Queen of ice and fire
26 Recuperando fôlego
Notas iniciais

Próximo à Ponte Amarga
A visão das chamas ainda mostrava-se turva e nublada. Sabia que havia lutado contra alguma outra força naquela noite em que Renly morreu na tenda, pela sombra de Stannis que havia parido, porém não conseguia entender a extensão do que seria aquilo que havia feito seu poder se dissipar antes de matar o jovem Pendragon.
“A magia voltará, quando o salvador renascer”.
Repetia a profecia pra si mesma enquanto olhava nas chamas, mas elas apenas lhe mostravam o amuleto novamente. O amuleto que viu nas mesmas chamas, antes de vê-lo refletido no pescoço do cavaleiro leal à Renly.
Agora sabia que aquele objeto possuía algum tipo de poder. Teria de descobrir se havia alguma relação entre o objeto com o retorno da magia, ou mesmo a volta do salvador de R’hllor. Por enquanto, sabia que o jovem Pendragon era perigoso, e deveria ser eliminado o quanto antes.
Stannis não lhe daria ouvidos agora, mesmo porque estava obcecado com a chance de esmagar Porto Real. Com a morte do traidor, Stannis abraçou para si quase metade dos súditos do irmão. Casas da campina com provisões e soldados dispostas à derrubar o rei-aberração que estava na capital.
As principais casas da Campina, Tyrell e Pendragon não estavam ao seu lado, e haviam retornado para seus domínios quando anunciou-se a morte de Renly, porém ainda tinham um poderio incrível.
Viu nas chamas que Stannis não a levaria para Porto Real, com medo de demonstrar fraqueza perante os súditos e inimigos, que já sussurravam aos ventos que ele era fantoche dela, a Sacerdotisa vermelha, ou a puta de vermelho como os mais raivosos, ainda leais à Renly, a chamavam.
Não ligava. Iria cumprir seu dever em erguer o príncipe salvador, guiada pelo único e verdadeiro deus, para salvar Westeros do destino cruel nas mãos do Outro. Assim que derrubassem Porto Real, cuidaria do jovem Pendragon. Sabia que ele possuía sangue real, mesmo que de uma linhagem antiga, mas certamente serviria como uma boa oferenda à R’hllor.
=^=
Camelot
Os dias que se passaram foram difíceis. Além de ainda não terem notícias de Brienne, Arthur agora passou a ignorá-la, o que a deixou ainda mais triste.
No desjejum matinal que sempre compartilhavam, ele apenas lhe direcionava um educado cumprimento. Não fazia piadas bobas, não implicava mais com seus cachos, não lhe cutucava as costelas, e agora, mal a olhava.
Sentia sua falta.
Quando Gwen reparou o clima, e percebeu que seu plano para enfim juntar o casal com a brincadeira com o vinho, não deu certo, foi conversar com Elaene enquanto elas cavalgavam pela manhã. Chegaram até a margem do rio, e foram descendo lentamente pelo leito.
— Vai me dizer o que aconteceu naquele quarto quando saí de lá, que está fazendo vocês dois ficarem com essa tromba enorme? – Perguntou Guinevere, sem rodeios.
— Não aconteceu nada, Gwen. Apenas nos beijamos e fui para o meu quarto.
— Então porque Arthur está te evitando? Ele tentou forçá-la?
— Não! – disse Elaene espantada – Arthur jamais faria isso, você o conhece melhor que eu.
— Então o que foi que aconteceu?
Elaene parou o cavalo, para encarar Gwen.
— Ele declarou seu amor por mim. — Confessou Elaene, agora que sentia plena confiança em Gwen.
— E você não retribuiu – concluiu Guinevere.
Elaene olhou para o chão.
— A verdade Gwen, é que ainda amo Robb. Ele sempre foi o amor da minha vida. Mas Arthur mexe comigo de um jeito que eu nunca imaginei que alguém poderia, e a possibilidade de magoá-lo me deixa maluca. E sinto tanto a sua falta, que está insuportável ficar tão perto e tão longe dele!
— Elaene, Robb é passado na sua vida. Você precisa seguir em frente! Você tem um homem nobre, honrado e que lhe venera de uma forma que causaria inveja à mulher mais poderosa de Westeros. Pare de estupidez e de resistir com o que sente por Arthur. Pelos Deuses Elaene, só você não percebe o quanto está apaixonada por ele!
— Eu não sei o que sinto por Arthur, e nem o que fazer, Gwen.
— Você vai voltar para o castelo, e dizer o que sente. Confesse a ele seus medos, suas dúvidas, tudo! Ou você irá se arrepender durante muito tempo. Arthur não irá lhe esperar para sempre. E, Elaene, eu o conheço bem, nunca o vi esperar tanto por uma mulher, como ele espera por ti.
=^=
Quando chegou à porta da sala de reuniões, havia dois soldados na porta, como sempre. Elaene os ignorou e entrou determinada pela porta.
Arthur, que estava sentado lendo alguns pergaminhos levantou-se com o susto, e os soldados foram atrás de Elaene, que parou em frente à mesa em que Arthur estava, o encarando.
— Precisamos conversar, Arthur.
Arthur acenou para que os guardas se retirassem.
— Aconteceu algo? É urgente?
— Sim.
— O que aconteceu?
Elaene deu a volta na mesa, parando em frente à ele.
Arthur congelou com a aproximação repentina e a intensidade que ela o encarava.
— Não suporto mais que você me evite por toda Camelot.
Arthur olhou para baixo.
— Elaene...
— Você irá ouvir tudo o que tenho para dizer, Arthur. Certa vez em Winterfell, você tomou minha mão e botou contra o teu peito para mostrar como se sentia, assim – Elaene pegou a mão de Arthur e a botou em cima de seu decote, no lugar que estaria seu coração.
— Quando você disse que me amava, eu paralisei e entrei em pânico, sim. Só porque tenho medo de lhe magoar, de lhe ferir. Eu não esqueci Robb, nunca lhe neguei isso. Por outro lado, tenho sentimentos por você também! Você mexe muito comigo, e eu tenho medo. Você me salvou de todas as formas que eu poderia ser salva, como eu poderia não me encantar por você? Como qualquer mulher poderia não ser maluca por você? Não estou preparada para dizer o que queres que eu diga, mas posso lhe mostrar como me sinto, da mesma forma que você me mostrou aquele dia. Lembras?
Apertou a mão dele ainda mais contra o seu peito, enquanto ele fechava os olhos.
— Sente isso, Arthur? – seu coração estava disparado — Eu não sei o que significa, mas quando estou com você eu recupero minha vontade de viver. Com você, me sinto em casa de novo!
Aproximou-se e encostou a mão no rosto dele, nunca retirando a mão contra o peito, enquanto ele ainda mantinha os olhos fechados, como se estivesse em uma luta interna silenciosa.
— Eu não sei qual nome dar a isso. Mas quero descobrir o que sinto por você- Disse sussurrando as últimas palavras minimamente próximas dos lábios dele — com você... Ainda me quer?
Quando sentiu que ele estava vacilante, encostou lentamente seus lábios nos dele, sugando o inferior delicadamente. Ele permaneceu imóvel com os olhos fechados, e não ouviu-se nada, exceto o som de sua respiração que estava mais áspera.
Soltou a mão dele contra seu peito, e passou os braços pelo pescoço apertando o abraço, aproveitando que ele estava com os lábios entreabertos para explorar melhor sua boca. Arthur continuou impassível, e Elaene teve medo de ser tarde demais.
Terminando o beijo, selou os lábios dele contra os seus em uma despedida velada. Quando o olhou, ele enfim abriu os olhos, e os seus azuis estavam nublados. Pensou que ele a afastaria, então retirou os braços de seu pescoço sob seu olhar penetrante, e girou os pés para ir embora dali.
Porém, sentiu o braço dele lhe puxar de volta, e bateu com força contra o peito. Arthur lhe tomou a boca com um suspiro de redenção, e com as mãos nas costas dela a puxou para si, aprofundando o beijo e explorando a boca dela, enquanto Elaene puxava seus cabelos com força, utilizando os dedos.
Beijaram-se com voracidade, e ele sentia os gemidos dela em sua boca. Arthur empurrou os pergaminhos e o tinteiro que estavam na mesa para o chão em um movimento rápido e preciso, sem interromper o beijo.
Desceu as mãos das costas dela para suas coxas a empurrando para cima, enquanto Elaene instintivamente as laçou contra a cintura dele no momento em que era depositada sentada em cima da mesa.
Arthur puxou Elaene contra seu corpo com uma mão, e a outra passou na nuca dela, a segurando pelos cabelos em um sinal de desejo. Elaene sentia-se sem fôlego, e interrompeu o beijo procurando por ar, enquanto ele lhe mordiscava o pescoço.
Tentando recuperar a calma, Arthur depositou beijos molhados no pescoço dela, e quando parou para encará-la, ela lhe olhava com olhos quentes.
A respiração dela estava descompassada, e Arthur não conseguiu evitar notar que seu colo movimentava rapidamente para cima e para baixo sob o decote convidativo que ela usava, enquanto tentava recuperar o fôlego.
— Isso responde sua pergunta, Lady Arryn? – Disse a encarando com um olhar intimidador, para em seguida puxar o lóbulo da orelha dela na boca, tendo apenas um leve puxão de cabelo como resposta, e um gemido suave vindos de sua boca entreaberta.
— Ainda não lhe ouvi. — perguntou novamente, dando uma leve mordida no ponto sensível do pescoço, seguido de um leve chupão.
— S-Sim. – respondeu fracamente, não mais que em um sussurro.
=^=
Correrio
Brienne havia conseguido chegar em Correrio a salvo. Alcançara o Castelo e tentava convencer o capitão de guarda a convocar o Rei do Norte para uma reunião com ela.
Porém, o grande desafio da mulher, era descobrir se seria seguro ou não revelar ali, sobre quem era de verdade. Havia dito que era uma cavaleira de Camelot, a julgar pelas roupas masculinas com um desenho do brasão do dragão branco no peito. Estaria ali em Correrio em nome de Arthur Pendragon, e precisava da audiência com Robb Stark.
Apesar de suas investidas, o capitão da guarda ainda não havia permitido nem ao menos que Robb Stark fosse avisado de sua chegada. Ele lhe indagava e a pressionava, e ela se sentia cada vez mais encurralada sobre os seus reais motivos em estar ali.
Precisava de algo concreto para convencê-lo, porém sem revelar algo mais do que seria prudente e seguro. Colocou a mão no bolso e segurou o objeto nas mãos, pensando em como utilizá-lo para chegar até Robb Stark.
Observou uma mulher dentro do portão interior do castelo onde estava. A mulher tinha cabelos vermelhos e olhos azuis e cansados. Quando notou que estava gesticulando com o capitão da guarda, ela veio ao encontro do portão.
—Sor Emmet? O que esta mulher desejas? – disse olhando curiosa para Brienne, ao perceber tratar-se de uma mulher com o Brasão dos Pendragons.
—Esta senhora vem até Correrio, supostamente em nome de Arthur Pendragon para uma audiência com o Rei. Porém, não quis me adiantar sobre o que se trata. Se eu liberasse todos que procuram o Rei, ele passaria todo o seu tempo atendendo a essas pessoas. Sinto muito, mas não posso ajudá-la.
Catelyn olhou para a mão de Brienne e gelou. Reconheceu o amuleto de Elaene, aquele que a garota havia dado ao filho há muito tempo atrás. Não sabia que ele havia devolvido o objeto à ela, mas achou muito sensata a atitude do filho. Ele deveria esquecê-la a qualquer custo.
Porém, agora sabia que aquela mulher ali em sua frente, traria alguma notícia de Elaene. Precisava descobrir o que era, antes de Robb.
—Sor. Emmet, permita que essa senhora entre. Concederei uma audiência a ela.
—Mas senhora, o Rei não voltará essa semana... – Disse o homem quase cochichando para Catelyn.
—A mãe do Rei deve ser melhor do que nada para esta mulher. Por favor, mande um dos seus homens acompanhá-la até a sala de reuniões.
Catelyn a observou entra na sala, atrás da mesa, e gesticulou para que ela sentasse.
— Permita-me finalmente me apresentar, sou Brienne de Tarth – Disse fazendo reverencia a senhora em sua frente — Lady Stark, agradeço imensamente vossa ajuda. Realmente preciso falar diretamente com o Rei.
— Lady Brienne, meu filho não está presente, espero poder lhe ajudar, pois de outra forma, tua vinda até Correrio terá sido inútil.
Brienne abaixou a cabeça pensando, e decidiu que poderia confiar na mãe de Robb Stark.
— Minha Senhora, venho não apenas em nome de Arthur Pendragon, mas também em nome de Elaene Arryn, antiga protegida de vosso marido.
— Sim...continue – Disse Catelyn com olhos curiosos.
— Creio que as noticias sobre as circunstâncias da morte de Renly Baratheon chegaram até Correrio. Não sei quais são essas circunstâncias, mas adianto-lhe que nem eu, nem Arthur tivemos qualquer envolvimento com a morte do Rei. Fui-lhe fiel com toda a minha alma, e teria dado minha vida para que a dele fosse poupada.
— Brienne, qual o envolvimento do Rei do Norte com esse assunto?
— Elaene Arryn foi uma pessoa muito boa e gentil comigo. Minha gratidão por ela e Arthur é imensa. Eles me enviaram até aqui, para que eu servisse aos propósitos de Robb Stark, em nome da amizade entre ele e Lady Arryn.- retirou o amuleto do bolso, mais uma vez, e botou em cima da mesa – creio que a senhora reconhece esse objeto, e certamente o rei do norte reconhecerá e estará convencido de meus propósitos quando o vir. Quero os servir, em nome de Elaene e Arthur, e honrar o nome de meu Rei ao Sul, ajudando a derrubar o fraticida traiçoeiro chamado Stannis. – Disse fazendo mais uma vez, uma reverência.
Catelyn olhou para o objeto em cima da mesa, e para a mulher em sua frente, os analisando.
— Lady Brienne, irei lhe fazer um pedido. Entregue-me o amuleto, e ele estará nas mãos de Robb assim que ele chegar à Correrio. Agradeço vossa pretensão em servir, mas peço para que volte apenas quando eu mesma conversar com meu filho. O assunto é delicado, estamos tratando de um suposto regicídio. Permita-me alertá-lo sobre sua visita e pretensão primeiro. Volte daqui algumas semanas.
Brienne ajoelhou-se em sinal de agradecimento.
— Muito obrigada, Lady Stark. Fico plenamente grata! Sei que já seria abuso, mas também preciso encontrar Merlin Reed.
Catelyn suspirou levantando-se da cadeira
— Foi embora do castelo há alguns dias. Ouvi falar que está em alguma estalagem entre as terras fluviais e a campina. É tudo que sei.
— Obrigada, Lady Stark. Obrigada!
Quando Brienne foi embora em busca da estalagem mais próxima, a observou partindo, da guarita do muro externo do castelo.
Continuou sem caminho pelos muros do castelo, até encontrar a face ao leste, onde o rio corria batendo nas paredes da muralha do castelo.
Observou as águas profundas lá embaixo, e retirou o objeto do bolso.
"Você tem de sumir da vida dele, Elaene" pensou.
Segurou-o por uns instantes e o soltou, observando-o cair e sumir entre as águas agitadas do rio.
=^=
— Robb, passaram-se vários dias sem que Theon dê notícias. É hora de admitirmos, ele nos traiu. – Disse Catelyn com um olhar cauteloso para Robb.
— O que posso fazer por agora, mãe? Só nos resta cuidar de nossos interesses mais imediatos, e assim que terminarmos com os Lannisters, acertarmos nossas diferenças com Greyjoy. – Disse Robb enquanto seu escudeiro Frey terminava de apertar sua placa da armadura.
— Majestade! Seu tio Edmure enviou um mensageiro com urgência até nós. Segundo sua mensagem, ele e seus homens conseguiram capturar alguns membros da família Lannister próximo a Dente Dourado, porém estão cercados na Vila d’ouro. Ao que parece, foi encurralado contra as montanhas por soldados de Gregor Clegane.
— Maldito! – disse enquanto socava a mesa com força, fazendo o escudeiro dar um passo para trás. – Eu o alertei para não prosseguir tão ao Sul. No que ele estava pensando?
— Edmure é impulsivo Robb, eu lhe avisei. Mas não importa, é nossa família. Precisa resgatar teu tio! – disse Catelyn com súplica no olhar.
— Se caminharmos mais ao sul, os Lannisters nos encurralarão também... Preciso pensar. – Disse botando as mãos no rosto enquanto sentava na cadeira, soltando uma bufada de ar cansada. — Pode se retirar Sor. Flint. – Dirigiu-se ao mensageiro.
— Talvez não precises marchar de Correrio, Robb – aproximou-se botando a mão em seu ombro.
— O que queres dizer?
— Você possui um aliado próximo à vila. Faça ele ir até Vila D’ouro, se quiser restabelecer a aliança.
“Pendragon”.
=^=
Arthur entrou no salão para a reunião com o pai e Lancelot. Uther sentava na ponta da mesa, e Lancelot próximo a ele. Sentou-se em frente à Lancelot e notou que o pai olhava impacientemente para o papel em sua mão.
— Arthur, chegou essa manhã uma carta de Correrio. – Arthur sentiu um nervosismo ao pensar em Robb, como se fosse um fantasma à atormentá-lo, justo agora que estava conquistando Elaene.
— Robb Stark pede nossa ajuda para defender Vila D'ouro. Sor Clegane e seus homens cercam Edmure Tully nesse momento. O tio do garoto foi ambicioso demais ao se aventurar tão próximo aos leões...
— O que faremos?
— Não somos aliados de Lannisters, nem Tyrells, e muito menos de Stannis. Só nos resta aliarmos aos Nortenhos. Possuo um plano muito ambicioso em mente, porém precisava de mais tempo para articular. – Disse passando a mão pelo queixo. – Poderíamos fazer a mesma proposta que Renly teria com Robb. O rei lobo pode ter o norte, enquanto tenhamos o sul.
— Você não acha que seria um passo muito maior do que poderíamos dar, pai? Com quais alianças controlaríamos o sul?
— Vale e Dorne. – disse com seus estranhos olhos de cada cor, brilhando.- Ambos odeiam os Lannisters. Dorneses e nós, dividimos antipatia pelos Tyrells, além disso, poderíamos colocar Elaene como a Senhora do Ninho da Águia, para vingar a morte do protetor do Vale.
Arthur sorriu com escárnio.
— Os senhores do Vale são leais à Lysa Tully. Jamais fariam acordo conosco.
— Você está enganado, Arthur. Os Senhores do Vale sabem o quanto o garoto Arryn é fraco e doente. Sua mãe é uma maníaca perturbada. Elaene também é filha de Arryn – disse com um olhar que sugeria para não comentar sobre a verdade na frente de Lancelot. – e melhor habilitada para liderá-los. Deveria governar o Vale como tutora do meio-irmão.
— Você acredita que eles apoiarão Elaene Arryn, para irem para a guerra? – Sugeriu Lancelot.
— Irão. Precisam apenas de um motivo.
=^=
Ficou a observando alguns instantes de longe, enquanto ela e Gwen estavam sentadas embaixo da árvore e degustavam a fruta. Gwen disse algo que a fez rir e jogar a cabeça para trás e não pôde evitar em sorrir junto com a cena.
Quando notaram sua presença, por fim aproximou-se.
— O que há de tão engraçado, minhas Ladies?
— A vida, Arthur. A vida! – Disse Gwen com um olhar divertido se levantando junto com Elaene – E por falar nisso, deixem-me cuidar da minha. — saiu dando privacidade aos dois, já que sabia do envolvimento entre eles.
Arthur e Elaene olharam para os lados procurando algum olhar curioso. O jardim onde estavam dava para as costas das janelas inferiores do castelo. Decidiram manter o romance em segredo, pelo menos por enquanto. Arthur tinha motivos a mais para evitar chamar a atenção para os dois: seu pai e suas ambições.
Ele a segurou pela cintura de uma vez, a fazendo soltar um gemido de susto, seguido de um riso manso, enquanto ele os escondia das janelas, atrás da árvore, encostando as costas dela contra o tronco.
Arthur a beijou sentindo o gosto suculento da manga em sua boca, deslizando a língua pelos lábios dela, enquanto ela passava os braços por seu pescoço.
— Pelos Sete... deliciosa... – sussurrou em seu ouvido, arrancando outro riso dela.
— Você é um incorrigível, Pendragon. – disse sussurrando enquanto ele encostava a testa na dela.
Ainda com a testa encostada na dela, continuou.
— Vim me despedir...
— O que? – disse Elaene arregalando os olhos com surpresa.
— Liderarei meus homens até Vila D'ouro.
— Porquê? Não entendo...
— Quebraremos o cerco que Gregor Clegane montou contra Edmure Tully, tio do Rei do Norte. Pronunciou tudo com cuidado, e notou a expressão dela vacilar quando se referiu à Robb.
— Retomarão aliança com os nortenhos e os Senhores do Rio?
— Sim...
— Irei contigo!
— Elaene, meu pai me enforcaria de bom grado se você fizesse isso. Portanto, se realmente nutre afeição por mim, fique em Camelot. Ele a tomou como protegida, não o desafie, por favor.
Notou ela abaixar o olhar para o chão, e sentiu a melancolia tomar conta dela. Segurou o seu queixo para levantar o olhar para o seu.
— Tudo bem?
— Não queria que partisses para a guerra. – disse com um olhar choroso.
Arthur sorriu-lhe e segurou sua mão para beijá-la.
— É meu dever, meu amor. Ficarei bem, prometo.
—Lembre-se de sua promessa, Arthur. – disse intercalando beijos suaves nos lábios dele – Volte para mim.
=^=
Quando partiu de Camelot, a viu observando ele partir, da torre de vigília. Agora tinha um motivo a mais para querer sobreviver à guerra. Botou a mão no pescoço e deu por falta do amuleto.
Os deuses possuíam algum senso de humor irônico, pensou Elaene. Arthur partia para salvar o tio de Robb. Aquele homem com quem partilhou por vários anos de sua vida, seus planos, medos e sentimentos mais profundos.
Elaene fechou os olhos quando os homens de Camelot sumiram no horizonte.Pediu proteção aos deuses. Por Arthur, por Robb e por Arya, aonde quer que estivessem.
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