Queridos Pesadelos.
3 Cartas de Pai Para Filha, de Filha Para Pai.
Notas iniciais
" " = Pensamento do personagem.
( ) = Expressão do personagem.
~ = Narração do personagem.
Negrito = Lembranças.
Itálico = Escritas do diário.
Negrito + Itálico = Música que acompanha o capítulo.
* Narrado pelo Hiran *
Tomei um longo banho para esfriar a cabeça... Mais pelo jeito nada mudou... Continuo com o mesmo sentimento entalado na garganta. Sinto muito Malese... Mais eu não vou conseguir descansar enquanto não ler.
Em uma velocidade absurda, de toalha e ainda pingando algumas gotas pelo quarto sento na cama e pego aquele pequeno caderninho de capa marrom com um pequeno nome na parte de trás... O dela. Abro, vejo na parte de dentro da capa uma carta colada... Era de seu pai.
"Will Evan — 29/12
Oi meu pequeno brilho da lua... Meu presente de fim de ano para você é o mesmo que ganhei quando tive sua idade... Um diário.
Nele você irá escrever toda a sua história. Tudo o que você sente... Tudo o que você sonha, e como sabe que papai passou pelo mesmo um dia, sei de tudo o que você sente e tudo o que você sonha.
Não importa o quanto as pessoas de maltratem ou te firam. Saiba que sua família está de braços abertos para você. E vai chegar o dia em que você vai se libertar dessa prisão e vai poder sorrir para o mundo. Um sorriso verdadeiro filha. O mesmo sorriso que você deu quando disse:
_Não se preocupe papai... Eu me orgulho de ser igual a você no futuro."
Quando li, gelei. Malese havia me dito que está tendo a mesma história que seu pai... Mais que é tão sério a ponto de ser escrito com tanta tristeza? Marcas de lágrimas marcavam toda a carta.
Na página seguinte havia uma foto colada de Malese pequena abraçando o pai por trás, ambos rindo, felizes. A pequena Malese, o pequeno brilho da lua, como diz seu pai, Will, com os olhinhos negros brilhando de um jeito que eu não costumo ver, com os cabelos ao vento, e um tanto bagunçados... Acho que ela se divertiu muito nesse dia. E havia também uma outra carta escrita pela Malese como resposta.
"Obrigada pai.
Me inspiro em você todos os dias. Quando as pessoas me olham com aqueles olhares, falam de mim ou falam para quem não me conhece ficar longe de mim, eu me lembro que você superou tudo isso.
Você acha que prever é um dom... Mais eu não achava, agora eu acho, porque consegui tanto impedir que pessoas se machucassem, como prevenir... Mais ainda sim não preveni que elas se fossem... E quando tudo melhorava, eu acordava no meio da noite, em gritos, suando frio novamente e tudo se repassava...
Eu digo e repito o que um dia já afirmei — Não se preocupe papai. Eu me orgulho de ser igual a você no futuro."
Prever? Impedir que se machucassem? Prevenir que se fossem? Lendo tudo isso comecei a entender... Malese não tem culpa mesmo do que quer que esteja acontecendo... E, eu estou disposto a ajuda-la, custe o que custar... Estou aprendendo que não consigo mais vê-la sofrer... Porque? Meu coração parece que morre, e a cada palavra que leio sinto como se fosse comigo... Devo dizer... É horrível, e só de pensar que a Malese sente isso dia após dia... É como se alguém enfiasse a mão dentro do meu coração e arrancasse um pedaço. Sinto como se eu tivesse que protegê-la, como se tivesse a chave para tudo aquilo passar.
Medade de mim se arrepende de ter lido, metade não.
Metade de mim se arrepende por ter jogado Malese contra a parede e pegado o diário, metade sente como se eu tivesse deixado tudo como estava, devolvido o diário quando pude, essa sensação de surpresas futuras não iria estar me perseguindo.
Metade de mim acha que devo parar por aqui, que ler as cartas trocadas com o próprio pai já foram invasão de privacidade o suficiente... Metade quer ir até a ultima folha, ultimo parágrafo, até o ultimo ponto final desse livro. Sinto dizer. É viciante.
New Divide — Linkin Park
Não Havia nada a vista.
Além das lembranças que foram abandonadas.
Não havia onde se esconder.
As cinzas caíam como neve.
E a terra cedeu;
Entre onde estávamos parados;
E sua voz era tudo o que eu ouvia;
Que eu tive o que merecia.
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