Entrei correndo no banheiro e tranquei a porta. Me escorei nela e respirei fundo, aliviada por estar sozinha naquele lugar. Aquela devia ser a décima vez que fugia de Nahuel e suas tentativas de seguir com algum plano sexual comigo. Não dava, simplesmente não dava mais.

Já haviam se passado sete meses desde o meu “suposto” sequestro. Não posso discordar que estava ansiosa para que minha vida voltasse ao normal, eu só não imagina que voltariam a me tratar como se eu fosse uma criança de 10 anos. Meus pais haviam colocado dois seguranças na minha cola, todo santo dia. Sair para me divertir era um martírio, porque além de AINDA ter que pedir permissão, eu tinha aquelas duas muralhas negras me seguindo. No início eu confesso que passei grande parte do tempo dentro de casa, assistindo desenho e ganhando alguns quilos. Pedi um tempo á Nahuel, alegando que estava muito confusa com o ocorrido, mas que logo eu lhe procurava. O que foi totalmente mentira, pois depois de dois meses afastada dele, eu não aguentava mais ouvir sermões dos meus pais falando para voltar com Nahuel.

Confesso que o verdadeiro motivo para eu ter dado continuidade á esse relacionamento fracassado foi porque não aguentava mais ter que escutar as perguntas indiscretas dos meus familiares querendo saber o que havia acontecido naquela cabana, que me fez ficar por meses chorosa e magoada. Assim, voltei com Nahuel, voltei a sair e eles finalmente pararam de me questionar.

Meu namorado me esperava no quarto, apenas de cueca. E posso dizer que aquilo não me excitou nenhum pouco. Na verdade, eu não tinha a mínima vontade de olhar e tocar a pele amarelada de Nahuel. Abri a pequena janela do banheiro, e com cuidado saltei para fora. Nahuel não ia aceitar mais de umas minhas desculpas, “estou com dor de cabeça, amor”, “hoje não posso querido, estou menstruada”, “não podemos fazer aqui, meus pais estão por perto”, “estou com infecção na bexiga”. Estava tão complicado de achar novas desculpas, que dessa vez recorri ao golpe baixo, dizendo que eu estava prestes a largar aquele barroso no banheiro. Eu sabia que aquilo iria broxá-lo na hora. Nahuel era um pouco fresco demais.

Andei com o máximo de cuidado que pude pelo telhado, e desci pela trepadeira que havia na parede até encontrar o chão. Corri até o galpão de casa, peguei minha bicicleta e adentrei a estrada escura. Já estava noite, e onde morávamos não havia muita iluminação. Me guiei pela luz da lua, e por fim entrei no povoado de La Push onde a maré da praia estava alta e não sobrava muita areia para se sentar. Felizmente sempre havia troncos de árvores esparramados pelo lugar impedindo que eu ficasse completamente molhada quando sentasse neles. Molhando apenas até meu joelho.

Enfim a sós, enfim com meus próprios pensamentos, enfim com minhas próprias dores. Desde que me resgataram, não tive mais nenhuma notícia de Jacob. E no fundo eu sabia que não devia querer saber de seu paradeiro. Naquele momento ele devia estar em algum outro país, ou dando o golpe em outra menina idiota que caísse no seu charminho barato.

Céus, como eu detestava ter sido uma dessas garotas.

Eu havia aprendido a conviver com sua imagem na minha cabeça – as vezes até me esquecia dele – mas quando eu lembrava que não estava pensando nele, bem, eu voltava a pensar. Mas toda vez que voltava a La Push, era como se seu cheiro amadeirado inflasse meus pulmões, e por algum tempo ficava dentro de mim. Devia ser por isso que eu não conseguia esquecê-lo, eu o buscava em lugares, em outros caras, as vezes inutilmente em Nahuel, e acabava frustrada e sem sucesso nenhum. Mas como era doce e quente, as lembranças daquela noite. Já haviam se passado tanto tempo, e eu ainda assim continuava a lembrar de cada detalhe e de cada caminho que suas mãos fizeram em meu corpo.

Peguei minha bicicleta e voltei para casa, assim que percebi as nuvens tapando a lua. Logo iria chover, e o cheiro da terra quente iria invadir meu quarto e meu sonhos. Me lembrando mais uma vez daquela noite chuvosa na cabana. Era triste admitir aquilo, mas eu estava ansiosa para dormir e sonhar.


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No outro dia acordei e encontrei um bilhete de Nahuel em cima do bidê.

Renesmee

Você anda estranha meu amor, espero que eu não tenha feito nada de errado.Ou melhor, espero que não tenha voltado a ter aqueles pesadelos de antes.Quero que saiba que sempre estarei á seu lado, e nunca deixarei que a machuquem novamente.

Jantar amanhã. Na minha casa. Ás 20 horas.

Te esperarei ansiosamente.


Com amor, Nahuel.


Obs: Leve sua família.


Pobre Nahuel, me doía o coração pensar que ele achava os meus pesadelos eram um problema. Nas poucas vezes que dormimos juntos, eu acordava suada e com o coração quase saindo do peito. Era claro que eu não iria contar para ele que estava sonhando com meu sequestrador.

O filho do xerife estava sendo tão bom para mim, que sentia vergonha de mim mesma por ficar com ele por pena. Mas era irritante as coisas que meu pai falava, sempre com aquela mensagem entre-linhas me dizendo para ficar com Nahuel. E a pressão que minha tia Rosalie fazia, então? “Renesmee, você precisa se casar com Nahuel, ele é a escolha certa para você. É o seu príncipe encantado”, Pobre Rosalie, mal sabia ela que eu estava mais para Chapeuzinho Vermelho, do que Cinderela. Certamente seria mais um daqueles jantares que a família Jackson gostava de dar a cada quinze dias, para botar a fofoca em dia. E enquanto isso acontecia na sala de jantar, eu me deliciava na cozinha com as histórias que a empregada Magda contava sobre seu povo, os Quileutes.


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Mamãe conversava com Sonya, a minha até então sogra. Rosalie e Emmett brincavam com a irmã mais nova de Nahuel, e como Rosalie não podia ter filhos, qualquer criança que aparecesse na sua frente era regada de atenção. Papai conversava alegremente com o Xerife. Todos na cidade o chamavam assim, e sinceramente acredito que pouca gente soubesse seu verdadeiro nome. Nem eu mesma sabia. Fazia tempo que eu não via Edward Cullen tão feliz – devia ser culpa do copo de whisky que estava em sua mão. Após algum tempo conversando, os dois apertaram as mãos e se abraçaram ás gargalhadas. Logo após Nahuel desceu as escadas e meu pai o cumprimentou contente, enquanto Nahuel apenas retribuiu com um aceno de cabeça e um enorme sorriso nos lábios.

Estranho, ou eu que estava desanimada demais, ou aquela gente já estava passando o limite das doses de whisky. Vi Nahuel vir em minha direção e logo procurei uma válvula de escape, percorrendo com o olhos a sala em busca de minha tia Alice, de meu tio Jasper, para a minha sorte eles estavam namorando num canto da sala, o que estragava completamente com minhas chances. Aceitei o fato, e esperei a abordagem de Nahuel.

– Olá minha flor! Está extremamente bela hoje. Por acaso é um presente para mim? – perguntou ele com um sorriso malicioso no rosto.

Céus, como isso não combinava com ele. Nahuel ficava com cara de quem havia tomado café quente e saído no vento gelado, ou seja toda torta. Esse sorriso de canto malicioso, apenas Jacob sabia fazer corretamente. Bom, pelo menos o sorriso dele funcionava comigo. Mas uma coisa Nahuel estava certo, eu estava muito bonita naquela noite. Me peguei pensando o que Jacob iria dizer do meu vestido azul com renda branca, minha meia calça branca até o joelho e meu sapato preto. Mas, como ele era Jacob Black, certamente a roupa pouco importaria. Ri maliciosamente lembrando do seu jeito grosso de ser. Grosso e comprido, como ele mesmo havia dito. Afastei rapidamente meus pensamentos quando Nahuel beijou meus lábios. Ao contrário de Jake, Nahuel era gelado ao extremo. Suas mãos pareciam que estavam sempre suadas, e seus lábios quando me tocavam faziam meu corpo tremer. Enquanto que com Jacob, eu precisava apenas dele para me esquentar, com Nahuel eu precisava das cobertas da casa inteira. OK, nem tanto, mas que o guri parecia que estava mais morte do que vivo, isso era verdade.

- Obrigada querido, você também está muito bem apresentável. – sorri e afaguei seu braço.

- Eu precisava estar perfeito para essa noite.

- Porque? É alguma data especial? – indaguei curiosa – Se eu soubesse, eu teria me vestido melhor.

- Você está uma flor de bela e cheirosa. Tão delicada.

Enquanto Nahuel me abraçava carinhosamente, eu só conseguia pensar no momento que eu me tornei uma boneca de porcelana. Não era possível que todos iriam continuar me tratando como se eu fosse uma bonequinha de luxo. Credo gente, quando aquilo iria acabar? Devia ser por isso que eu não dava mais para Nahuel, o cara me pegava como se eu fosse quebrar. As vezes eu tinha vontade de gritar “GRUDA ESSA MÃO, PORRA!”.

- Tu é macho? – perguntei absorta demais em meus pensamentos, para perceber o que havia dito.

- Como é que é? – vi os olhos de Nahuel saltarem da órbita.

- Eu pedi se tem nacho! – respondi com um sorriso amarelo.

– Não, não tem Renesmee. – Nahuel franziu as sobrancelhas, mas logo aliviou e me puxou pela mão até a mesa – Venha, o jantar está quase pronto.

O jantar ocorreu tudo bem. Foi servido pato ao molho de alguma coisa, arroz com legumes e saladinha da horta. Enfim, comida simples, mas enfeitada. Nahuel pigarreou para chamar a atenção de todos, levantando da mesa e olhando para todos com um sorriso bobo na boca, mas parecia estar mais nervoso do que alegre.

- Antes de tudo quero agradecer a presença de todos. É uma honra ter o Sr. E Sra. Cullen em nossa casa está noite! – Nahuel saudou meus avós, ao mesmo tempo dava a volta na mesa e parava ao meu lado – Bom, como vocês devem saber, eu e Renesmee estamos a muito tempo juntos. Passamos por muitas coisas juntos, e após ver o quanto ela sofreu naquele sequestro e o quanto o medo se apossou de mim ao imaginar que não a veria mais, eu tive certeza do que tinha que fazer. Foi uma tortura esperar todo esse tempo, mas eu queria o momento certo e agora eu tenho certeza de que é esse. Claro, após a permissão de Edward, eu sei que estou no caminho de minha felicidade plena.

Nahuel se virou para mim, e lentamente desceu até o chão, apoiando um joelho no chão enquanto o outro mantinha-se dobrado. Demorou um pouco até a ficha cair, mas quando caiu foi como se uma bomba tivesse estourado dentro do meu estômago. Aposto que se eu não estivesse sentada, teria me peidado. Como eu não fui enxergar as suas intenções, era tão óbvio, estava tão na minha cara, e eu estava tão ocupada pensando em Jacob que simplesmente deixei passar. Levei as mãos até a boca, para abafar meu grito de desespero. Foi inevitável conter as lágrimas. Provavelmente minha família estaria pensando no quanto eu estava feliz por viver aquele momento, mas eu não. Eu estava assustada, terrivelmente assustada pelo rumo que minha vida havia tomado. Eu não queria me casar tão jovem, eu não queria me casar com Nahuel. Eu não ia.

– Renesmee, nós crescemos juntos e eu quero que passemos o resto de nossas vidas juntos. – Nahuel puxou uma caixinha azul marinho do bolso da calça. Quando abriu, dentro havia o anel mais lindo que eu já havia visto. A pedra era de um azul tão profundo, tão escuro quando o fundo do mar e estava envolto de pequenos diamantes.E que certamente qualquer garota estaria lisonjeada de receber. Mas eu não, porque eu não iria me casar – Renesmee Carlie Cullen, você quer se casar comigo?

Pelo canto de olho vi o olhar emocionado de minha mãe e o severo de meu pai, e aquilo me desmontou.

- Sim.


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1 ANO E 5 MESES DEPOIS


– Mas mãe, eu sou muito nova para me casar agora! – vociferei para minha mãe que terminava de abotoar meu vestido de noiva.

Havia chegado o grande dia. Claro, o grande dia para todos os outros, pois para mim era apenas mais um. Ou mais precisamente, aquele que iria me aprisionar a Nahuel para sempre.

- Não exagere Renesmee, foi você que concordou com essa data. – respondeu minha mãe.

- Eu sei, mas eu não imaginei que iria chegar tão cedo. E bem, eu acho que ainda estou nova demais para me casar.

Virei-me para ela esperando alguma resposta do tipo, “então vamos cancelar o casamento”, ou “vamos mudar a data, daqui a 3 anos está bom?”. Mas não, ao invés de minha querida e amável mãe perceber o quanto eu não queria aquilo, ela tentou me convencer alegando que Esme, Alice, Rosalie e ela mesma haviam casado com idades próximas a minha. Era verão, e eu recém tinha completado meus 18 anos. Para elas podiam ser apenas números, quando elas tinham certeza do amor que sentiam por seus maridos. Mas eu sabia muito bem que não era assim, pelo menos comigo não estava sendo.

– Isso é apenas nervosismo de noiva. O meu maior medo quando me casei, era de cair enquanto ia em direção ao altar. Por isso agarrei forte a mãe de seu avô. – ela me pôs sentada na cadeira da penteadeira e me fez encarar o espelho – Mas minha querida, quando eu vi seu pai parado no altar, ah, foi como a visão da felicidade. Não me importava mais se eu caísse, eu só precisava chegar logo ao altar. Eu sabia que era ali que eu tinha que estar, era dele que eu pertencia. E continuo pensando isso até hoje. Por isso eu já te digo que é apenas nervosismo, e que quando você enxergar Nahuel de terno branco, igual ao príncipe que ele é, todo seu nervosismo dara lugar á um sentimento surpreendente.

– OK Bella, chega de tanta melação. Vamos para a parte interessante! – tia Rosalie invadiu o quarto. Era impossível negar que ao longo dos anos ela parecia estar cada vez mais bonita. Rosalie usava um vestido de cetim roxo que prendia no pescoço, impedindo de mostrar seus fartos seios, mas que mostrava até demais pela fenda que havia em suas costas.

O completo oposto de mim. Tia Alice não sossegou durante meses até ela ter minha permissão para desenhar meu vestido. O único problema era que eu conhecia minha tia, e ela iria querer o vestido mais suntuoso para a única sobrinha dela. De início Alice quase me convenceu a usar um vestido como os das princesas da Disney, todo rodado e bordado com flores. Eu mal poderia andar, e quando andasse eu ia fazer um arrastão de coisas. Felizmente consegui reverter esse quadro, e a convenci a fazer um vestido curto, que fazia mais jus a minha pouca idade. Como era meu presente de casamento, eu só fui ver ele no dia. Minhas costas e meus braços estavam cobertos por renda branca, enquanto na frente uma fenda descia do meu pescoço até um pouco antes do meu umbigo. Quase obsceno para um casamento, mas não para Alice. A saia era justa e ia até a metade das minhas coxas, e na parte de trás uma cachoeira de renda descia quase até encostar no chão. Eu falei que não queria calda, pois como o casamento aconteceria no quintal de casa – igual ao de minha mãe – eu não queria que ele sujasse ao arrastar pelo chão. Claro que era mentira. Eu tive que inventar uma desculpa, para que eu não parecesse uma princesa dos contos de fadas. Urg.

– E qual seria a parte interessante dona Rosalie? – minha mãe indagou, chateada por minha tia ter estragado seu momento meloso.

– A noite de núpcias é claro! – Rose bateu palmas, parecendo ligeiramente com Alice. Mas me fazendo mudar de ideia quando esboçou nos lábios um sorriso malicioso.

– Oh, tia. Acho que já sei tudo que deveria saber. – comentei um pouco encabulada por estar falando sobre aquilo.

– Não seja boba Nessie, — Rose pegou uma fita de cetim vermelha, e amarrou no meu coque vintage, fazendo logo em seguida um laço – você é tão nova, eu poderia dar algumas dicas. Não que você precise, eu presumo.

– Quem está sendo boba agora, é você minha irmã. – meu pai falou, enquanto cruzava os braços e se encostava no batente da porta – É óbvio que minha filhinha ainda é virgem.

Mamãe, Esme, Alice e Rosalie estavam se segurando o máximo para não rir. A ingenuidade de meu pai sempre divertiu muito a todos. Não importasse o quanto velho ele fosse, se falássemos que o Papai Noel existe, ele acreditaria.

– Estou certo, não é? – ele perguntou com um olhar aflito.

- É claro pai, você sempre está certo! – tive que responder antes que alguém me delatasse.

– Bom. E espero que continue assim. – ele deu meia volta e foi em direção o quintal – Quando a cegonha chegar com o bebê, me avise querida!

– Edward sendo Edward! Seria estranho se não fosse. – comentou Alice que estava mais do que alegre.

– Edward sendo pai. – riu minha mãe.

– Meninas, vocês poderiam nos dar licença? Eu gostaria de falar em particular com minha neta. – sugeriu Esme, e logo minhas tias e minha mãe saíram do quarto, fechando a porta atrás de si.

Esme sentou à minha frente, e pegou em minhas mãos. Eu não queria que ninguém notasse, mas minha vó notava. Ela sempre sabia quando eu estava triste, e quando tinha algum problema. A questão é que nesses 17 meses que se passaram, desde o pedido de casamento eu vinha pensando seguidamente em Jacob. Já não sentia aquela saudade agoniada. Afinal, eu tinha me acostumado com a ideia de que ele não se importava comigo, que ele havia me usado, e que ele realmente não iria voltar. Muitas vezes peguei-me perguntando o que eu faria caso tivesse a chance de perdoar ele. Será que realmente eu ficaria com ele, mesmo contra a todos os preceitos de minha família? Meus olhos aos poucos ficavam embaçados por causa das lágrimas que insistiam em vir, era doloroso o sentimento de saber que fui apenas um trabalho e que havia me apaixonado por ele.

– Querida, eu sei que isso não é apenas nervosismo. Alguma coisa está acontecendo. Você sabe que pode me contar. – disse Esme.

– Ah vó, eu não amo Nahuel. – solucei – Mas estou fazendo de tudo para conseguir, e simplesmente não consigo.

– Renesmee se você está fazendo isso apenas por sua família, pare agora mesmo. Ninguém tem o direito de se intrometer na sua vida, e fazer escolhas por você.

- Eu sei Esme, é que...é que eu não sei como explicar.

– Você ama outra pessoa, não ama? – o olhar de Esme era piedoso, e cheio de dúvidas.

Eu não consegui responder. Eu não podia, e caso fizesse, poderia acabar com toda minha vida. E mais do que tudo, eu iria magoar toda minha família. Mesmo que eu não amasse Nahuel eu havia aprendido a conviver com ele, e a gostar um pouco mais dele pelo fato de estar sempre ao meu lado. E não me enganar. Nem me abandonar.

- Veja bem meu amor, se há alguma coisa que te impede de ficar com ele, então você precisa achar uma forma de concertar isso. Afinal, independente do que ele tenha feito para você, aposto que está muito arrependido e sofrendo também. – ela falava como se soubesse em quem eu estava pensando – Não importa o que você tenha que fazer, tenho certeza que será o certo. Você estará correndo atrás de sua felicidade Renesmee. As vezes recomeçar, e deixar as mágoas no passado é a melhor saída.

- Mas agora isso não importa mais vó, — falei enquanto limpava as lágrimas e retocava a maquiagem – meu noivo está me esperando lá fora. E é com ele que irei ficar.

– Eu sei que é um pouco tarde, mas nunca é tarde suficiente. E não fique com medo de magoar as pessoas, aposto que elas entenderão sua decisão.

– Obrigada vó, mas agora não tenho mais saída. – ela concordou com a cabeça.

– Sabe, desde o seu sequestro eu à tenho notado diferente, muito calada. Não é mais alegre como antes.

– Vó, posso fazer uma pergunta?

– É claro, minha cara.

- Como...Como vocês descobriram onde eu estava?

– Bom, pelo que me lembro bem, um moço moreno contou. Ele devia ter entorno de uns 20 anos, muito bonito por sinal.- ela deu uma risadinha — Veio até nossa casa e se entregou. Contou onde você estava, devolveu o dinheiro que haviam pago para ele e contou quem era o mandante do crime. Infelizmente Aro e seus irmãos ainda estão foragidos. Provavelmente estão fora do país, mas o FBI está ciente do caso e qualquer passo em falso, eles serão presos.

– E o que ...o que exatamente aconteceu com esse cara?

Aquela revelação de minha vó havia sido como um balde de água gelado jogado em cima de mim. Condenei Jacob por tanto tempo sem saber que na verdade era ele que havia me salvado. Imagino o que teria acontecido se Jake não contasse onde eu estava, possivelmente eu estaria a sete palmos abaixo da terra. Estúpida, estúpida, estúpida, estúpida. Céus, como eu fui tão cega de não ter perguntado antes. Na verdade eu fiquei com tanto medo de saber algum paradeiro dele, ou alguma informação a mais sobre o caso que me fez recuar e querer esquecer o episódio. Justo quando o que eu deveria ter feito, era fazer uma simples pergunta e obter toda as respostas. Estúpida.

– Não lembro o nome do garoto, mas sei que foi condenado a 28 anos de prisão, sem liberdade condicional. Pelas minhas contas, esse mês completará 2 anos que ele está preso.

- Hum.

– Ficamos com tanto medo que você ficasse traumatizada ao reencontrar com ele no tribunal... Presumo que tenha sido ele que lhe sequestrou, — afirmei com a cabeça – que seu avô deu um jeito de coletarem seu depoimento aqui em casa mesmo, e assim não à avisamos do julgamento.

– Certo. – ouvimos uma batida na porta e a voz de Alice avisando que a cerimônia estava começando — Bom, obrigada vó.

– O que é engraçado, pois eu lembro do seu depoimento. E não me recordo de você mencionar esse garoto. Bem ao contrário do que ele alegou. Enfim, foi um ato muito corajoso desse garoto. Você está viva por causa dele. – Esme piscou para mim, e me beijou na testa me arrastando para fora do quarto.

Quando pus os pés para fora de casa, encontrei meu pai quase expondo a chapa para fora da boca, de tanta felicidade que parecia estar sentindo. Esme correu e sentou ao lado de Carlisle. Minha damas de honra estavam à posto, assim como todos os outros convidados. Um tapete branco seguia de onde eu estava, até o altar. Ao invés de fileiras de cadeiras, haviam mesas redondas de no máximo 6 pessoas. Os arranjos das mesas eram compostos por dálias azuis, e mais ao fundo a banda aquietou-se e começou a marcha nupcial. Meu sangue ferveu e senti meus pés formigarem. Certamente eu iria cair. Por baixo das luvas senti as mãos suarem. Dei um passo para trás, mas rapidamente meu pai pegou em meu braço e me forçou a dar passos para frente. Eu devia estar parecendo um ganso andando até o altar. Lembrei do que minha mãe havia me dito, e instintivamente olhei para Nahuel.

Meu quase marido, não estava exalando alegria igual ao meu pai, mas seu sorriso me desmontou. Os olhos de Nahuel pareciam que iam explodir em lágrimas, e a cada passo que eu dava, eu tinha a sensação que ele estralava um dedo. Estava nervoso, e eu querendo fugir. Me sentia culpada por estar fazendo aquilo com ele. E ao mesmo tempo só conseguia pensar em como eu fui estúpida. Por um momento cogitei sair correndo, mas ao ver a felicidade estampada no rosto de meu pai, travei. As pessoas ao meu redor esbanjavam sorrisos de felicidade, e minha mãe, sempre dramática já estava no terceiro rolo de papel higiênico de tanto chorar.

Inevitavelmente a imagem de Jacob não saia da minha cabeça. Já fazia algum tempo que a imagem de Jake não se materializava perfeitamente em minha mente, normalmente era turvas. E os tais “pesadelos” também haviam parado. Meu pai apertou a mão de Nahuel, beijou minha testa e juntou-se à minha mãe. Meu futuro marido pegou em minhas mãos e com a cabeça fez sinal de positivo para o padre. Logo o padre começou abençoando a todos que estavam ali, e abençoando nossa união. Depois de algumas palavras bonitas chegou o momento que todo casal que está se casando tem pavor.

– Se álguem tem algo contra essa união, que fale agora ou cale-se para sempre!

Eu sei que não deveria fazer aquilo mas num último resquício de esperança, olhei para todos. Eu não queria que nenhum deles falasse, eu estava a procura de alguém – mais precisamente o meu sequestrador — que pudesse me salvar. Ri internamente ao lembrar da ingenuidade de meu pai. É, realmente eu era filha dele

Por um instante eu apenas cogitei a hipótese.

- Nahuel Jackson, você aceita Renesmee Carlie Cullen como sua legítima esposa. Para amar e respeitar na saúde e na doença, na alegria e na tristeza até a morte os separe?

– Sim, eu aceito.

Ao olhar novamente para Nahuel aceitei que ele era meu príncipe encantado. Só faltava o cavalo branco.E uma coisa que aprendi é que, o que é pra ser seu, será. Se não for, é porque não era pra ser. Não importa quanto tempo demorasse, eu ia amar Nahuel, eu ia aprender. Eu podia. Eu iria conseguir.

– Renesmee Carlie Cullen, você aceita Nahuel Jackson como seu legítimo marido. Para amar e respeitar na saúde e na doença, na alegria e na tristeza até a morte os separe?

- Eu...

O olhar de Nahuel para cima de mim era acusatório e cheio de dúvidas, aquele era o momento mais esperado da noite, e eu estava gaguejando. Vi o sorriso de meu pai esmorecer aos poucos e algumas pessoas inclinarem a cabeça para frente, como se estivessem me encorajando a continuar. Eu iria conseguir dizer SIM. Ao passear o olhar pelas pessoas, encontrei o de minha vó. Repleto de compreensão e carinho para dar. Ela estaria ao meu lado, independente qual fosse minha decisão. Engoli seco. Se antes minhas mãos suavam, agora eu pingava de tão nervosa.

Vamos lá Renesmee, é apenas um SIM. Não arranca pedaço.

- Eu...

Nahuel parecia magoado com minha demora, apertando minhas mãos para que eu me apressasse. Com os lábios ele ficava formando a palavra aceito.

SIM! SIM! SIM! SIM! SIM! SIM! EU ACEITO!

Não.


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POV JACOB


Aquele estava sendo o pior dia desde que eu havia chegado na cadeia. O comentário do dia era o casamento de Renesmee e Nahuel. A minha Renesmee.

Eu ainda revivia aqueles dias na floresta e na cabana diariamente. Era o que estava me mantendo vivo naquele lugar. No início Nahuel, o tal namorado e filho mimado do xerife, pagou alguns presos para me dar uma surra. Não fiquei muito debilitada, mas o suficiente para ficar três dias na enfermaria da prisão. As vezes eu me arrependia de ter me entregado. Eu podia muito bem ter feito uma ligação anônima e avisado onde ela estava. Mas isso implicava em ela nunca me perdoar. Se bem que, ela realmente não me perdoou.

Quem eu achava que era? Eu era apenas um mecânico com contas a pagar, que aceitou o trabalho mais estúpido da face da terra. Teria sido extremamente fácil se eu não tivesse me apaixonado pela garota. Todo dia, eu esperava ansiosamente o horário de visitas, na expectativa de que ela iria aparecer. Mas quem aparecia era sua avó, Esme.

No início achei estranho, mas entendi que ela estava apenas me agradecendo pelo que fiz por sua neta. Ela havia entendido que eu tinha me arrependido, ao contrário de Renesmee que simplesmente me esqueceu. Algumas vezes trouxe doces e outros tipos de comidas. Nas outras vezes trouxe cobertores, ela sabia o estado precário da cadeia e como fazia frio no inverno em Portland. Certa vez me permitia perguntar por Renesmee, mas o que ganhava eram respostas vagas, do tipo “ela está bem”. Mas com o tempo, acho que Esme percebeu que seu dever comigo estava cumprido, e parou de me visitar. O que era uma pena, eu gostava muito de sua pessoa. E me arrependia muito por ter que conhecê-la naquelas circunstâncias.

Com o tempo me acostumei de que nunca mais veria Nessie. E assim que eu saísse da cadeia – o que iria demorar mais 26 anos – eu seguiria minha vida. Quem sabe até lá eu não teria esquecido dela. Porém só de pensar no fato de um dia não amá-la ou esquecê-la fazia meu coração se apertar e doer. Foram apenas 3 dias. Mas o que importa? Havia tantas pessoas pelo mundo que se apaixonavam em questão horas. E no início eu cheguei a ficar assustado, pois aquilo nunca tinha acontecido comigo.

Perdi a conta de quantas noites eu sonhei com sua boca rosada, seu corpo curvilíneo, até mesmo com o cheiro de sua pele, e não acordei querendo arrebentar as grades e ir atrás dela. Mas agora ela estava com Nahuel, e iria ser feliz com ele. Eu queria que ela fosse.

Lembro-me do dia do julgamento quando fui condenado. Ela não estava. E era melhor assim, pelo menos não veria sua cara de nojo quando me olhasse. Meu advogado havia dito que ficaria preso por 28 anos, e caso eu conseguisse pagar a fiança eu poderia sair em questão de cinco anos. Mas aquela era uma hipótese descartada. Mesmo com aquele dinheiro que eu havia recebido de Aro, sei que não cobriria um terço da minha fiança. Então meu destino era esperar. Eu era considerado o melhor de lá para concertar os carros e motocicletas da polícia. Também era elogiado pelo meu bom comportamento. Mas o que daquilo adiantaria? Eu não seria solto a tempo de impedir o casamento de Renesmee.

Deitei minha cabeça no travesseiro e fiquei imaginando como ela deveria estar linda, toda de branco. Com um sorriso estampado no rosto. Um sorriso que era para Nahuel. Eu estava quase pegando no sono quando abriram a minha sela e me mandaram sair.

– O que aconteceu John? – perguntei ao policial.

– Parece que pagaram sua fiança. – respondeu ele também sem entender muito, pois eu não conhecia ninguém rico o suficiente para isso.

Passei por duas salas. Uma para assinar meus papéis de soltura e a outra para receber meus pertences de volta. Coloquei minha calça jeans, uma camiseta cinza e minha jaqueta de couro preta. Fazia uns três dias que não parava de chover, e quando coloquei os pés para fora da cadeia, a luz do sol quase me cegou. Instintivamente coloquei a mão sobre os olhos e andei até as árvores me protegerem do sol. Quando me acostumei com a claridade, eu a vi. Encostada numa Triumph Rocket III, uma motocicleta prata com a lataria em vermelho vinho. Ela soltou os braços, levantou da moto, endireitando a postura e me olhou profundamente. Não consegui conter a felicidade ao vê-la. Devo ter aberto o sorriso mais largo do mundo.

Caminhei até Renesmee, e percebi que ela ainda estava de vestido branco. Os cabelos estavam soltos formandos enormes cachos que emolduravam seus ombros, e na cabeça apenas uma fita vermelha. Nos pés, ela tinha botas de couro pretas. Uma combinação um tanto quanto estranha para uma noiva.

– Eu não sabia que seu casamento seria aqui na penitenciária. – comentei, um pouco querendo rir, e também querendo entender o que estava acontecendo.

– E não será. – ela deu um passo a frente – Na verdade, não tem mais casamento. Eu meio que fugi. – Renesmee me encheu o peito de felicidade ao dizer aquelas palavras.

– E porque não terá mais casamento? – dei um passo a frente, ficando a centímetros de distancia dela – Aposto que ele não te fazer gemer, como eu fiz. – arrisquei uma piadinha.

– É, isso é verdade. – ela respondeu sorrindo maliciosamente – Sabe, eu paguei sua fiança.

- E posso saber quanto era?

– Ah posso garantir que bastante.

– Mas tem algo que eu possa fazer para recompensar?

– Eu sei que você pensará em algo! – ela riu arteiramente.

– Renesmee, olha só, desde aquele dia na cabana eu não consigo tirar você da minha cabeça. Estou extremamente arrependido pelo que fiz. E agora você faz isso por mim! Eu entenderei completamente se você nunca mais quiser saber de mim. É claro que sua família nunca aceitaria um ex-detento como namorado. Mas eu preciso que você saiba que te amo. Te amo tanto, que se precisasse ficar 100 anos preso para você me perdoar, eu ficaria. Como eu queria que as coisas tivessem sido diferentes, como eu queria ter te conhecido antes, como...

– Cala a boca Jacob. Você está demorando demais para me beijar.

Coloquei a mão em sua nuca, e trouxe sua boca para junto da minha. Há quanto tempo eu estava ansiando por aquele momento. Parecia que sua boca ainda não havia esfriado desde o último beijo que demos na cabana. Renesmee enlaçou os braços em meu pescoço, espremendo seu pequeno corpo contra o meu. Eu precisava tirar aquele vestido, e sentir sua pele roçar na minha, eu queria seu corpo novamente junto ao meu. Dessa vez ela iá ser minha, e eu não a perderia de vista. Ficamos algum tempo nos beijando, mas tive que interromper pois algumas questões ainda não estavam esclarecidas.

– Nessie, mas e sua família? Eles sabem onde você está, e com quem?

– Não, ainda não sabem. Por isso precisamos fugir já! – ela disse empolgada

– Desculpe Ness, mas eu não farei isso. Recém saí da cadeia e não serei novamente acusado de sequestro. Eu preso por sua segurança, e ela está aqui com sua família.

– Jacob se amar você é um crime, eu aceito a sentença. É um crime que compensa, e talvez eu viva pra sempre como uma fora da lei.

Beijou sua boca com tanta urgência, com tanta saudade que se eu pudesse eu possuía seu corpo ali mesmo. Agora eu sabia que ela me amava, e eu amava ela. Passaríamos por qualquer juntos, se fosse preciso. Eu já não tinha mais medo, ela era minha. Renesmee me entregou um capacete preto, e pegou outro para ela. Subi na motociclete, e ela enlaçou meu peito com as pequenas mãos.

– Você sabe que vou até para o inferno com você. – eu disse.

– Condenados já estamos mesmo. Acho que uma passadinha por lá não teria problema. Desde que tenha uma cama, e que você cumpra com suas obrigações sexuais, estou mais do que satisfeita. – ela riu. Seus olhos transbordavam de alívio e felicidade.

Liguei a moto, esperei o motor aquecer e antes de partir fiz mais uma pergunta para ela.

– Porque eu?

– Percebi que essa coisa de príncipe encantado é furada. Eu sempre gostei do vilão mesmo. E bem, se é você que me fará feliz, qual é o problema? Bom mesmo é o lobo mau, que te ouve melhor, te vê melhor e ainda te come.


FIM

Notas finais
AAAAAAAAAAAAAAAHHH NEEM ACREDITEI QUE TERMINEI *o* depois de uma eternidade é claro.
Eu realmente só tenha a agradecer á vocês. Que não me abandonaram quando eu fui dar uma "voltinha" de meses e anos :/ Galera, é isso. Não sei se vocês gostaram do final,e da fic é claro. Mas eu espero profundamente que sim :D

Era claro que eu ia terminar a fic com uma frase MEGA CLICHÊ e que todo mundo conhece. Mas sei lá, achei que iria combinar com a fic. Enfim, se gostaram ou não gostaram, por favor comentem e deem suas opiniões. Foi um prazer escrever essa fic para vocês :)

Ahh, e se gostaram mesmo, não custa nada recomendar ;) ( faz tanto tempo q não escrevo q nem sei mais se isso tem aki no Nyah) IUAHSIUHAIUSHIUAHSIUHAIUSHIUAHSUHA Mas enfim,

ENORMEEES BEEIJOOOS MINHAS JUJUBINHAS!

Até o próximo cap das outras fics ;)
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!