Queen's of Darkness
3 Strange Events Part..1
Notas iniciais
NARRADO POR CAMRYN
Ajeito as meias sobre o tênis de corrida antes de olhar para Noelle, meus cabelos presos no alto da cabeça em um rabo de cavalo– O que quer dizer com isso?- Pergunto já começando a me alongar, o treino seria longo e apesar de odiar corrida eu detestava os outros esportes ainda mais, não tinha nada de útil. Só tinha um problema quanto a isso, na escola em que eu estudava a pratica de uma modalidade esportiva era obrigatória, então ao invés de fazer como a maioria e escolher um que gostasse optei pelo que não era assim tão ruim, correr, coisa fácil.
Terminei os alongamentos fitando Noelle pensativa a garota parecia procurar palavras para responder minha pergunta- Na verdade nem eu mesma sei...– Suspirou se virando- Parece que algo errado está pra acontecer, eu senti uma coisa estranha, e não é comigo Camryn- Revirei os olhos para seus dizeres.
–Vai voltar com essa de superstição? Acho tão cafona, não pode prever o futuro Elle, lembre-se disso- Respondi já me direcionando a largada a chamando com um braço, ultimamente ela vinha ficando meio paranoica com algumas coisas.
–Estou falando serio Camryn- Ela alertou uma ultima vez antes que eu disparasse na pista correndo com tudo que possuía, o treinador costumava dizer que eu era uma das melhores, um físico invejável, tentara me convencer o ano inteiro a entrar no time titular, eu recusara em todas elas, não praticava esporte por vontade própria então não merecia ser dos times titulares. Noelle me alcançou minutos depois ofegante, seu rosto estava vermelho pelo esforço o que me fizera soltar um sorrisinho triunfante.
O percurso em si não era longo, mas o suficiente para deixar uma pessoa ofegante, e no caso de loiras desprovidas de físico atlético que vivem para o mundo da moda, vulgo Noelle quase morrendo- Está parecendo uma leoa frita pelo sol- Alertei bebericando a garrafinha de água enquanto colocava a mão na cintura relaxando, minha respiração aos poucos se acalmando- Merda– Xinguei baixo ao ver o treinador se aproximando- Vamos sair daqui– Puxei minha amiga pela mão já correndo pelo vestiário, não estava com saco pra aguentar bajulação de gente chata, quando mais de velhos barrigudos que acham que sabem de tudo.
–Porque correu assim?- Noelle perguntou apoiando-se na porta do vestiário ofegante, parecia que a qualquer momento suas tripas iriam sair garganta acima visando o fato que ela respirava em arquejos.
–O treinador, aqui ele ao menos não entra e também não torra a paciência dos outros- Gargalhei alto pegando a chave do armário no pescoço- Vou tomar um banho- Disse equipando-me de uma toalha limpa e o uniforme escolar pronta pra tirar a roupa esportiva.
Tomei uma ducha rápida apenas para tirar o suor da corrida então voltei a vestir o uniforme escolar penteando os cabelos ruivos, hidratei o rosto e os braços antes de voltar para o armário e guardar tudo, e quando estava prestes a fechar aquela lataria velha algo diferente me chamou atenção- O que é isso- Disse mais pra mim mesma que pra qualquer outra pessoa esticando o braço para pegar o objeto– Não estava aqui antes- Mostrei a Noelle a pulseira de Spike- Não é meu- Dou de ombros fechando o armário e pegando de volta para analisar melhor.
A peça era estranha, inteiramente negra com detalhes em prateado e alguns trançados, poderia ser considerada comum não fosse a estranha vibração que eu sentira ao toca-la, como se milhões de engrenagens compostas a adornassem por dentro- Que estranho...- Murmurei fitando minha melhor amiga- O que acha que é?- Pergunto prendendo o objeto ao pulso num estranho sentimento de posse.
–Não sei, mas se alguém deixou ai, deve ser só um presente- A garota parecia desconfiada, e confesso, não estava em melhor situação no momento- Vamos embora- Esta me puxou para fora do local uma estranha queimação percorrendo minha pele, fazendo meus pelos se arrepiarem, algo estava prestes a mudar, e eu não esperava que isso fosse muito bom.
NARRADO POR PANDORA
Seres humanos tendiam a ter paixões. Eu nunca de fato havia sido do tipo de garota que se apaixonava facilmente, digamos que para ser conquistada eu precisa ser encantada, o que ao meu ver eram duas coisas bem diferentes. Esgrima havia me encantado desde nosso primeiro contato. Era uma manhã fria em New York, nada que fosse uma grande novidade. Mamãe havia me arrastado para uma de suas muitas entrevistas de emprego naquela semana. Meu tio havia novamente ameaçado cortar seu salario pela metade, e mamãe não suportava receber ordens dele. O local aonde seria a entrevista de mamãe era um daqueles prédios imensos com uma arquitetura impressionante. Feita para que pessoas bem de vida pudessem desfrutar. Enquanto mamãe seguia uma mulher em direção a sala aonde seria sua entrevista, uma das mulheres da recepção encarregou-se de me apresentar o prédio. Digamos que eu não era lá bem uma criança muito paciente, esperar por mamãe era uma das muitas coisas que eu não suportava fazer. O local era destinado, para esportes um pouco mais elegantes. Aquele em particular abrigava, os melhores professores de esgrima do país, e claramente os alunos que melhor poderiam pagar por esses professores. Nem precisam me dizer que mamãe jamais conseguiria pagar uma daquelas mensalidades exorbitantes, no entanto foi só eu colocar meus olhos em uma daquelas espadas de ponta fina para simplesmente ficar encantada. Eu não conseguia compreender o motivo, mas eu sabia que se conseguisse colocar minha mão em uma delas eu me daria muito bem praticando aquela modalidade. A mulher, parecendo ver meu interesse perguntou se eu gostaria de tentar. Não precisei pensar nem por um segundo, antes de responde-la com um sonoro sim. Assim que me vi com uma daquelas roupas esbranquiçadas e uma espada na mão, eu fui conquistada. Mamãe terminou sua entrevistada a tempo de me avistar em uma espécie de luta de principiante com uma das garotinhas que havia iniciado seu treinamento há três meses. Só de olhar para mim, ela soube. E foi exatamente por isso, que ela havia aceitado o emprego naquele lugar. Ela trabalhava lá cinco vezes por semana durante doze horas, e depois fazia mais seis horas no restaurante de titio. A nossa sorte, era que mamãe havia conseguido o desconto de funcionário, o que fazia com que ela só precisasse pagar metade da mensalidade, que não era muito barata. Nosso trato era simples, eu deveria tirar no máximo B, no colégio caso quisesse continuar com minhas aulas. E eu, me esforçava imensamente para conseguir o que ela desejava. A ponto de suportar as nojentas que não suportavam visualizar a bolsista passando em sua frente. Éramos pobres isso era um fato. Escolas publicas, não eram bem as que poderiam se dizer as melhores, portanto quando eu havia conseguido uma bolsa no colégio The Dalton School, aquela que tendia a formar os melhores médicos, empresários e advogados do pais, mamãe havia me obrigado a aceitar. Então basicamente, eu passava 75% do meu tempo estudando ou treinando.
–Pand? Se fez aquele trabalho sobre mitologia grega nos tempos atuais?– questionou Christina cutucando-me levemente.
–Fiz, e já entreguei. Você sabe como Sr.Turner é, quanto mais cedo se entrega mais chances de se ter uma nota descente- murmurei sorrindo brevemente para Daniel, meu tutelado.
Digamos que, com as notas que eu obtinha, era praticamente impossível não se ver obrigado a uma daquelas atividades chatas de ajudar os demais colegas com dificuldades.
–Droga Pand, eu queria consultar o seu antes de entregar- murmurou fazendo um estranho bico com os lábios.
–Desculpa Chris tarde demais- murmurei dando de ombros, antes de fechar meus livros.
O bom de se estudar em um colégio como a Dalton era que você fazia seus horários. Sabados e domingos eram dias sagrados para mim, portanto praticamente todas as aulas que eu deveria ter naqueles dias, eram transferidas para dias de semana. A nota que eu tirasse no SAT era aquela que me levaria para uma das muitas faculdades que eu obtinha interesse. Eu sabia que a esgrima, não seria uma opção de carreira, mas medicina com toda a certeza o seria. Sim, eu era uma garota centrada, ambiciosa e um tanto quanto chata. No entanto, se você queria uma vida melhor, lutar por ela era sua única chance de conseguir.
–Estou indo Chris! Não se esqueça que temos uma apresentação marcada para a quarta feira. Tchauzinho amiga- murmurei me encaminhando para fora do colégio. Cerca de meia hora de metro me aguardavam até que eu pudesse chegar em casa. Não que eu estivesse reclamando, sacrifícios eram necessários para se conseguir o que se desejava.
Meu primeiro impulso ao sentir que havia alguém me seguindo foi o de correr, o segundo foi mais coerente e me fez ficar mais calma. Digamos que eu era uma garota completamente comum, e era praticamente impossível que alguém estivesse me seguindo. As correntes de calma perpassaram meu corpo por alguns instantes antes que eu aceitasse que as coisas eram exatamente como minha mente gritava. Sim. Eu estava sendo seguida e não importava o quanto eu fingisse que isso não estava ocorrendo, era verídico. Apertei minha mochila nas costas, e apertei o passo. Quanto mais rápida eram minhas passadas, mais rápido eu poderia chegar em casa. Então eu fiz a primeira burrada. A burrada que faria com que minha mente entrasse em polvorosa e eu começasse a acreditar que estava ficando completamente maluca. Virei-me para trás de enfrentar fosse lá quem fosse que estava atrás de minha pessoa. Foi então que meus olhos pousaram na coisa mais estranha do mundo, algo que eu havia estudada, mas que eu definitivamente acreditava não existir no mundo real. Um imenso e aparentemente faminto cão do inferno. Boquiaberta, pisquei meus olhos uma, duas, três vezes. Até mesmo passei minhas mãos sobre eles, tentando fazer com que a ilusão fosse embora. Mas, ela não foi. O grito foi contido em meus lábios, ao mesmo tempo em que com um piscar de olhos o cão desaparecia a minha frente. Respirando profundamente, ajeitei minha mochila em minhas costas e dei um passo a frente. Talvez minha loucura genética por fim começasse a dar o ar da sua graça. Talvez enfim mamãe começasse a se arrepender de ter me adotado. Loucura era a única opção boa o suficiente para explicar a situação em que eu me encontrava. Adentrando minha casa, joguei a mochila no chão e subi as escadas rapidamente, ligando meu computador. Fosse loucura ou não, era hora de tirar aquela historia a limpo, que lugar melhor que a internet para me dar informações.
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