Notas iniciais
Capitulo fresquinho pra vocês espero que gostem!

Narrado por Camryn

–Barulho infernal- A ruiva gritou procurando o celular com as mãos ainda sem abrir os olhos, este apitava alto fazendo sua cabeça latejar ainda mais, não devia ter bebido para comemorar sua vitória, agora estava fora de si bem no meio da semana- Cala boca diacho- Cutucou a cama até encontrar o aparelho apertando o botão e voltando a joga-lo entre os lençóis já se preparando para voltar a dormir, e foi nesse momento que alguém bateu na porta.

–Camryn está atrasada para escola outra vez!– Sua mãe berrou do lado de fora- Abra essa porta não me obrigue a ir buscar a chave estra mocinha– Testou novamente a fazendo cobrir a cabeça com o travesseiro- Camryn não estou brincando!- Ela estava com raiva era notável até mesmo através da porta que a mãe não iria ceder.

–Já vai– Gritou jogando as cobertas para o lado enquanto observava o quarto, sua cabeça explodindo- Puta merda- A bagunça era gigantesca não teria tempo de ajeita-la, jogou a garrafa da Hendrix no guarda roupa no intuito de esconde-la e as roupas sobre a cômoda ao lado da janela então enfiou para dentro dois comprimidos de aspirina penteando o cabelo com as mãos, jogou água no rosto dando batidinhas nas bochechas para deixa-las mais coradas para só então seguir até a porta a abrindo apenas o suficiente para colocar a cabeça para fora- Oi mãe, já desço- Um sorriso amarelo brotou em seus lábios e ela tapava a visão da mãe com o corpo- Só preciso de dez minutos- Revirou os olhos batendo a porta na cara da mãe nada educada.

–Camyn você tem cinco minutos para se vestir apropriadamente e descer até a garagem estou esperando no carro– Ela escutou a mãe gritar não muito longe enquanto já enfiava o uniforme de engomadinhos da melhor escola de Nova York, uma boina ridiculamente preta perdendo os cabelos ruivos, e a gravata um tanto frouxa sobre o pescoço, por fim as sapatilhas delicadas com meias ¾ brancas e altas que chegavam um pouco acima dos tornozelos, parecia até um anjo vestida daquela maneira, mal saberiam dizer que a noite a garota se transformava completamente.

Desceu as escadas rapidamente pegando uma maça ao passar a cozinha, jogou a mochila sobre o banco carona e adentrou o carro já enfiando o cinto- Pronto vamos logo pro inferno– Ela mordeu a maça colocando os pés sobre o para-choque do carro de maneira abusada fazendo a mãe direcionar lhe um olhar torto que a fizera revirar os olhos se ajeitando no banco.

–Isso são modos de uma mocinha Camryn? Não lhe criei para ser uma disseminada e sim uma dama, vou coloca-la em um internato- Elizabeth murmurava as ladainhas de sempre durante toda a viagem até Sant Louis o instituto em que a jovem estudava desde muito nova- Chegamos, se comporte não quero receber outra ligação do reitor garota– Ela beijou a testa da filha que já saia do carro- Amo você filha boa aula- A garota bateu a porta do carro já pisando no gramado fofo da instituição onde uma placa de “Welcome Sant Louis” se encontrava pregada e logo abaixo “Não pise na grama”, como se ela realmente se importasse com isso. Não compreendia bem o fato da mãe insistir em leva-la para escola quando a ruiva tinha o próprio carro parado na garagem, segundo Elizabeth elas precisavam de um momento mãe e filha lavando em conta o fato que aquela mulher vivia para o trabalho, a muito que Camryn deixara de se importar quanto a isso.

Os corredores do instituto eram os mesmos de sempre, pintados em um tom mórbido de carmesim e perola, rodeados de alunos chatos, armários comuns de ferro e alguns poucos docentes que percorriam o caminho em direção a sala. Camryn seguiu sem olhar para os lados em direção ao seu armário, aquele localizado ao lado do bebedouro no fim do corredor e que muitos alunos desejavam, mas ela conseguira ao mexer com alguns poucos pauzinhos, dinheiro para ela nunca fora problema, e a jovem era capaz de tudo para atingir seus objetivos.

–Bom dia ruiva- Alguém encostou-se na lateria ao seu lado fazendo um barulho irritante, mas não qualquer pessoa, ela reconheceria aquela voz em qualquer lugar do mundo, sua melhor amiga era irritante, petulante, chata e completamente nerd, mas era a melhor de todas, e além de tudo, a única pessoa que realmente se importara com ela algum dia, e continuava ali independente das circunstancias.

–E ai Elle- Camryn respondeu segurando o impulso de rebater para ela "e o que é que tem de bom?" não podia ser mal educada com Noelle, não com ela. A jovem bateu a porta do armário com um estrondo retirando de dentro um único livro de historia, aquele que salvaria sua pele durante os próximos 50 minutos no primeiro tempo de aula- Pronta pra hoje a noite? É a ultima corrida do mês não posso perder isso por nada no mundo- Comenta já começando a andar pelos corredores do colégio juntamente a amiga, e realmente ela não podia.

–Não está de castigo?– Noelle a observava como em todas as outras manhãs tentando decifrar os muitos segredos que ela escondia, como o fato da garota poder mexer com magnetismo ou consertar um motor de carro tão rapidamente, coisas irrelevantes porem fora do comum.

–Estou, mas quem liga?- Ela rebateu com um sorriso malicioso nos lábios ela com toda certeza não.

–E como pretende sair?- A jovem cruzou os braços a sua frente um pouco antes de adentrar a sala- Qual é Cam, não sou idiota, sua mãe não vai deixar, duas noites seguidas e bem no meio da semana, você não vai conseguir engana-la– Ela riu pronta para invadir o recinto.

–Então não me conheces? Minha mãe nem para em casa, duvido que sentisse minha falta se eu desaparecesse por uma semana, quanto mais por uma noite apenas- Não era uma mentira completa- E bem, a janela do quarto tem que servir para alguma coisa– O sorriso cresceu ainda mais em seus lábios vantajosos e ela invadiu a sala- Essa noite promete.

E realmente, ela prometia...

Narrado por Pandora

Seres humanos tendiam a ter paixões. Eu nunca de fato havia sido do tipo de garota que se apaixonava facilmente, digamos que para ser conquistada eu precisa ser encantada, o que ao meu ver eram duas coisas bem diferentes. Esgrima havia me encantado desde nosso primeiro contato. Era uma manhã fria em New York, nada que fosse uma grande novidade. Mamãe havia me arrastado para uma de suas muitas entrevistas de emprego naquela semana. Meu tio havia novamente ameaçado cortar seu salario pela metade, e mamãe não suportava receber ordens dele. O local aonde seria a entrevista de mamãe era um daqueles prédios imensos com uma arquitetura impressionante. Feita para que pessoas bem de vida pudessem desfrutar.

Enquanto mamãe seguia uma mulher em direção a sala aonde seria sua entrevista, uma das mulheres da recepção encarregou-se de me apresentar o prédio. Digamos que eu não era lá bem uma criança muito paciente, esperar por mamãe era uma das muitas coisas que eu não suportava fazer. O local era destinado, para esportes um pouco mais elegantes. Aquele em particular abrigava, os melhores professores de esgrima do país, e claramente os alunos que melhor poderiam pagar por esses professores.Nem precisam me dizer que mamãe jamais conseguiria pagar uma daquelas mensalidades exorbitantes, no entanto foi só eu colocar meus olhos em uma daquelas espadas de ponta fina para simplesmente ficar encantada. Eu não conseguia compreender o motivo, mas eu sabia que se conseguisse colocar minha mão em uma delas eu me daria muito bem praticando aquela modalidade. A mulher, parecendo ver meu interesse perguntou se eu gostaria de tentar. Não precisei pensar nem por um segundo, antes de responde-la com um sonoro sim. Assim que me vi com uma daquelas roupas esbranquiçadas e uma espada na mão, eu fui conquistada.

Mamãe terminou sua entrevistada a tempo de me avistar em uma espécie de luta de principiante com uma das garotinhas que havia iniciado seu treinamento há três meses. Só de olhar para mim, ela soube. E foi exatamente por isso, que ela havia aceitado o emprego naquele lugar. Ela trabalhava lá cinco vezes por semana durante doze horas, e depois fazia mais seis horas no restaurante de titio. A nossa sorte, era que mamãe havia conseguido o desconto de funcionário, o que fazia com que ela só precisasse pagar metade da mensalidade, que não era muito barata. Nosso trato era simples, eu deveria tirar no máximo B, no colégio caso quisesse continuar com minhas aulas. E eu, me esforçava imensamente para conseguir o que ela desejava. A ponto de suportar as nojentas que não suportavam visualizar a bolsista passando em sua frente. Eramos pobres isso era um fato.

Escolas publicas, não eram bem as que poderiam se dizer as melhores, portanto quando eu havia conseguido uma bolsa no colégio The Dalton School, aquela que tendia a formar os melhores médicos, empresários e advogados do pais, mamãe havia me obrigado a aceitar. Então basicamente, eu passava 75% do meu tempo estudando ou treinando.

–Pand? Se fez aquele trabalho sobre mitologia grega nos tempos atuais?- questionou Christina cutucando-me levemente.

–Fiz, e já entreguei. Você sabe como Sr.Turner é, quanto mais cedo se entrega mais chances de se ter uma nota descente– murmurei sorrindo brevemente para Daniel, meu tutelado.

Digamos que, com as notas que eu obtinha, era praticamente impossível não se ver obrigado a uma daquelas atividades chatas de ajudar os demais colegas com dificuldades.

–Droga Pand, eu queria consultar o seu antes de entregar- murmurou fazendo um estranho bico com os lábios.

–Desculpa Chris tarde demais– murmurei dando de ombros, antes de fechar meus livros.

O bom de se estudar em um colégio como a Dalton era que você fazia seus horários. Sabados e domingos eram dias sagrados para mim, portanto praticamente todas as aulas que eu deveria ter naqueles dias, eram transferidas para dias de semana. A nota que eu tirasse no SAT era aquela que me levaria para uma das muitas faculdades que eu obtinha interesse. Eu sabia que a esgrima, não seria uma opção de carreira, mas medicina com toda a certeza o seria. Sim, eu era uma garota centrada, ambiciosa e um tanto quanto chata. No entanto, se você queria uma vida melhor, lutar por ela era sua única chance de conseguir.

–Estou indo Chris! Não se esqueça que temos uma apresentação marcada para a quarta feira. Tchauzinho amiga– murmurei me encaminhando para fora do colégio. Cerca de meia hora de metro me aguardavam até que eu pudesse chegar em casa. Não que eu estivesse reclamando, sacrifícios eram necessários para se conseguir o que se desejava.

Notas finais
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