Quem Tem Medo do Lobo Mau?

5 Eu sei que você nunca me perdoará


Senti minhas costas gelarem e aos poucos fui despertando. O fogo na lareira já era escasso deixando a cabana – antes agradável – agora com cara sombria. Também não estava mais quente e aconchegante como antes, fazendo-me enrolar nos cobertores buscando por calor. Senti a falta de Jacob ao meu lado, e o procurei pelo interior da cabana. Lá estava ele sentado me encarando, com um braço apoiado na mesa.


Ainda não conseguia acreditar em tudo que havia feito na noite passada. Ou melhor, naqueles dois dias. Jacob Black um completo desconhecido havia ido fundo dentro de mim. No sentido literal e figurado. Eu não sabia dizer se gostava daquilo, mas sabia que queria mais. Eu queria mais dele, de seu cheiro amadeirado, da sua pele, de seu sexo, sua voz, e até mesmo de suas ironias. No momento em que me deitei com Jake, eu tinha plena conciência que ia contra todos os preceitos de minha família, principalmente os de meu pai. Vovó entenderia, mamãe iria aceitar com o tempo, e certamente tia Rosalie faria de tudo para me fazer mudar de ideia. Onde que já se viu, uma moça branquinha como eu, me engatar com um cara musculoso – provavelmente com pouco estudo – e que anda de motocicleta. Esse era o pensamento de minha tia, na verdade eu sabia no fundo que esse era o pensamento de todos, mas tinha a noção de que eles me respeitavam também. Estava chegando minha maioridade, e eles entendiam que aos poucos eu não precisava mais deles, eu podia fazer minhas próprias escolhas. Eu só esperava do fundo do coração, não fazer a escolha errada e acabar decepcionada e tendo que escutar de meus pais “Eu te avisei”.


Me sentei e fiquei encarando Jacob, ele parecia estar em outro mundo. Já havia vestido o jeans – para a minha decepção. Os olhos estavam cravados em mim, mas a mente estava fora da cabana. O chamei algumas vezes, e ele apenas continuava a mexer nos lábios com os dedos, aquilo estava me deixando nervosa. Levantei e caminhei até ele com as cobertas envolta de meu corpo, ainda estava pelada, e não pretendia me vestir tão cedo. Só quando eu sentei em seu colo, de frente para ele foi que Jake parecia ter despertado do transe.


- Bom dia – disse beijando levemente seus lábios.


- Oi linda, como você está? – perguntou ele, colocando uma mecha de cabelo atrás da orelha.


- Sabe, não tive uma noite muito boa – fiz cara de triste, o que era mentira pois aquela noite entrou na minha lista de noites inesquecíveis, uma lista que eu havia criado recém – Então pensei que você pudesse melhorar minha manhã.


Tirei o cobertor, revelando meu corpo nu e pronto para receber seus carinhos. Jacob engoliu em seco ao me ver daquele jeito sentado em seu colo, e apenar beijou-me ternamente na testa. Aquilo me confundiu, será que ele não me queria mais? Ou eu havia feito algo errado noite passada? Desviei meus pensamentos e comecei a fazer uma brincadeira com ele. Não estava gostando de como seu cenho estava franzido, havia algo errado.


- Que orelhas grandes você tem! – eu disse lambendo o lóbulo de sua orelha, e logo um sorriso de canto apareceu em seus lábios e fez Jake entrar na brincadeira.


- É para ouvir sua voz doce melhor – ele respondeu.

- Que olhos grandes você tem!


- É pra te admirar melhor.


- Que nariz grande você tem!


- Sério? Meu nariz é muito grande? – indagou ele, enquanto tocava no nariz. Fiz cara feia, e ele logo entendeu – É para te cheirar melhor.


- Que braços fortes você tem! – falei enquanto aproveitava aquele momento para passear com as mãos pelos seus músculos.


- É pra te abraçar melhor.


- Que pernas fortes você tem!


- É pra te sustentar melhor – disse Jake mexendo levemente as pernas, me fazendo rir.


- Que boca grande você tem! – e realmente era verdade, os lábios de Jake era carnudos, na cor carne os tornando extremamente atrativos. Minha boca já salivava só de pensar em provar daquele pedacinho de seu corpo.


- É pra te beijar melhor – ele falou, mas nenhum beijo veio, e aquilo me entristeceu. Resolvi tentar minha última cartada.


- Que membro grande você tem! – sussurrei enquanto me esfregava um pouco em seu quadril.


- É pra te satisfazer melhor.


E nada aconteceu. Ao invés de me jogar no chão como havia feito noite passada, Jake pegou a coberta e a recolocou em meus ombros. Me senti mal, não sabia o que pensar sobre ele naquele momento. Franzi o cenho, enquanto milhares de dúvidas surgiam na minha mente, saí de seu colo e o encarei por um momento, o mesmo semblante de antes – de preocupação – se instalou em seu rosto.


- Não da Renesmee. – ele disse por fim. O que havia acontecido com o apelido Nessie?


- O q...O que houve? O que eu fiz de errado? – perguntei.


- Essa é a questão, você não fez nada de errado. – ele respondeu enquanto me entregava minhas roupas já secas e eu as vestia – Quem fez, foi eu.


- Jake, eu não consigo entender – cruzei os braços, á espera de explicações – Foi por causa de ontem a noite? Eu te dei permissão, lembra? Não se preocupe, vou falar para meus pais que me perdi na floresta você me achou e...


- E me arrependi de ter te achado. – ele completou minha frase. Que na realidade não era esse final.


- O que você está dizendo? – acho que baixe umas três oitavas o som da minha voz. Ainda estava calma, mas a ansiedade já crescia dentro de mim.


- O que você precisa entender no momento Renesmee, é que não podemos ficar juntos. Você merece coisa melhor, e certamente Nahuel irá lhe fazer feliz. – Jake levantou, colocou a camisa e começou a arrumar as coisas no chalé.


- Porque você está dizendo isso? – já sentia meus olhos marejados. Nunca havia chorado por um garoto, mas pelo jeito aquela seria a primeira vez.


- Olha Renesmee, eu sei que você nunca me perdoará. Fiz uma escolha terrível, e te arrastei para ela. E só agora percebo como isso vai destruir com meus dias. Senão, com minha vida. – Jacob caminhava rapidamente pela cabana, arrumando as coisas como se quisesse mostrar que não havia estado ninguém ali.


Mas nós haviamos estado ali, haviamos feito amor, ele havia ali, e eu havia começado a compreender o que era me apaixonar. Atravessei a cabana e agarrei seu braço, fazendo-o parar por um estante e me olhar. Seu rosto se contorcia em dor e raiva, não sabia dizer qual era o sentimento mais aparente, mas minhas dúvidas haviam se confirmado, tinha alguma coisa de errado. Comecei a cogitar hipóteses malucas, e ligar alguns pontos. O fato de Jacob estar sozinho na floresta aquela noite, e ter feito de praticamente tudo para me fazer mudar de caminho, já não soava mais normal, e sim uma coisa ruim. Era impossível. Jake não teria feito isso comigo, e se ele quisesse apenas sexo, ele poderia muito bem ter me estuprado.


- Jake, por favor, não me diga que você...


- O que eu preciso fazer AGORA, é te tirar daqui o mais rápido possível. E te manter segura até chegarmos á casa de seus avós.


- JACOB, VOCÊ PRECISA ME CONTAR O QUE ESTÁ ACONTECENDO.


- Desculpe meu amor, mas não há tempo para isso. – o beijo que Jacob depositou em meus lábios continha paixão e certa urgência, senão desespero. Parecia um beijo de despedida. – Você corre perigo. E não me perdoarei se algo acontecer a você.


Agora eu entendia claramente, e já não conseguia controlar as lágrimas que insistiam molhar meu rosto. Foi tudo armado. O encontro na floresta, a mudança de caminho, a cabana, o envolvimento. Tudo havia sido armado, Jacob estava me sequestrando. E eu sabia que havia mais alguém envolvida na história, pelo fato dele estar toda hora olhando pela janela como se procurasse alguém. Mas o que realmente estava doendo, era que ele havia me usado. Jacob não gostava de mim como eu pensava. E isso estava me matando, mais do que saber que eu estava realmente em perigo.


Jake pegou firme em meu pulso e me puxou para fora da cabana. As coisas aconteceram muito rápido e eu não pude ver pela quantidade de lágrimas que brotavam de meus olhos. Escutei Jacob gritar com alguém, e senti uma forte pressão atrás da cabeça. Logo em seguida veio a dor. E o sangue que senti escorrer pelo meu pescoço. Alguém havia me atingido na cabeça, uma pancada forte com não imagino o que. Mas me fez amolecer em seguida; caí no chão e a visão turva antes pelas lágrimas, agora enegrecia. Vi a figura negra de alguém vindo para cima de mim, e por fim apaguei completamente.


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Quando recobrei a consciência, a dor de cabeça que eu sentia doía mais do que a pancada que havia recebido. Tentei passar as mãos nas temporas, mas elas estava amarradas. Eu estava dentro da cabana ainda, agora sentada em uma cadeira com as mãos para trás, e um pano me impedindo de falar. Sentia a boca seca, e as bochechas duras devido ás lágrimas que secaram. Eu sequer podia engolir a saliva. Tentei me acostumar a luz da cabana, e quando consegui, notei 4 homens conversando de pé um pouco distante de mim. Ainda não conseguia ouvir o que eles diziam, pelo zunido grotesto que tinha no ouvido. Pelo menos consegui reconhecer os homens. Todos tinham cabelos compridos, dois era morenos e um era loiro – este parecia ser o mais novo entre eles. Percebi que um dos morenos me olhava de forma ávida, como se eu fosse um tesouro. Os outros dois estavam pouco se importando com minha presença ali, mas concordavam com tudo que o homem de sorriso assustador falava. E entre eles, estava Jacob.


Aquilo foi como uma apunhalada pelas costas, a dor da pancada não se comparava com a dor que eu sentia agora. Olhar nos olhos negros de Jacob, e não lembrar da noite de ontem era impossível. Notei que ele estava pensativo, mas não concordava com os outros homens. Depois de os encarar por alguns minutos, o moreno mais alto tirou do bolso um envelope grosso do bolso do casado e o entregou a Jacob, que demorou um pouco para aceitar.


- Posso falar com ela antes? – perguntou Jacob ao mandachuva do trio.


- Seja breve. – ele respondeu seco.


Jake saiu da luz fraca e veio até mim, enquanto tentava enfiar com sofreguidão o envelope grosso nos bolsos. Naquele momento já não havia mais lágrimas para chorar, meu corpo era consumido por uma raiva indescritível. Jacob tirou a faixa da minha boca e consegui pensar em uma única coisa para fazer. Puxei toda a mágoa guardada dentro de mim e cuspi na sua cara.


- Você é o ser mais desprezível que eu conheço! – falei enquanto ele se limpava com um pedaço da manga do casaco.


- Renesmee, não quero que me perdoe, sei que nunca o fará. – sua voz parecia cansada, ao mesmo tempo em que ele falava baixinho – Quero apenas que entenda que percebi tarde demais.


- Percebeu o que? QUE É UM IDIOTA? UM SEQUESTRADOR? – eu gritava com todas as forças que eu tinha, o que na verdade não eram muitas pois a dor na cabeça consumia quase por completo elas. – Você ainda não percebe o crime que cometeu, né? Mas eu consigo ver. Eu fui apenas um trabalho, o seu ganha pão. Porque aquela história de morar sozinho, e de trabalhar numa mecânica é completamente mentira. COMO EU FUI BURRA! Meu pai me avisou tanto, e minha mãe sempre me dizendo para não falar com estranhos. Que estúpida que eu sou, eu demorei para perceber que eu era sua presa. E você percebeu tarde demais o que? – perguntei desgostosa. Jacob havia escutado tudo aquilo calado, olhando apenas para o chão. Acho que ele não tinha coragem de me olhar na cara, ou era muito baixo para se importar.


- Eu percebi tarde demais que estava me apaixonando por você.


- Não seja ridículo Jacob, eu fui apenas uma presa e agora fui entregue aos lobos. Já pode ir embora. Aproveite bem esse dinheiro que ganhou e suma de planeta. – retruquei armagurada.


- Ora, ora, ora. Quem diria. – o mandachuva também saiu de onde estava e foi até mim. O reconheci na hora, era Aro. O antigo sócio do meu avô Carlisle. Nunca soube muito bem o que aconteceu, mas pelo pouco que me lembro Aro estava desviando dinheiro da empresa de carros do meu avô, e quando Carlisle descobriu terminou com a sociedade, mas foi caridoso a ponto de não o denunciar pelos anos de amizade que haviam tido. – Que uma Cullen, estaria apaixonada pela ralé. Isso é tão clichê.


- Então está pensando em roubar mais um pouco de dinheiro de meu avô? – falei sarcastica. Aro fechou o sorriso na hora, e botou uma das mãos nos ombros baixos de Jacob.


- Você fez um ótimo trabalho, Jacob. Fez o que mandamos e ainda conseguiu tirar uma casquinha da vagabunda. – Aro falou rindo.Notei Jacob enrijecer após o comentário, mas ele continuava parado encarando o chão, sem dizer uma palavra.


- Aro, Aro, Aro. Quando você irá aprender que é um fracassado. Não importa quanto dinheiro tire do meu avô, ele sempre terá mais e você continuará sendo uma simples pedrinha no caminho dele. Que claro, sempre pode ser chutada.


Aro estapeou-me com as costas da mão. Aquilo ardei, e me fez sentir gosto de sangue. Jacob endureceu o maxilar e apertou as mãos, fazendo menção de me ajudar; mas pareceu pensar melhor e voltou a não se mexer novamente. Mas era óbvio que eu não ia dar o braço a torcer, eu era uma Cullen. E se meu avô podia chuta-lo, eu também podia. Como estava com os pés livres, chutei a canela de Aro da melhor e mais forte maneira que pude. O vi gemer de dor, e em seguida o alfa da manada de trambiqueiros –eu havia reconhecido os outros dois homens, eram Caius e Marcus, os irmãos também fracassados de Aro – pegou meu rosto, e apertou fortemente minhas bochechas. Senti mais dor e mais sangue.


- Você fica tão bonitinha de biquinho. Quem sabe eu também tire uma casquinha de você mais tarde. — aquilo me fez estremecer. E por um instante torci para Jacob tirar ele de cima de mim, e me levar dalí. Mas aquilo nunca iria acontecer, pois Jacob continuava parado.


- Aro? – Jake o chamou, fazendo-o recuar – O que irão fazer com ela?


- Isso não é de seu interesse garoto. Não vai me dizer que também está apaixonada por essa pirralha?


- NÃO! É claro que não. – Jacob respondeu e aquilo me deixou extremamente confusa – Quando Carlisle depositará o dinheiro?


- Dentre 20 minutos. – Aro respondeu.


- E o que pensam fazer depois disso?


- Vamos fazer um vídeo, enquanto matamos a garota. Vamos enterra-lá em algúm lugar da floresta. Vão demorar anos para descobrir o corpo. E depois vamos enviar o DVD para a família dela desfrutar minha maravilhosa vingança.


- Eu acho que vocês deveriam ficar mais alguns dias com a garota, e extorquir mais dinheiro do velho. Ela mesma não disse que ele tem bastante? Então, depois de tirarem mais uns milhões do coroa, aí vocês podem matar ela. – Jacob respondeu friamente, e deu de ombros. Como se eu fosse um animal qualquer. Depois deu meia volta e saiu porta a fora. Meu coração já despedaçado, não permitiu lamentar. Apenas agradecer que o corpo dele havia desaparecido de minha vida, e ficava agora somente sua imagem na minha lembrança.


Aro conversou por um tempo com seus irmãos, e novamente só concordavam com o pilantra. Eu não tinha mais esperanças, já havia aceitado o meu fim. Marcus veio até mim, e colocou um saco na minha cabeça, me impedindo de ver também. Eu estava exausta, e não me importava se me matassem logo, eu queria apenas sair daquele pesadelo.


Não sei quanto tempo se passou, mas adormeci. E acordei horas depois com alguém escancarando a porta, a pessoa veio até mim e tirou rapidamente o capuz. Demorei um pouco para assimilar a pessoa, enquanto meus olhos se acostumavam a luz, mas pude ver Nahuel parado na minha frente, todo sujo de barro e segurando um machado.


- Ai Senhor, um lenhador agora. Mais essa. – falei com desdêm sabendo que ofenderia Nahuel, mas não estava ligando para aquilo no momento. Nahuel gritou algumas palavras, e mais policiais entraram na cabana. Começaram a fazer a perícia no local, enquanto Nahuel e outro policial me carregavam para fora. Vi o sol brilhar por alguns instantes, o que me revigorou um pouco as energias. Olhei em volta e não vi nenhum dos três sequestradores, e muito menos Jacob. Infelizmente uma pequena parte de mim queria que ele estivesse lá fora me esperando. Mas não estava. Não estava porque Jacob fazia parte da manada de lobos. Andaram comigo por algum tempo, já que carro não chegava a cabana pelo jeito. Mas logo estavamos na estrada e fui colocada dentro de uma ambulância.


- Não se preocupe meu amor, você vai ficar bem! – Nahuel me beijou nos lábios, e eu só conseguia pensar no quanto eu amava e odiava Jacob.

Notas finais
Meeeniiinaaas, penúltimo cap da fic. O último cap virá amanhã (dependendo quantos comentários tiver) UIHAUSHAUHSIUAHUSHIAUHSIAU Mas enfim, já cansei de pedir desculpas para vocês, e só tenho a agradecer por AINDA me "acompanharem". Espero que tenham gostado desse cap. E aproveitem a leitura. Beijoones ;)

Obs: perdoem os erros gramaticais, meu word não tem autocorreção, e não tive tempo de revisar pois quis postar logo para vocês.