Queen's of Darkness
1 Reach out and chain a soul
Notas iniciais
Primeiro capitulo espero que gostem!
Separadas
O quarto estava escuro, mas a criaturinha astuta continuava acordada sobre o berço agitando os bracinhos, seus olhinhos verdes cintilando para o brinquedo pendurado cheio dos mais diversos apetrechos, e ao seu lado um segundo bebe idêntico adormecido com o dedo sobre a boca. O destino é algo engraçado do tipo que nos prega peças sem nem pestanejar, arma aventuras, romances, separações, e também nos atrai o perigo apenas para saber qual será a reação. Com elas não poderia ser diferente. O ponteiro mudou mais uma vez, estalava baixinho como uma maquina de escrever ditando um intrigante teatro chamado vida, parecia digitar letra a letra segundo a segundo enquanto um estranho bebe continuava a se remexer. Ninguém jamais saberia dizer o que aconteceu aquela noite, nunca entenderiam a forma como acontecera, mas uma única coisa sabiam, enquanto um bebê gritava a plenos pulmões em desespero, um segundo partia com a mulher pela janela.
Anos depois
Narrado por Camryn
Calças coladas, botas de cano alto, a camiseta da banda favorita, e completando o visual a jaqueta de couro largada de qualquer maneira sobre os ombros, o batom vermelho destacando os lábios, o salto preso sobre o bueiro da rua- Mas que..- Foi impedida de berrar o palavrão pela melhor amiga que lhe tapou a boca a ajudando a tirar o salto do buraco.
- Idiota, na próxima eu te mordo- Revirou os olhos seguindo com ela pela rua deserta, a adrenalina correndo solta aquela noite, uma grande aposta lançada, ela não poderia perder.
-Se fizer isso te deixo presa no bueiro garota- Noelle lhe respondeu um tanto irritada já estavam há uma hora atrasadas por conta de uma perseguição- Ainda não acredito que topei fazer isso de novo- A jovem balançou a cabeça em negativa se juntando ao grupo reunido no fim da enseada.
-Fica calada e aprende a curtir garota, são só algumas horas, apostei uma nota se perder o dinheiro e minha mãe descobrir ficara irada- Sorriu maliciosa cumprimentado alguém com um aceno de mãos- Aquele ali é Bryan, ele quem arruma os rachas por aqui, vou correr essa noite, vê se distrai o garoto, quem sabe assim ganho alguma vantagem- Gargalhou alto fazendo muitos a olharem como se fosse maluca, como se ela realmente se importasse com isso, se precisasse mesmo de opinião alheia sairia pedindo em uma esquina qualquer.
-Camryn você é tão bipolar- A jovem se jogou sobre o capo de um carro qualquer enquanto a ruiva seguia para junto dos demais competidores.
Camryn era a garota dos sonhos de muitos jovens perdidos pelo mundo, ruiva de olhos verdes e pele branca era possuidora de um corpo esbelto com curvas pra lá de perfeitas, sexy e totalmente manipuladora, tinha tudo que queria na vida, mimada, riquinha e totalmente temperamental. E mesmo com a tenra idade era decidida até demais, tinha controle sobre tudo na vida, dominadora como ninguém.
-Cam, você por aqui- O garoto colocou as mãos sobre seus ombros em sinal de posse a fazendo transformar o sorriso em uma careta de puro escarnio- Gata eu estou com saudades podemos repetir a dose algum dia- Completou referindo a alguns poucos beijos que tinha dado no asno, o garoto era tão escroto que chegava a ser patético, agora sequer recordava-se o motivo de ter ficado com ele, talvez fosse pelo rostinho bonito e pelo corpo bem definido do garoto, porque se fosse pela inteligência ela jamais teria sequer se aproximado.
-Uma pena a reciproca não ser verdadeira- Deu uma cotovelada em suas costelas se afastando do menino, como era mesmo o nome dele? Não saberia dizer- Agora se manda- Completou batendo as mãos no ar como se espantasse um bicho antes de começar a checagem no carro, tudo nos conformes, nunca entendera sua fixação por peças e motores, assim como não compreendia a habilidade que tinha com qualquer maquina existente na terra, apenas sabia que parte de seu cérebro era capaz de captar pequenas ondas e entender qualquer uma delas sem ao menos conhece-la.
-Corredores a postos!- Alguém gritou a fazendo sorrir enquanto adentrava o volvo preto bem equipado ligando o som no ultimo volume e se dirigindo a largada, um sorriso largo permanecia em seu rosto, se tinha algo de que gostava na vida era aquela adrenalina que percorria cada misera veia de sangue presente em seu ser. A pistola anunciou a largada fazendo a jovem pisar com força no acelerador deixando apenas poeira para trás a medida que avançava pelas ruas de Nova York a toda velocidade, e no momento ela sentia-se em casa.
Narrado por Pandora
Um bebê é entregue a uma mulher de classe media baixa. Suas aspirações são poucas, seu trabalho a sustenta. Bem o suficiente para que ela não precise se preocupar com o amanhã, sem que ela pense duas vezes antes de pegar a criança e acolhe-la. Seus pais acreditam que tal ato é uma loucura, mas para a jovem que sabe que jamais poderá ter um filho, que jamais teria a chance de segurar um bebê que viesse de si, aquela era sua oportunidade. Bem, essa é a historia de minha breve vida. Dezessete anos de pura pobreza. Não que eu me importe em habitar uma das muitas casas escondidas pelo Brooklyn, não que eu me importe em ouvir piadinhas sem graça a respeito de minha origem duvidosa, ou de meus cabelos ruivos e selvagens que por vezes desperta a vontade de mantê-los presos indefinidamente. Quando se mora em um bairro como o meu, você vê coisas e ouve coisas das quais preferiria jamais ouvir, ou saber. Um passo é tudo que você precisa dar, para se meter em encrencas das quais poderia não obter controle. Mamãe havia me ensinado a ser a garota que luta pelo que quer aquela que não aceita ser controlada por nada nem ninguém e simplesmente aquela que sabe que absolutamente nada que a TV tenta colocar em nossas cabeças sobre o Brooklyn ou qualquer coisa que envolva ficção é verdade.
–Pandora! Espero que esteja pronta. Meu dinheiro não nasceu em uma arvore para que você o desperdice, assim. Onde já se viu, ficar pensando em faltar nessas aulas de Esgrima. Seu tio tem razão, você deveria arrumar um emprego de meio período- resmungava mamãe ao passo em que eu a ouvia colocar o leite sobre a mesa.
Meredith Mason, era uma mulher extremamente inteligente no entanto incrivelmente chata em determinados momentos. Pegando minha mochila, joguei-a sob o ombro antes de me retirar de meu quarto.
-Estou pronta mãe, não precisa ficar gritando- resmunguei ocupando meu lugar a mesa antes de me servir de leite com achocolatado e panquecas recém feitas. Trabalhar no restaurante de tio Charles havia feito com que mamãe adquirisse habilidades culinários deveras surpreendente. Digamos que, de torradas queimadas havíamos passado a comer panquecas muito bem feitas.
-Veja lá como fala mocinha! Não me custa nada deixa-la de castigo. E você sabe muito bem que anda merecendo. Um B, em inglês é algo que não me apetece em nada. Espero que suas notas melhore nesse semestre dona Pandora, ou essas aulas de esgrima acabaram por aqui!- esbraveja mamãe entornando sua xícara de café antes de coloca-la no lava louças.
Haviam basicamente três tipos de pessoas em meu bairro, aqueles que não se interessavam por nada e implicavam com tudo, aqueles que queriam subir de vida custe o que custasse e aqueles que simplesmente viviam suas vidas. Minha família se enquadrava na terceira categoria, no entanto era imensamente difícil não se envolver com alguém das demais.
–Pandora! Meu amorzinho, que bom que te encontrei- pensando nisso, cá esta alguém que não se importa com nada e implicam com tudo. Tony, o garoto das rachas.
-Vejamos, vai querer que eu invente uma desculpa qualquer pro meu tio, ou quem sabe finja que não te vi com aqueles riquinhos noite passada?- murmurei falsamente inocente antes de adquirir uma expressão nada amistosa.
-Dessa vez, não vai rolar Tony. Não sem uma boa recompensa- murmurei, seguindo em direção ao metro.
-Te dou cinquenta dólares, se dizer pro seu tio que fiquei preso na academia ontem a noite- anunciou Tony retirando o dinheiro de seu bolso.
Tony Berk, era o tipo do tipo de cara duas caras. Sua família acreditava que o dinheiro que ele recebia vinha de seu trabalho no restaurante do meu tio e claro de seus biquinhos noturnos como vigia da academia do bairro. Mas a verdade era bem diferente disso. Tony era aquele a idealizar as rachas que os riquinhos de Manhattan. Ele e um de seus amigos nojentos, Bryan ganhavam cerca de 25% das apostas e das inscrições. Você não poderia correr, se não tivesse como pagar por isso.
-Cem dólares e a coisa ta feita- anunciei arqueando a sobrancelha direita levemente.
-Ta, você é a maior chantagista- rosnou o garoto me passando duas notas de cinquenta dólares.
-Vai aprendendo garoto, se quer que certas verdades sejam encobertas mantenha-me feliz- anuncie dando as costas para ele.
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