Queen of ice and fire
49 Machuque-me
Notas iniciais

— Robert usurpou o poder da família Real, e Elaene Targaryen é herdeira do trono. Simples assim. — insistia Jon.
— Você realmente acha que Elaene é herdeira do trono apenas por ser filha de Rhaegar? O que essa garota sabe sobre reinar? Quem atravessou Westeros em seus quatro cantos lutando pelo melhor do reino, fomos nós! Além disso, Elaene agora é uma Pendragon!
— Eu o conheço muito bem, Uther. Suas articulações, sua sede pelo poder, e sua ambição sem limites. O trono é de Elaene e o daremos à ela, à força se preciso for.
Arthur sentiu a cabeça rodar. Aquilo parecia surreal.
— Não se esqueça de que está sob minha jurisdição, Connington. Temos um exército muito superior. Cuidado com suas palavras... – ameaçou Uther.
— Esperem... parem! – falou Arthur um pouco mais alto, chamando a atenção dos dois. – Deve haver algo que possamos fazer sem mais derramamento de sangue! – suspirou cansado — Pelos Deuses, Elaene é minha esposa! Vocês não se cansam de guerras?
— Não abro mão de que Elaene saiba a verdade e de que tenha o que é seu de volta. — resmungou Jon.
— Será que não enxergam um palmo à sua frente? — Arthur botou a mão nas têmporas, cansado – Tivemos Eras de uma dinastia, que teve seus bons e maus momentos. Mas quem lhes deu esse poder, para que reinassem sobre nossas vidas, afinal? – quando Jon ia dizer algo, Arthur voltou a lhe interromper – exatamente, Sor. Connington, eles tomaram o poder! Com sangue e fogo, como os dizeres orgulhosos de sua casa. Tomamos o poder também, assim como os Baratheons o fizeram! E isso vai nos levar apenas a mais derramamento de sangue, até que outro se julgue merecedor também. Porém, ninguém tem poder divino sobre Westeros... essa é a verdade que ninguém quer admitir! Reina quem tem força para subjugar.
Levantou e notou o formato da mesa em que estavam, e então tudo estava claro, como a água cristalina de um calmo rio.
— Olhem para essa mesa. – indicou com o dedo para que Jon e Uther olhassem.
Jon franziu a sobrancelha em confusão.
— Aonde quer chegar, Arthur?
— Percebem o formato dela? – disse Arthur caminhando em volta. Era uma mesa redonda e Arthur passou o dedo ao longo de seu formato.
— É uma mesa redonda, e daí? – disse Jon impaciente, enquanto Uther observava em silêncio.
— Uma mesa redonda não tem pontas. É disso que precisamos.
Jon riu e fez menção em seu levantar para sair dali.
— Você é tão maluco quanto Aerys II...
— Em uma mesa sem pontas, há equilíbrio de poder. Todos os reinos possuem a mesma representatividade na mesa. Nenhum ponto se sobressai ao outro. Percebe?
Jon encarou Arthur, agora dando atenção ao que dizia.
— Chegou o tempo em que nenhum reino deve mais ser submetido à tiranias, ou à uma autoridade suprema. Chegou o tempo em que os reinos devem adquirir sua autonomia, em nome de uma Westeros mais saudável e equilibrada. E óbvio, sem guerras!
— Mas Elaene Targaryen... – começou Jon e Uther o interrompeu
— Elaene casou-se com Arthur, então...
— Sim... Elaene é herdeira da dinastia Targaryen. E não, eu não sou nada por apenas ter me casado com ela, pai. — disse caminhando pela sala enquanto as ideias ficavam claras em sua mente — Mas, e se formássemos um Conselho Real, com representantes dos sete reinos? Essa tábula redonda será símbolo desse conselho, justamente para mostrar que todos possuem sua voz. Digamos que a realeza tenha poder de decisão, mas o conselho também tenha representatividade para vetá-la ou apoiá-la em última instância. Apenas assim não teremos nenhum outro rei louco, com tanto poder nas mãos!
Jon acariciava a barba refletindo sobre o que Arthur dizia.
— Que insanidade é essa, Arthur? – disse Uther, exasperado com a possibilidade de dividir poder.
— Eu não tenho nenhum poder para decidir isso. A Rainha é quem deve dar seu veredito. – respondeu Jon. — Se ela aceitar, a Companhia dourada acata sua decisão.
— Eu conheço Elaene, ela será sensata. Convocaremos os principais senhores de cada reino, e discutiremos os termos. Tenho certeza que aceitarão, assim como meu pai e Elaene...
Olhou para o pai e ele acenou impaciente.
— Eu quero estar presente quando ela souber a verdade, Arthur. Quero me certificar de que você não omitirá nada, e de que ela saiba qual é meu propósito aqui. — disse Jon calmamente.
Arthur franziu a sobrancelha em temor de expectativa, mas assentiu.
— Revelarei amanhã, aqui mesmo, senhor.
“É aqui onde pisarei no coração dela. E é aqui onde me amaldiçoarei por isso.” pensou tristemente.
=^=
Quando Elaene aproximou-se dos muros da cidade lembrou-se do sonho e das visões, e sentiu arrepios percorrer o corpo. Os casebres do lado externo dos muros estavam vazios e destruídos. Mas quando atravessaram o portão, viu as grandes favelas que tomavam conta da cidade. As pessoas se aglomeravam para ver aqueles que julgavam serem seus invasores ou salvadores.
Elaene jamais havia visto tanta pobreza. Havia crianças e velhos, e suas roupas não passavam de um pedaço de farrapo. Notou a magreza de uma garota que a olhava agarrada nas pernas de uma senhora, e suspirou pensando na fome que a garota deveria estar sentindo.
Subiam lentamente a colina em direção à fortaleza Vermelha, e já podia ver o grande castelo de Maegor de dentro de sua liteira. Distraiu-se com a imensidão do local enquanto Gwen parecia hipnotizada ao seu lado.
— Deuses, olha o tamanho daquele lugar! — exclamou Gwen impressionada.
Nesse momento um garoto rompeu a barreira de proteção feita pelos soldados, e correu em direção à sua liteira. Era um garoto de cabelos claros e possuía fracos olhos verdes. Não deveria ter mais do que seus seis anos, e parecia magro e fraco.
Elaene assustou-se com o vulto e gemeu. Um dos soldados de sua guarda pessoal empurrou o garoto com força, fazendo-o chocar-se no chão.
— Pare! – Elaene gritou para que parassem a liteira, e Gwen tencionou ao seu lado.
— O que está fazendo, Elaene. Não podemos parar!
Elaene desceu da liteira e foi em direção ao garoto, que agora chorava no chão. Examinou o corte que abriu em sua cabeça e suas palmas das mãos raladas.
— Qual o seu problema? É apenas um garoto! – disse em direção ao soldado
As pessoas em volta fizeram silêncio e observaram Elaene pegar seu lenço e limpar o sangue do garoto, com cuidado.
— Qual o seu nome? – perguntou com gentileza ao garoto, porém, ele apenas chorava assustado e olhava em volta procurando por algum rosto conhecido — Você está perdido? – ainda sem resposta. — Tens fome? – quando perguntou viu o olhar do garoto se amenizar e afirmar positivamente com a cabeça.
Quando Elaene levantou a cabeça, viu lançarem olhares curiosos e desconfiados sobre ela. Todas eles muito magros. Famintos.
Olhou novamente para o garoto e tocou sua clavícula, muito evidente com sua desnutrição. Sentiu os olhos encherem de lágrimas ao notar o sofrimento daquele povo.
— Fome... – disse o garoto inocentemente, lembrando-lhe que estava faminto, e Elaene interrompeu o choro para lhe sorrir.
Segurou o garoto no colo e caminhou para perto do oficial que a protegia.
— Chame alguns soldados, e organizem uma fila. Distribuam os alimentos e grãos que trouxemos nas carroças. Vamos! – disse já se posicionando em direção aos recursos estocados.
O homem arregalou os olhos, em confusão.
— Não entendo, Lady Pendragon.
— Distribua a comida aos que tem fome. Fui clara? Vamos.
— Elaene... – chamou Guinevere, preocupada por estarem parados, rodeados de pessoas estranhas e famintas.
Viu uma mulher lhe olhar e reconhecer o garoto em seu colo.
— Fabian! – chamou a mulher e o garoto a olhou esticando os braços.
— Deixe que ela venha. – ordenou Elaene ao soldado, e a mulher se aproximou.
A mulher de cabelos claros, que ainda parecia muito jovem, pegou o garoto no colo e agradeceu Elaene com o olhar, ainda que parecesse ter medo dela.
— Espere aqui. – disse Elaene enquanto voltava para a liteira. Agarrou um pão seco, queijo e frutas, e os enrolou em uma manta.
Quando olhou para o lado, notou que os soldados já organizavam a distribuição, e apesar da fome de muitos, as pessoas pegavam seus alimentos de forma ordenada.
Elaene levou a manta para a mulher, e notou o garoto lhe sorrir tímido. Uma satisfação tão plena lhe preencheu, que sentiu os olhos marejados mais uma vez. Sabia que Uther a enforcaria e Arthur a recriminaria pelo perigo que sofria, mas não ligava.
— Obrigada. – viu a mulher lhe dizer baixo, agora sem medo dela.
Outras pessoas vieram em sua direção e os soldados ficaram tensos, mas Elaene acenou para ficassem tranquilos. Elas começaram a se ajoelhar em frente à ela, e tomavam sua mão para beijar, como se pedissem sua bênção.
Primeiramente eram apenas sussurros tímidos, mas logo foram aumentando de intensidade, enquanto mais pessoas se aglomeravam em torno de Elaene e a chamavam de “Rainha” “Mãe” e “Salvadora”.
Sua guarda se aproximou mais uma vez, apavorados com o que acontecia, e Elaene ordenou para que ficassem calmos.
— Não os machuquem. Não machuquem o meu povo... – Os havia dito, sem perceber o teor do que dizia. – Eles não querem me machucar. — dizia tocando a mão deles.
“Meu povo” sussurrava.
Já havia uma multidão em torno de Elaene, e ela decidiu que iria caminhando até a Fortaleza Vermelha. A multidão a acompanhava e faziam sua própria escolta em torno dela. Algumas crianças lhe deram a mão, e caminhavam tranquilamente colina acima, rumo ao portão principal.
O comboio subiu lentamente, acompanhando o ritmo de Elaene, enquanto os guardas a vigiavam de longe, aflitos. Guinevere ficou na liteira, ainda com medo, porém, mais relaxada.
Quando alcançou o portão, os soldados da Fortaleza Vermelha mal podiam acreditar que ela viera a pé, em meio àquele povo faminto. Elaene ordenou para que abrissem passagem, e um dos guardas lhe trouxe Llamrei, a égua guerreira sobrevivente que Arthur lhe dera de presente. Assim, alcançaria fortaleza de Maegor.
Dois homens, dos que chamou de seu povo, lhe deram apoio para os pés e a mão para que subisse na cela, e outros vieram para ajeitar a cauda de seu vestido por cima da montaria. Quando girou para entrar na fortaleza, empinou Llamrei, sendo ovacionada aos gritos de “Rainha”, que ficavam cada vez mais altos.
"Rainha!"
Ouviu-se durante muito tempo, mesmo quando os portões da Fortaleza Vermelha haviam se fechado.
=^=
Uther ouviu um burburinho de longe. Quando fez menção de perguntar o que acontecia, viu um garoto invadir a sala.
— Senhor Uther! ... Desculpe... – disse o escudeiro quando entrou correndo pela porta – Lady Pendragon... – disse apontando para a janela, sem fôlego.
Uther levantou rapidamente sendo acompanhado por Arthur, e presenciou a cena de Elaene sendo idolatrada em meio ao povo, empinando a égua para o delírio de seus seguidores, e aos gritos de: "Rainha!".
Apertou os punhos em fúria e medo, enquanto Arthur sorria satisfeito ao seu lado.
Arthur desceu as escadarias da fortaleza com uma ansiedade avassaladora. Quando alcançou o pátio do castelo de Maegor, viu Elaene descer de Llamrei, ignorando a ajuda oferecida por um soldado, e correr em sua direção.
Quando os corpos se chocaram, Elaene soltou o chorou de alívio no pescoço de Arthur, que lhe apertava com instinto protetor. Arthur a segurou pelo rosto e distribuiu beijos desesperados pelo rosto dela, enquanto ela sorria em retorno.
— Que loucura foi aquela que lhe acometeu nas ruas de Porto Real? – Arthur perguntou ainda lhe beijando, e Elaene sorriu ao fato de que ele demonstrava orgulho pelo tom de voz que usou, pois não escondia o sorriso de lado que ela tanto amava.
— Alguém tinha que ajudá-los... estão famintos, Arthur. – terminou a frase olhando seriamente para Arthur que suspirou.
— Eu sei. – disse beijando a testa dela e a envolvendo em outro abraço, enquanto a aninhava em seu peito – vamos ajudá-los. Juntos! Prometo...
Do outro lado do pátio, Jon Connington observava o reencontro, analisando cada gesto do jovem Pendragon e a filha de Rhaegar.
=^=
Quando entrou no quarto em que haviam se instalado, viu Elaene olhar ao redor, fascinada.
— É realmente muito estranho estar aqui. Você não acha?
Arthur lhe sorriu tímido.
— Muito...
Elaene se aproximou
— O que te perturba? – Arthur segurou sua mão firme na dele.
— Elaene, amanhã teremos uma reunião muito importante, e você deve estar presente. — ela franziu a sobrancelha, mas assentiu. – e eu preciso lhe pedir algo: nunca se esqueça da forma como você me olha agora... – pediu acariciando o rosto dela.
Elaene ignorou o que ele dizia, pois desistiu de decifrar seus enigmas. Desejava-lhe ardentemente. Sentia-se mais poderosa que nunca. Aquele lugar mexia com ela.
Seus olhos se espreitaram e ficaram ligeiramente escuros enquanto caminhava. O seu olhar era lascivo quando encostou seu corpo totalmente no dele.
Arthur fechou os olhos para decorar aquela imagem e aquela sensação do calor dela tão próximo à ele. Só aquele calor já tinha o poder lhe satisfazer de uma forma assustadora, e instintivamente mordeu o próprio lábio inferior.
— Quando você morde seu lábio, assim, sem nem perceber... eu mal consigo me segurar para provar a textura que existe aí...
Arthur soltou o lábio de seus dentes, e Elaene aproveitou e lhe mordeu no mesmo local, raspando a língua enquanto ele não controlava o gemido angustiado pelo que estavam prestes a fazer.
Ela sentiu a excitação dele contra seu corpo, e o acariciou por cima da calça, sussurrando.
— Meu doce príncipe...
Nesse momento, Arthur segurou seu pulso parando o movimento, mas seu gemido baixo denunciou que não desejava que ela parasse, e ela sorriu maliciosamente contra a boca dele antes de tomá-la por inteiro e continuar a carícia em sua excitação.
Dessa vez, ao invés de esboçar uma tentativa de fazê-la parar, Arthur pressionou a mão dela ainda mais de encontro à sua ereção e ela mordeu o lábio dele novamente, mas dessa vez com força, e arrancando-lhe um grunhido em resposta.
Elaene afastou o rosto e fez menção de pedir desculpas, mas o olhar que Arthur lhe lançou a fez perder o ar. Seus olhos estavam quase negros e ele avançou contra sua boca, sussurrando.
— Faça de novo, por favor... – disse a beijando e sugando seu lábio superior para que o lábio inferior dele ficasse à disposição dela.
Ela fez o que ele pediu, mas dessa vez domou a pressão dos dentes, e ainda assim, o gemido dele em sua boca lhe provocou um tremor. Puxou Arthur pelo pescoço, o conduzindo até a enorme cama posicionada no quarto. Jogou ele na cama com força e o montou com as pernas posicionadas ao lado do quadril, do jeito que sabia que ele gostava: com ela no comando dos movimentos.
— Elaene... – ouviu ele gemer baixo enquanto acariciava suas coxas, então ela pegou uma de suas mãos e a posicionou contra seu seio, sentindo ele lhe apalpar com desejo.
Vê-lo daquela forma, completamente entregue e à sua mercê, fez com que aquela conhecida queimação no baixo ventre se intensificasse e instintivamente rebolou nele.
Os sons que ele produzia, enquanto ela se mexia em cima da excitação dele, soavam como incentivo para ela. Continuou a empurrar contra ele, e Arthur se limitava a se contorcer embaixo dela.
Quando não aguentou mais provocá-lo, Elaene rasgou a túnica de algodão que protegia o peito dele, sem paciência para retirá-la, voltando a tomar a boca de Arthur, enquanto deslizava a ponta das unhas lentamente pelo tórax.
Assim que ela aproximou do ventre, Arthur segurou seu pulso e voltou a mão dela para o peito, forçando as unhas delas contra sua própria carne, apertando os próprios lábios com força enquanto reprimia um gemido de dor e prazer, e ela deixava uma grande e vermelha marca por onde as unhas dela passeavam.
— Eu quero forte, Elaene. Eu quero que você me machuque. Por favor, me machuque. – Gemeu mais uma vez enquanto ela repetia o movimento, agora por conta própria, deixando outras marcas vermelhas no peitoral dele.
— Assim?... – o provocou suspirando no seu ouvido, e ele respondeu levantando o quadril de encontro à ela.
— Sim, meu amor. Mais forte...
Ele pediu e ela o obedeceu, tão anestesiada pela excitação que nem se deu conta da linha de sangue que se formava sob suas unhas e de que ele reprimia um grunhido de dor.
— Arthur... – gemeu seu nome mais uma vez, se contorcendo em cima dele, e ele não mais se controlou. Puxou e rasgou a roupa íntima dela e a empurrou levemente para frente, enquanto levantava o dorso, usando uma mão em suas costas, e a outra mão usou para se posicionar em sua entrada.
Quando sentiu o contato íntimo Elaene estremeceu com a grande corrente elétrica que percorreu seu corpo em direção ao baixo ventre, e se forçou contra ele, sentando em seu quadril de uma vez, sentindo seu corpo reclamar levemente com o corpo intruso lhe invadindo tão rápido. Arthur soltou um chiado e bateu as costas no colchão, balançando a cabeça febrilmente enquanto sentia ela apertar.
— Você ainda irá me matar, Elaene... – suspirou baixo, e Elaene deixou escapar um sorriso de satisfação, enquanto botava a mão em cima do peito dele para melhor se movimentar.
Elaene acelerou os movimentos tendo a consciência de que iria alcançar o ápice muito cedo. Arthur também conhecia os sintomas, e sabia que ela estava perto. Levantou o tronco para encará-la de perto enquanto segurava sua nuca com a mão. Ela gemeu alto quando ele puxou sua cabeça para trás para beijar sua garganta e sussurrar contra ela.
— Sete infernos, Elaene... você está tão molhada. Você é perfeita pra mim... tão bom...
Era isso, o estopim. Iria atingir o tão esperado prêmio. Elaene sentiu seus músculos no baixo ventre se contraírem enquanto um gemido angustiado começou a se formar em seu peito. Moveu-se contra ele com mais profundidade e velocidade, porém, Arthur segurou sua cintura com força, interrompendo seus movimentos enquanto ela grunhia em protesto.
— Você quer isto, meu amor? – perguntou com os lábios próximos ao seu ouvido, provocando-a, movendo-se bem lentamente – você está tão perto, eu posso senti-la me apertando... tão quente... – Elaene suspirou e cravou as unhas nos ombros dele, com força, enquanto ele a empurrava pela cintura, para trás e para frente, apenas para torturá-la, e nunca dando o que ela realmente queria.
— Arthur, o que está fazendo?- perguntou frustrada pelo orgasmo negado.
— Diga que me ama, e lhe dou o que quer... – disse sussurrando no ouvido dela, enquanto aumentava a velocidade dos movimentos para frente e para trás, fazendo raspar propositalmente nele.
— Droga, Arthur... Sete infernos! – a ouviu praguejar e apertar suas unhas com mais força em seus ombros. – Faça logo, me dê!
— Diga!
— Eu amo você, Arthur. Amo você! Amo você! Amo tanto que penso que vou enlouquecer... – disse alto enquanto ele aumentava o ritmo das estocadas, a deixando perigosamente perto do ápice mais uma vez. – faça, por favor... não pare, Arthur... — choramingou
— Prometa que nunca mais irá embora... prometa! – pediu Arthur em sua garganta, e dessa vez Elaene reagiu rápido com medo de que ele parasse mais uma vez.
— Nunca irei embora, eu prometo! Nunca! Amo você... Arthur, eu amo você... Arthur... – disse em uma voz aguda e agoniada quando atingiu seu ápice. Suas unhas foram dos ombros dele para seu cabelo, onde aplicou um forte puxão. Ele havia se transformado em um borrão desde quando sua visão ficou turva com o potente orgasmo que desfrutava.
Arthur sentiu o corpo dela convulsionar em cima dele e lhe apertar em volta com força e continuou os movimentos. Quando olhou para o rosto dela havia uma feição de agonia. Seus olhos agora se fecharam fortemente e sua boca aberta não emitia nenhum ruído. Apenas quando os fortes espasmos dela diminuíram, conseguiu soltar a respiração presa e o som cheio de angústia com o prazer que sentia.
Todas aquelas sensações foram demais para Arthur, e ele veio logo em seguida, capturando os lábios dela nos seus e apertando seu quadril contra ele fortemente.
Quando voltou a si, imaginou que poderia tê-la apertado com muita força, então fez um carinho no local enquanto tentava controlar as batidas do coração e a respiração.
Agora com o êxtase cessando, ele pôde realmente sentir a queimação de dor que brotava das marcas que Elaene havia deixado em seu corpo, e encostou seu peito no dela a puxando pelas costas, quando viu que ela olhava para as enormes listras vermelhas e a linha de sangue que brotava em seu peito, já marcado pela guerra.
— Eu machuquei você? — Elaene perguntou e Arthur sentiu a culpa querer brotar no tom de voz dela, então logo lhe tomou a boca, reiniciando a dança pela dominação do beijo, nublando seus pensamentos até que ela esquecesse aquilo.
Elaene não havia esquecido como Arthur julgou que poderia, mas deixou-se embriagar pelas sensações que o beijo dele lhe causava, e a corrente que voltava a brotar quando ele passava os dedos provocante em suas costas e coxas.
Sentiu ele desamarrar os laços de seu vestido, e de repente notou o ar fresco bater em seu tronco quando interrompeu o beijo, apenas para ajudá-lo a fazê-la se livrar da peça de roupa.
Ainda estavam conectados, e agora voltava a senti-lo completamente rígido dentro de si. Não controlou o gemido baixo e satisfeito quando ele a puxou para cima, a deslizando sobre sua extensão, e começando tudo mais uma vez.
“Machuque-me, Elaene... me faça mal... eu mereço isso” era tudo o que Arthur pensava.
=^=
Quando Elaene entrou na sala da távola redonda, estranhou encontrar apenas Arthur e aquele estranho mercenário, líder da companhia dourada, que tanto lhe encarava. O homem brilhou os olhos quando a viu, e Elaene podia jurar que estavam marejados. Aquele olhar lhe incomodava. Mistura de saudades e pena.
Sorriu tímida para Jon, em confusão, e caminhou na direção de Arthur para lhe dar um beijo suave, pousando sua mão no rosto dele e aproveitando para sussurrar baixo.
— O que é isso, Arthur? O que esse homem quer de nós?
Arthur segurou sua mão.
— Elaene, chegou a hora.
Ela sentiu o coração disparar, pois entendeu o que ele quis dizer. Olhou para o homem novamente, sem entender o porque aquele estranho haveria de estar ali, num momento tão particular.
— Diga logo, Arthur! Chega disso! – disse exasperada se afastando dele.
— Elaene... – você conhece a história de Lyanna Stark e Rhaegar Targaryen, certo?
Elaene suspirou impaciente.
— Claro, Arthur! Qualquer um em Westeros conhece a história do sequestro da tia de Robb e as consequências disso. O que isso me diz respeito?
Arthur olhou para baixo, sentindo o coração saltar com a hostilidade que ela já demonstrava, e tentando encontrar um meio de lhe contar.
— Você sabe... existe uma versão de que Rhaegar nunca sequestrou Lyanna. Eles se apaixonaram e fugiram juntos para o Sul. E essa, é a versão verdadeira.
— Sim... eu desconfiava. E?– ergueu a sobrancelha, olhando constrangida para Jon ali na mesma sala, e abraçando o próprio peito.
— Foi um amor intenso, e a rebelião de Robert não foi a única consequência disso. – voltou o olhar para cima, para encará-la. – eles tiveram um fruto, Elaene. Quando Ned “resgatou” a irmã na Torre da Alegria, ela estava deitada em uma cama de sangue, pelo parto da filha. E, como você sabe, não sobreviveu.
— O quê? Eles tiveram uma filha? – Elaene sentiu-se surpresa ao descobrir que Lyanna havia morrido da mesma forma que sua mãe, e lutou contra seus pensamentos para que se concentrasse em Arthur, ali em sua frente, e não no seu passado sombrio e doloroso.
Arthur sentiu os olhos se encherem de lágrimas e os fechou delicadamente, deixando o líquido fluir sobre seu rosto.
— Lembra quando estávamos em Dente Dourado, e você tratava de meus ferimentos de guerra? Você havia dito que, em meus delírios de febre, eu disse que amava a filha de Rhaegar...
— O que diabos isso tem a ver comigo, Arthur?! – perguntou Elaene, sentindo-se irritada com aquela tensão toda.
— Não era um delírio, Elaene. Eu realmente amo a filha de Rhaegar. Amo mais do que qualquer pessoa seria capaz de amá-la, e não há nada nesse mundo que eu não faça para vê-la sorrir. – disse com a voz falhando e vendo Elaene se afastar alguns passos para trás, ainda em confusão. – a filha de Rhaegar é você, Elaene. Sempre foi você...
Elaene arregalou os olhos, chocada, e olhou para Jon que a encarava passivamente.
— Você está maluco, Arthur? Da onde veio isso, agora? Porque está dizendo essas coisas? Eu sou filha de Jon Arryn!
— Sua mãe temia que Robert descontasse em você o ódio que sentia pelo teu pai. Lyanna fez Ned prometer que lhe esconderia e protegeria. Quando voltavam para o norte, Ned foi até o Vale de Arryn encontrar com Jon Arryn, bem a pouco tempo após Rowena ter morrido, também em um parto. Trocaram você pela criança morta de Rowena, e Jon a criou como se fosse sua filha...
O quebra-cabeça começou a ser montado em sua cabeça, e Elaene podia sentir as engrenagens lhe massacrando.
— ... Quando Jon Arryn se mudou para cá, temeu por sua segurança, e preferiu que seu tio Ned lhe criasse em Winterfell. — continuou Arthur.
— Pare! Por que está dizendo essas coisas? – disse botando as mãos nos ouvidos, como se o que ouvisse fosse demais para processar.
Era por isso que Jon Connington estava ali. Ele foi um amigo pessoal e protetor de Rhaegar Targaryen. Seu pai.
— Essa loucura é verdade? – Elaene olhou para o lado e perguntou para Jon, que lhe acenou em confirmação.
Arthur se aproximou e a segurou pelos braços.
— Tudo o que Jon e Ned fizeram, foi para te proteger. Eles não queriam que você tivesse uma vida miserável no exílio, e traçaram uma mentira para te salvar de Robert, apenas isso. – disse-lhe Arthur, calmamente.
Então tudo se conectou. Mentiras e mentiras.
Estavam prometidos ao outro, desde quando nasceu, Arthur havia lhe dito.
Robb havia lhe alertado o quão estranha era aquela promessa de Arryn, para a família Pendragon.
Jon Arryn se negava a aceitar o casamento com aquele que seria seu primo, pois já tinha uma promessa a honrar, mas não por gratidão aos Pendragons, e sim por medo. Medo de que a verdade viesse à tona. Chantagem.
Fechou os olhos com força.
— Uther sabe, não é? Sempre soube!
Abriu os olhos e viu os olhos marejados de Arthur a encarando de perto. Ele apenas acenou com a cabeça e ela sentiu o toque dele em sua pele lhe queimar com o repúdio que teve quando suas conclusões, enfim, chegaram.
— Deuses! Então é isso, não é? — disse retirando o braço dele para longe — Uther estava lá no Vale com Jon Arryn, eu sei disso! Ele exigiu minha mão para você, em troca do silêncio. Ele chantageou Jon!
Arthur não respondeu, apenas abaixou a cabeça enquanto as lágrimas teimavam em rolar, sem controle, e agora Elaene sentia as suas desabarem também, enquanto teu próprio castelo de areia, desmoronava em pedaços.
— Ele queria o trono, e casar o filho com uma Targaryen, o traria direto para cá. Vocês me usaram, seus desgraçados! – disse com a mandíbula travada, em fúria, enquanto dava tapas no peito dele, histericamente. — Agora estou presa à você!
Arthur não demonstrou reação enquanto ela lhe batia.
“Machuque-me”
— Como pôde? Eu o odeio, Arthur! Odeio! Seu mentiroso, manipulador! – disse enquanto o estapeava no peito, e distribuiu um último tapa em seu rosto. Arthur segurou seu punho, a obrigando a encará-lo de perto e lhe ouvir.
— Por favor, Elaene. Eu te prometi que não iria trair seu amor, lembra? – sacudiu-a pelo braço para a trazer para realidade quando viu que ela não reagia — Eu sempre quis lhe contar a verdade, mas eu não podia! Nada do que vivemos foi uma farsa, não me confunda com meu pai. Eu sou maluco por você desde o maldito instante em que te vi naquele pátio em Winterfell. Lembra-se do beijo que lhe dei no bosque sagrado? – pegou a mão dela e botou em seu peito no qual seu coração pulava assustadoramente rápido, pois era a forma que utilizavam para demonstrarem ao outro como se amavam – Lembra a maneira como me beijou, quando nos encontramos nas Brumas de Avalon? – disse encostando a testa na dela – foi tudo real... é tudo real...
Elaene o empurrou para longe.
— Não toque em mim! Pare de me confundir... você traiu o meu amor! Você me usou para chegar até aqui, para roubar o que era meu. Seu canalha ambicioso!
— Princesa... Você terá o que é seu de volta... precisamos conversar sobre isso. — disse Jon, se intrometendo.
— Saia daqui! — disse baixo quando voltou a se dar conta da presença de Jon, e quando ele não respondeu, repetiu gritando e o mercenário obedeceu, constrangido por estar no meio de um momento íntimo dos dois.
Quando estavam a sós, voltou a encarar Arthur com um olhar raivoso e choroso.
— Nunca mais se aproxime de mim, Arthur. Eu quero você fora da minha vida!
Arthur avançou para ela com um impulso, sentindo o medo da perda o domar.
— Eu amo você. Você sabe que é real! Somos uma família agora– sua voz falhou com o choro que derramava, e Elaene também fungou e fechou os olhos com força, sentindo raiva por chorar por ele, aquele que julgava ser um traidor, e reprimiu a vontade que sentiu em diminuir a curta distância entre seus lábios. – não me expulse de sua vida. Por favor... eu já não consigo mais viver sem você, Elaene. — continuou Arthur, com dificuldade.
Arthur ajoelhou-se aos pés dela e abraçou seu quadril, desesperado para que ela o perdoasse.
— Nada mais importa se eu não tenho você! Perdoe-me...
Elaene soluçou e puxou os braços de Arthur de seu quadril o empurrando para longe e se afastando dele, antes que sucumbisse ao impulso de afagar seus cabelos.
— Quem é você, Arthur? Quem é você? — botou a mão na cabeça tonta com a confusão de sentimentos e conclusões.
— Eu ainda sou o mesmo, Elaene. O mesmo para quem ontem você dizia que amava, e para quem prometeu que nunca mais iria embora...
— Não, Arthur. Aquele era outro homem, você é um completo estranho pra mim agora. E eu quero você e Uther longe de mim, e de meu filho – disse controlando a voz para soar firme e determinada.
Girou os pés tapando a boca para abafar o choro que teimava em cair.
"Eu o odeio" sussurrava tentando se convencer, e falhando miseravelmente.
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