Queen of ice and fire
28 Deixar partir
Notas iniciais

Assim como havia pedido, tinha todos os instrumentos necessários para limpar a ferida e fazer um curativo decente, aplicando ervas para recuarem o processo infeccioso.
Quando Arthur sentou na cama, e retirou sua túnica de algodão e o pobre curativo que não era mais que um pedaço de pano de linho sujo e manchado de sangue que o enrolava no peito e no ombro esquerdo, Elaene viu que o ferimento estava mal, muito mal. Fechou os olhos com raiva.
Utilizou o pano limpo e o mergulhou na água para limpar o local. Passou gentilmente pela extensão do ferimento no peito dele e sentiu os olhos enxerem de lágrimas ao vê-lo daquele jeito.
Arthur segurou sua mão contra o próprio peito.
— Obrigado por estar aqui comigo, cuidando de mim. Por favor, não chore... – disse passando o polegar pela bochecha dela, apanhando uma lágrima que ali escorria.
Elaene balançou a cabeça lutando contra as lagrimas e tentando se concentrar no que fazia.
— Quem fez esse curativo em ti, Arthur?
O viu dar de ombros e olhar para baixo.
— O meistre de Dente Dourado...
— Maldito filho da mãe! Ele está te sabotando, Arthur... – bufou controlando a raiva – ele queria que você morresse. Colocou as ervas erradas de propósito, e esse pedaço de linho sujo para abafar seu ferimento, antes de costurá-lo...
— Pode ser que sim. Não tive escolha, tive que arriscar.
— Ele está descontando em você, o fato de Robb ter derrotado seus Senhores...
“Eu quero a cabeça dele em uma estaca” pensou com brutalidade enquanto preparava a poção de ervas para tratá-lo.
Agradeceu em silêncio ao Mestre Luwin por ter lhe ensinado tanto, mas sentia que poderia não ser suficiente para tratá-lo.
— Arthur, não posso mais costurar isso. A infecção ficará aí dentro, e será seu fim. – Disse entregando outro pedaço de pano para ele. – Quero que bote esse pano na boca. Isso vai arder muito. Muito! – olhou para ele com firmeza.
Ele respirou fundo e o botou na boca, para que não mordesse a própria língua.
— Deite-se. Será rápido, prometo. — mentiu.
Ele obedeceu e pegou-se olhando para cima com as costas apoiadas no colchão, antecipando a dor. Elaene sentou-se ao seu lado na cama e preparou o líquido em uma jarra para jogar sobre o ferimento dele.
Quando começou a derramar na altura do peito, o sentiu gritar pelo pano na boca e enrijecer todo o corpo. Notou que ele não permitiria que ela colocasse na altura do ombro, então debruçou-se sobre o peito dele usando o cotovelo para o mantê-lo deitado e impedindo que ele levantasse, e terminou de aplicar sobre a ferida. Em seguida, usou uma faca esterelizada com água fervente, para retirar parte do tecido morto no ombro.
Como o ombro era o local mais infeccionado, a dor foi tamanha que fez com que Arthur quase desfalecesse e batesse repetidas vezes a cabeça contra o colchão, com os olhos fortemente fechados, enquanto o pano em sua boca abafava seus gritos.
— Desculpe-me, é para o seu bem! – disse retirando sua franja de cabelos molhados dos olhos, pensando que deveria apará-las pois já estavam o atrapalhando enquanto caiam nos olhos dele.
Arthur continuou a se debater fracamente durante um tempo e Elaene apenas acariciava seu rosto para acalmá-lo. Quando notou que ele já estava calmo, depositou um beijo em sua testa e levantou-se para preparar um novo curativo com as ervas adequadas.
Arthur sentia-se tão cansado e febril, que adormeceu enquanto ela terminava seu curativo.
=^=
— Você precisa comer um pouco, Arthur. Estás muito fraco, por favor. Apenas um pouco. – disse sentada ao seu lado na cama, tentando fazê-lo experimentar a sopa.
Ele provou algumas colheradas com bastante dificuldade e fez careta para as náuseas que sentia, se recusando a comer mais. Elaene botou sua mão na testa dele para medir sua temperatura, e notou que ele estava ainda mais quente.
Nesse instante, Elaene ouviu batidas na porta e sentiu o coração também bater mais rápido no próprio peito. Pensou por uns instantes que fosse Robb, mas reconheceu Lancelot.
— Elaene, Gwaine me avisou que você veio com a comitiva. Como Arthur está? – disse se aproximando da cama.
— Não está nada bem, Lancelot. – Elaene respirou fundo, tentando inutilmente conter a raiva – como você pôde omitir que ele estava ferido, nas cartas que enviou?
— Elaene, ele me pediu. Disse que não era nada demais... além disso ele ja estava recebendo tratamento...
— Essa merda de buraco no ombro dele, lhe parece nada demais, Lancelot? – disse com os dentes cerrados.
— Sinto muito. Não pensei que ele estivesse tão mal...
— Fiz o que pude para conter a infecção, mas precisamos de alguém mais experiente. Não só por Arthur, mas pelos outros feridos também. O meistre de Dente dourado não é confiável. Precisamos procurar alguém de confiança nas terras fluviais ou na Campina.
— O Rei do norte ordenou que fiquemos a postos para partirmos para o sul das terras ocidentais, não posso sair de Dente Dourado.
— Se não buscar um meistre para o seu irmão, ele morrerá em questão de dias.
O encarou com olhos firmes, e o viu olhar para baixo em sinal de dúvidas.
— Eu tenho homens para liderar Elaene, não posso desobedecer uma ordem direta de meu pai e nem de meu rei.
— Não se preocupe. Falarei com Vossa Graça, ele irá concordar.
“Ele me deve isso” pensou sentindo o peito apertar na esperança de Robb compreendê-la.
=^=
Não havia mais como protelar o reencontro, pois Arthur precisava de ajuda o mais rápido possível. Quando o soldado voltou para anunciar que o Rei do norte a esperava, sentiu os próprios pés pesarem no chão enquanto marchava para a sala, e o coração bater apertado no peito com a antecipação.
Quando entrou pela porta o notou perto da lareira, observando as chamas concentrado, se recusando a olhá-la. Quando a porta se fechou atrás de si, por fim ele lhe encarou. Ficaram se olhando com desconforto e então ele tomou a iniciativa e caminhou em sua direção, a tomando nos braços para um abraço apertado. Eleane retribuiu o contato, com gestos incertos.
Robb a segurou pelos ombros para olhá-la nos olhos e depositou um beijo suave em seus lábios, mas sentiu que ela retesou com o toque, e o afastou.
— Desculpe, mas precisava fazer isso, uma única vez mais. – disse tocando seu rosto com a ponta dos dedos.
— Robb, sei que há muito o que conversarmos, explicarmos um ao outro. Mas realmente temos um assunto urgente a tratar.
Robb olhou para o lado evitando o olhar dela no seu.
— Ele está mal, não é?
— Sim, e pelo que percebi não é o único em Dente Dourado que precisa de um tratamento adequado.
— Dei ordem para o Meistre tratar todos os feridos.
Elaene suspirou e soltou um riso sarcástico.
—Ele lhe traiu, Robb. Colocou ervas inadequadas e abafou o ferimento de Arthur para que piorasse. Conversei com alguns soldados, e vários feridos pioraram depois que chegaram a Dente Dourado. Você deve retirar esse homem de perto dessas pessoas!
— Você tem certeza disso, Elaene? Não quero atrair ainda mais ressentimentos do povo das terras ocidentais contra mim.
— Sim, tenho certeza.
— Irei enviá-lo para o calabouço.
— Cuidei dos ferimentos de Arthur, três soldados nortenhos e dois da campina, o melhor que pude. Porém, precisamos de um meistre. Deixe Lancelot buscar alguém de confiança na campina!
Robb virou as costas e caminhou em direção à lareira.
— Preciso de Lancelot aqui. Enviarei outra pessoa, te prometo. Providenciarei hoje mesmo.
Elaene lembrou–se de Brienne. Confiava nela, poderia ajudá-los se estivesse em Dente Dourado.
— Robb, Brienne de Tarth chegou até você em Correrio?
— Quem? a cavaleira acusada de matar Renly?
— Sim, e ela é inocente. Nós a enviamos até Correrio para juntar-se a tua causa, porém nunca tivemos notícias dela. Temo por sua vida!
— Ela nunca chegou a Correrio, Elaene. – disse a olhando com desconfiança.
Elaene sentiu a cabeça zunir. Se ela fora apanhada pelo caminho, teriam tido notícias dela. Provavelmente estava morta. Pobre mulher. Havia confiado nela, e teria a enviado para a morte. Não pôde salvá-la como disse que iria. Sentiu-se culpada.
— Merlin Reed, tem notícias dele?
— Bem, ele havia partido de Correrio há poucas semanas. O que lhe interessa o garoto cronagmano?
“Se Brienne não havia chegado a Correio, não haveria avisado Merlin de que precisava de sua ajuda” pensou.
— Ele tem respostas para perguntas que me assombram.
Robb a olhou com olhos ainda mais confusos.
— É estranho que por tanto tempo eu lhe conheci da forma mais profunda de todas, e agora a olhando daqui, sinto que existe um abismo enorme entre nós, e me sinto realmente péssimo em concluir que não entendo quase nada mais do que falas, ou sentes! – a encarou com olhos acusadores.
— As coisas entre nós mudaram, Robb.
— Você o ama? – disse enquanto se aproximava dela, a olhando nos olhos.
Elaene desviou o olhar para as próprias mãos e não conseguia negar, e nem confirmar. Robb tomou o silencio como uma afirmação, e botou as mãos nos cabelos dando risadas irônicas.
— E agora você está aqui, na minha frente, me pedindo para salvar o homem que você ama, depois de tudo o que vivemos.
Elaene o alcançou e segurou o braço dele, o virando para ela para encarar seus olhos azuis.
— Eu estou aqui, na sua frente, lhe pedindo para fazer o que é certo: salvar os homens que lhe servem e são leais à ti. – disse com uma voz firme e olhos frios. – você deve isso a eles, não a mim.
=^=
Apesar do tratamento que recebeu de Elaene, Arthur piorou durante a noite. Uma terrível febre o assolou e Elaene sentiu o desespero tomar conta. Gwaine estava no quarto e também observava o sofrimento do irmão.
— Gwaine, eu fiz o que estava ao meu alcance. Arthur precisa de um meistre que não esteja mal intencionado. – Disse enquanto mergulhava a toalha molhada na água, para em seguida colocar sobre a testa dele. Ouviu Arthur suspirar com o contato.
— E ele terá. Enviei homens para buscar ajuda para Arthur e os outros. – Elaene tomou um susto com o intruso no quarto atrás de si na porta. Reconheceu a voz instantaneamente, e sentiu cada gota do próprio sangue congelar.
Elaene por fim virou-se para encontrar o olhar dele. Seu coração disparou quando o olhou nos seus olhos, então desviou o próprio olhar para as mãos.
— Obrigada, Vossa graça. Você é um bom homem, e um bom rei.
— Poderia nos dar um momento, Sor Gwaine? – Robb Disse para Gwaine, que recebeu um aceno positivo de Elaene.
—Como ele está? – Disse aproximando-se da cama onde Arthur deitava, do lado oposto onde Elaene estava.
— Nada bem. Usei algumas ervas para recuarem a infecção, mas precisamos abaixar a febre dele.
Nesse instante ouviram um gemido febril de Arthur. Ele havia acordado, porém dizia palavras desconexas e sem sentido, enquanto mexia fracamente na cama.
Elaene debruçou sobre ele colocando a mão sobre sua testa. Ainda continuava mal. Sentia o Estranho, mais uma vez, rir em sua cara. Podia sentir o deus da morte dançando no quarto ao redor de Arthur. Ele queria levá-lo embora, para longe dela também.
Botou a mão no peito de Arthur e fechou os olhos, em uma prece silenciosa, para que ele ficasse com ela. Se realmente tinha poderes suficientes para lutar contra a magia negra da sacerdotisa vermelha, porque não conseguia curá-lo de uma vez?
Robb sentiu a agonia de Elaene, e não conseguiu mais sentir raiva de tudo o que havia acontecido entre eles. Por instinto, botou a mão sobre a mão dela no peito de Arthur.
— Tudo vai ficar bem, Elaene. – disse enquanto a olhava com um olhar doce, e acariciava sua mão com o polegar.
Elaene sentiu a memória de todas as vezes que Robb lhe disse isso quando eram jovens. Ele sempre lhe dava conforto, e agora, mesmo com ela ali, desesperada lutando pela vida de outro homem. Robb tinha um bom coração e ao lembrar disso, se sentiu ainda mais triste pelo futuro que não tiveram.
Sentia-se dividida entre um passado com Robb, e um futuro com Arthur.
=^=
Elaene permaneceu a noite inteira ao lado de Arthur. Deitou ao seu lado, o vigiando. Conseguiu pregar os olhos algumas vezes, mas a cada suspiro ou gemido que ele soltava, acordava alertada.
Pela manhã, Lancelot veio ver como o irmão estava. Ao notar que a moça não havia dormido e provavelmente não se alimentado, disse preocupado:
— Elaene, você precisa descansar. Acabou de chegar de viagem, está exausta. Deixe-me ficar com meu irmão.
— Obrigada, mas não sairei do lado dele. – disse botando a mão no próprio ombro, sentindo a dor aguda de tensão ali arder. — Ele está piorando, Lancelot... precisamos fazer algo, mas não sei ao certo o que devo providenciar. – disse enquanto botava a mão na testa dele, e ele gemia debilmente.
— Dê um pouco de água para ele se hidratar.
— Não! Ele está quase convulsionando, se ele tiver um ataque, pode engasgar. – disse molhando um pedaço de pano limpo na água, e apenas hidratando os lábios dele.
Porém, em meio a suspiros e palavras desconexas, Elaene o ouviu claramente dizer:
“Não me leve, Rhaegar. Não agora.Por favor.”
Lancelot a olhou confuso.
— Que diabos ele está dizendo?
— Ele está delirando. A febre está muito alta. – disse retirando os fios da franja que insistiam em ficar em seus olhos.
Robb entrou no quarto e Elaene mal o olhou, pois estava preocupada quando Arthur tornou-se mais agitado, e seus olhos viravam estranhamente.
“Não é minha culpa, eu amo sua filha, Rhaegar. Deixe-me ficar, quero salvá-la.”— Arthur dizia com voz fraca enquanto, balançava a cabeça de um lado para o outro.
Lancelot olhou Robb de lado, constrangido por estar entre os três, e pediu permissão para se retirar e repassar instruções aos seus homens.
— Elaene, venho logo saber como ele está. Por favor, me chame para o que precisar. Com sua licença, Vossa Graça. – Fez reverencia para Robb e saiu do quarto atordoado.
Arthur começou a sussurrar e agora poucas palavras faziam sentido, até que Elaene conseguiu identificar que ele disse algumas palavras em Alto Valiriano.
— Ele piorou? – disse Robb enquanto se dirigia ao lado oposto da cama onde Elaene estava sentada, perto da janela.
—S im, não sei mais o que fazer Robb. – Ela lhe respondeu com a voz embargada.
Elaene beijou a testa de Arthur e chiou em seu ouvido para que ele se acalmasse, mas Arthur começou a virar os olhos, e mexer mais impacientemente na cama adotando uma postura rígida, enquanto seu rosto, ombros e peito brilhavam com o suor.
Elaene encostou o pano molhado novamente em sua testa, tentando lutar com a temperatura, mas não teve efeito. Arthur começou a convulsionar. O movimento de seus olhos começou a ficar ainda mais frenético. Quando eles se entreabriram, apenas podia-se ver o branco pálido.
Os tremores pelo corpo começaram leves, porém foram aumentando rapidamente de intensidade. Elaene notou que seus músculos enrijeceram e sua cabeça balançava para frente e para trás. Antes que a intensidade piorasse ainda mais, Elaene colocou um travesseiro na lateral das costas dele, o fazendo ficar levemente de lado, não o deixando engasgar com secreção ou saliva.
Os tremores ficaram mais fortes e Elaene viu o olhar espantado de Robb. Ele nunca havia visto ninguém convulsionar em sua frente, tão pouco ela vira também. Porém, deveria ser forte, Arthur precisava que ela fosse forte para salvá-lo.
Deitou na cama junto dele encostando o peito em suas costas, e o abraçou leve beijando seus cabelos e dizendo palavras de incentivos baixinho, permitindo que ele não tivesse seus movimentos limitados com a aproximação dela.
Aquela tortura parecia não ter fim, e sentiu-se irritada quando viu que não controlou as lágrimas que caiam e molhavam todo seu rosto.
Repentinamente, tudo parou. Muito rápido e estranho. Estava muito calmo. Não era bom.
— Robb? – Elaene perguntou quando ele sentou mais próximo de Arthur, colocando o dedo em direção as narinas dele.
— Ele não respira, Elaene...
— O que? Não!
Elaene o deitou de costas, retirando o travesseiro que o apoiava. Sentou-se montado sobre o colo dele, e colocou o ouvido em seu peito. Nada. Havia parado.
— Droga...
— Elaene.. – Disse Robb, a tocando no ombro.
— Deixe comigo, eu sei fazer...
Fez exatamente como se lembrava de ter aprendido com o Meistre Luwin. Abriu a boca de Arthur com cuidado, e certificou-se de que não havia nada obstruindo sua respiração e soprou lhe enviando oxigênio, tapando o seu nariz.
Em seguida, começou uma massagem cardíaca pressionando firmemente o local onde Meistre Luwin havia lhe ensinado.
Fim do primeiro ciclo.
Colocou o ouvido no peito dele. Nada. Mudo.
— Vamos, Arthur. Vamos!
Iniciou outro ciclo, com respiração boca-a-boca e massagem cardíaca.
Tentou ouvir teus batimentos. Nada outra vez.
Começou a entrar em pânico.
— Droga, Arthur. Seu desgraçado. Você é um Pendragon, sangue da antiga Valíria. Reaja seu teimoso imbecil! – Disse com fúria.
Iniciou o processo novamente. Nada.
Robb esticou o braço para tocá-la mais uma vez levemente no ombro e a impedisse de continuar o desespero degradante em que estava. Chamou seu nome baixo, porém ela berrou com ele afastando sua mão, e continuou o procedimento desesperadamente.
Ela sentia as lágrimas caírem descontroladamente pelo rosto, mas manteve-se firme no propósito de salvá-lo.
— Ele se foi, Elaene... pare. – Robb lhe disse baixo.
— Essa não é a sua hora, Pendragon. Não aqui, não hoje! Você viverá para que eu presencie se tornar o homem que você nasceu para ser, ouviu? Eu te proíbo de não cumprir o que me prometeste. Se não voltar, como me disseste que voltaria, irei até os sete infernos para lhe assombrar! Entendeu? Não queira me ver irada, Arthur!
Botou o ouvido no peito dele. Silêncio.
Começou a dar socos no peito dele, cada vez mais fortes. Várias vezes em direção aquilo que seria seu coração. Sentia um misto de desespero, raiva e frustração, e não controlava os soluços de lágrimas que caiam impiedosamente.
Robb não agüentava mais ver aquilo, era demais. Sentiu os próprios olhos se encherem de lágrimas e virou-se para a janela.
No último soco, o mais forte de todos, gritou com raiva:
—Seu maldito, desgraçado. Não me deixe! Eu te proíbo.
Sentiu o peito de Arthur dar um pulo para cima, e reparou que ele encheu-se de ar novamente, como que em uma luta desesperada para ficar ali.
Parou com os socos e botou o ouvido gentilmente sobre o peito dele. A vida voltou. Ele voltou. Encostou o dedo abaixo das narinas dele, e sentiu o tão batalhado ar quente lhe coçar a mão.
Sentia-se exausta e saiu de seu colo, para ajoelhar-se no chão, próximo a ele.
— Isso mesmo, fique comigo. Por favor...
Encostou a cabeça na cama, fechando os olhos em um agradecimento silencioso, enquanto Robb olhou para trás, e notou que ele respirava novamente.
Ela havia conseguido.
Ajoelhou-se ao lado dela, e a puxou para um abraço. Elaene desmanchou em seus braços, e chorou com toda a força que ainda tinha guardado. Robb alisava seu cabelo, e a aninhava contra seu peito.
— Arthur é um homem de sorte. – Sussurrou baixinho para ela. – Como eu fui um dia. Fico feliz em saber que um dia pude receber todo esse amor que você tem dentro de si. – disse com uma voz chorosa.
Elaene respondeu, sem levantar a cabeça para encará-lo.
—Eu te amo, Robb. Nunca deixei de te amar, e nunca irei. Até que toda a neve do norte derreta, o vento leve a muralha com um só sopro, e as areias de Dorne se transformem em ouro derretido. Mas também sinto que o amo... Sinto muito por isso, mas não tinha certeza do que sentia, até agora. Não era esse o futuro que imaginei para nós dois...
— Eu sei, meu amor. Nem eu.
— Sinto tanto a sua falta... mas preciso seguir em frente. Arthur é minha única chance de ser feliz sem você. Deixe-me ser feliz, Robb!
Permaneceram em silêncio, enquanto Arthur recuperava-se na cama ao lado deles.
Fale com o autor