Queen of ice and fire
20 Brincando com fogo
Notas iniciais

Arthur passou a noite em claro, pensando nos últimos acontecimentos. Elaene como sempre, havia bagunçado tudo em sua mente. Seus sentimentos com ela eram como um pequeno barco em um mar revolto. De uma esperança boba de um homem apaixonado, deslocava com violência sobre as ondas, para uma fria e dura realidade de um amor solitário.
Na noite anterior, Elaene havia entrado em seus aposentados pedindo para partir para o sul com a comitiva e tentar estabelecer os termos de uma aliança com Renly. Quando conversavam sobre a partida dela do acampamento ao norte do Ramo vermelho, ela havia se aproximado dele a uma distância que nunca havia ousado permanecer.
Por um momento paralisou e esperou que ela agisse. Sentiu que ela o beijaria, mas no último momento, algo nela a fez recuar. E assim, de repente, o deixou sozinho no quarto, com a sensação de que havia algo faltando dentro de si.
Tentava com todas as forças não permitir que seus sentimentos por ela atrapalhassem em nada seu dever. E se esforçava para diminuí-lo a cada dia. Mas agora, passariam mais tempo juntos, e longe de Robb. Sabia que seria ainda mais difícil ignorar o que sentia por Elaene.
Porém, antes de partirem, faria um pedido à ela. Sabia que se o pedido partisse diretamente dele, Robb jamais concederia.
Quando a encontrou, estava no pátio, onde se reuniam os primeiros membros da comitiva. Viu-a lançar um olhar vazio para o céu de Correrio, em uma espécie de prece silenciosa.
— Elaene...
— Arthur. – a viu abaixar o olhar para o chão, provavelmente pela timidez da noite anterior.
Arthur olhou para os lados para certificar de que ninguém mais o ouvia.
— Sei que não tenho o direito de lhe pedir isso, mas preciso tentar. Nunca ficarei em paz se não o fizer.
Elaene o olhou com um olhar curioso.
— Digas logo.
— Preciso que peça algo para Robb em seu nome, por mim.
— Arthur... – disse Elaene afirmando negativamente com a cabeça.
— Eu sei o quanto isso lhe custa, Elaene. Mas realmente gostaria de ter uma visita assistida ao Jaime, com a pessoa que Robb indicar, apenas isso. Ele é meu amigo e foi meu tutor. Cresci com ele em Porto Real...
— Robb jamais permitirá...
Arthur abaixou o olhar tristemente para o solo, e quando se virou para ir embora, sentiu os braços delicados de Elaene lhe tocarem o ombro.
— Espere... – suspirou – falarei com ele antes de partimos. Disse-lhe que jamais esqueceria o que fez por mim, Arthur. E não esqueço.
Arthur não conteve o sorriso.
— Não lhe prometo que conseguirás vê-lo, mas farei o que puder, e isso, eu lhe prometo.
— Obrigado, Elaene. – Disse, puxando sua mão para depositar um beijo, e lhe lançando um sorriso torto, fazendo-a corar.
=^=
Quando Elaene voltou de dentro do castelo, a passos largos, a viu com um olhar com misto de raiva e tristeza, e sabia que havia falhado na tentativa de ajudá-lo a ver Jaime.
Ela o olhou de longe, enquanto acariciava seu cavalo. Acenou negativamente com a cabeça, o avisando que não havia conseguido. Arthur apenas lhe devolveu um pequeno sorriso, mostrando que não importava. Ela havia tentado, estava grato.
Durante o dia todo de cavalgada, apesar de ter feito o percurso inteiro ao seu lado, não havia dito nenhuma palavra sequer desde que partiram de Correrio. Notou algumas caretas que ela fez com as dores nos ferimentos nas costas, mas não emitiu nenhum ruído. Arthur respeitou seu espaço, e não lhe forçou a nada. Sabia que quando o luto melhorasse, ele estaria ali por ela, para o que precisassem conversar.
À noite, instalaram-se em uma pousada bem próxima a Camelot, entre a estrada do rei e o inicio da estrada das rosas. Preferiu seguir caminho para o Sul, a ter de passar por Camelot e ouvir um belo sermão do pai por ter levado a filha de Rhaegar para negociar termos de guerra.
Muitos insistiam em tratá-la como um pequeno pedaço de cristal: seu pai, Ned, Robb. Arthur sabia que ela não era frágil como pensavam, e deveria se sentir livre. Não é aconselhável aprisionar um dragão. Um dragão deve ser livre. Arthur sabia bem.
Após descansarem, se reuniram no salão para a ceia. Elaene vestia uma túnica de lã preta com um manto negro de capuz levantado. Desceu as escadas sem que ninguém a notasse. Exceto ele.
Olhou-a de longe, e tratou logo de abaixar o olhar quando ela o flagrou a encarando. Ele imaginou que ela escolheria uma mesa bem longe de todos, e ficaria a noite toda solitária. Porém, para sua surpresa, sentou-se na cadeira em sua frente.
— Dirás porque estás evitando a própria casa?
— Não sei do que falas, Lady Arryn.
— Não me digas que preferiu cavalgar longas horas para repousarmos nessa pousada, ao invés de Camelot, porque essa eu não engulo, Arthur.
Arthur respirou fundo, amando e odiando a personalidade atrevida que ela tinha.
— Eu não gosto de mentir para ti, Elaene. – Disse olhando para a caneca em suas mãos.
— Não mintas. – Disse Elaene o encarando com olhos verdes queimando.
— Então não me perguntes o que não posso responder. – Respondeu devolvendo a intensidade do olhar.
Elaene ficou encarando as próprias mãos em cima da mesa, e então Arthur quis interromper o clima tenso.
— Pelos sete, você sabe ser irritante quando quer, sabia? Aprendeu isso com os Nortenhos?
Elaene sorriu timidamente, mas o suficiente para melhorar o semblante, e ele continuou.
— E seus cachos estão realmente uma bagunça embaixo desse capuz!
Elaene riu com mais vontade, e fingiu uma careta de indignação pelo atrevimento dele.
— Esses são os modos dos tão famosos cavaleiros do Sul, Sor Arthur? – Ambos riram com sinceridade, esquecendo por instantes toda a tensão.
— Suponho que aceitará dividir este hidromel comigo, milady – Disse empurrando a garrafa para ela.
— Pra aguentar vocês sulistas, apenas com esse hidromel em minha barriga, nobre cavaleiro! — Ela tomou a garrafa já depositando a bebida na caneca.
— Se você diz isso, espere só até ter de aguentar Lancelot pelo caminho...
Elaene riu suavemente enquanto tomava um gole da bebida. Livrou-se do capuz, ajeitando os cabelos com os dedos, sob o olhar de Arthur.
— Assim está bem melhor – Disse Arthur com um meio sorriso.
Ele sentiu vontade de esticar os braços e tocar os cachos negros que escorriam sobre o rosto dela, e esparramavam pelos ombros até a cintura. Mas segurou seu ímpeto brincando com a caneca nas mãos, quando ela interrompeu seus pensamentos.
— Você acredita que a aliança será feita?
— Não sei. A carta que Ned Stark enviou para Stannis, declarando ser ele o rei legítimo e não Renly, não nos ajuda.
Elaene mordeu os lábios, mas externou o que queria perguntar.
— Você acredita que os filhos do rei são realmente ilegítimos? Bem... você sabe, Jaime e a rainha, sua irmã...
Arthur olhou para os lados para decifrar se alguém estaria ouvindo, a tempo de ver Lancelot no fundo do salão beijando o pescoço da donzela filha do estalajadeiro.
— Sim...
Elaene sentiu-se feliz com a sinceridade dele.
— Elaene, eu realmente sinto muito pelo o que fiz você passar hoje de manhã em Correrio. Realmente estou preocupado com Jaime. Ele é um cretino, mas ainda é meu amigo.
— Não se preocupe, Arthur. Sei que você se preocupa com ele, mas Robb é um homem tão honrado quanto o pai, jamais faria mal a seu cativo.
— Eu sei. Não é a ele quem temo. Robb tem senhores que perderam seus filhos pelas mãos de Jaime, ao seu lado. Não acho que ele vá sair de lá vivo. – Lançou um olhar triste para ela
— Desculpe, Arthur. Queria muito lhe ajudar. Sinto-me atada. – Disse estendendo a mão e tocando a dele na mesa, recebendo um sorriso terno dele com o toque.
Elaene levantou-se, resolvida que deveria descansar para o longo dia que se seguiria.
— É melhor que eu vá descansar.
Contornou a mesa e parou ao lado dele, inclinando e depositando um beijo suave em sua bochecha.
— Boa noite, Arthur.
Arthur congelou e apenas quando ela virou as costas, respondeu fracamente:
— Boa noite, Elaene.
Lancelot o tirou do transe.
— Mas o que foi isso que aconteceu aqui, irmão? — Disse sentando-se ao lado de Arthur que ainda acompanhava Elaene subir a escada com o olhar
— O quê?
— Isso! Você com essa cara de pateta olhando para essa Lady. Arthur, você apaixonado é de dar medo!
Arthur sabia que não havia como negar. Muito menos ao seu próprio irmão.
— Não é nada, Lancelot... seja discreto, o assunto é delicado...
—Irmão, não falarei nada, mas até mesmo o mais imbecil dos seres notaria pela forma que tu olhas para ela.
Arthur riu timidamente sem saber o que dizer.
— Eu acho que ela gosta de você também, Arthur.
— Talvez, mas não da forma que eu gosto dela.
=^=
No dia seguinte, o humor de Elaene estava melhor e sentia que o luto dela estava amenizando a cada dia. Enquanto estavam na estrada das rosas, contou histórias divertidas para ambos esquecerem o quanto aquela viagem significava.
Suas últimas informações eram de que Renly estaria entre Mesa longa e Vale d’Erva, precisamente ao entorno das muralhas de Ponteamarga e calculou que os alcançaria até a metade do outro dia. Assim, decidiram passarem a noite em uma estalagem próxima, ao invés de acamparem ao longo da estrada.
No outro dia logo no início da tarde, enfim haviam chegado ao acampamento do exército de Renly. Do topo de um vale, observaram o poderio que o proclamado rei havia absorvido.
Arthur viu bandeiras de várias casas da Campina e Ponta tempestade, desde as grandes e nobres como a própria casa Pendragon, até pequenas e novas casas.
Arthur conhecia Renly há anos, desde que se mudou para Porto Real. Era um rapaz carismático, com uma ótima lábia, e dono de um sarcasmo elegante. Sabia que Renly era um ótimo guerreiro, mas era ainda melhor como político. A aliança dele com Robb Stark seria um golpe certeiro no governo da Capital.
Quando enfim conseguiram a audiência com Renly, ele e Elaene o esperavam em uma tenda Real. Era enorme e cheia de adereços e tapetes de Lys. Havia uma mesa de madeira nobre trabalhada com os brasões das casas Baratheon e Tyrell. Arthur admirava a beleza do trabalho artesanal passando o dedo nos detalhes, quando por fim, Renly entrou.
— Arthur Pendragon! Fico muito feliz em ter, finalmente, um dos maiores espadachins de Westeros em meu acampamento. –Disse enquanto o abraçava.
— Não seja exagerado, Vossa Graça!
— Não me venha com modéstias, Sor.
Renly viu Elaene, e Arthur se antecipou para lhe apresentarem.
— Vossa Graça, conheça Lady Arryn.
Renly tomou a mão de Elaene, depositando um beijo.
— Lady Arryn, os rumores de sua beleza lhe fazem jus. Encantado em conhecer a bela filha de Jon Arryn.
— Obrigada, majestade. – Elaene disse corando, e lembrando-se dos rumores de que Renly era um político nato e portador de um carisma indiscutível.
— A que devo a honra dessa reunião, Sor e Lady?
— Majestade, viemos em nome de Robb Stark. Gostaríamos de apresentar e discutir alguns termos.
— Robb Stark? – Indagou Renly.
— Rei do Norte, majestade. – consertou Elaene.
Renly arqueou a sobrancelha e a mediu com o olhar.
— Sentem-se, por favor.
— Vossa Graça, Robb Stark, auto-intitulado Rei do Norte, manifesta desejo em criar uma aliança com vossa causa. – disse Arthur
— Aliança? Eu diria que o rapaz tomou-me o maior reino de Westeros. A não ser que devolva o Norte para as mãos da Capital quando marcharmos em Porto Real, e se ajoelhe em lealdade, não consigo encontrar vantagens em alianças com Lorde Stark.
Elaene notou que Renly evitava chamar Robb de rei.
— Majestade, o vosso poderio é inegável. Porém, os Lannsters são poderosos. Lembro-lhe que possuem um inimigo em comum. A união entre vós será um golpe fatal para o rei ilegítimo que hoje ocupa o trono de ferro. –Continuou Arthur.
— Derrotarei os Lannisters com minha união com as casas mais ricas de westeros. Bendita seja a Campina.
— Perdoe-me vossa graça, mas sabemos que Stannis reúne forças para confrontá-lo, esbravejando ser o legítimo herdeiro do trono, em vossa frente na linha de sucessão.
— Meu irmão que esbraveje e esperneie. Ele não possui carisma, e muito menos alianças. É um homem amargo e mau-humorado.
— Não podemos negar que lutar com apenas dois inimigos é melhor do que três.
— Robb Stark se declara meu inimigo?
— Não posso responder isso por ele, meus poderes são limitados, mas digo-lhe que só tens a ganhar com uma aliança com o Norte.
— Robb Stark é apenas um garoto, logo mais se cansará da guerra e se ajoelhará à mim.
Elaene resolveu interver.
— Majestade. Perdoe-me, mas creio que conheceu o meu pai em Porto Real.
— Claro, Lady Arryn. Posso dizer que cresci sob sua influencia na capital. Um homem magnífico, muito sábio. Pena que nem ele conseguiu domar meu irmão.
— Sim, um homem magnífico, mas muito além disso. Creio que saibas que Robert conseguiu êxito na rebelião graças aos conselhos e alianças traçadas por meu pai.
— Sim, Elaene. Robert o enxergava como a um pai.
— Não duvido disso... também creio que saibas que Jon Arryn havia traçado planos e favores com senhores do Vale enquanto Robert estava em guerra. Se lembro bem o que foi me dito, tu ficastes aos poderes de Lorde Royce, vassalo de meu pai, enquanto Ponta tempestade era cercada. Um episódio terrível o maldito cerco ao seu lar. Passar fome daquela forma deve ser uma coisa terrível para quem esteve lá.
Renly estritou o olhar imaginando para onde Elaene estaria chegando com aquelas indagações.
— Certamente...
— Meu pai havia traçado um rota de fuga por um porto clandestino em Âncora Velha caso falhassem na rebelião. Certamente salvaria tua vida de qualquer forma. Ele nunca abandonaria os amigos, mesmo quando estivesse tudo perdido.
— Creio que não resta dúvidas da hombridade de teu pai, Lady Arryn.
— Este mesmo homem honrado e nobre, foi friamente assassinado em Porto Real, por ter descoberto a traição da Rainha. Jon Arryn jamais abandonaria vosso irmão à sorte. Ele amava Robert e a ti, e foi morto por querer defendê-los. Esses mesmos assassinos mataram Ned Stark, aquele homem cuja veneração à tua família é lendária. Um homem cujos limites morais são venerados por toda westeros. Um homem cujo vosso irmão enxergava como do próprio sangue.
— Eu os varrerei de Porto Real, minha Lady. Prometo-lhe.
— Pois agora tens a chance de honrar o nome de meu pai, e de meu protetor. Retribuir tudo o que esses homens fizeram pelos Baratheons. Nada os faria mais felizes, do que uma nova aliança entre as duas casas, Majestade. Talvez seja a hora de um Baratheon mostrar o quanto respeito e gratidão nutre pelos Starks e Jon Arryn, visto que sem eles, provavelmente, vocês não teriam nenhuma pretensão para se disputar.
Renly ficou sem palavras como poucas vezes na vida havia ficado. Por uns instantes Elaene viu que a máscara do político caiu, dando lugar a uma feição de frustração e dúvidas.
— Lady Arryn. Sor Arthur. — Renly disse se levantando — Pensarei sobre o assunto. Creio que tão delicada decisão não possa ser tomada no calor do momento. Fiquem em nosso acampamento por alguns dias, algumas semanas, talvez. Terão tratamento de nobres comigo, posso garantir. Terei a resposta em breve. Com licença.
Arthur esperou Renly se retirar da tenda para sorrir. Sentiu vontade de beijá-la ali mesmo com tanta admiração que sentia. Elaene lhe sorriu meio incerta.
— O que você acha?
— Está brincando? Eu nunca vi Renly Baratheon sem reação em toda minha vida.
=^=
Margaery Tyrell era uma jovem muito bonita, notou Arthur. Seus cabelos eram ondulados e castanhos, tão longo quanto o de Elaene. Possuía olhos azuis claros e pequenos, e uma maça do rosto protuberante. Parecia-se muito com seu irmão gêmeo, Loras Tyrell. Ela usava um vestido verde com um decote ousado, e trabalhado em detalhes dourados que lembravam rosas.
Arthur fez sua reverência como cavalheiro à Rainha, e Elaene inclinou o corpo em sinal de respeito, para cumprimentá-la.
Margaery aproximou-se dela, levantando seu rosto delicadamente com a ponta dos dedos no queixo de Elaene.
— Você é realmente muito bonita, Lady Arryn. – Disse a abraçando fortemente em seguida, surpreendendo Elaene que sem reação, botou delicadamente as mãos nas costas da Rainha.
Assim que afastou o abraço, mantendo os braços nos ombros de Elaene, Margarey lhe sorriu um sorriso terno e doce.
— Seremos boas amigas, Lady Arryn. Por favor, me acompanhe! Escolheremos um vestido à altura de sua beleza para o festim de hoje à noite. Espero que tenha algo digno para tal!
Elaene ficou incerta se a moça era realmente tão doce, ou estaria repetindo os gestos galantescos aprendidos com o marido.
Quando Margaery lhe puxou delicadamente pelas mãos, para saírem da tenda, deu um último olhar para Arthur, mostrando que estava confusa, e recebendo um sorriso de incentivo dele em troca.
=^=
Entraram juntas no salão de Ponteamarga. Margaery vestia um vestido azul claro, com um grande decote nas costas.
Elaene usava um vestido com tecido vermelho por baixo, e por cima um transparente tecido preto, que dava o vestido um tom vinho. Era estranho em como aquilo dizia sutilmente que o luto dela ainda estava ali de alguma maneira.
Entretanto, Arthur sentiu-se grato por Elaene enfim abandonar o negro. O vestido marcava sua cintura e deixava seus ombros à mostra, o suficiente para que uma pessoa mais atenta notasse suas cicatrizes nas costas. Seus cabelos estavam parcialmente presos na altura da orelha, e seus cachos soltos reluziam em contraste com sua pele alva.
Margaery andou com as braços laçados aos dela até metade do salão, onde algumas outras senhoras lhe vieram cumprimentar. Viu Elaene se desvencilhar delas discretamente, e apanhar uma bebida em cima da mesa.
— Você está magnífica esta noite, Lady Arryn. – Disse a surpreendendo pela aproximação.
— Obrigada, Sor. Bom saber que o esforço da rainha valeu alguma coisa. – sorriu
— Ela parece lhe apreciar muito.
— A rainha parece ser uma boa pessoa. Acho que intervirá a nosso favor com Renly.
— Elaene, querida! Você precisa conhecer a senhora Merryweather! – Disse Margaery lhe puxando pelo braço, enquanto Arthur lhe lançava um sorriso solidário.
Ficou observando-a por um tempo de longe, preocupando-se com o quanto ela bebia, enquanto uma donzela de uma casa menor da campina aproximou-se.
Ela era uma garota baixa, com cabelos castanhos e ondulados, e olhos amendoados. Estava com um vestido laranja e enfeites adornavam seus cachos.
—Boa noite, Sor Arthur. Meu nome é Lya Oldflowers, nos conhecemos no banquete da colheita, há alguns anos em Camelot.
Arthur não fazia ideia de quem era a garota, mas manteve-se cortês.
— Boa noite, Lady Oldflowers. – disse depositando um beijo na mão da garota.
Elaene olhou a tempo de ver Arthur beijando a mão da garota e um sentimento desconhecido tomou conta de si. Talvez por conta da bebida, não saberia dizer, mas sentiu vontade de acertar uma flecha na testa da pobre garota.
Arthur continuava a ouvir a garota com atenção polida, e aos olhos de Elaene, parecia apreciar o papo da jovem donzela. Elaene pegou uma maça em cima da mesa e mordeu com raiva os observando.
Quando Arthur desviou o olhar para ela, Elaene mordeu vagarosamente a maça, deixando em evidência para que ele observasse o movimento de sua boca. Nunca deixando o olhar dele, deslizou a língua pelo lábio inferior, o mordendo delicadamente em seguida.
Sentindo-se hipnotizado, Arthur não ouvia mais o que a garota dizia, e ela enfim percebeu quem havia roubado a atenção dele.
— Sor...?Sor?
— O que? Desculpe Lady Oldflowers. Eu preciso me retirar por um instante. Com licença.
Elaene viu a garota lançar um olhar maligno em sua direção, mas a ignorou.
Arthur saiu para a sacada para se acalmar, e sentiu o vento fresco da Campina bater no rosto. Sentia o sangue correndo quente nas veias e ficou chocado ao ter de ajeitar os trajes e perceber que ela o havia deixado excitado com apenas um olhar.
Elaene entrou na sacada inclinando-se no parapeito ao lado de Arthur, enquanto ele fechava os olhos ignorando a vontade de atacá-la, sentindo o cheiro dos cabelos soltos dela voarem para ele.
— O que você está fazendo, Elaene?
— Bom, nesse momento estou bêbada, na sacada, tomando um pouco de ar ao seu lado.
— Não. Você sabe muito bem o que quero dizer. Porque ficas me tentando?
Elaene pensou em uma frase mordaz para dizer, mas não conseguiu organizar as palavras e nem se justificar. Apenas gaguejou enquanto Arthur lhe encarava com um olhar cortante.
— Não brinque com o fogo, Lady Arryn!– Disse se aproximando e a pressionando contra o parapeito da sacada, deixando os lábios dele bem próximos aos dela.
Elaene sentiu a cabeça rodar com os efeitos da bebida e instintivamente umedeceu os lábios, lhe dando uma pequena mordida em seguida, em reflexo da vontade de sentir o beijo.
Mas ele nunca veio.
Arthur agarrou seu cabelo pela nuca e a puxou pela cintura deixando-a ainda mais próxima e à sua mercê, passando a ponta de seu nariz no dela.
— Há apenas um futuro para quem brinca com fogo. – Elaene fechou os olhos sentindo o hálito doce de vinho vindo da boca dele. Queria prová-lo de novo. – Queimar-se...
Afastou-se repentinamente, deixando-a com os joelhos bambos, queimada pelo próprio fogo.
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