Notas iniciais
Parte 2 postada e vamos la kkk

NARRADO POR CAMRYN

Apenas uma palavra poderia me descrever no momento, tédio. A sensação de torpor tomava conta de todo meu corpo, e como se não bastasse minha cabeça continuava a latejar pelo exagero da bebida na noite passada, facilmente eu poderia ter ido parar na casa de um completo desconhecido, ou ser assassinada e largada em um matagal ali perto por conta de minha atitude insana, mas eu tinha total controle do meu corpo e uma amiga maravilhosa que me levara direto para casa sem um único arranhão, tinha que admitir Noelle era uma ótima amiga apesar de todas as desavenças.

Mordi a ponta do lápis observando a janela do prédio do segundo andar do outro lado do campos, onde ficava a área dos alunos mais novos, uma estranha sensação percorreu meu corpo, como se alguém de longe me observasse, e como se não bastasse o tremor que percorreu meu corpo, minha pele agora se encontrava arrepiada, e meus olhos voltavam a ficar naquela estranha coloração de topázio, isso tudo em apenas alguns segundos observando meu reflexo refletido no vidro da Janela.

–Camryn você está bem?- Noelle perguntou chamando minha atenção e eu pisquei para afugentar os pensamentos enquanto me virara para ela.

–Sim, apenas me distrai- Comentei voltando a procurar com os olhos, a sensação de estar sendo observada se recusava a deixar meu corpo. Do outro lado do campo uma estranha sombra se moveu chamando minha atenção para o fato de em pleno verão, aos 32 graus de uma cidade extremamente quente alguém estar usando um sobretudo escuro e chapéu– Noelle, olha que esquisito- Cutuquei minha amiga apontando para ela o desconhecido no meio do gramado.

–O que? Não tem ninguém ali, só um monte de garotos jogando bola como em todas as outras manhãs- Ela revirou os olhos me fazendo franzir o cenho confusa, como não tem? Eu estava olhando diretamente pra ele.

– Como não garota? Olha direito!- Peguei a cabeça dela virando em direção ao homem- Viu agora?- perguntei curiosa.

–Não! Já disse não tem nada demais, só garotos e arvores- Respondeu irritada se soltando de minhas mãos, aquilo estava mais estranho do que o esperado, voltei minha atenção para ele que virou a cabeça para cima como se pressentisse estar sendo observado, e naquele momento meu sangue gelou, ele não tinha olhos! Comei o rosto para espantar o sono, a bebida devia estar causando sérios problemas em meu organismo, pois quando voltei a olhar naquela direção, o desconhecido tinha desaparecido por completo, e em meu pulso a pulseira começou a se apertar.

–Droga- Murmurei tentando arrancar a peça do lugar sem muito sucesso, parecia que tinha se prendido ali e agora não saia, como se não bastasse uma estranha sensação de pele queimando estava irritando meu braço– Me ajuda a tirar isso- Pedi suplicante a Noelle que me observava confusa, a merda era que eu simplesmente não podia dizer a ela que aquilo estava me machucando.

–Ta pera, calma- Ela disse pegando meu braço e retirando o bracelete com uma facilidade incrível, franzi a testa confusa, eu tentara tirar e não saia- Toma- Entregou a tira a mim voltando sua atenção para frente onde o professor nos observava de esguelha com uma cara de poucos amigos.

Abri uma fresta da janela jogando a pulseira fora, não queria mais aquilo tinha me causado uma sensação estranha demais, e ao fazer isso me senti ainda pior. Quando o sinal tocou joguei a mochila sobre os ombros percorrendo os corredores em direção a saída, Noelle me acompanhava observando-me de esguelha como se pressentisse que algo estava muito errado, talvez suas superstições malucas não fosse assim tão malucas- Estou bem- Murmurei jogando a mochila na porta de trás do Porche entrando com ela em seu carro, a garota sempre me dava carona na volta pra casa.

O caminho fora mais curto do que eu esperava, visando o fato que me encontrava perdida em pensamentos mórbidos e pouco falara com minha melhor amiga, quando dei por mim a jovem já estacionava em frente a mansão se despedindo com um até breve e me mandando acordar pra realidade. Percorri o caminho até meu quarto ainda em silencio recusando o almoço ofertando por Nana, a governanta da casa. Joguei a mochila na cama procurando o celular que não tocara a manha toda, o que encontrei ali me deixou ainda mais perplexa, a pulseira que a uma hora eu jogara pela janela se encontrava no fundo da bolça, intacta, como se nunca tivesse sido removida.

NARRADO POR PANDORA

Um tremor perpassava meu corpo, quando por fim eu finalizei minha pesquisa. Todas diziam exatamente a mesma coisa, cães do inferno eram sinônimo de morte. Não importava em quantos sites eu entrava, a resposta era sempre a mesma. –Pandora! Venha jantar- a voz inconfundível de mamãe, chamava-me na cozinha. Eu sabia que meu jantar estaria sobre a mesa enquanto ela estaria ajeitando seus cabelos em um coque perfeito, antes de voltar para o restaurante de titio. Então, a porta se abria e ela sairia. Mamãe sabia que por mais rebelde que um dia eu pudesse me tornar, eu cuidava de minha alimentação a risca. Não tanto quanto deveria, no entanto, eu obtinha um plano e minha vida dependia completamente dele. Todos os movimentos por mim previamente conhecidos, foram feitos por mamãe, e logo eu me encontrava total e completamente sozinha. Já mais calma, caminhei até meu banheiro jogando água sob minha face antes de enxuga-la e seguir para a cozinha. Comi o jantar sem grande interesse, levando as garfadas para a boca sem de fato sentir o sabor. Preocupação definitivamente era um martírio para uma adolescente neurótica como eu. Após finalizar a refeição, coloquei o prato e os talheres dentro da lavadora e segui em direção ao banheiro. Um banho poderia acabar por me animar. A água quente caia sob meu corpo, parecendo lavar toda e qualquer preocupação. Pelo menos até que eu ouvi aquele barulho. –Quem esta ai?- gritei temerosa, enrolando-me na toalha rapidamente antes de sair a procura do som. Passei por todos os cômodos fechando janelas e conferindo portas, sem encontrar nada fora de seu lugar. Soltando um suspiro de descontentamento, segui novamente para o banheiro aonde meu pijama se encontrava. Já com minhas vestes de dormir, aproximei-me da pia pronta para escovar meus dentes. Com a pasta já na escova, comecei a fazer o movimento rítmico e despreocupado que caracterizava a escovação dentaria. Foi então que eu o vi. Um belo colar dourado que se dividia em três correntes, cada corrente contendo um pingente. Um símbolo do infinito, uma mini coruja com olhos gregos e um pequeno machado parecendo conter meu nome. Retirando o colar da pia, observei os pingentes atentamente antes de colocar o mesmo sob meu pescoço. Terminei a escovação e enxaguei a boca focalizando minha atenção em minha imagem refletida no espelho. Aparentemente o colar parecia ter sido feito para mim, no entanto eu jamais o havia visto e mamãe nada me falara de um presente. Dando de ombros optei por deixa-lo em meu pescoço. Sendo meu ou não, eu me sentia confortável com ele. Voltando para meu quarto, retirei os livros de exercícios da mochila e comecei a faze-los. A cada dia minha vida se tornava mais monótona, tudo que um adolescente comum menos queria, e tudo que pais zelosos mais desejavam.

Notas finais
Espero que gostem >
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.