Queen of ice and fire
19 Tempo de novas alianças

Agora com a morte de Ned Stark, Arthur sabia que tudo se complicaria ainda mais. Robb Stark se proclamou Rei do Norte junto aos seus senhores, embalados por vitórias absolutas sobre o experiente e temido Tywin Lannister. Se não bastasse, os nortenhos tomaram Jaime Lannister como cativo.
Stannis Baratheon, alegando ilegitimidade da ascensão de Joffrey ao trono, proclamou-se como o verdadeiro e legítimo Rei de Westeros, sucessor de seu irmão mais velho, Robert. Porém, Renly Baratheon, que havia fugido da fortaleza vermelha às vésperas da morte do irmão, montava alianças com as casas nobres da campina para tomar o trono para si.
Havia agora, um rei em cada canto de Westeros.
Com o apoio dos Tyrell, pelo casamento de Margery Tyrell com Renly Baratheon, Uther sentiu-se em um beco sem saída. Estava apoiando a causa nortenha, porém, Ned Stark agora estava morto e Robb era considerado um rebelde. Como vassalo da casa Tyrell, seria obrigado a apoiar a causa de Renly.
Arthur sabia que seria melhor para todos se uma aliança fosse formada entre Robb Stark e Renly Baratheon, e foi para Correrio com ordens de seu pai, para tentar estabelecer um elo entre os dois reis.
Entretanto, seria uma tarefa muito difícil para Arthur. Os dois reis tinham um inimigo em comum, porém Arthur não conseguiria tomar nem Jaime, nem Tyrion, como seus inimigos.
Desde então, começou a enxergar um outro lado de seu pai, que até então não havia reparado. Um lado mais sombrio, mais frio, mais ambicioso e mais impiedoso. Sentia que o pai dispensara os amigos de uma forma tão repentina e imaginou-se onde estariam os limites do pai para alcançar o poder que tanto sonhava.
Quando atravessou os portões de Correrio com os primeiros raios de sol, estava pensando sobre a reunião que teria com Robb Stark, quando a viu correr em sua direção.
Estava nervosa e o abraçou bruscamente, sem dizer nada. Acenou para Sor Lion levar seu cavalo, enquanto tentava acalmá-la, ali no meio do pátio. Ficaram abraçados por um tempo.
Quando ela olhou para cima, seus olhos estavam vermelhos e inchados, tanto quanto seu nariz. Soube que havia chorado muito até então.
— Você está bem?
— Não... – ela respondeu baixinho.
Arthur não pôde evitar em sentir raiva do motivo pelo qual Elaene sofria tanto: Robb.
=^=
Quando Arthur entrou na sala de reuniões de Correrio, juntamente com Lancelot e Sor. Lion, viu Robb Stark com uma coroa trabalhada em ferro na cabeça. Ele estava ao centro da enorme mesa, enquanto seus senhores se espalharam ao seu lado. Ao seu lado direito estava sua mãe, e ao seu lado esquerdo, seu tio Edmure.
Os senhores nortenhos lhe lançavam olhares cautelosos quando entrou. Em particular, o tal garoto Greyjoy protegido de Ned Stark, das Ilhas de Ferro, lançou um olhar malicioso, como se soubesse de alguma piada interna que só ele apreciava.
Arthur acenou polidamente para todos, e apesar de se sentir embaraçado, inclinou o tronco para frente em um comprimento ao proclamado Rei.
— Vossa alteza, Rei do Norte.
— Sor Arthur Pendragon. Senhores. Queiram se acomodar. – Disse Robb com uma voz fria, porém, polida.
— Vossa majestade, venho para Correrio em nome de meu pai, trazendo algumas propostas. Como vossos senhores à essa altura já tomaram conhecimento, Renly Baratheon oficializou uma aliança com a casa Tyrell através do matrimônio. Rei Renly acrescentou o apoio bélico de toda a campina para si.
— Senhor Renly. Esse rapaz não tem legitimidade ao trono de ferro, da mesma forma que Bran não poderia ser Senhor de Winterfell antes de mim. Stannis tem melhor pretensão.
— Como queira, majestade. Stannis Baratheon é um homem duro e inflexível, e já declarou que não aceitará outro rei em Westeros.
— Ele diga o que quiser, o Norte não se ajoelhará.
— Por isso venho em nome de Camelot, que lhe apoiou nas batalhas do tridente, para que conceda-me a permissão em levar propostas à Renly Baratheon. Vocês possuem um inimigo em comum e deveriam aliar-se para um futuro melhor entre os reinos.
Robb sentiu-se confuso ao ver que o inimigo em comum no qual Arthur se referia, era justamente a Casa Lannister, que até então julgara ser uma casa amiga dos Pendragons, casa cujo Arthur tinha amigos pessoais.
— Quais são os termos, Pendragon?
— Partirei para a Campina com sua proposta, assim que me autorizar. Ao que tudo indica, Renly está subindo a estrada das Rosas atraindo tantos nobres quanto plebeus à sua causa, e sua cavalaria e infantaria já são poderosas.
— Minha proposta é simples, Pendragon. O Norte é um reino livre e independente da Capital. Ajudaremos Renly a varrer os Lannisters do trono de ferro, mas jamais nos ajoelharemos a nenhum sulista.
— O Rei no Norte! – Disseram os seus senhores ao mesmo tempo, como um mantra.
— Justo, majestade.
— Levarás contigo um homem de confiança do Norte, que definirei até amanha quando partirem. Por hora, estão dispensados senhores.
— Obrigado, Vossa Graça! –Disse Arthur com outro aceno educado, se retirando da sala.
=^=
Quando escutou batidas na porta, Arthur estava encostado na lareira de seus aposentos em Correrio, com a mente inundada de pensamentos.
— Desculpe incomodá-lo à essa hora, Arthur. Posso entrar? – Disse Elaene à sua porta.
Arthur se sentiu surpreso e logo gesticulou para que ela entrasse.
— Em que posso ajudar, Lady Arryn?
— Partirei para a Campina com vocês, pela manhã.
Arthur arregalou os olhos com o susto, mas fez a pergunta cautelosamente.
— Robb Stark sabe disso?
— Sei que ele deseja enviar uma pessoa de confiança com a comitiva e creio que dentre os senhores que compõem aquela mesa na qual ele “reina”, não há ninguém em que ele confie mais do que a mim.
— Elaene... eu não acredito que Stark irá aprovar.
— Ele irá, afinal Robb e Catelyn Stark anseiam em colocar uma distância confortável entre Lady Arryn e o Rei do Norte. – Arthur sentiu a amargura na voz dela, e se aproximou.
— Você será bem-vinda conosco.
Elaene sentia-se envergonhada pela sua tentativa de fuga do acampamento, e resolver tocar no assunto, não evitando abaixar a cabeça.
— Arthur, eu realmente sinto muito pelo que fiz no acampamento. Você me salvou, cuidou de mim de uma forma que eu não merecia, e mesmo assim eu iria embora correndo de lá, roubando uma égua, e sem ao menos dizer nada.
— Não precisa se desculpar...
— Sim, preciso. Fui ingrata. – Disse bufando.
Arthur se aproximou e tocou a maça do rosto dela com a ponta do polegar.
— Você fez o que achava certo: socorrer a quem amava. É isso o que se faz quando se ama, não é?
Elaene entendeu o que Arthur quis dizer, ele se referia a ele mesmo também. Estava mais uma vez declarando um amor que ela não estava à altura. Nunca quis tão bem à ele, como queria agora.
Por instinto, se aproximou dele deixando os corpos minimamente próximos, e quando ergueu os olhos, a boca dele estava tão próxima que sentia o doce hálito dele. Notou que Arthur respirava com mais dificuldade e mantinha os olhos fixos e vidrados nos dela, mas não se mexeu. Isso a deixou intrigada.
Inclinou mais um pouco o rosto, o testando. Mas ele ainda não respondia.
Era a primeira vez que desejava beijar os lábios de outro alguém, que não fosse os de Robb. Sentiu-se confusa, como se estivesse o traindo, e quando ia encostar nos lábios de Arthur, abaixou o rosto, a tempo de sentir uma bufada de ar pesada dele em sua face.
Afastou-se repentinamente e embaraçada.
— Sinto muito. – disse virando-se em direção à porta sentindo Arthur lhe segurar pelo braço.
— Por favor, não vá!
— Fique longe de mim, Arthur. Eu só levo desgraça por onde caminho.
=^=
Respirou fundo quando o viu no pátio pensativo, chutando pedrinhas no chão.
Balançou a cabeça com a inocência da cena. Aquele não era mais Robb. O seu Robb. Aquele era o Rei do Norte. Comprometido com uma garota Frey.
— Robb?
Ele a olhou com olhos frios e distantes.
— O que você quer, Elaene?
— Vim lhe dizer que não precisa mais selecionar nenhum outro de seus senhores para ir ao encontro de Renly Baratheon. Eu irei.
— Você acredita ser capacitada para tal missão, ou apenas quer manter-se perto dele? – Elaene quase pode sentir o escárnio na voz dele.
—Querendo ou não, ainda sou filha de um nobre do Vale. Um homem cujo afeto dos Baratheons com ele era conhecido. Isso há de valer alguma coisa.
Robb deixou um pouco a hostilidade de lado, evitando em pensar que ela partiria com ele, o Pendragon.
— Não quis lhe ofender, Elaene. Pensei que voltarias para Winterfell.
— Winterfell não é mais minha casa, Robb. Preciso descobrir onde é meu lugar no mundo.
— Há algo que eu possa fazer que a fará mudar de ideia?
— Não...
— Como sempre, você tem o que quer, da forma que quer, não é?
— Não Robb, isso não é nem de longe o que eu quero. Mas será melhor para todos que fiquemos distantes um do outro. Você agora é o Rei do norte, e tem compromissos a honrar.
— Então digas-me, Elaene. Do que me adianta ser o maldito Rei do norte, se não posso fazer o que quero?
Robb arremessou uma pedra para longe, soltando uma bufada de ar nervosa.
— Que se dane... – Disse enquanto a puxou contra si com uma mão em suas costas, esmagando a boca dela na sua.
Primeiro Elaene paralisou, para logo em seguida tentar lutar contra. Mas em pouco tempo, entregou os pontos, e aproveitou aquele que poderia ser o último momento com ele.
O beijo era desesperado, como se o mundo fosse acabar em alguns instantes. Puxou o cabelo de Robb entre seus dedos, decorando a textura de seus cachos vermelhos.
Quando procuraram por ar, Robb encostou sua testa na dela para lhe dizer em não mais que um sussurro.
— Até que toda a neve do norte derreta, o vento leve a muralha com um só sopro, e as areias de Dorne se transformem em ouro derretido...
=^=
Quando se reuniam no pátio para seguirem viagem, reconheceu o garoto dentre a comitiva.
— Merlin Reed?
“Você terá a prova de que precisas, e saberás que sou seu servo. Saibas que Robb atravessará, mas você não. E ali encontrará a cabeça do dragão, ele lhe resgatará, e em teus braços será salva.” Lembrou-se.
— Temos muito o que conversar, Lady Arryn.
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