Camelot

— O que tanto olhas por essa janela? Ele não irá voltar essa noite, Elê! – Perguntou Gwen, sentada na cama, enrolando os cachos nos dedos, impaciente.

Elaene virou para trás para encontrar o seu olhar.

— Não tenho um pressentimento bom sobre tudo isso, Gwen.

Gwen levantou-se e a puxou pela mão para que sentasse ao seu lado na cama.

— Ele irá voltar, Elaene. Ele sempre volta! Ele é a droga de um Pendragon – disse fazendo carinho na mão dela sobre a sua – Vocês são tão incríveis juntos. Vejo em seus olhos todo carinho e preocupação. Eu estou muito feliz por Arthur – disse com melancolia — Lancelot nem ao menos se despediu de mim...

— Gwen, ele irá perceber o quão maravilhosa você é...

Gwen suspirou com um riso triste

— Você é doce, Elaene. Mas isso não irá acontecer. Lancelot gostava de deitar-se comigo quando estava entediado, mas tem planos para se casar com alguma donzela casta, eu sou apenas a filha do intendente. Os homens são assim. Gostam de uma mulher ousada para se divertir, mas não para casar-se. Ele não acha que sou digna para ele, e agora nem ao menos quer minha amizade desde que me recusei a continuar a me deitar com ele, quando ele bem quisesse.

— Se ele pensa assim, ele é um hipócrita, imbecil. — Notou Gwen entristecer ainda mais, e olhar para a paisagem pela janela, à distância. — Basta você pedir, e eu enfio uma flecha no traseiro dele! Você se surpreenderia com minha mira...

Gwen finalmente riu, acariciando os cachos negros de Elaene.

— Não será preciso... ou por enquanto, pelo menos – sorriu levantando-se da cama – bem, vou para o meu quarto.

Elaene segurou seu braço em um impulso, a impedindo de ir embora.

— Por favor, Gwen. Poderia dormir comigo aqui, essa noite? Não quero ficar sozinha. Por favor... por favor... – disse Elaene com angústia.

— Claro, querida. Jamais perderia a chance de azucrinar a imaginação de Arthur e poder me gabar em dormir na mesma cama que você, antes dele. – Riram juntas, fazendo Elaene relaxar-se um pouco mais com o riso tímido.

— Você é terrível, Gwen!

=^=

Havia um homem muito alto, muito mais alto que qualquer homem que jamais vira, até mesmo Hodor. Sua sombra projetava-se animalescamente sobre o chão, sob a luz das chamas atrás de si. Ele avançou contra Arthur dando um golpe forte e vertical, que foi defendido com sua espada.

O cavaleiro de cabelos ouro-prateados continuou segurando e defendendo os golpes do gigante, mas o homem era sobrenaturalmente forte.

No próximo golpe desferido pelo homem, Arthur tropeçou no chão, e a espada de seu inimigo conseguiu atingi-lo parcialmente, criando um corte profundo desde o peito até o ombro, enquanto ele batia fortemente as costas na terra vermelha.

Ele gritou com a dor e apoiou-se no chão pelos cotovelos, enquanto grande quantidade de sangue jorrava por entre o ponto desprotegido da armadura.

Nesse momento, viu o homem empunhar a espada para cima e jogar com força para baixo, em direção à ele e tudo ficou escuro.

Elaene gritou e pulou na cama gritando o nome dele.

“Arthur!!!”

O quarto estava escuro, e Gwen que estava ao seu lado dormindo tranquila, assustou-se e levantou botando a mão nos braços de Elaene. Tentou fazê-la se acalmar e parar de se contorcer na cama enquanto gritava.

— Elaene! Elaene!!!

Elaene gritou quando sentiu o contato com sua pele e deu tapas nas mãos de Gwen para afastá-la. Gwen segurou seus braços com mais força e se aproximou de seu rosto para mostrar quem era.

— Sou eu. Gwen, sua amiga! Está tudo bem querida, tudo bem! Estou aqui...

Elaene a abraçou enquanto as lágrimas jorravam e molhavam o ombro exposto da mulher.

— Ele está em perigo, Gwen. Eu vi, eu senti. Não posso perdê-lo!

— Você não irá perdê-lo, querida. Acalme-se, foi apenas um sonho ruim.

— Você não entende, Gwen... ele corre perigo! Preciso ajudá-lo. – disse enquanto se levantava da cama com pressa.

— Aonde vai?

— Vila D’ouro.

— O quê? – perguntou com susto. – Está maluca, Elaene? Uther jamais permitirá.

— Eu estou me lixando para Uther, Gwen. Não ficarei no conforto de Camelot brincando de Lady, enquanto Arthur corre perigo. – disse enquanto despia-se de sua veste de dormir, e vestia uma túnica de lã confortável, sem qualquer timidez em frente à amiga.

— Elaene, me escute! Do que irá adiantar partir agora para Vila D’ouro? – Disse Gwen enquanto segurava a amiga pelos ombros — Eu entendo sua angústia, mas pense melhor, não há nada que você possa fazer agora. Eu lhe imploro, espere notícias!

— Se acontecer algo com ele... eu nem sei o que faço, Gwen. – Disse abraçando a amiga. – Porque eu tenho essas visões, se não posso fazer nada? É tão cruel!

=^=

Vila D’ouro

Quando avistou a vila no horizonte, do topo da colina, imaginou se teria sido tarde demais. Havia chamas por todos os lados, e uma batalha se seguia lá embaixo. Sinalizou para a cavalaria, tomando a frente do seu regimento. Olhou para trás e seu olhar encontrou com o do irmão Lancelot, que liderava a infantaria atrás.

— Por Camelot!!! – gritou enquanto avançou com seu corcel de guerra Valente, à frente, incentivando seus homens no limiar da batalha.

Avançaram a todo vapor, e a terra subia com a velocidade dos cavalos descendo a colina. Quando invadiram a vila em chamas, reconheceu os soldados de Gregor Clegane. Notou em seus olhares que estavam surpresos e começaram a recuar para o leste, deixando que os poucos soldados das terras fluviais que ainda resistiam, pudessem recuperar o fôlego e se reagruparem sob a liderança de Arthur.

Em meio ao caos da nova investida contra o inimigo, Arthur notou uma figura destoante no meio da batalha. O homem mais alto que já vira. Só poderia ser ele, o Montanha.

O homem estava próximo ao poço artesiano da vila. Ele pegou um soldado de Camelot com as mãos o segurando pela cintura, enquanto o homem tentava se soltar desferindo socos e chutes débeis. Como um brinquedo de madeira vagabunda, Montanha jogou o homem violentamente contra a parede de pedras do poço. Mesmo em meio ao caos, Arthur pôde ouvir o barulho das vértebras do homem se partirem com a violência abismal do golpe e desceu do cavalo com uma fúria insana.

O homem o olhou com seus olhos frios e distantes, e caminhou em sua direção. Arthur sabia que Montanha possuía uma força indescritível, portanto, sua estratégia seria utilizar sua velocidade, e o cansar.

Começou a caminhar lateralmente na direção do homem, o fazendo vacilar com sua noção espacial em relação à Arthur, e tentou manter-se longe do raio de alcance da enorme espada que Montanha empunhava.

Velozmente, deu dois passos para frente com quatro golpes rápidos que tentou acertar em Gregor. Montana defendeu os dois primeiros golpes verticais muito bem, porém no terceiro e quarto, Arthur acelerou a velocidade, fazendo Montanha se confundir com o ritmo das estocadas, e acertou a parte lateral do homem o fazendo sangrar.

No contra-golpe, Arthur girou o corpo no próprio eixo, fazendo Montanha acertar a espada no solo violentamente, enquanto escapava pela lateral fora de seu alcance, a tempo de ouvir o rosno de raiva do homem.

Montanha veio em sua direção com fúria pelo ferimento causado, e Arthur defendeu-se de três golpes verticais consecutivos, até perceber o ritmo do inimigo, e calcular o momento exato para desviar-se pela esquerda e acertá-lo novamente pela lateral, quando projetava-se para o quarto golpe.

Arthur viu novamente o sangue fluir pela armadura do homem em sua frente.

Gregor enlouqueceu ao botar a mão entre o braço e o peito na armadura e ver o sangue que jorrava. Caminhou furiosamente na direção de Arthur soltando golpes fortes. Tamanha foi a força que utilizou, que logo Arthur sentiu os impactos nos braços e sofria para manter a guarda firme e defender-se dos golpes desferidos pelo inimigo.

Tropeçou para trás batendo com força as costas no chão, quando Montana lançando um golpe, o acertou fortemente. Ainda que absorvido parcialmente pela defesa de Arthur, produziu um corte profundo que ia desde o peito até seu ombro esquerdo.

Arthur gritou de dor, mas focou-se na figura em sua frente, que projetava sua espada para trás em uma fúria desmedida para lhe partir ao meio em um só golpe.

Utilizando de sua rapidez incomum, Artur enfiou sua espada no local mais próximo que poderia, e que estava minimamente desprotegido na armadura. A virilha.

Quando Montanha projetou seu corpo para frente para lançar o golpe, em direção à Arthur, o sulista cravou a espada a tempo, notando que havia atingido a artéria do homem em cheio, vendo o golpe do inimigo alcançar o chão ao seu lado, perigosamente próximo à sua cabeça.

Gregor ajoelhou-se, e Arthur esforçou-se para girar o corpo e se por em um joelho, enquanto chutava a espada da mão do homem para longe.

O sangue do homem esguichava de uma maneira terrível, mas Arthur tomou o cuidado em manter uma certa distância de segurança. Sabia que aquele não era um homem comum, e sim uma aberração que deveria ser varrida do mundo. Parou em sua frente e o viu empalidecer com a hemorragia, e quase perder os sentidos.

Estranhamente lembrou-se das atrocidades que tal homem cometeu em vida. Lembrou-se daquela em Porto Real, na rebelião de Robert. Pensou em Aegon, o meio-irmão de Elaene que teve sua cabeça esmagada na parede, por aquelas mãos nojentas. Pensou em Elia Martell, que foi estuprada por aquele monstro, enquanto sentia nas mãos dele, o sangue do próprio filho morto. Pensou nos camponeses mortos, nas mulheres violentadas e nas crianças órfãs nas vilas das terras fluviais.

Queria construir um mundo melhor para ela, um mundo onde homens como Gregor Clegane não cometeriam seus crimes livremente.

— Por Elaene! – Gritou quando girou sua espada, arrancando a cabeça do homem em um golpe forte e preciso, a fazendo rolar a vários metros pelo solo lamacento e sujo de sangue.

=^=

Após o fim da batalha, vendo a vila completamente devastada, Arthur e seu regimento recuaram para leste, juntamente com o que sobrou do regimento de Edmure Tully, para próximo às Terras Fluviais, garantindo uma escolta para que retornassem em segurança à Correrio.

Estava descansando em sua barraca, ao cair da noite, quando o mensageiro chegou trazendo outra ordem do rei do norte. Arthur o olhava atentamente enquanto falava, mas a dor em seu ferimento era tanta, que mal conseguia se concentrar para não fazer caretas.

— Marcharemos então em direção à Dente Dourado para ajudá-los pelo Sul, como ordena vossa graça. – disse botando a mão no curativo, na tentativa falha de parar com as pontadas.

Queria voltar para casa, receber os cuidados do Meistre Gerold e o carinho de Elaene.

Quando dormiu, teve febre, e sonhou com ela.

=^=

Dente Dourado

Robb entrou no salão da fortaleza e mal acreditou no que via: haviam conquistado a travessia das Terras Ocidentais.

Olhou em volta e notou que o salão era menor do que havia imaginado, porém, não menos luxuoso. A mesa era de uma madeira nobre, e havia detalhes em outro em suas bordas. O ouro era abundante ali. Nos quadros, nas paredes, nos objetos e até mesmo nas janelas. Sentou-se na cadeira sentindo um orgulho de si mesmo.

Seu tio logo entrou no salão, o encarando da porta. Havia poucas vezes que o teria visto sorrir, e essa foi uma das ocasiões.

— Estou orgulhoso de você, Vossa Graça!

— Só conquistei Dente Dourado, graças à sua ajuda, tio.

— E dos Pendragons... – disse Peixe Negro, com uma das sobrancelhas erguidas.

— Sim, claro... – Respondeu Robb, olhando para baixo na tentativa de engolir a nítida ironia em estar grato à Arthur Pendragon.

— Por falar em Pendragons, Sor Arthur chegou à Dente Dourado, junto com vosso tio Edmure, em segurança, após saquearem as vilas ao sul das Terras Ocidentais. Desejas recebê-lo?

Robb mexeu-se desconfortavelmente na cadeira.

— Sim, peça para ter comigo assim que estiver disponível.

Quando Arthur entrou no salão, viu Robb atrás da mesa, analisando alguns pergaminhos esparramados sobre ela. Fez reverência para anunciar-se.

— Vossa Graça...

— Sor Arthur... – quando Robb levantou o olhar notou o aspecto pálido do cavaleiro, suas olheiras embaixo dos olhos, e seu enorme curativo no peito e ombro. – Fizeste um ótimo trabalho em Vila D’ouro e no cerco em Dente Dourado. Provou o valor dos Pendragons para o Reino do Norte.

— Obrigado Majestade. – Arthur respondeu com uma voz fraca, sentindo os calafrios da febre tomarem-lhe o corpo.

— Você está bem, Sor?

— Sim, Vossa Graça, é apenas um ferimento superficial – mentiu.

— Peço que procure o meistre de Dente Dourado imediatamente. Está com um aspecto horrível! – Robb sentiu-se mal depois, por ter dito aquilo com um certo prazer.

— Irei imediatamente, Vossa Graça. Obrigado.

— Preciso saber por ti, Sor. Teve qualquer envolvimento com a morte de Renly Baratheon? — Perguntou com uma voz firme

— Não, Vossa Graça. Tens minha palavra de cavaleiro. — Pensou em perguntar por Brienne, se ela havia o visto em Correrio, e se ele havia aceitado o juramento dela, mas sentia-se tão nauseado com a febre, que protelou o momento para outra ocasião. Não havia nada a fazer por ela agora.

— Estou dispensado, Majestade? — disse fechando os olhos, quando sentiu outra pontada no ferimento.

— Sor. Arthur – disse levantando-se — Elaene realmente está em Camelot? Ela está bem?

Arthur sentiu um enorme desconforto com o rumo daquela conversa.

— Sim. Ela está sendo muito bem tratada, eu lhe garanto isso. – Arthur devolveu a satisfação na voz, com a malícia implícita que não pôde evitar.

— Assim espero. Se algo acontecesse a ela, teríamos um grande problema aqui, Sor. – Disse Robb com olhos frios e a voz tão gelada como a própria neve do Norte.

Arthur notou o tom de ameaça.

— Não se preocupe, Vossa Graça. Elaene é o que tenho de mais valioso. Jamais permitiria que algo de ruim acontecesse a ela.

Robb estreitou os olhos processando o que havia escutado. Ficou em dúvidas se havia interpretado errado o que o cavaleiro havia dito, e achou melhor não aprofundar a conversa.

— Pode se retirar para tratar seus ferimentos, Sor. – disse olhando para o lado e evitando o olhar do cavaleiro a sua frente. Não queria perder a cabeça com ele. Isso era o que ele queria que ele fizesse. Sulistas e seus malditos jogos.

Imagens de Arthur beijando Elaene em seus braços lhe deram náuseas, e esforçou-se para continuar sua leitura. Mas lembranças de uma garotinha de grandes olhos verdes batendo em sua porta, assustada pela madrugada gelada de Winterfell, teimavam em invadir seus pensamentos.

=^=

Camelot

Desde quando receberam notícias de que conseguiram aniquilar os homens de Clegane em Vila D’ouro, Elaene controlou sua ansiedade, apesar de seu coração ainda estar inquieto. Estavam todos orgulhosos de Lancelot, mas principalmente por Arthur, que além de cumprir sua missão, havia derrotado o temível Montanha em batalha. Elaene pensou que o ego de Uther não caberia dentro do próprio castelo.

Mas mesmo em meio a tantas comemorações, algo dizia que havia mais alguma coisa escondida. Seu peito apertava, apesar das visões noturnas terem cessado.

E ela estava certa. Arthur estava escondendo ao máximo seu ferimento. Pediu para Lancelot omitir a notícia nas mensagens que enviara para Camelot. Havia convencido o irmão que não haveria motivos para preocupar o pai. Mas secretamente, também não queria preocupar Elaene, agora que estavam longe. Deixou que Sor Lion guiasse seus homens pela marcha à Dente Dourado, para preservar-se, e prometeu tratar seus ferimentos assim que encontrassem o meistre mais próximo.

=^=

Estava sentada com Gwen no jardim e alisava uma rosa entre os dedos, enquanto Gwen lhe contava sobre mais uma de suas aventuras sexuais. Nas primeiras conversas do tipo, Elaene pensou que derreteria com tanto rubor que subia à face, porém, agora apreciava o papo pois tinha suas curiosidades. Nunca teve mãe, nem irmã e amigas. Gwen estava fazendo o papel de todas ao educá-la de uma maneira divertida.

Gwen era sensata, e jamais dizia nada sobre nenhum episódio que envolvesse Arthur, e sentia-se ainda mais grata a ela, pois não queria que o ciúmes envenenasse sua amizade.

— Escute bem o que digo, Elaene. Não há desculpas para o homem não lhe fazer ver estrelas ao menos uma vez durante o ato! Se ele é egoísta, que vá se aliviar sozinho. – disse Gwen arrancando uma sonora gargalhada de Elaene.

Nesse momento, Elaene observou o intenso movimento de homens no pátio e tornou-se séria subitamente.

— Está acontecendo algo, Gwen.

— Vou descobrir o que é, Elê. – Disse levantando e virando-se para dar uma piscadela para ela.

Gwen havia descoberto que o irmão caçula de Arthur, Gwaine, partiria rumo à Dente Dourado ao encontro do regimento dos irmãos e ficaria à disposição do rei do norte. Uther acreditava que já seria hora do filho conhecer na prática, as artes da guerra. Estava empolgado com as vitórias de sua família, e aproveitou para incentivar Gwaine em sua trajetória.

Assim que Elaene recebeu a noticia de Gwen, solicitou uma reunião privada com Uther. Havia pedido para partir com Gwaine e seus homes rumo à Dente Dourado, assim garantiria que chegaria à Arthur em segurança.

Uther não sabia sobre o envolvimento do filho com Elaene, apesar de ter incentivado Arthur à seduzir Elaene para mantê-la em Camelot, para garantir seus futuros interesses. Elaene apenas havia dito que teria assuntos urgentes para tratar em Dente Dourado.

Temeu por seus planos, mas sabia que não havia como prendê-la em Camelot, e ao mesmo tempo manter sua confiança e amizade intactas.

Permitiu que ela acompanhasse os homens, porém alertou para Gwaine manter vigília sobre ela, e ordenasse para Arthur trazê-la de volta para Camelot, o mais rápido possível.

Quando preparou-se para subir na montaria para partirem, Elaene notou que Gwen estava com os olhos cheios de lágrimas enquanto olhava para ela. Antes de subir, a puxou para um abraço demorado. Gwen a devolveu o abraço, mas repentinamente o soltou, limpando as lágrimas que escorriam no rosto, usando as costas das mãos.

— Droga, Elaene. Olha isso, Dornesas não choram. Dornesas não choram!

Elaene a segurou pelo queixo fazendo-a levantar o olhar para ela.

— Não há nada de mal em chorar, Gwen. Voltaremos logo!

— Não se esqueça da promessa que fizeste. Ainda quero que espete uma flecha no traseiro de Lancelot.

Elaene riu.

— Será um prazer.

— Você é minha amiga, minha única amiga. A única Lady que nunca me tratou como merda aqui na Campina. – Disse com ressentimento na voz, de algumas lembranças. — Então, Elaene, cuide de Arthur lá no Oeste, por favor.

Com um aceno em resposta, Elaene seguiu seu caminho sentindo um frio na barriga ao pensar que certamente também encontraria Robb nas Terras Ocidentais.

=^=

Após um pouco mais de uma semana desde que partiram de Camelot, enfim chegaram à Dente Dourado. Elaene estranhou o lugar. Um castelo enfiado na Montanha, com uma trilha estreita de passagem para as Terras fluviais. Antes de entrar pelo portão, viu no horizonte as grandes cadeias montanhosas das terras ocidentais e estranhamente lembrou-se de sua casa no Vale.

Quando os homens de Camelot procuravam seus acampamentos para se instalarem, juntou-se à Gwaine em direção ao Castelo principal da fortaleza. Sentia seu coração querer pular pela garganta com a expectativa de encontrar Robb em qualquer um daqueles corredores.

Porém, seu coração pulou primeiramente, com outra vista. Arthur estava andando pelo corredor praticamente com os pés arrastando no chão, e com o olhar cabisbaixo, não a viu. Ele apoiou-se na parede, para tomar fôlego, e botou a mão no ombro, e apenas assim a viu, o encarando. Seus olhos arregalaram-se com a surpresa, e sentiu que desfaleceria de susto ali mesmo. Imaginou se estaria tendo alucinações com a febre, de novo.

Elaene sentiu o coração apertar ao ver que ele estava visivelmente doente, e o curativo mal feito no peito. Inevitavelmente, sentiu lágrimas surgirem e descerem pelo rosto.

Correu em sua direção e o beijou segurando o rosto dele, o impedindo de falar qualquer coisa.

Arthur gemeu mais pela felicidade do que pela dor, enquanto Elaene espalhava beijos por todo o rosto dele, arrancando um sorriso gentil dele.

— Senti tanto a sua falta! Sabia que havia acontecido algo contigo, mas não podia fazer nada. Perdo-me – disse botando levemente a mão no curativo de Arthur para tentar entender a gravidade do ferimento — Foi horrível, me senti tão fraca.

— Não se preocupe. É apenas uma ferida, estou bem. Logo estarei recuperado.

— Vou cuidar de ti, meu amor. Você vai ficar bem... — Disse o beijando gentilmente, sentindo o gosto febril em sua boca e o abraçando delicadamente.

Arthur fechou os olhos e não conseguiu evitar o sorriso bobo e apaixonado que brotou no rosto quando a ouvir chamá-lo de “meu amor”, pela primeira vez.

Elaene não viu, mas Robb os observava no final do corredor com o punho fechado, em sinal de ira. Seus olhos estavam carregados de lágrimas, com o sentimento de ciúmes e com a perda, que explodiam em teu peito.