Queen of ice and fire
48 Príncipe prateado
Notas iniciais

Os oficiais já o chamavam na entrada da tenda que dividia com Elaene, pois o dia já estava claro no horizonte. Elaene lhe entregou seu elmo, e ele a puxou pelo braço, depositando um beijo suave em seus lábios.
Elaene suspirou, quando ele encostou a testa na sua.
— Fique junto da guarda pessoal e se mantenha atenta. Se algo der errado, não hesite em fugir. Use a rota que combinamos e leve seu arco. Não olhe para trás até que esteja segura. – disse baixo e firme, respirando fundo para prosseguir. — Não sei por que confia em Loras, e nessa loucura sobre ele querer te proteger, mas espero que não esteja enganada sobre ele. De qualquer forma, confie apenas nos homens de Camelot.
— Ele me pediu autorização para deixar a guarda e participar da batalha. Não se preocupe comigo, Arthur...
Arthur franziu a sobrancelha, desconfiado com a devoção que agora Loras lançava sobre Elaene, e pela reação dela em agir como se aquilo fosse algo normal.
— O que nos espera em Porto Real? Esse silêncio me apavora... – perguntou Elaene, mudando de assunto.
— À mim também... – respondeu ainda com a testa colada na dela
— Você sabe que encontrará Jaime, Tyrion, e outros amigos lá, não é?
Ele enfim levantou o olhar para encará-la serio.
— Sim.
— Você tem um bom coração, Arthur. Eu o amo por isso. – disse o encarando firme — Mas eu quero que você se proteja, fui clara? Se tiveres que escolher entre você e eles, escolha você. Você, eu e nosso filho. – beijou os lábios dele, e sentiu que ele estava tenso – você prometeu que voltaria, não ouse não cumprir com sua palavra agora!
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Assim que avistou a grande e populosa cidade, sentiu o estômago dar nó com o nervosismo que o domou. Arthur sabia que seria uma batalha dura e possivelmente demorada. A cidade, além de seu formato desordenado fora e dentro de seus muros, comportava algumas muralhas em seus níveis internos, e possuía sete grandes portões reforçados. Nada estaria ganho, até que tomassem a Fortaleza Vermelha e entrassem no castelo de Maegor.
Tywin e Tyrion eram astutos, e sabendo da proximidade do exército inimigo, tramavam algo. Porém, esse era o grande trunfo e desvantagem para inimigos e aliados, paradoxalmente. Ambos os lados se conheciam bem.
Do topo da colina de onde estava, e de onde já via os primeiros casebres alojados fora da primeira muralha, Arthur já podia sentir o fedor conhecido da capital, e ainda assim, o estranho e apavorante silêncio que brotava de lá.
Viu Oberyn se aproximar com as últimas informações dos batedores e dos espiões na cidade.
—Novidades fresquinhas, dragão. – disse o Dornês ironicamente sorridente e entregou o papel para Arthur ler. Instantaneamente o semblante do Pendragon se fechou em uma carranca preocupada – você realmente achou que seria assim tão fácil? — provocou Oberyn.
Robb se aproximou, notando o silêncio de Arthur, que entregara o papel ao pai.
—O que aconteceu? — perguntou o nortenho.
—A realeza fez um acordo com o Banco de Ferro de Bravos, às pressas. Milhares de mercenários das cidades livres, aportaram na cidade nos últimos dois dias. –Arthur respondeu com uma voz monótona.
— O que? Não entendo... se realmente houve um acordo dessa magnitude, deveria ser embasado com juros exorbitantes... Os Lannisters realmente possuem recursos para honrar tamanha dívida? – perguntou Robb com a sobrancelha franzida em confusão.
— Não sabemos quanto ouro ainda possuem em Rochedo Casterly. Eu diria que a coroa já possui uma dívida monstruosa, e emprestar para quem já está com a corda no pescoço, não é uma atitude sensata – respondeu Uther, ao lado do filho.
— O que faremos, prosseguimos com o plano? – perguntou Robb.
—Theon já está a postos. Não podemos perder esses navios. Seguimos... – respondeu Uther e Arthur olhou de lado para Robb, dando sinal de que tinha receios.
=^=
Marchavam em fileiras maciças, rentes ao litoral, e já avançavam pelos primeiros casebres da capital. Humildes casas feitas de madeira e muito entulho. O local, como já esperado, estava vazio. As pessoas procuraram abrigo dentro dos muros da cidade, e isso acentuava a fome pela crise de abastecimento.
Robb olhou pra cima e já observou o movimento dos inimigos dentro dos muros, e seus arqueiros posicionados nas torres de defesa.
Porém, os homens da Capital já avistaram os navios no horizonte e tudo se tornou um caos a seguir. A frota real estava a postos, mas os navios inimigos eram a maioria. Grandes estrondos se ouviram do mar.
As catapultas se movimentavam tanto em direção aos invasores em terra, quanto em direção aos invasores marítimos.
Os aliados avançaram com os aríetes contra Portão de Ferro, e a chuva de flechas derramou sobre suas cabeças.
Chamas e sangue.
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Quando entrou na tenda, Merlin segurava uma caneca pintada em branco, e parecia analisar o borro que o chá havia formado no fundo do recipiente. Incrivelmente, parecia alheio ao caos tão perto.
— Merlin? – o chamou anunciando a sua chegada, mas o rapaz apenas acenou para que ela se aproximasse, sem nem mesmo retirar o olhar do que via na caneca.
—Como você consegue permanecer tão calmo diante disso tudo? Eu não lhe entendo, Reed...
—Eu não estou calmo, Elaene. Mas a serenidade pertence àqueles que possuem fé no destino.
—Triunfaremos? – perguntou ansiosa – Diga!
—Você sabe a resposta, melhor que eu. Você está mais poderosa a cada dia que passa...
—Eu não sonhei, eu não sei nada sobre isso!
—Você não precisa mais de sonhos...
Merlin colocou o borro de chá na direção de seu olhar e então Elaene ficou fora de si por alguns instantes.
Havia uma cidade em chamas, e as pessoas corriam para tentar avançar sobre os portões inferiores, porém, não eram abertos. Catapultas lançavam pedras há vários metros à frente, e na baía havia um confronto. Alguns homens ainda pulavam de seus barcos, ferozmente, enquanto uma guarda trajada de dourado tentava impedi-los.
Em um instante, estava dentro do que só poderia ser a Fortaleza Vermelha. Viu Arthur subir uma escadaria de mármore, e soldados abatidos em sua volta. Quando abriu um pesado portão de madeira, viu vários corpos mutilados sobre o chão. Exatamente como sonhara certa vez em Winterfell.
Com um impulso involuntário, Elaene deu um tapa na caneca, que caiu sobre o chão e se espatifou, mas ela ainda rodava a imagem dos corpos em sua cabeça, e sentiu o chão girar sob seus pés, antes de correr para fora com a mão na boca, tentando segurar o vômito.
Elaene sentiu-se mal o resto do dia. O fruto que crescia em seu ventre, não parecia ter ficado satisfeito com a ansiedade que lhe tomava, e a obrigou a jogar o conteúdo de seu estômago para fora, várias vezes.
Gwen segurava sua cabeça, e usava um pano úmido para delicadamente secar seu suor na testa e nuca.
—Deuses... – gemeu com o enjoo, sentindo-se bamba.
Gwen riu descontraída, mas estava tão nervosa quanto à amiga.
—Não se preocupe, Elaene. Daqui há algumas luas, isso irá melhorar.
—Não são meus enjoos que me perturbam, Gwen. – disse triste, voltando a se apoiar no tronco de árvore, enquanto conseguia abrir os olhos – eu acho que nunca irei me acostumar a ser a mulher de um guerreiro. Toda vez que ele parte, sinto como se levasse um pedaço de mim, que nunca mais será preenchido caso ele não volte.
—Você irá se acostumar, Elaene. Arthur entrará em Porto Real como um príncipe, e em breve, se tornará um rei. Ele tem deveres a cumprir, assim como você terá, quando se tornar rainha!
Elaene sentiu o estômago rodar outra vez, ao se dar conta do que estava em jogo com aquela batalha.
—Dê-me uma trégua, garoto... – disse gemendo, pousando a mão no ventre.
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Haviam avançado sobre o portão de Ferro. Ironicamente, os homens de Ferro haviam facilitado a invasão por aquele portão. Os navios ancoraram na baía próximo ao portão e derrotaram parte da patrulha da cidade ali, abrindo passagem para os aliados pelo portão. Não tiveram dificuldades para destruírem as catapultas posicionadas nas torres e o inimigo seguiu recuando para os muros inferiores.
Avançavam ferozmente, porém, estranhavam o fato de terem encontrado apenas os homens Lannisters e a patrulha da cidade. Não havia sinal dos mercenários de que tiveram notícia.
Quando alcançaram os portões da Fortaleza Vermelha, se surpreenderam com os novos aliados que ali encontraram, e que haviam derrotado as defesas do castelo, abrindo o portão para o exército invasor marchar até a Fortaleza de Maegor: Jon Connington, na liderança dos mercenários da Companhia Dourada.
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Os aliados acreditavam que deveriam deixar o destino do corpo de Joffrey nas mãos de Robb, em nome da justiça por Ned Stark, e procuravam desesperadamente pelo rei bastardo.Souberam que fora mortalmente ferido por um dos mercenários que julgava serem seus protetores, e ainda que Tywin Lannister e alguns de seus homens, conseguiram fugir através de navios pelo outro lado da baía, no Água Negra.
A confirmação da morte de Joffrey e prisão de Cersei e seus filhos frutos de relação incestuosa, seria a garantia da tomada do poder, sem questionamentos.
Robb caminhava pelo Castelo de Maegor, e sentia o coração querer saltar pela boca. Era tudo o que desejou pelos últimos meses. Quando conseguiram botar abaixo o portão do grande salão de refúgio, percorreu o local com os olhos, tentando identificar na penumbra as figuras no chão.
Instintivamente botou a mão na boca se poupando do mal cheiro que já surgia no local. Havia dezenas de corpos que pareciam ter sido mortos pelos próprios inimigos, todos de mulheres e crianças, que julgou serem as companhias da rainha e membros da Corte.
Quando seu olhar encontrou o de Cersei Lannister, estava sentada no canto do salão e tentava obrigar um garotinho loiro de bochechas cheias, que julgou ser Tommen, a ingerir um líquido. Seu olhar era vazio e insano quando lhe reconheceu.
—Solte-o, agora! Não lhe machucarei, Cersei. Não faça nada estúpido. — disse enquanto os homens se aproximavam com cautela.
O garoto rebatia, porém, a mãe segurou seu pescoço com força, e forçou o líquido a descer pela goela abaixo.
Robb se aproximou rapidamente por puro instinto, empurrando-a sem cuidado para o lado, e tomando Tommen nos braços. O garoto tossia e começava a ficar com o rosto roxo.
—O que você fez com ele? — gritou para Cersei, em desespero.
O nortenho se pôs em um joelho e deitou Tommen de bruços em seu colo na outra perna, e enfiou o dedo na goela do garoto, o obrigando a jogar o líquido fora. Por fim, o garoto expulsou o conteúdo e voltou a respirar, ainda que com muita dificuldade.
Notou um vulto em sua direção e teve tempo de empurrar Cersei com o cotovelo. Ela portava uma adaga e quando notou que não conseguiria atingi-lo, serrou os próprios pulsos, sendo contida pelos soldados..
Robb colocou o garoto desmaiado nos braços, e girou para sair em busca de ajuda, mas no caminho esbarrou em um corpo que lhe chamou a atenção.
Se não fosse pelo aspecto pálido e as marcas fruto de suas próprias unhas em seu pescoço, diria que estava dormindo. Era o único corpo livre de marcas de violência. Possuía cachos dourados e brilhantes, pertencentes à uma garota bonita que conheceu em Winterfell, há tão pouco tempo. A mesma garota que havia lhe dito, inocentemente, que se casaria com ele quando crescesse, e lhe daria lindos príncipes.
“Myrcella.”
A rainha, enfim, enlouquecera.
=^=
O lendário espadachim estava encurralado em uma sala da Fortaleza de Maegor. Jaime Lannister ainda usava sua armadura de membro da Guarda Real, e de sua capa pingava sangue, a manchando de tons vermelhos e rosados.
Jaime girava a espada em volta de si, avisando para que ninguém se aproximasse, enquanto vigiava o corpo de seu filho bastardo, Joffrey. Arthur viu que o garoto tinha sido degolado, anunciando que foi morto em uma emboscada feita pelos mercenários.
Quando Jaime encontrou o seu olhar, Arthur o sentiu vacilar por um instante, mas logo recobrou a postura e cerrou a mandíbula em fúria, em direção ao antigo amigo e seu outrora escudeiro.
—Jaime... As coisas não precisam ser assim. — disse Arthur se aproximando com cuidado. — Vamos, por favor...
—Já estou morto de qualquer forma, e você sabe disso. Não há outro jeito. Sinceramente, o papel de traidor não lhe cai bem, Pendragon – disse o nome dele com escárnio.
Arthur ignorou a ofensa.
—Renda-se, Jaime. Olhe em sua volta, acabou...Não quero lhe matar.
Jaime riu sarcasticamente.
— Bem que você queria ter essa habilidade, não é? — disse provocando Arthur — Se aproximar mais um passo, arranco sua cabeça em um piscar de olhos.
—Tommen ainda vive. Ele precisará de você. Eu intercederei por você em seu julgamento, confie em mim. Deixe a espada no chão e se renda.
Jaime lhe sorriu como se não importasse com o filho, e Arthur conversou com ele pelo olhar. Arthur sabia o que viria a seguir, e notou o pedido de desculpas no olhar do amigo, antes do movimento.
“Se tiveres que escolher entre você e eles, escolha você. Você, eu e nosso filho.” Lembrou-se.
Jaime avançou em sua direção com um impulso rápido e preciso, porém, Arthur foi ainda mais rápido. Desviou a lâmina que vinha em sua direção para o lado, e cravou sua espada nas entranhas do amigo, bem onde sua armadura era desprotegida, e a girou em seguida.
Ouviu o grunhido de Jaime e o barulho da espada que ele empunhava cair no chão, mas quando retirou a sua, o amigo estranhamente lhe sorria.
Sentiu que Jaime iria desabar no chão, e viu de relance os homens se aproximarem assustados, mencionando massacrar o Lannister.
—Fiquem longe! – ordenou enquanto ajeitava Jaime em seu colo, sentando no chão, e chutando a espada dele para longe.
Botou a mão em seu ferimento, e constatou que era fatal.
—Eu lhe ensinei muito bem, seu filho da puta. – Jaime disse baixo, porém, ainda sorria. O mesmo sorriso que tanto dividiram, naquela mesma cidade, enquanto Arthur crescia e se tornava o grande cavaleiro que era. Graças à Jaime.
Arthur sentiu os olhos encherem de lágrimas, e não sentiu-se envergonhado em demonstrar a dor que sentia ao matar seu próprio tutor. Jaime o conhecia bem e sabia que ele sofria, então puxou o braço dele para que o abraçasse com força.
—Sempre emotivo, Arthur... Está tudo bem, Pendragon. Não dói... – Jaime lhe consolou, mas Arthur não conseguiu mais segurar o soluço que estava preso – Poupe meu irmão... interceda por ele e não chutarei seu traseiro quando nos encontrarmos nos sete infernos! — suspirou com a respiração frágil — Morrer pelas lâminas de um talentoso espadachim, é uma boa morte. Mais do que mereço.
Jaime não havia pedido clemência pelos filhos e nem pela irmã, e Arthur concluiu que ele sabia sobre o plano de Cersei em matar seus filhos e cometer suicídio para não serem capturados.
—Eu sinto muito... – disse em um fio de voz e pensou que Jaime fosse o xingar, mas ao invés disso, Jaime continuou sorrindo, enquanto seus olhos ficavam cada vez mais opacos.
—Eu sei... eu sei... – Jaime o consolou tocando seu braço fracamente, e logo soltou seu último suspiro antes de mergulhar no abismo sem fim.
=^=
Jon Connigton era um homem que deveria ser um pouco mais novo que Uther. Possuía olhos cinzentos e cansados, uma pele bronzeada e cabelos e barba pintados de um azul Royal, enquanto sua raiz ruiva teimava em aparecer.
— Uther Pendragon... – suspirou o homem, enquanto segurava a mão do agora, novo Rei, em cumprimento.
—Jon Connington. Há quanto tempo não tínhamos notícias suas do exílio... julgava já ter encontrado os braços da Mãe, no Outro lado.
— Ainda não, caro Pendragon. Tenho minhas pendências para resolver.
Arthur sentiu a tensão no ar como uma navalha. Sabia bem qual fora a última vez que Uther e Jon se encontraram. Exatamente na rebelião de Robert, quando o pai ajudou o exército rebelde a caminhar pelo sul.
Jon era grande amigo e venerava Rhaegar, e saber que o pai ajudou a levar a destruição dele, não ajudava a tranquilizá-lo ao ver a troca de olhares acusadores que os dois lançavam ao outro, naquele reencontro.
Mexeu desconfortavelmente na cadeira, e julgou se seria seguro que tivessem aquela conversa em particular, naquele pequeno salão da Fortaleza de Maegor, como faziam agora.
— Sor Connington, não me interprete mal, acho sua intervenção e facilitação para a derrubada do falso rei, uma atitude incrivelmente inestimável. Seremos gratos por isso. Mas não entendo o que aconteceu aqui, senhor... Foi nos dito que a coroa havia conseguido outro crédito com o Banco de Ferro de Bravos e contratado mercenários...
—Sim, é o que se ouviu. E sim, é o que o rei pensou. – suspirou levemente – sabemos que o Banco de Ferro jamais perdoaria as lambanças que a coroa provocou. Não fora o Banco de Ferro quem nos contratou, óbvio. Não que eles estejam exatamente tristes com o golpe dado aqui — Jon se aproximou perigosamente de Uther, e Arthur tencionou ainda mais na cadeira – Estamos aqui por outro motivo.
Uther o olhou confuso, mas não via perigo no olhar de Jon.
— Por que vieram?
— Viemos pela princesa.
— Myrcella ? – perguntou Uther, confuso.
Jon riu friamente
—Não. Viemos pela filha de meu príncipe. Viemos pela filha de Rhaegar, Uther.
Arthur sentiu o coração disparar e arregalou os olhos em susto, não se controlando enquanto levantava da mesa e ia em direção à Jon.
— O que você disse?
Jon lhe olhou de lado, ainda com os olhos calmos e frios.
—Você não me ouviu direito, garoto? Viemos pela filha de Rhaegar. Aquela que vocês esconderam e disfarçaram como Elaene Arryn.
Arthur sentiu o sangue ferver ao pensar que aqueles mercenários vieram para executar Elaene.
— Seu desgraçado, jamais entregaremos Elaene à vocês! — disse com a mandíbula travada e aproximando o rosto perigosamente próximo à Jon — Se encostarem um dedo nela, se ao menos chegarem próximos dela, eu juro pelos Sete que penduro cada uma de vossas cabeças ao redor da Fortaleza Vermelha, e deixo os corvos banquetearem com seus ossos! — concluiu ameaçadoramente.
Jon sorriu discretamente de lado, enquanto Uther afastava o filho com um braço.
— Você me entendeu errado, garoto. – disse Jon incrivelmente paciente – não viemos matar a princesa. Viemos servi-la.
Virou-se para Uther para continuar.
—Não falharei com meu príncipe prateado outra vez, Pendragon – disse tristemente, se referindo a Rhaegar Targaryen.
—Servi-la? — Arthur sentiu a cabeça girar e esfregou o rosto com a mão — Elaene não sabe... – disse baixo, quase como em um suspiro.
Jon riu sarcasticamente e o encarou com olhos desafiadores
—Ah... mas é claro que não sabe! – disse Jon, maliciosamente.
—Você não entende! Corríamos perigo, ela corria perigo. Não poderia simplesmente anunciar uma suposta herdeira Targaryen em meio à uma rebelião. Quantas pessoas gostariam de ver sua cabeça pendurada em uma estaca? Quanto ouro os Lannisters ofereceriam pelo teu sangue? Como poderia provar o que dizíamos?
Uther permanecia calado, analisando o diálogo e as intenções de Jon.
—Você tem um bom ponto, garoto. – disse levantando a sobrancelha – porém, assim que a rebelião se dissipar, e creio que isso seja muito em breve, o trono deverá ser entregue à sua herdeira.
—Não me chame de garoto... — pediu friamente.
—Há algo em você... – disse Jon inspecionando o rosto de Arthur – uma chama em seus olhos, que não vejo em nenhum outro Pendragon. Consigo ver Igraine, sua mãe, através desse seu azul da cor de céu – olhou de lado para Uther, lançando a indireta – eu vejo sinceridade neles. E que os deuses me perdoem, vejo amor pela princesa. Venho vigiado Elaene de longe...
Arthur franziu a sobrancelha em confusão.
—Também tenho meus passarinhos, Arthur. – chamou-o pelo nome, e Arthur sentiu-se grato. – Soube que, aparentemente, Elaene tem um casamento feliz e que a salvou quando o bastardo Bolton os sequestraram perto de Harrenhal. Por isso, deixarei em suas mãos a tarefa de lhe contar a verdade. — virou o corpo para ficar completamente de frente à Arthur, e encará-lo mais profundamente — Se descobrir que você a usou, exatamente como Uther o faria, nem mesmo os olhos de sua mãe lhe salvarão, Pendragon.
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