porta de vidro o que faz Mac sair do abismo que seus pensamentos estavam o empurrando. Ele acena para que o colega entrasse na sua sala.

Sheldon – Mac, estive com a família de Vivian Davis, o DNA confirmou é ela mesmo. Os pais afirmam que há uns sete anos ela veio para Nova York para tentar trabalhar como modelo, demorou um pouco mais ela conseguiu ser agenciada e depois disso cada vez mais foram perdendo o contato, às vezes ela mandava mensagem afirmando está em várias cidades pela Europa mas suas redes sociais estão inativas, a última foto postada é ela no aeroporto da Turquia. Alguém que trabalhe como modelo não deixa de alimentar suas redes sociais.

Mac – Da Turquia? Eu não entendo muito desse mundo da moda mas a Turquia não é um país incomum pra esse tipo de trabalho? – ele senta em sua poltrona e indica que Sheldon faça o mesmo.

Sheldon – Pois é eu também achei. Fiz uma pesquisa rápida e Istambul, a capital, não deixa de ser um centro da moda mas as agências de moda geralmente levam essas meninas para os grandes centros, há mais chances de uma marca gostar...enfim. É muito suspeita a atuação dessa agência.

Mac – Tem razão, é preciso investigar melhor isso. Alguma coisa com o filho que ela teve?

Sheldon – Eles não sabiam, estão inconsoláveis com essa possibilidade. Tentei achar a agência de modelo mas o lugar não existe mais. Ainda assim eu vou voltar no endereço, procurar mais informações.

Mac – Fale com o Don, o leve até lá pode ser que ele consiga mais informações com informantes.

Sheldon – Ok, vou ligar pra ele pra tentar agilizar. – levantando-se.

Danny – Mac tem um momento? – entrando na sala do chefe com uma pasta parda na mão.

Mac – Claro Danny.

Danny cumprimenta Sheldon e adentra de vez a sala de Mac.

Danny – Analisei aquela boneca que estava na cesta de Sophie.

Mac – Alguma coisa?

Danny – Sim, muita coisa. Tinham epiteliais, na verdade dois perfis de DNA, eu comparei com a amostra de Sophie e uma delas é compatível, 99%, o que indica que uma delas é a mãe daquele bebê. Já a segunda é da primeira vítima que encontramos sem identificação.

Danny passa a pasta parda com todos os resultados pois o olhar inquisidor do chefe ainda juntava todas aquelas informações.

Mac – Então a mãe de Sophi pode está viva. – ele afirmava aquilo com um misto de alivio e preocupação.

Danny – Não sei Mac, talvez não. O perfil que indica a mãe da Sophie era bem desgastado parecia que estava ali há mais tempo, diferente do outro. O que é compatível já que a vítima foi encontrada algumas poucas semanas. E tem mais. – Mac passa a folha para continuar a leitura antes que ele continuasse. – Achei vestígio de pólen, não só na boneca mas em toda a cesta. Indicando que provavelmente o cativeiro onde ela estava era um lugar com plantas, flores talvez próximo alguma floricultura.

Os pensamentos de Mac são tomados pelas lembranças de que a casa de Stella fica numa área arborizada, até mesmo na casa dela possui várias plantas.

Danny – Mac? Aconteceu alguma coisa? – vendo aquele olhar meio indecifrável do chefe.

Mac – A casa de Stella fica numa área arborizada. – verbalizando os pensamentos.

Danny – Você não está pensando que ela está envolvida nisso, está? – com um semblante meio desconfiado. Mac o olha como se perguntasse da onde ele tirou esse pensamento.

Mac – Quero dizer que pode ser algum lugar próximo à casa de Stella, afinal ninguém ia atravessar a cidade com uma criança numa cesta e ninguém iria notar. No depoimento, Stella afirma que a criança não ficou muito tempo na sua porta, já que, estava seca e aquele foi um dia chuvoso, ela estava dormindo tranquila se tivesse ficado muito tempo no frio teria ficado doente. Sophia só apresentou sinais de resfriado dias depois quando fomos ao parque. Isso indica que o cativeiro deve ser naquela região. Aquele bairro é mais afastado então pode ser que haja um lugar que não chame atenção.

Danny – É você tem razão. – dando uma leve sorriso em alivio que Mac não pensava que Stella estivesse envolvida. Danny agora senta-se na cadeira antes ocupada por Sheldon. -- Então? – Mac apenas o olha esperando que ele concluísse o pensamento. – Não vai da o endereço dela para que a gente possa investigar?

Mac – E você vai bater de porta em porta? – eles dão uma leve risada. Aquela leve brincadeira dos amigos amenizou mais aquele clima que já estava pesando. Mac pega o telefone da mesa e disca um número já conhecido e logo do outro lado uma voz amigável atende.

Don >— Você hoje não vai me deixar em paz não é? <<

Mac >— Culpe o trabalho ou não quer trabalhar? <<

Don >— Manda ai. <<

Mac >— Quero que você investigue se Niko Angelis tem mais propriedades em seu nome. Stella afirma que ela o ajudava com as finanças para mandar para a família na Grécia, se tinha aquele galpão nas docas em seu nome com certeza pode haver mais. <<

Don >— Você está pensando que ele possa ser um laranja? <<

Mac >> É uma possibilidade. <<

Don >— Tudo bem. << — eles desligam.

Mac – Se obtivermos um resultado satisfatório poderá reduzir o raio de buscas no bairro.

Danny – Esses casos estão mesmos interligados? Os dois homicídios e Sophie.

Mac – Não são só as moedas que parece ser o ponto de interseção desses casos, os funcionários da embaixada grega também.

Danny – Quer dizer que Stella está inclusa. – Mac se remexeu na cadeira não gostando daquela observação mesmo sabendo que era verdade, porém podia significar que a proteção da grega estava comprometida. E depois da conversa que tiveram pela manhã poderia até indicar que um autor muito mais poderoso que Drew Bedford estaria por trás de tudo e se for isso tinha a certeza que a segurança de Stella estava por um fio.

***

Lisa – Stell estou preocupada em você ficar aqui sozinha.

Stella – A Sam não sai mais daqui e o Mac deve aparecer mais tarde. – as duas tomavam um chá na cozinha em despedida daqueles dias assombrosos.

Lisa – E você gosta dessa possibilidade. Confessa. – o sorrisinho da irmã deixou Stella sem graça.

Stella – O que você está querendo dizer? – Lisa apenas arca uma das sobrancelhas. – Você está imaginando mil coisas com essa sua cabecinha fértil. – finalmente deixando um sorriso vir enfeitar seu rosto.

Lisa – Stella eu te conheço. Se quiser negar pra você tudo bem mas não ouse negar pra mim. – ela da um leve revirar de olhos sabendo que a irmã tem razão.

Stella – Eu confio nele. Apenas isso. – remexendo os lábios para tentar manter-se séria.

Lisa – Você quer dizer apesar de tudo.

Stella – É ... apesar de tudo.

Lisa – É só confiança mesmo? – Lisa queria provocar a irmã e arrancar mais um sorriso depois que via uma sombra pesar no olhar de Stella.

Stella – E o que mais poderia ser? Você sabe muito bem que não tem como eu me envolver com ninguém, muito menos um homem como Mac Taylor. – seus olhos refletiam uma certa tristeza o que tentou disfarçar ao deixa-los presos na xícara a sua frente, sabendo que os olhos da irmã estavam presos nela.

Lisa – Como assim “um homem como Mac Taylor” ? Ele não é desimpedido?

Stella – E por acaso eu sou? – seus olhos agora recaem sobre um ponto qualquer da cozinha.

Lisa – Olha pra mim. – Stella relutou um pouco mas finalmente encarou a irmã a sua frente. Lisa pode ver as lágrimas que ameaçavam os olhos verdes de Stella. – Você é livre sim! Claro que é. Livre e desimpedida!

Stella – Desimpedida pode até ser mas livre...esse nem é meu nome verdadeiro.

Lisa – Ei ... ele sabe sobre seu passado. Sabe tudo que aconteceu com você.

Stella – Exatamente, aconteceu comigo não posso levá-lo para esse passado obscuro que é somente meu. Você sabe que daqui a pouco eu vou ter que me mudar, estou com medo de a qualquer momento o Senhor Papakota me descobrir se é que já não me descobriu.

Lisa – Não vamos pensar nisso agora, ok?! – segurando as mãos de Stella que estavam sobre a mesa. – Eu também confio que Mac Taylor é o único que vai conseguir resolver tudo isso e você terá sua vida de volta mas eu vou continuar sendo sua irmã.

Stella – Eu também espero. – aquelas palavras saíram sem muita convicção. Por mais que Stella confiasse em Mac ela sabia o quanto Papakota era poderoso e perigoso.

Lisa – Eu vou ter que ir agora. Tenho uma reunião importante amanhã cedo no hospital.

Stella – E seu marido chato também está a sua espera então vá. – elas se despendem com um leve sorriso. Stella acompanha Lisa até a porta.

Lisa – Mas, por favor, se cuida e qualquer coisa me liga que venho correndo pra você.

Stella – Amo você. Sabe disso né?! Manda um beijo para os meus sobrinhos tá?

Lisa – Tá.

Stella fecha a porta para esconder a lágrima que teimou em escorrer, ela busca o ar em seus pulmões para aliviar a tensão que aquela pequena conversa lhe causou, o medo lhe assombrava. Ela balança a cabeça e cerra os olhos com força numa tentativa de impedir que lembranças invadam sua mente, mais uma vez respira fundo, ajeita os óculos e prende os cabelos como se assim pudesse modificar a realidade em que estava. Seus passos de volta para a sala são devagar, o medo tentava lhe paralisar. Mas seus pensamentos encontram um par de olhos azuis que prometeu ajudar a resolver tudo isso, queria mesmo que Mac tivesse o poder de finalmente lhe levar de volta a vida depois de tudo que sofrera.

Seus pensamentos são quebrados com o toque do celular a fazendo caminhar rapidamente para a cozinha onde havia deixado o aparelho, ela sorrir ao ver o nome de Mac no visor.

Stella >— Mac, tudo bem? << — ocupando novamente seu lugar a mesa.

Mac >— Sim, como você está?<< — ele esperava o elevador chegar ao seu andar.

Stella >— Está tudo bem. Estou aqui tomando um chá. << — ela fala aquilo sabendo que eles têm um chá pendente. Mac viajou em seu pensamento olhando os números do andar mudar já sentindo o gosto do chá.

Mac >— Eu... adoraria esse chá. << — aquelas palavras saíram com uma certa hesitação, ele torcia para que ela o convidasse mas sabia que estava tarde.

Mac >— E sua irmã? << — já colocando outro assunto não querendo ficar na expectativa da resposta ou que isso causasse algum constrangimento.

Stella >— Ela acabou de sair, não pode largar tudo e vir cuidar de mim. <<

Mac pensou que poderia fazer isso, porém resolveu não verbalizar.

Stella >— Mas se estiver interesse no chá ainda está disponível. << — ela falou aquilo e imediatamente seu coração disparou. No mesmo instante fechou os olhos aguardando a resposta mas um certo silêncio pairou.

Stella >— Mac não quero te ...<< — era notada a decepção naquelas palavras.

Mac >— O que você falou? Desculpa eu estava no elevador e a ligação falhou. <<

Ele queria ter certeza que entendeu bem, pela falha da comunicação poderia ser que seu cérebro também tivesse falhado e entendido errado e era só sua imaginação. Sentindo que seu coração estava num ritmo mais acelerado, queria ouvi-la de novo.

Mac >— Stella? Ainda está aí? <<

Ela pode soltar o ar que estava preso em seus pulmões quando não houve uma resposta imediata de Mac, estava agora mesmo falando para Lisa que não poderia se envolver com Mac e, no entanto é traída pelas atitudes que aquele mesmo homem lhe provocava.

Stella >— O chá ainda está de pé, lembra que temos um chá pendente? <<

Mac >— Lembro e estou mesmo precisando desse chá. << — Stella pode ouvi-lo fechando a porta do carro.

Mac >— E Soso? Está dormindo? <<

Stella >— Sim. Está no bercinho tranquila. << — um barulho vindo de fora fez Stella levantar-se já imaginando que fosse a vizinha e quis encontrá-la na sala. Por um breve momento pensou em pedir para deixa-la sozinha com Mac mas sabia que depois dessas palavras nunca mais Sam iria deixa-la em paz com suas piadas maliciosas. E riu disso.

Mac >— Está sorrindo? << — ouviu a risadinha dela do outro lado da linha e parecia que podia vê-la. A imagem era criada na sua mente perfeitamente, por um breve momento ele fechou os olhos sentado no carro só para saborear a cena em sua cabeça.

Stella >— Qual a chance de ter uma câmera na minha casa e você está me espionando? <<

Já na sala Stella ouve outro barulho dessa vez vindo do andar de cima, ela já caminhava para subir as escadas para verificar Sophia quando percebe a porta da casa aberta.

Stella >— Mas o que... << — fechando a porta.

Mac >— Aconteceu alguma coisa? << — dando a partida no carro e já saindo do estacionamento do laboratório.

Stella >— Eu tenho certeza que minha porta estava fechada. << — ela olha para o andar de cima já ouvindo um chorinho de Sophie.

Assim como podia “ver” Stella sorrindo agora podia “ver” que ela estava séria, captou um certo medo banhando aquelas palavras.

Mac >— Stella eu já estou indo. << — a delicadeza da conversa fora quebrada e Mac já adota uma postura alerta. >— Pegue Sophie e vá para a casa da Sam. << — ele passa num sinal vermelho.

Stella sobe as escadas ainda com a ligação de Mac ativa, ela sentia um cheiro de fumaça e o chorinho de Sophie aumentando a intensidade.

Stella – SOPHIE!!! – a voz alterada fez Mac pisar mais fundo no acelerador.

Stella da de cara com a menina chorando no colo de uma pessoa com o rosto de coberto.

Stella – ME DA ELA!!! – tentando tirar a menina do colo daquele desconhecido.

O fogo já se alastrava no andar de cima, o corredor já estava tomado de fumaça e Stella lutava pra tirar Sophie daquela situação quando sente uma pancada na cabeça a fazendo cair e rolar escada abaixo desacordada. Ao longe dava para ouvir a voz de Mac no celular gritando o nome dela. A fumaça já chamava atenção das pessoas fora da casa que correm para ajudar.

Flack e Jessica adentram a casa e logo se deparam com Stella caída no chão. O choro de Sophi era ouvido.

Flack – Jess a tire daqui. Chame reforços.

Jess – A porta dos fundos Flack, vai. – ela arrastava a mulher porta a fora para tirá-la dali. Ao chegar numa distância mais segura da casa que pegava fogo ela liga para central.

Enquanto isso Flack seguia pela porta dos fundos e pode ver dois homens, um deles estava com a criança no colo o que o impedia de atirar, não poderia arriscar e acertar Sophie quando de repente um cachorro passa por ele rapidamente e abocanha a perna do sequestrador o fazendo diminuir os passos, ele tentava bater no animal mas quanto mais tentava afastar o cachorro mais ele mordia com vontade. Flack consegue chegar e tomar a criança do colo dele e apontava a arma para o bandido.

Flack – Quietinho ai.

— Manda ele me soltar, manda ele me soltar. – a voz abafada por trás da mascara quase não se fazia entendido.

Alguns estampidos são ouvidos fazendo Flack agir institivamente se agachando e protegendo Sophie com seu corpo, ele ouve a saída brusca de um carro acelerando. Com a ausência de disparos sentiu então está mais seguro e tenta observar o que acontecia.

O sequestrador mesmo mancando entrava pela porta traseira do carro. O choro de Sophie impediu que Flack tentasse algo mais contra os bandidos que já deixava um rastro de pneu queimado no chão. Ao fundo já se podia ouvir o barulho das sirenes dos bombeiros e da ambulância que chegavam ao local.

Flack – Calma, calma neném. – ele tentava de alguma maneira consolar a criança que chorava copiosamente.

Notas finais
Depois de muitos anos escrevi um cap pode ser que alguém note a diferença da escrita, eu mesma vi diferença foi dificil retomar esse cap, estou muito, muito enferrujada. Isso se alguém ainda ler isso kkk Bjos!!!