Quem Tem Medo do Bicho Papão?
5 Tempo Ruím
SALA DA CASA DE EUNICE
Rita esta sentada no sofá, com o celular em mãos. Ela parece bastante ansiosa. Tomando uma decisão, Rita disca um numero no celular, e o leva ao ouvido.
RITA
- Alo, Dr. Mitchell? É Rita
Ela ouve a voz do psiquiatra do outro lado da linha.
DR. MITCHELL
- Rita? Como esta?
RITA
- Desculpe ligar no sábado. Mas eu realmente preciso falar com o senhor.
DR. MITCHELL
- Rita, isso não poderia esperar até...
RITA
- Não! Realmente não pode. Por favor,doutor.
Há um silencio do outro lado da linha.
DR. MITCHELL
- Tudo bem. Encontre-me no consultório em duas horas.
PARQUINHO
Angela brinca com outras crianças no parquinho. De longe, Eunice e outras mães a observam. No alto de um brinquedo, Angela e quatro crianças estão sentadas em uma rodinha.
ANGELA
- Então a minha tia chegou bem na hora, e me salvou.
Miko, um menino da mesma idade de Angela, usando cabelo tigelinha, se manifesta.
MIKO
- Ah, não inventa historia, Angela!
ANGELA
- Eu não tô inventando! Tinha mesmo um monstro no meu quarto. Acho que saiu debaixo da minha cama.
MIKO
- Ah, tá. O Bicho Papão saiu debaixo da tua cama. Conta outra que essa já é velha.
Uma menina usando rabo de cavalo toma a palavra para si.
ELLIE
- Eu acredito nela. A Angela não é de mentir.
Um menino negro ao lado de Ellie diz o que acha.
ROBBIE
- Eu tambem. O meu pai me contou que a historia do Bicho Papão existe no mundo todo. Dão nomes diferentes pra ele, mas a historia é a mesma. Quando todo mundo começa a contar a mesma historia, quer dizer que tem algo de real, não acham?
ELLIE
- Pois é. Acho que é o que chamam de historia uni... Univor...
Uma menina de óculos interrompe
EMILY
- Historia Universal (Diz em tom arrogante). Quer dizer que todo mundo conhece.
ELLIE
- Que metida (diz referindo-se a Emily). Mas Angela, você não tem medo de dormir no seu quarto de novo? Se tem mesmo um Bicho Papão debaixo da sua cama...
ANGELA
- Eu tenho um anjo da guarda pra me proteger.
ROBBIE
- Um anjo da guarda?
ANGELA
- Sim. Minha Tia Rita é meu anjo da guarda.
EMILY
- Mesmo assim eu me preocuparia se fosse você. Sua tia pode não estar sempre por perto.
ONIBÚS: MAIS TARDE
Rita Billings dirige o carro de sua irmã. Pela janela, vê-se o céu nublado, que anuncia uma tempestade. A irmã de Eunice se pergunta se esta tomando a decisão certa ao procurar o Dr. Mitchell. O psiquiatra muito provavelmente não vai acreditar nela, mas ela não sabia mais a quem recorrer. Entretanto, ela confiava no médico, e dependendo de como manobrasse a conversa, poderia encontrar um caminho a seguir.
CONSULTÓRIO DO DR. MITCHELL
Rita passa pelo pequeno portão que leva ao consultório do Dr. Mitchell. O consultório se localiza em uma pequena casa. A principal fonte profissional do psiquiatra era na clinica onde conheceu Rita, mas ele investe naquele pequeno consultório para conseguir um dinheiro extra, e acompanhar alguns pacientes que saíam da clinica.
Rita toca a campainha. O Dr. Mitchell abre a porta, e dá passagem para que sua paciente possa entrar.
DR. MITCHELL
- Rita. Entre, por favor.
Eles entram, e após atravessarem a pequena sala de espera, chegam à sala do Dr. Mitchell.
DR. MITCHELL
- Devo admitir que fiquei surpreso quando você me ligou. Por que precisava falar comigo com tanta urgência?
Os dois se sentam em poltronas uma de frente para a outra.
RITA
- Desculpe ligar assim Doutor, mas eu preciso de ajuda. Preciso dividir o que estou pensando com alguém. Acho que o senhor não vai acreditar em mim, mas...
DR. MITCHELL
- Rita (Diz interrompendo-a) primeiro me conte o que a perturba, depois debatemos a questão.
Rita respirou fundo, e começou a contar a sua historia. Voltou a falar sobre a aparente loucura de seu marido, que insistia que seus três filhos tinham sido mortos pelo Bicho Papão. Contou sobre a visita da policia, que veio lhe avisar sobre o desaparecimento de Lester.
DR. MITCHELL
- E não há pistas sobre o paradeiro dele?
RITA
- Nenhuma.
DR. MITCHELL
- Continue a historia, por favor.
Rita lhe conta então do episódio envolvendo Angela, e a misteriosa figura encapuzada que estava perto da cama da menina. Em seguida, Rita fala sobre a estranha gosma que achou ao olhar embaixo da cama de Angela na manhã seguinte. Por fim, ela fala da morte de Mike, e das estranhas circunstancias que envolveram o suposto suicídio do rapaz. O Dr. Mitchell ouve a tudo sem interromper, e só se manifesta após sua paciente terminar a narrativa.
DR. MITCHELL
- Realmente, é uma historia impressionante.
RITA
- O senhor não acreditou em uma só palavra, não é?(Diz desanimada).
DR. MITCHELL
- Temos que convir que é difícil acreditar.
RITA
- Eu sei. Eu mesma mal acreditei em tudo que acabei de falar. Mas não consigo pensar em outra explicação, Doutor. Todas essas coincidências se aglomerando uma em cima da outra. O Bicho Papão de Lester parece ser a única explicação, embora longe de ser plausível.
DR. MITCHELL
- Você disse bem, Rita. Coincidências, nada mais que isso. Coincidências acontecem, mesmo as absurdas. Infelizmente, pessoas desaparecem todos os dias, seu marido foi apenas mais uma.
RITA
- Mas eu vi a criatura do lado da cama da Angela!
DR. MITCHELL
- O escuro nos prega peças, Rita. Você mesmo admitiu que estava nervosa. Quando entrou no quarto, a mudança de luminosidade fez com que tivesse uma ilusão de ótica.
RITA
- O senhor não me ouviu? Angela disse que ouviu alguma coisa embaixo da cama, e eu mesma encontrei vestígios.
DR. MITCHELL
- Imaginação de uma menina, somada a um quarto sujo.
RITA
- E a morte do garoto, Doutor?(pergunta nervosa) O senhor não acha que já é coincidência demais?
DR. MITCHELL
- O rapaz tirou a própria vida depois de se encontrar com sua sobrinha. Simples assim.
RITA
- Sarah disse...
DR. MITCHELL
- Ela pode ter se enganado. É uma adolescente. Talvez não tenha visto os sinais.
Rita leva as mãos ao rosto, e então volta a olhar para o psiquiatra.
RITA
- O senhor acha que enlouqueci de vez, não é? Eu posso estar fantasiando um pouco (mente ela), mas eu sinto que a minha família não esta segura.
Dr. Mitchell se levanta da poltrona.
DR. MITCHELL
- Não acho que enlouqueceu, Rita. Acho que esta um pouco confusa. Talvez esteja esquecendo-se de me contar alguma coisa.
RITA
- Como o que, Doutor?
DR. MITCHELL
- Não sei ao certo. Vêm tendo algum tipo de alucinação auditiva ultimamente?
Rita se mostra desconfiada com a pergunta.
RITA
- Por que quer saber a respeito de alucinações auditivas?
DR. MITCHELL
- Ora, por que você esta me escondendo algo, Rita. E uma boa paciente deve contar tudo ao seu médico.
Rita sente-se mais desconfortável. O psiquiatra se coloca na frente da porta.
- Por que não me contou o que houve no mercado?
Rita lentamente se põe de pé. Uma terrível sensação de medo começa a dominá-la.
RITA
- Eu não sei do que esta falando.
Quando o médico falou, não foi mais com sua voz normal, mas com uma voz grossa e borbulhante.
DR. MITCHELL
- Sabe sim.
Rita tenta se dirigir até a porta, mas o homem a segura. Rita arranha seu rosto, e ele a empurra com força de volta à poltrona, quase a derrubando. Ela olha para o Dr. Mitchell, e percebe com horror que o rosto do psiquiatra esta se desintegrando rapidamente. Logo, este mesmo efeito é percebido em todo o corpo do homem, o que inclui suas roupas. Rita esta paralisada de medo, tudo o que consegue fazer é observar.
Todo o corpo do médico cai no chão, como se fosse poeira. Em seu lugar, sobra uma figura usando um manto e um capuz preto, com longas e afiadas garras no lugar das mãos. Rita não havia conseguido ver o rosto debaixo do capuz na noite anterior, mas agora ela consegue, mesmo com o céu ficando cada vez mais escuro na rua. A pele no rosto da criatura lembra a pele de um crustáceo gosmento, inclusive com estranhas saídas de ar espalhadas pela face, que ficam se mexendo. O monstro sorriu, revelando uma fileira de dentes afiados.
BICHO PAPÃO
- Qual o problema, Rita? Parece que viu o Bicho Papão.
Rita continua sentada na poltrona, paralisada de horror.
RITA
- O que... O que você fez com o Dr. Mitchell?
BICHO PAPÃO
- Nada. (Diz aproximando-se) Mas parece que o bom doutor sofreu um acidente quando estava retirando o carro da garagem. A embreagem soltou enquanto ele abria a porta da garagem. Uma fatalidade.
Rita se levanta, e recua em direção a janela gradeada.
RITA
- Você... Você é o bicho papão de que o Lester falava (diz ela com os olhos enchendo-se de lagrimas). O que é você?
BICHO PAPÃO
- Cada cultura tem um nome diferente pra mim.
As pesadas cortinas da janela se fecham atrás de Rita.
RITA
- Você matou meus filhos (Diz sentindo as lagrimas escorrerem pelo rosto)
BICHO PAPÃO
- Cada um deles.
Ele continua a avançar vagarosamente em direção a ela. Ela sente suas costas baterem na grade através da cortina.
RITA
- Você tambem matou Lester.
BICHO PAPÃO
- Sim. Embora vamos admitir, não vai fazer muita falta. Ele não era um exemplo de marido, era? E com certeza não era exemplo de pai.
RITA
- Lester não era perfeito, mas...
BICHO PAPÃO
- Lester era um covarde. Ele desconfiou que houvesse algo errado no quarto de Shirley, mas diferente do que você fez com a pequena Angela, não foi verificar. E ele não lhe contou o que houve com o pequeno Andy? Ele deixou o garoto sozinho, mesmo sabendo que eu estava na casa. Preferiu me entregar o pescocinho mole da criança do que arriscar o próprio. Lester não se importava com mais ninguém, nem com você, Rita. Por isso o matei, ele não tinha mais nada a me oferecer.
O Bicho papão esta a poucos centímetros de Rita. Ela não agüenta, e cai no chão, derramando-se em lagrimas.
RITA
- Você destruiu a minha família. E continua me perseguindo. Por quê? Por que eu?! (Grita ela)
A criatura se abaixa, e com suas garras, agarra o queixo de Rita, forçando-a a olhar diretamente para ele.
BICHO PAPÃO
- Ora Rita, por que não você?
Ele a agarra pelo pescoço, e a ergue do chão.
- Demorei para juntar novamente a energia necessária para fazer o que eu tenho que fazer. Tive que dar um empurrãozinho aqui e ali, mas a sorte tambem me ajudou. Sempre ajuda. E no final, vai valer à pena.
Ele sorri uma vez mais mostrando os dentes afiados. Rita já não consegue respirar direito. A porta do armário do armário embutido perto da janela se abre. A criatura pisca para Rita, e a arremessa dentro do armário. Rita sente as costas baterem contra algo sólido, e tudo se desvanecer ao seu redor. A última coisa que ouve antes de cair na inconsciência, é o som de uma porta batendo.
CASA DE EUNICE
A noite cai. Embora mesmo antes do sol se pôr, grossas nuvens negras já cobriam o céu, adiantando o crepúsculo. A irmã de Rita olha pela janela, observando os relâmpagos que cortam o céu, prenunciando a chuva. Eunice esta preocupada com a irmã. Rita pediu o carro emprestado há algumas horas, e ela emprestou, mesmo com a irmã se negando a dizer aonde ia. Eunice começa a achar que isso foi um erro. Ela já tentou ligar para Rita, mas o celular dá irmã dá apenas como desligado. Angela se aproxima da mãe.
ANGELA
- Mãe, por que a Sarah tá triste?
EUNICE
- Vem cá, filha.
Eunice leva a filha até o sofá.
- Filha, a sua irmã tá triste por que um amigo dela foi pro céu.
ANGELA
- Ele morreu?
EUNICE
- Sim, filha. Por isso a Sarah tá triste. Mas não se preocupe com ela. Sua irmã vai ficar bem.
Ouve-se um novo trovão do lado de fora. Angela abraça a mãe. A chuva começa a castigar as janelas.
ANGELA
- Eu não gosto de tempestade.
EUNICE
- Nem eu, filha.
ARMÁRIO
Rita recupera a consciência aos poucos. Por um instante, ela tem duvidas se realmente abriu os olhos, pois o breu é total a sua volta. Ela tenta se levantar, mas bate as costas contra a parede. Rita tenta se mexer para todos os lados, mas para onde quer que se mova, encontra barreiras. O espaço a sua volta é bastante restrito.
Uma onda de pânico atinge Rita. Ela começa a bater nos quatro cantos do armário que se tornou sua prisão. Ela sente que o ar esta lhe faltando.
RITA
- Socorro! Alguém me ajude!
Ela cai de joelhos no chão. Ela respira rapidamente. Rita se pergunta por que o maldito monstro a deixou viva. Por que ela não esta morta como seus filhos, e como Lester. É então que ela se lembra das palavras do Bicho Papão. “Lester não se importava com mais ninguém” foi o que ele disse. “Por isso o matei, ele não tinha mais nada a oferecer”. O que ela tinha a oferecer?
RITA
- Minha família. Ele vai atrás de Eunice e das garotas.
Eunice e as filhas vão morrer, e será tudo culpa dela. Rita ofegante, tenta se acalmar.
RITA
- Calma. Eu preciso pensar direito. Eu tenho que sair daqui. Tenho que sair daqui.
Rita começa a apalpar as paredes em volta com mais calma. Ela encontra uma superfície de madeira. Aquela só podia ser a porta. É ali que ela precisa concentrar seus esforços. Ela não tem espaço para um impulso. Rita apóia as costas na parede, e coloca os pés sobre a porta. A irmã de Eunice começa a fazer força. Rita consegue ouvir a madeira ranger. Entretanto, seus pés escorregam na madeira, e ela cai no chão.
Rita quase tem uma crise de choro devido a sua tentativa falhada, mas sabe que não tem tempo para isso. Ela volta a apoiar as costas na parede, e apoiar os pés na porta do armário. Rita começa a fazer força, e mais uma vez, o som da madeira rangendo enche o armário. Rita sente os joelhos doerem, mas não diminui a força. Ela sente as costas começarem a escorregar novamente, mas consegue evitar a queda apoiando as mãos na parede. Rita sente a tensão pelo corpo todo. Subitamente, ouve-se um estrondo, e Rita volta a escorregar. Ela bate a cabeça na parede e vê o escuro ser iluminado por uma cor indefinível.
Após resistir a uma nova inconsciência, Rita tenta novamente se colocar de pé, e ao apalpar a porta, repara que uma dobradiça se soltou, e que cada vez que empurra a porta, as frestas se transformam em uma pequena abertura. Rita repete a mesma operação de apoiar-se contra a parede, e empurrar a porta com os pés. Após fazer mais um pouco de força, ouve-se novo estrondo, e a porta cede, caindo para o lado de fora.
Rita se levanta, e passa por cima da porta tombada. Seu corpo inteiro dói, mas ela esta livre. Rita olha em volta, e constata que ainda esta no consultório do Dr. Mitchell. Na rua, ouve-se chuva pesada cair. Ela vai até a porta, temendo que ela esteja trancada. Mas felizmente, não esta. Rita corre até o carro de Eunice, e imediatamente pega o celular no porta luvas, mas esta sem bateria.
RITA
- Droga!
Ela liga o carro, e sai em disparada.
CASA DA VIZINHA DE EUNICE
A senhora Margaret Laurie é uma senhora de sessenta anos. Ela esta sentada em sua poltrona, assistindo a um programa religioso. Aos seus pés, um pequeno poodle branco descansa. O Poodle levanta a cabeça, e sai correndo, latindo incessantemente.
MARGARET
- Snoopy? O que foi?
O cachorro corre em direção ao quarto de Margaret. A velha senhora segue o cãozinho. Ela passa pela escada que leva ao térreo, ignorando-a. Após atravessar um pequeno corredor, Margaret chega até seus aposentos. Ao entrar no quarto, ela acende a luz, e encontra Snoopy latindo para a cama.
MARGARET
- O que você encontrou, Snoopy?
Uma enorme garra sai debaixo da cama, e agarra o cachorro, o puxando para a escuridão. Ouve-se um ganido, e depois mais nada. Margaret dá um grito estridente, que é abafado por um trovão, e começa a andar o mais rápido que pode para longe do quarto. A velha vai em direção a escada, mas no momento que chega lá, a porta do armário do lado da escada se escancara, dando passagem para a criatura. Margaret solta um novo grito, mas não consegue se afastar do monstro, que a puxa, para em seguida jogá-la escada abaixo.
Margaret rola todos os degraus, até parar no pé da escada. Um filete de sangue escorre da boca da mulher. Um novo relâmpago ilumina seu olhar sem vida. A figura encapuzada a observa do alto da escada, totalmente imperturbável.
CARRO DE EUNICE
Rita dirige o carro de Eunice o mais rápido que consegue. Ela pode ouvir um caminhoneiro soltar xingamentos direcionados as mulheres depois que ela ultrapassa seu caminhão. Não importa. Insultos no trânsito são o menor de seus problemas agora. Ela precisa chegar a casa de Eunice.
CASA DA VIZINHA DE EUNICE
O bicho papão anda até a sala onde a falecida Margaret estava assistindo televisão. No momento em que ele entra, a TV se apaga. Ele vai até a janela, onde pode ver a casa de Eunice. O monstro sorri, revelando dentes sujos de sangue.
BICHO PAPÃO
- Sem mais vizinhos indesejados, Eunice. Agora, só falta um detalhe para a noite ficar perfeita.
A tempestade parece ficar mais furiosa. Um raio cai ao longe, sendo seguido por um trovão. Então, toda a luz da vizinhança se apaga.
- Agora sim, podemos ir ao prato principal.
Notas finais
Quem puder, deixe um review.
Até!
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