Quero Matar Meu Chefe
8 Rush Hour
Notas iniciais
Sakura Haruno
— Oh... Merda... Mas que merda. – Naruto gritou com a voz aguda.
— Encontraram nossas digitais... – Sasuke murmurou.
— Dê a ré... Sai logo daqui... Nós vamos ser presos! – Naruto agarrou meu banco por trás. – Viu isso, Uchiha? Você nos condenou!
— Eu não podia sair por aí com dois drogados, porra! – Sasuke gritou de volta.
— Parem, vocês dois! Precisamos saber onde vamos nos refugiar! – Gritei também. – Se ficarmos seremos presos... Ou mortos pelo Hiashi.
— O que eu vou dizer à Hinata? – Naruto se jogou contra o banco de trás e depois se aproximou de mim. – Você está falando em viver em outro país?
— Sim, isso mesmo... Pensei no Brasil, Canadá ou México... Podemos ir sofrer com dignidade em Paris também. Chorar no Louvre, chorar às margens do rio Sena, derramar nossas lágrimas do alto da torre Eiffel. É um bom lugar para sofrer. – Falei.
— Vamos para o Japão... Lá é o país do lámen. – O loiro falou animado.
— Podemos nos unir ao Estado Islâmico. Quero ver o Hiashi nos procurar ainda. – Sasuke comentou.
Ouvi o toque de algum celular.
Naruto gritou e meus tímpanos doeram com a voz aguda dele.
— É o meu celular. O que eu faço? E se for o Hiashi? Sasuke, Sakura, me digam o que fazer! Me digam o que fazer! Sasuke, Sakura! O que eu faço?
— Para de gritar e atende essa porra! – Gritei.
— É uma boa ideia... Muito bem! Obrigado, Saky! – Ele atendeu o aparelho. – Alô? ... Mei? Eu não posso falar no momento... Não, não, não! Não faça isso, eu ainda vou cumprir minha promessa... Ora, vou fazer sexo com você!
Me virei para trás com as sobrancelhas franzidas, fala sério... Naruto traindo a Hinata? Acho que ele nunca comeu alguém além dela.
O Dobe cobriu o celular.
— Porra, me ajuda, Sasuke... Ela que fazer sexo pelo telefone! Seu inútil, disse que tinha comido ela direitinho. – Ele voltou a falar no celular. – Olha, tem gente comigo, não vai dar pra falar essas coisas agora... Ok, então. Eu vou te fazer gozar. Você sabe, com a língua, os dedos e tudo o mais.
Fiz cara de nojo quando ele falou isso... Juro que não quero saber como diabos ele vai fazer sexo com a chefe dele.
— Eu vou meter meu pau na sua vagina, porra! É assim que se faz!
— Caramba... Acho que vou jogar ele pra fora do...
Eu ia dizer “carro”, mas outro carro bateu na traseira do meu e eu me virei para trás.
— O que foi isso? – Sasuke perguntou.
— Ah, meu Deus! É o Hiashi! – Me voltei para a frente depois de reconhecer o Range Rover preto dele.
— O que? – Sasuke e Naruto gritaram.
— Se livra dele! – Gritei.
— Você quer que eu corra mais rápido que um Range Rover em um Corolla? – Sasuke gritou.
— Eu não entendo de carros, porra! – Gritei de novo.
Hiashi ficou ao lado do meu carro, empurrando para o lado, nos fazendo subir pela calçada e quebrando o retrovisor do meu lado.
— Meu carro! – Pus as mãos na cabeça.
Concertar isso está fora do meu orçamento de vinte dólares... Dezoito dólares e cinquenta e cinco centavos, na verdade.
— Seu carro? Sorte não ter sido sua cabeça! – Sasuke gritou.
— Eu não cago dinheiro igual a você!
— Perder a vida é mais caro!
— Prefiro não perder nenhum dos dois!
— Se você for presa não terá que se preocupar...
— Prefiro ser livre e ter minha vida e meu carro.
— Parem, vocês dois! Não veem que tô transando pelo celular? Eu vou dar com o pau na sua cara, Mei! – Naruto gritava com a voz aguda.
— Esse cara é louco! – Sasuke gritou.
— Não provoque um acidente! – Gritei.
— Você está preocupada com um acidente?
— Eu não quero outra multa!
— É hora do racha, Sakura!
Olhei para o Sasuke com olhos arregalados. Meu carro já era!
Ele pisou fundo no acelerador. Os carros na rua buzinavam. Com certeza estão irados.
— Eu vou fazer sexo oral com você. Vou esfregar meu traseiro no seu até ficar vermelho, em carne viva!
— O que? – Fiz cara de nojo.
Hiashi bateu novamente na traseira do meu carro, fazendo-nos girar na pista. Nós três gritamos em desespero. Acabamos parando na posição de contramão.
— Nos tire daqui! – Gritei.
Sasuke começou a dirigir na contramão mesmo. Meu carro! Vou levar mais multas! Maldito plano idiota!
— Eu vou cuspir em você! – Naruto falou sem fôlego. – Vou enfiar minha cara na racha da tua bunda! – Ele passou a gritar. – Eu vou apertar seus peitos, vou chupar eles, dançar com eles... Certo! Até o trabalho, até o trabalho. – Ele estava irado. Enquanto isso, Sasuke entrava em outra rua, com pouco movimento. – Bem comida, não é Sasuke?
— Desculpa, Dobe! Eu deveria ter metido minha cara na racha da bunda dela! – O Uchiha gritou de volta.
— Com certeza! – O Dobe continuou a gritar.
— Mandou bem no volante. – Comentei em meio aos gritos deles.
O moreno estacionou o carro.
— Ótimo... Acho que despistamos ele. – Ele comentou.
Doce engano. O Range Rover bateu de frente com a lateral do meu carro, estourando os vidros e amassando as portas completamente. Os airbags inflaram. Meu Corolla quase foi parar na parede. Eu tive alguns pequenos cortes no braço direito, por causa do vidro.
Passado um pouco o choque, ouvimos umas batidas de leve na lataria. Era o Hiashi com a arma apontada para a gente. Não tem como ficar pior do que isso.
— Saiam do carro, todos vocês! Vamos, andem! – Meu futuro ex-chefe falou.
Descemos do carro.
— Lembra-se que salvei sua vida, sogrão?
— Cala a boca!
— Ok... – Naruto abaixou a cabeça.
— Cuidado com essa... – Comecei a falar.
— Cala a boca! – Ele me cortou e apontou a arma para mim. – Tenho seis balas aqui, posso dar dois tiros em cada um, como no imbecil do seu primo. – Ele apontou para o Sasuke. – Se eu quiser... Mas não farei isso.
— Não vai atirar duas vezes ou não vai atirar? – Naruto perguntou cabisbaixo.
— Cala a boca! – Ele olhou feio para o loiro. – Eu vou dizer aos policiais que mataram o Uchiha e, quando eu descobri, vocês tentaram me matar para me calar.
— Que loucura... – Sasuke comentou.
— É? Eu não vejo nenhuma prova de que eu matei o Uchiha. Além disso, sou eu quem tem uma bala na perna. – Ele falou isso enquanto limpava a arma com um pano.
— O que? – Arqueei uma sobrancelha.
Ele atirou na própria perna. Nós nos assustamos. O Hyuuga gritou de dor.
— Porra, isso dói! – Hiashi falou entredentes.
Ele limpou a arma novamente e jogou para o Naruto.
— Pegue!
Naruto não é tão burro para segurar a arma.
— Não, não pegue! – Sasuke gritou. – Porra, seu imbecil!
O Uchiha bateu na nuca do Naruto. Sim, o Naruto sempre nos surpreende com sua falta de intelecto. Ele segurou a arma.
Hiashi deitou no chão, fingindo ter mais dor ainda.
Lembram quando eu disse que não tinha como piorar a situação? Então... Ouvi as sirenes da polícia, e, adivinha só, duas viaturas pararam, nos encurralando. Ótimo!
...
Naruto Uzumaki
— Largue a arma! De joelhos! – Os policiais gritaram, saindo das viaturas.
Passei alguns segundos absorvendo a informação. Segurando a arma sem entender nada.
Quando os tiras apontaram as armas para a gente, e vi que Sasuke e Sakura se ajoelharam com as mãos para cima, eu joguei a arma longe de mim e os imitei.
— Graças a Deus estão aqui, policiais. Esses três atiraram em mim. – Hiashi se fez de vítima.
— Não é verdade! – Gritei.
— É mentira dele! – Sasuke gritou.
— Não é mentira! Descobri que eles mataram alguém e tentaram me calar. Por favor, me protejam deles! Tenho duas filhas e um sobrinho para cuidar.
— Certo, certo. Mantenha a calma! – O policial falou para o meu sogrão.
— Ele atirou nele mesmo! – Gritei. – Você matou o Tobi... Ah, meu Deus... Você vai me matar! – Me levantei e saí correndo.
Os tiras correram atrás de mim e me jogaram contra a viatura.
— Ele tem problemas mentais! – Sasuke gritou.
— Ei! Eu não tenho isso... Ai! – Resmunguei.
Um dos tiras me bateu contra a porta do carro e me algemou. Ótimo! Não vou ter que transar com a Mei e... Droga, droga, droga! Ela vai contar tudo à Hinata.
— Eu não posso ser preso, senhor! Pelo amor de Deus... Minha chefe vai dizer pra minha garota que eu a traí!
— Você traiu a minha filha, seu cafajeste?
— Eu não traí ninguém! Minha chefe é louca.
— Você tem o direito de permanecer calado. – O tira gritou.
...
Sasuke Uchiha
— Ei, cuidado com as mãos, ela é minha namorada! – Reclamei quando o tira começou a apalpar a Sakura.
O outro me bateu.
— Silêncio!... Ei, o que é isso?
O policial tirou o gravador do meu bolso.
— É só um grava... É um gravador! – Comecei a pular animado.
— Você não desligou ele, certo? – Sakura me olhou esperançosa.
— Não, ficou gravando o tempo todo!
Peguei o gravador e dei play... Que droga! Começou a passar a gravação da festa e deu para ouvir quando a Hanabi flertou comigo.
— Você transou com a minha filha? – Hiashi esbravejou.
— Não, sua filha continua virgem... Pelo menos virgem do Sasulittle. – Dei de ombros.
Eis que começou a parte em que quase transei com a Sakura... Ah, só de lembrar como ela estava linda... Ela é tão perfeita. Vi que a rosada corou ao meu lado. Tão linda...
— Vocês estavam transando enquanto eu arriscava minha vida? – Naruto nos olhou indignado.
— Você viu como ela estava naquela saia? A bunda, as pernas, tudo bem ressaltado... Ela estava bastante comível. – Falei como se fosse óbvio... E era! Afinal, que homem em sã consciência não babaria na Sakura?
Ela me deu um chute na perna direita.
— Ai! – Gritei e a olhei... Tive medo da minha cabeça explodir com o olhar dela.
— Isso não é motivo, tínhamos um assassinato para provar! – O Dobe esbravejou de novo.
— Em minha defesa, devo dizer que ela fica muito melhor sem roupa... – Falei.
Sakura me chutou novamente. Que merda! Olhei para ela, que ainda me lançava o mesmo olhar raivoso.
— Dá pra adiantar a gravação? – Ela perguntou... Foi mais uma ordem, na verdade.
— Seu desejo é uma ordem, Princesa! – Falei com um sorrisinho sedutor que foi prontamente respondido com um olhar irado e um terceiro chute.
O gravador parou de emitir vozes. Olhei para o aparelho em minha mão. Só pode ser brincadeira. Como assim parou?
Hiashi sorriu debochado.
— Parou? – Naruto perguntou retoricamente. – Parou? – Ele começou a rir escandalosamente e gritar com a voz aguda... Já sabem o que significa. – É claro que parou. Nós estamos fodidos. – Ele começou a pular sorrindo, visivelmente perturbado. – Nós seremos presos. Presos! – A voz dele continuava esganiçada. – Eu não vou me casar com a Hinata. – Ele começou a chorar, se ajoelhando.
— Eu não permitiria que se casasse com a minha filha. – Hiashi falou com desdém.
— Estamos noivos. – O Dobe se levantou e mostrou o dedo com o anel na cara do sogro. – Eu sou noivo da filha de um assassino. Assassino! Assassino! Assassino! – Ele voltou a gritar e pular com a voz aguda.
— Ei, quer casar comigo, Sakura? – Olhei pra rosada. – Seu chefe é um assassino, ele matou o meu primo... Tudo se encaixa.
— Nós estamos sendo presos, Uchiha. – Ela estreitou os olhos. Tão sexy!
— A gente se casa lá. – Dei de ombros.
Ela revirou os olhos.
— Nada de casamentos, os três serão presos. – O policial falou.
Dois tiras vieram algemar Sakura e eu. Eles nos viraram contra o carro da Sakura. Um sorriso se estampou no rosto dela... Só pode ser louca.
— Sasuke! – Ela sussurrou e apontou pra onde olhava com um movimento de cabeça.
Ela estava olhando, com um sorrisinho vitorioso, para uma floricultura fechada... Ela não aceitou casar e quer que eu dê flores, é isso?
— Só te dou flores se aceitar casar comigo. – Murmurei de volta e o tira me bateu.
— Silêncio! – Ele esbravejou.
— O quê? Não quero casar nem quero flores... É a floricultura da mãe da Ino. – Ela murmurou.
— E daí? – Ergui uma sobrancelha.
— Senhor! – Ela chamou o policial e todos a olharam. – Essa floricultura é da Sra. Yamanaka, esposa do detetive Yamanaka.
— E daí? – Ele repetiu a minha pergunta.
— Tem câmera filmando o exterior da loja. – Ah! Então por isso ela tá feliz.
— Como você sabe? – Ele perguntou.
— A filha deles é minha melhor amiga, frequento a loja desde criança. – Sakura falou. – Se me permitir fazer uma ligação...
— Ninguém vai fazer ligação! – O oficial me interrompeu. – Na delegacia a gente fala com o Sr. Yamanaka.
Hiashi estava nervoso... Se ferrou!
Ele partiu para cima do policial que havia prendido o Naruto e tomou a arma dele, apontando para a Sakura.
— Sua vadiazinha, eu deveria ter me livrado logo de você! Sua inútil! Não passa de uma órfã que nunca vai crescer na vida.
Pela segunda vez no dia me senti em câmera lenta. Depois de ouvir o barulho da arma, eu olhei amedrontado para a Sakura. Sério, nunca senti tanto medo em minha vida. O impacto do tiro fez ela bater contra o carro. O rosto dela estava contorcido em dor. A bala se alojou no peito dela.
Por favor, que não tenha sido no coração!
Minha visão ficou nublado devido a minha raiva.
Eu corri na direção do Hyuuga e dei uma cabeçada nele. Ele se ajoelhou e eu comecei a chutá-lo. Gritando xingamentos.
Os tiras me seguraram, me prensando contra o carro do Hiashi.
— Chamem uma ambulância. Vocês todos vão para a delegacia!
...
De cinco em cinco segundos eu me pegava olhando o relógio da sala em que eu estava e depois para a Ino. Inoichi estava com os policiais, mostrando as gravações da floricultura. A loira não me acalmava nem um pouco. Andava de um lado para o outro, esperando notícia da Sakura.
Naruto estava ao meu lado, balançando as pernas direto, vez ou outra batia na minha. E isso estava me deixando mais ansioso.
— Rapazes... – Inoichi entrou, junto com outros tiras. – Vocês estão livres. As acusações pela morte de Tobi Uchiha foram retiradas.
— Mas vocês invadiram a casa dele. – O policial, que descobri se chamar Asuma, falou.
— Sasuke tem a chave da casa do Tobi, eles eram primos. Não acho que tenha sido invasão. – Ino intercedeu por nós.
Inoichi virou para o Asuma e sorriu.
— Acho que eles não têm mais nenhuma acusação.
— Humpf! Estão livres.
— Obrigado!
— Obrigada!
Ino e eu falamos em uníssono. Estávamos loucos para ir ao hospital ver a Sakura. Eles desalgemaram Naruto e Eu.
— Estou livre! Tudo que quero é ir para minha caminha com a Hinata! – O Dobe praticamente gritou. – Manda notícias da Saky, Teme!
— Certo. – Respondi.
— Vamos, Uchiha... – Ino me chamou.
Saímos da delegacia e fomos para o hospital no Mercedes da Yamanaka.
Chegando lá, soubemos pela doutora Senju, cirurgiã cardiotorácica, que a Saky havia passado por uma cirurgia para remoção do projétil.
— Não houveram maiores complicações, ela está em repouso. Vai ficar em observação, mas em breve receberá alta. – A loira peituda... Digo, a doutora Senju, nos informou.
— Obrigada, doutora. – Ino falou. Depois que a doutora saiu, ela se virou para mim. – Vocês tiveram uma noite em tanto. Vá para casa descansar, eu fico aqui com ela.
Ponderei um pouco se eu a deixava ou não.
— Nós finalmente nos acertamos. – Murmurei.
— Sério? – Ino sorriu. – Uma hora ou outra isso haveria de acontecer. Ela vai entender se você for descansar.
Suspirei pesadamente. É, eu preciso de um descanso.
— Obrigado, Ino. – Falei. – Eu vou descansar e amanhã de manhã eu volto.
— Certo... Pode deixar que eu cuido da Saky. – Ela tocou em meu ombro.
Sorri e dei um abraço de lado nela.
Peguei um táxi. Eu queria relaxar e foi o que fiz. Tomei um banho e me joguei, sem roupa mesmo, na cama da Sakura. Sim, o apartamento dela me deixava mais confortável, graças ao cheiro dela impregnado no travesseiro. Tudo estava resolvido. Estamos livres, a Sakura vai ficar bem... Ao menos até descobrir que o carro dela não tem concerto.
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