Queen of ice and fire
37 Brumas de Avalon
Notas iniciais

Quando atravessaram os portões da fortaleza, Elaene cavalgava à frente de Merlin e Brienne, não conseguindo controlar a ansiedade. Assim que desceu da montaria, viu Gwen atravessar o pátio correndo em sua direção.
— Elaene? – disse Gwen enquanto a abraçava – quando me disseram, não acreditei que seria você mesma. O que está fazendo aqui?
— Eu voltei Gwen, e para ficar! – disse determinada.
Gwen automaticamente mudou sua expressão de felicidade para preocupação.
— E eu não quero estar perto quando Uther descobrir que você não está mais a caminho do Vale.
— Que Uther destile sua ira e pragueje meu nome aos sete infernos, não me importa. Ele não me transformará em sua peça de tabuleiro!
Gwen lhe sorriu incerta.
— Agora me diga: onde está Arthur?
=^=
Elaene se lembrava bem do dia em que Arthur lhe mostrou a passagem por baixo das águas do rio Avalon, até uma gruta. De lá partiram por uma suave mata, até encontrarem a clareira onde estava a cabana.
Porém, o dia já estava se pondo, e as brumas sobre o Avalon subiam e transformavam tudo em sua volta em cinza e névoa.
Quando entrou na água, apenas retirou sua capa pesada que prendia em seu ombro. A água estava fria por conta da fraca chuva que caia, mas conseguiu encontrar a passagem sob as águas com facilidade, e se deparou com os últimos raios de sol refletindo na gruta.
Ainda que se lembrasse bem do caminho, a escuridão da noite já começava a cair, e não conseguia avistar a clareira. Por sorte, a chuva havia se dissipado e o céu já mostrava sua estrelas e uma lua cheia que iluminava seus caminhos no chão.
Depois de muito andar em círculos, começou a sentir medo de não encontrá-lo. Fechou os olhos e o chamou mentalmente, como em uma prece para que a resgatasse, mais uma vez.
=^=
Aquela cabana humilde atrás das brumas de Avalon era seu verdadeiro lugar no mundo. Desde quando sua mãe faleceu, no nascimento de seu irmão caçula, Arthur procurava aquele lugar remoto para se recuperar e descansar de tudo e de todos.
Arthur havia passado o dia todo sentado na pequena escada de madeira, rodando o anel de sua mãe nos dedos, enquanto sentia a mansa chuva escorrer em seus cabelos.
Sentia seu coração partido, e mesmo assim, sabia que não poderia culpar Elaene. Ele era o culpado pelo próprio gosto amargo em sua boca. Sabia que deveria sofrer o que tinha, ali mesmo, longe de todos, e quando retornasse para Camelot, deveria ressurgir mais forte, e para seu desgosto, um pouco mais parecido com seu pai.
Observou os últimos raios da luz do dia refletirem sobre as copas das árvores ao seu redor, e fez uma prece aos deuses para que a visse ao menos uma última vez.
“Arthur!”
Usou sua mão livre para esfregar o próprio olho tentando espantar o cansaço, quando pensou ter ouvido seu nome ecoar de dentro da mata.
“Arthur!”
— Definitivamente, preciso descansar. – disse se levantando e caminhando para a entrada da cabana, porém, parou e virou-se para trás quando ouviu o chamado novamente.
“Arthur!”
No fundo sabia que era loucura, afinal ela estava bem longe de Camelot naquele momento, e acima de tudo, o desprezando por mentir para ela. Ainda assim, não conseguiu impedir seus pés de caminharem para fora da varanda e olhou em direção às árvores para tentar capturar algum outro som ou movimento.
Então viu o vulto sair em meio as árvores. Estava com um vestido ensopado e seus cabelos molhados balançavam ao vento enquanto ela corria em direção à cabana.
— Arthur!
Ouviu ela chamar mais uma vez, e agora sabia que era ela, ali tão próxima. Sentiu o coração bater tão rápido que teve a sensação de que saltaria por sua garganta.
Mesmo atordoado, saltou a pequena escada da varanda e avançou ao seu encontro.
— Elaene? – seu chamado saiu mais como uma pergunta.
Correram em direção ao outro, e quando por fim seus corpos se chocaram, Arthur a pegou no ar laçando os braços em sua cintura, enquanto ela esmagava seus lábios, passando os braços pelo pescoço dele.
Quando abriu os olhos e afastou seu lábio encostando sua testa na tela, ainda a segurando no ar, viu que ela tinha os olhos marejados e imaginou ter visto alivio neles.
— Sinto muito, Elaene. Sinto muito! Você precisa me entender...
Elaene o interrompeu com um beijo suave nos lábios.
— Eu te amo, Arthur. – disse sorrindo a despeito da lágrima que corria pelo rosto – E eu confio em você. Apenas prometa que não trairá o meu amor! Não quero estar sozinha de novo, nunca mais.
— Você nunca mais estará sozinha, Elaene. Eu estou aqui e nunca mais irei deixar você partir.
Enquanto Elaene avançou contra sua boca mais uma vez, Arthur a pegou no colo, segurando-a em seus braços, rumo à cabana.
=^=
Com Elaene nos braços e devorando seu pescoço, Arthur abriu a porta com um chute. Quando entrou na cabana, a colocou em pé novamente e ela encostou as costas na parede enquanto ele lhe encarava com intensidade.
Ela lhe puxou pela nuca e tomou sua boca novamente em um beijo sem delicadeza. Arthur levou sua mão até a alça de seu vestido e o puxou para baixo, deixando seu seio parcialmente à mostra. Ela gemeu com susto, mas relaxou os braços para ajudá-lo.
O vestido estava ensopado com o mergulho no rio e a chuva, então Arthur sem paciência para descê-lo, segurou em seu decote e o rasgou até a cintura dela, libertando seus braços do tecido molhado.
Arthur interrompeu o beijo para ajoelhar e descer o que restou do vestido para baixo, livrando as pernas dela enquanto ela levantava os pés, se apoiando em seus ombros, e permitia que ele retirasse o vestido por inteiro.
Ela sentiu um misto de excitação e ansiedade, mas resistiu a timidez em tampar os seios que agora estavam completamente expostos para ele.
O Pendragon jogou o vestido rasgado e molhado para longe, e quando ficou em pé novamente, a prensou contra a parede segurando suas coxas para laçá-las contra sua cintura, subindo ela para cima e gemendo com o contato tão íntimo agora que estava protegida apenas por sua leve e molhada roupa de baixo, e seus seios esmagados contra o peito dele.
Beijou-lhe mais uma vez, dessa vez, tortuosamente lento.
— Eu quero você... – Ele sussurrou em sua boca
Elaene lhe deu um beijo calmo como resposta, como se quisesse demonstrar que estava certa sobre suas decisões. Com um suspiro ele segurou suas costas a carregando no colo, rumo ao único quarto da cabana.
Quando a depositou na simples cama do aposento, levou a própria mão em direção à barra de sua túnica e congelou ao se lembrar das marcas por baixo do pano. Ela viu a hesitação no olhar dele e sentou na cama de joelhos, retirando a mão dele com delicadeza da barra da túnica.
Sem desviar o olhar do dele, ela retirou a túnica e a jogou no chão. Arthur continuava parado, então Elaene tomou sua boca novamente, e quando ele reagiu correspondendo ao beijo, ela distribuiu outros beijos em seu queixo e mandíbula, traçando um caminho lento em direção ao seu pescoço.
Quando o ouviu suspirar, continuou descendo os beijos até a clavícula e usou as mãos para tocar os ombros e os braços dele, sentindo a tensão que estava ali, se desvanecer com o seu toque.
Assim que o sentiu relaxar, Elaene continuou descendo os beijos para o dorso, e beijou as marcas que estavam ali. Quando beijou sua grande cicatriz no peito e ombro, em virtude do ferimento causado na batalha com Montanha, ele lançou o olhar para baixo em direção à ela, e constatou que ela não achava repugnante como ele mesmo pensava. Ela o venerava como se tivesse orgulho de cada marca que ele tinha, de cada feito que havia conquistado.
Arthur se permitiu sorrir enquanto segurava o queixo dela fazendo-a levantar o dorso, e capturando sua boca. Usou uma mão para abraçá-la e depositá-la mais uma vez na cama, nunca separando o beijo que dividiam, e usando os cotovelos para segurar o próprio peso contra o corpo dela.
Para relaxá-la, Arthur distribuiu beijos molhados no lóbulo da orelha e pescoço, sentindo-se satisfeito ao vê-la arfar e puxar seu cabelo com os dedos. Assim desceu os beijos para sua clavícula e rumo ao seus seios. Ao sentir um pouco de tensão quando se aproximou de seu ponto sensível, usou sua mão livre para massagear o outro, a sentindo arquear as costas em direção à própria boca dele.
Quando olhou para cima, encontrou os olhos verdes dela dilatados e escuros como o quarto, em reflexo do próprio desejo. Continuou beijando seu seio, agora com mais pressão, e a sentiu ficar ainda mais ofegante.
— Arthur... – ele olhou para cima quando a ouviu gemer baixo o seu nome, então levou sua mão livre para baixo, bem onde ela implorava por contato e se deleitou com o arquear de costas dela e outro gemido, dessa vez, mais alto. Ele mesmo não conteve um suspiro quando constatou o quanto ela estava excitada.
Arthur estava dividido entre aproveitar ao máximo aquela noite, ou saciar logo o desejo que estava reprimido há tanto tempo.
Assim, fechou os olhos e continuou a massageando, se concentrando em fazê-la chegar ao ápice logo, pois sabia que dificilmente ela o alcançaria na primeira noite com ele.
Não controlou o próprio gemido quando a sentiu pulsar em seus dedos e os molhar ainda mais, enquanto arqueava as costas e soltava um gemido mudo em agonia.
Retirou a roupa íntima dela e a sua em movimentos bruscos e rápidos, e posicionou-se em sua entrada a encarando enquanto depositava beijos suaves em seus lábios, esperando a confirmação dela para continuar.
Em resposta, Elaene correspondeu ao beijo e arranhou suas costas do topo para baixo, o sentindo arrepiar com o seu toque. Ele sentiu a barreira do corpo dela contra e decidiu que iria fazer aquilo rápido, seria a melhor forma de não prolongar a dor, e executou um movimento firme contra ela enquanto segurava sua cintura.
Elaene soltou um alto gemido de dor ao sentir sua pele ser esticada e o corpo intruso lhe invadir, e fechou os olhos com força ao não controlar uma lágrima que caiu.
Arthur beijou seu rosto com carinho, limpando a lágrima que havia caído e se sentindo mal por fazê-la sentir aquela dor.
— Desculpe...desculpe... – repetia enquanto continuava a beijar suavemente no rosto, pensando se deveria parar o que faziam. Mas quando ela o sentiu em dúvidas, o segurou pelas costas para que ficasse.
Por um tempo permaneceram imóveis e Arthur se controlou para não seguir seu instinto e se movimentar ao sentir o apertar tão forte. Continuou depositando beijos no pescoço dela enquanto se concentrava.
Elaene lentamente sentiu a dor atingir um nível suportável ao mesmo tempo em que voltava a relaxar, e então capturou os lábios dele mais uma vez o incentivando a continuar.
Ele soltou um suspiro na boca dela em alívio quando, por fim, começou os movimentos contra ela, bem suavemente. Ela sentiu a dor agora dar espaço à uma prazerosa sensação e soltou o ar dos pulmões com um pesado suspiro.
Aos poucos ela sentiu-se mais à vontade com o corpo estranho dentro dela, e o incentivava a aumentar a velocidade dos movimentos com puxões no cabelo dele. Quando ele obedeceu, ambos gemeram no meio do beijo e Arthur puxou o lençol embaixo deles tentando se controlar para não explodir tão cedo.
Arthur laçou suas costas com o braço, e girou invertendo suas posições, a ouvindo gemer com misto de dor e susto com a mudança de ângulo para uma maior profundidade.
Ela sentou em seu colo se apoiando com as mãos no peito dele, o fazendo arquear as costas e segurar a cintura dela para que fosse devagar.
Nessa posição tinha melhor visão do corpo dela e não conseguiu evitar em admirá-la a encarando intensamente.
Elaene desviou o olhar para baixo e Arthur a viu dar um pequeno sorriso. Ele franziu a sobrancelha tentando decifrar o que aquela expressão significava. Ele a viu ficar ruborizada e então percebeu que estava tímida pela posição dominante em cima dele.
Ele levantou o próprio dorso a ouvindo novamente gemer com o movimento e a abraçou firme, usando o abraço para puxá-la para cima e ensiná-la a cavalgar em cima dele.
Arthur viu o sorriso tímido de Elaene dar lugar a um olhar lascivo, um gemido que bateu em seu rosto e um puxão em seu cabelo que o fez rolar os olhos para trás.
Elaene se soltou e continuou a se movimentar sem a ajuda dele, e a dor agora era quase imperceptível comparada ao prazer que sentia, fazendo fechar os olhos para apreciar melhor o contato.
Quando sentiu o ápice muito próximo, Arthur empurrou as costas de Elaene novamente contra a cama e investiu contra ela, percebendo que usava as próprias pernas para abraçá-lo e trazê-lo para mais perto.
Ela acariciou o rosto dele com uma mão transmitindo todo o carinho com o olhar, e ele esmagou o rosto dela com um beijo e depois suspirou em seu ouvido.
— Eu te amo, Elaene. Haja o que houver. Nunca se esqueça disso!
Elaene sentiu os ombros dele ficarem tensos, e o viu travar a mandíbula enquanto puxava o lençol embaixo deles com uma mão. Arthur fechou os olhos com força e soltou um gemido rouco em seu pescoço, enquanto se liberava dentro dela.
Quando sua consciência voltou ao normal, ele girou para o lado liberando o corpo dela de seu peso, e a puxou para cima dele.
Abriu os olhos, e a viu com o queixo em seu peito enquanto o encarava com um sorriso tímido. Arthur botou uma mão no rosto dela e levou a mecha que caia sobre o rosto de Elaene para atrás de sua orelha
— Você está bem? Eu lhe machuquei?
— Estou bem, Arthur... – disse sorrindo com o rosto vermelho de um rubor repentino – no começo foi bem doloroso, mas o incômodo foi dando lugar à algo muito... muito bom... — notou ela ficar ainda mais corada. — Mas daí, paramos...
Ergueu o corpo para beijar o lábio dele e continuou
— Quando podemos fazer de novo?
=^=
Elaene abriu os olhos lentamente, sentindo gentis raios de sol refletirem na parede de madeira do quarto. Quando olhou para o lado, ele estava deitado escorando a cabeça com o cotovelo na cama, olhando-a dormir.
Arthur lançou o sorriso torto que ela tanto gostava, e não conseguiu impedir a si mesma de sorrir junto com ele.
— Bom dia, Lady Arryn.
— Bom dia, Pendragon. – respondeu com a voz frágil de sono – estava me espionando dormir?
— Eu não diria “espionando”. Estava a observando de perto, cuidadosamente. – sorriu novamente e depositou um beijo casto nos lábios dela. – Eu só não consigo acreditar que você está aqui...
—E eu não consigo sequer acreditar que tive coragem de partir... – disse com sinceridade, fazendo ele abaixar o olhar.
— Elaene, eu te amo ainda mais por confiar em mim dessa forma, mas preciso me explicar. Eu estou tentando te proteger. Temos que voltar para o castelo, Lannisporto foi...
Elaene levantou um dedo e encostou delicadamente nos lábios dele.
— Não agora! Por favor... quando voltarmos teremos uma guerra e a fúria de Uther para enfrentar. Nem ao menos sei como Lorde Royce irá reagir quando souber que eu fugi da comitiva. Só quero um dia inteiro com você, longe de tudo, aqui nessa cabana escondida pelas brumas. – disse sugando o lábio inferior dele em sua boca – apenas hoje, vamos esquecer de tudo. Vamos fingir que só existe eu e você no mundo...
=^=
Arthur agradeceu mentalmente por estarem naquela posição, pois podia a observar franzir a sobrancelha e abrir a boca em um som mudo, enquanto se movimentava em cima dele, sentada em seu colo.
Elaene deu pequenos tapas no peito dele enquanto suas pernas tremiam, e ele a sentiu contrair nele e o apertar com força, enquanto desfrutava do orgasmo que ele provocou.
Foi o suficiente para que ele também não conseguisse mais segurar, e liberasse sua semente nela mais uma vez.
Ela desabou sobre seu corpo e escondeu o rosto no vão do pescoço dele, enquanto acalmava a própria respiração.
— Deuses, nós estamos ficando bons nisso... – disse com um riso dançando entre as palavras.
— O quê? Você revirou os olhos, sentada em cima de mim, e diz apenas que estamos ficando bons? Só isso?– disse enquanto inalava o aroma que exalava do pescoço dela, a tempo de ouvir sua risada.
Ela o beijou suavemente e por um instante sua expressão ficou um pouco mais séria enquanto o encarava.
— O que aconteceu? No que está pensando? – Perguntou Arthur ao sentir a mudança de humor dela.
— Estou pensando em amanhã e na reação de Uther.
—Ele apenas poderá descontar sua frustração em mim, não se preocupe com meu pai. Ele com certeza está furioso com você desistir de partir, mas ele precisa de você e não pode se dar ao luxo de perder sua amizade...
— Mesmo que o Vale seja tão importante para alcançar o trono, como conseguirá atrair os nobres para apoiar sua causa na guerra, quando Lysa Tully se afugenta no Ninho da Águia e os ordena para ficarem quietos?
Cansado de mentir, Arthur acariciou o rosto dela enquanto suspirava.
— Sobre isso, ele tem suas cartas na manga, e Lorde Royce é seu maior trunfo. Os nobres do Vale não estão satisfeitos com Lysa. Além disso, o fato de Robert Arryn ser um garoto tão doente, não ajuda. Mas não é somente pelo Vale, Elaene. Lembra-se do segredo que te envolve, que ainda não posso revelar? – a viu acenar com a cabeça suavemente — eu preciso que confie em mim, tudo bem? Uther precisa de você ao seu lado, como uma garantia, digamos. Apenas saiba que eu sempre estarei contigo, e farei a justiça que você merece, na hora certa.
Elaene enrugou a testa sem entender o que ele dizia, mas acenou mais uma vez, depositando a confiança que ele já havia demonstrado que merece.
— Eu tenho medo que ele faça algo para nos separar, Uther não parece ser do tipo de homem que gosta de ser contrariado.
—Ele não fará, é contra os interesses dele — bufou antes de continuar, decidido a revelar o que podia — Você se lembra como Jon Arryn recusou seu noivado com Robb Stark? Sei que Ned Stark somente os aprovou em segredo, por pressão do próprio filho...
Ela sentiu-se incomodada com o rumo que a conversa tomou e sentou-se na cama ao lado dele.
— O que isso tem a ver com nós, Arthur?
Arthur se levantou sentando em frente a ela, e apanhando sua mão na dele.
— Ele não podia aprovar seu noivado com Robb Stark, porque já havia prometido você à outra pessoa. Você estava prometida à mim desde quando nasceu.
—O quê? – disse em espanto.
— Jon Arryn revelaria isso à você, quando julgasse que fosse a hora certa para contar a verdade. Sei que você sofreu com a ausência dele e que teve uma infância difícil. Por isso, quero que retire esse peso de seus ombros. Jon Arryn não te abandonou, Elaene. Ele a protegeu e lhe confiou nas mãos de Ned Stark, não por acaso.
— Mas que diabos você está dizendo, Arthur? Por que nunca me contou que fui prometida à ti? Por que me escondeu isso?
— Porque eu quis que você fosse livre para fazer suas escolhas, e se me escolhesse, fosse por amor e não pelo dever. Eu não poderia correr o risco de que essa informação a influenciasse. Eu queria que você fosse completamente livre...
Elaene sentiu a raiva se dissipar e apanhou os lábios dele nos seus. Encostou sua testa na dele enquanto retribuía o carinho em sua mão.
— Você é um bom homem, Arthur. Sempre foi. Eu o amo por isso. — disse sorrindo — Sei também que seria um bom rei. Rei Arthur, Rei do Sul. O dragão de olhos azuis. — disse aumentando o sorriso ainda mais.
—E todo rei precisa de uma grande rainha. – respondeu com a voz baixa.
Arthur respirou fundo e sentiu a ansiedade tomar conta, e fazer seu coração disparar.
— Elaene, eu nunca mais quero me separar de ti. Quero que a primeira imagem de meu dia seja esse teu sorriso, tão puro que faz meu coração querer derreter e escorrer de meu peito. Poder sentir e ouvir teu êxtase toda noite, enquanto sussurra em meu ouvido, e franze a testa como se tentasse resolver um problema impossível. – sorriu torto para ela e ela devolveu um sorriso tímido enquanto sentia os olhos ficarem marejados.
Arthur retirou o anel que pertenceu a sua mãe de seu próprio dedo mindinho e o alisou em uma mão, mostrando o objeto para ela.
— Esse anel pertencia à minha mãe, assim como o meu pertenceu a meu pai. É uma tradição da família Pendragon, repassá-lo a geração seguinte. O anel representa um círculo, sem início e sem fim. Assim como meu amor. – respirando fundo mais uma vez, criou coragem enquanto notava a emoção no rosto dela – Você me daria a honra de ser a minha Pendragon, Elaene?
Elaene sorriu depositando um suave beijo nos lábios dele e acariciando seu rosto respondeu.
— Nada me faria mais feliz.
=^=
Elaene vestia roupas de Arthur, uma túnica de algodão vermelha, e um calça que estava firmemente amarrada pelo cinto de espadas.
Ela caminhou na direção da varanda, já sorrindo constrangida.
— Deuses, estou ridícula...
Arthur sorriu e a abraçou pela cintura, depositando um beijo em sua testa enquanto sorria.
— Sem medo de que você conclua que sou um pervertido, digo que você está incrivelmente irresistível em minhas roupas... – disse enquanto beijava o pescoço dela, e quando olhou para baixo, não pode deixar de notar os seios dela em evidência sob o pano leve e largo, o fazendo suspirar.
— Eu preferia meu vestido, se você não o tivesse destruído. – disse com uma voz fraca enquanto arfava com o beijo molhado que ele depositava em seu ponto sensível no pescoço. – Arthur, se continuarmos assim, não iremos embora nunca...
— Não seria uma má ideia...
— Não, não seria. – disse segurando o rosto dele.- Mas temos que partir.
Ele lhe sorriu torto, após respirar fundo.
— Preparada? – perguntou segurando a mão dela.
— Sempre.
=^=
Quando atravessaram o pátio notaram uma grande movimentação de várias outras casas da Campina, o que os ajudou a quase não serem percebidos em meio ao tumulto.
Arthur foi o primeiro a descer da montaria e segurou na cintura de Elaene, notando que ela já estava quase seca do mergulho. Podia sentir a ansiedade nos olhos dela, e lhe sorriu para acalmá-la.
— Arthur? – ouviu a voz de seu pai, e estranhamente ele estava com a ira controlada. Se Arthur não o conhecesse bem, diria que estava calmo a aliviado quando lhe deu um abraço.
— Eu estava preocupado com você, por onde se meteu?
Logo Uther olhou pelo ombros de filho e viu Elaene lhe olhar com olhos cuidadosos e notou que estranhamente estava vestida com vestes masculinas.
— Elaene? – disse a abraçando – Quando soube que havia voltado à Camelot, enviei homens à sua procura por todo canto. Estávamos todos apreensivos, e seus amigos que vieram com você, se negaram a informar sobre sua localização.
Elaene separou o abraço para responder.
— Eu estava com Arthur. Apenas precisávamos de um tempo longe de tudo, Uther. Sinto muito por deixá-los apreensivos.
— Tudo bem. Está perdoada Lady Arryn, apenas não o faça novamente, por favor.
Uther segurou as mãos dela para um beijo e notou o objeto. O Anel que um dia pertenceu à Igraine Pendragon, mãe de Arthur, estava no dedo de Elaene.
Por mais que Uther soubesse bem dosar as emoções quando queria, seja para manipular as pessoas ou para esconder seus verdadeiros sentimentos, deixou passar em um reflexo seu choque por Arthur ter lhe desafiado.
— Não seja tão formal, meu pai. Não precisa se dirigir à tua futura nora por Lady Arryn — disse enquanto posava a mão no ombro de Uther, se aproximando a uma perigosa distância — Aliás, Pendragon sempre combinou mais com Elaene, não achas? Sem dúvidas, um sobrenome digno de um dragão!
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