Quem é a garota?

2 Capítulo 02 - Visita de Luke Washington


Notas iniciais
Oi pessoas lindas! Eu não disse que ia atualizar rápido? Hahaha está aí! Boa leitura!

Luke narrando

— Não me olhe assim — Ashley fechou a cara enquanto um jurado perguntava o que tinha acontecido. Se soubessem que foi proposital, Ash podia ficar fora da competição e ainda pagar uma multa absurda. Ninguém admitiu. Só disseram que a novata tinha caído sozinha, coisa que nós sabíamos que não era verdade.

— Caiu sozinha? — perguntou ele.

— Sim — Noan estava incomodado por mentir.

— Vou falar com a senhorita Sherman — disse o mesmo que havia perguntado antes — se ela tiver uma versão diferente de vocês, estão todos suspensos nos dois primeiros dias. Ficou claro? — engoli em seco. Dois dias de pontuação era muita coisa para ser perdida e eu tinha reputação a zelar!

Logo ficamos sozinhos na sala de espera do hospital.

— É bom que a sua coleguinha saiba mentir — Ashley disse entre dentes. Estava desesperada.

— Ela não tem culpa se você não sabe perder — Jake cuspiu as palavras na cara dela, que ficou vermelha.

— Quem começou foi ela quando jogou neve na minha cara! — aumentou o tom de voz. Toquei no braço dela.

— Foi sem querer — defendi a garota — ela ia cair. Você não viu?

— Não — respondeu chocada. Parecia arrependida — ai meu Deus. O que foi que eu fiz?

— Vai ficar tudo bem — Noan olhou para o quarto. Acompanhei seu olhar e vi o médico falando com o jurado. Enquanto isso, o ruivo mexia desesperadamente com as mãos chamando atenção da morena, que franziu o cenho ao nos ver. Ele fez um sinal com a mão. Demonstrou a prancha em sua mão e na outra mostrou dois dedos inclinados. Para um bom entendedor, aquilo significava queda. Ela sorriu e assentiu.

Ficamos mais alguns minutos esperando que o jurado voltasse. Ele estava sorrindo.

— Estão liberados. A garota disse que caiu — ainda sorria enquanto sumia pelo corredor.

Levantamos e demos um pulo de felicidade. Ela tinha salvado a nossa pele. Ou melhor, tinha salvado a Ashley de ser expulsa.

— Viu só? — Jake sorriu — a Melody não é vingativa.

— É — sorri olhando para a baixinha na sala — preciso agradecer essa morena.

Os garotos riram e eu acompanhei. Ashley bufou e nos deixou ali. Ela estava se roendo por não ser o centro das atenções. E quer saber? Agora que eu queria mesmo conhecer a tal Melody.

Melody narrando

Acordei já sentindo o meu tornozelo latejar. Era só o que me faltava. O meu treinador vai me matar! Tentei lembrar do que tinha realmente acontecido enquanto um jurado conversava com o médico, até que olhei na janela de vidro. O Noan estava desesperado tentando chamar a minha atenção. Fiquei observando a cena e entendi o que ele queria dizer. Era pra eu mentir para o jurado, dizendo que foi uma queda.

— Então, Melody — o jurado parou do meu lado — o que aconteceu? Você se lembra?

— Eu lembro de estar explorando a montanha. Estava muito rápido curtindo a adrenalina, sabe como é — ele sorriu e assentiu, parecia estar acreditando — então não consegui parar, caindo em cima da minha perna direita. A prancha soltou e me acertou em cheio na esquerda.

Ele ficou um tempo em silêncio, parecia montar a imagem em sua cabeça. Voltou a sorrir e colocou a mão na minha perna.

— Espero que fique bem logo — foi sincero e eu assenti. Será que foi grave? Minha pergunta logo foi respondida pelo médico que me observava atentamente.

— Só torceu — explicou — se ficar em repouso quatro dias, vai estar ótima!

— Quatro dias? O campeonato começa depois de amanhã! — coloquei a mão direita no joelho esquerdo. O médico fez uma careta. Franzi o cenho.

— Melody! — George, o meu treinador entrou correndo no quarto.

— George — mordi o lábio inferior.

— Vim assim que descobri! Você está bem? — Sobre eu estar bem, depende do ponto de vista, não? Porque meu pé não para de latejar.

— Não deu nada no raio-x, mas você precisa evitar impactos grandes. Sabe o que isso significa não, é? — acho que meu coração falhou uma batida. Eu não ia poder arriscar manobras de nível alto e ainda perderia dois dias da competição.

— Sei sim — evitei o olhar matador do meu treinador.

— O que eu te disse sobre descer a montanha?! Você é surda, Sherman? Jogou fora sete meses de recuperação! — ele gritou. Nem ligou se tinha alguém ouvindo. O médico saiu da sala. Dei uma olhada no vidro e só o Luke estava lá, me olhando.

Ótimo, agora o cara mais lindo do campeonato estava assistindo eu levar a maior bronca. Algum lugar pra eu enfiar a cara agora seria ótimo, obrigada.

— Nada de descer a montanha — sussurrei.

— Exato! Se eu te ver saindo daquele quarto, eu juro que te mato! — Fiquei lá, com lágrimas nos olhos. Que merda eu tinha feito? Ele estava certo. Fui muito burra.

— Pega leve, cara! — Luke entrou na sala. George assustou — o que estão olhando? — perguntou para as pessoas que paravam no corredor.

— Desculpa — pediu assim que percebeu que tínhamos plateia — eu me alterei — depositou um beijo na minha testa e saiu da sala. Me deixando a sós com aquele deus grego.

Eu não sabia mesmo aonde enfiar a cara. Tinha levado o maior sermão na frente do garoto mais desejado entre as praticantes de snowboard. Fala sério, ter seu pai como treinador é uma das piores coisas. Ele não fala só como treinador e o pior de tudo, sempre tem razão.

— Tudo bem? — perguntou com um sorriso no rosto.

— Obrigada — agradeci fitando o teto.

— Seu treinador é maluco — disse me fazendo rir. Só então tive coragem de olhar para ele. Seus olhos azuis me encaravam curiosamente.

— É o meu pai — admiti. Ele riu ainda mais.

— Agora está tudo explicado — sua risada era gostosa de ouvir, assim como sua voz rouca.

— Eu descobri que ele é meu pai há algumas semanas. Nosso relacionamento não está sendo o dos melhores — ele parou de rir e tocou o meu braço.

—Não foi tão ruim assim, foi? — perguntou olhando para a "botinha" que estava no meu tornozelo.

— Torcido — mordi o lábio inferior — quatro dias de repouso e nada de grandes impactos, como se isso fosse fácil — revirei os olhos.

— Depende — sorriu — pertence à qual modalidade?

— Slope style — suspirei e percebi que ele fez o mesmo. Não disse nada só franziu o cenho — pois é — concluí.

O Luke era muito divertido. Em nenhum momento me deixou ficar pensando nas consequências e fez piadas muito engraçadas sobre o ocorrido. Imitava a voz da Ashley perfeitamente e falhava ao tentar imitar a minha.

— Você é muito bobo! — minha barriga estava doendo de tanto rir.

— É que eu gostei de te ver sorrindo — passou a língua em seus lábios. Ação que não passou despercebida por mim. Foi ai que reparei que o nariz dele estava coberto por um tipo de protetor, era branco. Como não vi antes? Ah, claro! Eu estava ocupada demais perdida naqueles olhos azuis.

— Ai meu Deus! — exclamei apontando para seu nariz fazendo-o rir — não foi por minha causa, foi?

— Não — sorriu — disputei um cross sem cobrir. Deu uma queimada bacana — Franzi o cenho.

É perfeito de qualquer jeito. Se soubesse o quanto é lindo, não ficaria me distraindo enquanto a garota perfeita para ele está se arrumando para a festa que vai ter em algumas horas. Sim, estou falando da Ashley.

Luke soltou uma risada fraca, parecia sem graça. Ele tinha ficado corado. Ai por favor, eu não disse isso voz alta, disse? Não, não, não!

— Por essa eu não esperava — deu um sorriso de lado perfeito. Droga! Eu disse mesmo.

Peguei um travesseiro e abafei meu grito. Podia ouvir a risada dele. Eu estava totalmente vermelha, tinha certeza disso. Fiquei com a cara enfiada ali até que ele parou de rir.

— Preciso ir — disse enquanto olhava o iPhone em suas mãos — te vejo na festa?

— Depois de tudo isso, preciso me enterrar — ele gargalhou.

— Sabe — ele ainda ria — não foi tão ruim assim.

— Não?

— Você ia deixar eu morrer sem saber disso — fingiu estar surpreso. Foi a minha vez de rir.

— Sai! — eu disse enquanto ria. Ele levantou as mãos em forma de rendição e saiu rindo.

A Angelina ia ter crises de risadas quando soubesse disso. Eu era mesmo muito desajeitada. E cara, recebi uma visita do Luke Washington! O lindo, loiro, maravilhoso e fofo? Esse mesmo. Não quero acordar nunca desse sonho.

Meu pai(é estranho chamá-lo assim) disse que a festa era obrigatória e seria no salão que ficava na montanha. Eu teria que explicar o que aconteceu, mentindo. Não podia contar o que a Ashley fez, ela não tinha culpa de não ter olhos nas costas.

— Os garotos já foram — Rihana avisou entrando no quarto — você vem?

— Só vou por uma jaqueta. Te encontro lá embaixo — ela assentiu e me deixou ali sozinha.

Desci sem pressa até o restaurante do hotel. Estava com muita fome, não ia aguentar até dar o horário de servirem o jantar. Comi um lanche depressa e pedi um suco de melão.

Fiquei mexendo no meu celular ,respondendo todos os recados. Meus conhecidos estavam preocupados com o pequeno acidente. E vamos falar sério, eu só sou conhecida por causa dos meus títulos no snowboard em cidades vizinhas, uma nerd assumida e que além de praticar o melhor esporte do mundo, tem planos para fazer faculdade. Quero ser professora, ainda não sei de qual matéria mas ensinar é algo que gosto muito. Quem sabe ser treinadora? Não deixa de ser uma profissão.

Luke narrando

A garota canadense não saía da minha cabeça desde a hora que a vi colocar o pé direito na prancha. Ela parecia ser divertida. E linda, meu Deus, como era linda. Senti uma coisa diferente naquele hospital. Era como se com ela eu pudesse ser o Luke normal, sem precisar medir palavras ou ações. Eu já não fazia aquilo há um bom tempo, só com os meus familiares e amigos próximos.

Já estava pronto para a tal festa de apresentação. Baguncei o cabelo e desci no restaurante para comer alguma coisa. Me contentei com vitamina de mamão e uma maçã.

— Pronto? Eles já estão convocando os competidores para a apresentação — o treinador chamou interrompendo a minha visão.

A Melody estava sorrindo enquanto mexia animadamente no celular. Usava uma toca do Canadá, cabelo longo solto, jaqueta do time, estava bem agasalhada.

O sorriso dela era lindo e aumentou mais ainda ao ver que eu a observava.

— É — sorri, ainda olhando para ela — te encontro em vinte segundos.

— Entendi — ele riu pelo nariz e virou para onde eu estava olhando.

Caminhei até a morena baixinha, que levantou com dificuldade assim que viu eu me aproximar. Deixou o iPhone na mesa, sem tirar o sorriso do rosto.

— Boa noite — cumprimentei com um sorriso de lado.

— Boa noite — respondeu arqueando a sobrancelha esquerda — eu prefiro branco e vermelho — olhou para a minha roupa me fazendo suspirar. Eu também prefiria. Maldita hora em que fui representar os Estados Unidos. Tudo bem, era porque meu pai fez prometer que representaria o país dele. Eu não podia decepcioná-lo.

— Então somos dois — sorri e olhei a montanha pela janela, já tinha muita gente lá — quer me acompanhar? — convidei vendo que os olhos dela brilhavam ao ver a iluminação do salão.

— Eu posso? — perguntou apontando discretamente para a Ashley que estava com uma cara de emburrada. Ex-namorada é um problema sério.

— Claro que pode.

Sorri, envolvendo o braço em sua cintura para não forçar muito o tornozelo, então ela colocou a mão por cima da minha e aquele toque me fez bem, sua mão era muito macia. Não demorou muito para chegarmos no topo da montanha. Todo mundo estava olhando para nós. Só separamos porque ela tinha que explicar o seu acidente para a imprensa. Fiquei observando-a de longe.

— Está esperando o que, pegador? — Noan perguntou ficando do meu lado e olhando para a mesma pessoa que eu — chama ela pra dançar antes que o russo o faça. Ela é novata, todos querem tirar uma casquinha — deu um tapa de leve na minha cabeça me fazendo rir. Ele estava certo.

Caminhei até ela e encostei meus lábios em seu ouvido esquerdo. Querendo atrapalhar aquela conversa com o russo dos olhos claros.

— Dança comigo? — perguntei vendo os cabelos de sua nuca arrepiarem. Sorri satisfeito. Talvez a noite estivesse só começando, talvez.

Notas finais
E então? Devo continuar? Beijos e um ótimo fim de semana(caso eu não apareça) hahaha