Queen of ice and fire
35 Lar

Ele podia sentir a dúvida no semblante de Snow. Seus homens davam sugestões sobre o que fazer com Arthur, sem nenhuma preocupação com sua presença ali.
— Amarre suas mãos e pés, e deixe o rio levar. – havia sugerido um homem com uma estranha calvície disfarçada com um rabo de cavalo de pequenos fios de cabelo ensebados.
— Precisamos dele. Se nos alcançarem, poderemos negociar sua vida com nossa fuga para o norte. – sugeriu outro homem com uma aparência um pouco mais agradável.
— O pai dele é um homem muito poderoso, não temos para onde correr. Aquela vadia nunca deveria ter fugido!
—Eu digo que devemos o deixar aqui na mata. Se o matarmos, os senhores da Campina, do Vale e do Norte nos caçarão como loucos. – disse um homem gordo, cuspindo a erva que mascava no chão.
Snow o olhou de longe e mais uma vez lançou aquele macabro sorriso enquanto se aproximava.
Arthur estava sentado no chão com as mãos amarradas para trás.
— Parece estamos vivendo um dilema na nossa relação, milorde! – disse enquanto se ajoelhava para ficar no mesmo nível de Arthur. – Veja bem, seus amigos estão implacáveis atrás de nós. Ouvi dizer que há uma bela recompensa por nossas cabeças. Quanta grosseria da parte deles, não acha?
Arthur levantou seu olhar ao encontro do dele, com o pouco de dignidade que ainda lhe restava.
— Pendragon, eu não gosto de seu rosto. É muito bonito, e isso me incomoda. – disse enquanto pegava sua adaga e a encostava na bochecha de Arthur. – Vou te fazer um favor, apesar de atrasar nossa fuga. Irei considerar deixar você viver para que leve seus amigos para longe de meu rabo. E como sou misericordioso, irei melhorar essa tua cara. Um homem precisa ter marcas...
Ramsay apertou a adaga contra a pele de Arthur até o sentir suspirar e uma longa gota de sangue começar a escorrer pelo rosto dele. Quando a gota caiu de seu queixo para o solo, Ramsay desenhou um traçado do lado superior de sua bochecha até o queixo de Arthur, rasgando seu rosto, enquanto ria da expressão de dor cavaleiro.
— Veja só, bem melhor, não acha Joan?
O outro homem juntou-se a Ramsay e gargalharam. Arthur sentia o sangue escorrendo pela face e a ira que sentiu fez sua mandíbula travar.
— Você tem esse olhar superior, Pendragon, mas eu irei te esfolar. E quando o fizer, você implorará para morrer. Não haverá orgulho, nem ódio e nem amor que te segure nesse mundo. Um homem esfolado não guarda segredos e nem esperanças – disse enquanto apanhava uma gota de sangue que jorrava de seu corte no rosto e a botava na boca saboreando.
— Nós temos que decidir! Os homens estão no nosso encalço, aqui não é seguro. Ele está nos atrasando, já perdemos nossa vantagem. Deixe-o aqui. — Disse um de seus homens.
Ramsay levantou-se e por alguns instantes ele visualizou a fúria naqueles gelados olhos azuis. Voltou o olhar para Arthur, e lhe fez uma promessa.
— Eu irei te esfolar, Arthur. Não há nada nesse mundo que eu queira mais do que arrancar essa sua maldita pele. – Sua feição se transformou novamente para o estranho sorriso – mas não hoje. Não... não temos tempo e além disso, você reclama muito que tens sede. Hoje você irá nadar um pouco...
=^=
Camelot
Quando Elaene atravessou o portão para o pátio de Camelot, sentiu-se deslocada mais uma vez. Ela não deveria estar ali enquanto ele não estava. Olhou com melancolia para as janelas superiores do castelo, de onde o viu partir pela última vez.
Ainda sentia-se fraca, e um cavaleiro da guarda de Lorde Royce a ajudou a descer de sua montaria. Viu a figura de Gwen correr em sua direção e a abraçou firme, segurando pelos cabelos. Quando a amiga soltou o aperto, tocou o rosto dela notando as olheiras e sua palidez ainda mais evidente. Elaene apenas acenou com cabeça deixando a lágrima teimosa correr.
— Sinto muito, Gwen. Arthur me salvou... mas eu não pude... ele ficou... eu não sei...
— Elaene, eu não estou preocupada com Arthur. Ele vai voltar, sempre volta. Ouviu? Vamos preparar seu banho. – Gwen a tomou pela mão a guiando para o castelo.
Quando se afastaram dos homens, Gwen cochichou para Elaene.
— Você sabe sobre Gwaine?
Elaene abaixou a cabeça e acenou positivamente.
— Merlin me contou.
— Estou preocupada com Lancelot, Elaene. Ele está com o exército do Rei do Norte rumo Oeste adentro, e não temos notícias há dias. Esse atentado que matou Gwaine, e o rapto em Lágrimas douradas... As coisas estão tensas por aqui. Uther está furioso, e percebo que algo grande acontecerá em breve. A batalha por Porto Real se aproxima, e estamos tão próximos..
— Eu não dou a mínima para quem senta naquele maldito trono, Gwen. Não mais. A única coisa que desejo, é que Arthur volte para casa.
=^=
Elaene o viu através do pálido luar que refletia nas águas do rio. Podia sentir todo seu desespero para se manter flutuando com o rosto virado para cima, porém perdia a todo tempo o controle dos movimentos e voltava a afundar. A força dele estava se esvaindo, e ela sabia que ele estava a um fio de desistir da sobrevivência.
Ela sentiu-se impotente. Ele estava frágil e fraco. Sua vulnerabilidade era tamanha, que aquela figura parecia ser apenas a sombra do famoso Pendragon, o grande cavaleiro e espadachim de Camelot.
Gritou e acordou com o corpo banhado em suor. Olhou ao redor e não havia ninguém para confortá-la. Apenas a suave brisa da Campina, que fazia sua janela bater levemente.
Ficou acordada o resto da noite pedindo aos deuses do sul, que há muito já haviam a abandonado, que guiassem o caminho de Arthur e o trouxessem seguro para casa. Para seus braços.
=^=
Há dias Elaene mal saía de seu quarto. Não havia chegado notícias à Camelot nem de Arthur, nem sobre Porto Real, e nem sobre a investida de Robb Stark no Oeste. Sentia-se ainda mais deprimida desde a noite que sonhou com Arthur se afogando.
Ouviu batidas na porta interrompendo seus pensamentos, mas continuou com sua atenção para a janela de seu quarto, onde agora passava grande parte do seu dia, esperando ele voltar e atravessar o pátio do castelo.
— Elaene, trouxe seu desjejum.
— Obrigada, Gwen. – disse ainda sem olhar para trás.
— Tem certeza de que não quer fazer o desjejum no salão? Merlin pergunta por ti o dia todo.
— Sim, Gwen. Merlin apenas me traz mais perguntas e nunca as respostas das quais preciso. Quero ficar sozinha. Prefiro ficar a sós, Gwen.
Sentia-se irritada apenas em ouvir o nome dele. Tentou questionar Merlin sobre seus poderes várias vezes, porém o garoto nunca lhe respondia nada concreto e direto. Seus enigmas a enlouqueceriam, então agora ela o evitava o quanto podia.
De alguma forma, notou que desde quando revelou sobre os estranhos acontecimentos em Ponte Amarga, e sua “luta” com a sombra, Merlin sentia medo dela, como se a qualquer momento ela se transformasse em algo que ele não pudesse mais domar. Desde então, a tratava como se medisse cada um de seus passos, a deixando irritada.
— Prometa que passará algum tempo comigo essa tarde. Por favor, Elaene. Perdi Lancelot, Arthur e Gwaine. Não quero perder minha única amiga também...
Elaene a olhou e pela primeira vez e arriscou um sorriso de conforto.
=^=
Gwen fez bem ao humor de Elaene. Desfrutaram de uma tranquila tarde às margens do rio Avalon. A amiga havia providenciado toalhas e forraram a grama para um breve piquenique. Saborearam as suculentas frutas da campina enquanto Gwen lhe contava histórias absurdas e engraçadas.
Sentia-se intensamente grata pela amiga. Gwen parecia ser uma mulher sofrida e dura, mas em seu âmago, era carinhosa e justa.
Ouviram cavalos se aproximando, e sentiu-se tensa automaticamente procurando pela adaga. Não se sentia mais segura em nenhum lugar. Reconheceu Merlin e um soldado de Camelot que o guiava até a margem onde estavam.
— Merlin, o que faz aqui?
— Fico feliz em te ver fora daquele quarto Elaene... – o garoto esboçou um sorriso enquanto continuou – Preciso que me acompanhe. Há alguém em Camelot que deseja lhe ver.
Elaene fez uma careta com o mau humor que sentiu em imaginar socializações naquele momento, mas seguiu o caminho de volta sem reclamar.
Quando entrou no pátio do castelo já estranhou sua movimentação, e quando avançou no grande salão principal, confirmou a presença de vários soldados do Vale e de casas menores da Campina.
Quando olhou para trás ao encontro de Merlin, ele sorria de uma maneira genuína, e apenas quando olhou para a mesa novamente, notou uma figura se destacar. Era incrivelmente alta e seu cabelo loiro claríssimo, destoava dos demais. Brienne.
Avançou alguns passos e quando os homens notaram sua presença no salão, afastaram e ela notou a figura que sentava na cadeira de honra do salão, ao lado de Uther.
Elaene sentiu seu coração pular pela boca quando o olhar cruzou o com dele. Era a segunda vez que o via tão frágil, a primeira havia sido em Dente Dourado, e poderia jurar que não suportaria vê-lo assim uma terceira vez.
Tentou andar até ele mas seus pés cravaram no chão, e sentiu todos os olhares dançarem entre os dois enquanto permaneciam imóveis se encarando. Ambos estavam vacilantes, pois não sabiam como se portar diante dos senhores do Vale a da Campina a lhes medirem a cada movimento.
Arthur se levantou da cadeira e Elaene não notou o esforço que ele fez para suavizar a careta de dor. Caminhou lentamente em sua direção, e seus pés simplesmente o levavam até ela.
Elaene permanecia paralisada enquanto o acompanhava com os olhos, e quando a distância entre eles tornou-se mínima, se jogou em seu abraço, liberando o ar que estava preso e as lágrimas de alívio que, por fim, puderam escorrer e encontrar o ombro dele.
Permaneceram um tempo abraçados em silêncio no meio do salão, enquanto todos ao redor os observavam com cautela. Foi Uther quem os interrompeu, separando Arthur do abraço e levando Elaene até Lorde Royce.
O senhor vassalo da casa Arryn beijou sua mão em reverência e trocou palavras de gracejo, porém Elaene não conseguia tirar os olhos de Arthur atrás deles, agora que notou a enorme cicatriz em seu rosto e o quanto estava abatido lhe observando a distancia.
— Senhores, peço perdão. Não me sinto bem essa tarde, estarei em meus aposentos. Com licença. – Elaene retirou-se do salão às pressas, não antes de lançar um sugestivo olhar para Arthur, torcendo para que ele entendesse que queria estar junto dele com privacidade.
Quando Elaene entrou no quarto, cada segundo parecia durar um mês inteiro. Sentia que o vestido estava mais apertado do que antes, pois se tornou uma tarefa árdua conseguir respirar dentro dele.
Andava de um canto ao outro do quarto tentando controlar o turbilhão de sentimentos que a movia, e a ansiedade que tomou conta pela demora. Sentia vontade de descer para o salão novamente, e arrastá-lo pelos braços para fora dali, mas ouviu a batida suave na madeira, e sentiu o coração bater ainda mais rápido.
Mal teve tempo para abrir a porta, e ele já havia lhe empurrado para dentro do quarto e tomado sua boca na dele. Ela sentia os lábios dele nervosos sobre o seu, enquanto prensava ela contra a parede.
Elaene deu um puxão firme em seu cabelo enquanto ele a puxava para cima, e encaixou as pernas em sua cintura.
— Você voltou...- sussurrou em sua boca, laçando-o forte com os braços em seu pescoço.
— É claro que voltei. Eu a prometi que sempre voltaria, não foi? – Disse suavemente para logo em seguida sugar o lábio inferior dela, e continuar — Para sentir mais uma vez o teu cheiro – passou a ponta do nariz pela garganta dela — teu calor... – sussurrou em seu ouvido resfolando o lábio na pele sensível — O quanto teu corpo se encaixa perfeitamente no meu aperto. – deslizou a mão pelas coxas dela, puxando-a a barra do vestido para cima, a fazendo suspirar e fechar os olhos com o contato mais íntimo.
— Deuses! Tudo que quero, é passar um dia inteiro assim contigo. Apenas isso! – passou o nariz pela mandíbula dela, aspirando o aroma em seu pescoço, provocando mais arrepios nela.
— Então fique! – suplicou Elaene — Eu não ligo para essas pessoas e nem para o que elas pensam. Eu quero você, Arthur. Nunca estive tão certa sobre algo, como estou agora. Eu quero você, agora!
Elaene sentiu o quanto ele estava excitado, e notou que seu próprio corpo ficou ainda mais quente com o contato tão próximo. Deu um puxão no cabelo dele enquanto ele devorava seu pescoço e instintivamente moveu o quadril apoiando as pernas nas costas dele, em busca de alguma fricção.
Ele encostou sua testa na dela enquanto respirava fundo, tentando acalmar-se.
— Deuses, me ajudem senão cometerei uma loucura. – suspirou no rosto dela e colocou uma mão na parede ao seu lado, como se pudesse agarrá-la com os dedos e enganar o desejo que sentia de agarrar Elaene.
Elaene avançou contra seu pescoço ferozmente e deu um beijo molhado no ponto sensível, fazendo-o arfar.
— Eu quero você... – sussurrou mais uma vez em seu ouvido, e ele bateu a palma contra a parede, soltando um gemido de rendição.
Arthur a puxou em seu colo e a depositou na cama, com pressa e desespero, deitando por cima dela e usando os cotovelos para equilibrar seu peso.
Desceu seus beijos desde o pescoço até o seu decote, dando um leve aperto nos seios dela com uma mão e notando o quão ofegante ela estava.
Quando sentiu que ela tentava tirar sua túnica, levantou o dorso ficando de joelhos, e a retirou de uma vez, sem lembrar-se das grandes cicatrizes de cortes e queimaduras que agora marcavam seu peito.
O olhar de espanto que ela lançou, o fez se despedaçar e paralisar. Rapidamente se virou e sentou na cama de costas para ela, fazendo menção de se vestir, quando sentiu ela lhe abraçar por trás lhe segurando a mão para que não se vestisse novamente.
Elaene notou seus dedos da mão direita dele inchados e fraturados, e aplicou um carinho dócil como se pudesse o curar com o toque.
— Diga-me o que aquele monstro lhe fez – disse o beijando na nuca, apertando o abraço, o impedindo de se levantar.
— Por favor, Elaene... não hoje, não agora. Eu sinto muito por você ter visto isso. Eu sei que é repulsivo.
Elaene enfureceu-se e o virou pelos ombros para que encontrasse o seu olhar.
— Não seja ridículo! – disse tocando a grande cicatriz que agora marcava o lado esquerdo de seu rosto – são apenas marcas! Eu apenas não tinha dimensão do que aqueles cretinos haviam feito contigo. Você é tão bonito, eu sou maluca por você ...
Elaene segurou seu rosto e o puxou para um beijo delicado enquanto deslizava sua mão pelo peito dele, como se venerasse cada marca que ele possuía. Porém, Arthur segurou delicadamente seu punho, incomodado com o toque em seu peito ferido, e interrompeu o beijo.
— Precisamos conversar. – disse enquanto se posicionava de lado na cama para encará-la de frente. –Lorde Royce quer levá-la para o Vale.
Elaene suspirou e virou os olhos.
— E eu não vou, Arthur. Óbvio.
— Stannis está às portas de Porto Real, e não temos ideia do que pode acontecer com os domínios do Sul após o confronto iminente. Estamos muito próximos da Capital. Lannisters ou Stannis, qualquer um deles, são nossos inimigos.
— Camelot é segura. Nunca foi tomada, você sabe melhor do que eu!
— Nenhum lugar é seguro tão perto de Porto Real. Não posso correr esse risco. Você precisa ir o quanto antes.
Elaene arregalou os olhos e abriu a boca em susto.
— Eu percebo o que você está fazendo, Arthur. Você me quer longe de ti?
— Claro que não! O Vale é um lugar neutro e seguro, ao menos por enquanto. Você precisa estar a salvo, só isso.
Elaene levantou-se da cama com fúria.
— Porque pelos sete infernos vocês se preocupam tanto com minha segurança? Eu sou apenas uma órfã! Se não fosse filha de nobres, não seria ninguém!
— Você é muito mais importante do que imaginas... – Arthur respondeu calmamente e sentiu Elaene mudar sua expressão de fúria para uma irônica risada.
— Deuses, como sou burra... o Vale. Vocês precisam do Vale para reinar no Sul, não é? Como pude me esquecer disso...
Arthur sentiu o cansaço pesar nos ombros e botou a mão no local dolorido, fazendo uma careta e suspirando.
— Elaene...
— É isso, não é? É só o que vocês aqui no sul pensam: Poder! Por isso me salvou? Para que seu pai tivesse o trunfo do Leste nas mãos? Uther me fará de moeda de troca para Sor Royce, e você aceitou?
Arthur arregalou os olhos e levantou da cama bufando com raiva, vestindo a túnica novamente.
— Eu nunca pensei que você pudesse dizer tanta besteira em um intervalo tão curto de tempo! Depois de tudo que passamos, você realmente acredita no que acabou de dizer?
Eleane sentiu-se fraquejar por um momento, mas manteve a expressão firme.
— Então porque me protegem tanto, Arthur?
— Eu lhe protejo, porque te amo, sua maldita teimosa! Você não entende isso?
Elaene estreitou o olhar e decidiu que era o momento de pressioná-lo.
— Tem algo mais...
Arthur deixou sua expressão vacilar por um breve instante, vencido pelo cansaço que sentia, abaixando o olhar, e foi o suficiente para Elaene notar a hesitação em seus olhos.
— É apenas isso... – disse desviando o olhar para o lado
— Pelos deuses! — disse chocada — Arthur, você está mentindo para mim. Agora eu tenho a absoluta certeza de que me escondes algo!
— Elaene, eu realmente preciso descansar. Você não faz ideia do inferno que atravessei nos últimos dias.
Elaene sentiu-se tão enfurecida que mal ouvia o que ele lhe dizia. Ela estava certa de que ele escondia algo muito grave, e a ira que sentiu ao constatar isso, formou um bolo em sua garganta, com lágrimas que não conseguiu controlar antes que caíssem.
Arthur tentou se aproximar e tocar seu rosto, mas ela deu um tapa em sua mão, e com dois largos passos para trás se afastou cerrando os dentes em fúria.
— Não toque em mim, Pendragon. Não toque em mim até que deixes de mentir!
Ele levantou as mãos em demonstração de trégua e caminhou para fora do quarto.
— Nos vemos no jantar.
Quando fechou a porta atrás de si, ouviu o barulho de algo batendo e quebrando contra a mesma, e caminhou decidido à procura de Uther. Não suportava a ideia de vê-la partir acreditando que tudo que viveram foi uma farsa.
O peso o esmagava, e não suportava mais carregá-lo.
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