Quem Tem Medo Da Flor De Cerejeira?
38 A Jóia voltou!
Notas iniciais
“No ímpeto da ira, eu investi contra ele, empunhando a minha katana e sem escolha, os outros vieram comigo. O meu sharingan se ativou sozinho, mas não adiantou de nada, eu... Não fui rápido o suficiente para proteger minha companheira... O youkai pisou com força em um dos traçados da estrela de Kagome e a mínima desarmonia no desenho fez com que todo nosso esforço fosse em vão...”
Naruto Uzumaki:
Eu me sentia como se eu estivesse dentro de uma maquina de lavar roupa misturado com um tufão apocalíptico. E eu sei que isso pode soar exagerado e sem sentido, mas vai por mim, não adianta quantos adjetivos ou comparações eu fale, nada vai chegar perto daquilo que eu meus companheiros sentimos naquele bendito momento em que Naraku pisou em um dos traços da estrela de Kagome. Todos os meus sentidos pareciam ter sido destruídos, minha cabeça parecia explodir, minha visão queimara, meus ouvidos pareciam estar em completa microfonia e meu corpo quase derretia.
Quando eu abri os olhos, demorei para que eu pudesse voltar a enxergar e olhar ao meu redor. Me vi jogado no chão, de um jeito vergonhoso, na verdade. Kakashi-sensei não estava muito diferente de mim, o único que estava com maior compostura era Sasuke. O moreno estava tentando se levantar, apoiando uma das mãos no chão, e a outra, na cabeça, revelando em sua expressão a dor que eu sentira há pouco tempo. Em seus olhos, o Sharingan parecia estar mais ameaçador e diabólico do que nunca.
Segui o seu olhar e vi o que o Uchiha olhava com tanta cólera. Infelizmente, Naraku parecia ileso, ainda ostentando um cínico sorrisinho na face. Kagome estava tentando se levantar no chão, tão afetada quando nós. De súbito, Inuyasha passou correndo por mim e com a espada desembainhada, tentou atacar o inimigo, mas quando foi desferir o ataque, uma barreira negra se fez presente, repelindo o ataque. A lâmina da tessaiga mudou e em um piscar de olhos, tornou-se vermelha como sangue.
Porém, antes que a lâmina atacasse novamente, Naraku revirou os olhos e uma espécie tentáculo, como uma raiz de arvore saiu por debaixo de suas vestes e atacou Inuyasha com uma velocidade impressionante. Inicialmente, o youkai conseguiu aparar o ataque, e mesmo sendo empurrado para trás, seu equilíbrio não foi afetado. O albino cortou a “raiz”, mas como uma Hidra nojenta, dois novos tentáculos saíram do corte e então, ele, que não esperava aquilo, acabou sendo pego. Naraku o olhou com desprezo e soltou uma risadinha que mais parecia um acesso de tosse e falou voltando-se para Kagome:
—Pelo visto você ainda não domou o seu cãozinho, Kagome...
Inuyasha rosnou alto, como um cão raivoso enquanto tentava se soltar das firmes e fortes raízes que seguravam seu corpo, em um abraço possessivo.
—Bem, eu já cansei de brincar...—Murmurou olhando para Sakura e foi a vez de Sasuke soltar um som semelhante a um rosnado.— Jóia, eu realmente espero que esteja pronta.
O corpo da rosada começou a tremer, e tal tremor logo se tornou em violentas convulsões e de seus lábios, gemidos dolorosos se fizeram presentes.
Eu não sabia como deveria reagir, afinal, Naraku estava intocável com a sua barreira e não estava fazendo nada com a Haruno, não diretamente. De súbito, em meio a sua agonia, a médica parou. Parou de gritar, parou de tremer, parou de... Respirar. Corri até ela, desesperado e a puxei para perto de mim. Seus olhos, antes verdes e vívidos, agora olhavam o céu com inexpressividade, com os olhos tão opacos quanto os de uma boneca assustadora. Seus lábios estavam entreabertos, tentando me dar alguma mensagem perdida e inacabada, enquanto seu corpo de tornava cada vez mais frio.
Sasuke Uchiha:
Tenho vergonha de dizer que fiquei ali, parado, sem ação. Soa covarde, mas eu não tinha coragem de ir até lá e ver Sakura morta. Eu sabia que a rosada estava morta, a expressão desolada de Naruto revelara tudo, mas também... Algo em meu âmago reforçava a ideia. Senti como se meu cérebro fosse explodir, e que a saliva que eu engolia a seco era mais parecida com veneno, me dilacerando por dentro. Era a mesma aterrorizante sensação de quando a minha família inteira morrera, e eu não aguentaria passar por tudo aquilo, não novamente, não com a Haruno...
Sentindo como se alguém tivesse apunhalado o meu peito e derretido os meus pés, eu me obriguei a andar, lentamente na direção dos meus dois companheiros, até me esquecendo de Naraku, me esquecendo de tudo... Nada mais parecia existir. Meus olhos só enxergavam o corpo inerte e delgado da médica, vi seus dedos delicados pousados no chão, se misturando com as cheirosas madeixas de seu cabelo. Não sei por que, mas eu senti vontade de tocá-la, de fazer com que ela voltasse, voltasse a vida, voltasse para mim. Não sei quantos passos inúteis eu dei, mas então, a voz de Naraku se fez presente:
—Você é a pior, Jóia...—Murmurou o moreno, e eu pude reconhecer uma pitada de diversão em sua voz.
Para meu espanto, os mesmos dedos alvos que estavam inertes começaram a se mover e logo o seu braço se levantou, quase dando um abraço no loiro. Meu coração bateu errado, me fazendo sentir uma dor aguda, e para piorar o ar pareceu faltar-me, mas então, antes que eu pudesse me sentir aliviado, algo estranho aconteceu. A mão suave da ninja agarrou com força o casaco laranja do Uzumaki e então, em um movimento quase sobre-humano, lançou o ninja para longe de si. Nem me preocupei com o dobe, afinal, ele conseguiria se virar, ele era um ninja.
Meus olhos estavam presos na garota que agora se levantava com a ajuda de Naraku, eu odiei ainda mais aquele cara por tocá-la daquele jeito. Eu estava perplexo, vendo Sakura que antes estava moribunda e agonizante, agora estava de pé e corada de saúde. Em seus lábios, havia um sorriso e seus olhos estavam brilhantes novamente, mas eu não me sentia aliviado em vê-la ali... Aquela não era a rosada, não era a minha Haruno. Seus olhos estavam perversos e o seu sorriso era malicioso, ela parecia ser uma mistura assustadora de uma mulher ninfomaníaca e psicótica.
—O que você está fazendo aqui?!—Berrou Kagome, irada e perplexa.
Sakura virou o rosto quase que teatralmente para a sacerdotisa e a fitou com um ar de superioridade e arrogância que ultrapassava todas as minhas expressões:
—Surpresa!—Disse gesticulando com os dedos.— Sabe, foi bem complicado passar pelo seu colarzinho...— Murmurou a rosada, puxando a blusa que usava para baixo, mostrando para nós a pele ao redor do seu pescoço, onde antes, tinha uma espécie de tatuagem de proteção. Agora, tudo o que tinha, eram marcas apagadas, pareciam queimaduras feitas por bitucas de cigarro, dolorosamente feitas.
—E... Agora que eu cheguei, não pretendo ir embora tão cedo...—Murmurou a Haruno, arregalando as orbes verdes, parecendo uma louca.
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