Notas iniciais
Postei mais cedo do que esperei. Não sei o que aconteceu, deve ser que o meu chocolate me acelerou e tbm as pessoas que comentaram: MelRodrigues e Nicolarie Manson. Muito obrigada! ♥ Enfim... espero que gostem. Boa leitura!

Quinta-feira, 6 de fevereiro

10:04

Querido Vinicius,

Quando cheguei ao “inferno”, ouvi um certo rumor que espalhava. Diziam que vão ter um aluno novo, ou seja, um transferido. Eles estavam em pulgas para saber quem seria: um fraco ou forte. É o que querem saber disso, se for fraco, mais bullying e se for forte, mais forte do que todos, pode até virar um rei do “inferno”.

Como eu disse, no “inferno” só existem animais salvagens, atacando os pobres fracotes para mostrar o quão são fortes. Quanto mais fama, será o próximo rei.

Atualmente, o rei do “inferno” é apenas um garoto grande e com rosto muito feio: totalmente careca, com rosto cicatrizado no olho e dentes afiados que ele próprio fez. Quanto masoquismo! E quanta feiura! Se ele descobrir de você, estarei muito fudido. E morto…

Ele deixou muito claro que ninguém podia criticá-lo, senão seria uma pena de morte. Acho que ele estava blefando… Ninguém tem direito de matar alguém, certo?

Lembro que quando entrei no portão de “inferno” e ouvi alguém gritando:

― Não! Por favor, me perdoe…

Virei-me a busca da voz desesperada, e deparei que o rei estava a frente do garoto muito frágil, mais magro e pequeno do que eu. Quase entrei em pânico mas permaneci com rosto frio.

O rei ria histericamente, exibindo os dentes afiados só para causar calafrios aos outros. E os outros seguidores juntaram a gargalhada.

― Que pena! Não achas que mereço que me pagues por pisares nos meus sapatos novos?

O rapazinho encolheu-se, conseguia ver o corpo dele a tremer. Meu deus, porquê não o deixam em paz? Ele é duas vezes mais pequeno do que rei! Que covarde…

O rei ficou irritado com a ausência da resposta do rapaz, então chutou na barriga dele o fazendo se curvar.

― Responda, seu merda.

O rapazinho não respondeu, ficou a gemer a agarrar a sua barriga. Eu e os outros ficamos imóveis, a ver aquela cena que era capaz de causar o medo aos outros. O rei estava apenas a mostrar quão fama tinha, como tenho ódio deles…

Vinicius, eles são muitos tolos, sabia? Eles não querem pensar nas consequências porque se estiverem no lugar do rapazinho, era muito óbvio que não iriam gostar.

― Tsc, seu lixo. Homens, façam o que quiserem com ele. – disse por fim, se afastando enquanto os outros aproximaram o rapazinho com risinhos maliciosos.

Eu sou cruel? Por não fazer nada para salvar o pobrezinho?

Olha quem fala, porque não salvas tu?

…

Já imaginava, então esteja calado!

Estás muito enganado, Vinicius. Eu sou muito boa gente, que não suporto ver a violência. Sabes o que aconteceu depois disso?

Sim, eu fiz algo suicida.

Como não aguentei a maior diferença no garotinho, desatei a correr que os outros ficaram surpresos com o “vento” a atravessá-los rapidamente. Os outros gritaram quando viram-me ao lado do garoto.

― Ghost Boy!

Revirei os olhos, sorrindo. Chutei os seguidores do rei nas bundas deles e peguei o pulso do garotinho, arrastando enquanto desaparecíamos.

Pronto, é isso. Eu salvei-o e você não. TOME!

Ok, não fique brabo, Vini.

Após disso, o garotinho chorou litros e agradeceu-me umas milhões vezes, era como uma eternidade. Como fiquei envergonhado, mandei-o calar mas ele deixou-se escapar na boca:

―… obrigado – disse ele, com voz chorosa. Fiquei horrorizado com os fios líquidos deslizando no nariz abaixo.

― Pelamor! Limpe o seu nariz! – ralhei.

O rapazinho olhou-me e abriu um sorriso tímido. Admito que fiquei calmo depois disso, entreguei-o um lenço que estava guardado na minha mochila, por sorte.

Ele pegou e assou com um barulho se parecendo com um motor de carro. Fiquei assustado mas não segurei o riso.

― Como te chamas?

Ele ficou um tempo sem responder, fungava e lançava os olhares tímidos em mim.

― Carlos…

― Rodrigo, prazer – estendi a mão e Carlos ficou a olhar-me confuso então peguei a mão dele, assustando-o com a ação repentina.

Apenas balancei as mãos e sorri. Acho que vi as bochechas dele a corarem levemente e retribuir o sorriso.

E assim tocou a campainha.

12:24

Querido Vinicius,

Afinal o rumor estava certo, quando levei o Carlos para a sua sala só para deixá-lo protegido e vi que correu para os seus dois amigos que se lançaram os olhares preocupados e chorou enquanto eles sussurravam-mo carinhosamente.

Fiquei aliviado que ele tinha amigos, então retirei-me e fui direto à minha aula.

Não demorou muito quando pus os pés após abrir a porta e deparei o rosto feio do meu amigo.

― E aí, Ghost boy? Ouvi que você salvou um garotinho sendo espancado pelo rei e os seus amiguinhos, é verdade? – a sua voz era estridente, como ele era irritante.

― Cale-se, você grita muito alto como uma garotinha. Por acaso, você está em TPM? – rosnei.

― É que não esperava por isso! Conte-me tudo! – me abanava nos ombros, todo empolgado. Irritante!

― Agora não, Gustavo, não tenho vontade. Só de ouvir a sua voz, já me causa dores de cabeça – me afastei, direcionando à minha cadeira que ficava ao lado do meu amigo irritante. Que deprimente…

― Ei, ei, ei, não digas isso – Gustavo riu, seguindo-me e sentou a cadeira ao meu lado. – Mas admito que fiquei admirado com sua coragem. O que lhe deu? Você não era assim…

― Eu quis, está bem? – revirei os olhos e vi que o professor tinha entrado na sala, dando um aviso que iria começar em breve. – Como eu disse, mais tarde, conto-te. A aula está para começar.

Gustavo nada disse, apenas lançou-me o olhar ansioso e depois prestou atenção ao professor que se sentava na cadeira e a abrir um livro. Ele lançou um olhar para todos menos eu.

Hm? O que disseste, Vini? Porquê ele não me olhou? Bem… como vou explicar…

Nada mais esperado que o meu professor é o meu irmão mais velho. Ele briga comigo em casa, xinga-me e manda-me todos os dias então não era preciso olhar-me já que eu vejo-o todos os dias, né?

Acho que ele já sabe do incidente que eu envolvi. Quando eu chegar em casa, tenho de certeza absoluta que vai pegar-me pelo pé e arrastar pro seu quarto para dar sermões. Depois conto-te se isso acontecer.

Após a aula terminar, o professou mandou todos ficarem na sala e ficamos a olhá-lo indignados.

― Só para saberem uma coisa: amanhã de manhã, vem um aluno transferido para a nossa sala. É isso, podem ir – falou enquanto arrumava os livros e quando terminou, se retirou a sala.

Gustavo praticamente correu até a mim e pulou agarrando pelo meu pescoço.

― Rodrigo! – gritou e me abanando como sempre. – Conte-me agora!

― Eu quis salvar o garoto e nada demais, sai em cima de mim! – rosnei, tentando afastá-lo mas ele era persistente.

― Você é muito frio comigo! – riu com deboche e largou-me. – Não te amo mais – disse por fim, com lágrimas de crocodilo.

― Foda-se, é melhor assim – mostrei o dedo no meio.

Afastei do Gustavo que olhava-me indignado e, depois, deitou a sua língua nas minhas costas. Vais ver, meu caro amigo. Eu vejo tudo que nem imaginas…

Viu como eu tenho amigos irritantes, Vini? O quê? Estás a me dizer que sou irritante? Ah… verdade. Eu sempre tento discutir contigo, né? Mas eu sinto que você é como uma pessoa, então não tenho culpa. Não estou a mentir, Vini! Pare com isso.

Vamos voltar o assunto anterior…

Mentira, não quero.

Há uns minutos atrás, eu estava a almoçar e agora estou sentado a escrever você e olhar para o sol brilhante. Às vezes, penso que o sol é exibicionista, adora chamar atenção dos outros só para ver a seu charme brilhante. Convencido!

Droga, tem alguém me aproximando. Depois, conto-te.

Com amor, Rodrigo.

Notas finais
Penso que vou postar daqui uma semana, devido aos problemas do pc... Não sei, logo se vê. Feliz páscoa!