Quem é a garota?
3 Capítulo 03 - Quando comecei a atrair garotos tão bonitos?
Notas iniciais
Melody narrando
Se eu estava me achando enquanto todo mundo olhava? É claro que sim. O Luke Washington estava com o braço esquerdo envolvido na minha cintura, impedindo que eu forçasse o tornozelo e o seu cheiro invadiu as minhas narinas assim que o vento bateu em seus cabelos loiros.
Nos separamos porque fui cercada por alguns repórteres e um perguntou de repente sobre o meu pequeno acidente. Não tinha como ignorá-lo. Suspirei, tendo que voltar a minha atenção para eles. Olhei para o Luke como se estivesse pedindo desculpas e ele sorriu em resposta, desaparecendo no meio daquela multidão.
— Melody! Pode nos contar sobre o seu pequeno acidente? — perguntou de novo o repórter. Sorri por fora mas por dentro eu queria chorar. Por que essas coisas terríveis só acontecem comigo?
— É claro — respondi ainda sorrindo. Bufei internamente antes de responder. Pequeno acidente? Só se for pra vocês.
Não, eu não disse isso.
— Foi um deslize, literalmente — eles riram com a minha resposta. Queria mesmo é enfiar a mão na cara de todo mundo. Me deixem em paz. Pelo amor de Deus!
Já estava cansada de tanto explicar a mesma história, que na verdade era mentira. Até que o Maksim apareceu. Eu já o conhecia, quer dizer, não pessoalmente e ele era o que podemos chamar de um Luke da vida, só que na modalidade do cross.
— Eu vou roubá-la de vocês — disse pegando na minha mão e piscando para os repórteres que aproveitaram para tirar fotos. Eu nem queria imaginar o que sairia no outro dia.
— Obrigada — agradeci olhando para cima. Ele era alto e estava com um sorriso de lado perfeito no rosto, mostrando suas covinhas.
— Eles não sabem o quanto isso é chato — comentou me ajudando a andar.
— Verdade — concordei tirando outro sorriso dele.
Estava usando a jaqueta da seleção russa, mas por dentro dava pra ver uma camiseta de gola V vermelha que marcava seu corpo malhado. Meu Deus! Que pedaço de mau caminho.
— Ah, me desculpe — pediu ficando de frente pra mim — sou Maksim, mas pode chamar de Mak — deu um beijo demorado na minha bochecha. Seus lábios estavam gelados.
— Sou Melody — sorri ainda um pouco sem graça. Ele era bonito demais — mas Mel está ótimo pra mim — soltou uma risada gostosa.
— Quer dançar? — ele estendeu a mão para mim quando começou a tocar uma música agitada.
Eu ia pegar a mão dele mas senti uma respiração quente no meu pescoço.
— Dança comigo? — arrepiei com aquela voz no meu ouvido. Senti seu perfume no ar e tive certeza que era o Luke.
Virei para ficar ficar de frente pra ele, então me vi no meio dos dois. Espera! Quando que eu comecei a atrair garotos tão bonitos? Eu sou muito sem graça, qual é, nenhum desses deuses grego em sã consciência se interessariam por mim. Deviam estar sentindo pena, isso sim.
Autoestima, por favor pare de gritar, estamos brigadas desde o primeiro fora que levei na 5ª série!
— Eu já tinha pedido — Maksim mordeu o lábio inferior, não pude deixar de sorrir. É que se fosse pra escolher entre os dois. Com certeza ficaria com Mak, porque eu não queria ter que ouvir os gritos da Angelina quando eu voltasse para casa.
— Tudo bem — Luke sorriu e franziu o cenho. Como se quisesse perguntar: tem certeza que quer dançar com ele? E Aquilo foi no mínimo estranho. Eu sabia que ele era o maior pegador e levar um "não" talvez fosse algo inadmissível mas eu já tinha arranjado um par.
— Vamos? — Maksim mexeu em seus cabelos castanhos e me encarou com os olhos verdes.
— Vamos — eu respondi com um sorriso no rosto.
Ele colocou as mãos na minha cintura. Depositei meus braços em seu pescoço então começou a tocar Again do Lenny Kravitz, sério? Que povo careta. O cheiro dele não conseguia ser melhor que o do Luke. Eu queria ficar ali a noite toda, sendo privilegiada por aquele sorriso de tirar o fôlego.
— Sabe — riu pelo nariz — na Rússia, costumamos mexer os quadris e as pernas quando dançamos — soltei uma risada abafada e ele me acompanhou.
— Estou meio impossibilitada no momento — mordi o lábio inferior. Maksim fez um "o" perfeito com sua boca, me fazendo sorrir.
— Me desculpe — pediu — eu tinha esquecido completamente. Vou dar um jeito nisso — sorriu — quer dizer, eu posso dar um jeito nisso?
Assenti um pouco insegura. Mas ele não ia fazer nada demais, ia?
— Se te incomodar, por favor, me avise — disse pegando na minha perna esquerda bem devagar, não doeu. Fiquei só observando. Colocou os meus pés em cima dos dele e começou a se mover lentamente, no ritmo da música.
É, ele era mesmo muito fofo. O tipo de cara que eu procurava.
— O que? — ele perguntou vendo que eu não parava de sorrir.
— Nunca ninguém dançou comigo assim antes e está sendo muito divertido — nós rimos.
— É bom saber que sou o primeiro — piscou. Fiquei sem graça mas continuei encarando-o.
— Melody — ouvi alguém me chamar. Desviei sem vontade alguma dos olhos dele e olhei para ver quem era.
— Ashley? — perguntei um pouco surpresa.
— Eu queria te pedir desculpas — mexia freneticamente as mãos, como se criasse coragem para dizer aquilo — e saber se você está bem.
Continuei com os braços em Maksim, que soltou um olhar de questionamento. Sorri mostrando que estava tudo bem e ele relaxou.
— Ashley, eu não te culpo por isso — apontei para a minha perna — vou ter que ficar 4 dias em repouso e evitar grandes impactos.
— Evitar grandes impactos? Mas você não é — ela não terminou de falar. Sua expressão era de desespero, como se tivesse perdido algo que gostasse muito.
— Sim, sou — respondi já adivinhando sua pergunta.
— Eu sinto muito — olhou para o céu e suspirou.
— Hey — chamei-a — vai dar tudo certo — ela assentiu com lágrimas nos olhos e nos deixou a sós.
Todo snowboarder ou atleta em geral sabia bem como era se dedicar tanto e não poder mostrar o seu melhor. Doía e muito. Mas tem certas coisas que nós temos que aceitar.
Nem percebi quando comecei a chorar. As lágrimas escorriam pela minha face lentamente, como se estivessem me lembrando do que realmente tinha acontecido.
Eu não ganharia aquele campeonato, seria um fracasso e talvez até perdesse patrocinadores por isso.
Senti uma mão gelada tocar minha bochecha, limpando minhas lágrimas. Olhei para cima e vi Maksim com um olhar preocupado. Tentei sorrir para mostrar que estava tudo bem. Foi em vão. Não estava tudo bem, nem ficaria.
— Você quer ir pra outro lugar? — perguntou no meu ouvido. Só assenti e ele vendo o meu estado emocional, me pegou no colo e eu depositei minha cabeça em seu peito. Não parecia fazer esforço nenhum, também pudera, com um corpo daquele.
— Me desculpe por isso — pedi em meio as lágrimas. Senti o peito dele tremer um pouco. Ele tinha dado um risada silenciosa. Nem sei por quanto tempo chorei mas lembro dele ter andado bastante.
— Aqui está bom pra você?
Finalmente levantei a cabeça para ver aonde estava. Era lindo. Estávamos na beira de um lago congelado e era todo azul, lembrando muito o céu quando está limpo. Que lugar era aquele?
— Bonito, não é? — perguntou sentando, automaticamente fiquei em seu colo. Ali estava ainda mais frio.
— Muito — respondi com um sorriso no rosto.
— Ah — ele fez cara de bravo — achei que não fosse mais sorrir.
— Como achou aqui?
— Tenho 19 anos, já quis muito fugir dos meus problemas sabe — riu do próprio comentário. Então o que ele estava fazendo ali? Acho que já sabia o que eu queria perguntar — vim acompanhando o meu irmão, o treinador dele foi viajar e fiquei no lugar.
— Isso é possível? — questionei com um sorriso de lado. Ai tem coisa!
— Ninguém nunca disse que não podia — respondeu também sorrindo — o assistente dele veio e como é preciso ter uma comissão técnica, me candidatei. Está sendo legal.
— Você não tem cara de 19 — comentei olhando para o lago que refletia perfeitamente a lua cheia.
— A cara não — mordeu o lábio inferior. Será que ele sabia o quanto aquilo podia seduzir uma mulher? — mas o resto.
— Convencido — fiz cara de brava, fazendo-o rir.
— Posso te provar que sou realista — Ah! Aquelas palavras! Se eu não estivesse em seu colo, aposto que fariam minhas pernas tremerem e muito.
Ele se aproximou do meu rosto, já podia sentir seu hálito batendo em meus lábios. Virei meu rosto automaticamente. Burra? Imagina! Não queria um espelho naquele momento, não mesmo. Tinha certeza que a minha cara estava com a cor de um pimentão daqueles bem vermelhos.
O que eu fiz depois? Nada. Eu não fiz nada. Esperei que ele dissesse alguma coisa, o que não demorou muito.
— Então você é difícil? — ele deu uma risada abafada e parecia estar gostando daquela situação. Que devo dizer, de engraçada não tinha nada.
— Você está aproveitando da situação — nós dois rimos. Ele negou com a cabeça.
— Eu não seria tão safado, baixinha — deu um beijo na minha testa.
— Baixinha? — perguntei incrédula. Maksim gargalhou.
— Não me diga que você é alta.
— Tenho 1,59 — arqueei a sobrancelha esquerda e ele sorriu.
— Está ótimo para os meus 1,82 — levantou o meu queixo para que eu pudesse encará-lo.
Eu juro por Deus. Se ele não estivesse me olhando intensamente daquele jeito, eu não teria me aproximado tanto, fazendo com que nossos lábios se tocassem. E os dele eram tão macios, estavam gelados e úmidos provavelmente de saliva já que ele assim como eu, não queria que rachassem com aquele vento frio.
O nosso contato não foi mais que aquilo, mas me fez perder o ar. Ele não tentou avançar, só ficamos ali, congelados naquele momento.
— Foi tão ruim assim? — eu não aguentei, tinha que saber porque ele não avançou.
— Não — sorriu e parecia calmo — você mesma disse que eu estava aproveitando da situação. Achei melhor ficar na minha — sorri com suas palavras, até ele voltar a me deixar sem graça — mas se você quiser continuar.
— Talvez outro dia — olhei mais uma vez naqueles olhos verdes.
— Tem certeza? — aquele sorriso me deixava sem ar.
— Vai desistir assim tão fácil? Que pena — fiz biquinho tentando provocar. Acho que deu certo porque ele segurou firme a minha nuca com a mão direita, colocou a testa na minha olhando nos meus olhos e depois beijou meu pescoço vagarosamente, subindo seus lábios.
— Eu nunca desisto do que eu quero, baixinha — sussurrou no meu ouvido. Senti um arrepio percorrer todo o meu corpo.
E como se nada tivesse acontecido. Ele levantou comigo ainda em seus braços.
— Acho que estão procurando por nós. Vamos?
— Tem razão — concordei. Mas eu não queria ir, não mesmo.
Se eu tivesse beijado ele, ainda ficaríamos lá? Por que eu rejeitei? Eu sou tão boba. Com um homem daquele comigo, fui já dando um fora nele de cara. Talvez aquilo fosse bom, certo? E ele até ficasse realmente interessado em mim? Acho que estou sonhando demais.
— Melody! Você está bem? — George veio ao nosso encontro quando nos viu chegar. Maksim lançou um olhar do tipo: eu disse.
— Só precisava fugir um pouco disso tudo — admiti. Ele pareceu entender.
Meu pai olhou desconfiado para o Mak quando viu nossas mãos entrelaçadas. Só estavam assim porque ele me ajudou a subir a montanha. Eu não aguentei subir tudo, ok? Ele teve que me pegar no colo, de novo. Como se isso fosse ruim.
— O Maksim foi um cavalheiro. E dos bons, devo admitir — acrescentei antes que ele pirasse ali na frente de todo mundo.
— Seu irmão está te procurando — foi seco com o russo, que não pareceu se incomodar com o modo como ele o tratou, dando apenas um sorriso torto e depositou um beijo na minha bochecha.
— Você é sempre tão gentil, não é? — fechei a cara e comecei a andar em direção ao hotel.
A festa ainda estava rolando. Percebi que o número de paparazzis tinha diminuído mas eles continuavam a tirar fotos de todo mundo.
Quando ia abrir a porta do meu quarto, uma mão tocou o meu ombro. Bufei.
— Não sou mais uma criança, sei me cuidar, okay? — respirei fundo — Nós não fizemos nada demais. E não venha me dizer que ele é velho porque só tem 19 anos!
— Eu nem disse nada — pude ouvir a risada do Luke e fechei os olhos. Quis entrar logo para o quarto de vergonha. Por que eu não olhei pra ver quem era?
— Achei que fosse meu pai — virei para ele que tinha um sorriso no rosto.
— Percebi — franziu o cenho — só queria saber se estava bem.
— Estou sim, obrigada por perguntar — ele estava mesmo preocupado comigo? Quer dizer, ele era o Luke Washington, não é? Tinha outras coisas para se preocupar além de mim.
— Bom, eu já vou dormir — apontou para o elevador e eu assenti — te vejo amanhã?
— Se meu pai deixar, sim — suspirei. O que eu duvido muito que iria acontecer.
— Eu venho te ver mesmo assim — beijou minha bochecha demoradamente. Caminhou até o final do corredor e antes de entrar no elevador, virou com um sorriso malicioso no rosto — hey, Melody!
— Sim? — perguntei confusa.
— Ainda me deve uma dança — assenti com um sorriso no rosto. Eu não ia contestar, não era tão louca assim.
Ele desapareceu, me deixando sozinha. Entrei no quarto ainda sorrindo. Que noite foi essa? Meu Deus! Eu estava amando aquele campeonato. Enquanto algumas coisas estavam dando errado, outras iam muito bem.
Peguei meu iPhone e disquei o número que eu já sabia decorado e salteado. Não demorou muito para que atendesse.
— Alô? — ouvi uma voz sonolenta do outro lado da linha.
Sorri satisfeita com todas as novidades. Respirei fundo umas 3 vezes. Aquela ligação ia sair muito cara mas ela precisava saber de tudo.
— Se segura Angel, eu tenho muita coisa para te contar!
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