Lannisporto

Thimmy Hill acordou antes do primeiro raio de sol bater nas montanhas. Em sua casa humilde, feita de madeira e pedras próximo ao cais, sentia a brisa marítima e o fétido cheiro que vinha do lugar. Era um cheiro que jamais acostumaria.

Nasceu em uma das vilas próximas à Lannisporto e havia se mudado para a grande cidade portuária com o objetivo de trabalhar por um futuro melhor para sua mulher e seus filhos.

Trabalhava dividido entre tarefas de pesca e serviços administrativos do movimentado porto da cidade. Por vezes, surgiam outros bicos em pequenas embarcações.

Com a guerra batendo às portas, já que o feroz exército Nortenho marchava perigosamente sobre as Terras Ocidentais, eis que surgiram oportunidades melhores para ele e outros plebeus na famosa guarda da cidade.

A guarda de Lannisporto sempre foi temida. Com grande tradição, seus homens são treinados com rigor, e são bem pagos. Em sua maioria esmagadora, são filhos de nobres das terras Ocidentais. Thimmy jamais pensaria em fazer parte da guarda de Lannisporto, se não fosse pela gravidade da situação.

Thimmy já tinha ouvido falar sobre o tal Rei do Norte. Ouviu dizer que o garoto se transformava em lobo nas batalhas, e de maneira brutal matava seus inimigos. Sua mulher ficou apavorada em imaginar um confronto com os nortenhos, mas ele não poderia recusar a oportunidade. Jamais teria outra change de dar uma vida mais digna à sua família.

Alimentou seus animais após seu desjejum, e caminhou a pé, como sempre fazia, em direção ao Forte de defesa da cidade, ao Leste.

Porém, quando alcançou uma colina, e olhou para trás ao horizonte para a linha no mar, viu navios estranhos se aproximando, diferentes dos habituais barcos de pescas que ancoravam logo pela manhã. Estranhou também a quantidade deles.

Assim que os navios atracaram de maneira estranha e brutal, Thimmy viu homens desembarcarem como loucos e atacarem seus amigos que estavam no cais, justamente aqueles que aguardavam os primeiros barcos do dia movimentado. Aqueles homens não eram comerciantes! Pelo o que conhecia deles, aqueles homens vieram a Lannisporto com um único propósito: pegarem o que quiserem e pagar com o preço de ferro.

Sentiu o coração bater rápido no peito, e só pensava em voltar para casa e proteger sua família. Desceu a colina a toda velocidade e observou homens, mulheres e crianças correndo cidade acima.

Thimmy viu sua mulher correr com roupas de dormir e a abraçou firme, enquanto seus dois filhos de seis e oito anos seguravam a barra da camisola dela e choravam. Colocou os dois filhos no colo e correram cidade a cima, e por fim, conseguiram encontrar um abrigo seguro próximo ao Forte.

Quando encontrou-se com seu regimento da guarda, soube que o cais estava caótico, e que a guarda costeira travava uma batalha sangrenta contra os invasores.

Os homens estavam agitados e nervosos, e Thimmy notou o medo em cada um deles quando os ordenaram para se prepararem para a confronto.

Durante muito tempo Thimmy sempre torceu para que aquele momento nunca chegasse. Esperava que aquele momento nunca chegasse. Sempre acreditou que os Lannisters varreriam os nortenhos a tempo, afinal, estavam tão próximos de Rochedo Casterly, ninguém apostaria que o lobo caçaria tão perto do leão.

Thimmy terminou de vestir sua armadura e quando pegou sua lança, a viu tremer com o seu nervosismo, então rezou ao guerreiro para que lhe desse forças e que voltasse vivo para sua família.

=^=

Thimmy estava cansado e sentia os pulmões queimarem com o esforço de defender, golpear e correr. Não era um soldado, mas mesmo assim havia conseguido derrubar um homem de ferro.

Não se orgulhava de ter matado um homem, mas sabia que deveria fazer o que fosse necessário pela sobrevivência. Aqueles homens viviam para matar e pilhar, e fariam barbaridades se tomassem a cidade.

Ele notou que parte da guarda formada pelos plebeus foi direcionada colina abaixo rumo aos homens de ferro, bravos e temidos guerreiros, enquanto eles, apenas trabalhadores e camponeses.

Não, aquilo não era uma batalha, aquilo era um massacre.

Pensou na mulher e nas crianças, e criou forças para correr na direção contrária do caos.

Quando entrou em uma casa destruída para fugir de um grupo de cinco homens, Thimmy imaginou quando o reforço surgiria no horizonte. Mas então, percebeu que talvez nunca viessem.

Abaixou-se nos escombros de uma parede derrubada, e viu dois homens de ferro matarem um membro inexperiente da guarda da cidade e arrancarem sua cabeça como prêmio, enquanto seguiam rua acima.

Quando sentiu que poderia escapar, correu para o meio da mata próximo a praia, tentando contornar o cais.

Conseguiu pular o muro de outra casa e saiu em direção à cidade acima, enquanto via que alguns outros membros da guarda fugiam na mesma direção.

Quando alcançou a praça principal, esfregou os olhos pois pensou estar imaginando coisas. Viu um enorme regimento de cavalaria da guarda da cidade subindo rumo ao portão enquanto os invasores cavalgavam em sua direção. Viu bandeiras desconhecidas e sabia que eram nortenhos.

O portão estava intacto, mas viu homens de ferros entre os nortenhos e então soube que estavam perdidos. O ataque no cais era só uma distração. O objetivo era abrir os portões para o Rei do Norte. Os homens de ferro e os nortenhos os cercavam e os empurravam desde as montanhas até o mar.

Tentou correr para o lado, mas outro regimento da cavalaria inimiga havia cercado as laterais da cidade. Eram tantos...

Era o fim.

Viu os nobres desdenhosos caírem de seus cavalos batendo as costas no chão de pedras da praça central, quando encontraram no peito martelos e espadas dos nortenhos.

Mas também viu amigos e conhecidos do porto morrerem com aço e madeira. Nobres e Plebeus, não importa quem fossem, gemiam o mesmo som quando sentiam a lâmina lhes beijar, e sangravam do mesmo tom de vermelho.

Um homem nortenho o avistou e veio correndo em sua direção, gritando “Karstark”. O nortenho lhe desferiu golpes pesados e precisos com uma pesada espada e Thimmy sentia as forças nos braços o abandonar, e assim, não conseguiu evitar quando o homem deslizou a espada sobre a sua, e desferiu um golpe certeiro no abdômen.

Thimmy podia sentir o aço frio da lâmina beijando suas entranhas, e sua visão começou a falhar.

A última imagem que teve em vida, não foi a de seu algoz.

— É verdade... — gemeu as palavras sem forças

Ele estava certo? O rei se transformava em lobo, como ouviu nas histórias?

No chão de onde soltou o último suspiro de vida, viu um lobo gigante com belas manchas cinzas nas costas avançar contra dois homens, os rasgando como se fossem papeis.

=^=

Camelot

— É verdade sobre Lannisporto? A cidade caiu? — perguntou aflita.

— Sim, Elaene. Graças a aliança com os homens de ferro, a cidade mais importante do Oeste está nas mãos dos nortenhos.

Elaene sorriu largamente e fechou os olhos em agradecimento.

— Está feliz por Robb Stark? — Gwen perguntou sentindo ciumes por Arthur.

— Gwen, não comece! É claro que estou feliz, por todos nós! Estamos vencendo a guerra! — respondeu determinada — Alguma notícia sobre Porto Real?

— Nenhuma. Todos estão bastante tensos por aqui. Uther cruza esses corredores cuspindo marimbondos a cada dia que passa sem notícias. A cidade pode estar sendo tomada por Stannis nesse exato momento em que falamos. Os Lannisters não tem nenhuma chance. Não agora que perderam o domínio no próprio Oeste.

Elaene botou a mão no rosto em sinal de preocupação.

— Eu ficarei maluca se Arthur tiver de marchar para Porto Real... e as meninas Starks, o que será delas?

— O que é isso em seu dedo? É o que estou pensado? – disse Gwen segurando a mão de Elaene, com os olhos arregalados, e botando a própria mão na boca quando olhou de perto o anel e o reconheceu – Pelos Sete!

Elaene sorriu tímida.

— Elaene, quando vocês não voltaram naquela noite e nem na manhã seguinte, eu imaginei que a estadia atrás das Brumas estivesse ótima, mas não imaginava que seria tão proveitosa assim... – estreitou o olhar para a amiga e sorriu maliciosamente – Vocês, enfim, fizeram sexo. É tão óbvio!

— Gwen!!! – Elaene respondeu em choque cutucando o braço de amiga e olhando para trás para ver se havia algum ouvinte curioso no corredor, a tempo de ver o sorriso da amiga ficar ainda mais largo.

— Deuses, vocês fizeram muito sexo! – disse rolando os olhos e sorrindo quando lembrou de suas aventuras com Arthur e o quanto o amigo possuía fogo em si mesmo.

— Gwen, fique quieta! Alguém pode nos ouvir – disse segurando a amiga pelo braço – Sim, fizemos. – sussurrou.

Gwen começou a rir, e botou a mão sobre a boca para abafar o barulho enquanto Elaene sorria de lado.

— Eu sempre apostei que você era uma garota má, Elaene. Afinal, sou uma Dornesa, consigo identificara o fogo quando o vejo. – aproximou-se para dizer em voz baixa – Preciso lhe ensinar algumas coisas. Você tem de tomar chá-de-lua, sempre que se deitar com Arthur.

— O quê? – disse Elaene chocada ao se recordar do estudo de ervas em Winterfell, e se dar conta do efeito do chá nas mulheres – Não!

— Vocês ainda não estão casados de fato. Você não irá querer gerar um bastardo, não é?

Lembrou-se de quando estava noiva de Robb, e de suas aventuras e amassos no bosque sagrado e no quarto dele. Se tivessem consumado o amor entre eles em Winterfell, provavelmente estaria em apuros, com um filho bastardo do Rei do Norte nos braços agora.

Agradecia aos deuses por isso. E à maldita honra dos Starks.

Mas agora ela e Arthur haviam consumado, e teve medo de que tudo caísse em ruínas, exatamente como poderia ter sido com Robb.

Sentiu pânico e fez uma prece aos deuses “Não me deixem gerar um bastardo...”

=^=

— Você enlouqueceu??? – Uther perguntou aos berros assim que tiveram privacidade nos aposentos do Senhor de Camelot, avançando contra o filho com olhos furiosos, e sua voz parecia um trovão ressoando no quarto. – Lorde Royce está irado, e quase perdemos nossa aliança!

Arthur manteve sua postura e ergueu o olhar para enfrentar o pai com bravura.

— Você ainda tem a sua aliança, não tem? E agora, eu e ela temos a nossa felicidade. Lorde Royce não levaria Elaene para o Vale, apenas por ser uma alma bondosa. Sabemos muito bem que ele tem ambições bem maiores sobre o Vale, do que apenas sua preocupação com a linha sucessória do Ninho da Águia. Ele iria encontrar um meio de se casar com ela.

— Eu ordenei que você esperasse! Elaene não aceitaria se casar com ele. Lorde Royce teria que se conformar.

— Ou talvez você queria ganhar tempo para analisar se seria mais vantajoso se aliar à herdeira do Ninho da Águia, ou reconciliar com os Tyrell, sugerindo meu casamento com Margaery!

— Como você ousa me desafiar dessa forma???

— Eu sei o que você é, meu pai. Agora eu consigo ver com clareza suas ambições, antes mesmo que você mova suas peças...

— Você desrespeita teu próprio pai? – perguntou franzindo a sobrancelha em sinal de indignação.

— Chega desse sentimentalismo barato! Essa máscara aqui, não é você. – disse Arthur com escárnio, enquanto dava às costas à Uther.

— O que deu na sua cabeça para em aparecer em Camelot ao lado de Elaene indecentemente vestida com suas vestes, e com o anel de nossa família à mostra para todos verem?

— Meu noivado com Elaene não é mais segredo, como pôde constatar de perto. Eu providenciei que ele fosse o mais público possível. Não há nada que você faça que vá mudar isso. Ainda mais agora que os nobres da Campina estão animados por terem o Vale ao nosso lado.

— Agora que o estrago está feito, seja razoáveis e esperem o desenrolar da guerra.

— Não, não será dessa forma.

— Como diz? – perguntou Uther com os olhos arregalados em surpresa

— Você irá convocar o Septão de Camelot, e iremos aproveitar a presença dos nobres da Campina para que testemunhem meu casamento com Elaene. Creio que em dois dias seja possível.

Uther começou a gargalhar cinicamente e virou-se para a janela, tentando aplacar a fúria.

— Quem você pensa que é para me dar ordens, seu dragãozinho arrogante?

— Aprendi com o melhor.

Quando Uther avançou contra ele novamente, levantou a mão e a congelou no ar, apenas a tempo de não chocar o punho contra o rosto de Arthur.

Arthur permaneceu parado, esperando o choque que não veio. Não sentiria prazer em agredir o próprio pai, mas um dragão não aceita ser açoitado. Não mais.

Uther viu algo sombrio nos olhos do filho que o fez recuar, mas acenou com o dedo em direção à Arthur, acusando.

— Seu ingrato! Jamais aceitarei seus termos. Não tenho tempo para essas besteiras, estamos à beira de uma batalha, ou você se esquece do seu dever com o seu povo?

— Não correrei o risco de deixar Elaene desamparada se eu morrer. Nós iremos nos casar antes que eu tenha que marchar para qualquer outra batalha. O dever com o meu povo será cumprido, não fujo disso. Jamais!

— E porque você acredita que farei o que propõe?

— Ah meu pai, você fará. Caso contrário, cada nobre da Campina e do Vale, que está nesse castelo, saberá quem é a Targaryen herdeira de Rhaegar...

Uther estreitou o olhar e Arthur pela primeira vez em toda sua vida, viu uma fragilidade no Lorde Pendragon. Era medo. Cautela.

— Você está louco, Arthur...

— Talvez esteja. Talvez conviver por tanto tempo com uma Targaryen, me fez assim. Louco e tão sensato. Não precisamos de um casamento épico, Uther. Os nobres de nossas casas já estão em Camelot, não temos porque perder tempo. Quero que nossa união seja oficializada perante os deuses e os homens, principalmente diante dos nobres que aqui estão. Você sabe, garantias... – disse fazendo uma pequena reverência para sair do aposento, mas parou na porta e olhou para trás – Não pense que lhe confrontar me dá prazer, pai. Mas as coisas serão dessa forma. Em troca, lhe darei aquele trono de ferro que você tanto ama.

=^=

Bateu na porta e ele autorizou que ela entrasse. Colocou o rosto para dentro da sala e viu o sorriso dele aumentar quando a viu. Ele estava sentado na mesa, e parecia analisar alguns pergaminhos e vários mapas estavam que esparramados em cima da mesa.

— Venha aqui! – disse com o sorriso torto que ela gostava, acenando para que ela se aproximasse.

Quando ficou ao lado dele, o sentiu laçar sua cintura e a puxar com o braço fazendo-a sentar em seu colo e arrancando um gemido de susto dela seguido de uma risada abafada por ele com um beijo suave nos lábios.

— Lady Pendragon...

— Mesmo? Em breve?... – perguntou com medo de dizer sobre seus anseios. Mas quando viu o sorriso dele, permitiu a si mesma relaxar e sorrir.

— Muito em breve, não temos que esperar muito. Alguns dias, dois ou três no máximo. Espero que não tenha nada programado, pois irei me casar com você e gostaria que estivesse presente.

— O quê? – disse sorrindo, não acreditando no que ouvia. – É serio? Mas e Uther? Como reagiu? Ele parece tão focado no confronto...

Elaene notou Arthur ficar um pouco mais tenso.

— Está tudo resolvido. Uther já designou o intendente para cuidar dos preparativos e a vinda do Septão. – a viu sorrir com brilhos nos olhos e a puxou para mais um beijo. – Você não irá escapar dessa me iludindo, seduzindo e fazendo amor comigo de noite e dia, sem oficializar nosso casamento – depositou um beijo no pescoço dela e a sentiu dar uma risada.

— Arthur, eu amo e odeio esse seu humor, mas vim comunicar algo. Antes de qualquer coisa, não interprete de forma errada. Eu enviarei uma carta para Robb, o parabenizando pela campanha em Lannisporto e comunicando sobre nosso casamento – Elaene viu Arthur desviar o olhar para o lado e suspirar, então levantou seu queixo com um dedo – Eu devo isso à ele, Arthur. – disse depositando um carinhoso beijo para tranquilizá-lo.

— Apesar de sentir um inegável ciúme, respeito sua consideração por ele. Entregue a carta para Meistre Gerold, que ele providenciará o envio de um corvo.

Ela encostou seu rosto no vão do pescoço e inspirou o aroma dele.

— Obrigada. Eu amo a sua generosidade.

— Só minha generosidade? — disse fingindo estar magoado

— De vez em quando, o amo por inteiro também. — respondeu sorrindo em seu pescoço.

Ele lhe respondeu com um afago na cabeça e então ela continuou.

— Não quero mais tomar chá-de-lua, Arthur.

Ele virou o rosto para encará-la.

— Você não precisará tomar mais. Não haverá suspeitas se tivermos gerado uma criança. Apenas mais alguns dias... — disse a beijando suavemente – ... mas será impossível me manter longe do seu quarto por tanto tempo – desceu o beijo para seu pescoço e garganta, a ouvindo suspirar baixinho enquanto usava uma mão para levantar o vestido dela, e acariciar sua coxa – claro que podemos esperar até lá...

Ao contrário de suas palavras, suas intenções eram claramente outras. Arthur havia transferido sua mão para a parte interna da coxa dela enquanto subia lentamente.

— Mas eu poderia visitar teu quarto essa noite, se você me pedisse... – continuou e sorriu em deboche quando não ouviu resposta dela. Resvalou o polegar na virilha dela, fazendo-a arfar e puxar seu cabelo com força.

Elaene conseguiu se levantar e se livrar dos braços dele em sua cintura. Voltou a sentar no colo dele, dessa vez de frente, o encarando com um olhar firme.

Elaene sentou bem em cima da excitação dele, que não conteve um suspiro e agarrou as costas dela para que chegasse mais perto. Ela se aproximou de sua boca e movimentou seu quadril contra o dele, lascivamente.

— Você gosta de me controlar, Arthur?... – empurrou contra ele novamente, com mais força, e o viu rolar os olhos para trás ao morder os lábios, enquanto segurava a sua cintura com força.

Elaene beijou o lóbulo da orelha dele quando não obteve resposta.

— Elaene...por favor...

— Não se esqueça que consigo te controlar também. Se eu quiser que esperemos, assim será. Se eu quiser que me tenha aqui agora, em cima dessa mesa, sobre os mapas de Westeros, o faremos. Entendeu?

Arthur usou a mão na cintura dela para a empurrar contra ele mais uma vez.

— Sim, Lady Pendragon. – disse em um sussurro.

Teve vontade de levantá-la e derrubá-la sobre a mesa enquanto empurrava os mapas para longe. Mas conteve a si mesmo e domou o desejo, pois gostava de vê-la no comando, o dominando como uma Targaryen deveria fazer. Um verdadeiro dragão. — Ordene e eu faço!

Elaene o beijou sutilmente nos lábios enquanto parava os movimentos.

— Iremos esperar. Com tantos nobres cruzando os corredores, não podemos correr riscos de que alguém duvide da legitimidade se gerarmos um filho. Mas saiba que estarei contando as horas para nossa noite. Só dois dias... — suspirou mordendo o lábio inferior dele — e então estarei em nosso quarto, te esperando. Despida de roupas e qualquer obstáculo que nos impeça de sermos plenamente felizes. Vestida apenas de céu e estrelas. – deu um último beijo, e olhou para baixo para onde estava a evidência do desejo dele. Sorriu enquanto maldosamente o acariciava com a ponta dos dedos — meu doce Pendragon...

=^=

Quando o encontrou no jardim do castelo, Merlin estava agachado perto de arbustos e recolhia ervas. Aproximou-se tentando não o atrapalhar.

— Por que recolhes tantas ervas medicinais? – Perguntou desconfiada.

Merlin respondeu objetivamente, sem se virar para trás.

— Porque iremos precisar de todas elas, muito em breve.

Sentou sobre os joelhos para olhá-los nos olhos, sem vontade de perguntar mais, pois temia aquelas respostas.

— Merlin, sobre meu amuleto, aquele que entreguei à Brienne quando ela partiu para Correrio. Onde ele está?

— Elaene, você pensa que foi o amuleto que liberou a magia em você? – botou a erva na bolsa de suprimentos, e voltou a encará-la quando percebeu as intenções dela. – Não se preocupe, ele cumpriu sua missão contigo. Você é a magia, não ele. É só um objeto.

— Quero que me ensine a usar meus poderes. Para a guerra. — disse sem cerimônias.

Merlin congelou, e a encarou firme. Ele sabia que Elaene seria importante para a tempestade que se aproximava, e a sorriu em incentivo.

— Está na hora.

=^=

Assim que recebeu a carta das mãos do Meistre Gerold, desceu os degraus do castelo com a maior rapidez que conseguiu.

Quando ofegante abriu a porta do salão de reuniões, viu o pai com um olhar distante enquanto conversava com os nobres à sua volta.

— Pai, peço perdão pela intromissão, é urgente! Um corvo chegou há pouco. Jaime evadiu de correrio e ao que tudo indica, foi resgatado pelos homens de Ramsay Snow. E...

— Arthur, sente-se. – disse apontando para a cadeira à sua frente.

Quando o filho obedeceu, Uther lhe mostrou outra carta nas mãos.

— Temos outra notícia ainda mais importante e preocupante. – levantou-se da cadeira – Stannis foi massacrado às portas de Porto Real. Sua frota marítima foi dizimada por fogo vivo.

— Stannis não possuía apenas navios. Ele tinha uma quantia razoável de homens... – disse incerto.

— Tyrells se aliaram aos Lannisters e empurraram Stannis contra o mar. Foi um massacre. Notícias dão que Stannis fugiu de volta para Pedra do Dragão com o pouco contingente que restou, pois alguns de seus próprios homens, que eram leais à Renly, “viraram casaca” quando avistaram os Tyrells.

Arthur sentiu o choque fazer sua cabeça latejar, mas não soube dizer se a notícia seria assim tão ruim, ou boa.

— Então Lannisters ainda guardam a Capital com a ajuda dos Tyrells? Marcharemos para Porto Real e enfrentaremos um poderio militar desse porte?

— Não precisaremos marchar para a capital para enfrentar esse poderio, Arthur. Ele vem em nossa direção, como uma onda tempestuosa batendo nas paredes de Ponta Tempestade. – Uther manteve o olhar firme para não demonstrar seu temor – Os regimentos de Kevan Lannister e Loras Tyrell, estimado em vinte e cinco mil homens, caminham rumo à Camelot e Correrio. Estaremos cercados em no máximo duas semanas.

Notas finais
Deixem seus recadinhos =) Eu particularmente achei a curta história do Thimmy muito triste e trágica, mas é para justamente mostrar que não existe mocinho em guerras não! =/ Amamos o Robb, mas temos que lembrar que seu triunfo é construído em cima de vidas inocentes!