Queridos Pesadelos.
5 Malese no Nivkienzi
Notas iniciais
" " = Pensamento do personagem.
( ) = Expressão do personagem.
~ = Narração do personagem.
Negrito = Lembranças.
Itálico = Escritas do diário.
Negrito + Itálico = Música que acompanha o capítulo.
Ao se iniciar uma frase ou parágrafo sem esses sinais, narração da autora (eu).
Prometi a mim mesmo que não leria... mais aqui estou. Três horas da manhã e eu vou acordar parecendo um zumbi amanhã... digo, hoje, mais vou continuar lendo essas palavras. Já passei três dias aqui, é exatamente o dia 04 de Fevereiro no diário e tudo o que eu descobri foi:
– Que uma pessoa normal leria isso, ligaria para um hospício e entregaria até a identidade da Malese Evan, que a chamaria de louca, processaria seus pais por apoiarem suas ideias e a parte mais assustadora — a entregaria por assassinato.
Mais e o que eu vou fazer? Eu não sei porque mais acredito em tudo isso! Fiquei uns cinco minutos congelado quando li isso:
"Dia 02 de Fevereiro.
Ontem eu falei como começou, mais agora vou falar como terminou... não por minha parte, ainda carrego este fardo, mais pelo meu pai.
Quando ele tinha 20 anos conheceu minha mãe... Ele estava na faculdade. Ele agia estranho, assim como eu, fechado, gelado, minha mãe dizia que ele tava mais para um freezer ambulante até conhece-la. Ela ficou interessada por ele, um homem bonito, de bom porte, cursando uma ótima faculdade. É claro, quando não se tem vida social, você costuma procurar vários assuntos e tirar dúvidas, você acaba aprendendo com isso e ganhando uma bolsa de estudos completa para uma faculdade integral. Ou seja, ele e minha mãe foram foi "colegas" de quarto. Ela sempre procurava falar com ele, chama-lo para se divertir já que ele era muito fechado, mais ele tinha medo de ter algum pesadelo com ela, e quando viu que se contasse a ela e ela se afastasse ele não aguentaria, prometeu a si mesmo que daria uma chance à amizade deles e assim que tivesse um pesadelo, iria correr meio mundo para salva-la nem que custasse sua vida.
E deu certo, eles viraram amigos e nunca mais meu pai teve seus pesadelos, assim, quando ele completou 22 anos, minha mãe achou o diário dele aberto no chão e acabou lendo, mais ela não esboçou reação assustada ou coisa do tipo, ficou normal, como se por algum motivo soubesse que o que estava ali era verdade e meu pai resolveu contar tudo à ela.
Quando eles completaram 24 anos descobriram que estavam apaixonados, era o último ano da faculdade de minha mãe e ela resolveu fazer algum curso enquanto trabalhava na universidade para não ficar longe do seu querido Will. Afinal, meu pai já havia lhe pedido em namoro à altura do campeonato... fazia 3 anos que os pesadelos sessaram e eles começaram a investigar — com receio, é claro — sobre o que poderia ter feito eles pararem, assim, quando um descendente nascer — eu — e acabar herdando essa "maldição" saber como faze-la parar. Nada descobriram. Dois anos depois, quando já se encontravam com 26 anos, meu pai voltou a ter os pesadelos, os dois já haviam se formado e estavam trabalhando na universidade mesmo, morando juntos, passaram mais 2 apreensivos e angustiantes anos de pesadelos até que o tão mal esperado e assombrado sonho chegou — o que qualquer um da minha família rezaria para não ter — Ele teve um pesadelo confuso, sem sentido, indecifrável, mais conseguiu distinguir que sua vitima seria minha mãe. Justo ela. Ele conseguiu salvá-la e do nada lembranças lhe apareceram, os pesadelos contém todos alguma chave, peças de um quebra cabeça, que quando esse pesadelo indecifrável chegar tudo se resolve e você estaria liberto. Meu pai se lembrou de um lugar muito antigo, parecia ser uma caverna, com uma fogueira, uma iluminação amarelada, várias penas e pedrinhas jogadas pela caverna e penduradas, fios e lã, muita lã, várias mulheres em um tabuleiro com um bebê em cima. Ele disse que uma delas dizia:
_Este é o filho dele. Menino que iniciará a maldição dos Nivkienzi.
Nivkienzi? A família de meu pai perdeu esse sobrenome a muitas e muitas gerações, desde que descobriram isso — coisa que todos se lembravam — decidiram o exilar de seu nome e o substituir por um simples e bom "Evan".
Então, será que para achar meus antepassados eu deveria procurar por Nivkienzi? Ou pelo nome da mulher? Khatara no Branlieri? O nome da tal mulher.
Sim, eu procurei e me assustei — Branlieri era o sobrenome das antepassadas das mulheres que diz uma lenda que minha vó me contava, eram as que passaram a bruxaria para Salem. Isso é estranho... Khatara no Branlieri, nem te conheço mais em meu coração já se encontra uma terrível e impetuosa raiva de você. Sou eu, Malese Evan, ou como diria, Malese no Nivkienzi!"
E como eu dizia... coincidências não existem, são apenas destinos retorcidos pela vontade não caminhada. Sem sentido e confuso? A vida é. Mais isso... Isso é a coincidência de que eu falava. Parece que desde pequeno eu já sabia que isso iria acontecer e o que mais me congela nisso tudo... Uma lembrança.
–
Eu com uns 4 anos no porão da antiga casa de meus bisavós, quando eles eram vivos, depois a casa foi praticamente abandonada. Mexia em um entalho de madeira velha coberto com poeira, passei a mão e senti um escrito... Vi apenas as três letras iniciais antes de minha bisa bater em minha mão, gritar comigo de um jeito que eu jamais tinha visto para ela — que tinha uns 90 anos na época — — "BRA" — e então veio em minha mente... Tomara que não! Eu não posso ser um Branlieri. Não me chamo Hiran no Branlieri, e sim Martin, mais então sacudi a cabeça, só devo estar ficando louco.
–
Porque uma criança de 4 anos faria algo do tipo? Não sei, mais depois daquilo minha bisa praticamente ordenou que minha avó me levasse para o outro lado do país, e assim que ela morreu vim morar com meu pai. É a vida né? Mais agora um relato... acabei de ler como é um pesadelo da Malese... bem... da parte que ela ainda se lembra... Ela não marcou data, estava escrito com um lápis de escrever forte, pois estava totalmente borrado, mal dava para ler algumas frases.
–
Agora pense diário — 4 horas da manhã + acordar ofegante + acordar suada + acordar assustada + acordar gritando desesperadamente = Eu com pesadelos.
Na hora eu sei que eu sabia. Um garotinho da minha sala... digo... que era da minha sala, ele estava caindo em alguma coisa, um buraco negro sonolento, frio, escuro e sem luz alguma, apenas dava para enxergar seus olhos se fechando levemente. Eu sentia como se eu fosse aquele garoto e foi terrível! Foi meu ultimo pesadelo, sempre temos a impressão que alguma coisa aconteceu antes no pesadelo, antes dessa "visão".
Uma semana depois, o garoto tinha sumido, eu não pude fazer nada.
Ele havia sido arrastado por um boeiro em um dia de chuva. Bateu com a cabeça e bem... imagine. Um corpo totalmente molhado, de água de chuva, esgoto, cheio de insetos e pragas, repleto de limo e lama, com a cabeça rachada e os vidrinhos que carregava na sacola, atravessados em sua barriga e garganta. Não se sabia distinguir o que era sangue e o que era esgoto quando retiraram o corpo [...]
–
Ânsia, náusea, estomago embrulhado nas frias palavras escritas ali. Malese... Porque não me intimido com você, como os outros?
–
~ Malese ~
Já é um novo dia. Falta cerca de duas horas para as aulas começarem e eu não consegui dormir a certa hora... Então vou buscar pelo meu diário. Procuro em tudo. Cadernos, site da escola — procurei a toa, aquilo está parado a anos... Resolvi então ligar para os professores.
–
"tuuuu tuuuu tuuu — "
Uma voz pigarreia e fala:
_Diretora Fernandez, com quem eu falo? — (diz uma voz medonh-- nada suave, digamos assim).
_Malese... Evan.
_Ma-malese? O que deseja? — (diz Reforçando sua -linda– voz).
_Como é o número de telefone do Hi-- Hiran Martin? Do 9º ano B?
_O que? O que vai acontecer com ele?
_Nada, fique tranquila, mais ele está com meu diário. E lá eu escrevo tudo.
_Isso não... não pode acontecer — (voz preocupada) — vou ligar para ele. Assim que chegar à escola, seu caderno estará à mãos.
_Assim espero.
Black Veil Brides — FALLEN ANGELS
Nós somos o meio-termo, derrubados como filhos da guerra
Atingimos a terra como um raio, nesse mundo nós estamos divididos
Nós não vamos causar a dor, de viver fora das leis deles
Tenha o prazer de ser quem você é, sabemos que nossas asas são falhas
Estamos entediados até a morte no céu
E sozinhos no inferno,
Nós apenas queremos ser nós mesmos.
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