— Nós precisamos conversar, pai – Arthur disse segurando o braço de Uther, para que parasse de caminhar pelo corredor e o escutasse. – Agora!

— Arthur, eu tenho assuntos urgentes a tratar! Você ouviu bem as notícias que nos trouxeram do Oeste e a investida do Rei do Norte em Lannisporto...

— É sobre Elaene...

— Eu estou bastante intrigado com seu envolvimento com Lady Arryn. Intrigado não, preocupado! O que queres conversar?

— Sobre a partida dela para o Vale...

Uther virou-se e pôs a caminhar novamente, sendo seguido de lado por Arthur.

— Não desperdice meu tempo com bobagens.

— A felicidade dela não é uma bobagem.

— A felicidade dela não está nos meus planos, Arthur. Nem todos têm o luxo de serem felizes. – virou a cabeça para o lado para dizer baixo — Você sabe que é importante para o reino que ela esteja segura.

— Sobre isso que desejo conversar. Devemos contar a verdade à ela. Ela pressente que há algo errado, e é melhor que saiba o quanto antes...

Uther parou de caminhar e parou na frente do filho com os olhos arregalados e a mandíbula cerrada em fúria.

— Está maluco? Tens idéias do que estás sugerindo? Estamos no meio de uma guerra e de um reino dividido em migalhas. O que os inimigos fariam se soubessem da verdade? Os Lannisters dariam todo o ouro que possuem em troca da cabeça dela!

— Ela entenderá e manterá sua origem em silêncio, até a chegada de sua hora.

— Revelar a verdade à ela agora, não é uma possibilidade!

— Eu não posso mais mentir, pai. Não suporto mais mentir. Não à ela.

— Você está agindo como um tolo e fraco. Sim, eu consigo ver em seus olhos. Aliás, eu e cada homem naquele salão notamos a maneira como vocês dois se olharam. Eu sempre lhe disse que esse é o pior sentimento que um homem pode ter.

Arthur abaixou o olhar, se sentindo intimidado pela frieza com que o pai o julgava, e a postura autoritária que tomou.

— Eu penso que você está errado.

— Eu lhe disse para seduzi-la, mantê-la sobre controle. Arrancar sua donzelice para prendê-la a ti, e se divertir um pouco com ela. Parecia-me uma boa ordem. Caso fosse vantajoso, vocês se uniriam em matrimônio no futuro, quando tudo estivesse em calma. Porém, você fez a coisa mais estúpida que poderia: envolver-se sentimentalmente com Elaene.

— Eu a amo e isso não é a minha fraqueza, é minha força.

— Eu não quero mais ouvir você dizendo essas bobagens, entendeu? Esse reino se desfez por conta desse tipo de delírios sentimentais... Ordeno que deixe essa fraqueza de lado!

Arthur soltou uma risada irônica.

— Ordena? Por mais que você ame controlar a tudo e a todos, você não pode controlar meus sentimentos!

— Ela irá partir para o Vale amanhã mesmo e você cumprirá com seus deveres. Em semanas você a verá apenas como uma bela mulher, exatamente como deve ser. Uma boa pretensão para um matrimônio e bons filhos. Em breve marcharemos para Porto Real, e Camelot precisa de seu líder em batalha, então recomponha-se. Você está com uma aparência horrível. — disse enquanto dava às costas ao filho, deixando Arthur frustrado.

=^=

— Eu juro que não entendo vocês! Imaginei que ficariam por horas e horas trancados naquele quarto, e só sairiam de lá quando ali estivesse insuportavelmente cheirando a sexo! Vocês quase morreram, mas estão aqui, há passos um do outro, com esse clima ridiculamente pesado. Irei trancar vocês em um dos quartos, e se não resolverem essa besteira logo, baterei em suas cabeças com um toco de madeira!

— Você não entende, Gwen. Ela quer algo que eu não posso dar. Não agora!

— A verdade?... ela me contou sobre a discussão entre vocês...

Arthur abaixou o olhar quando sentiu a intensidade que Gwen lhe encarou, e caminhou rumo à sacada, debruçando-se no parapeito.

— Sim. Não posso mais mentir, mas também não posso dizer a verdade.

— O que seja, o fará perde-la. Tem consciência disso? Ela irá com a comitiva amanhã, e se partir levando essa dúvida de seu caráter, não tenho boas perspectivas para vocês no futuro.

— Eu não sei o que fazer, Gwen. Juro pela minha falecida mãe, que meu maior desejo é me livrar desse mistério, mas não posso! — abaixou a cabeça e soltou uma respiração profunda — Talvez seja melhor que ela parta e me esqueça. Ao menos saberei que estará segura no Vale. Amar não é isso? Ser despretensioso? Ela pode me odiar o quanto quiser, desde que o faça viva e segura.

— Pelos sete, Arthur. Quanto drama! Tente ao menos convencê-la de que tem boas intenções e dê crédito à ela. Ela o ama, sabia? – Gwen sorriu e juntou-se a ele no parapeito da sacada – soube disso assim que botei os olhos nela, no primeiro dia que chegou em Camelot.

— Convencê-la de que tenho boas intenções e vê-la partir com Sor Royce...

— Ela realmente tem de ir para o Vale? É um lugar estranho para ela agora. Além disso, você não precisa desistir dela, afinal essa guerra não durará para sempre. Elaene tem uma ótima pretensão, e acredito que Uther ficaria feliz em vê-lo se unir à filha de seu amigo Jon Arryn.

Arthur botou a mão no rosto determinado a não se afundar ainda mais em mentiras.

— Ela precisa partir... A única coisa que posso fazer, é esperar que ela me perdoe por não impedi-la.

=^=

Assim que Merlin autorizou sua entrada, anunciada ansiosamente, Elaene entrou em seu quarto determinada.

— Chega de malditos enigmas, Merlin. Estou farta disso! Não sairei daqui enquanto não me disser algo concreto.

— O que está dizendo, Elaene? – perguntou Merlin se aproximando.

— Quando nos despedimos em Correrio, disse que jamais deixaria de amar o lobo, mas que amaria outro. Você disse algo em como tudo estaria mudado da próxima vez que nos encontrássemos. Você acertou muitas coisas que disse até agora, e eu tenho certeza de que tem as respostas que preciso!

— Elaene...

— Se você repetir o discurso de que és meu guia e voltar a me enrolar, juro por todos os deuses que irei enfiar uma flecha no teu maldito peito!

Merlin respirou fundo quando reconheceu a fúria de dragão nos olhos dela, e fez um gesto para que ela sentasse.

— A magia esteve adormecida durante muito tempo, você sabia, não é? A magia deu vida aos dragões, aos deuses, aos videntes... é o que trouxe a vida e move o mundo.

— Eu sou uma bruxa? Um vidente verde?

— Nem uma coisa, nem outra. Mas um pouco dos dois. Você é especial, Elaene. Há uma profecia sobre o teu nascimento, e com ele, o retorno da magia. Você será responsável por alguns acontecimentos extraordinários de que o mundo precisa presenciar mais uma vez.

— Por que eu?

Merlin mexeu-se na cadeira, tentando encontrar uma forma de omitir determinados detalhes que a levaria à sua origem Targaryen. Não havia chegado a hora.

— Você tem algo em teu sangue, que a faz ser especial.

— Especial... – soltou uma risada irônica – o que me faz ser especial, Merlin? Ter sonhos perturbadores? Quebrar vasos e janelas com um pensamento? Eu nem ao menos tenho ideia do que sou, e nem do que seria capaz...

— Eu peço que tenha paciência. Quando um poder muito grande é liberado em alguém despreparado, essa pessoa pode perder o controle e causar danos irreversíveis. Você precisa de uma condição estável para que possamos treinar seus dons, sem riscos para você mesma e a ninguém.

— Você está dizendo que eu sou perigosa?

Merlin inclinou para frente para tomar sua mão na dele.

— Existe um fator que irá manter seu equilíbrio no determinado ponto para que expanda seus poderes. Na verdade, uma pessoa.

Elaene retirou sua mão da dele, e franziu a sobrancelha.

— Arthur? ...Arthur é meu equilíbrio?

— O fogo para o teu gelo...

— Existe algo na profecia sobre nós? Tem a ver com o que disse em Correrio, sobre um dragão pertencer ao outro e assim outros nascerem? O que diabos isso quer dizer?

Merlin sabia que cometeu um erro ao declamar o trecho da profecia à ela. Ela não sabia de sua origem até então, mas poderia fazer alguma ligação com o fato de Arthur ser sim, um dragão Pendragon. Respirou fundo, e tentou mais uma vez contornar seu discurso.

— Nosso destino, por vezes não é uma linha reta. Ele pode ser alterado e reconstruído a cada passo que traçamos. O fato de Arthur ser o melhor para você, não necessariamente a faz estar ligada à ele, a qualquer custo... Só há algo certo sobre a vida: de que um dia ela cessará. Todo homem deve morrer. Valar Morghulis.

Elaene olhou para as próprias mãos depositadas em seu colo.

—Por que tenho a sensação de que se partir para o Vale, esse provável futuro que temos, sumirá?

— Porque é a verdade, Elaene. Você está diante de dois caminhos, e o que decidir amanhã, poderá alterar o curso de seu destino para sempre.

=^=

Quando Arthur abriu a porta de seu quarto, ela abraçava Gwen, e subiu o olhar para encontrar o dele, desfazendo o aperto na amiga lentamente.

Gwen notou a presença dele e olhou para trás.

— Deixarei vocês a sós. Verificarei se está tudo em ordem para a sua partida.

Elaene havia decidido após a conversa com Merlin, que escolheria Arthur se ele dissesse a verdade.

Sabia que teria de ser forte e resistir, mas tão próxima dele, sentia o coração fraquejar e então evitou olhá-lo nos olhos.

Foi ele quem quebrou o silêncio.

— Você está tomando a decisão certa partindo para o Vale, Elaene.

— É o que aparenta.

Arthur sentiu o ressentimento na voz dela e se aproximou, logo a sentindo tencionar. Tocou em uma mecha do cabelo dela a enrolando em seus dedos e a levando até seu rosto para sentir mais uma vez o teu cheiro.

Botou a mão em sua nuca e a puxou para encostar sua testa na dela

— Irei ficar maluco com você tão longe. Perdoe-me por não poder pedir para ficar. Acredite em mim, por favor. É tudo o que mais quero, mas não posso a impedir de partir. Eu te amo, e preciso buscar o melhor para você.

— Em Camelot ou no Vale, o melhor para mim é que você me diga a verdade.

Arthur bufou e fechou os olhos.

— Eu não posso. Sinto muito.

Elaene retirou a mão dele de sua nuca, segurando-a e encarou seus brilhantes olhos azuis.

— Obrigada por tudo que fizeste por mim. Jamais esquecerei que salvou minha vida. Terá a gratidão do Vale e a sua aliança, mas não temos mais nada a dizer um ao outro, Pendragon.

Girou os pés e seguiu até a porta, mas antes que ela abrisse, Arthur a puxou pelo braço fazendo-a chocar contra seu peito.

— Espere por mim. Royce irá te cortejar, mas diga não. Em breve tudo estará acabado, e poderemos ser felizes em paz. Não desista de nós!

Elaene aproximou seu rosto com o dele, até que suas respirações descompassadas se misturassem uma na outra, e seus lábios estivessem clamando por contato.

— Você pode me ter pela vida toda, basta dizer o que me esconde. Partirei para o Vale e contarei os dias e as horas até que esteja em seus braços novamente. Meu amor em troca da verdade. Diga agora, e sou sua para sempre.

Arthur sentiu os lábios tremerem como se estivessem traindo sua razão, e quisessem desesperadamente contá-la tudo de uma vez. Porém, conseguiu se controlar, e aos poucos soltou o aperto que a prensava contra seu peito, notando o olhar cheio de lágrimas que ela lançava à ele.

— A cada dia tenho mais medo sobre o que me escondes, Arthur. – abaixou o olhar virando de costas e piscando os olhos evitando que ele notasse a lágrima que caiu. – Preciso descer para o pátio.

=^=

Elaene já havia se despedido de todos no pátio, exceto ele. Arthur esperou os homens se dispersarem para aproximar dela.

Ela não conseguiu desviar o olhar dele, enquanto ele acariciava o seu cavalo.

— Você tem certeza sobre isso? Sei que é muito ligado ao Valente... – indagou Elaene se esforçando para olhar para longe do olhar dele.

— Sim, quero que ele vá contigo. Sempre foi um bom e leal corcel, e sei que irá lhe proteger pela estrada até o Vale. – disse depositando um carinho de despedida em seu companheiro. – Permita-me lhe ajudar. – disse oferecendo a mão em cortesia para que ela alcançasse a sela.

— Obrigada, Sor. – disse formalmente, fazendo-o franzir a testa.

Quando já estava montada, Elaene tentou retirar sua mão da dele, porém ele segurou firme a obrigando a encará-lo.

— Há algo que queres me dizer, Pendragon? – questionou firme.

Arthur suavizou o toque a permitindo retirar a mão, e deu um passo para trás.

— Espero que faça uma boa viagem, Lady Arryn.

Elaene apenas acenou com a cabeça, se obrigando a controlar o bolo de rejeição que formou em sua garganta, botando o cavalo em movimento para alcançar o resto da comitiva que já começava a deixar o pátio.

Durante todo o caminho até o portão, Elaene rezou para que ele a impedisse de alguma forma, que lutasse por ela, mas ele não o fez.

Quando passou por baixo do portal de madeira nobre, olhou para trás uma última vez, encontrando o olhar triste e derrotado de Arthur.

=^=

Um dia havia se passado desde a partida de Elaene, e Arthur passou grande parte do tempo meditando na janela, apenas observando o horizonte. Quando Gwen se aproximou, notou que ele girava um anel entre os dedos, próximo do rosto, enquanto refletia.

— Arthur, você está bem? – disse encostando a mão em seu ombro

— Você sabia que esse par de anéis está em minha família há várias gerações? – disse sem olhar para trás, continuando sua atenção ao objeto em seus dedos – Esse ganhei de meu pai aos quinze anos – disse apontando para a joia em seu dedo indicador — foi dele e de vários outros Pendragons antes de nós. – suspirou e fechou o outro anel em sua mão, levando o punho na boca – Eu sempre imaginei esse anel que foi de minha mãe, no dedo de Elaene. Ficaria esplêndido sua prata envelhecida, em contraste com a pele pálida dela, não acha?

— Não é tarde demais para vocês, Arthur. Tenha fé.

— Eu perdi meu irmão caçula brutalmente, e eu sequer estava lá para defendê-lo. Eu deveria estar lá. Sei que ele pensou em seu último suspiro, que eu estaria lá por ele. — disse virando as costas para Gwen e caminhando lentamente em direção à porta — Lancelot está travando batalhas que seriam de meu dever, tão longe daqui, em meio a montanhas e inimigos poderosos. Eu desprezo meu próprio pai, e a mulher que amo me despreza. — congelou enquanto abria a porta – Não sei mais o que significa ter fé, Gwen? — disse enquanto virou-se para encará-la.

Quando Gwen se preparava para retrucá-lo, Arthur acenou a interrompendo.

— Ficarei uns dias fora do castelo. Preciso ficar só. Você sabe onde estarei... e conto com seu silencio e discrição sobre minha localização. Se perguntarem por mim, diga que fui caçar e voltarei quando for a hora.

Gwen sabia que teria que enfrentar a fúria de Uther quando ele descobrisse que Arthur estaria fora por tempo indeterminado, com uma batalha iminente em mãos, mas mesmo assim acenou positivamente para o amigo confirmando e o incentivando a procurar sua paz.

Na cabana por trás das Brumas de Avalon, seu refúgio.

=^=

Entre a Campina e as Terras Fluvias

O Segundo dia de viagem foi cansativo, somado à chuva interminável que nunca permitia que ela se sentisse completamente seca. Merlin sempre cavalgava ao seu lado, e apesar de se manterem em silencio sepulcral durante quase todo o percurso, se sentia um pouco mais confortável com o garoto ao seu lado.

Não havia se alimentado direito e nem dormido na primeira noite. Aquele sentimento conhecido de rejeição, fazia sua garganta apertar e afastava qualquer possibilidade de fazer seus pensamentos pararem de rodar.

Na terceira noite estava completamente exausta, e quando acampavam para passarem a noite, dormiu antes mesmo da ceia. Estava em sua tenda, e a chuva havia dado trégua, a permitindo entrar em um sono profundo.

Elaene se viu como uma expectadora no sonho. Havia um homem do porte de Arthur em uma sacada de um grande quarto, que não parecia ser o quarto dele em Camelot.

Na porta da sacada, a fina cortina de seda branca balançava com uma gostosa brisa marítima que vinha da cidade.

Quando deu passos para frente, Arthur que estava debruçado no parapeito, olhou para trás e sorriu largamente. Elaene imaginou que estivesse sorrindo para ela, mas quando arriscou mais alguns passos para frente, sentiu um vulto correr ao seu lado, quase esbarrando nela. Era um garoto com cabelos lisos e negros, na altura da orelha.

Arthur o segurou dando uma suave risada, e quando ele girou o garoto no ar, pôde ver que ele tinha grandes olhos verdes claros, como os dela. Aqueles olhos eram tão parecidos com os seus. Pareciam ter sido arrancados dela e moldados no delicado rosto do menino.

Atravessou o quarto com pressa e tentou alcançá-los, mas quando chegou perto, os dois desmancharam sob os seus olhos e desapareceram em forma de cinzas ao vento.

Acordou em um impulso e notou que estava ofegante. Botou a mão na boca para tampar o choro que começou a jorrar descontroladamente.

— O que estou fazendo? ... – repetia baixo para si mesma.

Sentiu a dor de uma perda incontrolável. Sabia que se partisse, aquele futuro que sonhou estaria perdido para sempre. Mesmo não conhecendo aquela criança, sentiu por ela um amor tão grande, que não mais conseguia imaginar um mundo onde ela não existisse.

Quando saiu de sua tenda, logo encontrou Merlin e Brienne sentados em um toco em volta de uma fogueira, enquanto saboreavam carne de veado.

— Só assim outros nascerão. Outros dragões, não é? Eu carregarei o filho de Arthur? É isso o que a profecia quer dizer? — disse parando em frente ao garoto e quase atropelando as próprias palavras.

Merlin arregalou os olhos, e Brienne congelou sem entender o que Elaene estava dizendo.

— O que você viu? – perguntou Merlin com cautela.

— Eu vi nosso filho, Merlin. Porque não me contou? Porque me deixou partir?

— Não posso interferir em seu caminho, Elaene. Você deve tomar suas decisões sozinha e arcar com elas.

— Ainda não é tarde demais. – disse enquanto saiu às pressas em direção à Valente, que pastava próximo à sua tenda.

— Elaene, aonde vai?

— Para onde nunca deveria ter partido!

— Você vai partir assim, no meio da noite? – perguntou Brienne.

— Irei agora, e ninguém me impedirá.

— Nos impedirá, você quer dizer. – retrucou Merlin se levantando e sacudindo a sujeira no próprio colo. – Você não voltará sozinha, Elaene. Nunca mais estará sozinha.