Queridos Pesadelos.

4 Parte da minha Verdade.


Notas iniciais
_ = Fala do personagem.
" " = Pensamento do personagem.
( ) = Expressão do personagem.
~ = Narração do personagem.
Negrito = Lembranças.
Itálico = Escritas do diário.
Negrito + Itálico = Música que acompanha o capítulo.
Ao se iniciar uma frase ou parágrafo sem esses sinais, narração da autora (eu).

~ Malese ~

O que vou fazer? Hiran está descobrindo tudo... Eu não queria isso, ele vai ter medo de mim, igual os outros. Ter receio de falar comigo. Mais o que posso fazer se muitas das perguntas nem mesmo eu sei? Jogo minha bolsa em cima da cama de meu quarto e corro cara os fundos da casa.

Resolvo procurar pelos diários de meu pai já que estou sozinha em casa, ele sempre deixara em um baú no fundo do guarda-roupa velho do quartinho que a gente usa na garagem para guardar coisas velhas. Desde sempre minha mãe nunca implicou com ele, o que era incrível pra mim já que ela tinha horror a coisas velhas e imundas de poeira, igual aquele lugar.

O guarda-roupa já estava caindo aos pedaços mais era feito quase que sob medida para guardar o baú. No baú de madeira velha mofada — do tempo dos meus avós — de trancas enferrujadas, com um grande furo no centro para uma chave... Meu pai sempre guardava a chave junto das outras, pois sabia que ninguém de casa mexeria e ninguém de fora saberia.

Peguei e abri. Toci por alguns segundos, em seguida espirrei.

_Senhor, como tem poeira aqui!

Ajoelhada procurava desde o primeiro diário, até o ultimo, que eu saiba meu pai começava a escrever os diários quando começou a descobrir tudo na época dos 15 anos. Eu comecei um ano antes, tenho 14. E não porque estou descobrindo tudo. Sim porque meu psiquiatra/psicólogo mandou.

Não sei porque consulto. Contra a vontade de meus pais mais a favor de meus antigos professores. Eu costumava estar sempre envolvida em acidentes estranhos e sempre falando de meus pesadelos, desenhando coisas realmente bizarras para uma criancinha de 5 anos, falando que via vultos brancos ao amanhecer ou sombras negras ao escurecer.

A certo tempo parei de falar que via ou tinha pesadelos e minha família tentava tirar os acontecimentos da pista do doutor antes que este me mandasse para um hospício ou um reformatório para loucos.

Resolvi pegar alguns diários, principalmente o primeiro e o ultimo, de quando ele tinha 15 e de quando tinha 28. Nossa, ele já tinha tudo isso antes, mais é tortura pensar que possa durar tanto tempo assim. Procurei pegar também o do ano em que ele e mamãe haviam dito que se conheceram, o de quando ele tinha 20 anos, e os de quando ele contou a ela tudo o que sabia e quando eles haviam começado a namorar, 22 e 24 anos. Já basta por enquanto. São apenas pistas.

Não sei se terei coragem para ler por enquanto. Terei que tirar algumas perguntas de minha cabeça com meus pais antes e também não acho certo fazer assim, escondido, como se fosse uma investigadora prestes a solucionar um crime do qual tem medo da verdade. A verdade que pode custar vidas machucadas — literalmente -.

Fechei o baú hesitante e receosa. Quero ficar sozinha. Agora quero ter o prazer de ficar solitária comigo mesma. Não por alguém como sempre acontece, mais por mim. Não sei se falarem comigo vou responder com gentileza...

Agarro os livrinhos em frente ao meu corpo e corro com todas as minhas forças para dentro do quarto. Guardo todos dentro da bolsa junto ao meu diário... espera.

_Onde está o meu diário?? — (gritei, bufei, rosnei, quem pegou?).

A não, estou sozinha em casa, sem meu diário, minha única fonte de conforto nessas horas... se não está comigo com quem está?

Hiran! Ele deve ter pego. Lembro que hesitou em momentos depois que sai correndo. Ele havia quase gritado meu nome, mais já estava longe. Ele está com meu diário e se eu fosse ele, se eu tivesse pego o diário de um menino misterioso, que todo mundo exclui, que fica falando de seu passado como se fosse uma vitima — e era — e que todos dizem para se afastar... eu não aguentaria! Eu leria cada capítulo e depois cairia de joelhos para me desculpar se não ficasse assustada o bastante para pensar em queimar aquelas páginas anormais! Não tenho nem o número dele, ele não entra em nenhuma rede social que eu o tenha... ou talvez não entre visível para mim...

~ Hiran ~

A essa hora Malese já deve ter tido a falta do diário... seria o certo mesmo ler?

Não importa, agora já foi.

Na página seguinte da carta resposta ao pai, Malese desenhou uma árvore genealógica. No topo em uma área pintada aparentemente por lápis de cor verde-claro dois quadradinhos vazios, abaixo, mais um quadradinho vazio, e ao seu lado vários traços seguindo para baixo, e um escrito de "Antepassados até os atuais" logo após, em uma área sem pintura, apenas o grosso papel branco amarelado do diário, como folhas de um bloco de rascunhos, havia um quadradinho escrito trisavô e um ao lado branco, logo abaixo, um escrito bisavó e um em branco, mais abaixo um escrito avó e um em branco, mais abaixo um escrito pai e um em branco, abaixo um único quadradinho, escrito eu.

Me dei conta que estava mais para uma lista de quem tinha o mesmo problema que a Malese, e pelo que estava escrito na descrição do desenho, nem mesmo ela sabia de muita coisa... talvez eu poderia falar com ela e assim acharmos juntos...

Na página seguinte tem mais uma foto. Malese e seu pai estavam iguais a foto anterior, até o mesmo sorriso.

"Meus melhores e únicos amigos"– Estava escrito na legenda.

Malese deve ter sido uma criança muito solitária e muito feliz quando pequena, uma foto com várias pessoas, dois idosos, deduzi que seriam seus avós, cinco adultos, seu pai e sua mãe abraçando-a, uma mulher abraçada com um homem e uma outra criança, um menininho, e uma outra mulher segurando um cachorrinho, segurando sua patinha como para dizer "tchau tchau" para a câmera. Mais agora, Malese deve ter perdido a felicidade para o dia-a-dia ao decorrer da ignorância e exclusão das pessoas.

Na página seguinte havia o sobrenome "Evan" pintado com cores coloridas e circulado com canetinha, marcado levemente pelas linhas da foto no outro lado da folha.

"Dia 01 de Fevereiro.

Oi. Meu nome é Malese Evan... Mais você não vai querer me conhecer... Eu tenho um segredo que não compartilho com ninguém, por medo. Medo por que já sofri muito por isso... Eu tenho pesadelos.
Mais não são simples pesadelos... Eu vejo nos meus pesadelos... As pessoas.
Mais não qualquer pessoa... Nem todas são as que tenho pesadelos, mais quando eu tenho, eu vejo como essa pessoa morre.
Mais eu até gosto de meus queridos pesadelos, de certa forma. Quando a pessoa não morre eu posso ver como salva-la, o que ocorre na maioria dos casos.
Por isso você não quer me conhecer... Eu vou te contar tudo... Mais seja um bom diário e não se abra para ninguém, além de mim [...]"

Desliguei o ventilador direto da tomada, estava calor mais o ar se fez frio... O que ela é? E porque me sinto meio culpado por isso? O que eu tenho a ver com isso?

"[...] Tudo começou quando eu tinha 4 anos... eu comecei a ter pesadelos repentinos, acordar ofegante, suada, completamente aterrorizada, e em seguida eu gritava para meus pais que algo ruim ia acontecer mais não sabia o que, ai chega uma certa hora, não importava o tempo que levasse, eu via uma sombra escura, me encolhia, e esse algo ruim acontecia... não dava tempo de uma simples criança assustada que nem sabia dos perigos da vida reagir, fazer alguma coisa. Tempos depois parou, ficou cada vez mais lento de acontecer, até que parou, meses inteiros sem esses tais acontecimentos, meu aniversário de 5 anos chegou. Foi o pior da minha vida. Eu vi as sombras chegando perto da mesa do bolo, eu tinha um animalzinho de estimação, um cachorrinho, tentei chegar a tempo, ninguém via, apenas eu e aparentemente o cachorro, já que latia e rosnava ferozmente para o lado das sombras... corri, tropecei e me atrasei, o cachorrinho tinha sido perfurado no coração, do nada, teve convulsões enquanto gemia de dor, tudo aquilo bem na minha frente, uma criança inocente caída sobre um chão áspero e frio, vendo seu querido animalzinho de estimação, que tanto lhe deu sorrisos agonizar depois de ser atacado por sombras que tanto a assustavam, sombras que só ela via, sombras que sempre a encontravam antes de um pesadelo que ela nunca se lembrara, um cochilo mal feito a fez ter um pesadelo sem fim, após aquilo, essa garotinha começou a se lembrar perfeitamente de todos os detalhes dos pesadelos até eles acontecerem, depois eles se vão e tudo o que sobra são lembranças. Tempos depois eu estava na escolinha fazendo desenhos estranhos que ninguém intendia, tendo pesadelos com coleguinhas que se machucavam misteriosamente depois e consultando um psicólogo a pedido dos professores e contra a vontade dos pais, que sabiam de tudo[...]"

Fico imaginando ainda mais pelo que ela passou e passa até hoje, deve ter sido horrível, não consigo me imaginar no lugar dela... não consigo imaginar essa dor. Próxima página... isso está me parecendo mais um livro de ficção viciante, é confuso e louco demais para entender agora... a Malese é um tipo de vidente? É um tipo de anjo da guarda que não está fazendo seu papel direito? Ou é um dom hereditário? Que começou sei lá como com algum antepassado dela e vem passando de filho para pai até ela?

Parece mentira mais de algum modo eu acredito em tudo aqui... E eu preciso saber porque... terei uma longa conversa com ela amanhã na escola, o que li já é o bastante para torturar minha mentalidade por hoje, o resto ela que me conta, e o que não souber explicar, eu acho.

Going Under — Evanescence

Então, vá em frente e grite;

Grite para mim, eu estou tão distante;

Não serei magoada novamente.

Eu tenho que respirar;

Não posso continuar afundando.

Notas finais
Oi gente, eu havia dito que a história ia ser curtinha não disse? - não lembro ¬¬ -
Então, não vai ser, encontrei um jeito de movimentar mais a história e ela vai deixar de ser curtinha para se tornar uma verdadeira história de suspense u.u
Beijinhos misteriosos nas bochechas de vocês ;*