Notas iniciais
Por enquanto, seguindo o cronograma de um capítulo por semana. Nossa tão esperada "conversa franca" entre Robb e Elaene Boa leitura!

Os primeiros dias de marcha seguiram-se tranquilos sobre um solo seco e plano. O ritmo era lento devido ao grande exército, mas avançavam rumo ao objetivo, Porto Real.

Os nortenhos, ao partirem de sua jornada no Oeste, haviam saqueado boa parte do ouro e pilhado algumas vilas, deixando os Lannisters enfraquecidos em sua vantagem financeira. Sem ouro para pagar seus soldados e mercenários, não teriam um exército sólido para consolidar seu reinado na capital, e enfrentavam uma grave crise de abastecimento.

Sem dinheiro para financiar seus homens, enfrentavam rebeliões e insubordinações, e sem recursos para alimentarem seu povo, enfrentavam revoltas urbanas na capital. A população faminta clamava pela ajuda do rei, que ao que aparentava, não se importava com seus sofrimentos, e continuava a financiar torneios inúteis, esgotando o cofre real.

A presença de Lorde Tywin, que havia salvo a família real do ataque de Stannis Baratheon, ajudou a controlar as finanças e a política mal exercida pela realeza. Porém, o embate final e a luta pela capital, definiria o rumo de Westeros.

Arthur sabia que estavam em grande vantagem, mas respeitava a inteligência e audácia de Tywin, e temia emboscadas, por isso, prevendo possíveis ataques às suas carroças que transportavam os recursos para alimentar o exército, aconselhou ao pai que desprendesse grande parte de seus homens para a retaguarda para protegê-los. Porém, Uther preferiu que mantivessem um ritmo mais forte, e avançaram.

Logo nos primeiros dias de marcha, Arthur provou estar certo. Alguns ataques isolados aos seus recursos foram executados, provavelmente por soldados Lannisters. Pelo ritmo estabelecido, quando os reforços chegavam, parte de seus recursos já haviam sido queimados e destruídos.

À contragosto, Uther seguiu o conselho do filho, e atrasaram o ritmo para manterem a marcha em uma massa sólida e inseparável. Tal descuido de Uther foi visto com maus olhos pelos aliados, que já viam em Arthur um melhor líder que o pai. Alguns segredavam que o casamento de Lancelot e Guinevere foi um grande golpe para o Pendragon, e que este mal conseguia se concentrar na guerra, com tamanho desgosto pela união.

=^=

Elaene e Gwen caminhavam pelas tendas. A dornesa demonstrava a felicidade pelo olhar, e parecia entorpecida pelos recentes acontecimentos. Elaene sorria amigavelmente, tentando esconder suas desconfianças e temores, e se concentrando na felicidade da amiga ao seu lado.

— Um Tyrell no comando da guarda pessoal da Senhora Pendragon? Isso é sensato, Elaene? – perguntou Gwen, a tirando dos devaneios.

— Sor. Loras é homem honrado, Gwen. Confio nele.

— Mas é um homem machucado. É sabido.

— Não mais... Apenas, saudoso. Loras é confiável, não se preocupe.

O papo fluía agradavelmente até Gwen tocar no nome de Robb. Elaene havia o evitado desde que a notícia sobre sua gravidez se espalhou. Sentia que ele a evitava também, mas não se sentia mal com isso, pelo contrário, estava aliviada em adiar o constrangedor diálogo.

— Como Robb reagiu à notícia do pequeno dragãozinho à caminho? – havia perguntado Gwen

— Eu não sei, Gwen. Não tenho conversas matinais com Robb Stark. Além disso, Arthur jogou isso na cara dele de uma forma reprovável, então creio que não tenha levado muito bem a novidade...

— Como diz?

— Esqueça isso, Gwen. Esse assunto me incomoda, não vê?

— Apenas tome cuidado e não fique entre os dois, Elaene. Sei que Arthur e Robb precisam um do outro agora, e se realmente nossos sonhos se concretizarem, teremos dois reinos, Norte e Sul, pacíficos e livres, e eles precisarão da maior harmonia possível entre si...

— Então você julga que sou culpada pela desavença entre os dois? Onde errei, Gwen? Quando fui trocada por uma Frey pelo meu noivo, ou quando me apaixonei por Arthur e quis seguir com minha vida?

— Não disse isso! Mas é que vocês três aqui, juntos, é como um vulcão da Valíria próximo a eclodir!

Elaene seguiu à frente da amiga, irritada. Mas parou e virou para continuar.

— Quer saber de uma coisa? Eu não sou a responsável e nem a culpada pela felicidade e angústia de ninguém! Robb fez suas escolhas, e eu as minhas. E sigo muito bem com elas, obrigada! – suspirou com raiva — Céus! Como poderia deixar tudo para trás, se você e Arthur revivem tudo de novo e de novo, a todo momento? Deêm-me um pouco de paz. Todos vocês!

— Elaene... – Gwen chamou a amiga, mas ela já havia virado as costas e caminhava para longe, enquanto lhe respondia sem olhar de volta.

— Tenha uma boa noite, Guinevere!

=^=

Quando Elaene se aproximou dele, logo sentiu seu próprio mau humor evaporar. Ele alisava alegremente a égua enquanto conversava com o anima, como se fosse um amigo. Ficou o observando admirada atrás da cerca, enquanto ele terminava de colocar adereços na crina, e apenas naquele momento, percebeu que ela o observava.

— Está me espionando, Lady Pendragon?

Elaene riu, descendo do degrau que estava apoiada, e abrindo a porteira para chegar perto dele.

— Quem é essa que tanto acaricia? Devo ficar com ciúmes? – disse provocante e Arthur lhe sorriu de volta.

— Talvez... – disse a puxando pela mão para lhe mostrar os ferimentos de batalha dela, que já estavam cicatrizando – veja isto, ela sobreviveu bravamente contra o fogo vivo, e apesar do pânico, encontrou um local seguro para abrigar seu dono – disse Arthur com orgulho. – Queriam sacrificá-la, mas não permiti. Cuidei dela pessoalmente, e agora ela está recuperada. Ela é uma sobrevivente!

Elaene sabia que Arthur tinha uma ligação forte com seu fiel corcel de batalha, Valente, morto na batalha em Camelot, e sorriu ao ver o elo que ele traçava com aquele outro animal também.

— Seu dono concordou com essa decisão?

— Sor Pellinore morreu na explosão da muralha, mas mesmo assim, Llamrei o levou para um local seguro, e não o abandonou até que o tirassem de lá. Uma heroína! – disse batendo com a mão no longo pescoço da égua, ouvindo um suave relincho de gratidão em retorno.

— Llamrei? Ela é linda, Arthur... Llamrei é magnífica!– E Elaene realmente estava encantada com a beleza e a história da doce Llamrei. A égua era branco-acinzentada, e em seus olhos havia duas longas manchas cinza escura, como se houvessem sido pintadas à mão.

— Estaria em boas mãos amanhã se Llamrei me acompanhasse, mas tenho outros planos para ela... – Elaene ouviu um outro relincho suave dela, com o que parecia ser um agradecimento para o que ele havia dito, e sorriu para a pureza do gesto, apesar da aflição que sentiu ao ouvir Arthur mencionar o inevitável e iminente confronto.

— Mesmo? Quais seriam esses planos?

— Llamrei já viu guerras e fogo o suficiente. Não quero mais que sofra em campo de batalha. Ela merece uma vida nobre e tranquila, com a melhor companhia que poderia existir. – pegou a mão de Elaene e a guiou até Llamrei para que acariciasse o pescoço da égua, e se conectasse com ela também – Meu humilde presente para a mulher que amo. – disse cochichando no ouvido dela e vendo a fascinação tomar conta de Elaene, que sorriu emocionada.

— Hmm... entendo. E quem seria essa mulher? – perguntou provocante, enquanto não escondia o sorriso que teimava a brotar na face.

— Eu não sei, ainda não a encontrei – respondeu Arthur, sorrindo de lado e sentindo um leve tapa no peito dado por ela.

Elaene tomou a sua boca bruscamente, segurando o rosto dele contra o seu. O beijo era urgente, e ela parecia não ter o suficiente, mesmo quando jogava seu corpo em direção ao dele.

Sentiu os lábios dele se moverem para cima, com um misto de sorriso e suspiro, enquanto teu próprio corpo dava sinais da falta que já sentia da intimidade com ele.

Segurou a mão dele e o puxou com pressa para fora do cercado, determinada a fazer a conversa desagradável com Gwen desaparecer de vez, junto com seu mau humor.

— Venha...

— Aonde está me levando? – perguntando Arthur, com uma voz maliciosa.

— Preciso de você... – respondeu Elaene com urgência, o arrastando para longe das tendas, e em direção à mata.

Arthur riu nervoso e disse tentando soar como uma reprimenda à ousadia dela, mas sua voz saiu trêmula pela excitação que sentia.

— Ainda é dia, Elaene...

Elaene não respondeu, e quando encontrou um local que julgou isolado e seguro, o empurrou contra o tronco de uma grossa árvore, voltando a tomar a sua boca enquanto percorria o peito dele com a mão e abria sua túnica. Arthur gemeu em sua boca e a puxou para mais perto dele, enquanto deixava o gosto dela nublar seus pensamentos.

Elaene separou o beijo e encostou as próprias costas na árvore, ao seu lado, o puxando pela mão para que a forçasse contra o tronco.

— Faça aquilo novamente? — pediu sussurrando em sua boca, quando o puxou pelo pescoço para mais perto dela. – Por favor...

— O que você quer? Peça qualquer coisa...

— Provoque-me daquele jeito, antes de estar dentro de mim. Por favor, é tão bom para mim...

O cavaleiro apenas obedeceu. Puxou-a para cima, levando seu vestido junto, e em um movimento rápido, puxou sua roupa íntima para o lado. Respirou fundo e lançou-se contra a intimidade dela, esfregando e a provocando, bem onde ela implorava por fricção. Sentiu os suspiros dela baterem em seu rosto, e quando não mais suportou, deliciou-se com a lubrificação que ela espalhou nele e afundou nela em um movimento longo e lento, a tempo de vê-la rolar os olhos para trás.

— Assim? — perguntou com um sussurro em sua boca.

— Deuses, sim! – respondeu com a voz trêmula, enquanto ele repetia o movimento e atacava seu pescoço, do jeito que sabia que ela gostava.

Quando Elaene abriu os olhos com dificuldade, nublada pelas sensações de prazer combinadas, pensou ter visto um grande vulto cinza, mas Arthur acariciou um de seus seios e sentiu os olhos pesarem novamente.

Porém, o vulto ficou mais nítido e ouviu o barulho de galhos quebrando ao pisotear de alguém. Empurrou o rosto de Arthur de seu pescoço, para que lhe desse uma trégua, e viu o grande lobo gigante a lhe encarar com olhos silenciosos.

— Vento Cinzento? – chamou-o assustada e Arthur virou o rosto para olhar para trás, e viram a figura de Robb surgir entre as árvores, com um olhar reprovador.

Arthur a soltou ajeitando a própria roupa e dando um soco na árvore, enquanto ela descia desajeitada de seu colo, puxando seu vestido para baixo.

Elaene afundou a cabeça no peito dele, envergonhada e humilhada, e com um suspiro ele a abraçou resolvendo ignorar a figura do nortenho atrás deles.

Robb fez o mesmo, e sumiu entre as árvores em completo silêncio, apenas assoviando para chamar Vento Cinzento de volta. Era ruim imaginar a intimidade dos dois, mas presenciá-la, foi um completo pesadelo.

— Mate-me... – sussurrou Elaene não se atrevendo a retirar o rosto do peito dele, enquanto ouvia os passos sumirem ao longe.

Arthur a segurou pelos ombros, e Elaene retesou ao toque, levantando a cabeça com a expressão de desgosto. Ele tentou passar a mão em seus cabelos, mas ela o afastou instintivamente.

— Elaene, está tudo bem... Foi apenas um infeliz descuido. Não se culpe...

Mas Elaene se sentia um monstro. Não era justo que Robb presenciasse aquilo. Afastou-se de Arthur o empurrando para o lado, também voltando sozinha para as tendas, sem dizer mais nada.

Gwen estava certa mais uma vez, a convivência entre os três era impossível.

=^=

Elaene ignorou Arthur durante a ceia e fingiu estar dormindo quando ele voltou para a tenda. Ainda sentia-se humilhada, e apesar de injusto, olhar para ele lhe fazia lembrar do que aconteceu na mata.

Quando ele deitou-se ao seu lado, percebeu que ela o ignorava, e que havia deitado no lado extremo da cama, quase implorando de forma gestual para que ele não se aproximasse dela. Mesmo magoado, a respeitou.

No meio da noite, Elaene sonhou com olhos de fogo e uma mulher de vermelho a lhe vigiar enquanto caminhava pela mata fechada. Algo a puxou pelos braços e viu olhos opacos de um cavaleiro, enquanto uma fria lâmina lhe beijava as entranhas. Gritou de dor e Arthur acordou atordoado ao seu lado.

— Elaene? Está tudo bem, foi apenas um sonho... – disse segurando-a pelo braço, porém, ainda assustada, ela o empurrou com agressividade, enquanto se esgueirava para longe do toque dele.

— Não... não... não me toque!

Arthur franziu a sobrancelha e a encarou com olhar de pura raiva com a rejeição. Estava farto.

Só então Elaene percebeu o que tinha acontecido. Agora magoara Arthur também.

— Será arranjado, minha Lady... — Ele levantou-se com raiva, pegando sua túnica e caminhando para fora da tenda.

Elaene o chamou e tentou alcançá-lo para se explicar, mas ele se desvencilhou de seu toque e sumiu por entre as tendas lá fora.

=^=

Arthur caminhou até um improvisado espantalho de treinos, no lado sul das tendas, próximo ao bosque. Atacava furiosamente o boneco, até que ouviu passou atrás de si.

— Ele ainda não morreu? – perguntou Oberryn sorrindo, e acariciando o cavanhaque.

Arthur o olhou carrancudo e sentou-se no tronco no chão, jogando a espada de treino para o lado, enquanto o dornês sentava ao seu lado.

— Péssima noite? – disse oferecendo um gole de seu vinho.

Arthur aceitou e tomou um longo gole, mas não respondeu à sua pergunta. Oberryn levantou a sobrancelha com o silêncio, e continuou

— Pelo seu humor, arrisco dizer que teve problemas com a doce Elaene. Se fosse apostar, diria que o Rei do Norte tem um dedo nisso.

— Malditamente correto, dornês... – respondeu baixo e entregou o vinho de volta para Oberryn.

— Vocês formam um casal adorável. Um patético casal de dragões apaixonados, cheio de segredos e traumas escabrosos, mas ainda assim, adoráveis. – disse tomando um gole e capturando o olhar de Arthur – mas deixe-me dizer uma coisa, Dragão. Elaene é maluca por você, qualquer idiota notaria, mas isso aqui... – apontou com o dedo para o local onde estavam e para a própria feição de raiva de Arthur no rosto – não lhe ajuda em nada. Em vez de reclamar da presença do fantasma nortenho, você deveria estar marcando seu território. E sobre marcar território, eu digo: fodendo com sua esposa, até que ela não consiga pensar em mais nada, além disso.

— Acontece que minha doce esposa não me deixa nem ao menos tocá-la no momento. E a culpa é do maldito nortenho, que nos ronda como um urubu vigiando sua presa moribunda, prestes a atacá-la.

— Volte para lá e faça com que ela peça que você a toque. Eu tenho que lhe ensinar tudo, Pendragon? – Disse Oberyn tomando outro gole do vinho enquanto se levantava.

=^=

Mais uma vez brigavam por conta de Robb. Sentia-se culpada, pois dessa vez, sabia que Arthur tinha o direito de se sentir magoado, assim como Robb teria.

O flagra na mata não poderia ser previsto nem em seus piores pesadelos, e relembrar fazia seu estômago revirar.

Sabia que deveria assumir as consequências de seus atos, e conversaria com Robb antes que partissem para Porto Real. Era uma loucura que se sentisse tão culpada por amar outra pessoa. Robb estava noivo novamente, e ela grávida de Arthur. Aquilo deveria acabar de uma vez por todas, ou as brigas e desentendimentos continuariam.

Deitou na cama imaginando que ele não fosse voltar mais aquela noite, e sentia falta de seu abraço quente para adormecer. Mas então viu o vulto entrar silencioso pela tenda.

— Arthur... – chamou por ele, delicadamente.

Ele olhou com um semblante ainda magoado, e de sua boca saiu um suspiro.

— O que você quer, Elaene? – respondeu baixo, puxando uma almofada e deitando no tapete no chão da tenda.

— Desculpe-me por aquilo. Eu não sabia bem onde estava quando acordei. Sonhava que alguém me atacava e pensei que o seu toque fosse dessa pessoa...

— Tudo bem, Elaene. Esqueça...

— O que lhe chateia?

— O que me chateia, é seu olhar de desprezo como se eu tivesse culpa pelo que aconteceu hoje à tarde. Você me arrasta para o bosque para transarmos em plena luz do dia, e acredite em mim, eu não fico nem um pouco chateado quando você toma essas atitudes, mas me ignorar me fez sentir péssimo. Senti-me culpado por te tocar, e eu tenho minha cota de pecados, mas esse não é um deles.

— Eu fiquei em choque, Arthur. O nojo que sentia, era de mim mesma. Desculpe-me...

— Elaene, você não deveria se sentir culpada. Não fizemos por mal e não cometemos nenhum crime. Robb é um homem feito. Já lhe disse para conversar com ele, não é? Pois vá. Resolva suas pendências ou me deixe de uma vez, se é o que queres. – disse esfregando a mão no rosto, suspirando, e a ouviu se levantar da cama improvisada, e deitar-se com ele no tapete.

— Por favor, não vá para a guerra assim. – disse puxando o rosto dele perto do seu, mas ele desviava o olhar para o lado, não dando oportunidade para ela lhe beijar. – não vá para a guerra amanhã me odiando... por favor!

— Pelos Sete, Elaene... não há nada nesse mundo que me faça te odiar. Mas nesse momento... – disse pausadamente segurando as mãos dela de seu rosto e as afastando – não vejo a hora de ir para a guerra, e você sabe o quando odeio aquele inferno. Pelo menos o quanto mais rápido a batalha chegar, mais perto estarei de me ver livre da presença de Robb Stark entre nós!

— Não deixe que eu atrapalhe o que vocês têm em comum. Não posso ficar entre vocês e causar mais sofrimento para tanta gente. — disse olhando para as mãos — Eu o estava evitando, justamente para não nos causar problemas, mas o Sul parece ser pequeno demais para nós três.

— Eu não o odeio, Elaene. Admito que o respeito e admiro. Apenas não suporto ver você se sentindo culpada por estar ao meu lado.

— Jamais, Arthur... Jamais! – disse, enfim, capturando sua boca – tenho orgulho dos caminhos que segui, e de você... Eu te amo. Somos uma família agora. – encostou sua testa na dele -procurarei o Rei do Norte antes que partam para Porto Real. Estou magoando os dois, e isso me mata aos poucos...

Arthur respondeu com um suave beijo em aprovação, e Elaene levantou oferecendo uma mão para que ele a acompanhasse.

— Venha... vamos para a cama.

Arthur aceitou o toque e deitou-se ao lado dela na cama. Assim que se acomodou, Elaene partiu para cima dele e lhe tomou a boca. Ele interrompeu o beijo a segurando pelos ombros.

— Espere... – mas ela avançou de novo contra sua boca, ajeitando seu corpo em cima do dele.

— ...não acho que seja uma boa ideia, Elaene... – disse interrompendo o beijo, enquanto ela segurava sua mão, para guiá-lo até o seu seio, e o fez apalpar bruscamente.

— Por favor, me toque, Arthur... – pediu sussurrando em sua boca, e aplicou uma suave mordida no seu lábio inferior – me toque...

“Malditamente correto” pensou Arthur sobre o conselho da víbora, sem ao menos sentir qualquer culpa ou medo quando Elaene gemeu ofegante em seu ouvido.

=^=

Enquanto pensava que as coisas não poderiam ficar mais constrangedoras entre ela e Robb, viu a tal camponesa saindo de sua tenda antes do primeiro raio de sol brilhar no horizonte. Era uma moça muito jovem e bonita, e seus longos cabelos loiros estavam bagunçados quando ela lhe olhou. Viu seus olhos se arregalarem com o que seria medo ou vergonha, e a moça fazer uma reverência desajeitada.

— Lady Pendragon...- disse com a voz trêmula – Com licença...

Elaene a observou andar apressadamente para longe de sua presença enquanto Robb aparecia em sua vista. Seu olhar era frio e não demonstrava qualquer embaraço pela flagrante presença da garota em sua tenda.

— Vossa Graça, teria um momento?

Robb apenas acenou para o guarda em sua tenda, e autorizou a entrada de Elaene.

A tenda era espaçosa e apesar do calor do sul, ostentava tapetes e mantas de pele do Norte, como se Robb quisesse garantir a presença do frio por ali.

— O que a traz aqui, Lady Pendragon?

Elaene não conseguiu deixar de notar a falsa formalidade entre os dois, e bufou em reprovação ao que faziam.

— Robb, precisamos conversar. – quando notou que ele desviou o olhar, continuou – sobre tudo! Tudo, Robb!

— O que teríamos para conversar, Elaene?

— Você está magoado. Eu sinto muito. Desde que nos vimos em Dente Dourado, muita coisa aconteceu. Fomos raptados e Arthur arriscou a própria vida para me salvar. Ele mostrou seu valor, e é um bom homem. Assim como Margaery é uma boa mulher. Seguimos caminhos opostos, mas temos nossa chance de sermos felizes. E merecemos, não acha?

— Você realmente parece estar bem feliz e satisfeita – sugeriu com uma voz maliciosa, e ela sabia que ele se referia ao episódio na mata.

— Nem pense nisso, Robb. Você não me fará sentir culpada novamente! Eu sinto muito por você ter nos visto, e apenas por isso, sinto muito. Jamais tive qualquer intenção de te magoar.

— Apenas me responda uma coisa. Sempre me soou estranha a rapidez com que você me superou e se envolveu com o Pendragon. O que aconteceu entre vocês? Você se apaixonou por ele, ainda em Winterfell, às minhas costas?

— Estranho. Enquanto você move a boca, eu vejo a voz de Theon dizer essa besteira. Claro que não! – lembrou-se do episódio no pátio de treinos em que sentiu o coração acelerar quando Arthur chegou tão perto, e do beijo roubado no bosque sagrado, mas se manteve em silêncio – Eu e Arthur nos tornamos muito próximos desde quando ele me resgatou no Ramo Verde. Nós já havíamos tomado destinos diferentes, e eu não te culpo por isso, Robb. Você fez o certo. Assim como acredito que fiz o certo também.

— Acho que seu pai deve estar rindo de nós nesse momento — Robb riu de repente, e Elaene franziu a sobrancelha sem entender – ... naquele dia em que fui pedir ao meu pai, teu protetor, para abençoar nossa união em casamento, ele havia me dito o motivo porquê Jon Arryn não havia aprovado nosso noivado.

— Eu já estava prometida à Arthur. – Robb lhe olhou em confirmação e surpresa por ela saber – Ele me contou quando me propôs.

Robb continuou a lhe olhar, e agora Elaene havia entendido porque ele ria. Jon Arryn conseguiu o que queria, de um jeito ou de outro. Riu junto com ele, e sentiu o clima melhorar.

— Agora eu acredito em destino. – disse Robb, um pouco melancólico.

— Por que não me disse o motivo, naquela época?

— Porque meu pai havia me feito prometer que não diria, e também por que temia a forma com que vocês dois se olhavam. – disse acenando para Elaene, para que não negasse – Arthur lhe disse o motivo dessa aliança tão prezada por Arryn?

— Não... Porquê?

— Eu não sei, acho muito suspeito, você não?

Imediatamente Elaene se lembrou do segredo sobre ela que atormentava Arthur, e seu instinto lhe dizia que aquilo haveria de ter relação com ele.

— Não importa mais, sei que é difícil convivermos assim, tão próximos, mas você e Arthur são grandes aliados agora, e o futuro de Westeros depende disso. Poderíamos ter uma trégua, entre nós três?

— Claro, Elaene. Não sinto nada além de amor por você. E, apesar de ter dito o contrário para Arthur, o respeito muito mais do que gostaria, por te fazer feliz.

Elaene não controlou o sorriso e agradeceu Robb.

— Sinto falta de casa, Elaene. – disse suspirando — mas tenho medo do que sentirei ao voltar para Winterfell, e não mais te ver em baixo da nossa árvore-coração, ou a meu pai andando pelos corredores...

Elaene fechou os olhos e era como se estivesse lá mais uma vez. Pôde até sentir o cheiro de neve. Avançou e abraçou Robb com saudades.

Robb separou o aperto e a acariciou no rosto, secando a lágrima solitária e teimosa que caia.

— Vá... tenho que me preparar para partir...

Elaene acenou em despedida, e lhe desejou sorte com o olhar antes de sair da tenda.

Enquando caminhava pelo campo verde do sul, ainda podia sentir o cheiro da neve nortenha.

Notas finais
Muitos diálogos nesse capítulo, eu sei. Espero que não tenha ficado cansativo. No próximo, o pau come hahahah P.s: conselhos do Oberyn, são sempre os melhores!