Notas iniciais
Postando a estória novamente após apagá-la pq não me sentia satisfeita com vários detalhes do primeiro cap. Destalhes esses que estavam me impedindo de continuar a escrever. De verdade, perdi a conta de quantas vezes reescrevi o 2° cap nesses meses. Enfim, agora me sinto satisfeita. Os personagens e a base (ou seja, a ideia dos bilhetes) continuam os mesmos, assim como o ambiente. Todo o resto, eu mudei. Aproveitem! Espero que gostem!

Eu nunca parei para pensar que, de alguma maneira, eu pudesse atrair a atenção de alguém sem sequer tentar. Que alguém pudesse ter me notado mesmo em meio a tantas pessoas pelas quais passamos todos os dias. Que alguém quisesse saber mais sobre mim, mas que apenas continuasse me observando de longe.

Verdade seja dita, já cheguei a acreditar, em meus piores dias, que mesmo que eu me pintasse de dourado da cabeça aos pés, ninguém me veria. Acho que muitas pessoas compartilham ou compartilharam dessa minha visão. Ainda mais quando se está no Ensino Médio e qualquer mínima coisinha pode abalar suas estruturas.

Ainda assim, não é nenhum exagero quando afirmo não ser notada em minha escola. Obviamente não pertenço à turma dos populares; não sou padrão ou atlética o suficiente para eles. E também não me encaixo no grupo dos nerds, como minhas notas em Geografia e Química podem provar; e não importa que eles digam serem invisíveis, todo o mundo sabe quem são. Afinal, na hora do aperto, é a eles que metade do colégio recorre.

Não, eu faço parte daqueles que mais servem como figurantes para os clichês diários – o “galã” e a CDF estão juntos? Que novidade – do que qualquer outra coisa.

E para ser ainda mais sincera: eu nunca realmente me incomodei com isso. Até prefiro; tenho uma certa aversão a dramas.

Sendo assim, dá para imaginar a minha cara ao encontrar um pequeno bilhete dentro do meu armário, antes do primeiro sinal. De início, pensei ter sido Miranda a ter colocado aquilo ali, talvez me pedindo emprestado algum caderno – ela tem o péssimo costume de cair no sono quando acha a aula chata, ou seja, quase sempre –, porém descartei a hipótese imediatamente. Se fosse esse o caso, ela poderia simplesmente ter mandado uma mensagem.

Então eu li o seu conteúdo e concluí que era somente uma brincadeira sem sentido, talvez até mesmo um engano. O motivo? Não se tratava de nada mais que uma cantada barata sem assinatura, daquelas que são usadas e recicladas mais vezes do que se pode contar.

O maior acidente foi quando bati meus olhos em vc.

Minha única reação, é claro, foi a de amassar e jogar o papel no lixo sem nem pensar duas vezes. Também não comentei sobre o acontecimento a ninguém, incluindo Mira. Quiçá o responsável estivesse cumprindo uma aposta ou, quem sabe, pretendia tirar sarro de mim (ou qualquer outra garota), me fazendo crer que havia alguém interessado em mim.

Eu estava sendo muito cética, mas muitas vezes a precaução é o melhor caminho a se tomar, em minha opinião.

Foi um erro meu acreditar que isso não voltaria a acontecer. Pelo contrário, seguiu-se dessa forma por mais ou menos uma semana, as cantadas apenas piorando e eu jogando-as fora, sem contar a sequer uma pessoa. Minha paciência, inclusive, estava a ponto de esgotar. Já me planejava para chegar mais cedo à escola só para ver se conseguia pegar o autor dos bilhetinhos, quando a fórmula mudou.

Acordei hoje certa de que havia alcançado meu limite. Não haveria papel algum amanhã, caso eu recebesse outra cantada que mais parecia ter saído de um livro cujo título certamente seria: “Aprenda a como fazer alguém te odiar em menos de 10 dias”. Entretanto...

— Esse garoto... Quem ele pensa que é? — sussurro, alto o suficiente para que somente eu escutasse. Apesar de meu comentário soando indignado, não posso me impedir de soltar uma leve risada, que contém um pequeno tom de ironia.

Ei, antes de amassar esse bilhete, como sei q anda fazendo, pode me dar uma chance? Eu admito, as cantadas eram terríveis e n te julgo por jogá-las fora. Disse para meus amigos q era uma péssima ideia. Enfim, ao invés disso, posso propor um jogo? Sei q gosta de mistérios, então quer tentar descobrir quem sou? A cada bilhete, darei dicas. A maioria, vagas demais. Porém eu sei q vc consegue usá-las a seu favor. Ando te observando tem um tempo (juro, n sou um stalker) e gosto de vc. E aí, o q me diz? Caso amasse esse papel, entenderei como um "não" e n vou mais te incomodar.

P.S.: n tente roubar ;)

Agora, posso ou não ser julgada como volátil, no entanto, me sinto bastante “tentada” com essa proposta. E não é culpa minha! Seja quem for, ele apelou para o meu ponto fraco. Livros de romance policial são os meus preferidos no mundo todo. Isso pode até provar que, ao contrário do que diz, o garoto seja um stalker, mas, bem? Não é como se eu estivesse assinando um contrato. Se perceber algo de esquisito, posso parar e denunciar. Até porque, eu terei provas.

Percebo que fiquei tempo demais pensando quando ouço meu nome sendo chamado. Viro minha cabeça, procurando pela origem do som, o bilhete ainda aberto em minhas mãos, e vejo Miranda Brooks, a garota que às vezes penso que me conhece melhor do que eu mesma, se aproximando e lutando contra o mar de alunos que se encontram no corredor.

— Oi, Selena! — a ruiva me cumprimenta animada. — Hum, o que é isso na sua mão?

Quase invento uma desculpa, porém não há necessidade. Não se eu realmente pretendo fazer parte dessa loucura, então entrego o papel para Miranda e observo sua reação ao ler. De confusão vai para diversão, e daí vai para uma animação quase eufórica. Qualquer um poderia pensar que ela tivesse recebido uma notícia maravilhosa.

— Ah, isso parece divertido! Vai aceitar, não vai? Aliás, era isso que você andava me escondendo? — tendo terminado, Miranda me metralha com palavras atrás de palavras. — E que desenho fofo!

— Acho que vo- Espera, você sabia sobre isso? E que desenho? — como assim? Miranda consegue me assustar, às vezes, quando ela diz que já sabia de algo. Parece que ela sempre sabe sobre tudo.

— Esse desenho bem no cantinho. E você, srta. Mason, se distrai demais para seu próprio bem. Tem uns dois dias, eu cheguei e chamei por você, mas pareceu que nem me ouviu, de tão concentrada que estava em um pedaço de papel. E, logo em seguida, te vi jogar ele fora. — ela me responde, como se me desse uma bronca.

É verdade que eu costumo não prestar muita atenção ao meu redor, então não me surpreendo com sua resposta. Ao contrário, me foco melhor no canto superior direito do bilhete, onde encontro um pequeno coelho rosa, cuja expressão parece ser indagadora, devido a uma das sobrancelhas levantada. É mesmo fofo.

Eu sempre adorei desenhar, desde criança. Não tenho muito talento, mas qualquer assunto que envolva esboços e rabiscos já me atrai; por isso, me sinto convencida – por um coelho rosa – a aceitar o jogo.

Antes de guardar o bilhetinho de volta em meu armário, sem amassá-lo e com uma Mira bastante animada ao meu lado, já que eu nunca tive sequer um interesse amoroso (mesmo que eu prefira esquecer desse fato e pensar que é somente uma brincadeira), volto meus olhos para o corredor, lembrando que o autor disse que saberia caso eu fizesse algo. Contudo, é impossível notar qualquer coisa de diferente na bagunça em que se encontra a escola, tendo ainda poucos alunos dentro da sala de aula, sendo assim, desisto e puxo Miranda comigo para nossa primeira aula do dia.

A partir de amanhã, entrarei em meu modo Detetive. E pode apostar, eu não aceitarei perder ou desistir.

Notas finais
Me perdoem caso tenha algum erro, eu estou aberta à críticas Espero de verdade que tenham gostado! E se encontrarem essa estória no Spirit, saibam que não é plágio, também tenho uma conta lá