Queen of ice and fire
51 Nimueh
Notas iniciais

Quando fechou a porta de seus aposentos, encostou as costas na madeira gelada, enquanto usava a manga do vestido para secar as malditas lágrimas que teimavam em cair.
Arthur havia lhe mostrado as cicatrizes que Ramsay provocou nele, e jogou em sua cara que a que ela imprimia nele, era a mais dolorosa de todas.
Arrastou o corpo pela porta até sentar no chão, e segurou a cabeça com os dedos cravados nos cabelos, tentando afastar aqueles pensamentos perigosos de sua mente. Não deveria deixar ele lhe manipular mais uma vez! Teria de ser forte e focar na fuga de Tommen.
Mas a imagem de mágoa que viu no rosto de Arthur, ainda a atormentava.
=^=
Quando se aproximou da sala de armamentos, no subsolo abaixo das masmorras, sentiu o coração saltar pela boca. Cersei havia dito que um “amigo” iria ajudá-la a salvar o garoto, mas sentiu-se idiota quando percebeu estar seguindo as instruções de uma mulher louca, que a chamava pelo nome de sua falecida mãe.
Porém, logo viu vultos se aproximando do corredor e tencionou encostando as costas na parede. O corredor subterrâneo era iluminado apenas pela tocha que ela levou consigo, mas viu que o homem que se aproximava estava vestido com um sobretudo negro com um capuz, que projetava sombras em seu rosto, o mantendo desconhecido.
Não fazia ideia de como ele havia conseguido burlar a segurança do castelo, porém, ao seu lado estava Tommen, enrolado em uma manta.
— Entre na sala de armamentos e procure a passagem secreta entre os escudos de dragão. Caminhe pelo corredor, e não desvie dele jamais, ou se perderá entre os caminhos. Sairá nas pedras externas dos muros do castelo. Haverá um barco esperando. – disse empurrando o garoto em direção à ela, e quando ela fez menção de questionar algo, ele se precipitou – minha dívida está paga! Ele está em suas mãos, agora...
O homem sumiu pelo mesmo corredor em que veio, e Elaene notou os olhos assustados do garoto que tomou a sua mão pedindo proteção.
Havia chegado até ali. Agora não tinha volta. Deveria fugir com o garoto, pois já não havia mais nada para ela ali, naquela estranha cidade. Respirou fundo e levantou o próprio capuz.
Quando entrou na sala suspirou ao notar os vários escudos de dragão na parede. Fechou os olhos e utilizou seus poderes para identificar qualquer passagem de ar pelas parede maciças, e a encontrou facilmente.
Tirou o escudo que escondia a porta, e empurrou a parede, abrindo o compartimento que dava diretamente para um escuro corredor. Segurou a mão de Tommen em incentivo, e o puxou pelo corredor usando a tocha para iluminar seu caminho.
=^=
Olhou para o vinho em sua mesa, mas torceu o nariz em lembrar-se do cheiro da bebida. Sabia que deveria parar de beber. Tornar-se um bêbado estúpido, como Robert Baratheon, não estava em seus planos.
Estava decidido que seu luto por Elaene deveria acabar imediatamente, mesmo quando sentia-se nostálgico com o cheiro dela que ainda pairava em seu quarto. Fechou os olhos tentando absorver a última fatia do aroma dela no ambiente, quando pesadas batidas na porta o surpreenderam.
— Vossa alteza, é urgente. O bastardo Lannister fugiu!
=^=
Examinou a cela onde o garoto estava, e notou que estava intacta. Quem o resgatou, ou abriu a cela sem forçá-la, ou conhecia muito bem os labirintos daquela maldita Fortaleza, e algum deles, certamente, poderia sair daquele lugar.
— Quem tem a cópia da chave das celas da masmorra? – perguntou irritado, para o responsável pela vigia daquela noite.
— Só existem duas cópias, meu Senhor... – disse entregando a própria cópia que mantinha para Arthur examinar.
— Onde está a outra? Diga!
— Com você, Vossa Alteza.
Assim que ligou os fatos, subiu correndo para o próprio quarto, na Fortaleza de Maegor, incrédulo.
“Ela não teria coragem. Ou teria?”. Perguntava para si mesmo, lembrando que apenas Elaene esteve em seu quarto aquela noite.
Quando abriu a gaveta e retirou o molho do compartimento secreto, procurou ferozmente a cópia idêntica a que o homem lhe entregou, pertencente às celas das masmorras, e quando a reconheceu, suspirou em alívio, fechando os olhos.
Porém, quando notou com mais calma, contou dezenove chaves no molho, e sabia bem que tinha posse de vinte chaves, todas cópias de locais importantes da segurança da Fortaleza. Recontou mais uma vez, separando cada uma, e notou a que faltava no molho.
“O que você pensa que está fazendo, Elaene?... quem está acobertando?” — pensou em silencio.
=^=
Escutou latidos de cães próximos e sentiu um calafrio percorrer sua espinha. O homem havia dito para se manter naquele corredor ou estariam perdidos, mas sabia que os soldados do rei estavam próximos.
Viu sombras refletirem no corredor que cruzava com o que caminhavam e instintivamente jogou sua tocha no chão pisando nela e apagando o fogo, evitando que suas sombras os denunciassem. Segurou Tommen contra ela, prensada na parede, e esperou que os sons fossem embora. Assim depois, poderia usar seus poderes para reacender a tocha quando fosse seguro.
Os sons sumiram e imaginou estarem a salvos, porém, enquanto Elaene suspirava aliviada, a ponta de uma espada encostou em suas costas.
— Dê mais um passo, e eu lhe atravesso.
Elaene poderia reconhecer aquela voz e aquele cheiro em qualquer lugar que fosse. Não precisaria nem se virar para saber a quem pertenciam.
— Vire-se, agora! — ordenou firme.
Ela olhou para trás abaixando o capuz, e viu os olhos dele se arregalarem em choque. Arthur imaginava que Elaene havia facilitado a fuga de Tommen e daria um jeito de acobertá-la se alguém descobrisse. Porém, ela não só facilitou, como providenciou a fuga pessoalmente. Se Uther descobrisse que ela o traiu daquela forma, a ira dele ecoaria desde o Norte até Dorne, e não sabia se poderia salvá-la daquilo.
— Arthur, ele é apenas um garotinho! Poderia ser o nosso filho. Por favor... deixe ele ir....
Arthur sentiu a garganta apertar com a confusão e ficou sem reação apenas a encarando pela luz da tocha refletindo em seu verde hipnótico.
— Por favor, Arthur... é a última coisa que lhe peço! Deixe ele ir. Ele não merece ter o mesmo destino de meus irmãos, eu lhe imploro. – continuou Elaene com a súplica no olhar, sentindo o semblante de Arthur vacilar enquanto Tommen a segurava forte pela cintura.
Porém, os outros homens da guarda viram as sombras e voltaram surpreendendo os três no corredor.
Quando surgiram, Arthur reconstituiu o semblante e acenou para eles.
— Prenda-os. – disse virando as costas para ela, fechando os olhos e ignorando seus apelos.
— A princesa também, Alteza? – perguntou um dos homens em dúvida quando a reconheceu, e Arthur olhou para trás apenas para acenar em confirmação.
— Por favor, Arthur. O garoto não tem culpa. É só um garoto! – suplicou Elaene, porém, ele não parou para a ouvir, enquanto era levada pelos guardas.
=^=
Elaene foi colocada em uma masmorra como prisioneira. A cela em que foi depositada era luxuosa se comparada a que Tommen esteve. Mas mesmo assim, se sentia suja e abandonada.
Não soube dizer quantos dias se passaram enquanto esteve lá dentro, mas sentou-se no chão e chorou durante grande parte de seu tempo. Arthur a traiu mais uma vez. Agora se sentia estúpida por amá-lo tanto.
Trouxeram-lhe comida, mas mal alimentou-se. Os enjoos lhe tiravam o apetite, e quando estava bem, se recusava a comer, pois não achava justo alimentar-se enquanto Tommen estava morto. Sentia-se completamente inútil por desperdiçar a única chance que aquela criança tinha para sobreviver.
Em uma das noites sonhou com um jovem de cabelos dourados e cacheados, ao lado de um jovem de cabelos negros e olhos verdes como os dela. Tommen estaria destinado a ser o braço direito de seu filho, e agora, por culpa dela, estava tudo arruinado.
Ouviu passos e viu sombras no corredor, então se levantou encostando as costas na parede. As argolas de ferro ainda machucavam seu pulso, mas ignorou a dor, pois nada era tão doloroso quanto a imagem do rosto de Arthur refletido naquela tocha, do outro lado das grades.
— O que queres de mim, Arthur? Veio tripudiar, poderoso príncipe de Westeros?
Arthur a ignorou.
— Guardas! – ordenou que entrassem na cela.
— Fiquem longe de mim! – disse irritada alertando para se afastarem.
— Soltem-na. – ordenou e viu os olhos dela mudarem de irados para surpresos, enquanto os homens retiravam as argolas de seus pulsos e da parede.
— O que significa isso? – perguntou confusa.
— Significa que você está livre, Alteza.
Quando ela passou ao seu lado, notou as marcas em seu pulso e fechou os olhos, irritado por ela ter se machucado daquela forma. Segurou seu braço e a puxou para perto dele, ouvindo o gemido de susto dela quando chocou-se contra ele.
Perto demais.
— Cuide de seu pulso, está machucado. – disse recebendo apenas um aceno de cabeça em resposta e aproximou de seu ouvido para cochichar –... não foi nada fácil convencer Uther a absolvê-la da acusação de traição, mas o Conselho vetou facilmente sua prisão. Robb, Jon e Loras ameaçaram invadir a masmorra para lhe libertar, e Oberyn disse coisas obscenas na reunião, para meu pai. Você tem bons amigos, mas tome cuidado. Meu pai vigiará cada passo que dará daqui em diante. – Elaene sentiu os braços arrepiarem com a sensação que a respiração dele provocou próxima a seu ouvido, e engoliu seco para se concentrar.
Perto demais...
— Obrigada... – disse em um suspiro e virou o rosto para longe para evitar o seu olhar àquela perigosa distância – Tommen e Cersei... estão mortos?
Arthur olhou para o chão, e a respondeu se virando em direção à saída.
— Cersei se foi, Elaene. A execução de Tommen foi adiada por tempo indeterminado.
— O quê? Uther mudou de ideia?
— Não, alguém o ajudou a fugir. – disse caminhando para fora da cela, desviando o olhar do dela.
Sorriu para si mesma, aliviada.
=^=
Quando caminhava pelos corredores em direção aos seus aposentos, sentiu-se surpreendentemente querida. Foi amparada por Loras, Jon, Robb e Merlin. Todos disputavam entre si para terem sua atenção. Viu Gwen e Oberyn também observá-la de longe, e tranquilizou todos afirmando que estava bem.
Apenas Robb aparentava estar mais irritado do que feliz.
— O que deu em você, Elaene? Arriscar a própria cabeça pelo garoto Lannister?
Elaene franziu a sobrancelha para o nortenho. Uther jamais teria coragem de executá-la. Era sua nora, e carregava teu neto no ventre. Ou era nisso em que queria acreditar.
— Está tudo bem, Stark... não há com o que se preocupar! Uther está irado comigo, mas me acertarei com ele.
Robb a puxou pelo braço para terem privacidade longe do tumulto, e eles respeitaram. Viu Merlin lançar um olhar cúmplice em direção à ele.
— Elaene, quando mais poder Uther tem, mais ele anseia em tomar. – disse olhando para os lados, procurando curiosos – se Arthur não tivesse proposto a redução do poder do rei através da távola redonda, eu não sei o que teria sido de você. – notou os olhos de Elaene arregalarem com incredulidade.
— O que quer dizer? Ele queria me executar? – perguntou com terror quando notou que ele estava realmente falando sério.
Robb suspirou tenso.
— Arthur jamais permitiria. Ele é um homem melhor que Uther, sempre foi. Por mais que eu deteste admitir isso...
Quando Elaene abaixou o olhar e gaguejou, Robb acenou para continuar.
— Você sabe que eu mataria cada um que tentasse te machucar, e faria com que morressem sofrendo. Mas não irei me meter mais entre você e Arthur. Quando soube a verdade, o procurei para acertarmos as contas, como avisei que o faria se ele lhe machucasse um dia. Mas o miserável estava tão arrasado pela própria consciência, que imaginei que não haveria como machucá-lo mais do que já estava.
Elaene sorriu triste.
— Nunca imaginei ver você defendendo Arthur, Robb.
— Não estou defendendo Arthur. Estou contando o que vi. – disse alisando os próprios cachos, e olhando mais uma vez para os lados – Cersei estranhamente agradeceu Arthur antes da sua execução, e agora todos desconfiam que ele traiu o rei para libertar o garoto. E Uther recebeu uma estranha visita, logo quando você foi presa. Uma sacerdotisa vermelha, supostamente vinda do outro lado do mar estreito: Nimueh. Ela demonstrou um estranho interesse para que Uther lhe condenasse por traição.
— O que quer dizer com “estranho interesse”? Quem é essa mulher?
— Apenas... tome cuidado.
Por algum motivo desconhecido, sentiu a nuca arrepiar quando Robb pronunciou o nome daquela mulher.
=^=
— Você provocou Arthur com aquele dragão de vidro, no dia de meu casamento, então deduzo que pertença àqueles que dizem a verdade, doa a quem doer, certo? Conte-me tudo que sabe sobre Nimueh!
Oberyn descascou a laranja sorrindo maliciosamente.
— Sei que ela é uma sacerdotisa vermelha, bonita como o inferno e misteriosa. Deixou Uther hipnotizado, então diria que ela prometeu poder à ele. Além disso, claramente quer tua caveira. — botou o gomo da fruta na boca, e continuou depois que mascou – Ah... e claro. Ela quer foder com teu Arthur!
Elaene sentiu o sangue ferver.
— De onde essa mulher surgiu? Por que me quer morta? – perguntou irritada.
— Eu não sei, Elaene. Uther é um grande cretino se quer saber, e tentou usar sua atitude em resgatar Tommen para lhe ferrar. Essa mulher não está aqui para passeio e acho que ele aliou-se à ela por algum motivo obscuro. Sabe... – disse mascando outro gomo – eu não acreditava nessas coisas de magias, feitiços, deuses vermelhos e essa ladainha toda, mas essa mulher é maligna!
Então era verdade, ela também tinha o dom da magia. Podia sentir e sabia que deveria se blindar contra ela.
— Por que você disse que ela quer ... você sabe... com Arthur?... Você sabe de algo? – perguntou corando com timidez, e Oberyn riu.
— Vamos lá, Elaene. Você consegue dizer. Ela quer foder com teu Arthur!
— Não seja tão babaca, Martell. – respondeu ríspida ouvindo a sonora risada dele em resposta.
— Não consegues dizer porque tens vergonha, ou porque tens ciúmes?
— Ciúmes? De Arthur? – riu, mas ainda estava irritada. Oberyn pisava em seu calo – Não seja ridículo. Estamos casados apenas oficialmente agora. Não me interessa o que Arthur faz, ou com quem se deite. – Oberyn riu ainda mais com a falta de convicção dela, e ela continuou, o ignorando – Responda logo, Martell. Você sabe de algo?
— Eu já disse, não tenho ideia do que essa mulher planeja. Todos a viram perseguindo ele pelo castelo e se insinuando descaradamente, para o deleite de Uther. Arthur é um homem de boa aparência, você já deve ter notado, princesa. Toda mulher nessa cidade quer trepar com ele, por que essa Nimueh estaria imune? Acho que eu mesmo sinto-me atraído por ele... – disse passando a mão na nuca, e sorrindo maliciosamente para o outro lado do jardim, onde Arthur caminhava. – se eu fosse você, trataria de reconciliar com ele, rápido!
— Você é inacreditável! – disse com a mandíbula travada de raiva, e dando um forte murro em seus ombros, o deixando sorrindo para ela.
=^=
— Como ela está, Gwen? Você falou com ela? – Perguntou Arthur
— Ela está bem, Arthur. Todos caíram em cima dela como urubus, e não tive como me aproximar.
— Verifique se ela procurou o Meistre, por favor. Ela tinha ferimentos profundos nos pulsos, por conta das correntes, e para ver como está o bebê...
— Se está tão preocupado, porque não a tirou de lá antes? Ou melhor, porque a deixou que fosse presa?
Arthur olhou para os lados para observar se alguém estava próximo deles, no jardim.
— Tive de mantê-la lá, para salvá-la. Ela precisava de um álibi para a fuga de Tommen. Se ela não estivesse lá quando acontecesse, que os deuses me perdoem, mas meu pai a condenaria, e eu não teria outra escolha a não ser matá-lo.
Guinevere arregalou os olhos para o que ouviu.
— Pelos Sete... esse lugar tem ouvidos, Arthur. Não diga isso! – o puxou para um canto isolado – Agora me diga, quem é aquela maldita Nimueh?
— A sacerdotisa vermelha? Não faço ideia, mas quero distância daquela mulher. Tenho pendências com outra sacerdotisa vermelha, e lhe digo que não confio nelas.
— Ela quis ferrar Elaene, na Távola... aquela desgraçada! Afinal, o que ela fazia lá?
— Isso é coisa de Uther... eu não sei o que meu pai se tornou, Gwen. Ele não se aliaria à ela a toa, disso tenho certeza.
— Ela se insinuou para você, novamente?
— Bastante...
— Ela é bem bonita, não acha? – perguntou Gwen levantando a sobrancelha.
— Sim, mas e daí?
— Deuses, isso não vai acabar bem. Elaene vai surtar quando souber. Você sabe disso, não é?
— Elaene não dá a mínima, Gwen. Ela me odeia, lembra?
A Dornesa riu, enquanto se afastava.
— Aham... claro...
=^=
Elaene caminhava em direção ao quarto dele ensaiando mentalmente o que diria. Ainda sentia-se rancorosa em relação à ele, mas sabia que havia sido injusta sobre a fuga de Tommen.
Talvez Arthur não fosse o manipulador cretino que acreditou que fosse. Talvez o Arthur bom caráter e gentil que conheceu fosse realmente o verdadeiro Arthur.
Encontrava-se em um turbilhão de sentimentos desde quando ele lhe disse o quanto ela o magoou, e tudo se intensificou ainda mais quando soube sobre a tal sacerdotisa. A sacerdotisa tinha magia, e não pouparia esforços para destruí-la, talvez até mesmo usando Arthur contra ela.
Quando cruzou o corredor, fechou o punho em ira. A mulher estava entre ele e a porta de seu quarto. Estavam próximos, e ela o encarava. Ela tinha cabelos escuros, olhos estranhamente azuis, e usava roupas vermelhas cor de sangue. Soube de imediato quem era.
Nimueh inclinou-se e passou as mãos pelos braços cruzados de Arthur. Quando subiu e tocou a maçã de seu rosto, mencionando beijá-lo, Elaene soltou um suspiro involuntário indignado, anunciando a sua presença.
Quando a mulher lhe olhou, sentiu faíscas voarem naquele pequeno corredor, e escutou a voz de Arthur ressoar de longe o seu nome.
Saiu do transe quando ele parou de frente à ela, a chamando mais uma vez e tocando seu braço. Mas a mulher continuava a encarar de forma maligna, e ela balançou a cabeça para voltar à realidade.
— Elaene? Tudo bem? — repetiu Arthur.
— Sim. Achei que deveríamos conversar, mas vejo que está ocupado, Pendragon. Talvez outra hora! – disse desviando o olhar do dele, para que ele não percebesse o quanto aquela cena havia mexido com ela. Controlou o bolo que formou em sua garganta e girou os pés para fugir dali. Ele a chamou mais uma vez, mas ela já caminhava decidida para longe dali.
Arthur sentiu repugnância daquela estranha mulher. Ele permitiu que chegassem longe demais.
“Maldita manipuladora.” Sussurrou para ele mesmo.
Aqueles malditos olhos, sempre o distraíam. Havia qualquer coisa de maligno neles. Voltou para perto dela e a segurou pelos ombros.
— Eu não sei que tipo de jogo você está armando por aqui, mas saiba que não caio nessa, Nimueh. –disse baixo e calmo, porém determinado — Você pode manipular meu ambicioso pai, mas não há nada que eu queira de você. Não toque em mim novamente. Não irá acontecer. Nunca! – disse deixando claro que as insinuações dela não teriam resultado.
Disse se afastando dela mas girou os pés e voltou ao seu encontro apenas para alertá-la.
— Nem pense em chegar perto dela e de meu filho! Não me teste, Nimueh...
Nimueh retribuiu as ameaças apenas com um sorriso torto e provocativo
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